Comércio Exterior

Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar economia, agro e indústria, afirma Alckmin

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu o avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia como uma oportunidade estratégica para o Brasil. A avaliação foi feita durante reunião realizada nesta quarta-feira (11/2) com os senadores Nelsinho Trad (PSD/MS) e Tereza Cristina (PP/MS), com foco no alinhamento entre Executivo e Legislativo para acelerar a tramitação no Congresso Nacional.

O encontro também contou com a participação da secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, e serviu para definir estratégias do Grupo de Trabalho da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, responsável por acompanhar a implementação do acordo.

Maior acordo entre blocos do mundo

Durante a reunião, Alckmin ressaltou a dimensão econômica do tratado, considerado o maior acordo comercial já firmado entre blocos econômicos. Segundo ele, o pacto envolve um mercado de US$ 22 trilhões e cerca de 720 milhões de consumidores, ampliando significativamente o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

Para o vice-presidente, o acordo tem potencial extraordinário para economia, agropecuária, indústria e serviços, além de favorecer a atração de investimentos e a geração de emprego e renda no país.

Desgravação tarifária será gradual

Alckmin destacou que o texto prevê cronogramas graduais de redução de tarifas, o que permite a adaptação dos setores produtivos nacionais. Em grande parte dos casos, a eliminação do imposto de importação ocorrerá ao longo de dez anos, podendo chegar a 18 anos em segmentos mais sensíveis, como o de veículos eletrificados.

Segundo o ministro, o acordo também incorpora mecanismos de salvaguarda, que poderão ser acionados para proteger setores estratégicos diante de eventuais desequilíbrios.

Instrumentos de proteção aos setores produtivos

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o tratado inclui uma série de instrumentos para mitigar riscos durante a implementação. Entre eles estão o capítulo de salvaguardas bilaterais, regras de defesa comercial como antidumping e medidas compensatórias, salvaguardas específicas para o setor automotivo, além de mecanismos de reequilíbrio de concessões e de solução de controvérsias.

O longo período de transição foi negociado levando em conta as sensibilidades tanto do agronegócio quanto da indústria brasileira.

Parlamentares destacam atenção a setores sensíveis

A senadora Tereza Cristina avaliou que o acordo representa um avanço estrutural para o país e fortalece a inserção internacional do agronegócio, mas alertou para a necessidade de atenção a segmentos mais vulneráveis no curto prazo.

Já o senador Nelsinho Trad explicou que o texto do acordo não pode ser alterado pelo Congresso, cabendo aos parlamentares apenas a aprovação ou rejeição. Por isso, segundo ele, foi criado um grupo de trabalho técnico para acompanhar a fase de implementação e antecipar eventuais pontos sensíveis.

A iniciativa, de acordo com o senador, busca garantir segurança jurídica, equilíbrio institucional e apoio técnico durante todo o processo.

Grupo de Trabalho da CRE acompanha implementação

No Senado Federal, o acordo é analisado por um Grupo de Trabalho da Comissão de Relações Exteriores, presidida por Nelsinho Trad. O colegiado avalia os 23 capítulos e anexos do tratado, com foco nos impactos regulatórios, prazos de desgravação e cláusulas de segurança, como a de standstill, que impede a elevação de tarifas acima do nível acordado.

Os participantes da reunião destacaram que a coordenação entre governo federal e Congresso será decisiva para garantir que o acordo avance com responsabilidade e maximize os benefícios para o Brasil.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Portos

Porto de Paranaguá inaugura modelo inédito de concessão do canal de acesso no Brasil

O Porto de Paranaguá será o primeiro do país a operar com a concessão de um canal de acesso público, iniciativa inédita no setor portuário brasileiro. A autorização para início do processo foi formalizada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, marcando um novo capítulo na gestão da infraestrutura portuária nacional.

