Industria

CEO da Ford alerta que EUA estão atrás da China na indústria e cobra mais investimentos

O CEO da Ford, Jim Farley, fez um alerta contundente sobre a competitividade americana ao afirmar que os Estados Unidos estão “muito atrás da China” em setores industriais e de tecnologia. O executivo participou do Ford Pro Accelerate Summit, em Detroit, onde reuniu centenas de líderes de manufatura, logística e construção para discutir a chamada “economia essencial”.

China avança, EUA perdem espaço

Farley destacou que a falta de investimentos consistentes nos EUA contrasta com a estratégia de países asiáticos como China, Coreia do Sul e Japão, que direcionam recursos massivos para treinamento, inovação e apoio político. “Estamos muito atrás… É humilhante olhar onde estamos em relação à economia essencial e ao reconhecimento da importância desses empregos”, afirmou.

Segundo ele, a escassez de mão de obra qualificada e a queda da produtividade já comprometem a indústria americana. O executivo criticou a desvalorização de trabalhadores essenciais — como técnicos, construtores e transportadores — e pediu novas políticas públicas e parcerias privadas para reduzir burocracias e apoiar pequenos negócios.

Lições da Ásia para o mercado de trabalho

Na avaliação de Farley, o sucesso asiático está no fortalecimento de sistemas robustos, que valorizam socialmente a mão de obra técnica e garantem sua renovação por meio de programas de aprendizagem e capacitação profissional. Ele lembrou que a Ford enfrenta carência de técnicos em todo o mundo e defendeu maior engajamento das empresas com escolas técnicas, sindicatos e organizações comunitárias.

O papel da política industrial

O executivo também comentou sobre a política econômica e comercial americana. Para ele, medidas como tarifas e barreiras regulatórias podem agravar a escassez de trabalhadores, caso não venham acompanhadas de investimentos sólidos em educação técnica e produtividade.

A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, presente no evento, reforçou a preocupação e disse que, sem ação imediata, a China pode dominar setores estratégicos. Ela citou a presença maciça de montadoras chinesas no Salão de Munique como exemplo da velocidade com que o país asiático avança sobre mercados globais.

Caminhos para o futuro

Tanto Farley quanto Whitmer defenderam uma expansão da educação profissional nos EUA, inspirada em modelos da Alemanha e do Leste Asiático. Eles pediram mais oportunidades de formação técnica e vocacional, redução de barreiras de entrada e maior reconhecimento social de empregos essenciais, que muitas vezes oferecem alta remuneração e possibilidade de empreendedorismo.

Para Whitmer, setores como encanamento, transporte e serviços essenciais precisam voltar a ser valorizados. “Esses empregos tornam nossa vida possível e não podem ser substituídos por tecnologia”, afirmou.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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