Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Brasil vai recorrer à OMC para reverter tarifa de 50% dos EUA sobre exportações 

Governo estuda Lei de Reciprocidade Econômica e anuncia diálogo com setor privado para enfrentar barreira comercial imposta por Donald Trump 

O governo brasileiro anunciou que vai atuar firmemente para reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações do Brasil. A decisão foi comunicada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no domingo (13), após a inauguração do Novo Viaduto de Francisco Morato, em São Paulo. 

Segundo Alckmin, o Brasil vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida anunciada na última quarta-feira (9) pelo presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a taxação com críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Vamos trabalhar para reverter isso, porque essa tarifa não faz sentido. Ela prejudica também o consumidor norte-americano. Vamos recorrer à OMC, porque entendemos que é uma medida inadequada e injustificável”, declarou Alckmin. 

Governo convocará setor privado e avalia resposta via Lei de Reciprocidade Econômica 

O vice-presidente informou que, nos próximos dias, o governo federal se reunirá com representantes do setor privado para alinhar estratégias. Também está em análise a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, que permite suspender concessões comerciais e de investimentos quando países adotarem medidas que afetem negativamente a competitividade brasileira no mercado internacional. “Os Estados Unidos têm superávit comercial conosco, tanto em serviços quanto em bens. O Brasil não é problema para os Estados Unidos. Temos uma integração produtiva e mais de 200 anos de amizade. O mundo econômico precisa de estabilidade e previsibilidade”, reforçou Alckmin. 

Entenda a nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros 

A nova política tarifária de Trump prevê taxação de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. A medida foi comunicada em carta enviada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o líder americano cita ações do STF contra apoiadores de Bolsonaro que vivem nos EUA e critica a condução do processo judicial contra o ex-presidente. 

Trump chamou o julgamento de uma “caça às bruxas” e afirmou que ele “não deveria estar ocorrendo”. Segundo o republicano, Bolsonaro foi um “líder altamente respeitado em todo o mundo”, inclusive pelos Estados Unidos. 

IPI zero para carros sustentáveis é destaque em meio à tensão comercial 

Em meio ao impasse com os Estados Unidos, o governo brasileiro também anunciou medidas de incentivo à indústria nacional, como a redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros sustentáveis de entrada. O decreto, assinado por Lula na quinta-feira (10), integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e tem como objetivo estimular a produção e o consumo de veículos com menor impacto ambiental. 

“Essa medida pode reduzir o preço dos carros de entrada em até R$ 12 mil. É um avanço para a população e para a sustentabilidade”, afirmou Alckmin. 

Para que o veículo seja enquadrado na isenção do IPI, ele precisa cumprir quatro requisitos: 

  • Emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro
  • Ter mais de 80% de materiais recicláveis
  • Ser produzido no Brasil (incluindo motor, pintura, montagem e soldagem); 
  • Se enquadrar na categoria de carro compacto, voltado ao público de entrada. 

FONTE: AGENCIA BRASIL 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL 

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Economia, Tributação

IOF: Moraes suspende decretos e determina audiência de conciliação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu nesta sexta-feira (4) os efeitos de decretos da Presidência da República e do Congresso Nacional que tratam do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Concedo a medida cautelar, ad referendum do plenário desta suprema Corte, para suspender os efeitos dos decretos presidenciais 12.466/2025, 12.467/2025 e 12.499/2025, assim como do Decreto Legislativo 176/2025.”

Na decisão, Moraes determina ainda a realização de uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o tema. A audiência está agendada para o dia 15 de julho na sala de audiências da Corte, em Brasília.

“Comunique-se ao presidente da República e ao presidente do Congresso Nacional, para ciência e cumprimento imediato desta decisão, solicitando-lhes informações, no prazo de cinco dias.”

Conforme consta na decisão, também devem participar do encontro a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU). “Após a realização da audiência de conciliação, será analisada a necessidade de manutenção da medida liminar concedida”, destacou o ministro.

A decisão

No documento, Moraes lembra da importância da harmonia entre os poderes, além da independência entre eles. Também cita “fortes argumentos que indicam a existência de razoabilidade na imediata suspensão da eficácia dos decretos impugnados”.