Contrato prevê investimentos bilionários e longo prazo

Pelo projeto, a empresa vencedora da licitação ficará responsável pela gestão do canal de acesso por um prazo inicial de 25 anos, com possibilidade de extensão que pode chegar a 70 anos. A estimativa é de que os investimentos superem R$ 1 bilhão, direcionados à modernização do canal, aumento da capacidade operacional e reforço da segurança da navegação.

Leilão deve ocorrer no primeiro semestre de 2025

A expectativa do governo federal é realizar a concessão ainda no primeiro semestre de 2025. De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o projeto já foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e deve servir como referência para futuras concessões em outros portos estratégicos do país. Entre os próximos alvos estão os canais de acesso dos portos de Santos e Itajaí.

Capacidade operacional pode dobrar com novas obras

Com as intervenções previstas, a capacidade operacional do Porto de Paranaguá poderá ser duplicada. O terminal é um dos principais hubs logísticos do Brasil, com forte atuação no escoamento da produção agrícola. Para 2024, a projeção é de 67 milhões de toneladas movimentadas, o maior volume já registrado pelos portos paranaenses.

Porto é estratégico para o agronegócio brasileiro

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, destacou a importância de Paranaguá para o agronegócio. O porto lidera a movimentação do complexo soja e responde por cerca de 25% das importações de fertilizantes do país, concentrando aproximadamente um terço do volume descarregado no Brasil.

Novo bloco de licitações amplia oportunidades no porto

Durante o mesmo evento, o ministro assinou o edital do primeiro bloco de licitações do Porto de Paranaguá, previsto para 2025. Serão ofertadas cinco áreas portuárias — PAR14, PAR15, RDJ10, RDJ11 e MCP01 — voltadas à movimentação e armazenagem de granéis sólidos e vegetais. O leilão está programado para fevereiro.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Internacional

Acordo Mercosul-UE avança no Congresso e entra na pauta de comissão da Câmara

O acordo Mercosul-União Europeia deu o primeiro passo no Congresso Nacional e pode ser analisado nesta terça-feira (10) por uma comissão da Câmara dos Deputados. O tratado está na pauta do colegiado responsável por representar o Brasil no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

A expectativa entre parlamentares é de uma votação sem grandes debates, abrindo caminho para que o texto avance às próximas etapas de tramitação. A apreciação em plenário, no entanto, deve ocorrer apenas após o Carnaval.

Relatório defende aprovação do tratado

O parecer em análise foi elaborado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da comissão, e recomenda que o Congresso aprove o acordo firmado entre os dois blocos econômicos. O posicionamento foi apresentado pelo parlamentar durante reunião com líderes partidários da Câmara, realizada na segunda-feira (9).

Segundo Chinaglia, os deputados não poderão alterar o conteúdo do tratado, já negociado entre o Mercosul e a União Europeia, cabendo ao Legislativo apenas aprovar ou rejeitar o texto. A votação pode ser adiada caso algum parlamentar apresente pedido de vista, o que ampliaria o prazo de análise.

Apoio político e do agronegócio

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que a aprovação do acordo é provável. O tratado reúne apoio de parlamentares de diferentes correntes políticas e conta com respaldo expressivo do agronegócio, setor que vê no acordo uma oportunidade de ampliação de mercados.

Em entrevista, Arlindo Chinaglia afirmou que o tratado tende a impulsionar a economia brasileira ao ampliar as trocas comerciais e reduzir tarifas. Segundo ele, o acordo elimina 95% das tarifas sobre produtos importados pela União Europeia, o que pode resultar em mais investimentos e geração de empregos no país.

“O acordo garante acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores e a um PIB superior a US$ 22 trilhões, o que significa mais exportações, mais investimentos e mais postos de trabalho no Brasil”, afirmou o deputado.

Tramitação e próximos passos

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE foi oficialmente assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e reforça as relações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

Para entrar em vigor, o documento precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países do Mercosul. No Brasil, a tramitação começa pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, segue para o Senado Federal.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040.

