Comércio Exterior

Café sobe mais de 40% ao produtor e pode voltar a pressionar preços nos supermercados

O destaque vai para o tipo robusta (também chamado de conilon), que acumulou aumento de 43% no mês até esta segunda-feira (25)

Os preços do café registraram fortes altas aos produtores em agosto, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ligado à USP (Universidade de São Paulo). O destaque vai para o tipo robusta (também chamado de conilon), que acumulou aumento de 43% no mês até esta segunda-feira (25). A variedade arábica subiu 26,3%.

O indicador do Cepea fechou a segunda-feira (25) com preços de R$ 1.469,43 por saca de 60 kg do café robusta, e R$ 2.287,56 do arábica.

Pesquisadores da indústria afirmam que os motivos envolvem estoques limitados, frio e geadas que preocuparam produtores e também a instabilidade no setor causada pela imposição da sobretaxa de 50% às exportações aos Estados Unidos, imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Para o consumidor, o efeito pode demorar de semanas a meses, segundo André Braz, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Ele diz que ainda será preciso passar por todas as etapas de beneficiamento, torrefação, industrialização e logística do café. “Em geral, os repasses ao consumidor acontecem de forma gradual e não imediata”, diz.

As próprias tarifas de Trump poderiam equilibrar o preço ao consumidor final, considerando que as exportações diminuiriam e sobraria mais café no mercado doméstico, diz Braz. “Mas a quebra de safra e os estoques curtos reduzem esse efeito. Na prática, o alívio tende a ser pequeno diante da pressão de custos que já está instalada”, ressalta.

Em julho, o café moído teve queda de -0,36% aos consumidores, a primeira redução após um ciclo de 18 meses de alta, segundo o IPCA-15 (índice de inflação medido pelo IBGE). Até meados de agosto, o produto baixou -1,47%.

O diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Celírio Inácio, diz que a safra do setor tem sido menor do que o esperado desde 2020, quando a produção chegou a 63 milhões de sacas. “Em contrapartida, também tivemos um consumo crescente desde então”, afirma.

“Agora vamos aguardar os próximos 60 dias, quando deve acontecer a florada e, dependendo das temperaturas e das chuvas esperadas, podemos ter uma expectativa melhor para a produção de 2026, ou o contrário”, diz.

Segundo o Cepea, as tarifas de Trump ainda são tema central nas discussões do setor brasileiro, responsável por fornecer cerca de 25% do café importado pelos Estados Unidos, em especial da variedade arábica. Dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) também mostram que 16,1% do volume de café brasileiro exportado em 2024 teve o país norte-americano como destino.

“Caso a tarifa seja mantida, o Brasil deverá buscar alternativas de escoamento da produção, com ênfase na diversificação de mercados compradores”, afirma a entidade, que destaca a recente habilitação de 183 empresas brasileiras para exportação de café à China.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de 939 mil sacas ao país asiático, volume 2,5 vezes superior ao registrado em 2022, mas 33% inferior ao de 2023, conforme dados do Cecafé.

Para André Braz, se o cenário de oferta restrita persistir, o consumidor deve sentir mais intensamente as altas nos próximos meses. “Se não houver melhora no clima e aumento da produção, os preços seguirão pressionados tanto para o produtor quanto para o consumidor. O mercado deve continuar volátil, e os repasses ao consumidor devem se intensificar no fim do ano”, afirma.

Fonte: Jornal de Brasília

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Comércio Exterior, Exportação

Abimaq: Tarifaço deve zerar exportação de máquinas aos EUA

A sobretaxa dos Estados Unidos a produtos brasileiros deve levar as empresas de máquinas a parar de exportar para o mercado norte-americano a partir de setembro, segundo a diretora de competitividade, economia e Estatística da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Cristina Zanella.

“A gente está vendo o agravamento da desaceleração (nas vendas) por causa das tarifas extras de 40% sobre máquinas e equipamentos anunciadas pelo governo Trump (que se somam à taxa mínima de 10%). Vai ter impacto principalmente a partir do próximo mês em exportações. Elas devem tender a zero para aquele mercado. Houve perda grande de competitividade por causa da sobretaxa”, disse Zanella em entrevista coletiva nesta quarta-feira (27)

Os Estados Unidos recebem aproximadamente 26% das exportações de máquinas do Brasil, o que equivale a aproximadamente US$ 300 milhões mensais, de acordo com dados da Abimaq.

Zanella também descartou uma grande melhora na competitividade dos produtos brasileiros em função da decisão do governo dos Estados Unidos de taxar qualquer produto com aço ou alumínio sob os termos da Seção 232 da Lei de Expansão Comercial americana, que permite tarifas específicas a produtos para promover a segurança nacional.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também responde pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), havia dito na semana passada que isso deixaria os produtos brasileiros com uma desvantagem relativamente menor, mas Zanella ressaltou que, ainda assim, será muito difícil concorrer com outros fornecedores de máquinas dos Estados Unidos.

“Quando se olha para todas as sobretaxas anunciadas, o Brasil tem uma das maiores, só tem a Índia de equivalente. Se a gente pega a proporção da máquina, aquela que não é especificamente relacionada ao aço e ao alumínio vai ser taxada pela tarifa recíproca. Vai diminuir a diferença (em relação a outros países, exceto a Índia) por causa da proporção de aço e alumínio, mas produtos dos EUA, Canadá e México têm tarifa zero”, acrescentou.

O efeito das medidas de socorro ao setor

Todas as medidas anunciadas pelo governo para conter os prejuízos das tarifas dos Estados Unidos são importantes e ajudam a mitigar os problemas trazidos pelas sobretaxas, afirmou Zanella.

Ela destacou o Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários). O programa devolve aos exportadores parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário.