“Inclusive porque esse indesejável embate entre as medidas do Executivo e Legislativo, com sucessivas e reiteradas declarações antagônicas, contraria fortemente o artigo 2º da Constituição Federal que, mais do que determinar a independência dos poderes, exige a harmonia entre eles, como princípio básico e inafastável de nosso Estado Democrático de Direito em busca do bem comum para toda a sociedade brasileira.”

Entenda

No fim de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decreto que aumentava o IOF para operações de crédito, de seguros e de câmbio. O documento fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal.

No início de junho, o governo reverteu parte das elevações do IOF, mas editou uma medida provisória (MP) que aumenta outros tributos. Também em junho, a derrubada do decreto foi pautada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. Cerca de duas horas após ter sido derrubado, o decreto também foi rejeitado em votação simbólica no plenário do Senado Federal.

Na última terça-feira (1º), a Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no intuito de reverter a derrubada do decreto. Segundo o ministro da AGU, Jorge Messias, a ação declaratória de constitucionalidade (ADC) foi apresentada após solicitação feita por Lula e com base em estudo técnico e jurídico solicitado ao órgão na semana anterior.

O ministro Alexandre de Moraes foi escolhido relator da ADC protocolada pela AGU para reconhecer a validade do decreto editado pelo presidente. Moraes vai comandar o caso porque já atua como relator de dois processos que tratam do assunto. As ações foram protocoladas pelo PL e pelo PSOL. Não há data para decisão do ministro.

FONTE: Agencia Brasil.

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Economia, Exportação, Importação, Negócios, Notícias, Tributação

Déficit comercial dos EUA cresce em maio com queda nas exportações

O déficit comercial dos EUA em bens aumentou em maio em meio a um declínio nas exportações, mas uma diminuição no fluxo de importações provavelmente posiciona o comércio para fazer uma grande contribuição ao produto interno bruto no segundo trimestre.

O déficit comercial de bens aumentou 11,1%, para US$ 96,6 bilhões no mês passado, informou o Censo do Departamento de Comércio na quinta-feira. As exportações de bens caíram US$ 9,7 bilhões, para US$ 179,2 bilhões. As importações de bens permaneceram praticamente inalteradas, em US$ 275,8 bilhões.

Uma enxurrada de importações, causada pela pressa das empresas em trazer produtos antes das tarifas abrangentes do presidente Donald Trump entrarem em vigor, elevou o déficit comercial de bens a um recorde no primeiro trimestre, sendo responsável por grande parte da taxa anualizada de declínio de 0,5% do PIB durante esse período.

O Federal Reserve de Atlanta prevê uma aceleração do PIB de 3,4% neste trimestre. Dadas as oscilações das importações, economistas alertaram contra a interpretação da recuperação prevista do PIB como um sinal de força econômica.

Dados sobre vendas no varejo, mercado imobiliário e mercado de trabalho sugerem que a atividade econômica está enfraquecendo.

Fonte: Brasil 247

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Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

Empresas tentam driblar tarifas dos EUA sobre produtos chineses; entenda

Quando a passarela metálica é baixada, a tripulação começa a trabalhar para fixar o navio ao cais – seus macacões laranja parecem minúsculos comparados ao imenso navio porta-contêineres rosa atrás deles. Uma vez que o navio ONE Modern está devidamente atracado, três operadores de guindaste iniciam uma corrida contra o tempo para descarregar e recarregar mais de 700 contêineres no Porto de Hong Kong, em menos de 10 horas.

Para inúmeras empresas ao redor do mundo na mesma situação, há uma corrida ainda maior em jogo: a operação massiva para retirar mercadorias da China e levá-las aos EUA antes que expire, em 12 de agosto, a suspensão das tarifas mais altas impostas pelo presidente Donald Trump. “Os índices de imprevisibilidade e caos estão realmente em um nível sem precedentes”, disse Roberto Giannetta, presidente da Associação de Navegação de Linha de Hong Kong, à CNN.

“Esta instabilidade está criando muito caos.” Negociações entre os EUA e a China ocorreram em Londres na semana passada, resultando em um acordo sobre uma estrutura de trégua comercial, segundo autoridades de ambos os lados. Mas aqueles que estão na linha de frente lidando com essas políticas comerciais mutáveis não estão correndo riscos.

A China é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos, atrás do México.   O comércio entre os dois países ultrapassou US$ 688 bilhões no ano passado, de acordo com dados chineses. “As regras mudam três vezes por semana”, disse Rick Woldenberg, CEO da Learning Resources, uma empresa de brinquedos educativos baseada em Chicago. “Não temos absolutamente nenhuma ideia de quais serão as regras quando o produto chegar.”

