Comércio Exterior

Especialistas analisam o comércio internacional e o cenário econômico da Venezuela

O Conselho Empresarial de Comércio Exterior da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) promoveu um encontro voltado à discussão de temas estratégicos da agenda econômica brasileira e do comércio exterior. O convidado foi o economista Márcio Sette Fortes, que apresentou a palestra “As perspectivas econômicas e políticas da Venezuela no comércio internacional”.

Durante a exposição, o especialista abordou questões relacionadas a acordos internacionais, financiamento ao comércio e o contexto econômico da América do Sul, com foco nos reflexos para o Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro.

Política de preços da Petrobras e impactos no mercado

Ao analisar o setor energético, Márcio Sette destacou a mudança na política de preços da Petrobras, que em 2023 deixou de adotar a Paridade de Preços de Importação (PPI). Segundo ele, embora a medida tenha reduzido a dependência direta da cotação internacional do barril Brent, o país ainda permanece sensível às oscilações globais, especialmente no mercado de diesel.

“O Brasil continua exposto aos preços internacionais, mesmo com ajustes na política interna”, observou o economista.

Indústria petrolífera da Venezuela e reflexos no Rio de Janeiro

O economista também chamou atenção para a situação da indústria de petróleo da Venezuela, que, de acordo com sua análise, enfrenta um quadro de sucateamento após duas décadas de baixo investimento. Esse cenário inviabiliza uma retomada rápida da produção, apesar de o país deter as maiores reservas de petróleo do mundo.

No caso do Rio de Janeiro, o alerta recai sobre os possíveis efeitos de uma eventual ampliação da produção venezuelana sob influência dos Estados Unidos. Uma maior oferta de petróleo no mercado global poderia pressionar os preços internacionais. “O petróleo responde por cerca de 40% do PIB total e 80% do PIB industrial fluminense. Uma queda expressiva nos preços teria impacto direto nas exportações da Petrobras, na arrecadação estadual e na economia do Rio”, afirmou.

Acordos comerciais e integração regional

Outro ponto abordado foi o papel dos acordos de comércio internacional, como o Acordo de Complementação Econômica nº 59 (ACE 59) e o Acordo Mercosul–União Europeia. Márcio Sette também comentou a suspensão temporária — posteriormente revogada — do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que permite a entrada de produtos brasileiros na Venezuela com tarifa zero, desde que cumpridas as exigências de certificação de origem.

Crise política e desafios econômicos na Venezuela

A reunião contou ainda com uma análise política apresentada pelo vice-presidente do Conselho Empresarial de Comércio Exterior, Pedro Rafael. Ele traçou um panorama da crise venezuelana, combinando aspectos históricos com as recentes mudanças políticas e econômicas.

Segundo Pedro Rafael, a Venezuela enfrenta atualmente um cenário de insegurança jurídica, no qual a recuperação econômica depende da reabertura ao mercado internacional e da regularização de dívidas acumuladas. “A reconstrução econômica e política do país é urgente e passa, necessariamente, pela retomada da confiança institucional”, avaliou.

FONTE: ACRJ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ACRJ

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Comércio Exterior

Acordos comerciais ampliam acesso e colocam um terço do comércio brasileiro sob tarifas reduzidas

A entrada em vigor de novos acordos de livre comércio deve transformar o perfil do comércio exterior brasileiro, ampliando de forma significativa o número de operações com tarifa zero ou alíquotas reduzidas. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, quase um terço da corrente de comércio do Brasil passará a contar com benefícios tarifários, fortalecendo a inserção internacional do país e criando novas oportunidades para o setor produtivo.

Situação atual ainda limita acesso preferencial

Estimativas inéditas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) mostram que, em 2025, cerca de US$ 78 bilhões das exportações e importações brasileiras contam atualmente com algum tipo de preferência tarifária. O valor equivale a 12,4% da corrente de comércio.

Esse montante inclui o livre comércio dentro do Mercosul, com Argentina, Uruguai e Paraguai, além de acordos firmados com Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Israel e Egito.

