Exportação

Tarifas dos EUA impulsionam diversificação das exportações de dispositivos médicos brasileiros

A imposição de uma tarifa de 50% sobre dispositivos médicos brasileiros pelos Estados Unidos, anunciada em 6 de agosto, levou o setor a acelerar uma estratégia que já vinha sendo discutida: a diversificação das exportações. Antes da medida, as taxas giravam em torno de 10%. Em poucas semanas, o impacto foi imediato: até o fim de agosto, as vendas ao mercado americano recuaram 30%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO).

Diante do cenário, fabricantes brasileiros passaram a priorizar a expansão para a Ásia, com foco em países como Japão, China e Índia, além de outros mercados emergentes.

Perfil do setor e concentração em pequenas empresas

A indústria brasileira de dispositivos médicos engloba desde instrumentos médico-odontológicos até equipamentos ópticos, eletroterapia, sistemas eletromagnéticos e de irradiação. De acordo com a ABIMO, o setor é majoritariamente formado por empresas de menor porte: 88,6% são microempresas, 8,9% pequenas, 2,2% médias e apenas 0,2% grandes companhias, incluindo multinacionais como Stryker, Bayer e Siemens Healthineers, que mantêm operações no Brasil.

Maquira mantém aposta nos EUA e amplia presença na Ásia

Com faturamento anual de R$ 150 milhões, o Grupo Dental Maquira, sediado em Maringá (PR), é um exemplo de empresa de médio porte impactada pelo tarifaço. Cerca de 25% da receita vem das exportações. A companhia estava em fase de expansão nos Estados Unidos, com a criação de uma subsidiária local, quando as tarifas foram elevadas.

Segundo Daniel Maia, diretor de exportação e marketing internacional da empresa, a estratégia precisou ser ajustada. A Maquira passou a vender diretamente ao mercado americano, eliminando intermediários para recompor margens. A mudança começou em outubro e, segundo a empresa, os resultados iniciais são positivos.

A companhia produz resinas, biomateriais, cimentos e peças ortodônticas e aposta na reputação do Brasil no segmento odontológico. Paralelamente, a Maquira intensificou a atuação em países asiáticos como Japão, Filipinas, Indonésia, Singapura e Taiwan.

Exportações do setor recuam no ano, mas EUA seguem como principal destino

Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações brasileiras de dispositivos médicos somaram US$ 1,05 bilhão, queda de 2,27% em relação ao mesmo período de 2024. As vendas aos Estados Unidos alcançaram US$ 266 milhões, com alta de 5,71%, sustentada pelo desempenho positivo nos sete primeiros meses do ano, antes da elevação das tarifas.

Apesar do impacto, os EUA continuam sendo o principal mercado externo do setor. Segundo Larissa Gomes, gerente de marketing internacional e projetos da ABIMO, o segmento não foi incluído nas exceções tarifárias concedidas posteriormente pelo governo de Donald Trump, que reviu parte das sobretaxas aplicadas a outros produtos.

Alliage avalia produção local nos EUA como alternativa

A Alliage, fabricante de equipamentos de imagem odontológica de alta tecnologia, também revisou sua estratégia. Atualmente, 40% da produção é destinada à exportação, com os Estados Unidos na liderança, seguidos pela Argentina.

De acordo com o CEO Caetano Biagi, a empresa enfrenta concorrência direta de fabricantes globais do Japão, Finlândia e Coreia do Sul, que também buscam compensar perdas em mercados tradicionais. Como parte do plano de expansão internacional, a Alliage adquiriu a japonesa PreXion, especializada em tomógrafos odontológicos, com operação na Califórnia.

Caso as tarifas americanas sejam mantidas, a empresa considera montar equipamentos diretamente nos EUA. Hoje, a produção está concentrada em Ribeirão Preto (SP), com cerca de 80% dos fornecedores localizados no Brasil. A companhia também avança em mercados como Emirados Árabes Unidos e Índia.

Crescimento da demanda abre oportunidades na Ásia

A ampliação do acesso a procedimentos cirúrgicos em países asiáticos tem criado novas oportunidades para fabricantes brasileiros. Segundo Elias Magalhães, CEO da Hpbio, especializada em produtos para implantes e cirurgias, áreas como a neurocirurgia estão entre as que mais crescem globalmente.

Em 2025, as exportações representaram 40% do faturamento da empresa. Entre os cinco maiores clientes internacionais em volume, três estão na Ásia: Indonésia, Paquistão e China, conforme explica Flávia Rodrigues, diretora de negócios internacionais da companhia.

A Hpbio firmou recentemente um novo contrato com a Double Medical, sua distribuidora na China, com a meta de equiparar, naquele mercado, as vendas domésticas de válvulas programáveis.

Regulação e protecionismo dificultam avanço na China

Para acessar o mercado chinês, a Hpbio precisou enfrentar um rigoroso processo regulatório, que envolve inspeções locais, validações laboratoriais e treinamentos clínicos. Além disso, a empresa teve de superar o ceticismo em relação à tecnologia brasileira, em um mercado dominado por gigantes como a americana Medtronic e a alemã Aesculap, do grupo B. Braun.