Quando os EUA anunciaram tarifas abrangentes sobre a maior parte do mundo em 2 de abril, isso desencadeou o caos nas complexas cadeias de suprimentos globais que permitem o livre fluxo de mercadorias ao redor do mundo – especialmente na indústria naval, que transporta 90% de todos os bens manufaturados.

Apesar de uma pausa separada de 90 dias na maioria das tarifas, líderes empresariais dizem que precisam operar como se as tarifas fossem retornar. Empresas americanas têm tentado estocar mercadorias durante o período de trégua, fazendo com que as fábricas chinesas trabalhem em ritmo acelerado para atender à demanda e pressionando as empresas de navegação para entregar o máximo possível nesta janela atual. “As empresas querem antecipar cargas porque simplesmente não sabem como será a realidade daqui a algumas semanas”, disse Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da UE na China, baseado em Pequim. “Isso torna muito difícil planejar, cria ineficiência e, eventualmente, isso também aumentará os custos.”

A bordo do ONE Modern, com 302 metros de comprimento (990 pés), propriedade da Ocean Network Express do Japão, há até 7.000 contêineres cheios de produtos como roupas, móveis e peças automotivas – majoritariamente fabricados na China – destinados aos EUA.

Apesar das mudanças bruscas no comércio americano, a tripulação do navio parece notavelmente estoica, um sinal da resiliência que se tornou a marca registrada da indústria naval. Nos últimos anos, o setor enfrentou crises constantes, incluindo a pandemia de Covid-19, o bloqueio do Canal de Suez e a ameaça de mísseis Houthi no Mar Vermelho. “O transporte marítimo sempre continua, não importa o que você jogue contra ele”, disse Giannetta. “Esta é uma indústria que não para.”

Após deixar Hong Kong, o navio viajará mais de 10.000 milhas náuticas – parando em três portos na China continental e um na Coreia do Sul, antes de atravessar o Oceano Pacífico, passar pelos estreitos canais do Canal do Panamá e finalmente chegar a Houston, Texas. Do lado americano, algumas empresas que dependem de importações chinesas estão lutando para se manter à tona. “Você verá uma extinção de algumas dessas empresas”, disse Woldenberg. “Há uma tremenda destruição de riqueza, e não acho que isso seja recuperável.”

A indústria de brinquedos foi particularmente afetada, pois quase 80% de todos os brinquedos vendidos nos EUA são fabricados na China, segundo a Associação Americana de Brinquedos. Woldenberg processou com sucesso a administração Trump por causa da guerra comercial, embora a decisão de um tribunal distrital dos EUA de conceder uma liminar sobre as tarifas esteja atualmente suspensa após um recurso do governo.

A Learning Resources, um negócio familiar de quarta geração com 100 anos de história, emprega 500 pessoas nos EUA. Eles estão agora ativamente movendo parte da produção de brinquedos para fora da China para evitar os “altos e baixos novelescos entre os EUA.” Mas transferir a fabricação para os EUA, um dos objetivos declarados da guerra comercial, é apenas “uma fantasia burocrática”, disse Woldenberg, porque a capacidade não está atualmente disponível em solo nacional.

Trump anteriormente minimizou o impacto das tarifas sobre empresas e consumidores americanos, dizendo em uma reunião de gabinete em 30 de abril que os navios porta-contêineres que chegam aos EUA estão “carregados de coisas, muito das quais não precisamos.” “Talvez as crianças tenham duas bonecas em vez de 30”, acrescentou Trump “Talvez as duas bonecas custem alguns dólares a mais do que custariam normalmente.” “Os varejistas ficarão sem produtos”, afirmou Woldenberg. “Isso é algo absolutamente certo de acontecer.”

Além da escassez nas prateleiras, os líderes do setor também deixam claro que qualquer prejuízo financeiro será repassado ao público americano. Woldenberg concordou: “Eles podem chamar de tarifas ou do que quiserem, mas é um imposto e eles transformaram nossa empresa em uma coletora de impostos.”

