Exportação

Brasil retoma exportação de sorgo para a China após mais de 10 anos

O Brasil voltou a embarcar sorgo para a China em janeiro, registrando a primeira exportação do cereal ao país asiático desde 2014. O volume, de 25,830 toneladas, é considerado pequeno e caberia em um único contêiner, segundo dados oficiais do governo brasileiro.

A operação marca a retomada das vendas após mais de uma década sem registros de embarques para o mercado chinês.

Habilitação de exportadores abriu mercado

O envio ocorreu depois que estabelecimentos brasileiros foram habilitados, em novembro do ano passado, a exportar o cereal ao mercado chinês. A liberação veio após tratativas para atender exigências fitossanitárias impostas por Pequim.

Em 2014, última vez em que a China comprou sorgo brasileiro, o volume total adquirido foi de 1.374,5 toneladas. No ano anterior, as compras haviam superado 5 mil toneladas. Desde então, não havia registros oficiais de novas vendas ao país.

China busca diversificar fornecedores

A expectativa do setor é de que os volumes avancem nos próximos meses. A China tem buscado diversificar a origem de insumos usados na produção de ração animal, especialmente após tensões comerciais com os Estados Unidos em 2025, tradicional fornecedor do grão.

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Glauber Silveira, afirmou que a abertura do mercado foi resultado de inspeções realizadas por autoridades chinesas no Brasil.

Segundo ele, uma missão técnica visitou áreas produtoras para verificar requisitos sanitários. Após o cumprimento das exigências, os embarques foram autorizados.

Volume inicial é considerado teste

O carregamento de cerca de 25 toneladas é visto por fontes do setor como uma operação pontual, possivelmente destinada à avaliação da qualidade do produto ou a um importador de menor porte.

Silveira pondera que, embora a China represente oportunidade relevante, o Brasil também enfrenta forte demanda interna pelo cereal, impulsionada pela expansão da indústria de etanol de grãos.

“Não há grande excedente disponível, já que o consumo doméstico é significativo”, indicou.

Exportações ainda são modestas

O Brasil é líder global nas exportações de soja e ocupa a segunda posição no comércio de milho, tendo a China como principal parceiro comercial. No entanto, o sorgo ainda tem participação reduzida na pauta agrícola brasileira.

Em 2025, as exportações somaram apenas 105 toneladas, com o Catar como único destino. No mesmo período, os embarques de soja alcançaram 108,2 milhões de toneladas, das quais mais de 85 milhões foram destinadas ao mercado chinês.

Já em 2024, o Brasil exportou 178,4 mil toneladas de sorgo, principalmente para a África do Sul. Ainda assim, o volume ficou muito abaixo das milhões de toneladas embarcadas de soja e milho.

Safra deve crescer quase 10%

Para a temporada atual, a Companhia Nacional de Abastecimento (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta aumento de quase 10% na produção nacional, estimada em 6,7 milhões de toneladas.

O crescimento da safra pode ampliar a oferta disponível e fortalecer a presença do Brasil no mercado internacional de exportação de sorgo, especialmente com a reabertura do canal comercial com a China.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Khaled Abdullah/Reuters

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Agronegócio, Comércio, Sustentabilidade

Mapa participa do 3º Congresso da Abramilho e discute cenário internacional e a sustentabilidade no setor do milho

Abertura do mercado chinês para DDG marca semana de debates sobre comércio, inovação e sustentabilidade no setor de milho

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esteve presente, na última quarta-feira (14), no 3º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Brasília. Cerca de 400 pessoas participaram do evento, entre autoridades, especialistas e produtores.

Durante o congresso, o Mapa integrou o painel “Sustentabilidade e os desafios da geopolítica atual”, com a participação dos adidos agrícolas Glauco Bertoldo (União Europeia), Ana Lucia Viana (Estados Unidos) e Luis Claudio Caruso (Singapura). O debate abordou os efeitos das questões geopolíticas sobre a segurança alimentar, as cadeias globais de suprimento e as exigências internacionais de sustentabilidade.

Representaram o Ministério o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Junior; o secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira Pinto; e o coordenador de Ações no Mercado Externo, Péricles Mendes da Silva.

Entre os temas debatidos estiveram a adoção de novas tecnologias, a sustentabilidade da produção e o papel do Brasil no mercado global de milho. As discussões ocorreram na mesma semana em que o governo anunciou a abertura do mercado chinês para o DDG – farelo oriundo da produção de etanol de milho – no contexto da missão presidencial à China.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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