Principais pontos do acordo Mercosul-UE

Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte de bens e serviços
  • Mercosul: tarifa zero para 91% dos produtos europeus em até 15 anos
  • União Europeia: eliminação de tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul

Impacto imediato para a indústria

  • Tarifa zero para produtos industriais como máquinas e equipamentos

Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Preferência para empresas do Mercosul
  • Mais previsibilidade e redução de barreiras técnicas

Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados não podem estar ligados a desmatamento ilegal
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de descumprimento do Acordo de Paris

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Negócios

Aurora Coop anuncia investimento de R$ 1,1 bilhão em 2026 com foco em suínos

Após enfrentar um ano desafiador em 2025, a Aurora Coop inicia 2026 ampliando seus planos de crescimento. A cooperativa prevê investir R$ 1,1 bilhão neste ano, com prioridade para a expansão da cadeia de suínos, segmento que deve concentrar a maior parte dos recursos.

Suínos lideram estratégia de expansão da cooperativa

Mesmo diante das adversidades do último ano, a Aurora encerrou 2025 com sobras de R$ 1,2 bilhão, avanço de 43,5% em relação ao exercício anterior. O resultado fortaleceu a decisão de intensificar os aportes no segmento de proteína suína, impulsionado pelo bom desempenho do consumo doméstico.

Segundo o presidente da cooperativa, Neivor Canton, a principal unidade a receber investimentos será a de São Miguel do Oeste (SC). Atualmente com capacidade para abater 2 mil suínos por dia, a planta passará a processar 5 mil animais diariamente até o segundo semestre de 2027, quando a ampliação será concluída.

“O mercado interno tem absorvido cada vez mais a proteína suína, e acreditamos que ainda há espaço para crescer”, afirmou Canton. Em contrapartida, ele destaca cautela no segmento de aves, que enfrenta excesso de oferta.

Investimentos mantêm ritmo após aportes em 2025

Em 2025, a cooperativa já havia investido R$ 885 milhões, direcionados principalmente à ampliação de fábricas em diferentes áreas. Além de suínos e aves, a Aurora atua nos segmentos de lácteos, massas, pescados, vegetais e, em menor escala, bovinos.

Mesmo com dificuldades no mercado avícola, a receita operacional bruta cresceu 8,3% no ano passado, alcançando R$ 26,9 bilhões, conforme balanço financeiro divulgado pela companhia.

Gripe aviária impactou exportações de frango

O desempenho limitado das aves em 2025 foi reflexo direto da suspensão temporária das exportações de frango para mercados estratégicos, como China e União Europeia. As restrições ocorreram após a confirmação de um foco de influenza aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, entre maio e junho.

“O ano teve dois momentos bem distintos. Até a gripe aviária, o desempenho era muito positivo. Depois, foi preciso administrar estoques elevados e gargalos operacionais”, relembrou Canton.

Com a retomada gradual das compras externas, o cenário voltou a apresentar sinais mais favoráveis, reforçado também pela boa resposta do mercado interno.

Mercado doméstico sustenta crescimento das vendas

As vendas da Aurora no Brasil avançaram 13,5% em 2025, somando R$ 15,6 bilhões. O destaque ficou para os segmentos de suínos, com faturamento de R$ 9,4 bilhões, e aves, que alcançaram R$ 3,3 bilhões. Ambos registraram crescimento superior a 14%.

Já as exportações totalizaram R$ 9,1 bilhões, alta de 2,2%. As carnes suínas responderam por R$ 4,3 bilhões, avanço de 7,6%, enquanto o faturamento com aves recuou 2,4%, para R$ 4,8 bilhões.

Produção cresce e expectativa para 2026 é positiva

Na produção industrial, os números também foram positivos. As oito plantas de suínos da Aurora abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, crescimento de 2,6%. Já as nove unidades de aves processaram 347,9 milhões de frangos, leve alta de 1,4%.