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Informação, Logística, Portos, Tributação

Livro inédito discute relação Porto-Cidade e propõe novo olhar sobre desenvolvimento regional e justiça tributária 

A relação entre cidades portuárias e a atividade portuária no Brasil ganhou um estudo inédito e aprofundado. Publicado pela Editora Aduaneiras, referência nacional em comércio exterior e logística, o livro “Relação Porto-Cidade – Incentivos fiscais, THC e o Desenvolvimento Regional” propõe uma nova abordagem para pensar o papel dos portos no crescimento dos municípios e na arrecadação de tributos. 

A obra é fruto da dissertação de mestrado do advogado Maykon Fagundes Machado e foi escrita em coautoria com o professor e jurista Osvaldo Agripino, referência no Direito Marítimo e Portuário há mais de três décadas. 

Dividido em quatro capítulos, o livro trata de temas como arrecadação do ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza), a regulação da THC (Terminal Handling Charge) — conhecida como capatazia — e os impactos fiscais e sociais que envolvem o transporte marítimo e a gestão dos portos. 

Os autores destacam que a cobrança do THC, feita por transportadores marítimos e seus agentes, ainda apresenta problemas como sonegação fiscal e enriquecimento sem causa, apesar dos esforços regulatórios da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A análise se baseia nas resoluções 100 e 101, publicadas em 2023, e propõe ajustes na regulação para garantir maior justiça fiscal e eficiência nos serviços. 

Outro ponto central da obra é a integração entre porto e cidade — uma conexão que, segundo os autores, precisa ser repensada para fortalecer o desenvolvimento regional. Essa visão inovadora foi recentemente incorporada ao Projeto de Lei 733/2025, que propõe uma nova Lei Geral dos Portos Brasileiros, reforçando a atualidade e a relevância do estudo. 

A publicação também se debruça sobre o regime de ICMS na importação, analisando como a carga tributária impacta diretamente os municípios que sediam portos e como políticas fiscais podem estimular ou frear o crescimento dessas regiões. 

No prefácio do livro, o professor Solon Sehn, jurista renomado e ex-conselheiro do CARF, afirma que a obra contribui de forma inédita para o debate sobre a relação porto-cidade, especialmente no contexto do Complexo Portuário Itajaí-Navegantes. “Os autores apresentam sugestões para aprimorar o modelo de regulação do THC, além de propor uma teoria geral para integrar porto e cidade, o que dá ao livro um caráter pioneiro”, pontua. 

Mais do que uma análise técnica, o livro lança luz sobre um tema pouco debatido, mas fundamental: como a operação portuária pode e deve contribuir para o bem-estar das cidades que a acolhem. 

A obra encontra-se disponível no link:  

https://www.multieditoras.com.br/produto.asp?id=6396&site=1

SOBRE OS AUTORES 

OSVALDO AGRIPINO DE CASTRO JUNIOR é Professor do Mestrado e Doutorado em Ciência Jurídica da Univali, tendo orientado 44 dissertações de Mestrado e 5 teses de Doutorado. Professor convidado do International Maritime Law Institute (IMO, IMLI, Malta), desde 2010, e do Mestrado em Engenharia de Transportes e Portos da UFSC (2014-2021) e da Especialização em Direito Marítimo da Escola de Guerra Naval, e da Maritime Law Academy. Advogado graduado pela UERJ (1991), sócio do Agripino & Ferreira, com atuação nas disciplinas abaixo e no Direito Imobiliário. Doutor em Direito (UFSC, 2001) e Pós-Doutorado em Regulação de Transportes e Portos na Kennedy School of Government, da Harvard University (2007-2008). Membro honorário do Instituto Brasileiro de Direito Regulatório (IBDRE), da Comissão de Direito Marítimo e Portuário do Conselho Federal da OAB e da Comissão de Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário do IAB. Autor e organizador de 25 livros, 56 artigos publicados em periódicos no Brasil e no exterior (revistas especializadas com a Beijing Law Review – Qualis A1) e 105 capítulos de livros (The IMLI Manual on Internacional Maritime Law – Vol II – Shipping Law. 1st ed. Oxford University Press, 2016, p. 423-449) 

MAYKON FAGUNDES MACHADO é Doutorando e Mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI (PPCJ), e Bolsista FAPESC. Pós-graduado em Jurisdição Federal pela Escola da Magistratura Federal de Santa Catarina – ESMAFESC. Pós-graduado em Direito Ambiental pela Faculdade CERS. Pós-graduando em Direito Imobiliário, Notarial e Registral pela UNIAVAN. Foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado Santa Catarina (FAPESC). Membro da Comissão Estadual da OAB/SC em Desenvolvimento e Infraestrutura. Foi Presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB, Subseção de Itajaí (SC). Advogado, no escritório Morgan Castagnaro, localizado em Balneário Camboriú (SC). Professor, escritor e palestrante. E-mail: maykon@morgancastagnaro.com 

