Agricultura

Agronegócio representa 29,4% do PIB e consolida papel estratégico na economia brasileira

Celebrado no último dia 25 de fevereiro, o Dia do Agronegócio foi marcado por um dado expressivo: em 2025, a cadeia agroindustrial respondeu por 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O levantamento é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e indica que, a cada R$ 3,40 gerados no país, R$ 1 teve origem direta ou indireta no setor.

O percentual confirma a ampliação do peso do agronegócio na economia nacional nos últimos anos, impulsionado por ganhos de produtividade, demanda internacional aquecida e valorização das commodities agrícolas.

Produção recorde e alta no Valor Bruto da Produção

A safra mais recente alcançou 354,7 milhões de toneladas de grãos — o maior volume já registrado. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária somou R$ 1,409 trilhão, conforme dados da Secretaria de Política Agrícola.

Desse total:

  • R$ 965 bilhões vieram das lavouras
  • R$ 444 bilhões foram gerados pela pecuária

A recuperação dos preços internacionais contribuiu especialmente para o desempenho da proteína animal, fortalecendo ainda mais a participação do agro no PIB brasileiro.

Exportações sustentam balança comercial

O agronegócio segue como pilar da balança comercial. O Brasil ocupa a liderança global nas exportações de soja, açúcar e café, além de posições relevantes nas vendas externas de milho, carne bovina e frango.

Esse protagonismo tem sido decisivo para compensar déficits em outros segmentos da economia, especialmente na indústria.

Dependência de commodities e desafio da diversificação

Embora o setor seja altamente competitivo e tecnologicamente avançado, economistas alertam para a concentração da pauta exportadora em commodities agrícolas e minerais. A menor presença de produtos industrializados de maior valor agregado evidencia a perda relativa de dinamismo da indústria de transformação.

Assim, o crescimento do agronegócio no PIB também reflete mudanças estruturais na economia brasileira.

Cadeia agroindustrial vai além do campo

O conceito moderno de agronegócio não se limita à produção rural. A cadeia envolve:

  • Indústrias de fertilizantes e defensivos
  • Fabricantes de máquinas agrícolas
  • Logística rodoviária e ferroviária
  • Armazenagem
  • Processamento e comercialização

Essa integração explica por que o impacto do setor se espalha por todas as regiões do país, influenciando geração de emprego, renda e arrecadação.

Tecnologia impulsiona produtividade

Nos últimos anos, o avanço tecnológico transformou o perfil produtivo do campo. Agricultura de precisão, biotecnologia, integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas digitais de gestão elevaram a produtividade por hectare e otimizaram custos.

A expansão recente ocorreu, majoritariamente, por ganhos de eficiência — e não apenas pela abertura de novas áreas cultiváveis.

Riscos e cenário global exigem planejamento

Apesar do desempenho robusto, o ambiente atual impõe desafios. Eventos climáticos extremos, exigências ambientais e sanitárias mais rígidas, volatilidade cambial e a dependência de fertilizantes importados adicionam incertezas ao planejamento do produtor rural.

Além disso, a necessidade de rastreabilidade e sustentabilidade tornou-se elemento central nas negociações internacionais.

Origem do conceito de agronegócio

A ideia de agronegócio como sistema integrado — conectando insumos, produção, processamento e distribuição — foi formulada nos anos 1950 pelos economistas Ray Goldberg e John H. Davis, da Universidade Harvard. A abordagem ajuda a compreender por que o desempenho do campo deve ser analisado dentro de uma estrutura econômica ampla.

Papel estratégico e futuro da economia

Ao atingir quase um terço do PIB, o agronegócio consolida sua posição como eixo estratégico da economia brasileira. O debate agora se desloca para a necessidade de equilibrar essa força com maior diversificação produtiva, agregação de valor e estabilidade no longo prazo.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Secretaria de Política Agrícola / JB NEWS

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO JB NEWS

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Agricultura

Instabilidade climática impacta plantio do algodão em Mato Grosso e acende alerta fitossanitário

A instabilidade climática registrada nas últimas semanas em Mato Grosso tem reduzido o ritmo das operações agrícolas, especialmente na colheita da soja e na semeadura do algodão. Chuvas frequentes e volumes elevados em diferentes regiões do estado limitaram as atividades no campo, conforme aponta o boletim semanal da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), referente ao período de 18 a 24 de janeiro de 2026.

