Internacional

Travessia Shenzhen Zhongshan: túnel subaquático de 6,8 km consolida a China como referência em engenharia marítima

A China vem transformando o transporte em regiões costeiras com obras de grande escala no fundo do mar. Um dos exemplos mais recentes é a travessia Shenzhen Zhongshan, que completa um ano de operação somando mais de 31,5 milhões de viagens. O sistema integra túnel subaquático, pontes e ilhas artificiais, reduzindo distâncias e ampliando a eficiência logística no sul do país.

Túneis submarinos mudam a mobilidade em baías e estuários

Dirigir sob o mar deixou de ser algo excepcional em áreas estratégicas chinesas. Nos últimos anos, o país colocou em funcionamento travessias que combinam túneis submersos com mais de 5 km, pontes estaiadas e acessos artificiais, criando rotas menos vulneráveis a condições climáticas, marés e tráfego marítimo intenso.

Essas soluções passaram a ser adotadas principalmente em regiões densamente povoadas, onde estuários e baías antes representavam gargalos à mobilidade urbana e ao transporte de cargas.

Hong Kong–Zhuhai–Macau abriu caminho para obras de grande porte

Inaugurado em outubro de 2018, o sistema Hong Kong Zhuhai Macau tornou-se um marco da engenharia subaquática. A estrutura inclui um túnel imerso de aproximadamente 6,7 km, formado por 33 elementos pré-fabricados, cada um com cerca de 180 metros de comprimento.

A escolha pelo túnel, em vez de uma ponte contínua, atendeu a restrições técnicas do local, como a preservação do canal de navegação e limites de altura impostos pela proximidade do aeroporto de Hong Kong.

Shenzhen Zhongshan tem um dos maiores túneis subaquáticos do mundo

Aberta ao tráfego em 30 de junho de 2024, a ligação Shenzhen Zhongshan elevou o patamar dessas obras. O projeto inclui um túnel subaquático de 6,8 km de extensão e 46 metros de largura, integrado a pontes e ilhas artificiais.

Autoridades locais classificam a estrutura como um dos maiores túneis do tipo tubo de aço e concreto já construídos, projetado para suportar alto volume de tráfego e condições marítimas complexas.

Outros exemplos incluem Qingdao e a baía de Jiaozhou

Outro caso relevante está em Qingdao, na baía de Jiaozhou. O túnel rodoviário da região entrou em operação em julho de 2011 e possui cerca de 7,8 km de extensão total, sendo quase 4 km sob área marítima. A obra é frequentemente citada em estudos técnicos sobre travessias submersas em larga escala.

Como funciona o método do túnel imerso

O túnel imerso difere da escavação tradicional. Em vez de perfurar todo o trajeto, grandes módulos são produzidos em terra, em ambiente industrial controlado. Após a conclusão, esses segmentos flutuam até o local da obra.

No fundo do mar, uma vala previamente dragada recebe os módulos, que são posicionados com equipamentos de alta precisão. A fase mais crítica é o encaixe entre os elementos, que exige controle rigoroso de alinhamento, peso e flutuabilidade.

Depois da união, sistemas de vedação estanque garantem que o túnel funcione como um único tubo contínuo. Em seguida, a estrutura é recoberta com areia e brita para proteção e estabilidade.

Geologia, vedação e monitoramento definem o sucesso do projeto

Antes da execução, são realizadas sondagens detalhadas do leito marinho, que identificam sedimentos, rochas fraturadas e o comportamento do solo sob carga. Esses dados influenciam o traçado, o método construtivo e o tipo de revestimento.

Durante a operação, túneis subaquáticos dependem de monitoramento em tempo real, inspeções periódicas e sistemas de segurança para garantir estabilidade estrutural e controle de infiltrações ao longo de décadas.

Logística impulsiona obras, mas custos e manutenção geram debate

A principal motivação para esses corredores submersos é logística. Ao encurtar distâncias entre centros urbanos e industriais, as travessias reorganizam fluxos de transporte e aumentam a produtividade regional.

Na travessia Shenzhen Zhongshan, dados oficiais indicam mais de 31,5 milhões de viagens de veículos no primeiro ano, evidenciando alta demanda desde a abertura.