Para 2026, a expectativa é de um cenário mais favorável no mercado externo, desde que não haja novos entraves sanitários. “Se não surgirem novos problemas, o próximo ano tende a ser bastante promissor”, avaliou Canton.

Custos pressionam margens e cooperativa avalia reajustes

Apesar do otimismo, a cooperativa acompanha de perto o avanço dos custos de produção. Gastos com grãos para ração, energia, embalagens e mão de obra têm pressionado as margens, o que pode levar a reajustes nos preços dos produtos.

Em relação ao emprego, a Aurora criou 3.591 novas vagas em 2025 e superou a marca de 50 mil colaboradores. Segundo Canton, cerca de dois terços da força de trabalho é formada por estrangeiros, diante da dificuldade de encontrar mão de obra disponível no setor.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Exportação

ApexBrasil abre atendimento em Cuiabá e fortalece exportações de Mato Grosso

A ApexBrasil iniciou oficialmente os atendimentos presenciais em Cuiabá, ampliando o suporte a produtores rurais, cooperativas e empresários interessados em acessar o mercado global. O balcão funciona no AgriHub, dentro da sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), e oferece orientação direta para quem busca exportar produtos brasileiros.

A proposta é reduzir a distância entre o setor produtivo local e compradores estrangeiros, com apoio técnico voltado à internacionalização de empresas, cumprimento de exigências sanitárias e obtenção de certificações necessárias para o comércio exterior.

Suporte técnico e acesso a feiras e rodadas de negócios

Diferentemente do atendimento remoto, a presença física permite respostas mais rápidas e personalizadas. A equipe da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos atua na preparação de empresas para feiras internacionais, rodadas de negócios e ações de promoção comercial, além de facilitar o contato com adidos agrícolas do Ministério da Agricultura em outros países.

O foco inicial está em pequenos e médios produtores, que antes precisavam recorrer a Brasília para acessar esse tipo de suporte. Com a nova estrutura, passam a contar com inteligência de mercado e ferramentas estratégicas diretamente na capital mato-grossense.

“Estamos prontos para apoiar os setores produtivos do estado e ampliar a presença do Mato Grosso no comércio internacional”, afirma Jurandy Júnior, representante regional da ApexBrasil.

Inauguração reúne lideranças do agro e investidores

O escritório físico foi inaugurado em 24 de novembro, durante uma agenda que reuniu mais de 50 adidos agrícolas, além de lideranças do agronegócio e empresários interessados em ampliar a inserção internacional de produtos mato-grossenses.

Investimentos em cadeias produtivas estratégicas

Com o início das atividades, a agência passa a administrar um aporte de R$ 42,62 milhões voltado a cadeias consideradas estratégicas. Os recursos serão aplicados em estudos de mercado, ações de imagem e campanhas internacionais para setores como algodão, etanol de milho e feijões, ampliando a visibilidade do estado no exterior.

A atuação vai além das commodities tradicionais. A equipe técnica também identifica oportunidades para produtos de maior valor agregado, como mel, cafés especiais e manejo florestal, segmento que gerou expectativas de negócios acima de R$ 30 milhões em 2024.

“A ApexBrasil trabalha com mais de 55 setores econômicos no país. Nosso objetivo é diversificar a base exportadora e atrair novos investimentos para Mato Grosso”, destaca Jurandy Júnior.

Parceria institucional acelera acesso ao comércio exterior

Para o setor produtivo, a presença local representa ganho de eficiência. O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, avalia que o escritório elimina barreiras geográficas. “Os produtores passam a ter acesso direto a ferramentas que antes estavam concentradas em Brasília, aproximando o agro mato-grossense das oportunidades globais”, afirma.