Segundo a entidade, o clima tem influenciado diretamente o andamento da safra de algodão 2025/26, embora, até o momento, o plantio siga dentro do cronograma esperado para esta fase da temporada.

Algodão apresenta bom estabelecimento inicial

Mesmo com as restrições impostas pelas chuvas, a AMPA informa que as áreas já implantadas apresentam desempenho positivo. As lavouras registram boa germinação, estande adequado e bom desenvolvimento inicial, inclusive nas regiões de segunda safra, que foram mais impactadas pela instabilidade climática nas últimas semanas.

O cenário indica que, apesar das dificuldades operacionais, o potencial produtivo inicial do algodão vem sendo preservado.

Plantio supera média histórica no estado

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, até 23 de janeiro, Mato Grosso havia semeado 47,80% da área prevista de algodão para a safra 2025/26. O avanço semanal foi de 18,76 pontos percentuais, índice significativamente superior ao registrado no mesmo período da safra passada, quando o plantio alcançava 28,57%.

O percentual também supera a média histórica das últimas cinco safras, estimada em 37,53%. Entre os dias 9 e 16 de janeiro, o ritmo de avanço chegou a 20,96 pontos percentuais, considerado o maior desde o início da semeadura, em dezembro.

Regionalmente, o sudeste de Mato Grosso lidera o plantio, com 59,89% da área semeada. Na sequência aparecem as regiões noroeste (48,62%), médio-norte (44,70%), oeste (44,58%), centro-sul (42,93%) e nordeste (38,68%).

Colheita da soja limita avanço das operações

A colheita da soja avançou de forma pontual ao longo da semana, condicionada às curtas janelas de tempo firme. De acordo com a AMPA, não foram registradas perdas significativas provocadas por eventos climáticos, e as produtividades observadas variaram entre 53 e 87 sacas por hectare.

Em algumas regiões, a permanência da soja em final de ciclo tem atrasado a liberação das áreas para o algodão, especialmente na segunda safra. Essa situação contribui para a desaceleração temporária do ritmo de implantação da cultura.

Aumento da pressão de pragas preocupa produtores

Com o avanço da colheita da soja, o monitoramento fitossanitário passou a indicar aumento expressivo da pressão de pragas, com destaque para o bicudo-do-algodoeiro. Segundo a AMPA, houve elevação da presença da praga em praticamente todas as regiões monitoradas, especialmente após a retirada da soja das áreas.

As médias de captura variaram de 1,3 a mais de 6 insetos por armadilha, caracterizando alta população residual. Diante desse cenário, a entidade recomenda intensificação imediata das ações de manejo, como monitoramento contínuo, uso de armadilhas e tubos mata-bicudo, aplicações de defensivos conforme orientação técnica e eliminação rigorosa de plantas tiguera.

Além do bicudo, o boletim aponta ocorrências relevantes de mosca-branca, percevejos, tripes, pulgões e lagartas. A migração da mosca-branca da soja para o algodão em fase inicial é um dos principais focos de atenção neste momento.

Potencial produtivo exige manejo rigoroso

Apesar do bom estabelecimento inicial das lavouras, a AMPA avalia que o atual cenário combina potencial produtivo com elevado risco fitossanitário. O período de estabelecimento do algodão é considerado crítico, exigindo atenção redobrada e coordenação regional das estratégias de controle.

A entidade reforça que a adoção rigorosa do manejo integrado de pragas será determinante para preservar o desenvolvimento das lavouras e minimizar impactos na produtividade da safra 2025/26, em um contexto marcado por clima instável e pressão crescente de insetos-praga.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

Acordo Brasil–Angola na produção agrícola avança com agenda do ministro Fávaro

O ministro da Agricultura e Peccuária, Carlos Fávaro, realizou uma série de compromissos oficiais em Angola com representantes do governo local e de instituições financeiras, com foco no avanço de um acordo bilateral Brasil–Angola voltado à produção agrícola.

A agenda teve como objetivo consolidar bases técnicas e financeiras para ampliar a cooperação entre os países no setor agropecuário, com estímulo a investimentos, transferência de tecnologia e expansão da produção de alimentos.