O plano do governo é antecipar os efeitos da reforma tributária, que entrará em vigor em 2027, desonerando a atividade exportadora aos Estados Unidos.

Sob o plano de contingência do governo, o porcentual de imposto que será devolvido às empresas que exportarem aos EUA aumenta em 3 pontos porcentuais. Assim, grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e micro e pequenas, com até 6%. As novas condições valerão até dezembro de 2026.

Zanella, porém, afirma que a proposta seria mais eficaz se fosse mais abrangente do que o anunciado.

“Anúncio foi de que o crédito seria dado somente para empresas que exportam aos EUA. Provavelmente as empresas vão deixar de exportar. O que a gente espera é que governo coloque o Reintegra para todos os exportadores, independentemente do mercado em que atua, porque consegue dar competitividade para atuar em qualquer outro mercado do mundo”, afirmou.

As medidas de estímulo à ‘Indústria 4.0’

Sobre as linhas de financiamento anunciadas recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o desenvolvimento da Indústria 4.0, a Abimaq ainda não tem estimativas sobre o impacto do programa. No entanto, considera que o efeito pode ser menos positivo do que aparenta.

“A expectativa é que haja substituição de investimentos com taxa (de juros) mais alta por outra mais baixa, que é o que está sendo oferecido agora. Vai ter pouco reflexo no resultado geral. Se fossem agregar investimentos, o que é pouco provável, os R$ 12 bilhões em recursos conseguiriam suprir com folga o que a gente venderia para os EUA. Mas o receio é que os investimentos sejam substituídos, não adicionados. Empresas que já iriam investir com taxa de 20% a 22% vão conseguir investir com taxa menor”, afirmou.

Receita da indústria de máquinas cresceu 7,3% em julho

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou julho com uma receita líquida total de R$ 26,716 bilhões. Este valor representa um aumento de 0,3% em relação a junho e um crescimento de 7,3% comparado a julho do ano passado. Nos 12 meses até julho, o setor acumulou um aumento de 7,4% na receita.

No mercado interno, a receita líquida foi de R$ 19,700 bilhões, indicando uma retração de 5,1% em relação ao mês anterior. No entanto, o desempenho anual foi positivo, com um crescimento de 14,5%.

O consumo aparente somou R$ 36,374 bilhões, registrando um crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior e de 8,9% em relação a julho do ano passado.

No cenário internacional, as exportações de julho contabilizaram US$ 1,269 bilhão, ou 20,7% a mais em relação a junho, mas uma queda de 4,8% na comparação com julho de 2024.

As importações somaram US$ 2,905 bilhões, com um crescimento de 11,3% em relação ao mês anterior e 8,6% na comparação anual. O saldo da balança comercial do setor em julho foi negativo, com um déficit de US$ 1,636 bilhão.

Em termos de emprego, o setor tinha 424,903 mil funcionários no final de julho, marcando um aumento de 1,1% em relação a junho e de 9,1% em comparação com julho de 2024.

Carteira de pedidos

A carteira de pedidos cresceu 0,6% em julho, após recuar 2,7% em junho. “Houve melhora nas carteira dos setores relacionados aos fabricantes de bens de consumo, obras de infraestrutura e componentes”, disse a Abimaq em relatório. O setor está com carteira de pedidos igual à de dezembro de 2024, mas inferior em 1,2% à observada em julho do mesmo ano.

O nível de utilização da capacidade instalada cresceu 0,1% em relação a junho ao atingir 78%, valor 2,5% superior ao do mesmo mês de 2024. Em média o setor atuou em 2025 com 77,6% da sua capacidade, 3,4 pontos porcentuais acima do nível de 2024 (74,2%).

Máquinas agrícolas

O segmento de máquinas e implementos agrícolas registrou receita líquida total de R$ 6,624 bilhões, um aumento de 4,7% em relação ao mês anterior e 7,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado foi de 5,5%.

A receita líquida interna somou R$ 5,847 bilhões, registrando aumento de 5,1% ante junho e de 10,9% comparado a julho do ano passado.

No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas totalizaram US$ 140,71 milhões, caindo 7,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações ficaram em US$ 102,48 milhões, recuo de 13,5% na mesma comparação.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação

Brasil vai ampliar alívio tarifário para fornecedores de exportadores afetados

A segunda fase do plano Brasil Soberano incluirá linhas de crédito, garantias e incentivos fiscais para apoiar uma cadeia de exportação mais ampla

Uma segunda fase do plano Brasil Soberano apoiará empresas afetadas pela tarifa de 50% imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Nesta nova fase, as linhas de crédito, garantias e mecanismos de seguro do plano serão estendidas aos fornecedores das empresas diretamente impactadas.

O decreto presidencial provisório (MP) que criou o programa Brasil Soberano já vai além de ajudar empresas que exportam para os Estados Unidos, explicou Mello. Em sua visão, as medidas complementam a reforma do imposto sobre o consumo ao dar aos exportadores brasileiros uma vantagem competitiva que nunca tiveram antes. Até agora, as estruturas fiscais e de crédito do Brasil não favoreciam a atividade exportadora, disse ele.

A MP altera as regras de acesso ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), anteriormente limitado a grandes empresas. Ele agora estará disponível para micro e pequenas empresas, que são mais vulneráveis, mas também geram mais empregos. Além disso, o Fundo de Garantia de Comércio Exterior (FGCE), gerido de forma privada, receberá uma injeção de capital para cobrir possíveis inadimplências em operações de exportação. Apoio adicional virá das garantias oferecidas pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) e pelo Fundo de Garantia de Investimentos (FGI).