Novos tratados ampliam alcance internacional

O cenário muda com os acordos Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura. De acordo com os cálculos do MDIC, esses tratados adicionam US$ 118,7 bilhões ao volume de comércio com tarifas reduzidas, o equivalente a 18,9% do intercâmbio total do país.

Com todos os acordos em vigor, o comércio brasileiro beneficiado por preferências tarifárias deve alcançar US$ 196,4 bilhões, o que representa 31,2% da corrente de comércio em 2025.

“A ampliação do comércio coberto por preferências comerciais fortalece nossa inserção internacional e abre novas oportunidades para as empresas brasileiras”, afirmou Alckmin. Segundo ele, o avanço é “expressivo”, quase duas vezes e meia maior em curto prazo, com impacto direto na competitividade, nos investimentos e na geração de empregos.

Estágio dos principais acordos

O acordo Mercosul-Cingapura foi assinado em dezembro de 2023, mas ainda passa por revisão jurídica e precisa ser encaminhado ao Congresso Nacional para ratificação.

Já o tratado com a EFTA, bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, foi firmado em setembro de 2025.

O acordo Mercosul-União Europeia, negociado por cerca de 25 anos, deve ser finalmente assinado neste sábado (17), em Assunção, aproveitando a presidência rotativa do Paraguai no bloco.

Mercosul negocia novos acordos comerciais

Após o avanço com a União Europeia, o Mercosul mantém negociações com outros parceiros estratégicos. Entre eles estão:

  • Emirados Árabes Unidos, com tratativas avançadas e possibilidade de acordo em 2026
  • Canadá, cujas negociações foram retomadas após a pandemia
  • Vietnã e Indonésia, ainda em fase inicial
  • Índia, com foco na ampliação do atual acordo de preferências tarifárias

Também há discussões com República Dominicana, Panamá e El Salvador, além de conversas para modernizar os acordos já existentes com Colômbia e Equador, considerados defasados em temas como serviços e normas aduaneiras.

Interesse global e desafios internos

O Japão avalia iniciar uma parceria estratégica como passo prévio a um acordo comercial, enquanto o Reino Unido, após o Brexit, já manifestou interesse em negociar com o Mercosul.

Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, o governo brasileiro tem interesse em avançar em todas as frentes. O principal desafio, porém, é a limitação de equipes negociadoras diante do grande número de tratativas em andamento.

“Gostaríamos de avançar em todas as negociações. Vontade, nós temos”, afirmou a diplomata.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSN

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Comércio Internacional

Brasil amplia estratégia comercial após Mercosul-UE e mira acordos com Índia, Canadá e Emirados Árabes

Após o sinal verde do Conselho Europeu ao acordo Mercosul-União Europeia, o Brasil definiu novas frentes para aprofundar sua inserção no comércio internacional. Para 2026, o governo federal pretende concentrar esforços na ampliação e conclusão de acordos comerciais do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos, considerados mercados estratégicos para a diversificação das exportações brasileiras.

Índia entra no radar para expansão do comércio agroindustrial

Entre as prioridades, a Índia ocupa posição de destaque. O governo brasileiro avalia que o país asiático, atualmente o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorado pelos exportadores nacionais.

Hoje, a pauta brasileira destinada à Índia é concentrada em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que respondem por mais da metade das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para ampliar a presença de produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas, além de itens como carne de aves, pescados, café e suco de laranja.

Tarifas elevadas são principal obstáculo nas negociações com a Índia

O maior desafio nas tratativas com Nova Délhi está nas altas tarifas de importação. Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo de comércio preferencial existente com o Mercosul. O tratado inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias limitadas, entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a cobertura do acordo, incluir novos produtos — especialmente do agronegócio brasileiro —, negociar cortes tarifários mais amplos e reduzir barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Índia sinalizou positivamente para a expansão do acordo após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi.

Emirados Árabes avançam para acordo de livre comércio com o Mercosul

No Oriente Médio, o foco está na conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos. As negociações, iniciadas em 2024, avançaram de forma acelerada e já passaram por quatro rodadas, a última encerrada em novembro.