Proposta brasileira atrai produtores e investimentos

Na primeira reunião do dia, autoridades brasileiras protocolaram a proposta formal de cooperação junto à área econômica do governo angolano. A iniciativa já conta com a adesão de mais de 30 produtores brasileiros, que manifestaram interesse em investir em projetos agrícolas em Angola.

Participaram dos encontros o ministro de Estado para a Coordenação Econômica de Angola, José de Lima Massano; a ministra das Finanças, Vera Daves; o ministro em exercício da Agricultura e Florestas, João Cunha; além de representantes do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e do Fundo Soberano de Angola.

Experiência brasileira e tecnologias sustentáveis

Segundo Carlos Fávaro, a parceria amplia oportunidades e reforça os laços históricos entre os dois países. Para o ministro, o Brasil pode contribuir de forma significativa com sua experiência em pesquisa agropecuária, tecnologias de baixo carbono e aumento da produtividade no campo.

A cooperação, destacou, tende a gerar benefícios mútuos, ao criar novas frentes de atuação para produtores brasileiros e apoiar o desenvolvimento agrícola angolano.

IFC demonstra interesse em financiar operações

A programação incluiu ainda reunião com a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Grupo Banco Mundial voltado ao setor privado em mercados emergentes. A instituição sinalizou interesse em financiar as operações previstas no acordo entre Brasil e Angola.

Atualmente, a IFC atua no país africano no fortalecimento de parcerias estratégicas para a diversificação econômica, com investimentos e apoio técnico em áreas como agricultura, energia, infraestrutura, logística, turismo e finanças. A expectativa é de ampliação expressiva do portfólio de investimentos nos próximos anos.

Ganhos comerciais e segurança alimentar

Na avaliação do ministro Fávaro, o avanço do acordo traz resultados concretos para os dois países. Para o Brasil, abre espaço para a exportação de máquinas agrícolas, equipamentos, sementes, insumos e serviços de transferência de tecnologia. Para Angola, representa um passo importante no fortalecimento da produção de alimentos e da segurança alimentar.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura

Milho em Mato Grosso: custos altos, clima incerto e preços pressionam decisão do produtor

A definição da área de milho em Mato Grosso para a próxima safra ocorre sob um cenário de cautela. Mesmo com a comercialização avançando, produtores enfrentam custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas, fatores que reduzem o apetite ao risco e influenciam diretamente o planejamento da safra 2025/26.

Comercialização avança, mas abaixo do ritmo histórico

A venda do milho da safra 2024/25 já supera 83% da produção estimada no estado. Apesar do percentual elevado, o ritmo é inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior, reflexo da menor demanda internacional, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para a próxima temporada, os negócios caminham de forma mais lenta. O atraso no plantio da soja, aliado ao aumento dos custos e à perda de competitividade dos preços, faz com que o produtor seja mais cauteloso tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área de plantio.

Custos elevados e margens apertadas preocupam produtores

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a safra 2024/25 contou com produtividade maior graças a um clima mais regular, o que ajudou a compensar parte dos custos. No entanto, o cenário projetado para o próximo ciclo é mais desafiador.

Segundo ele, o atraso da soja amplia o risco climático, empurrando o milho segunda safra para fora da janela ideal. “Com preços em queda e custos em alta, a margem fica muito estreita e, em alguns casos, negativa”, avalia.

Produtores reduzem estrutura para conter riscos

No campo, a resposta tem sido a redução de investimentos e da área cultivada. Em Rosário Oeste, produtores optaram por enxugar a estrutura, priorizando soja e milho safrinha e deixando culturas como o algodão de lado.

O agricultor Almir Ferreira Pinto relata que o alto custo do crédito inviabiliza o financiamento total da lavoura, especialmente em áreas arrendadas. “Se financiar tudo e ainda pagar arrendamento, praticamente não sobra margem. Para empatar, seria preciso colher mais de 70 sacas por hectare”, explica.

Diante disso, ele reduziu o número de funcionários e diminuiu a área cultivada. Contratos de arrendamento que chegavam a 2 mil hectares foram suspensos temporariamente. A expectativa é retomar apenas na safra 2026/27, quando houver melhor equilíbrio entre custos e preços. “Hoje, o risco é muito alto”, resume.