Texto: Redação 

Imagens: Divulgação 

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Economia, Tributação

STJ aprova isenção de PIS/Cofins na Zona Franca de Manaus

Decisão unânime amplia isenção fiscal também para vendas e serviços a pessoas físicas e jurídicas na região

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu nesta 4ª feira (11.jun.2025), por unanimidade, que a venda de produtos e serviços a pessoas físicas e jurídicas para a ZFM (Zona Franca de Manaus) está isenta da cobrança de PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

Até o julgamento desta 4ª feira (11.jun), todos os processos judiciais sobre o tema estavam suspensos. A controvérsia girava em torno da interpretação do artigo 4º do Decreto-Lei 288 de 1967, que trata da isenção tributária nas operações do polo industrial. A tese foi fixada sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1.239), o que significa que o entendimento deverá ser aplicado por Instâncias inferiores em casos semelhantes.

Empresas tinham dúvidas sobre se precisavam pagar os tributos PIS e Cofins nas vendas feitas para pessoas físicas –ou seja, para o consumidor final. A Receita Federal dizia que sim, porque a lei que concede incentivos fiscais na região não deixava claro que essas vendas a pessoas físicas estavam isentas.

Na prática, isso significava que produtos vendidos dentro da ZFM para quem mora lá e compra direto acabavam pagando, o que aumentava o custo final.

A Fazenda Nacional argumentou na sessão que não existe previsão legal para estender o benefício a operações realizadas com pessoas físicas, serviços ou mercadorias nacionalizadas. Para o órgão, a isenção deveria se restringir às hipóteses expressamente previstas na legislação.

Já o relator do caso, ministro Gurgel de Faria, afirmou que o objetivo da Zona Franca de Manaus é a redução das desigualdades regionais. “Qualquer interpretação restritiva vai na contramão desse propósito”, afirmou.

Ele também argumentou que as vendas feitas dentro do polo devem ser tratadas, do ponto de vista dos impostos, como exportações –que já são isentas de PIS e Cofins pela própria lei.

O colegiado seguiu o entendimento do relator. Os ministros entenderam que a isenção deve valer tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.

Fonte: Poder 360

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Internacional, Tributação

Trump assina ordem para dobrar tarifas sobre aço e alumínio; Brasil será afetado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (3) um decreto para dobrar as tarifas aplicadas sobre a importação de aço e alumínio.

Em março, a alíquota foi estabelecida em 25%. A partir desta quarta-feira (4), com o novo decreto, passará a ser de 50%.

Apenas o Reino Unido conseguiu manter as tarifas sobre aço e alumínio em 25%, após negociações com o governo dos EUA.

Trump defende que a medida “protegerá ainda mais a indústria siderúrgica nos Estados Unidos” e sinalizou que “ninguém vai conseguir contornar” a tarifa.

“É uma grande honra para mim aumentar as tarifas sobre aço e alumínio de 25% para 50%, a partir de quarta-feira. Nossas indústrias de aço e alumínio estão se recuperando como nunca. Esta será mais uma GRANDE notícia para nossos maravilhosos trabalhadores do setor. FAÇAM A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!”, escreveu, na sexta-feira (30), em publicação feita na sua rede social, Truth Social.

As medidas anunciadas pelo presidente norte-americano afetam importações anuais que superam os US$ 100 bilhões.

Sobre o projeto de lei de Trump, conhecido como “one big beautiful bill”, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os republicanos que se opõe ao projeto “estão errados”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Economia, Tributação

Tarifa de 50% sobre aço e alumínio entra em vigor hoje, diz Trump

Declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais, após visita a uma usina da US Steel

O presidente Donald Trump anunciou na noite de sexta-feira (30) que as tarifas sobre aço e alumínio aumentarão para 50%, dobrando a taxa atual, a partir desta quarta-feira (4).

A declaração foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais, após seus comentários em uma usina da US Steel, na Pensilvânia.