Embora houvesse expectativa de assinatura ainda em 2025, alguns pontos sensíveis ficaram pendentes e devem ser resolvidos ao longo de 2026. Entre eles está a demanda dos Emirados pela eliminação de tarifas para produtos petroquímicos, segmento em que o país árabe é altamente competitivo e que gera preocupação na indústria brasileira.

Comércio e investimentos fortalecem relação Brasil–Emirados

Atualmente, os principais produtos exportados pelo Brasil aos Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. No sentido inverso, o Brasil importa principalmente petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Além do comércio, a relação bilateral tem sido impulsionada por investimentos estrangeiros. Grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World ampliaram significativamente sua atuação no Brasil, reforçando o status da parceria como estratégica e confiável.

Canadá é visto como porta de entrada para mercados de maior valor agregado

Com o Canadá, o objetivo é avançar nas negociações de um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, considerado essencial para ampliar o acesso brasileiro a setores de maior valor agregado, como mineração, além de beneficiar o agronegócio.

As negociações tiveram início em 2018, mas foram retomadas com mais intensidade em 2025, em meio às incertezas no comércio global provocadas por medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. O acordo busca reduzir tarifas, facilitar o comércio de bens e serviços e aprofundar a cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Exterior

Comércio exterior: governo define Índia, Canadá e Emirados como prioridades em 2026

O governo federal estabeleceu como foco do comércio exterior brasileiro em 2026 o avanço de negociações e a ampliação de acordos do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos. A estratégia busca diversificar mercados, ampliar exportações e reduzir barreiras comerciais.

As diretrizes foram confirmadas pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante coletiva para apresentação dos resultados da balança comercial brasileira de 2025.

Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação como instrumentos para fortalecer o livre comércio e a inserção internacional do país.

Índia: ampliar acordo e reduzir tarifas

No caso da Índia, o principal objetivo é expandir a cobertura do acordo de comércio preferencial firmado com o Mercosul, atualmente considerado restrito. O governo avalia que o país asiático, hoje o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização recente, ainda é pouco explorado pelos exportadores brasileiros.

Atualmente, a pauta de exportações do Brasil para o mercado indiano é concentrada: óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto respondem por mais de 60% das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para diversificação, com potencial para produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas. Outros itens, como carne de aves, pescado, café e suco de laranja, também aparecem como oportunidades.

O principal obstáculo está nas elevadas tarifas indianas. Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo, que inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a lista de produtos, sobretudo do agronegócio, negociar cortes mais expressivos de tarifas e eliminar barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Lula afirmou que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sinalizou concordância em ampliar o escopo do acordo.

Emirados Árabes: acordo de livre comércio em fase final

Com os Emirados Árabes Unidos, a prioridade é concluir as negociações de um acordo de livre comércio entre o país árabe e o Mercosul. As tratativas tiveram início em 2024 e avançaram rapidamente, com quatro rodadas já realizadas.

Apesar da expectativa de conclusão ainda em 2025, as negociações finais ficaram para 2026. Um dos principais impasses envolve a demanda dos Emirados para zerar as tarifas de importação do Mercosul sobre cerca de duas dezenas de produtos petroquímicos.

O tema é sensível para a indústria brasileira, que busca proteção frente à forte competitividade dos produtores árabes, grandes exportadores de derivados de petróleo.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente carne de frango, carne bovina e açúcar para os Emirados. Já as importações incluem petróleo, ureia, enxofre e componentes aeronáuticos. Além do comércio, a relação bilateral tem sido fortalecida por investimentos crescentes de grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World, consolidando a parceria estratégica entre os países.

Canadá: acesso a mercados de maior valor agregado

Em relação ao Canadá, o governo brasileiro pretende acelerar as negociações para um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, visto como estratégico para ampliar o acesso a mercados de maior valor agregado, especialmente nos setores de mineração e agronegócio.