Clima influencia decisão sobre área de milho

No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra, o clima tem sido determinante. Chuvas irregulares e longos períodos de estiagem atrasaram o calendário agrícola e comprometeram o desenvolvimento da soja.

O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, afirma que muitos produtores anteciparam o plantio apostando na regularização das chuvas, o que não se confirmou. “Choveu de forma espaçada, com intervalos de sete a dez dias, e em algumas áreas praticamente não choveu”, relata.

Com a soja entrando em fase reprodutiva sob estresse hídrico, já há perdas estimadas entre 5% e 10% da produção, o que aumenta a insegurança em relação ao milho. “Agora é torcer para que o milho consiga se desenvolver bem, porque a situação da soja preocupa”, diz.

Insegurança também marca o cenário em Nova Mutum

Em Nova Mutum, o quadro é semelhante. O presidente do Sindicato Rural local, Paulo Zen, aponta volumes de chuva muito abaixo do ideal. “Estamos com cerca de 350 milímetros acumulados em dezembro, o que é pouco. Isso certamente vai refletir na colheita”, avalia.

Mesmo com uma janela de colheita mais extensa prevista para 2026, o clima segue como fator decisivo. Diante das incertezas, muitos produtores optam por uma postura conservadora. “Na dúvida, o produtor prefere não plantar”, conclui.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

“Brasil deve se tornar a maior potência agrícola do mundo entre 2035 e 2040”, afirma ex-presidente da Farsul

Após oito anos no comando da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul), o médico-veterinário e produtor rural Gedeão Silveira Pereira encerra seu mandato deixando a presidência da entidade para Domingos Velho Lopes. A partir de 2026, ele assume o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), onde já atuava como segundo vice e diretor de Relações Internacionais.

Em entrevista ao Correio do Povo, Gedeão revisita os principais desafios enfrentados pelo agronegócio gaúcho e nacional durante sua gestão, analisa entraves estruturais e jurídicos ao desenvolvimento do setor e projeta um cenário de forte crescimento para a agricultura brasileira nas próximas décadas.

Pandemia, clima extremo e impacto na economia gaúcha

Entre os momentos mais desafiadores da gestão, Gedeão destaca a pandemia de Covid-19 e as sucessivas crises climáticas. Segundo ele, apesar das dificuldades, o agronegócio brasileiro demonstrou resiliência e eficiência ao garantir o abastecimento interno, diferentemente do que ocorreu em países desenvolvidos.

No Rio Grande do Sul, os eventos climáticos extremos provocaram perdas significativas na produção agrícola, com impacto direto no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. A redução estimada foi de cerca de 0,5%, o equivalente a até 50 milhões de toneladas de grãos que deixaram de ser colhidas, afetando a circulação de renda e o crescimento econômico.

Agricultura como motor da economia e transformação tecnológica

Gedeão reforça que a agricultura é o principal motor da economia gaúcha e brasileira. Ele chama atenção para a evolução do setor, que deixou de ser apenas produtor de alimentos para também se consolidar como gerador de energia renovável, com destaque para etanol e biodiesel.

Segundo o dirigente, o Brasil passou a receber tecnologias agrícolas de ponta simultaneamente aos Estados Unidos e à Europa, o que exige mão de obra altamente qualificada. Nesse contexto, ele aponta o treinamento e a educação profissional como o principal legado de sua gestão.

Qualificação profissional como legado permanente

O ex-presidente da Farsul destaca o papel do Senar na capacitação de trabalhadores rurais e produtores. Para ele, a qualificação permite ascensão social, aumento de renda e melhor aproveitamento das tecnologias disponíveis no campo.

Como marco desse trabalho, Gedeão anuncia a inauguração, prevista para abril, da maior escola de tecnologia agrícola do Brasil, no município de Hulha Negra (RS), voltada à formação de operadores de máquinas e tecnologias de alta complexidade.

Frustrações: infraestrutura precária e falta de investimentos

Entre as principais frustrações do período, Gedeão cita a estagnação da infraestrutura no Rio Grande do Sul, especialmente nas áreas de logística e transporte. Ele aponta a precariedade das rodovias, a desativação de ferrovias e as condições das estradas vicinais como gargalos históricos que limitam o crescimento do agro.

Para o dirigente, o baixo nível de investimento público obriga o país a avançar em concessões e privatizações. Sem melhorias logísticas, o Brasil pode enfrentar sérios problemas para sustentar o crescimento da produção agrícola projetado para os próximos anos.