Segundo a ABIMO, o ambiente regulatório da China é altamente protecionista, com processos de aprovação caros e restritivos. Apesar dos avanços industriais do país, o segmento de dispositivos médicos ainda fica atrás de polos tecnológicos como Japão, Coreia do Sul e Singapura em termos de qualidade e inovação.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior, Exportação, Importação, Informação, Investimento

Exportações de dispositivos médicos crescem 24,6% em 2024 e Brasil amplia reconhecimento global no setor

Empresas associadas ao Brazilian Health Devices também encerraram o ano com aumento nas exportações

As exportações brasileiras de dispositivos médicos fecharam 2024 com faturamento de US$ 1,17 bilhão, um aumento de 24,6% em relação a 2023. Em paralelo, as importações do setor também dispararam 20,49% no ano, chegando a US$ 9,79 bilhões.

Entre as 125 empresas participantes do Brazilian Health Devices (BHD), projeto setorial da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as exportações somaram US$ 154,5 milhões em 2024, o que representa crescimento de 3,4%, e chegaram a 131 países, sendo os principais Estados Unidos, Argentina, México, Chile e Colômbia. Houve aumento das exportações do projeto em 72 desses países.

Entre as empresas exportadoras, mais de 81% tiveram aumento do volume de exportações em 2024. Além disso, no período, 84 companhias começaram a exportar para novos mercados e 46 delas incluíram novos produtos no portfólio internacional.

Foram, ao todo, 210 tipos de dispositivos médicos exportados pelas associadas no período, sendo os principais artigos e aparelhos ortopédicos, instrumentos para odontologia, artigos e aparelhos de prótese, preparações contendo substâncias para fins terapêuticos, instrumentos para uso na medicina e cirurgia e cimentos para obturação dentária.

O desempenho positivo nos mostra que o Brazilian Health Devices segue eficiente no seu objetivo de impulsionar a marca Brasil no mercado externo de dispositivos médicos”
José Fernando Dantas, coordenador de Acesso a Mercados da ABIMO.

Segmentação das exportações gerais

No Brasil como um todo, a vertical de produtos médico-hospitalares segue como a mais representativa no volume de exportação. Com 68,54% do total, o segmento alcançou US$ 804,89 milhões em 2024, refletindo crescimento de quase 32% com relação ao ano anterior. No período, a vertical de odontologia totalizou US$ 135,97 milhões em exportações (+11,7%), as vendas externas de produtos para laboratório chegaram a US$ 123,93 milhões (+ 15,10%) e aquelas voltadas ao segmento de reabilitação a US$ 109,48 milhões (+7,01%).

Os dispositivos médicos mais exportados em 2024 foram válvulas cardíacas, equipamentos distribuidores e doseadores de líquidos, bolsas e sacos de plástico para uso médico, artigos e aparelhos ortopédicos e categutes esterilizados.

Destino das exportações gerais

Em 2024, as exportações brasileiras de dispositivos médicos foram destinadas, prioritariamente, a países do continente americano, que consumiram 63,1% de tudo o que foi vendido pela indústria nacional. Entre principais compradores da região estão Estados Unidos, Argentina e México.

Mesmo assim, o produto brasileiro segue com espaço comercial em todo o mundo. Europeus responderam por 20,86% das aquisições do período, asiáticos por 14,25% e África e Oceania, juntos, consumiram 1,78% do total exportado. No ranking dos principais compradores do ano passado também se destacaram a Coreia do Sul e os Países Baixos.

Importações de dispositivos médicos

Com o crescimento das exportações, mas, também, das importações, a balança comercial do setor fechou 2024 com um déficit de pouco mais de US$ 8 milhões. No período, o Brasil importou cerca de US$ 5 bilhões em produtos para laboratório, o que representou mais da metade do volume total importado. Os produtos médico-hospitalares também tiveram um bom volume de importações: 38,93% do total.

Quem mais vende para o Brasil são os Estados Unidos, seguidos pela Alemanha, China, Irlanda e Suíça. Entre os itens importados estão produtos imunológicos para uso laboratorial, instrumentos e aparelhos para medicina e cirurgia, reagentes de diagnóstico laboratorial e sondas e cateteres.

Sobre a ABIMO

A Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO) representa a indústria brasileira de produtos para a saúde que promove o crescimento sustentável no mercado nacional e internacional.

Fundada em 1962, a instituição conta com mais de 300 associados e surgiu a partir da ideia de 25 fabricantes de produtos médicos e odontológicos com o objetivo de fortalecer, organizar e regulamentar o segmento. Nesses anos de trabalho, a ABIMO expandiu suas operações de suporte à cadeia produtiva através de conselhos e grupos de trabalho, os quais respondem por todos os aspectos técnicos, operacionais e associativos do setor.

Sobre o BRAZILIAN HEALTH DEVICES

O projeto setorial Brazilian Health Devices, executado pela ABIMO em parceria com a ApexBrasil, tem como missão fomentar as exportações de artigos e equipamentos da área da saúde. Brazilian Health Devices é a marca que reúne as indústrias exportadoras do setor e as representa internacionalmente. Durante o ano de 2023 o projeto atendeu 137 empresas brasileiras fabricantes de dispositivos médicos que exportaram US$106,6 milhões em produtos para mais de 137 países.

O Brazilian Health Devices está aberto a receber novas indústrias de dispositivos médicos que buscam a internacionalização. As empresas interessadas em entender o funcionamento do projeto devem entrar em contato pelo telefone (11) 3285-0155 ou pelo e-mail export@abimo.org.br.

FONTE: APEXBRASIL
Exportações de dispositivos médicos crescem 24,6% em 2024 e Brasil amplia reconhecimento global no setor

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