Vinculada ao Governo Federal, a ApexBrasil em Mato Grosso atua em parceria com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento. A integração permite que Cuiabá funcione como um centro de inteligência comercial, usando dados atualizados para identificar mercados e acelerar a entrada de produtos locais no comércio exterior.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sistema Famato/Divulgação

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia deve beneficiar mais estados eficientes, aponta estudo

Estados com gestão pública mais eficiente, maior desenvolvimento econômico e instituições mais estáveis, conhecidos como “jaguares brasileiros”, devem colher os maiores ganhos com o acordo Mercosul–União Europeia, mesmo tendo participação menor do bloco europeu em suas exportações totais. A avaliação é de um estudo da Futura Inteligência, ligada à Apex Partners.

A expressão faz referência aos “tigres asiáticos” e engloba, no Brasil, estados que apresentam IDH elevado, ambiente institucional sólido e capacidade administrativa acima da média.

Quais estados integram o grupo

Segundo a Apex, são classificados como jaguares brasileiros os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em grau menor.

Em 2025, esses estados destinaram 12,9% de suas exportações à União Europeia, abaixo da média nacional, que foi de 14,3%. Ainda assim, o impacto do acordo tende a ser mais expressivo nessas economias.

Agronegócio impulsiona ganhos

O principal fator está no perfil da pauta exportadora. Os jaguares concentram maior participação de commodities e produtos do agronegócio, segmentos mais beneficiados pela redução tarifária prevista no acordo.

De acordo com a Apex, o agronegócio representa 67,4% do valor exportado à UE pelos jaguares, contra 23,8% nos demais estados brasileiros.

Produtos que devem ganhar competitividade

Entre os principais itens atualmente taxados exportados pelos jaguares para a UE estão:

  • Café não torrado (US$ 6,2 bilhões)
  • Farelo de soja e rações animais (US$ 3,2 bilhões)
  • Tabaco (US$ 1,1 bilhão)

As tarifas médias são de 4,2%, 1,6% e 5,6%, respectivamente. Pelo acordo, o café deve ter tarifas eliminadas de forma imediata, enquanto farelo de soja e tabaco passarão por redução gradual.

Centro-Oeste e Sul lideram potencial de ganhos

Estudo do FGV Ibre reforça que o Centro-Oeste é a região com maior potencial de ganho, devido à produção de carnes e soja. O levantamento também aponta ganhos líquidos claros para o Sul, forte em proteínas animais, tabaco e alimentos processados — regiões que concentram estados classificados como jaguares.

O Nordeste também aparece como beneficiário potencial, especialmente na exportação de frutas tropicais, mel, açúcar e derivados.

Desafios regionais e infraestrutura

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, o Nordeste importa pouco da UE, o que reduz riscos de concorrência externa. Por outro lado, enfrenta desafios estruturais, como infraestrutura logística, capital humano e capacidade de inserção internacional.

No Norte, embora haja potencial em produtos ligados à Amazônia, o avanço do acordo pode esbarrar em barreiras sanitárias e fitossanitárias. Já o Centro-Oeste, afirma Ataliba, precisará alinhar produção às exigências de rastreabilidade e agenda ambiental.

Vantagem logística dos jaguares

Outro diferencial dos estados mais eficientes é a infraestrutura logística já instalada. Estados como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina possuem portos, estradas e sistemas de escoamento capazes de absorver o aumento das exportações.

Para Orlando Caliman, diretor econômico da Apex Partners, os benefícios do acordo podem alcançar também pequenos produtores, especialmente em estados com propriedades rurais menores e produção já certificada, como café, frutas, aves e gengibre.

Impacto macroeconômico

Em 2025, a União Europeia respondeu por US$ 49,8 bilhões das exportações brasileiras e US$ 50,3 bilhões das importações. A Apex projeta crescimento de cerca de 3% no comércio bilateral até 2040.

Estudo do Ipea estima que o acordo pode elevar o PIB do Brasil em 0,46% até 2040, percentual superior ao da própria UE (0,1%) e dos demais países do Mercosul (0,2%).

Salvaguardas e cautela

A Apex alerta que cláusulas de salvaguarda podem reduzir parte dos ganhos, sobretudo para estados como Paraná e Santa Catarina, grandes exportadores de carnes incluídas em quotas de proteção.

Relatório do Bradesco avalia que o acordo melhora margens e valor para proteínas brasileiras, mas deve ter impacto limitado em volume exportado.

Trâmite político ainda leva tempo

Assinado formalmente em janeiro, após mais de duas décadas de negociações, o acordo ainda depende de aprovação legislativa. No Brasil, o texto já foi enviado ao Congresso, com expectativa de votação após o Carnaval. Na Europa, resistências lideradas por França e Polônia ainda representam entraves.

“Não acredito em efeitos concretos em menos de um ano e meio”, avalia Caliman.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Infraestrutura portuária impulsiona exportações e consolida Brasil como líder global da carne bovina em 2025

O Brasil encerrou 2025 consolidado como o maior produtor e exportador mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos e alcançando um marco histórico para o agronegócio nacional. O resultado foi sustentado pela eficiência da infraestrutura portuária, que respondeu ao aumento da produção com agilidade logística e capacidade operacional.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o país exportou 3,45 milhões de toneladas de carne bovina ao longo do ano, crescimento de 20,9% em relação a 2024.

Receita recorde e integração logística

O desempenho nas exportações gerou uma receita histórica de US$ 18 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 95 bilhões, representando um avanço de 39,31% frente aos US$ 12,8 bilhões registrados no ano anterior. O resultado reflete a integração entre o aumento da produtividade no campo e os investimentos na modernização dos portos brasileiros.

Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais lideraram a produção, enquanto os terminais portuários garantiram o escoamento da carne bovina para mais de 170 países. Entre os principais destinos estão mercados de alta exigência sanitária, como China e União Europeia.

Portos ganham protagonismo no escoamento da proteína

A estrutura portuária foi decisiva para absorver o crescimento da demanda internacional. O Porto de Santos (SP) manteve a liderança nacional e movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina em 2025, alta de 13,3% em comparação com o ano anterior.

O Porto de Paranaguá (PR) se destacou como o principal corredor de exportação de proteína animal congelada do país. O terminal registrou crescimento expressivo de 46,5% na movimentação de carne bovina, totalizando 1,2 milhão de toneladas no período.

Já o Porto de São Francisco do Sul (SC) consolidou-se como a terceira principal rota logística do setor, com aumento de 20% nos embarques e volume total de 180 mil toneladas.

Infraestrutura como diferencial competitivo

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os números confirmam que a infraestrutura logística se tornou um diferencial estratégico para o país. Segundo ele, o papel dos portos foi garantir que o crescimento da produção não encontrasse gargalos no escoamento.

“O agronegócio brasileiro bateu recordes de produção, e nosso desafio foi assegurar que essa mercadoria chegasse ao mercado internacional com eficiência. O desempenho de portos como Santos e Paranaguá mostra que o Brasil está preparado para sustentar o crescimento econômico”, afirmou o ministro.

Logística eficiente fortalece competitividade internacional

Além de sustentar o aumento do volume exportado, a eficiência logística também ajudou o setor a enfrentar desafios externos, como o avanço de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A redução de custos operacionais e a agilidade nos embarques contribuíram para preservar a competitividade da carne bovina brasileira, além de viabilizar a ampliação das exportações para novos mercados na Ásia e no mundo árabe.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos / MDIC / Abiec

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: DIVULGAÇÃO MPOR

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Comércio Exterior

Balança comercial registra segundo maior superávit de janeiro

A balança comercial brasileira atingiu em janeiro o segundo maior superávit para o mês desde o início da série histórica, impulsionada pela queda das importações, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O saldo positivo foi de US$ 4,342 bilhões, um aumento de 85,8% em relação aos US$ 2,337 bilhões registrados em janeiro de 2025.

Exportações e importações em janeiro

Apesar do crescimento do superávit, o valor das exportações apresentou leve queda de 1%, somando US$ 25,153 bilhões, enquanto as importações caíram 9,8%, totalizando US$ 20,810 bilhões. O resultado só fica atrás do superávit de janeiro de 2024, que alcançou US$ 6,196 bilhões.

O desempenho das exportações é o terceiro melhor janeiro desde 1989, enquanto as importações registraram o segundo maior valor histórico para o mês, perdendo apenas para janeiro do ano passado.

Desempenho por setores

O saldo comercial varia entre os setores da economia:

  • Agropecuária: crescimento de 2,1%, com queda de 3,4% no volume e alta de 5,3% no preço médio;
  • Indústria extrativa: queda de 3,4%, com aumento de 6,2% no volume e recuo de 9,1% no preço médio;
  • Indústria de transformação: queda de 0,5%, com leve recuo no volume (-0,6%) e no preço médio (-0,1%).

Principais produtos que impactaram o resultado

Entre os produtos que reduziram as exportações estão:

  • Agropecuária: café não torrado (-23,7%), algodão bruto (-31,2%) e trigo e centeio não moídos (-33,6%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-7,8%) e minério de ferro (-8,6%);
  • Indústria de transformação: óxido de alumínio (-54,6%), açúcares e melaços (-27,2%) e tabaco (-50,4%).

Por outro lado, o agronegócio teve crescimento nas exportações de soja (91,7%) e milho não moído (18,8%), devido à antecipação de embarques. A queda nas vendas de petróleo bruto chegou a US$ 364,6 milhões, influenciada por manutenções programadas de plataformas.

Queda das importações

A diminuição das importações está ligada à desaceleração econômica e à queda na demanda por petróleo, devido à redução de investimentos. Entre os principais produtos importados em queda estão:

  • Agropecuária: cacau bruto ou torrado (-86,3%) e trigo e centeio não moídos (-35,5%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-49,8%) e gás natural (-15,8%);
  • Indústria de transformação: motores e máquinas não elétricos (-66,8%), óleos combustíveis de petróleo (-17,5%) e partes de veículos (-20,4%).

Projeções para 2026

O MDIC projeta que o superávit comercial de 2026 fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. Novas estimativas detalhadas serão divulgadas em abril.

Para efeito de comparação, a balança comercial registrou superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, enquanto o recorde histórico foi de US$ 98,9 bilhões em 2023. As projeções oficiais estão acima das estimativas do Boletim Focus, que prevê superávit de US$ 67,65 bilhões para 2026.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

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Comércio

Brasil busca ampliar e diversificar comércio e investimentos com a Rússia

A VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN) discutiu nesta quinta-feira (5/2), em Brasília, a agenda de comércio, investimentos e cooperação econômica entre Brasil e Rússia. O evento foi copresidido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin.

Potencial econômico bilateral

Na abertura da reunião, Alckmin destacou o potencial estrutural das duas economias. Segundo ele, Brasil e Rússia possuem bases produtivas amplas, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes, fatores que podem impulsionar a expansão e diversificação da cooperação econômica e comercial.

“Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa parceria econômica e comercial”, afirmou o vice-presidente.

Prioridades estratégicas da CAN

Durante o encontro, foram apontadas as áreas estratégicas para o desenvolvimento conjunto: cooperação industrial, fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. Alckmin reforçou a importância de promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica em todos esses setores.

O vice-presidente ainda contextualizou a relação bilateral dentro da política de modernização produtiva do Brasil, destacando a aposta em uma indústria mais verde, digital e conectada às cadeias globais de valor.

Fluxo comercial em 2025

A comissão é a principal instância de coordenação intergovernamental entre os países e orienta iniciativas para ampliar negócios, estimular investimentos produtivos e consolidar parcerias estratégicas. Em 2025, o comércio bilateral Brasil-Rússia atingiu US$ 10,9 bilhões, sendo US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações.

Visão russa sobre a parceria

O primeiro-ministro Mikhail Mishustin ressaltou a evolução positiva da cooperação econômica e a implementação de novos projetos conjuntos. “Estamos interagindo ativamente na área comercial e econômica, com iniciativas que beneficiam diferentes setores”, disse.

