Logística

“Deve haver esforço para a solução das rodovias em SC”

Ao encerrar sua gestão à frente da Fiesc, o ex-presidente Mario Cezar de Aguiar destacou, em entrevista exclusiva ao Grupo ND, o legado de sete anos de trabalho voltado à modernização da indústria catarinense e ao fortalecimento da instituição. Segundo ele, a federação se posicionou ativamente
em questões estratégicas para o desenvolvimento do Estado, conduzindo projetos e diretrizes que beneficiaram tanto as indústrias quanto a sociedade.

Foram anos que o senhor trouxe uma reformulação do conceito industrial em Santa Catarina e, em especial, da Fiesc. O senhor sai satisfeito dessa etapa?
Eu acho que saio satisfeito sim. Nós traçamos algumas diretrizes, tínhamos os nossos projetos e conseguimos, ao longo de 7 anos, fazer uma entrega importante para as indústrias catarinenses e para a sociedade catarinense. O fato é que nós sempre nos posicionamos nas questões que afetavam o desenvolvimento do Estado catarinense. A Flesc sempre se posicionou, opinou institucionalmente, conduziu as suas posições no sentido de dar um encaminhamento para que o Estado pudesse ser esse Estado de referência que é. Eu acho que entregamos um bom mandato.

A gente tem também um investimento, talvez recorde ou histórico para a Fiesc, que
foi R$1,5 bilhão em diversas ações. O que representa esse investimento para uma instituição que, como o senhor falou, passou ase posicionar dentro da sociedade, seja no campo administrativo, público, político, mas sempre de uma opinião muito forte e muito assertiva?

Eu tenho sempre dito que a indústria de Santa Catarina é a mais diversificada do Brasil e está distribuída ao longo de todo o território nacional. Isso nos obriga, como federação, a dar atendimento às indústrias que estão localizadas em todo o Estado. Isso demanda investimentos muito elevados. Nós fomos atrás de recursos. À Federação das Indústrias Catarinense é a segunda federação do Brasil de indústria que tem
o maior orçamento. Isso nos possibilitou fazer esse investimento recorde de mais de R$ 1,5 bilhão. Nós construímos várias unidades escolares, meIhoramos os nossos ambientes, os nossos laboratórios. Fizemos investimentos que realmente vão trazer resultados muito positivos, não só para indústria, mas para a sociedade catarinense. Quando eu formo um bom aluno no ensino médio, e essa é a proposta do
Sesi, quando eu formo um bom profissional no Senai, eessaé a
Proposta do Senai para qualificar as pessoas para a indústria, eu estou colaborando com o desenvolvimento da indústria.

O senhor tocou num assunto emblemático que é a Fiesc ter opinião posicionada. Isso foi
fundamental para que a Fiesc também ganhasse mais notoriedade e respeito de gestores públicos ao fazer apontamentos, ao defender projetos de leis lá na Alesc. Isso mudou também a visão dos políticos, dos gestores públicos com a Fiesc e a Fiesc também com esses grupos?

Se nós somos a entidade que representa o setor mais importante da economia de
Santa Catarina, porque a indústria catarinense é o setor que mais emprega, que mais paga impostos, então nós temos que nos posicionar. Nós temos que defender aquilo que atende à nossa indústria, mas que também atende à sociedade catarinense. Porque você não pode desenvolver uma boa indústria num ambiente que não é favorável agora. Quando nós nos envolvemos, por exemplo, nas discussões da melhoria da infraestrutura aqui do Estado, principalmente a infraestrutura rodoviária, nós estamos, evidentemente, melhorando a competitividade da indústria, mas nós estamos dando uma condição de vida melhor para o catarinense.

A Fiesc tem trabalhado também o conceito de transporte ferroviário. O senhor trouxe essa discussão em alguns momentos. O governo do Estado abraçou a causa com muita vontade junto com os Estados do Sul. O governo federal já sinaliza uma ampliação. A Fiesc é uma personagem fundamental mesas discussões também?
A Fiesc sempre defendeu todos os modais. Mas eu acredito que, pela condição topográfica do nosso território catarinense, que é um território muito acidentado, a implantação de ferrovias em Santa Catarina é muito mais cara do que, por exemplo, no Mato Grosso, em São Paulo. Somos favoráveis a rodovias, evidentemente, mas sabemos da restrição fiscal que passa o país. As concessões de ferrovias são de 90 a 100 anos, porque os investimentos são muito fortes. Mas nós defendemos, assim, que deve haver uma concentração e muito esforço na solução das rodovias. Não é simplesmente fazer duplicação da 282, por exemplo. É fazer uma rodovia de padrão internacional, com viaturas, com túneis. Se Santa Catarina é o quarto Estado do Brasil que mais recursos envia para Brasília, é justo que Santa Catarina reivindique rodovias de primeiro mundo.

Sobre portos e mercado externo, nesse ano conversamos sobre os desafios da ameaça do tarifaço dos EUA com a indústria e com os produtores de Santa Catarina. A Fiesc conseguiu se posicionar bem, embora não tenha como não. sentir os impactos e enfrentar esse primeiro momento de crise, e embora também “os percentuais dessa segunda etapa sejam muito mais altos do que as ameaças da primeira?
Quando surgiu o tarifaço estávamos até numa posição confortável, nós tínhamos a menor taxa, de 10%. Mas depois, por uma série de razões, foi elevado para 50%. E nós fomos a primeira Federação das Indústrias que teve audiência com o vice-presidente Alckmin, que é o interlocutor do Brasil na questão do tarifário. Fomos ao ministro Alckmin colocar a nossa posição, depois de discutir com os industriais e nós solicitamos que o governo brasileiro solicitasse uma prorrogação da aplicação da tarifa de 50%. E também que o Brasil não fizesse a retaliação. Nós, infelizmente, somos o elo fraco dessa relação comercial e não podemos retaliar, essa é a pior situação. Alguns setores vão sofrer bastante com essa aplicação de tarifas.

O senhor já foi sondado, inclusive, como possível pré-candidato e sinalizou que não tem muito interesse nesse primeiro momento. Mas também é cotado para assumir uma missão junto ao governo Jorginho Mello. Existe a possibilidade de o senhor continuar contribuindo com o Estado, embora se posicione em voltar a cuidar dos seus projetos pessoais?
Eu tive uma dedicação bastante intensa à Fiesc. Eu não tirei férias nesse período, agora programei algumas viagens. Eu realmente tive convite do governador, tenho muita identidade com o governador Jorginho, estou disposto a ajudá-lo, mas também tenho que verificar meus compromissos que já estavam assumidos antes do convite. Tem algumas viagens já programadas com a minha família, mas no momento oportuno vou conversar com o governador.

Fonte: FIESC

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