“Esse pacote é um verdadeiro divisor de águas para os exportadores brasileiros”, disse Mello. Ele acrescentou que a nova estrutura permanecerá em vigor mesmo após os efeitos das tarifas passarem.

As contribuições aos fundos de garantia dependem da aprovação do Projeto de Lei Complementar 168/2025, que ainda não teve um relator designado. Mello acredita que o projeto pode avançar rapidamente assim que um acordo político for alcançado. “Acredito que o Congresso também veja isso como prioridade”, afirmou.

Mello também disse que há espaço para o PIB do Brasil crescer cerca de 2,5% este ano. Embora a desaceleração econômica no segundo trimestre possa ser um pouco mais acentuada do que o esperado, ele observou que o crescimento pode se estabilizar — ou até se tornar levemente positivo — na segunda metade do ano. Essa perspectiva dependerá do equilíbrio entre o impacto das tarifas e a eficácia da resposta política do governo.

Principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: Quais são as medidas estruturais que o plano Brasil Soberano traz para o setor exportador?

Guilherme Mello: A parte mais estrutural é a mudança no modelo de crédito à exportação. Até agora, o FGE era acessível apenas a um pequeno grupo de grandes empresas. Após a investigação da Lava Jato, em particular, o financiamento à exportação entrou em uma espécie de limbo, houve até uma campanha ideológica contra ele. Foi retratado como prejudicial, quando na verdade ocorre o contrário. O financiamento à exportação é parte fundamental da estratégia de desenvolvimento de qualquer país. Então, o que fizemos foi aprovar uma reforma tributária que isenta investimentos e exportações, e agora estamos reconstruindo, modernizando e fortalecendo nosso sistema de financiamento à exportação, removendo barreiras para o uso do FGE.

Valor: Quais eram essas barreiras?

Mello: O acesso ao fundo era restrito a grandes empresas. Realocamos R$ 30 bilhões para apoiar a diversificação e as linhas de crédito à exportação que estamos oferecendo no plano Brasil Soberano. Isso aumentará o acesso ao FGE com linhas de crédito mais baratas, porque estamos usando esse superávit financeiro como financiamento. Também estamos transformando o Fundo de Garantia de Comércio Exterior (FGCE).

Valor: Que mudanças estão sendo feitas no FGCE?

Mello: O FGE atualmente é um fundo público em que 100% do risco é assumido pelo governo federal. Quando uma empresa compra seguro, paga um prêmio. Se a empresa inadimplir, o FGE entra. Como é um fundo público, quando paga ao exportador, isso impacta o saldo primário do orçamento. O que estamos fazendo é transformar o FGCE em um fundo de cobertura de primeira perda. Nesse modelo, o capital do FGE não é tocado, ele fica protegido. Dependendo do contrato, o FGCE pode cobrir até 40% das perdas, por exemplo. E, como o FGCE é privado, ele pode agir muito mais rápido para apoiar pequenas empresas. Também estamos permitindo o uso de outras opções de seguro privadas por meio do FGCE. Estamos trabalhando com a CAMEX [Câmara de Comércio Exterior do Brasil] para acelerar a análise dos casos, já que medidas antidumping não são permitidas pelas regras internacionais.

Valor: Então isso é uma reformulação completa do sistema de crédito e seguro à exportação?

Mello: Sim, estamos reformulando todo o modelo de seguro, fornecendo financiamento total e eliminando impostos relacionados à exportação por meio da reforma tributária. Esse pacote é um verdadeiro divisor de águas para os exportadores brasileiros.

Valor: As mudanças no FGCE e no FGE vão além do plano Brasil Soberano e se tornarão permanentes?

Mello: Sim, são estruturais. Claro, os fundos que alocamos ao FGCE dentro do Brasil Soberano devem ser usados para esse plano. Mas nada impede que o governo injete novos recursos no futuro para uso em outras áreas ou iniciativas.

Valor: Então a estrutura permanecerá disponível para programas futuros?

Mello: Exatamente. E o Brasil Soberano foi desenhado de maneira importante. Ele não apenas prioriza o apoio às empresas mais afetadas, com taxas de juros mais baixas, como também fornece linhas de crédito para ajudá-las a diversificar mercados e adaptar sua produção.

Valor: E quanto às empresas indiretamente afetadas pelas tarifas?

Mello: Nesta primeira fase, focamos nas empresas diretamente afetadas. Mas avançaremos com uma segunda fase para incluir empresas indiretamente afetadas, que também estão registrando quedas significativas de receita.

Valor: Então a segunda fase vai acontecer com certeza, ou ainda está em avaliação?

Mello: Vai acontecer. O cronograma ainda está em avaliação, assim como o desenvolvimento tecnológico necessário. Por enquanto, nossa prioridade é operacionalizar as medidas já anunciadas. Há uma tarefa urgente de construir a capacidade tecnológica para que o BNDES e os bancos tenham os dados necessários — como os CNPJs das empresas — para os elegíveis.

Esperamos que esse desenvolvimento tecnológico esteja pronto até 7 ou 8 de setembro. A partir daí, o banco poderá começar a operar a nova linha de crédito. É importante destacar: as linhas de crédito vão operar, mas para que pequenas e médias empresas tenham acesso, elas precisarão de garantias. Os bancos não concederão empréstimos sem essas garantias para empresas fortemente impactadas. Por isso, propusemos o projeto de lei complementar para alocar recursos aos mecanismos de garantia.

Valor: Então é crucial que o Congresso aprove o projeto logo, para evitar que pequenas e médias empresas fiquem sem empréstimos?

Mello: Seria muito importante que o Congresso aprovasse o projeto até o início de setembro, para que, quando a linha de crédito entrar em operação, alcance todas as empresas afetadas, e não apenas as maiores.

Valor: E como está o andamento do processo legislativo?