Insegurança jurídica como principal entrave ao agro

Ao ser questionado sobre os maiores opositores do agronegócio, Gedeão é direto: a insegurança jurídica. Ele afirma que a instabilidade regulatória, as disputas sobre o direito de propriedade, as incertezas ambientais e decisões judiciais imprevisíveis desestimulam investimentos no campo.

Temas como o marco temporal indígena, a burocracia ambiental e as restrições ao uso da propriedade rural são citados como fatores que aumentam o risco para produtores e investidores, afetando o ritmo de desenvolvimento do setor.

Brasil rumo à liderança global na produção de alimentos e proteínas

Apesar dos desafios, Gedeão demonstra otimismo com o futuro. Para ele, o Brasil já é um dos maiores produtores globais de alimentos e proteínas e deve consolidar essa posição entre 2035 e 2040, tornando-se a maior agricultura do mundo.

Ele ressalta o avanço da agricultura tropical, o papel da Embrapa, a produção de múltiplas safras por ano e o crescimento da demanda mundial por proteínas animais. O país já lidera ou ocupa posições de destaque na produção de soja, milho, carne bovina, frango e suínos.

Mudança de percepção da sociedade sobre o agro

Gedeão avalia que a imagem do agronegócio junto à sociedade urbana evoluiu significativamente nas últimas décadas, em grande parte graças ao trabalho da imprensa. Termos pejorativos deram lugar ao reconhecimento da eficiência, sustentabilidade e importância estratégica do setor para a economia nacional.

Hoje, segundo ele, o agro é compreendido como essencial não apenas para garantir alimentos e energia, mas também para sustentar o superávit da balança comercial brasileira.

Novo desafio na CNA e foco na defesa do produtor

Na CNA, Gedeão afirma que sua atuação estará concentrada na defesa do produtor rural, na ampliação da capacitação profissional em nível nacional e na incorporação de novas tecnologias, como a inteligência artificial, ao agronegócio.

Ele destaca o papel da entidade como uma das estruturas mais robustas de representação do setor produtivo no país, atuando desde os sindicatos rurais até a articulação institucional em Brasília e no cenário internacional.

FONTE: CORREIO DO POVO

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CAMILA CUNHA / REPRODUÇÃO CORREIO DO POVO

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Agricultura

Safra de grãos cresce 20,7% em Santa Catarina e impulsiona recordes no agronegócio

Santa Catarina encerra 2025 com resultados expressivos no setor agropecuário. A safra de grãos registrou crescimento de 20,7%, consolidando um dos melhores desempenhos da história recente do estado. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), que também contabilizou mais de R$ 503,5 milhões executados em ações, programas e convênios voltados ao fortalecimento do campo.

Até 12 de dezembro, foram formalizados mais de 87,2 mil contratos de apoio aos produtores rurais, refletindo o avanço das políticas públicas voltadas à produção agrícola e à segurança alimentar.

Produção agrícola e exportações batem recordes

O ciclo 2024/2025 entrou para a história como a maior safra de grãos já registrada em Santa Catarina, segundo o Observatório do Agro Catarinense. Além disso, o estado alcançou resultados inéditos nas exportações de carnes, com o envio de 1,83 milhão de toneladas entre janeiro e novembro, gerando US$ 4,07 bilhões em receita — o melhor desempenho desde o início da série histórica, em 1997.

Investimentos estratégicos fortalecem o campo

Entre os principais projetos estruturantes está o SC Rural 2, que avança para a fase final de tramitação. O programa prevê US$ 150 milhões em investimentos, sendo US$ 120 milhões financiados pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e US$ 30 milhões de contrapartida estadual. O objetivo é ampliar a renda rural, a competitividade e a resiliência diante de eventos climáticos extremos.

Outro destaque é o Programa Coopera Agro SC, aprovado com previsão de até R$ 1 bilhão em linhas de crédito destinadas a cooperativas, agroindústrias e produtores integrados.

Defesa agropecuária e biosseguridade

Na área de defesa agropecuária, a Sape publicou a Portaria nº 50/2025, que estabelece novas diretrizes de biosseguridade na suinocultura tecnificada, além de lançar um programa de apoio com financiamentos de até R$ 70 mil por produtor. Já a Portaria nº 63/2025 regulamenta a autorização excepcional para o plantio de soja no estado.