Por outro lado, megaprojetos desse tipo também geram discussões sobre custos elevados, impactos ambientais e manutenção de longo prazo. Sistemas de ventilação, segurança contra incêndio e inspeções constantes tornam essas obras complexas não apenas do ponto de vista técnico, mas também de gestão pública.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Internacional

Itália defende gatilho de salvaguarda de 5% em acordo entre Mercosul e União Europeia

A Itália articula, dentro da União Europeia, a adoção de um gatilho de salvaguarda mais rigoroso no acordo comercial com o Mercosul. O governo italiano defende que o limite para acionar mecanismos de proteção ao mercado agrícola europeu seja reduzido para 5%, tanto em relação aos preços quanto ao volume de importações.

Em entrevista ao jornal econômico Il Sole 24 Ore, o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que Roma trabalha para que essa mudança conste na versão final do tratado, cuja votação no bloco europeu é considerada decisiva.

Redução do limite de preços e volume de importações

Segundo Lollobrigida, a proposta atual prevê um gatilho de 8%, mas a Itália quer avançar ainda mais. “Nossa posição é que esse percentual caia para 5%, abaixo do que está hoje e também inferior ao patamar inicial de 10%”, declarou o ministro.

O tema ganha peso político porque a posição italiana pode influenciar diretamente o resultado da votação do acordo no Conselho da União Europeia.

Parlamento Europeu já aprovou critérios mais rígidos

O Parlamento Europeu já se posicionou a favor de regras mais duras. Em dezembro, os eurodeputados aprovaram parâmetros que autorizam a Comissão Europeia a intervir quando:

  • o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 5% inferior ao praticado na União Europeia;
  • o volume de importações livres de tarifa crescer mais de 5%.

Esses critérios substituem a proposta original, que previa margens de 10% para preços e volumes.

Investigação automática em caso de desequilíbrio de mercado

Pela proposta apresentada anteriormente pela Comissão Europeia, uma investigação poderia ser aberta em três situações: diferença de preços superior a 10% entre produtos do Mercosul e da UE, aumento acima de 10% nas importações anuais com tarifas preferenciais ou queda de 10% nos preços em relação ao ano anterior. Com a decisão do Parlamento, esses gatilhos passam a ser de 5%, tornando o sistema de defesa comercial mais sensível.

Próximos passos e exigências da Itália

O Conselho da União Europeia pode aprovar o acordo, negociado desde 1999, ainda nesta semana, mesmo diante da resistência de alguns países. Caso isso ocorra, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficaria autorizada a assinar o tratado nos próximos dias.

Lollobrigida destacou que diplomatas italianos seguem realizando análises técnicas e políticas finais. A principal exigência de Roma é a garantia de reciprocidade nas normas de segurança alimentar, assegurando que produtos agrícolas importados do Mercosul cumpram os mesmos padrões exigidos dos produtores europeus.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nicolas Tucat/ AFP

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Internacional

Milei afirma que Trump busca redesenhar a ordem mundial, não o petróleo da Venezuela

O presidente da Argentina, Javier Milei, declarou que o governo de Donald Trump não tem como objetivo central se apropriar do petróleo da Venezuela, mas sim promover uma mudança estrutural na ordem mundial. Segundo ele, esse reposicionamento passa pelo enfrentamento ao que classificou como “socialismo assassino” em países da América Latina.

Crítica ao socialismo na América Latina

Em entrevista concedida na noite de terça-feira (6) ao canal Neura, Milei afirmou que a atual conjuntura internacional exige uma leitura mais estratégica das relações globais. Para o presidente argentino, a política externa defendida por Trump marca uma transição do foco na globalização para uma lógica baseada em geopolítica.

“Trump está redesenhando a ordem mundial. Deixamos de pensar apenas em globalização e passamos a pensar em termos geopolíticos. E parte dessa discussão é acabar com o socialismo assassino, seja na Venezuela, em Cuba ou na Nicarágua”, declarou.

Geopolítica e relações comerciais

Milei também destacou que o cenário político internacional deve ser analisado separadamente dos acordos comerciais entre os países. Nesse contexto, ele afirmou que não pretende romper as relações econômicas da Argentina com a China, apesar das diferenças ideológicas.