É uma grande honra para mim aumentar as tarifas sobre aço e alumínio de 25% para 50%, a partir de quarta-feira. Nossas indústrias de aço e alumínio estão se recuperando como nunca. Esta será mais uma GRANDE notícia para nossos maravilhosos trabalhadores do setor. FAÇAM A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!” Donald Trump, presidente dos EUA, em post na rede social Truth Social

“Anúncio importante”

Mais cedo, durante a visita à US Steel, Trump disse que tinha um “anúncio importante”.

“Vamos impor um aumento de 25%”, disse Trump. “Vamos aumentar de 25% para 50% as tarifas sobre o aço importado para os Estados Unidos, o que protegerá ainda mais a indústria siderúrgica nos Estados Unidos. Ninguém vai conseguir contornar isso.”

Trump disse que estava considerando uma tarifa de 40%, mas executivos do setor disseram que queriam uma tarifa de 50%.

“Com 25%, eles conseguem passar por cima”, disse Trump. “Com 50%, ninguém vai passar por cima.”

Brasil x EUA

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço e ferro dos EUA. Em 2024, os americanos compraram US$ 4,677 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) em produtos brasileiros do conjunto de “Aço e Ferro”.

O volume de ferro e aço brasileiro exportado aos norte-americanos equivale a 14,9% do total importado pelos Estados Unidos. Em primeiro lugar, aparece o Canadá, com 24,2%. Depois do Brasil, estão México (10,1%), Coreia do Sul (5,9%) e Alemanha (4,6%).

Os EUA foram destino de 47,9% das exportações do grupo de aço e ferro do Brasil em 2024. O segundo maior comprador do Brasil é a China, que correspondeu por 10,7% das exportações de aço e ferro do Brasil.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional, Tributação

EUA pressionam países a apresentarem ofertas sobre tarifas até quarta-feira (4)

Documento obtido pela Reuters sugere uma urgência por parte do governo americano em concluir os acordos em relação ao seu próprio prazo apertado

O governo dos Estados Unidos quer que os países forneçam sua melhor oferta em negociações comerciais até quarta-feira, já que as autoridades buscam acelerar as conversas com vários parceiros antes de um prazo autoimposto em apenas cinco semanas, de acordo com uma minuta de carta aos parceiros de negociação vista pela Reuters.

O esboço, do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, oferece uma visão de como o presidente Donald Trump planeja encerrar as difíceis negociações que começaram em 9 de abril com dezenas de países, quando ele suspendeu suas tarifas do “Dia da Libertação” por 90 dias até 8 de julho, depois que os mercados de ações, títulos e moedas se revoltaram com a natureza abrangente dos impostos.

O documento sugere uma urgência por parte do governo em concluir os acordos em relação ao seu próprio prazo apertado. Embora autoridades como o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, tenham prometido repetidamente que vários acordos estavam prestes a ser concluídos, até o momento apenas um foi firmado com um importante parceiro comercial dos EUA: o Reino Unido. E mesmo esse pacto é mais parecido com uma estrutura para as negociações em andamento do que com um acordo final.

Na carta, os EUA pedem aos países que listem suas melhores propostas em várias áreas importantes, incluindo ofertas de tarifas e cotas para a compra de produtos industriais e agrícolas dos EUA e planos para remediar quaisquer barreiras não tarifárias.
Outros itens solicitados incluem quaisquer compromissos sobre comércio digital e segurança econômica, juntamente com compromissos específicos de cada país, de acordo com a carta.

Os EUA avaliarão as respostas dentro de alguns dias e oferecerão “uma possível zona de aterrissagem” que poderá incluir uma taxa tarifária recíproca, de acordo com a carta.
Não ficou claro quais países receberiam a carta, mas ela foi direcionada àqueles com negociações ativas que incluíam reuniões e trocas de documentos. Washington está envolvido em tais negociações com a União Europeia, Japão, Vietnã e Índia, entre outros.

Um funcionário do Representante de Comércio disse que as negociações comerciais estão em andamento. “As negociações produtivas com muitos parceiros comerciais importantes continuam em um ritmo acelerado. É do interesse de todas as partes fazer um balanço do progresso e avaliar os próximos passos.”