Avanços no setor florestal e sanidade animal

O setor florestal também avançou com o lançamento do Inventário e Mapeamento de Florestas Plantadas, desenvolvido em parceria com a Udesc. O levantamento identificou mais de 950 mil hectares de Pinus e Eucalyptus em Santa Catarina.

Na sanidade animal, ações preventivas foram intensificadas após o registro de Influenza Aviária no Rio Grande do Sul. A atuação conjunta da Sape e da Cidasc garantiu que Santa Catarina permanecesse sem casos na produção comercial.

Apoio à fruticultura e conectividade rural

Produtores de maçã de São Joaquim, afetados por granizo, receberam apoio emergencial com financiamentos de até R$ 100 mil, sem juros, para recomposição de pomares e estruturas. O Sistema Antigranizo também foi ampliado e já atende 13 municípios.

Na área de conectividade, seguem em andamento os projetos Sinal Bom, que prevê a instalação de 688 novas estações 4G ou superiores, e o Endereço Certo Rural SC, voltado ao georreferenciamento de propriedades e estradas rurais.

Recursos e programas fortalecem o desenvolvimento rural

Ao longo de 2025, o Fundo de Desenvolvimento Rural aplicou R$ 256,8 milhões, beneficiando mais de 23 mil produtores. O programa Terra Boa recebeu R$ 114 milhões, atendendo mais de 63 mil agricultores. Já o Fundesa destinou R$ 17,5 milhões em indenizações por abate sanitário. Os programas de crédito fundiário somaram mais de R$ 16 milhões, enquanto convênios estaduais totalizaram R$ 84,8 milhões. Além disso, foram entregues 320 equipamentos agrícolas a 120 municípios.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Agricultura

Protesto de agricultores em Bruxelas contra acordo Mercosul–União Europeia paralisa a cidade.

Tratores bloqueiam acessos e ampliam tensão na capital belga

Milhares de agricultores de diversos países europeus tomaram as ruas de Bruxelas nesta quinta-feira (18/12) para protestar contra a iminente assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu. Desde a noite de quarta-feira, manifestantes começaram a chegar à capital da Bélgica e, nas primeiras horas do dia, bloquearam rodovias de acesso com cerca de mil tratores, provocando congestionamentos generalizados.

Confrontos com a polícia e atos de vandalismo

A mobilização evoluiu para confrontos diante do Parlamento Europeu. Houve incêndio de pneus, lançamento de batatas e ovos contra a polícia de choque e uso de gás lacrimogêneo e canhões de água pelas forças de segurança. Fogos de artifício e atos de vandalismo marcaram o protesto, incluindo a colocação de um caixão de madeira com a palavra “agricultura” em uma estátua.

Temor de concorrência desleal no mercado europeu

Os agricultores afirmam que o pacto pode inundar o mercado europeu com produtos latino-americanos que não estariam sujeitos às mesmas regras rigorosas da União Europeia, o que reduziria preços e pressionaria produtores locais. Além do acordo comercial, o grupo também protesta contra planos da UE para reformar subsídios agrícolas, com receio de cortes.

Conselho Europeu atrasa início e recebe representantes

A capital belga sedia a reunião do Conselho Europeu, presidido por António Costa, ex-primeiro-ministro de Portugal. Embora o tema central seja o apoio financeiro à Ucrânia, as divergências sobre o acordo comercial levaram o assunto à mesa dos líderes dos 27 países do bloco. O início do encontro atrasou mais de uma hora devido aos protestos. Costa e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, receberam representantes dos agricultores para ouvir reivindicações.

Cláusulas de salvaguarda entram no debate

A expectativa de assinatura do tratado — que criaria a maior zona de livre comércio do mundo — enfrenta resistência de França e Itália. Na véspera, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia concordaram em incluir cláusulas de salvaguarda para proteger agricultores europeus de impactos negativos causados por um aumento expressivo das importações latino-americanas.

Esses dispositivos autorizam investigações quando produtos agrícolas sensíveis entrarem em volumes elevados ou a preços significativamente inferiores aos europeus. Também permitem apuração de mercadorias que não cumpram normas da UE, como bem-estar animal, proteção trabalhista e uso de pesticidas. Em caso de prejuízo comprovado, benefícios comerciais podem ser suspensos.