As conversas, iniciadas em 2018, foram retomadas em 2025 em meio às incertezas no comércio global, após medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O acordo em negociação prevê redução de tarifas, facilitação do comércio de bens e serviços e maior cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Risi / Audiovisual PR

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-União Europeia avança e deve impulsionar comércio exterior, afirma Alckmin

Ao apresentar os resultados recordes da balança comercial de 2025, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (06/01) que o acordo Mercosul-União Europeia está em fase avançada. Segundo ele, a ampliação de acordos comerciais é estratégica para fortalecer o comércio exterior brasileiro em um cenário global instável.

Negociação histórica em fase avançada

De acordo com Alckmin, o tratado entre Mercosul e União Europeia, negociado há mais de duas décadas, caminha para a conclusão. O ministro destacou a relevância do acordo em um contexto marcado por conflitos geopolíticos, protecionismo e tensões comerciais.

“Estamos otimistas. Será um acordo fundamental para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global. Em um momento de instabilidade internacional, poderá se tornar o maior acordo do mundo”, afirmou.

Acordos recentes ampliam presença do Mercosul

O ministro também lembrou avanços recentes do bloco sul-americano em outras frentes. Entre eles, o acordo firmado com Singapura, em 2023 — um dos principais destinos das exportações brasileiras — e o tratado com a EFTA, concluído em 2025, que reúne países com algumas das maiores rendas per capita do mundo, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Segundo Alckmin, o fortalecimento das relações comerciais traz ganhos diretos para a economia. “Quando o comércio global cresce, quem ganha é a sociedade”, afirmou, ao comentar o recorde de US$ 349 bilhões em exportações registrado em 2025.

Novas negociações e relações bilaterais

Além dos acordos já firmados, o Brasil mantém negociações para novos tratados de livre-comércio, incluindo Canadá e Emirados Árabes Unidos. Também estão em andamento conversas com Índia e México para ampliar acordos de preferências tarifárias.

Questionado sobre a relação comercial com a Venezuela, no contexto de medidas adotadas pelos Estados Unidos, Alckmin ressaltou que o intercâmbio bilateral é limitado, somando cerca de US$ 1,2 bilhão em 2025. Ele lembrou ainda que o país vizinho já representou 12% do PIB da América do Sul nos anos 1970, participação hoje reduzida para cerca de 2%.

Medidas para fortalecer o comércio exterior

Durante a coletiva, Alckmin destacou ações do governo voltadas à desburocratização do comércio exterior e à ampliação da corrente de comércio. Um dos principais instrumentos citados foi o Portal Único de Comércio Exterior, que integra serviços de órgãos como Anvisa, Ibama e os ministérios da Agricultura e da Saúde.

Segundo o ministro, a ferramenta já conta com 80% de migração concluída e deve atingir 100% até setembro, com potencial de gerar economia de até R$ 40 bilhões e reduzir em 50% as operações de importação que exigem licenciamento.

Incentivos e reforma tributária

Entre outras iniciativas, Alckmin mencionou o programa Acredita no Brasil, que permite a micro e pequenas empresas recuperar parte dos tributos pagos na cadeia produtiva de bens exportados.

O ministro também destacou a Reforma Tributária como elemento central para melhorar o ambiente de negócios. Segundo ele, a adoção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) elimina tributos embutidos nas exportações e investimentos. Estudos do Ipea indicam que, em 15 anos, a reforma pode elevar os investimentos em 14% e as exportações em 17%.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júlio César Silva/MDIC

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Comércio Exterior

China anuncia redução de tarifas de importação para 935 produtos a partir de 2026

A China anunciou que vai reduzir temporariamente as tarifas de importação de 935 produtos a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida foi divulgada pela Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado e prevê alíquotas inferiores às atualmente praticadas, como parte da estratégia de estímulo à economia e ao comércio exterior.

Medida busca fortalecer integração econômica

De acordo com o governo chinês, a redução tarifária tem como objetivo fortalecer a integração entre os mercados interno e externo, ampliar a oferta de produtos no país e otimizar o uso de recursos nacionais e internacionais. A iniciativa também faz parte do esforço para impulsionar o desenvolvimento econômico e industrial.