Mishustin ainda destacou a relevância do Brasil para o comércio exterior russo, apontando que o país concentra metade do volume comercial da Rússia na América Latina e se destaca como fornecedor de produtos alimentares, como carne e café. Segundo ele, a parceria contribui para a segurança alimentar global.

Declaração conjunta fortalece cooperação

Ao final da reunião, os líderes assinaram uma declaração conjunta confirmando o compromisso de continuar a parceria, ampliando projetos de cooperação em áreas de interesse estratégico para ambos os países. As autoridades avaliaram positivamente o diálogo político bilateral e destacaram a importância do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin, realizado em Moscou em 9 de maio de 2025.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Agronegócio

Produção de gergelim cresce 17% em Mato Grosso e ganha força como alternativa ao milho

A cultura do gergelim em Mato Grosso vem se firmando como uma das principais apostas da segunda safra no Estado. Na temporada 2024/2025, a produção avançou 17,3%, passando de 246,1 mil para 288,9 mil toneladas, consolidando-se como opção estratégica logo após a soja, atrás apenas do milho.

O crescimento não ocorreu apenas pela expansão de área, mas principalmente pelo ganho de eficiência no campo. A produtividade agrícola saltou de 579 quilos por hectare para 720 quilos por hectare, indicando maior domínio técnico da cultura pelos produtores.

Produtor busca culturas mais adaptadas ao clima

O avanço do gergelim reflete uma mudança no planejamento agrícola. Com janelas climáticas mais curtas e maior risco de estiagem, produtores têm buscado culturas mais resistentes. O plantio do gergelim ocorre entre fevereiro e março, logo após a colheita da soja, com ciclo médio de 120 dias, o que favorece sua inserção no calendário agrícola.

Essa adaptação tem sido especialmente relevante em regiões onde as chuvas costumam cessar mais cedo, reduzindo a segurança do milho de segunda safra.

Exportações impulsionam a expansão da cultura

O principal motor do crescimento está no mercado externo. Atualmente, cerca de 99% do gergelim produzido em Mato Grosso é exportado, com destaque para a Ásia. A recente abertura do mercado chinês ao produto brasileiro ampliou a demanda e acelerou investimentos em certificações, pesquisa e melhoramento genético.

Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a entrada da China no rol de compradores foi decisiva para o avanço da cultura. De acordo com ele, mais de 20 empresas já foram credenciadas no Estado, estimulando novos aportes no setor.

Gergelim substitui milho em áreas de maior risco climático

Em regiões como o Vale do Araguaia, onde a estiagem costuma chegar mais cedo, o gergelim tem se mostrado uma alternativa mais segura ao milho. Nessas áreas, o cereal enfrenta maior risco de perdas por falta de chuva, enquanto o gergelim apresenta melhor desempenho agronômico e rentabilidade.

Outro fator que favorece a adoção da cultura é a redução de custos operacionais. Produtores têm conseguido adaptar a mesma colheitadeira utilizada na soja para a colheita do gergelim, o que facilita a transição e diminui a necessidade de novos investimentos em máquinas.

Expectativas para a safra 2025/2026

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com gergelim pode alcançar 400 mil hectares na safra 2025/2026. O desafio, segundo especialistas, passa agora pela escolha das variedades mais adequadas ao mercado.

Enquanto a variedade K3, voltada à produção de óleo, é a mais comum no Estado, o mercado asiático paga prêmios maiores pela K2, conhecida como variedade doce. Na China, por exemplo, o consumo de óleo de gergelim supera o de óleo de soja, o que amplia o potencial de demanda pelo produto brasileiro.

O governo estadual aposta ainda na verticalização da produção, com estímulo à industrialização e à abertura de novos mercados. A Zona de Processamento de Exportação é vista como um dos instrumentos para atrair investimentos e manter o ritmo de crescimento da cultura no Estado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

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