O presidente reforçou que sua política externa busca pragmatismo econômico, mesmo diante de posicionamentos críticos em relação a regimes socialistas e a disputas de poder no cenário global.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta do Povo

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Internacional

EUA apreendem petroleiro russo ligado à Venezuela após perseguição no Atlântico

Os Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quarta-feira (7), a apreensão de dois petroleiros em operações separadas em águas internacionais do Atlântico Norte e do Caribe. Uma das embarcações, o petroleiro russo Marinera, anteriormente chamado de Bella 1, é apontada por autoridades americanas como ligada à Venezuela e vinha sendo monitorada há semanas antes da interceptação.

Operação no Atlântico Norte teve apoio internacional

De acordo com o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA, o navio M/V Bella 1 foi interceptado no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal norte-americano. A ação contou com o acompanhamento do USCGC Munro, da Guarda Costeira dos Estados Unidos, além de suporte naval e aéreo do Reino Unido.

Informações divulgadas pela agência Reuters indicam que a embarcação chegou a receber escolta de navios e submarinos russos e obteve autorização para operar sob bandeira da Rússia em 24 de dezembro. Em comunicado, o Ministério da Defesa britânico afirmou que o apoio à operação foi “fundamental” e destacou o “histórico nefasto” do navio.

Governo britânico cita evasão de sanções

Em nota oficial, o governo do Reino Unido afirmou que o petroleiro integra um eixo russo-iraniano de evasão de sanções, responsável por financiar conflitos e ampliar instabilidades internacionais. Segundo a declaração, esse tipo de operação contribui para o prolongamento de crises do Oriente Médio à Ucrânia.

Rússia contesta apreensão e cita direito marítimo

A Rússia reagiu à ação e acusou os Estados Unidos de violar o direito marítimo internacional. O Ministério dos Transportes russo afirmou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, garante a liberdade de navegação em alto-mar e proíbe o uso da força contra embarcações devidamente registradas sob jurisdição estrangeira.

“Frota fantasma” e ligação com a Venezuela

Segundo o governo norte-americano, os dois navios apreendidos faziam parte de uma chamada “frota fantasma”, utilizada para burlar sanções internacionais. As autoridades afirmam que ambas as embarcações haviam atracado recentemente na Venezuela ou estavam a caminho do país.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, afirmou que as ações foram conduzidas de forma “meticulosamente coordenada” pela Guarda Costeira. Ela relatou que o Bella 1 tentou escapar da fiscalização por semanas, chegando a trocar de bandeira e a pintar um novo nome no casco durante a perseguição.

Segundo navio foi interceptado no Caribe

A segunda embarcação, identificada como MC Sophia, foi abordada no Mar do Caribe. O navio navegava sob bandeira do Panamá e havia deixado águas venezuelanas no início de janeiro. De acordo com autoridades americanas, o petroleiro integrava um esquema de transporte de petróleo venezuelano para a China, operando em “modo escuro”, com o transponder desligado para dificultar o rastreamento.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Internacional

Suprema Corte dos EUA pode decidir já nesta sexta sobre tarifas impostas por Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos pode divulgar já nesta sexta-feira uma decisão crucial sobre as tarifas globais impostas por Donald Trump, tema que está no centro de um dos processos mais sensíveis do atual cenário político e econômico americano.

Sexta-feira marca primeira chance de decisão

O tribunal agendou a sexta-feira como dia de divulgação de decisões, o que sinaliza a primeira oportunidade para um possível veredito sobre o pacote tarifário adotado pelo presidente. Embora a Corte não antecipe quais julgamentos serão publicados, decisões podem ser anunciadas sempre que os ministros se reúnem em plenário, a partir das 10h (horário de Washington).

A expectativa em torno do caso cresce diante da tramitação acelerada adotada pelos magistrados, o que reforça a possibilidade de uma decisão sobre tarifas comerciais já nos próximos dias.

Caso pode atingir principal política econômica de Trump

Uma eventual derrota de Trump no julgamento enfraqueceria sua principal bandeira econômica e representaria a maior derrota jurídica desde seu retorno à Casa Branca. O processo questiona as chamadas tarifas do “Dia da Libertação”, anunciadas em 2 de abril, que estabeleceram alíquotas entre 10% e 50% sobre a maioria das importações.

Além disso, estão sob análise as tarifas específicas aplicadas a Canadá, México e China, justificadas pelo governo como medidas para combater o tráfico de fentanil.

Autoridade presidencial é alvo de questionamento

Durante as audiências realizadas em 5 de novembro, os ministros demonstraram ceticismo quanto à autoridade do presidente para impor tarifas com base em uma lei de 1977, que concede poderes especiais apenas em situações de emergência nacional.

Trump, por sua vez, defendeu publicamente sua atuação. Em conversa com parlamentares republicanos, afirmou esperar que a Suprema Corte “faça o que é certo para o país” e reforçou que o presidente precisa ter liberdade para negociar tarifas.

Outros casos relevantes na pauta da Suprema Corte

Além do tema comercial, a Corte pode se pronunciar sobre um importante processo de redistritamento eleitoral, que pode influenciar o controle do Congresso nas eleições legislativas deste ano. Os ministros avaliam limitar de forma significativa o uso da Lei dos Direitos ao Voto para a criação de distritos eleitorais com maioria negra ou hispânica.

O anúncio do calendário ocorre com o retorno dos magistrados após um recesso de quatro semanas.

Agenda inclui temas sociais e políticos sensíveis

Nas próximas duas semanas, novos dias de divulgação de decisões podem ser incluídos. Na terça-feira, a Suprema Corte analisará leis estaduais que proíbem meninas e mulheres transgênero de competirem em equipes esportivas femininas nas escolas.

Já em 21 de janeiro, o tribunal avaliará a tentativa de Trump de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, acusada pelo presidente de fraude hipotecária — acusações que ela nega.

FONTE: gCaptain
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/REUTERS/Kevin Lamarque

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Internacional

Acordo Mercosul-UE avança e União Europeia prevê assinatura em breve

A União Europeia sinalizou avanço nas negociações para a conclusão do acordo Mercosul-UE e trabalha com a expectativa de formalizar o pacto em um futuro próximo. A avaliação foi divulgada nesta segunda-feira (5) pela Comissão Europeia, que apontou progresso nas conversas internas entre os países do bloco.

Comissão Europeia indica progresso nas negociações

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou que os Estados-membros estão alinhados e que o bloco está “no caminho certo” para fechar o acordo. Embora não tenha confirmado a data de 12 de janeiro, mencionada anteriormente como possível para a assinatura, a representante reforçou que o desfecho pode ocorrer em breve.

Reunião emergencial debate pontos sensíveis do acordo

Como parte do processo, a Comissão informou a convocação de uma reunião emergencial dos ministros da Agricultura da União Europeia, marcada para esta quarta-feira (7), em Bruxelas. O objetivo é discutir ajustes e novos pontos do texto antes da votação prevista para sexta-feira (9).

Diplomatas europeus indicam que o encontro busca reduzir resistências e avançar em consensos, especialmente sobre temas ligados ao setor agrícola.

Maior área de livre comércio do mundo

Negociado ao longo de 25 anos, o acordo entre a UE e o Mercosul tem potencial para criar a maior área de livre comércio do mundo, fortalecendo as relações econômicas entre os 27 países europeus e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Resistência de França e Itália atrasou assinatura

A tentativa de assinar o pacto em dezembro do ano passado, durante reunião em Foz do Iguaçu, foi adiada após França e Itália manifestarem oposição. Os dois países alegaram preocupações com os impactos do acordo sobre seus produtores rurais, pressionando por mais tempo de análise.

Benefícios comerciais e temor no setor agrícola

Pelo acordo, a União Europeia ampliaria as exportações de veículos, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para os países do Mercosul, em um contexto de crescentes tensões comerciais globais.

Em contrapartida, o pacto facilitaria o acesso ao mercado europeu de produtos sul-americanos como carne bovina, açúcar, arroz, mel e soja. Esse ponto gera preocupação entre agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos com preços mais baixos, especialmente do Brasil.

Pedido por salvaguardas e regras mais rígidas

Diante desse cenário, França e Itália defendem a inclusão de cláusulas de salvaguarda, controles mais rigorosos sobre importações e exigências ambientais e sanitárias mais severas para os produtores do Mercosul, como forma de proteger o setor agrícola europeu.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Fronteira Brasil–Venezuela é reaberta com fiscalização reforçada após crise política

A fronteira entre o Brasil e a Venezuela foi reaberta neste domingo (4/1) e voltou a operar normalmente após o fechamento registrado no sábado. Segundo autoridades brasileiras, o fluxo de pessoas e veículos ocorre de forma tranquila, embora com fiscalização reforçada em razão do cenário político no país vizinho, após a prisão de Nicolás Maduro.

Em Pacaraima, município de Roraima que faz divisa com a Venezuela, a atuação é conjunta entre Exército Brasileiro, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Receita Federal e Polícia Civil.

Veículos e pedestres passam por revistas

Todos os veículos e pessoas que atravessam a fronteira, tanto na entrada quanto na saída, estão sendo abordados. As equipes realizam revistas minuciosas, com conferência de documentos pessoais, documentação dos veículos e fiscalização de mercadorias.

De acordo com as forças de segurança, a operação segue protocolos considerados de rotina, apesar do reforço visível no efetivo e no controle da passagem.

Migração segue ativa pela BR-174

Mesmo diante do contexto político, a migração venezuelana continua ocorrendo. Ao longo da BR-174, principal ligação entre Pacaraima e Boa Vista, foi registrado o deslocamento de pessoas a pé em ambos os sentidos, tanto em direção à capital de Roraima quanto no caminho inverso.

Venezuelanos cruzam a fronteira em meio à incerteza

Entre os que atravessaram a fronteira está Kleber Marino, de 23 anos, que retornou à Venezuela com a filha de um ano. Ele chegou a Pacaraima de táxi, cruzou a fronteira a pé com a criança no colo e seguiu viagem até Santa Helena de Uairén em uma motocicleta.

Segundo ele, a viagem já estava planejada antes dos acontecimentos políticos. “Eu já tinha comprado a passagem sem saber de nada. De madrugada aconteceu tudo e foi uma surpresa. Estou um pouco feliz, porque fazia tempo que a gente queria tirar ele e nunca conseguiu. Agora aconteceu. Agora depende de como vai ficar a situação lá”, relatou. Kleber vive há quase cinco anos em Roraima e não retornava à Venezuela desde então.

Turistas brasileiros retornam sem transtornos

Também foi observado movimento intenso de táxis e veículos de agências de turismo na região. Turistas brasileiros que estavam na Venezuela afirmaram ter sido surpreendidos pelo fechamento temporário da fronteira no sábado (3/1), mas relataram que o retorno ao Brasil ocorreu de forma tranquila após a reabertura neste domingo.

FONTE: Diário do Brasil e Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Natália Fuhrmann/Metrópoles

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Internacional

Brasil e aliados defendem solução pacífica para crise na Venezuela e rejeitam uso da força

Os governos de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram, em 4 de janeiro de 2026, um posicionamento conjunto sobre os acontecimentos recentes na Venezuela. Diante da gravidade da situação, os países reafirmaram compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas e manifestaram forte preocupação com ações militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano.

Segundo a declaração, essas iniciativas violam normas fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso ou da ameaça do uso da força, além de ferirem a soberania e a integridade territorial dos Estados. Os governos alertam que esse tipo de ação representa um risco à paz regional, à ordem internacional baseada em regras e à segurança da população civil.

Defesa do diálogo e da vontade do povo venezuelano

No documento, os países reiteram que a crise na Venezuela deve ser solucionada exclusivamente por meios pacíficos, com base no diálogo, na negociação e no respeito à vontade do povo venezuelano, sem interferências externas.

A posição conjunta destaca que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma saída democrática, duradoura e alinhada à dignidade humana, sempre em conformidade com o direito internacional.

América Latina é reafirmada como zona de paz

Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha reforçam ainda o entendimento de que a América Latina e o Caribe devem permanecer como uma zona de paz, construída sobre os princípios do respeito mútuo, da não intervenção e da solução pacífica de controvérsias.

Nesse contexto, os governos fazem um apelo à unidade regional, independentemente de divergências políticas, diante de qualquer ação que ameace a estabilidade regional. O grupo também conclama as Nações Unidas e outros mecanismos multilaterais a utilizarem seus bons ofícios para promover a desescalada das tensões e preservar a paz.

