Indústria

Governo impõe medidas antidumping contra aço da China e reforça proteção à indústria nacional

O governo federal decidiu aplicar medidas antidumping contra aço da China, atendendo a uma demanda histórica do setor siderúrgico brasileiro. A decisão foi confirmada na noite de quinta-feira (12/02) pelo Câmara de Comércio Exterior, por meio do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex).

A medida atinge importações de laminados planos a frio e laminados planos revestidos de origem chinesa e deve beneficiar empresas como a Usiminas. O anúncio reforça declaração feita anteriormente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante evento empresarial realizado no início da semana.

Novos direitos antidumping e defesa comercial

De acordo com nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o colegiado aprovou três novos direitos antidumping, com foco na proteção da indústria nacional diante de práticas consideradas desleais no comércio internacional.

O mecanismo é aplicado quando se identifica que produtos importados chegam ao país por valores inferiores ao praticado no mercado de origem, muitas vezes sustentados por subsídios governamentais. A intenção, segundo o ministério, é neutralizar prejuízos causados por esse tipo de concorrência.

Os detalhes técnicos e a lista completa dos itens contemplados devem ser divulgados após publicação no Diário Oficial da União.

Setor de dispositivos médicos também é contemplado

Além do segmento siderúrgico, o Gecex determinou a aplicação de direito antidumping por cinco anos sobre agulhas hipodérmicas importadas da China.

A medida integra o conjunto de ações de defesa comercial adotadas pelo governo para conter impactos negativos de produtos vendidos abaixo do valor de mercado.

Governo admite novas ações contra importações desleais

Durante encontro com empresários, Alckmin sinalizou que outras medidas estão em análise, especialmente em setores mais expostos à concorrência externa, como o siderúrgico.

Segundo ele, caso sejam comprovadas novas práticas de dumping, o governo deverá adotar providências adicionais para preservar a competitividade da indústria brasileira.

No fim de janeiro, o Gecex já havia aprovado tarifas antidumping sobre o aço pré-pintado importado da China e da Índia, com validade de cinco anos. A decisão favoreceu companhias como a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Usiminas defende medidas mais rigorosas

Em comunicado ao mercado, o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que a questão das importações de aço chinês segue como prioridade para o setor.

Segundo ele, as investigações confirmam a necessidade de medidas efetivas de proteção comercial, citando como avanço a elevação do imposto de importação para nove produtos siderúrgicos. Para o executivo, a iniciativa contribui para equilibrar a concorrência e fortalecer a cadeia produtiva nacional.

Gecex zera imposto de importação para mais de mil itens

Na mesma reunião, o Gecex aprovou a redução a zero da alíquota de importação para 1.059 produtos por meio do regime de ex-tarifário — instrumento utilizado quando não há fabricação equivalente no Brasil.

Do total liberado:

  • 421 itens são bens de capital e informática
  • 638 correspondem a autopeças

A medida visa estimular investimentos, reduzir custos industriais e ampliar a competitividade por meio da importação de máquinas, equipamentos e componentes sem produção nacional.

Também foram zeradas tarifas para 20 insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio, além de dois produtos finais. As isenções abrangem áreas como saúde, energia, setor automotivo, eletroeletrônicos e alimentação animal.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Usiminas

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Importação

Importação de aço da China mantém investimentos da siderurgia brasileira em espera

A crescente importação de aço da China tem colocado a indústria siderúrgica brasileira em compasso de espera. Empresas do setor suspenderam investimentos em expansão de capacidade produtiva e pedem que o governo federal adote mecanismos de defesa comercial mais eficazes que o atual sistema cota-tarifa, implementado em 2024.

O modelo combina tarifas de 25% com cotas de importação para 25 produtos de aço classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar disso, não conseguiu frear a entrada crescente de aço importado chinês no mercado nacional.

Crescimento recorde das importações de aço

Segundo o Instituto Aço Brasil, o país importou 6,4 milhões de toneladas de aço em 2025, sendo 5,7 milhões de toneladas de laminados, um aumento de 20,5% em relação ao ano anterior — o maior volume registrado em 15 anos.

O total de laminados importados atualmente é 168% maior que a média entre 2000 e 2019, elevando a penetração de importados para 21%, contra um histórico de 9,7%. Em consequência, a produção de aço bruto nacional caiu 1,6%, atingindo 33,3 milhões de toneladas em 2025.

O Aço Brasil considera esse nível de importações “inaceitável”, atribuindo à concorrência predatória o fechamento de 5 mil empregos e o corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

Sistema cota-tarifa perde eficácia

Para Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço do Brasil (Inda), o sistema cota-tarifa não freia o aço chinês, e o cenário se agrava com a alta da Selic, que desestimula investimentos.

“Se não houver medidas contra o dumping, teremos mais um ano perdido. O sistema de 25% não segura nada da China”, afirma Loureiro.

Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America, reforça que planos de expansão, como a ampliação da usina de Timóteo, no Vale do Aço, estão suspensos devido à concorrência com importações chinesas. Para ele, a retomada de investimentos depende de um ambiente de negócios mais equilibrado e de regras comerciais mais justas.

A Usiminas, em Ipatinga, enfrenta situação semelhante. André Chaves, diretor de relações institucionais da siderúrgica, alerta para a ociosidade elevada, mesmo após investimentos robustos, como a reforma do Alto-forno 3, que custou R$ 2,7 bilhões.

“Revisamos periodicamente nossa agenda de investimentos diante da ociosidade e do impacto do aço importado. Precisamos de medidas que combatam práticas desleais, reconhecidamente ilegais no comércio internacional”, afirma Chaves.

Excesso de capacidade global pressiona preços

O setor enfrenta excesso de capacidade tanto no Brasil quanto no mundo. A produção nacional de 33 milhões de toneladas poderia chegar a 50 milhões de toneladas por ano, enquanto o excedente global é estimado em 600 milhões de toneladas anuais. A China responde por metade da produção mundial, obrigando o país a destinar o excesso ao mercado externo.

Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, alerta que qualquer medida comercial precisa equilibrar proteção da indústria e impacto sobre o restante da economia.

“Se o custo do aço aumentar demais, afeta toda a cadeia produtiva, da manufatura pesada ao consumidor final, e reduz a capacidade de investimento das empresas”, explica.

Sustentabilidade e descomoditização como saída

Uma alternativa para a siderurgia brasileira é investir na produção de aço sustentável e em nichos diferenciados. Projetos verdes podem ter acesso a fundos especiais e agregar valor ao produto, reduzindo a competição baseada apenas em volume e preço.

A Aperam já investe em energia solar e eólica, produz carvão vegetal certificado e aço inox com cerca de 50% de sucata. Apesar de posicionada na economia verde, o CEO Villela reconhece que o mercado ainda demora a valorizar totalmente esses produtos.

A Usiminas, por sua vez, foca em energia solar e gás natural para reduzir emissões de gases de efeito estufa, mas a utilização de sucata é limitada por restrições técnicas em aços planos, usados no setor automotivo e outros nichos.

“Consideramos a sucata dentro dos limites técnicos e buscamos alternativas sustentáveis seguindo padrões internacionais”, conclui André Chaves.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Usiminas / Divulgação

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