Notícias

Navio com 3.000 vacas fica dois meses à deriva na Turquia após veto sanitário

Um navio carregado com cerca de 3.000 vacas passou mais de dois meses sem autorização para atracar na costa da Turquia, depois que autoridades identificaram falhas na documentação sanitária. Durante o período à deriva, ao menos 58 animais morreram e mais de uma centena de bezerros nasceu em condições extremamente precárias.

Viagem bloqueada e retorno forçado
O Spiridon 2º saiu de Montevidéu, no Uruguai, em 20 de setembro e chegou à cidade turca de Bandirma em 22 de outubro. Ao detectar inconsistências nos registros e na identificação do gado, o governo turco vetou o desembarque e permitiu apenas o envio de suprimentos emergenciais. Após 58 dias parado, o país ordenou o retorno imediato da embarcação.
A viagem de volta até o Uruguai deve levar mais 32 dias, totalizando quase 90 dias no mar e ampliando o período de confinamento dos animais.

Condições degradantes a bordo
Relatos de forte odor, presença de moscas e até carcaças no convés chamaram a atenção de organizações de bem-estar animal. Segundo testemunhas citadas pela imprensa internacional, sacos com corpos de bovinos e possível vazamento de fluidos foram vistos no navio.
A Animal Welfare Foundation afirma que a embarcação, de 52 anos, foi adaptada para transportar gado apenas em 2011 e não teria estrutura para uma jornada tão longa. A entidade contabiliza cerca de 140 partos durante a travessia, indício de que muitas vacas estavam prenhes no momento do embarque.

Falta de água, ração e higiene
Especialistas alertam que a escassez de água, ração e cama limpa intensifica o sofrimento dos animais. A veterinária Maria Boada Saña descreveu que cada novo atraso representa “sofrimento massivo”, enquanto a australiana Lynn Simpson afirmou ser provável que os recursos básicos já estejam no limite ou completamente esgotados.

Por que a Turquia recusou o desembarque
As autoridades turcas identificaram falhas nos registros sanitários e nos brincos usados para a identificação do gado, que não correspondiam à documentação apresentada. Por isso, permitiram apenas um rápido reabastecimento antes de ordenar o retorno ao Uruguai.
Organizações afirmam que o episódio expõe problemas estruturais no sistema de exportação de animais vivos, que tende a repetir situações semelhantes enquanto não houver revisão das práticas atuais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Redes Sociais/UOL

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook