Importação

China zera tarifas de importação para 53 países africanos a partir de 2026

A China anunciou que vai eliminar as tarifas de importação para produtos provenientes de 53 países da África com os quais mantém relações diplomáticas. A medida passa a valer em 1º de maio de 2026 e integra a estratégia de fortalecimento das relações comerciais sino-africanas.

A informação foi divulgada pela emissora estatal China Central Television (CCTV).

Medida amplia acesso ao mercado chinês

Com a adoção da tarifa zero, exportadores africanos terão acesso facilitado ao vasto mercado chinês, considerado um dos maiores do mundo. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de estímulo ao comércio exterior e à cooperação econômica entre a China e o continente africano.

De acordo com a reportagem, o governo chinês também pretende avançar na negociação e assinatura de novos acordos de parceria econômica conjunta, ampliando a integração comercial.

Canal verde deve acelerar exportações africanas

Outro ponto destacado é a expansão de mecanismos que facilitem o fluxo de mercadorias, como o chamado “canal verde”, sistema que agiliza a liberação de produtos africanos no território chinês.

A expectativa é que a combinação de isenção tarifária, novos acordos comerciais e processos aduaneiros mais rápidos impulsione as exportações africanas e fortaleça os laços econômicos bilaterais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:Adek Berry-Pool/Getty Images

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Exportação

Exportação de carne bovina para a China pode atingir cota em setembro, alerta Cepea

O Brasil pode alcançar já em setembro o limite da cota de exportação de carne bovina para a China, caso o ritmo atual de embarques seja mantido. O alerta foi divulgado por pesquisadores do Cepea, com base nos dados de janeiro, mês em que o país asiático concentrou 46,3% das exportações brasileiras da proteína.

Do total de 258,94 mil toneladas de carne bovina enviadas ao mercado externo no período, quase metade teve a China como destino. O cenário é ainda mais intenso em Mato Grosso, onde 57,5% das 83,06 mil toneladas exportadas seguiram para o país asiático, representando um crescimento de 89,23% em relação a janeiro de 2025.

Cotas chinesas e tarifas adicionais

Em dezembro, o Ministério do Comércio da China (Mofcom) definiu que, em 2026, o Brasil poderá exportar até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa extra. O volume que ultrapassar esse teto estará sujeito a uma sobretaxa de 55%, tornando a operação menos competitiva.

As cotas já estabelecidas indicam aumento gradual:

  • 2027: 1,128 milhão de toneladas
  • 2028: 1,154 milhão de toneladas

Janeiro registra recorde de embarques

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, apenas em janeiro de 2026, o Brasil enviou 119,63 mil toneladas de carne bovina à China, o maior volume já registrado para um mês de janeiro. Desse total, 47,76 mil toneladas tiveram origem em Mato Grosso.

Segundo o Cepea, se esse ritmo for mantido ao longo do ano, o país tende a esgotar a cota chinesa ainda no terceiro trimestre, antecipando impactos sobre preços, logística e contratos internacionais.

China lidera compras da carne brasileira

Em 2025, Mato Grosso exportou 978,32 mil toneladas de carne bovina para 92 países. A China respondeu por 536,92 mil toneladas, consolidando-se como principal destino da proteína. A Rússia, segunda colocada, adquiriu apenas 58,84 mil toneladas, evidenciando a forte concentração no mercado chinês.

Governo propõe controle das exportações

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encaminhou, na última sexta-feira (6), um ofício à Câmara de Comércio Exterior (Camex) sugerindo a criação de um sistema de controle das exportações de carne bovina para a China.

A proposta prevê:

  • Distribuição proporcional da cota conforme o histórico de vendas das empresas
  • Escalonamento trimestral dos volumes autorizados
  • Melhor gestão do limite imposto pelo mercado chinês

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Valor Econômico.

Setor avalia impactos e alternativas

Para o presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellicanta, a salvaguarda chinesa é legítima e demonstra proteção ao produtor local. No entanto, ele ressalta que o desafio está na adaptação das regras à dinâmica do comércio brasileiro, que opera com contratos firmados e prazos curtos entre produção, embarque e entrega.

Já a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) chama atenção para a restrição global da oferta de carne, causada pela redução do rebanho em grandes produtores, como os Estados Unidos.

Segundo o diretor técnico da entidade, Francisco Manzi, a medida chinesa pode incentivar o Brasil a diversificar mercados. Ele também defende o fortalecimento do consumo interno, destacando que um aumento de três quilos por habitante ao ano já compensaria boa parte da restrição imposta pela China.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Exportação

Governo avalia limitar exportações de carne bovina para a China para evitar crise no setor

O governo federal estuda a adoção de mecanismos para regular o volume de carne bovina exportado para a China por empresas brasileiras. A proposta surge diante do risco de colapso nos preços e no nível de emprego do setor, conforme aponta um ofício do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo o documento, o cenário é resultado direto das salvaguardas comerciais impostas pela China no fim do ano passado para a importação da proteína animal.

Salvaguardas chinesas reduzem espaço para exportações

Como estratégia de proteção aos produtores locais, a China estabeleceu para 2026 um limite de importação de carne bovina brasileira sujeito à tarifa padrão de 12%. O volume que ultrapassar 1,1 milhão de toneladas passa a ser taxado em 55%, elevando a carga tributária total para 67%, considerada inviável para o comércio.

Com base nos dados de 2025, técnicos do Mapa estimam uma queda de cerca de 35% na demanda chinesa, o equivalente a aproximadamente 600 mil toneladas a menos de carne brasileira absorvidas pelo mercado asiático.

Governo alerta para desorganização do mercado

No ofício, assinado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, o ministério avalia que a ausência de coordenação pode gerar impactos negativos em toda a cadeia produtiva da pecuária bovina.

Entre os principais riscos apontados estão:

  • Disputa desordenada entre exportadores, com antecipação de embarques para ocupar a cota chinesa
  • Pressão de baixa nos preços, provocada pela concorrência entre frigoríficos
  • Redirecionamento excessivo da oferta para outros mercados, gerando desequilíbrios
  • Impactos econômicos em regiões dependentes da pecuária
  • Concentração das cotas em grandes grupos empresariais

De acordo com o Mapa, esse conjunto de fatores amplia o choque negativo de demanda e eleva o risco de colapso de preços e empregos no setor.

Proposta prevê cotas e licenças de exportação

Para mitigar os efeitos das restrições chinesas, o ministério propõe a criação de um sistema nacional de cotas de exportação, com distribuição proporcional entre empresas privadas, baseada no histórico recente de vendas para a China.

O modelo também prevê:

  • Reserva técnica para inclusão de novos e pequenos exportadores
  • Uso de licenças de exportação
  • Bloqueio automático de embarques que ultrapassem os limites autorizados

Entre os frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para a China estão JBS, Minerva e Marfrig.

China segue como principal destino da carne brasileira

Apesar das incertezas, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira em janeiro. As importações somaram 123,2 mil toneladas, segundo dados do MDIC, compilados pela Abiec.

O volume representa um aumento de 35% em relação a janeiro de 2025, quando o país asiático importou 91,2 mil toneladas da proteína.

Decisão deve avançar na Camex

O ofício do Mapa foi encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao MDIC. A recomendação é que o tema seja analisado na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), prevista para esta quinta-feira (12).

FONTE: Gazeta
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Elias/Gazeta do Povo/Arquivo

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Economia

Dólar em queda reacende debate sobre controles de capital na China

A recente desvalorização do dólar voltou a impulsionar, na China, o debate sobre a flexibilização dos controles de capital. Economistas influentes defendem que o momento é favorável para ampliar a conversibilidade do yuan e aumentar sua presença nas finanças internacionais, aproveitando um ambiente externo mais propício e menor risco de fuga de recursos.

Para esses analistas, a fraqueza da moeda americana abre uma janela histórica para tornar o yuan mais atrativo globalmente, desde que a abertura da conta de capital seja conduzida de forma gradual e estratégica.

Abertura da conta de capital ganha apoio no mercado

Em artigo recente, Miao Yanliang, estrategista-chefe da China International Capital Corp., avaliou que as condições atuais permitem avançar na liberalização dos fluxos financeiros sem provocar saídas expressivas de capital. Segundo ele, maior flexibilidade cambial tende a atrair investimentos estrangeiros, especialmente em um ciclo de valorização do yuan combinado à perda de força do dólar.

Na mesma direção, Ju Jiandong, professor de finanças da Universidade Tsinghua, classificou este ano e o próximo como uma “janela estratégica” para ampliar a abertura da conta de capital chinesa, diante da valorização da moeda local e do aumento das tensões geopolíticas globais.

Internacionalização do yuan volta ao centro da estratégia

As manifestações de economistas reforçam sinais emitidos pelo presidente Xi Jinping desde 2024, quando defendeu a meta de tornar o yuan amplamente utilizado no comércio e nas finanças internacionais, com ambição de transformá-lo em moeda de reserva.

Nas últimas semanas, discursos e publicações intensificaram as especulações de que Pequim pode recolocar a liberalização dos fluxos de capital como eixo central da estratégia de internacionalização da moeda. O processo havia perdido força após a crise cambial de 2015, quando uma tentativa de maior liberalização resultou em forte instabilidade.

Queda do dólar muda o cálculo das autoridades chinesas

O contexto atual é distinto daquele observado há uma década. Em 2025, o dólar registrou a maior queda anual em oito anos, refletindo incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. No mesmo período, o yuan teve seu melhor desempenho desde 2020 em termos nominais.

Esse cenário fortaleceu o argumento de que a China precisa reduzir o descompasso entre seu peso como potência manufatureira global e o alcance limitado de sua moeda. Hoje, o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com restrições significativas a investimentos e remessas internacionais.

Planos oficiais indicam maior ambição até 2030

Sinais de mudança também aparecem nos documentos oficiais. A proposta apresentada pelo Partido Comunista para o plano econômico até 2030 inclui o compromisso de avançar na internacionalização do yuan e ampliar a abertura da conta de capital, em termos mais assertivos do que os adotados no plano anterior.

Apesar dos avanços no uso do yuan em liquidações comerciais e financiamentos internacionais, sua participação nas reservas globais ainda é inferior a 2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, mantendo a moeda distante do protagonismo do dólar.

Risco de fuga de capitais segue como principal obstáculo

A principal preocupação das autoridades continua sendo o risco de saídas abruptas de capital, capazes de desestabilizar mercados e a economia doméstica. Em 2015, uma tentativa malsucedida de flexibilização cambial provocou pânico entre investidores e levou à perda de cerca de US$ 1 trilhão em reservas internacionais em dois anos.

Para Miao Yanliang, no entanto, o ambiente mudou. Ele avalia que investidores estrangeiros demonstram maior interesse em ativos chineses, enquanto empresas e famílias locais já diversificaram parte de seus investimentos no exterior por canais regulados, reduzindo pressões por novas saídas.

Abertura gradual deve marcar próximos passos

Apesar do novo impulso, especialistas acreditam que Pequim manterá uma abordagem cautelosa. Para Gary Ng, economista do Natixis, pode haver espaço para testes pontuais, como o uso do yuan na negociação de commodities, no financiamento e na liquidação de projetos internacionais.

Autoridades regulatórias também sinalizam avanços graduais. Xiao Sheng, da Administração Estatal de Câmbio, afirmou recentemente que o foco será a otimização dos canais existentes de investimento transfronteiriço, com simplificação de programas voltados a investidores estrangeiros e estímulo ao financiamento internacional.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Economia

Dólar recua a R$ 5,18 e registra menor fechamento desde maio de 2024

O dólar comercial encerrou a segunda-feira (9) em forte queda e fechou abaixo de R$ 5,20, impulsionado por um ambiente externo mais favorável aos mercados emergentes, como o Brasil. O movimento ganhou força após a China reduzir a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (treasuries), o que enfraqueceu a moeda norte-americana no mercado global.

A divisa dos EUA caiu 0,59%, encerrando o dia cotada a R$ 5,1886, o menor valor desde 28 de maio de 2024. No acumulado de 2026, o dólar já registra desvalorização de 5,47% frente ao real.

Ibovespa sobe com apoio de grandes ações

No mercado acionário, o Ibovespa operou em alta, sustentado principalmente pelo desempenho positivo das blue chips. Ações de Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Bradesco lideraram os ganhos do índice.

Por outro lado, os papéis do BTG Pactual figuraram entre as maiores quedas do pregão, após a divulgação do balanço trimestral. Por volta das 17h18, o principal índice da B3 avançava 1,76%, aos 186.127,57 pontos.

Banco Central adota discurso de cautela

No cenário doméstico, investidores também repercutiram declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Segundo ele, a recente melhora dos indicadores não representa uma “volta da vitória” contra a inflação.

Galípolo destacou que o foco da autoridade monetária, neste momento, está na calibragem da política monetária, sinalizando cautela nas próximas decisões.

Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que trouxe nova revisão para baixo na expectativa de inflação.

Boletim Focus reduz projeções de inflação

A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 3,99% para 3,97%, permanecendo 0,53 ponto percentual abaixo do teto da meta, fixado em 4,50%. Há um mês, a estimativa era de 4,05%.

Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa subiu de 3,90% para 3,96%. Para 2027, a mediana seguiu estável em 3,80% pela 14ª semana consecutiva.

O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, segundo o IBGE, resultado inferior tanto à última mediana do Focus (4,31%) quanto à estimativa do próprio Banco Central (4,4%).

Análise técnica aponta resistência no Ibovespa

De acordo com análise semanal do BB Investimentos, o Ibovespa mantém tendência de alta, mas apresenta sinais de perda de fôlego no curto prazo.

“O comportamento das últimas três semanas indica um padrão de esgotamento do movimento altista, com resistência em torno dos 187,5 mil pontos e suporte imediato na região dos 182 mil pontos”, destacou a instituição em relatório.

Exterior adiciona cautela aos mercados

No cenário internacional, a semana começou com viés negativo nos futuros das bolsas norte-americanas. Para a equipe da Ágora Investimentos, o ambiente externo pode trazer volatilidade adicional aos ativos brasileiros, com investidores à espera da divulgação de indicadores econômicos relevantes.

BTG Pactual divulga lucro recorde

O BTG Pactual anunciou lucro líquido ajustado de R$ 4,60 bilhões no quarto trimestre, alta de 40,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio levemente acima da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam R$ 4,56 bilhões.

A receita do maior banco de investimentos da América Latina cresceu 35,1%, alcançando o recorde de R$ 9,09 bilhões. O ROAE (retorno sobre o patrimônio) ficou em 27,6%, ante 23,0% um ano antes.

China reduz exposição a títulos dos EUA

No exterior, um dos principais vetores de impacto foi a decisão da China de orientar seus bancos a frear a compra de treasuries americanos. A medida busca reduzir riscos e evitar concentração excessiva em ativos dos Estados Unidos.

Atualmente, o país asiático detém cerca de US$ 850 bilhões em títulos da dívida norte-americana, sendo aproximadamente US$ 300 bilhões sob responsabilidade de bancos chineses. A mudança de postura reforça a reavaliação estratégica de Pequim no cenário financeiro global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Internacional

Convite de Trump ao Brasil para bloco de minerais críticos expõe disputa global com a China

O convite feito pelos Estados Unidos ao Brasil para integrar um novo bloco comercial de minerais críticos revela mais do que uma iniciativa econômica. A proposta faz parte de uma estratégia geopolítica do governo de Donald Trump para reduzir a dependência americana da China em insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética global.

A avaliação é do analista de Economia da CNN, Gabriel Monteiro, em comentário no CNN Novo Dia. Segundo ele, o movimento representa uma resposta direta à hegemonia chinesa nesse setor estratégico.

Estratégia americana e contrapeso à China

O convite foi direcionado a 54 países e tem como objetivo estruturar um grupo capaz de funcionar como contrapeso à China no mercado internacional de minerais. A ideia é estabelecer regras mínimas de produção, além de discutir preços de referência para esses materiais.

De acordo com Monteiro, trata-se de uma iniciativa que pode ser interpretada como claramente “anti-China”, ao tentar reduzir a influência de Pequim sobre cadeias produtivas consideradas vitais para o futuro da economia global.

Importância dos minerais críticos para a economia global

Recursos como lítio, manganês e cobre são indispensáveis para setores em rápida expansão, como mobilidade urbana, carros elétricos e fabricação de equipamentos eletrônicos. Atualmente, a China domina grande parte da produção mundial desses minerais, com destaque para as terras raras, o que acende alertas entre países ocidentais e seus aliados.

Impactos e dilemas para o Brasil

Para o Brasil, a adesão ao bloco traz desafios relevantes. “Se a iniciativa americana der certo, isso pode colocar o Brasil contra a parede”, avalia Monteiro. O analista lembra que o país se beneficia de uma posição de relativa neutralidade, mantendo relações comerciais estratégicas tanto com a China quanto com os Estados Unidos.

Estados Unidos, Japão e países europeus acusam a China de usar subsídios estatais para reduzir artificialmente os preços desses minerais, inviabilizando projetos privados em outras regiões. Prática semelhante é alvo de investigações no Brasil no caso do aço chinês, que estaria prejudicando a indústria siderúrgica nacional.

Oportunidades econômicas e riscos geopolíticos

Por outro lado, um cenário de maior competição internacional pode abrir oportunidades para o Brasil. O país possui reservas relevantes de minerais críticos, mas ainda depende de investimentos externos para ampliar a exploração e o processamento desses recursos.

O principal desafio, no entanto, será equilibrar os potenciais ganhos econômicos com os riscos geopolíticos de uma eventual escolha de lado na disputa entre as grandes potências globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rádio Pampa

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Internacional

China critica plano dos EUA para criar bloco comercial de minerais críticos

A China manifestou oposição à proposta dos Estados Unidos de formar um bloco comercial preferencial com países aliados voltado ao fornecimento de minerais críticos. A posição foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que criticou a adoção de regras definidas por grupos restritos de países.

Segundo o governo chinês, iniciativas desse tipo podem prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, ao impor normas que não representam os interesses globais. A pasta reforçou que a economia mundial deve ser regida por princípios amplos e não por acordos exclusivos.

China defende comércio internacional aberto e inclusivo

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou que a manutenção de um ambiente comercial internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico atende aos interesses comuns de todas as nações.

A declaração sinaliza a preocupação de Pequim com movimentos que possam fragmentar cadeias globais de suprimentos, especialmente em áreas estratégicas como a de minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de defesa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Gray/Reuters

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Exportação

Produção e exportações impulsionam o Brasil como líder global da pecuária

Em 2025, a pecuária brasileira atingiu um marco histórico: além de manter a liderança como maior exportador de carne bovina, o país superou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor mundial pela primeira vez em décadas. Segundo dados do USDA compilados por consultorias privadas, o Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas, contra 11,8 milhões de toneladas nos EUA.

O resultado reflete mudanças estruturais no setor, como aumento da produtividade, uso intensivo de tecnologia e reorganização do ciclo pecuário. Com participação de cerca de 20% da produção global de carne bovina, o país consolida seu papel estratégico na segurança alimentar internacional.

Fatores que impulsionaram a produção

A consultoria Athenagro aponta que parte do avanço se deve ao maior abate de fêmeas nos últimos anos, típico de ciclos de liquidação, que aumentou a oferta de carne no curto prazo. Além disso, ganhos de eficiência dentro da porteira elevaram o peso médio das carcaças e reduziram a idade ao abate, garantindo mais produção sem expansão do rebanho.

Liderança nas exportações

No mercado internacional, o Brasil também se destaca. Dados da Abiec mostram que as exportações de carne bovina somaram mais de 3,5 milhões de toneladas em 2025, atendendo mais de 150 países e registrando a maior receita da história. Segundo a associação, a cadeia da pecuária de corte movimenta bilhões de dólares, gera milhões de empregos e é pilar do superávit da balança comercial brasileira.

Desafios nos Estados Unidos

Enquanto o Brasil cresce, os EUA enfrentam dificuldades. O rebanho americano está no menor nível em cerca de 70 anos, afetado por secas severas que reduziram pastagens e elevaram custos de alimentação. O país se aproxima do segundo maior volume de importações de carne bovina da história, atrás apenas de 2004, ano marcado por casos de encefalopatia espongiforme bovina.

Segundo Hyberville Neto, diretor da HN Agro, a situação atual reflete uma inversão histórica: “Mais de duas décadas depois, os EUA aumentam importações, enquanto o Brasil alcança seu recorde de exportações”.

China: motor da expansão

A China foi responsável por quase metade do faturamento e do volume das exportações brasileiras em 2025, com mais de 1,5 milhão de toneladas importadas, segundo a Athenagro. A demanda chinesa estimulou investimentos em tecnologia, ampliação da produção e ajustes nos sistemas produtivos, especialmente para o boi jovem, abatido antes dos 30 meses, reduzindo o ciclo pecuário e aumentando o giro de capital.

A relação entre Brasil e China se tornou central no comércio internacional de carne bovina, permitindo que o país respondesse rapidamente a aumentos de demanda e se consolidasse como fornecedor estratégico de proteína animal.

Tecnologias e sistemas produtivos avançados

O crescimento da pecuária brasileira também está ligado à adoção de sistemas intensivos e semi-intensivos, onde o gado é terminado em áreas controladas com alimentação balanceada, acelerando ganho de peso e reduzindo tempo até o abate.

O aprimoramento da genética tropicalizada, especialmente da raça Nelore e cruzamentos industriais, aumentou a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça. A integração lavoura-pecuária transformou áreas degradadas em sistemas produtivos de alta eficiência, elevando a taxa de lotação e reduzindo a necessidade de novas áreas.

Projeções da HN Agro indicam que, em 2026 e 2027, o Brasil pode iniciar uma fase de ajuste do rebanho, enquanto os EUA começam a estabilizar seu plantel, ainda que lentamente. A diferença estrutural entre os dois sistemas, porém, permanece significativa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: karandaev/GettyImages

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Investimento

China anuncia investimento de R$ 200 milhões para construir fábrica de tratores no Sudeste

A China colocou R$ 200 milhões na mesa para viabilizar a construção de uma fábrica de tratores em Maricá, na Região Metropolitana Leste Fluminense, no Rio de Janeiro. O projeto, resultado de negociações entre representantes brasileiros e chineses, tem como foco impulsionar a agricultura familiar e fortalecer a cadeia produtiva local.

O investimento estrangeiro promete alterar a dinâmica econômica do município, ampliando a circulação de recursos, estimulando o comércio e abrindo espaço para uma nova frente industrial no Sudeste.

Fábrica será construída em Ponta Negra com modelo inovador

Segundo o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), a unidade industrial será instalada em Ponta Negra, nas proximidades da RJ-106. O empreendimento seguirá o formato de Parceria Público, Privada e Popular (PPPP), um modelo que reúne governo, iniciativa privada e organizações populares, como cooperativas.

Na prática, os tratores fabricados serão direcionados principalmente a pequenas e médias propriedades rurais, atendendo agricultores familiares que hoje dependem de equipamentos considerados defasados.

Projeto prevê geração de empregos e arrecadação de impostos

De acordo com a prefeitura, a fábrica deve gerar empregos diretos e indiretos, além de ampliar a arrecadação municipal por meio de impostos. A expectativa é que os equipamentos produzidos contribuam para modernizar o campo e aumentar a produtividade agrícola em diferentes regiões do país.

Para Quaquá, o projeto representa um uso estratégico dos recursos do petróleo. “Essa fábrica transforma o dinheiro do petróleo em uma indústria que vai revolucionar a agricultura familiar, gerar empregos qualificados em Maricá e fortalecer a produção de alimentos no Brasil”, afirmou o prefeito.

MST destaca caráter histórico da parceria com a China

Apesar da expectativa da população, ainda não há prazo definido para o início das obras. Mesmo assim, o anúncio já é tratado como um marco por lideranças do setor rural. Para João Pedro Stédile, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a iniciativa inaugura um arranjo societário inédito no país.

Segundo ele, trata-se de um modelo que combina investimento chinês, participação estatal e organização popular. “É uma parceria que desenvolve o país e resolve um problema concreto da agricultura que realmente produz alimentos. É um dia histórico para o Brasil”, declarou.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Matheus Alter

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Economia

Xi Jinping defende renminbi como moeda de reserva global e reforça ambição da China no sistema monetário

Declarações do presidente chinês detalham os pilares de uma “moeda poderosa” em um momento de questionamento da hegemonia do dólar e reconfiguração da ordem financeira internacional

A China deu mais um sinal claro de que pretende ampliar o papel do renminbi (yuan) no sistema monetário global. O presidente Xi Jinping defendeu que a moeda chinesa alcance o status de moeda de reserva internacional, com uso amplo no comércio, nos investimentos e nos mercados de câmbio. Trata-se da manifestação mais direta até agora sobre a ambição chinesa de disputar espaço com moedas tradicionais, como o dólar e o euro.

As declarações foram publicadas pela revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, e repercutidas pelo Financial Times. Embora o texto tenha origem em um discurso feito em 2024 a autoridades regionais, sua divulgação agora é interpretada como um sinal político de que a agenda monetária ganhou prioridade estratégica.

Os pilares da “moeda poderosa” defendida por Pequim

No comentário divulgado, Xi Jinping afirma que a China precisa construir uma moeda capaz de sustentar maior presença internacional. Para isso, aponta uma série de fundamentos considerados essenciais.

Entre eles estão a existência de um banco central forte, com capacidade de gestão monetária eficiente; instituições financeiras competitivas em escala global; e centros financeiros internacionais capazes de atrair capital estrangeiro e influenciar a formação de preços no mercado mundial.

Ao detalhar esses elementos, o líder chinês deixa claro que a internacionalização do renminbi vai além da ampliação do comércio exterior. O projeto envolve credibilidade institucional, profundidade de mercado, liquidez, segurança jurídica e capacidade de precificação — características historicamente associadas à consolidação do dólar como moeda dominante.

Dólar pressionado e avanço da lógica multipolar

A divulgação do posicionamento de Xi ocorre em um contexto de maior incerteza no cenário financeiro internacional. Um dólar mais fraco, mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos e o aumento das tensões geopolíticas têm levado bancos centrais a reavaliar sua exposição a ativos denominados na moeda americana.

Segundo o Financial Times, esse ambiente abre espaço para que Pequim acelere sua estratégia. Para Kelvin Lam, economista sênior da Pantheon Macroeconomics, a ênfase no renminbi reflete “rupturas recentes na ordem global” e uma percepção mais aguda, por parte da China, de que o sistema internacional passa por transformação.

Esse diagnóstico é compartilhado por autoridades chinesas. O presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, já havia afirmado que o mundo caminha para um sistema monetário internacional multipolar, no qual o renminbi competiria com outras moedas relevantes.

Mais presença no comércio, pouca relevância nas reservas

Apesar dos avanços, a presença do renminbi nas reservas internacionais ainda é limitada. A moeda chinesa ganhou espaço nos pagamentos e no financiamento do comércio, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, tornando-se a segunda mais utilizada nessa modalidade.

No entanto, quando o indicador é reserva oficial, o cenário muda. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que, no terceiro trimestre de 2025, o dólar ainda respondia por cerca de 57% das reservas globais, enquanto o euro representava aproximadamente 20%. O renminbi ocupava apenas a sexta posição, com participação de 1,93%.

A diferença revela que a internacionalização da moeda chinesa avança em ritmos distintos. No comércio, acordos bilaterais e redes de parceiros impulsionam o uso. Já nas reservas, a decisão dos bancos centrais é mais conservadora e depende de fatores como convertibilidade plena, abertura da conta de capital e previsibilidade institucional.

Reformas sensíveis e limites do modelo chinês

Analistas ouvidos pelo Financial Times ressaltam que a ampliação do papel do renminbi como moeda de reserva exigiria reformas profundas, incluindo maior abertura financeira e liberdade de fluxos de capital. Essas mudanças, no entanto, entram em tensão com o modelo chinês, que mantém forte controle estatal sobre o sistema financeiro.

Além disso, parceiros comerciais pressionam a China por uma valorização maior da moeda. O argumento é que o renminbi estaria subvalorizado, favorecendo exportações e contribuindo para um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão no ano passado.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, chegou a pedir correções nos “desequilíbrios” da economia chinesa, citando deflação e uma depreciação real da taxa de câmbio. Pequim, por sua vez, nega o uso do câmbio como instrumento de vantagem comercial. O vice-presidente do banco central, Zou Lan, afirmou recentemente que não há intenção de enfraquecer a moeda com esse objetivo.

Estabilidade cambial e disputa de narrativas

Apesar do discurso de projeção global, a política cambial chinesa segue orientada pela estabilidade. Autoridades têm sinalizado tolerância a uma apreciação moderada do renminbi, mas mantêm como prioridade a preservação de seu papel como reserva de valor.

Para Kelvin Lam, o conceito de “moeda forte” defendido por Pequim pode significar mais controle e menos volatilidade, e não necessariamente liberalização total — o que difere das exigências tradicionais de uma moeda de reserva global.

Ainda assim, há visões mais otimistas. Zhang Jun, economista-chefe da China Galaxy Securities, avalia que a retomada do crescimento doméstico e os investimentos em tecnologia emergente podem sustentar uma valorização gradual do renminbi no longo prazo.

Impactos para investidores e para a ordem financeira global

Embora as declarações de Xi não indiquem uma mudança imediata nos mercados, elas reforçam uma direção estratégica. Para Han Shen Lin, diretor para China do The Asia Group, o objetivo não é substituir o dólar rapidamente, mas posicionar o yuan como um contrapeso relevante em uma ordem financeira cada vez mais fragmentada.

Nesse sentido, a tentativa de elevar o renminbi ao status de moeda de reserva deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla de soberania financeira e redistribuição de poder global. O ritmo dessa transição dependerá de até que ponto Pequim estará disposta a promover reformas que aumentem a confiança externa sem abrir mão do controle interno — um dilema central para o futuro do sistema monetário internacional.

Fonte: BRASIL 247, com informações do Financial Times e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO CNN / PIXABAY

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