Mello: Essas coisas podem avançar muito rapidamente assim que um acordo for alcançado.

Valor: Ainda não há relator, e não se espera votação nesta semana. O atraso é preocupante?

Mello: Eu não diria que é preocupante, mas é um tema já em discussão, e vamos pressionar para acelerar. Acho que o Congresso também vê isso como prioridade. Obviamente, ninguém quer deixar ninguém para trás. Não apoiar empresas — especialmente pequenas e médias, que são mais vulneráveis financeiramente, mas representam grande parte dos empregos — custaria muito caro. Ainda acreditamos que há espaço para a economia manter o ritmo de crescimento de 2,5%, mas precisamos acompanhar de perto os desdobramentos.

Valor: Uma vez aprovado o projeto, o governo emitirá um decreto presidencial provisório para crédito extraordinário e injetará recursos nos mecanismos de garantia? E os fundos serão liberados rapidamente após isso?

Mello: Muito rapidamente. Talvez precisemos fazer alguns ajustes nas regras do fundo, mas os bancos já trabalham com esses fundos.

Valor: Serão necessários recursos adicionais na segunda fase, quando o plano for estendido aos fornecedores?

Mello: Não. Planejamos o plano dentro dos recursos previstos no projeto: R$ 4,5 bilhões em contribuições para fundos de garantia e até R$ 5 bilhões do Reintegra [programa de ressarcimento tributário para exportadores]. O Reintegra também é uma forma de apoiar exportadores que ainda operam sob um regime tributário que gera créditos acumulados. Quando dizemos “até” [R$ 5 bilhões], é com base em uma estimativa preliminar assumindo que todas as empresas afetadas teriam acesso. Mas o Reintegra seguirá critérios de priorização, então é provável que o valor final seja menor.

Valor: Esse pacote é suficiente para entregar as reformas estruturais, ou há mais a vir além da questão dos fornecedores?

Mello: Do ponto de vista estrutural, acredito que é suficiente. Ele resolve os principais gargalos: acesso ao FGE, um segundo fundo privado mais rápido e simples (FGCE) que cobre primeiras perdas, e financiamento de baixo custo para o processo. A combinação da reforma do crédito à exportação com a reforma tributária — que remove a carga de impostos sobre exportações — dará ao setor exportador brasileiro um nível de competitividade que ele nunca teve.

O agronegócio é um grande exportador, mas possui vantagens distintas que foram construídas ao longo do tempo: por meio da Embrapa, do desenvolvimento tecnológico e de investimentos dos próprios empresários. Mas esse tipo de apoio estruturado nunca existiu para a indústria. Apenas alguns setores industriais específicos conseguiram se integrar às cadeias globais de exportação. As medidas que estamos tomando agora são essenciais para reverter essa tendência.

Valor: O novo Reintegra incluirá critérios de priorização?

Mello: Sim. Iremos emitir regulamentos definindo como o Reintegra priorizará as empresas, o que também dependerá da aprovação do projeto de lei.

Valor: Alguns setores industriais estão pedindo medidas antidumping mais rápidas para evitar uma inundação de produtos estrangeiros no Brasil. Você concorda?

Mello: Alguns setores enfrentaram uma concorrência muito dura que prejudica severamente seus planos de investimento. Estamos trabalhando com a CAMEX para acelerar a análise dos casos, já que ações antidumping devem seguir as regras internacionais. Isso é diferente do que os EUA estão fazendo com suas tarifas, que não têm justificativa econômica ou comercial e estão completamente fora das regras comerciais internacionais estabelecidas. O dumping é outro assunto. Já estamos em contato com vários setores e trabalhando para agilizar todos os procedimentos necessários para casos em que há impacto claro na produção doméstica.

Valor: E quanto às medidas de salvaguarda?

Mello: As salvaguardas também podem ser usadas se dumping ou outras práticas desleais forem confirmadas. Mas, novamente, tudo deve seguir as convenções internacionais de comércio.

Valor: Agora, voltando à perspectiva macroeconômica. O índice de inflação IPCA-15 de agosto mostrou deflação, e os números do PIB serão divulgados na próxima semana. O que devemos esperar?

Mello: Quando o aumento das tarifas começou, alguns economistas disseram que poderia ser inflacionário. Eu disse que o impacto sobre a inflação seria pequeno e, se houvesse algum efeito, tenderia a ser desinflacionário. E acredito que essa visão está se confirmando. Uma combinação de fatores explica isso: a valorização do real, que está estável em torno de R$ 5,40; a queda nos preços dos alimentos; e o fato de que a economia brasileira claramente está desacelerando em relação ao primeiro trimestre, como esperado.

Agora vemos que a desaceleração do segundo trimestre é um pouco mais acentuada do que o inicialmente previsto, principalmente devido aos efeitos acumulados e defasados da política monetária. Ainda esperamos um crescimento leve no segundo trimestre e quase estabilidade nos dois últimos trimestres do ano.

Valor: O que poderia mudar essa perspectiva?

Mello: Muitos fatores, além da política monetária, podem elevar ou reduzir o nível de atividade. Por exemplo, em julho, o governo federal pagou dívidas judiciais [precatórios]. Então, embora as taxas de juros pesem sobre a economia, os precatórios podem fornecer algum suporte. O crédito ainda está crescendo, e agora, com as novas políticas anunciadas, mais crédito poderá se tornar disponível. O balanço final dessas forças determinará o ritmo de crescimento, se mais próximo de 2% ou 2,5%.

Valor: Qual é sua aposta?

Mello: Acreditamos que ainda há espaço para a economia manter crescimento de 2,5%, mas precisamos acompanhar de perto. Obviamente, uma taxa de juros de 15% sustentada por meses impacta a atividade, é para isso que ela serve. Com base nos dados que temos, a desaceleração do segundo trimestre foi mais pronunciada do que o esperado. Mas ainda vemos perspectivas de crescimento leve ou estabilidade nos trimestres finais, com base no equilíbrio geral dos fatores. E ainda não conhecemos o efeito líquido total das tarifas.

Valor: E as perspectivas para 2026?

Mello: A política fiscal provavelmente estará mais próxima da neutralidade, enquanto a política monetária deve permanecer rígida, embora provavelmente menos do que este ano. A queda nas taxas de juros poderia dar um impulso maior ao crédito, e o conjunto de políticas adotadas incentivará as empresas a adotarem uma abordagem mais voltada à exportação, o que exige investimento. Então, ainda vemos potencial de crescimento próximo à nossa tendência de longo prazo em 2026. Claro, isso dependerá de como a economia se comportar até o final deste ano, do carryover estatístico e da evolução da política monetária.

Valor: Você está preocupado que a compensação pela reforma do imposto de renda possa não ser aprovada?

Mello: Acredito que os líderes do Congresso entendem a importância de manter a neutralidade. O relator incluiu isso em seu relatório. Eu diria que isso não é apenas uma questão fiscal, é uma questão de justiça tributária. Quem se opõe à compensação não está apenas contra o governo ou prejudicando as finanças públicas e a estabilidade macroeconômica. Está defendendo a manutenção da atual desigualdade de renda no Brasil.

Fonte: Valor International

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Exportação

Brasil se torna top mundial na exportação de açúcar e fatura bilhões

As exportações de açúcar do Brasil em 2025 ultrapassaram US$ 1 bilhão, consolidando o país como líder global no setor. No entanto, desafios como as demandas ambientais impostas pela União Europeia colocam em questão o futuro desse protagonismo. Com um mercado que representou cerca de 40% do comércio mundial de açúcar, o país enfrenta pressões para adotar práticas sustentáveis, impactando suas operações.

O Brasil fortaleceu sua posição como fornecedora de açúcar em 2025, com condições climáticas favoráveis e avanços tecnológicos. Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul desempenham papéis-chave nessa trajetória. A eficiência agrícola e o solo fértil desses locais são fundamentais para o sucesso da produção brasileira.

Pressões Internacionais e Oportunidades

Enquanto a Índia enfrenta desafios climáticos que comprometem sua produção de açúcar, o Brasil encontra oportunidades. No entanto, a União Europeia impõe certificações rigorosas de sustentabilidade, tornando mais complexa a entrada do açúcar brasileiro nos seus mercados. A relação entre expansão das exportações e cumprimento de normas ambientais internacionais se confirma um aspecto crítico.

Expectativas e Adaptações Necessárias

Para 2025, a expectativa é que o Brasil exporte entre 35 e 36 milhões de toneladas de açúcar. Os especialistas alertam para a importância de diversificar e agregar valor à produção. A adaptação do setor às crescentes exigências ambientais se torna imprescindível para garantir a competitividade no mercado global.

Conclusão

Em 2025, as exportações de açúcar do Brasil superaram US$ 1 bilhão, apesar de desafios ambientais significativos. A União Europeia controla rigorosamente as práticas de importação, destacando a necessidade de adaptação do Brasil.

Fonte: Correio do Estado

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Comércio, Exportação, Logística

RO TERÁ UMA: Amazônia deve receber 13 corredores de ferrovias para encurtar as exportações

O Brasil abriu novos mercados para os produtos nacionais e o desafio urgente é chegar nos destinos com maior competitividade

Para ganhar agilidade na logística e reduzir o custo final, os investimentos em estradas de ferro devem aumentar para garantir que os produtos cheguem nos destinos em menor tempo e com preços mais competitivos.  

A expansão ferroviária avança rapidamente na Amazônia com quatro rotas ferroviárias em processo ou estudo de concessão; outras duas rotas ferroviárias em construção; e mais 13 ferrovias autorizadas, instrumento criado para ferrovias que permite a construção delas com orçamento privado sem necessidade de concessão.
 
Rondônia será beneficiada com a grande ferrovia transoceânica que ligará o Atlântico ao Pacífico com base logística em Porto Velho, antes de seguir para o Acre e Peru. O vizinho estado do Mato Grosso está mais avançado, pois além dos investimentos em rodovias, o governo daquele estado vem construindo ferrovias estaduais para integrar às grandes linhas férreas. 
 
Esse planejamento mato-grossense seria um ótimo modelo para Rondônia que tem grande produção agropecuária e o transporte é totalmente feito pelo modal rodoviário, considerado o mais caro e que afeta a competitividade dos produtos nas exportações.
 
 
As principais rotas ferroviárias da Amazônia
 
No PPI, as concessões previstas incluem: Corredor Leste-Oeste (Fico/Fiol), ligação de Mato Grosso à Bahia, passando por Goiás; Ferrogrão (Sinop/Miritituba), eixo logístico no Mato Grosso até o Pará; Extensão da Ferrovia Norte-Sul (Açailândia/Barcarena), entre Maranhão e Pará. As concessões do Corredor Leste-Oeste e a Ferrogrão também aparecem no PAC (Plano de aceleração do crescimento).
 
No PPA, está prevista a construção de duas grandes rotas ferroviárias: Corredor Leste-Oeste (Fico/Fiol); Transnordestina, interligando a Ferrovia Norte-Sul, Pernambuco, Ceará e Piauí. O orçamento público, nesses casos, está aquém do valor total dessas obras, indicando que é usado principalmente para ações complementares como planejamento, estudos, supervisão e desapropriações. Os trechos Salgueiro-Pecém (PE) e Eliseu Martins (PI)-Porto Franco (MA) da Transnordestina também aparecem como estudo para concessão no PAC.
 
O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou um levantamento inédito a partir de dados do Mapa Interativo das Infraestruturas de Transporte, que reúne informações sobre obras em andamento (em construção) no Brasil e projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e Plano Plurianual 2024–2027 (PPA), com foco na Amazônia Legal. Os dados evidenciam a dimensão da expansão de rodovias, hidrovias e ferrovias na região.

Fonte: Rondônia Ao Vivo

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Exportação

Exportação de arroz perde força; estoques pressionam mercado

Esse movimento revela o desequilíbrio entre oferta e demanda

Setembro marca o início da colheita da safra americana de arroz, reduzindo a competitividade do Brasil no mercado internacional e fechando a janela mais favorável para exportações. As informações são de Sérgio Cardoso, Diretor de Operações na Itaobi Representações.

Com estoques elevados nas mãos de produtores e indústrias, o mercado nacional segue travado, sem capacidade de absorver o volume interno e com poucas alternativas externas. O leilão de opção realizado nesta semana reforçou a insegurança do setor: no Rio Grande do Sul, os prêmios saltaram mais de dez vezes em relação ao valor de abertura, sinalizando o custo crescente para assegurar vendas futuras. 

“Enquanto isso, os estoques elevados nas mãos de produtores e indústrias confirmam o alerta que temos feito há meses: um mercado travado, sem espaço para absorver volumes internos e com pouca saída para o exterior”, conclui.

Esse movimento revela tanto o desequilíbrio entre oferta e demanda quanto o peso da incerteza sobre a comercialização. O cenário consolidado é de pressão sobre os preços internos, exportações insuficientes para dar vazão ao excedente e perda de competitividade diante dos Estados Unidos, que já colocam sua safra no mercado.

A proximidade da próxima colheita amplia o risco de acúmulo de produto e queda ainda maior nos preços. Para Cardoso, o setor vive “tudo o que não queremos”: um conjunto de fatores que expõe a fragilidade do mercado justamente no período mais delicado de transição entre safra e entressafra. 

“Em resumo: estamos diante de tudo o que não queremos. Uma conjunção de fatores que reforça a fragilidade do mercado no momento mais sensível da transição entre safra e entressafra”, conclui.
 

Fonte: Agrolink

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Comércio Exterior, Exportação, Notícias

Decom indica antidumping sobre exportações de polietileno dos EUA ao Brasil

O Decom (Departamento de Defesa Comercial) recomendou a aplicação provisória de medidas antidumping sobre as exportações de resinas de polietileno originárias do Canadá e dos Estados Unidos após verificar dano à indústria doméstica causado pela prática, conforme circular publicada pelo Diário Oficial da União nesta quinta-feira (21).

O órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços recomendou a aplicação de direito provisório, por um período de até seis meses, de US$ 238,49 por tonelada para as exportações de resinas oriundas do Canadá e R$ 199,04 por tonelada para as exportações dos EUA.

“Os direitos recomendados com base na margem de dumping foram calculados aplicando-se redutor de 10% às respectivas margens de dumping calculadas no início da investigação”, segundo a decisão.

A medida visa impedir a ocorrência de dano no curso da investigação, que teve o seu prazo de conclusão prorrogado para 18 meses, considerando que as importações a preços com dumping do produto objeto da investigação continuaram ocorrendo, disse.

A investigação ocorreu a partir do pedido da Braskem, principal fabricante brasileira dos produtos citados nas medidas, protocolado em 31 de julho de 2024.

Segundo o texto, o parecer recomendando a aplicação provisória dos direitos antidumping será encaminhada à Camex (Câmara de Comércio Exterior) que tomará a decisão sobre sua aplicação.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação

Alckmin e Gleisi vão ao Congresso pedir apoio a projetos que facilitam e ampliam as exportações brasileiras

Entre as matérias estão a MP e o projeto do Plano Brasil Soberano, de ajuda a empresas afetadas pelas tarifas adicionais dos EUA

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, visitam, nesta quarta-feira (20/08), o Congresso Nacional  e se reúnem com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, para pedir celeridade na votação de projetos que ampliam as medidas de apoio ao comércio exterior brasileiro, sobretudo as matérias ligadas ao Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A agenda legislativa de interesse do MDIC, na área de comércio exterior, é composta por 18 matérias, sendo duas do Plano Brasil Soberano (a Medida Provisória 1.309/25 e o Projeto de Lei Complementar 168/2025), 11 acordos internacionais e cinco outros projetos com temas ligados a isenções, crédito, garantias e facilitação.

Os acordos internacionais tratam de ampliação de mercados e trocas multilaterais, com temas ligados ao Mercosul e a Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFIs). Todas as matérias já estão em tramitação nas duas casas do Congresso.

Veja abaixo, as 18 matérias:

CONGRESSO NACIONAL

1)      MPV 1309/2025 – Plano Brasil Soberano

Editada em 13 de agosto, a MP prevê financiamento de R$ 30 bilhões, via FGE, para compensar prejuízos de exportadores afetados pelo tarifaço norte-americano. Prevê uma série de ações para compensar os exportadores afetados pelo aumento das tarifas, como linhas de crédito; prorrogação de prazos do regime de drawback; compras públicas; aportes a fundos garantidores de crédito; ampliação do Reintegra e prorrogação de prazos tributários.

CÂMARA DOS DEPUTADOS

2)      PLP 463/2017 – Isenção de ISS para exportação de serviços

Prevê a isenção do imposto municipal (ISS) sobre serviços prestados por empresas brasileiras ao exterior. 

3)      PL 6139/2023 – Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação

Cria um sistema oficial de apoio ao crédito para exportações brasileiras e atualiza leis relacionadas ao financiamento dessas operações.