Fonte: InfoMoney

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Agronegócio, Economia, Tributação

Aumento de tarifas impulsiona a receita do agronegócio brasileiro

Tensões comerciais entre os EUA e a China elevam os lucros do primeiro trimestre para empresas locais

Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou formalmente amplos aumentos tarifários no início de abril, a guerra comercial já vinha se delineando durante o primeiro trimestre do ano. Como resultado, seu impacto já era visível nos resultados financeiros das empresas brasileiras do agronegócio no período.

Segundo analistas ouvidos pelo Valor, o efeito imediato foi uma disparada do dólar, o que, por sua vez, impulsionou as receitas com exportações. A taxa de câmbio média foi de R$ 5,70, um aumento de 13,77% em relação à média de R$ 5,01 registrada no primeiro trimestre de 2024, segundo dados do Valor Data.

Coincidindo com o pico da colheita de grãos no Brasil, o conflito comercial também elevou os prêmios de exportação da soja e levou a China a antecipar parte de suas compras. O impacto poderia ter sido ainda maior, mas uma parte da safra já havia sido comercializada antecipadamente.

Crescimento da receita

Dados compilados pelo Valor Data mostram que 17 das 20 empresas de capital aberto do agronegócio que divulgaram seus resultados do primeiro trimestre de 2025 registraram aumento na receita líquida em comparação ao ano anterior. Apenas Heringer, Kepler Weber e Josapar tiveram queda.

“Acredito que [a guerra comercial] seja o principal motivo de estarmos vendo receitas tão fortes, mesmo com a queda nos lucros em alguns casos”, afirmou Gabriel Hartt, analista de agronegócio da Terra Investimentos.

Hartt observou que a variação cambial beneficiou principalmente as empresas do setor de proteína animal. De acordo com o Valor Data, todas as frigoríficas registraram crescimento de receita no primeiro trimestre, com a Minerva liderando o setor com um aumento de 55,8% na comparação anual entre janeiro e março.

A Minerva chegou a antecipar o envio de carne bovina aos EUA dentro da cota com isenção tarifária ainda em janeiro, antecipando-se ao aumento de tarifas anunciado pouco depois pelo governo Trump.

“A alíquota subiu para cerca de 36% com as mudanças do Trump, então enviar o máximo possível dentro da cota fez muita diferença — e foi exatamente isso que fizemos”, afirmou Edison Ticle, CFO e diretor de relações com investidores da Minerva, em maio, durante a divulgação dos resultados trimestrais da companhia.

No início de abril, o presidente Trump impôs tarifas amplas a vários países, incluindo um imposto de importação de 10% sobre produtos do Brasil. Com isso, a carne bovina brasileira vendida fora da cota — que já era tributada em 26,5% — passou a pagar uma alíquota de 36,5%.

Vantagem para exportadores

No segmento de grãos, o analista do Citi, Gabriel Barra, destacou produtores e exportadores como a SLC como destaques nos resultados trimestrais.

“Eles se beneficiaram da recuperação da produtividade da soja graças ao clima mais favorável, o que levou à redução dos custos unitários e maior volume de produção. Combinado com preços relativamente estáveis e uma taxa de câmbio mais forte, isso resultou em resultados melhores em relação ao ano anterior”, disse Barra.

Segundo ele, “já estamos vendo alguns efeitos [da guerra comercial], como prêmios mais altos para a soja nos portos brasileiros, o que sustenta as margens dos produtores”.

Barra espera que exportadores de grãos e produtores de açúcar e etanol continuem se beneficiando do dólar forte e das boas condições climáticas nos próximos meses.

“No entanto, prevemos uma queda nos preços internacionais de commodities agrícolas como açúcar, soja e milho, o que pode neutralizar os ganhos vindos da valorização cambial. Dito isso, muitos exportadores já travaram preços para uma parte significativa das vendas de 2025″, acrescentou.

Lucros e margens

Apesar do dólar favorável para os exportadores, a mesma valorização da moeda americana elevou os custos para fornecedores de insumos, observou Hartt. Isso ajuda a explicar por que nem todas as empresas registraram aumento nos lucros no primeiro trimestre.

No que diz respeito às margens e ao lucro líquido, o desempenho foi variado no setor. Das 20 empresas analisadas pelo Valor Data, dez tiveram resultado líquido positivo — com as frigoríficas novamente na liderança.

“O desempenho da Marfrig no Brasil se destacou, e o segmento de aves também apresentou bons resultados, especialmente Seara e BRF”, disse Guilherme Palhares, analista do Santander.

Fonte: Valor International






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