Logística

Canal do Panamá lança programa LoTSA 2.0 para modernizar alocação de slots

Novo modelo amplia flexibilidade para companhias de navegação

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) anunciou o lançamento do programa LoTSA 2.0 (Alocação de Slots de Longo Prazo), que traz um novo modelo de reservas para companhias de navegação. O objetivo é oferecer mais flexibilidade operacional e adaptação às dinâmicas do mercado global, facilitando o planejamento de trânsitos pelo Canal do Panamá.

Ciclos semestrais e primeiro leilão em 2025

Com a atualização, os pacotes de reserva deixam de seguir um horizonte de 12 meses e passam a ser divididos em dois ciclos de seis meses. O primeiro período vai de 4 de janeiro a 4 de julho de 2026, e o segundo de 5 de julho de 2026 a 3 de janeiro de 2027.

O primeiro leilão de cotas já tem data marcada: 28 de outubro de 2025.

Novos pacotes de serviços e ajustes na oferta

Entre as mudanças anunciadas, a ACP informou que a média de slots diários será ajustada de quatro para três, além da criação de novos pacotes de serviço, como FixContainer, FlexContainer, FixGas, FlexGas, FlexGas+ e FlexSlot+.

Essas modalidades permitirão que os clientes escolham datas com garantia confirmada ou optem por níveis maiores de flexibilidade.

Benefícios adicionais para os clientes

O LoTSA 2.0 também traz vantagens como:

  • possibilidade de reservar com até 15 dias de antecedência;
  • realização de até duas alterações de data, conforme o pacote;
  • cancelamentos com tarifa reduzida, desde que solicitados com mais de 15 dias de antecedência.

Ajustes no sistema geral de reservas

Paralelamente ao novo programa, a ACP anunciou melhorias no sistema de reservas do canal. Entre elas, o restabelecimento do acesso antecipado para navios de gás natural liquefeito (GNL) no período de reserva 1A, a partir de 4 de janeiro de 2026.

Outra mudança é a eliminação da restrição que limitava a utilização das eclusas do Neopanamax a apenas um cliente por data.

Competitividade e sustentabilidade do Canal do Panamá

Segundo a ACP, a implementação do LoTSA 2.0 busca dar maior previsibilidade às empresas de navegação, otimizar operações, reduzir emissões de gases poluentes e reforçar a competitividade do Canal do Panamá diante das transformações do comércio internacional.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Canal do Panamá projeta menor tráfego de navios em 2026 

Tráfego diário ficará abaixo da capacidade máxima em 2026

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) prevê que, em 2026, o trânsito de embarcações pela hidrovia interoceânica continuará abaixo de sua capacidade máxima. A projeção indica uma média de 33 travessias diárias, três a menos do que a capacidade normal de 36 navios, devido à menor demanda por importações nos Estados Unidos, informou a consultoria Alphaliner.

O administrador do Canal, Ricaurte Vásquez Morales, explicou que a desaceleração do comércio causada pelas medidas tarifárias norte-americanas dificulta a recuperação total do tráfego observado antes da seca de 2023/24. Em agosto de 2025, o Canal registrou uma média de 32,5 trânsitos diários, ainda abaixo do potencial máximo.

Perspectiva financeira e impacto econômico

No aspecto financeiro, a ACP estima encerrar o ano fiscal de 2025 com receita bruta próxima a US$ 5 bilhões, impulsionada pelo aumento de importações antes da aplicação das tarifas. Nos próximos meses, porém, a tendência é de moderação, afetando principalmente importadores da Costa Leste e do Golfo dos EUA.

O que é o Canal do Panamá?

O Canal do Panamá é uma hidrovia estratégica de 82 km que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Por meio de um sistema de comportas e reservatórios, ele eleva navios a 26 metros acima do nível do mar e depois os retorna, facilitando a passagem entre os dois oceanos. Entre 13 mil e 14 mil embarcações atravessam o canal anualmente, tornando-o um eixo crucial para o comércio global.

Ao contrário de estreitos naturais, como o Canal da Mancha, o Canal do Panamá é uma obra artificial projetada para encurtar rotas comerciais e reduzir custos e tempo de transporte.

Como funciona a passagem de navios

O Canal do Panamá utiliza um sistema de lagos artificiais e comportas que elevam os navios para percorrer a hidrovia de 82 km. Funcionários da ACP assumem o comando das embarcações durante a travessia, garantindo segurança e fluidez no trânsito. Rebocadores auxiliam os navios, e há prioridade para quem agenda a passagem com antecedência.

As tarifas variam conforme tamanho, carga e momento da reserva, com média de US$ 143 mil por embarcação ou US$ 8,73 por tonelada de carga. Uma curiosidade histórica: o menor valor pago foi de US$ 0,36, pelo escritor Richard Halliburton, que nadou pelo canal em 1928.