Insumos estratégicos e produtos médicos terão redução de tarifas

Entre os principais ajustes, a China vai reduzir tarifas sobre componentes estratégicos e materiais avançados, com foco no fortalecimento da indústria tecnológica doméstica. Também haverá diminuição de impostos para insumos voltados ao desenvolvimento sustentável e para produtos médicos, como vasos sanguíneos artificiais, ampliando o acesso da população a tratamentos de saúde.

Novas categorias para tecnologia e economia verde

O governo chinês também anunciou mudanças na classificação tarifária de produtos importados, utilizada como base para a cobrança de impostos. Serão criadas novas categorias específicas para itens ligados à inovação, como robôs biônicos inteligentes e querosene de aviação de origem biológica, alinhando a política comercial às metas de tecnologia e economia circular.

Acordos comerciais e tarifa zero para países menos desenvolvidos

No comércio exterior, a China manterá em 2026 as tarifas preferenciais aplicadas a produtos importados de 34 parceiros comerciais, conforme os 24 acordos de livre comércio e regimes preferenciais em vigor.

Além disso, o país seguirá adotando tarifa zero para todas as categorias de produtos provenientes de 43 países menos desenvolvidos que mantêm relações diplomáticas com Pequim, reforçando sua política de cooperação internacional.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zhang Ailin/ Xinhua

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Internacional

MERCOSUL busca modernização e aguarda definições da União Europeia

Com as Cataratas do Iguaçu como cenário, os chefes de Estado dos países membros do MERCOSUL se reuniram em 20 de dezembro de 2025, em Foz do Iguaçu (Brasil), para a LXVII Cúpula de Presidentes do bloco. O encontro ocorreu em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, mudanças nas cadeias globais de suprimentos e disputa crescente por investimentos estratégicos.

Participaram da reunião os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), além do chanceler Fernando Hugo Aramayo Carrasco, representando a Bolívia. O objetivo central foi demonstrar coesão política e projetar uma agenda de futuro para a integração sul-americana.

Bloco defende previsibilidade com mais flexibilidade comercial

As delegações classificaram o diálogo como positivo e construtivo. Na avaliação dos mandatários, o MERCOSUL precisa combinar previsibilidade institucional com maior flexibilidade comercial para ampliar sua inserção internacional, especialmente diante do avanço desigual dos grandes acordos comerciais globais.

A presença do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, na condição de Estado Associado, reforçou a estratégia de aproximação com a América Central e o Caribe, regiões que ganham relevância nas rotas logísticas e comerciais do continente.

Revisão tarifária e fortalecimento industrial

Entre os principais temas debatidos esteve a revisão do Arancel Externo Comum, apontado como essencial para elevar a competitividade do MERCOSUL e reduzir distorções internas. Os presidentes destacaram a necessidade de avaliar sua dispersão e coerência diante das transformações do comércio internacional.

No campo industrial, ganhou destaque o avanço dos trabalhos do Comitê Automotivo do MERCOSUL, que busca harmonizar regras comerciais e consolidar um mercado automotivo regional mais integrado, capaz de atrair investimentos de forma equilibrada entre os países.

Também foi celebrada a conclusão dos termos de referência para um estudo regional do setor sucroalcooleiro, com foco no fortalecimento das cadeias produtivas, aumento da competitividade e ampliação do acesso a mercados externos.

Integração regulatória e transformação digital

A cúpula sinalizou avanços na modernização regulatória, com iniciativas voltadas à harmonização técnica e à redução de barreiras não tarifárias. Entre os temas discutidos estiveram o etiquetamento de alimentos embalados e o início dos debates para unificar o rotulagem nutricional frontal no âmbito regional.

Os líderes também destacaram o progresso do Grupo Ad Hoc sobre Assuntos Regulatórios, responsável pela elaboração da Guia de Análise de Impacto Regulatório (AIR) do MERCOSUL, ferramenta que busca aprimorar a qualidade normativa, ampliar a transparência e facilitar a integração econômica.

