Economia

Dívida pública mundial atinge recorde histórico e pressiona economias em 2025

A dívida pública mundial alcançou um novo patamar em 2025, registrando o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. O montante global ultrapassou US$ 338 trilhões, segundo dados do Monitor Fiscal 2024-2025 do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).

O avanço do endividamento global reflete anos de déficits fiscais elevados, aumento dos gastos públicos e instabilidade geopolítica no cenário internacional.

Endividamento mundial cresce ano após ano

Relatório “A World of Debt 2025”, divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mostra que a dívida já havia saltado de US$ 97 trilhões, em 2023, para US$ 102 trilhões em 2024.

No acumulado mais recente, o estoque total chegou a US$ 251 trilhões, equivalente a quase 230% do PIB mundial. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos déficits públicos, tensões econômicas e medidas protecionistas adotadas por governos, incluindo tarifas comerciais implementadas pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump.

O que é dívida pública e como ela é medida

A dívida pública representa os valores que governos captam por meio da emissão de títulos para financiar despesas superiores à arrecadação de impostos. Esses papéis são negociados no mercado financeiro e pagos futuramente aos investidores.

Para comparar países, o indicador mais utilizado é a relação dívida/PIB, que demonstra o tamanho do endividamento em relação à capacidade de geração de riqueza da economia.

Países com as maiores dívidas do mundo

Quando considerada a proporção da dívida em relação ao PIB, algumas economias lideram o ranking global. Já em termos nominais — ou seja, pelo valor absoluto — os países mais ricos e com maior capacidade de financiamento ocupam as primeiras posições.

Estados Unidos lideram em valores absolutos

Os Estados Unidos seguem como o país mais endividado do planeta em números nominais, com dívida bruta estimada em cerca de US$ 35 trilhões — o maior valor já registrado.

O alto nível de endividamento americano está associado à ampliação de gastos militares, programas sociais e estímulos econômicos no período pós-pandemia. Além disso, o país conta com a vantagem de emitir o dólar, principal moeda de reserva global, o que amplia sua capacidade de financiamento.

Projeções do relatório World Economic Outlook 2025, do FMI, indicam que a dívida dos EUA pode subir de 122% do PIB em 2024 para 143% até 2030, mesmo com compensações parciais de receita via tarifas comerciais.

Japão enfrenta pressão demográfica

O Japão aparece na sequência entre as maiores economias endividadas. Em 2025, o déficit público japonês se aproxima de US$ 10 trilhões.

A crise demográfica — marcada pelo envelhecimento acelerado da população — pressiona o sistema previdenciário e reduz a força de trabalho ativa, impactando as contas públicas.

China concentra dívida em infraestrutura

A China ocupa a terceira posição em valores nominais, com dívida estimada em aproximadamente US$ 6 trilhões. Parte significativa do endividamento está ligada a investimentos em infraestrutura, além das obrigações assumidas por governos locais.

Economias emergentes também enfrentam alta da dívida

Segundo o FMI, países emergentes e em desenvolvimento devem registrar crescimento moderado — de 4,2% em 2025 para 4,0% em 2026 —, mas a dívida pública continuará avançando.

A estimativa é que o endividamento médio dessas economias alcance cerca de 82% do PIB até 2030, refletindo crescimento mais lento e manutenção de gastos elevados.

Juros elevados pressionam países em desenvolvimento

Metade das nações em desenvolvimento destina pelo menos 6,5% das receitas de exportação ao pagamento da dívida externa, de acordo com a UNCTAD.

O Banco Mundial aponta que, em 2024, as taxas médias de juros sobre novos empréstimos atingiram o maior nível em mais de duas décadas para credores oficiais e o maior patamar em 17 anos para credores privados.

Os juros para emissão de títulos ficaram em torno de 10% ao longo de 2024 — praticamente o dobro do período pré-pandemia.

Desde 2020, países em desenvolvimento têm tomado empréstimos a taxas entre duas e quatro vezes superiores às dos Estados Unidos, dificultando investimentos em áreas essenciais.

Impacto social e desigualdade regional

Em 2024, nações em desenvolvimento desembolsaram até US$ 921 bilhões em juros líquidos da dívida pública. Em muitos casos, os recursos destinados ao serviço da dívida superaram os investimentos em saúde e educação.

Atualmente, cerca de 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais com pagamento de juros do que com políticas sociais básicas.

Há ainda forte disparidade regional: Ásia e Oceania concentram 24% da dívida pública global, enquanto América Latina e Caribe respondem por cerca de 5%, e a África, apenas 2%. A ONU atribui parte desse desequilíbrio à estrutura desigual do sistema financeiro internacional.

FONTE: Revista Fórum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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