História da construção

A ideia de conectar Atlântico e Pacífico remonta ao século XVI, quando os europeus buscavam evitar a perigosa rota do Estreito de Magalhães. Projetos foram propostos em locais como Nicarágua e Tehuantepec, mas a construção só começou a ganhar forma no século XIX.

Em 1880, o engenheiro francês Fernando de Lesseps, responsável pelo Canal de Suez, recebeu a concessão da Colômbia para construir a hidrovia, mas o projeto fracassou devido a doenças, clima adverso e falta de infraestrutura. Posteriormente, os Estados Unidos assumiram a obra, após o apoio à independência do Panamá em 1903, assinando o tratado Hay-Bunau Varilla que garantiu controle americano sobre a zona do canal.

O canal foi concluído em 1913 e inaugurado oficialmente em 1914. Conflitos e protestos históricos, como o “Dia dos Mártires” em 1964, levaram aos tratados Torrijos-Carter de 1977, que definiram a transferência do controle para o Panamá em 31 de dezembro de 1999, consolidando a soberania panamenha.

Importância econômica e estratégica

Os EUA são os principais clientes do canal, responsáveis por quase 72% da carga transportada, seguidos por China e Japão. A hidrovia é crucial para o comércio global e para a economia panamenha, que lucra até US$ 1,7 bilhão por ano, cerca de 3% do PIB do país.

Mesmo com restrições recentes devido à seca, o Canal do Panamá gerou lucro líquido de US$ 3,45 bilhões em 2024, reforçando seu papel estratégico. Tensões comerciais surgem quando tarifas elevadas afetam grandes importadores, como os Estados Unidos, evidenciando a relevância geopolítica da hidrovia.

FONTES: Mundo Marítimo e Politize
IMAGEM: Reprodução / Mundo Marítimo

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Presidente do Panamá quer megaporto para enfrentar influência marítima dos EUA

O presidente panamenho José Raúl Mulino declarou, na quinta-feira, 20 de março, que pretende construir um megaporto no Oceano Pacífico para complementar os negócios do Canal do Panamá.
Além disso, minimizou uma reportagem que mencionava possíveis ações militares dos Estados Unidos para retomar o controle da via navegável. As ameaças do ex-presidente Donald Trump de recapturar o canal, até mesmo à força, têm gerado tensões nas relações bilaterais. A essa situação se somou uma recente reportagem da NBC News, que afirmou que a Casa Branca teria “ordenado às Forças Armadas dos EUA que desenvolvessem opções” para esse objetivo.

Mulino desconsiderou essas alegações e destacou seu foco em construir uma “instalação de megaporto” para fortalecer o lucrativo negócio do canal, que movimenta 5% do comércio marítimo global.

“O Pacífico é o centro das movimentações globais no momento, e o Panamá ainda tem um papel pequeno nesse cenário […]. O que queremos é justamente avançar na criação de uma instalação portuária, um megaporto, que nos permita ser um grande protagonista nesse segmento de mercado”, explicou Mulino em coletiva de imprensa.

“Já temos o negócio, ou seja, os navios que chegam ao canal e o atravessam podem se tornar importantes transportadores da carga que será movimentada no Pacífico”, acrescentou.

O presidente também revelou que discutiu o projeto com líderes de grandes empresas internacionais de navegação, que demonstraram “interesse” em investir em portos no Panamá.

“Se um operador portuário desse porte instalasse esse megaporto no Panamá, fecharíamos o ciclo e passaríamos a jogar em uma liga diferente”, afirmou.

Mulino ainda minimizou as especulações sobre supostos planos do Comando Sul dos EUA para retomar o controle do canal.

“Não encontramos nenhuma fonte nomeada para essa informação. (…) Se ninguém assume a responsabilidade por essa declaração, não dou muito crédito”, declarou.

A via navegável é o motor da próspera economia panamenha, e a Autoridade do Canal do Panamá (ACP), agência estatal responsável por sua operação, anunciou este mês que considera expandir seus negócios com a construção e operação de um gasoduto atravessando os 80 km do istmo panamenho.

Trump tem insistido na ideia de que a China controla o Canal do Panamá, alegando que uma empresa de Hong Kong administra dois portos localizados nas entradas da via navegável.

Em meio a essa pressão, a empresa de Hong Kong anunciou, no início deste mês, a venda de sua participação nos dois portos panamenhos para um fundo de investimento dos EUA.

Fonte: La Nación (Argentina) e Panama Now Online
Presidente de Panamá quiere un megapuerto que complemente negocios del canal – LA NACION
Mulino wants to have a Mega Port in light of US issues over foreign port influence. – Panama Now Online

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