Na área digital, foi reafirmada a importância estratégica da agenda de transformação digital do MERCOSUL, com destaque para a plena operação do Certificado de Origem Digital (COD) no comércio intrabloco, considerado um marco na facilitação do comércio entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Energia, sustentabilidade e logística regional

A integração energética teve papel central nos debates. Os presidentes celebraram os avanços rumo à criação de um mercado regional de gás natural e ao fortalecimento da cooperação em biocombustíveis, energias renováveis e minerais estratégicos, em linha com a transição para uma economia de baixo carbono.

No campo logístico, houve consenso sobre a necessidade de desenvolver corredores bioceânicos e soluções intermodais capazes de reduzir custos de transporte e atrair investimentos.

A Hidrovia Paraguai–Paraná foi destacada como eixo fundamental de conectividade regional. Os países reafirmaram o compromisso com o funcionamento pleno dos órgãos previstos no Convênio de Santa Cruz de la Sierra, visando garantir navegação segura, transporte eficiente da produção e acesso competitivo aos mercados internacionais.

Acordos comerciais e relação com a União Europeia

No plano externo, os líderes comemoraram a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e a AELC, além dos avanços nas negociações com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia e Japão, reforçando o interesse em ampliar laços com economias asiáticas emergentes.

Por outro lado, manifestaram frustração com a falta de consenso político que impediu a assinatura do Acordo MERCOSUL–União Europeia, após 26 anos de negociações. Ainda assim, demonstraram confiança na retomada do processo no futuro.

Compromisso com o multilateralismo

O encontro foi encerrado com a reafirmação do compromisso do MERCOSUL com o multilateralismo, o comércio baseado em regras claras e a ambição de consolidar o bloco como um ator global moderno, competitivo e relevante.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert / PR

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Comércio Internacional

Flexibilização do Mercosul se impõe diante de novo cenário do comércio internacional

A sucessão de iniciativas tomadas de forma isolada por países do Mercosul reforça a necessidade de atualizar o funcionamento do bloco. O ingresso do Uruguai na Parceria Transpacífica e o acordo comercial firmado entre Argentina e Estados Unidos, ambos fora da estrutura do Mercosul, evidenciam um modelo que já não acompanha a dinâmica do comércio internacional.

No caso argentino, cerca de 350 produtos passaram a integrar um programa de isenção tarifária com os Estados Unidos, sem extensão aos demais membros do bloco. Já o Uruguai ampliou seu acesso a mercados asiáticos ao aderir a uma aliança comercial mais flexível. São movimentos que, na prática, enfraquecem a lógica de decisões conjuntas que marcou a criação do Mercosul.

Importância histórica do bloco segue inquestionável

Criado em 1991, com o Tratado de Assunção, o Mercosul teve papel relevante na integração econômica e política entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao longo das últimas décadas, o bloco estimulou o comércio regional, reduziu tarifas e fortaleceu cadeias produtivas compartilhadas.

Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 20 bilhões para os países do Mercosul. Santa Catarina, por sua vez, embarcou US$ 1,4 bilhão, com destaque para alimentos, máquinas, têxteis, metais e produtos químicos. Os números demonstram que a integração trouxe ganhos concretos para as economias envolvidas.

Rigidez da Tarifa Externa Comum vira entrave

Apesar dos avanços, o modelo baseado em decisões por consenso e na rigidez da Tarifa Externa Comum (TEC) passou a limitar a capacidade de adaptação do bloco. O prolongado processo de negociação do acordo Mercosul–União Europeia, em discussão há mais de duas décadas, é um exemplo claro das dificuldades impostas pelo atual formato.

Com a expectativa de que o tratado com os europeus finalmente seja assinado, ampliando o acesso a mercados estratégicos, cresce a pressão por uma modernização do Mercosul que torne o bloco mais ágil e competitivo.

Flexibilizar é modernizar, não enfraquecer

A flexibilização do Mercosul não significa abrir mão da integração regional, mas sim adaptá-la à realidade atual. Permitir que os países-membros celebrem acordos bilaterais específicos, válidos apenas para seus signatários, preservaria o espírito do bloco e, ao mesmo tempo, destravaria oportunidades comerciais urgentes.