4)      PL 5719/2023 – BNDES Exim

Cria condições para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possa garantir o financiamento à exportação de serviços brasileiros prestados no exterior.

5)      PL 5128/2023 – Desburocratização dos processos administrativos de defesa comercial

Flexibiliza a exigência da assinatura digital da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) em investigações de defesa comercial, permitindo o uso de outros meios eletrônicos já reconhecidos.  

6)      MSC 1253/2024 – Acordo sobre o Comércio de Aeronaves Civis da OMC

Estabelece isenções tarifárias para a importação de aviões e facilitação do

comércio entre os 33 países integrantes da Organização Mundial do Comércio (OMC).

7)      MSC 801/2024 – Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR

Facilita o transporte internacional de mercadorias por veículos rodoviários, por meio da simplificação e da harmonização de formalidades administrativas relacionadas ao transporte internacional.

8)      PDL 395/2024 – Acordo sobre Comércio Eletrônico do Mercosul

Aprova acordo do Mercosul que estabelece regras comuns para o comércio eletrônico entre os países do bloco, promovendo maior segurança e integração nas transações digitais.

9)      PDL 394/2024 – Acordo Marco do Mercosul de Reconhecimento Recíproco e Outorga de Matrículas para o Exercício Profissional

Aprova acordo do Mercosul que permite o reconhecimento mútuo de registros profissionais e autoriza o exercício temporário de profissões como engenharia, agronomia e arquitetura entre os países-membros.

10) PDL 723/2024 – Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) entre Brasil e São Tomé e Principe

Aprova o texto do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) entre a República Federativa do Brasil e a República Democrática de São Tomé e Príncipe.

SENADO FEDERAL

11)  PLP 168/2025 – Procedimentos excepcionais para medidas associadas à mitigação de impactos das tarifas adicionais

Projeto viabiliza ações para mitigação dos impactos sociais e econômicos decorrentes da taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos às exportações de produtos brasileiros para aquele país, permitindo a expansão do Reintegra e aportes nos fundos garantidores de exportação.

12)  PL 4423/2024 – Normas gerais sobre o comércio exterior

Estabelece normas gerais como desempenho das atividades de regulação e fiscalização e controle, racionalizando e modernizando o arcabouço normativo brasileiro nessa área.

13) PDL 159/2022 – Encargos de Roaming Internacional

Aprova acordo entre países do Mercosul para acabar com a cobrança de roaming internacional entre os usuários da região.

14) PDL 609/2021 – Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre Brasil e Índia (ACFI)

Aprova acordo entre Brasil e Índia, que estabelece regras para proteger investimentos e resolver disputas entre investidores dos dois países.

15) PDL 391/2024 – Convenção entre Brasil e Índia contra dupla tributação e evasão fiscal

Aprova mudanças em um acordo entre Brasil e Índia para evitar que a mesma renda seja tributada nos dois países e combater a evasão fiscal. O novo protocolo foi assinado em Brasília, em 2022.

16) PDL 610/2021 – ACFI entre Brasil e Guiana

Ratifica um acordo entre Brasil e Guiana para facilitar e incentivar investimentos entre os dois países, assinado em 2018.

17) PDL 170/2022 – Acordo sobre Contratos Internacionais de Consumo

Aprova um acordo do Mercosul que define qual legislação deve ser aplicada em contratos internacionais de consumo entre os países-membros.

18) PDL 171/2022 – Comércio de Serviços do Mercosul

Aprova uma emenda ao Protocolo de Montevidéu do Mercosul com o objetivo de modernizar e harmonizar as regras sobre o comércio de serviços entre os países-membros.

Fonte: MDIC

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Exportação

Exportações de frango podem cair neste ano, mas vendas de ovos devem disparar, diz associação

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), exportações brasileiras de carne de frango devem ter uma queda de até 2% neste ano, em relação a 2024. Por outro lado, as vendas de ovos podem fechar o ano com alta recorde de 116,6%.

As exportações de frango do Brasil devem cair até 2% em volume, em 2025, para 5,2 milhões de toneladas, na comparação com o ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Entre janeiro e julho, a queda foi de 1,7%.

A previsão ocorre em meio aos embargos ao frango do país após um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro (RS), em maio deste ano. Em junho, o Brasil se declarou livre da doença.

Apesar de o caso já ter sido encerrado e de o país não ter tido mais nenhum registro da doença em granja comercial, grandes importadores como a China e a União Europeia mantêm o bloqueio ao produto nacional.

De janeiro a julho, as exportações brasileiras de frango para os chineses caíram 32,2% em relação a 2024.

Mesmo assim, a entidade prevê que as vendas a outros países devem voltar a crescer em 2026, em torno de 5,8%.

Ainda não há previsão de retomada das compras por China e União Europeia. Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os chineses estão analisando documentos enviados pelo governo brasileiro.

Santin explicou que a China ainda tem estoques de frango e que está com uma boa produção, o que tem mantido os preços estáveis dentro do país.

Mas que, em algum momento, terá que voltar a comprar carne do Brasil, pois não será capaz de substituir o volume do consumo interno sem a carne nacional.

Um caso emblemático é o caso do pé de galinha, produto que a China produz bem menos do que o volume importado de outros países.

O Chile, por sua vez, informou que deve voltar a comprar nesta ou na próxima semana.

Enquanto isso, a produção nacional de frango deve continuar em expansão. A previsão é que ela cresça até 3% em 2025 e outros 2% em 2026.