França mantém oposição ao tratado

Mesmo com as alterações, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou a rejeição ao acordo. “A posição da França é clara desde o início: o acordo é insuficiente e não deve ser assinado”, afirmou ao chegar à cúpula.

Impasse político e pressão por decisão

Para que a presidente da Comissão Europeia viaje ao Brasil no sábado e assine o acordo após 25 anos de negociações, é necessária uma maioria qualificada entre os países do bloco. O tratado prevê facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, enquanto amplia exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e licores.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que um novo adiamento pode inviabilizar o acordo durante seu mandato. Em seguida, afirmou ter conversado com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e que a discussão sobre um possível adiamento pode ser levada ao Mercosul.

Fonte: Reuters
Texto: Redação

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Agricultura

Brasil retoma investigação antidumping sobre leite em pó da Argentina e do Uruguai

Governo reabre investigação antidumping

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) decidiu reabrir a investigação antidumping sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. O processo havia sido suspenso em agosto após questionamentos técnicos, mas foi retomado oficialmente nesta terça-feira, durante reunião em Brasília com lideranças do setor e parlamentares, anunciada pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin.

A previsão é de que a apuração siga até junho de 2026. Contudo, há expectativa de que medidas provisórias sejam adotadas antes da conclusão, caso seja confirmado o impacto negativo das importações sobre o mercado brasileiro.

Pressão no campo e alerta sobre crise na produção

Para o deputado federal Heitor Schuch (PSB), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, o aumento das importações e a queda no preço pago ao produtor têm agravado a crise na cadeia do leite. Segundo ele, famílias que dependem da atividade enfrentam endividamento crescente e, em muitos casos, abandonam a produção.

“Os agricultores não têm mais tempo para esperar. A retomada da investigação é positiva, mas precisamos de medidas antidumping que restabeleçam a concorrência justa no mercado”, reforçou.

Setor lácteo vê avanço e cobra ações efetivas

A decisão do governo também foi comemorada por representantes da indústria. Para Darlan Paharini, secretário-executivo do Sindilat, a reabertura da investigação representa um avanço importante na busca por maior equilíbrio no mercado brasileiro, pressionado pelo excesso de produtos importados.

“É um sinal claro de que o governo está atento e busca soluções para a crise que afeta produtores e indústrias nacionais”, afirmou.

Reivindicações do setor para conter oferta externa

O setor lácteo defende um pacote emergencial que ajude a reduzir a entrada de leite importado. Entre as propostas estão:

  • Compras governamentais para equilibrar a oferta;
  • Incentivos a indústrias que utilizem leite nacional em seus processos;
  • Aplicação de uma sobretaxa emergencial por 36 meses sobre leite em pó e queijo muçarela provenientes da Argentina e do Uruguai.

As lideranças afirmam que essas medidas seriam essenciais para recuperar a competitividade e evitar novas perdas na produção interna.

Com informações de agências e representantes do setor.
Texto: Redação

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Agricultura

Brasil destaca avanços na regulação de agrotóxicos e bioinsumos em simpósio internacional na Coreia do Sul

Durante o Simpósio Internacional sobre Sistemas de Registro de Pesticidas, realizado na Coreia do Sul, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, apresentou as principais mudanças implementadas pelo Brasil nos últimos dois anos na área de agrotóxicos e bioinsumos. À frente da delegação brasileira, ele destacou o esforço de modernização do marco regulatório e a consolidação de um sistema mais claro, transparente e alinhado às demandas da agricultura contemporânea.

Novo marco dos agrotóxicos reforça transparência e rigor técnico
Goulart explicou que a legislação atualizada sobre agrotóxicos não alterou critérios técnicos, mas aprimorou a clareza das normas e tornou obrigatória a análise de risco em todas as etapas decisórias. Segundo ele, o objetivo foi organizar e dar visibilidade ao que o país já aplicava, preservando o rigor técnico característico do sistema brasileiro.

O novo arcabouço também fortalece o modelo tripartite, envolvendo o Mapa na avaliação da eficiência agronômica, a Anvisa na análise de toxicidade humana e o Ibama na avaliação ambiental. A legislação ainda reforça o papel do Mapa na coordenação das análises, alinhando-as às prioridades estratégicas do setor agropecuário.