Blocos mais abertos dominam o cenário global

O comércio global caminha para arranjos mais flexíveis e dinâmicos, capazes de responder rapidamente às mudanças nos fluxos econômicos. Manter um modelo excessivamente rígido tende a limitar o potencial de crescimento.

Para Santa Catarina e para o Brasil, avançar na atualização das regras do Mercosul é essencial para garantir competitividade, ampliar mercados e evitar que o bloco se torne um fator de freio, em vez de impulsionador, do desenvolvimento econômico.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Comércio Exterior

Tarifaço do México sobre produtos brasileiros deve travar acordos comerciais bilaterais

O tarifaço do México aprovado pelo Congresso do país, com vigência prevista para 1º de janeiro de 2026, tende a esfriar as negociações para a atualização dos acordos comerciais entre Brasil e México. A avaliação é de técnicos da equipe econômica brasileira que acompanham as tratativas, ouvidos pelo PlatôBR.

A medida eleva o custo de produtos brasileiros no mercado mexicano e cria um ambiente menos favorável ao avanço das conversas diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Cronograma inicial previa assinatura em 2026

A expectativa inicial do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), era concluir a assinatura dos novos tratados em julho de 2026. O calendário havia sido definido após reuniões com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, durante visita oficial realizada em agosto do ano passado.

Com a nova política tarifária, no entanto, o ritmo das negociações deve ser revisto.

Pressão dos Estados Unidos influencia decisão mexicana

De acordo com integrantes do governo brasileiro, o esfriamento das conversas ocorre em meio à pressão exercida pelo governo Donald Trump, que acusa o México de funcionar como rota de entrada de produtos chineses nos Estados Unidos.

O movimento ganha ainda mais peso diante da proximidade das negociações entre México, Canadá e Estados Unidos para a renovação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC). Nesse cenário, técnicos do MDIC avaliam que o governo mexicano pode adotar postura mais cautelosa e postergar avanços com o Brasil.

Impactos diretos para o comércio Brasil–México

Atualmente, as relações comerciais entre os dois países são regidas por dois Acordos de Complementação Econômica (ACE). O ACE-55 trata do setor automotivo, enquanto o ACE-53 prevê redução ou eliminação de tarifas de importação para cerca de 800 linhas tarifárias de produtos não automotivos.

Em 2024, a corrente de comércio Brasil–México somou US$ 13,6 bilhões. Levantamentos preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o tarifaço mexicano pode atingir aproximadamente US$ 1,7 bilhão das exportações brasileiras realizadas no período.

Setores atingidos e alcance da sobretaxação

Além do Brasil, a nova política tarifária do México também afeta países como China, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Vietnã, entre outros. As tarifas incidirão sobre 1.463 classificações tarifárias, distribuídas em 17 setores, incluindo automotivo, têxtil, vestuário, siderurgia, plásticos, eletrodomésticos, móveis e calçados.

Desse total, 316 classificações atualmente não sofrem tributação, o que amplia o impacto da medida sobre o comércio internacional, especialmente em relação a produtos de origem chinesa.

FONTE: Plato BR
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio Internacional

China planeja ampliar importações e firmar novos acordos comerciais nos próximos anos

A China anunciou que pretende aumentar as importações e promover um comércio mais equilibrado ao longo dos próximos cinco anos. A informação foi divulgada pelo ministro do Comércio, Wang Wentao, em entrevista à agência estatal Xinhua. Segundo ele, o governo chinês intensificará ações para fortalecer a abertura econômica e estimular a circulação de bens.

Novos acordos de comércio e investimento
Wang afirmou que Pequim deve firmar novos acordos comerciais e de investimento entre 2026 e 2030, período em que o país colocará em prática um novo plano quinquenal. A iniciativa busca ampliar parcerias globais e reforçar a presença chinesa nos mercados internacionais.

Incentivo ao consumo interno
O ministro também destacou medidas voltadas para estimular a demanda doméstica. Entre elas estão políticas que impactam diretamente os consumidores, a expansão da compra de automóveis e programas que promovam a renovação e modernização de eletrodomésticos, setores estratégicos para o crescimento interno.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Go Nakamura/File Photo

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