Fonte: G1


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Exportação

Tarifaço de Trump pode zerar exportações de tilápia após embarques crescerem 52% no primeiro semestre

O primeiro semestre de 2025 trouxe resultados positivos e desafios significativos para a piscicultura brasileira, de acordo com a PEIXE BR. No mercado interno, o setor manteve o ritmo de crescimento esperado, impulsionado pelo aumento da oferta e pela redução de preços ao consumidor em comparação ao mesmo período de 2024.

Nos embarques internacionais, a atividade registrou um crescimento de 52% nas exportações, principalmente de filé fresco para os Estados Unidos. A expectativa era desse volume aumentar ao longo do ano e o Brasil liderar os envios, porém, o anúncio recente do governo americano alterou as projeções.

“Devido à tarifa de 50% e à falta de ação do governo brasileiro em negociar, teremos um segundo semestre com exportações próximas de zero. Isso agravará a crise no mercado interno, diante do aumento da oferta e, principalmente, da entrada de filé de tilápia do Vietnã, que deve piorar ainda mais a situação”, enfatiza o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

Queda de 14,6% nos preços da tilápia

Conforme destaca Medeiros, o consumo de tilápia se mantém estável, devido ao crescimento contínuo da produção da espécie. No entanto, a redução na produção de tambaqui e de peixes de pesca nativa tem limitado a expansão do consumo geral de pescado no Brasil.

No recorte de preços, o mercado brasileiro de tilápia enfrentou um cenário desafiador no primeiro semestre de 2025, impulsionado por mudanças importantes em relação ao mesmo período de 2024.

De acordo com o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq, Thiago Bernardino de Carvalho, a média do preço da tilápia no período foi de R$8,04/kg, uma queda nominal de 14,6% em comparação aos R$9,42/kg registrados no primeiro semestre de 2024. Ao mesmo tempo, o peso médio dos animais comercializados aumentou 11,1%, passando de 921 gramas para 1.023 gramas, indicando uma oferta maior de tilápias mais pesadas no mercado.

“Embora tenha havido uma leve redução no custo da ração, que caiu 2,9% (de R$2,78/kg para R$2,70/kg), essa diminuição não foi suficiente para compensar a pressão sobre as margens dos produtores. A margem bruta média nas propriedades acompanhadas pelo Cepea caiu 45,5%, passando de R$2,82 para R$1,54 por quilo comercializado”, ressalta Carvalho.

Além disso, foi observado um crescimento expressivo de 18,7% no alojamento de alevinos e juvenis, puxado principalmente pela atuação das cooperativas, o que sinaliza expectativas de aumento na produção futura.

Exportações crescem 52% nos primeiros meses de 2025

No comércio internacional, o setor registrou resultados positivos. Segundo o coordenador o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza, as exportações da piscicultura brasileira aumentaram 52% no primeiro semestre de 2025, comparado com o mesmo período de 2024, atingindo US$ 36 milhões e 8 mil toneladas.

“A tilápia foi protagonista, representando 95% do total exportado no semestre, consolidando sua posição como principal peixe cultivado e comercializado internacionalmente pelo Brasil”, compartilha Carvalho.

Como destaque de país comprador, os Estados Unidos continuam como o principal destino das exportações da piscicultura brasileira, representando cerca de 90% do total exportado no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 32 milhões. “O Peru foi o segundo principal importador no período, com US$ 1,8 milhão”, ressalta Pedroza.

Importações do Vietnã geram preocupações no setor

A importação de tilápia de outros países, especialmente do Vietnã, tem gerado preocupações entre os produtores brasileiros e representantes da cadeia produtiva da aquicultura nacional.

Segundo o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq, os peixes importados chegam ao mercado brasileiro com preços muito inferiores aos praticados internamente, podendo ser considerado dumping, o que pode inviabilizar economicamente a produção nacional, comprometendo a sustentabilidade de diversas propriedades e cooperativas locais.

“De forma extremamente negativa, a importação de filé de tilápia do Vietnã demonstra a inabilidade do governo brasileiro com o setor, mesmo tendo um ministério que deveria gerir o setor. O Vietnã tem procedimentos na indústria que são proibidas aqui nas indústrias brasileiras e, com isso, perdemos competitividade”, alerta o presidente da PEIXE BR.

Para contornar esse cenário, neste momento, o setor tem realizado ações visando minimizar os riscos sanitários e econômicos ligados à importação de tilápia do Vietnã, evitando possíveis danos a cadeia produtiva e aos consumidores, diz o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Cenário desafiador para o segundo semestre

Na avaliação de Medeiros, a combinação de importações liberadas e a suspensão das exportações de filé de tilápia para os Estados Unidos gera incerteza para o setor. “Nos próximos 12 meses, a cadeia produtiva da tilápia no Brasil enfrentará grandes desafios tanto no mercado interno quanto externo”, salienta.

Em relação ao desempenho doméstico, o principal desafio está em aumentar o consumo per capita da tilápia. Para isso, destaca Carvalho, será fundamental a diversificação do mix de produtos, estratégia que vem sendo bem conduzida por indústrias e varejistas nos últimos anos.

No cenário internacional, o tarifaço dos EUA terá um grande impacto nas exportações brasileiras da piscicultura no segundo semestre de 2025, principalmente na cadeia da tilápia, gerando grandes desafiados no setor.

Neste contexto, a abertura de novos mercados externos será fundamental para assegurar a competitividade internacional da cadeia. “Para isso o setor precisará realizar um grande esforço para entrar em novos países e investir na exportação de produtos congelados, os quais respondem pela maior parte do comércio internacional de peixes como a tilápia”, afirma o coordenador de Pecuária e Tilápia do Cepea/Esalq.

Apesar das dificuldades, especialistas acreditam que há potencial de valorização do produto nacional, desde que políticas públicas e investimentos em infraestrutura permitam maior competitividade frente aos concorrentes internacionais.

Fonte: Comex do Brasil

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