Lei de Bioinsumos atende à expansão das tecnologias biológicas
Na segunda parte da apresentação, o secretário abordou a nova Lei de Bioinsumos, sancionada no fim do ano passado. O marco legal responde ao crescimento acelerado do uso de produtos biológicos no campo — hoje adotados por 49% dos agricultores brasileiros, com expectativa de superar 70% nos próximos dez anos.

A legislação cria um sistema abrangente capaz de contemplar tecnologias inovadoras, como produtos derivados de plantas, animais e microrganismos, incluindo organismos geneticamente modificados. Outro avanço é permitir que um mesmo insumo tenha múltiplas funções, como fertilizante e pesticida ao mesmo tempo, evitando registros duplicados e reconhecendo a multifuncionalidade dos biológicos de nova geração.

Brasil assume liderança global em regulamentação de biológicos
Para Goulart, o novo marco representa uma das iniciativas mais abrangentes do mundo na área de bioinsumos. Apesar dos avanços, ele destacou desafios em curso, entre eles a proteção da propriedade intelectual, especialmente para tecnologias que não são patenteáveis.

O decreto que regulamentará a Lei de Bioinsumos está em fase final de elaboração e deve ser concluído nos próximos meses. Goulart reforçou que o Brasil continuará demandando insumos químicos, mas se consolida como o maior mercado global de tecnologias biológicas, o que exige um ambiente regulatório moderno e eficiente.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura

Brasil projeta colheita de 354,8 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

O Brasil estima colher 354,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo a segunda projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A área destinada à produção agrícola deve alcançar 84,4 milhões de hectares, um aumento de 3,3% em relação à temporada anterior.

A produtividade média nacional é prevista em 4,2 mil quilos por hectare, mas a Conab alerta que o desempenho pode ser afetado por condições climáticas adversas, como irregularidades de chuvas em Mato Grosso, atrasos em Goiás e eventos extremos no sul do país.

Soja: crescimento da área e desafios climáticos

Para a soja, a expectativa é de aumento de 3,6% na área cultivada, totalizando 49,1 milhões de hectares e uma produção de 177,6 milhões de toneladas.

Embora o plantio esteja dentro da média dos últimos cinco anos, houve atrasos em estados como Goiás e Minas Gerais, devido à falta de chuvas adequadas. No Mato Grosso, o ritmo é similar ao da safra passada. No entanto, áreas plantadas no início de outubro enfrentaram déficit hídrico, comprometendo o desenvolvimento inicial da oleaginosa.

Milho: leve queda na produção total

A produção das três safras de milho está estimada em 138,8 milhões de toneladas, 1,6% inferior ao ciclo anterior. Já a área cultivada na primeira safra deve crescer 7,1%.

No Sul do Brasil, temperaturas baixas retardaram o desenvolvimento inicial da cultura, sem afetar seu potencial produtivo. Porém, chuvas intensas, ventos fortes e granizo em novembro afetaram algumas lavouras no Paraná.

Arroz e feijão: redução no arroz e estabilidade no feijão

A colheita de arroz deve totalizar 11,3 milhões de toneladas, 11,5% a menos que a safra anterior, principalmente devido à redução da área cultivada. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a semeadura avançou mais de 78%, apesar de atrasos ocasionados por chuvas que dificultaram o uso de máquinas.

O feijão deve produzir 3,1 milhões de toneladas, mantendo patamar semelhante ao ciclo anterior. A primeira safra apresenta queda de 7,3% na área plantada, totalizando 841,9 mil hectares, e deve gerar 977,9 mil toneladas, 8% abaixo da safra passada. O plantio já está avançado em São Paulo, Paraná (91%) e Minas Gerais (44%).

Culturas de inverno: trigo em destaque

A safra de culturas de inverno, especialmente o trigo, já está em fase de colheita, com previsão de 7,7 milhões de toneladas. As condições climáticas das principais regiões produtoras são favoráveis, mas a redução de investimentos em insumos como fertilizantes e defensivos tornou as lavouras mais vulneráveis a doenças, resultando em espigas menores e menor número de grãos. Chuvas intensas no Paraná em novembro podem impactar as lavouras ainda em campo.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

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