Tecnologia

Robôs humanoides na guerra: startup dos EUA testa modelo Phantom MK-1 na Ucrânia

O uso de robôs humanoides em conflitos militares começa a ganhar espaço em cenários reais de combate. A startup norte-americana Foundation enviou duas unidades do robô Phantom MK-1 para a Ucrânia em fevereiro, com o objetivo inicial de realizar missões de reconhecimento no campo de batalha.

De acordo com a revista Time, a empresa já mantém contratos de pesquisa com as forças armadas dos Estados Unidos, incluindo o Exército dos Estados Unidos, a Marinha dos Estados Unidos e a Força Aérea dos Estados Unidos. Novos testes também estão previstos com o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Projeto busca substituir soldados em missões perigosas

A proposta da empresa é desenvolver máquinas capazes de executar tarefas arriscadas no lugar de militares. Segundo o cofundador da companhia, Mike LeBlanc, a ideia é reduzir a exposição de soldados em situações de alto risco.

O executivo, que serviu por 14 anos no Corpo de Fuzileiros Navais e participou de operações no Iraque e no Afeganistão, afirma que os robôs estão sendo projetados para operar equipamentos semelhantes aos usados por militares.

Segundo ele, o objetivo é que o sistema seja capaz de manusear qualquer armamento que um combatente humano utilize, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia em diferentes missões.

Robô já passou por testes com armamentos

Além de tarefas logísticas, como transporte de suprimentos e reconhecimento, o Phantom MK-1 já foi submetido a testes com armas em ambientes controlados.

A empresa afirma, porém, que qualquer uso letal deverá permanecer sob autorização humana, uma condição considerada essencial em debates internacionais sobre armas autônomas e inteligência artificial militar.

A discussão envolve questões éticas e jurídicas sobre até que ponto máquinas podem participar de decisões que envolvam uso de força letal.

Ucrânia se torna laboratório de tecnologias de guerra

Desde o início do conflito com a Rússia, a Ucrânia tem sido um dos principais ambientes de teste para tecnologias militares inovadoras.

O país já utiliza amplamente drones militares, veículos terrestres não tripulados e softwares avançados de navegação e mira. Nesse contexto, os robôs humanoides surgem como uma nova etapa na evolução dessas plataformas.

Essas máquinas poderiam circular em bunkers, áreas urbanas destruídas e ambientes confinados, além de transportar equipamentos, realizar reconhecimento e eventualmente operar armamentos.

Operações com robôs já somam milhares

Dados divulgados pela agência estatal ucraniana United24 indicam que o país realizou 7.495 operações com robôs apenas em janeiro.

A maioria dessas missões teve caráter logístico, como entrega de munições, armas e alimentos às tropas. No entanto, algumas plataformas já operam com metralhadoras Kalashnikov e dispositivos explosivos.

A Rússia também vem ampliando o uso de robótica em operações militares, embora ainda não tenha anunciado o uso de robôs humanoides no campo de batalha.

Especialistas alertam para riscos éticos

A expansão da robótica militar gera preocupação entre especialistas em segurança internacional. Alguns analistas avaliam que a presença de soldados-robô pode reduzir as barreiras políticas e morais para o uso da força em conflitos.

Também existem questionamentos sobre responsabilização por abusos, possíveis falhas de sistemas automatizados e riscos associados a viés algorítmico, reconhecimento facial e erros de comando.

Outro ponto sensível é a possibilidade de que, no futuro, sistemas cada vez mais autônomos passem a tomar decisões de vida ou morte, ampliando o debate global sobre limites para o uso de inteligência artificial na guerra.

FONTE: Época Negócios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Época Negócios

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