Alerta sobre controle externo de recursos estratégicos

Outro ponto destacado na declaração é a preocupação com eventuais tentativas de controle governamental, administração externa ou apropriação de recursos naturais e estratégicos da Venezuela. Segundo os países signatários, esse tipo de iniciativa é incompatível com o direito internacional e pode gerar impactos negativos na estabilidade política, econômica e social da região.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM:

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União Europeia cobra respeito à vontade do povo venezuelano em meio à crise política

A União Europeia divulgou neste domingo (4) uma declaração oficial em que defende “calma e moderação” de todos os envolvidos na crise na Venezuela. O apelo tem como objetivo evitar o agravamento das tensões e abrir caminho para uma solução pacífica e negociada. O posicionamento foi publicado pela alta representante da UE para Relações Exteriores e Segurança, Kaja Kallas, em suas redes sociais.

Defesa do direito internacional e da Carta da ONU

No comunicado, a UE destaca que, em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. O texto ressalta ainda que os países que integram o Conselho de Segurança da ONU têm responsabilidade especial na preservação desses fundamentos, especialmente em contextos de instabilidade política.

Questionamento da legitimidade de Nicolás Maduro

A declaração reforça a posição do bloco de que Nicolás Maduro não possui legitimidade como presidente democraticamente eleito. Diante desse entendimento, a União Europeia segue defendendo uma transição democrática pacífica na Venezuela, conduzida pelos próprios venezuelanos e com pleno respeito à soberania nacional do país.

Articulação internacional para apoiar o diálogo

Segundo o documento, a UE mantém diálogo próximo com os Estados Unidos e parceiros regionais para incentivar conversas entre todas as partes envolvidas no conflito. O objetivo é viabilizar uma solução democrática, inclusiva e pacífica, baseada no entendimento político e no respeito às instituições.

Crime organizado e direitos humanos preocupam o bloco

Outro ponto destacado pela União Europeia é a ameaça representada pelo crime organizado internacional e pelo tráfico de drogas, tratados como desafios globais. Para enfrentá-los, o bloco defende cooperação internacional, respeito ao direito internacional e à integridade territorial dos países.

Ao final, a UE reiterou a cobrança por respeito integral aos direitos humanos e pediu a libertação imediata e incondicional de presos políticos na Venezuela. O comunicado informa ainda que autoridades consulares dos Estados-membros atuam de forma coordenada para garantir a proteção de cidadãos europeus no país, incluindo aqueles detidos de maneira considerada ilegal.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Internacional

Domicílio fiscal no exterior cresce entre brasileiros de alta renda, mas exige regras rígidas

A transferência do domicílio fiscal para o exterior tem ganhado espaço entre brasileiros de alta renda, impulsionada por debates recentes nas redes sociais. O tema voltou ao centro das atenções após declarações do influenciador Thiago Nigro sobre uma suposta economia tributária obtida por David Vélez, cofundador do Nubank, ao fixar residência no Uruguai. Especialistas, no entanto, alertam: reduzir impostos fora do Brasil envolve um processo complexo, que vai muito além de mudar o endereço junto à Receita Federal.

Debate nas redes e aumento das saídas formais do país

A repercussão do caso dividiu opiniões. Parte do público criticou a decisão, alegando fuga de recursos do país, enquanto outros destacaram o peso da carga tributária brasileira. Em resposta, Vélez afirmou ao Pipeline, do Valor Econômico, que a motivação principal para a mudança foi a segurança, e não a economia de impostos.

O movimento não é isolado. Dados da Receita Federal mostram que mais de 21 mil brasileiros formalizaram a saída definitiva do país na declaração de 2025. Diante desse cenário, o Fisco prepara um painel para mapear os principais destinos desses contribuintes, com lançamento previsto ainda neste mês.

Em outubro, a Receita chegou a esclarecer que eram falsas as informações sobre um suposto rastreamento automático de brasileiros no exterior que não apresentaram a Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP). Segundo o órgão, não há monitoramento baseado apenas na mudança de domicílio, e o foco é orientativo.

O que leva os mais ricos a buscar outro domicílio fiscal

O domicílio fiscal define onde a renda de uma pessoa é tributada. Segundo Tatiana Berenguer, fundadora da TB Advisory, executivos e empresários passam a considerar a mudança quando percebem que uma parcela significativa do que produzem é absorvida pelo sistema tributário nacional.

Ela explica que é possível, em alguns casos, ter residência fiscal em mais de um país, como ocorre com cidadãos americanos ou com residentes nos Emirados Árabes Unidos, onde não há tributação sobre renda. Ainda assim, a decisão costuma ser estratégica.

Entre os principais fatores que motivam a mudança estão:

  • Carga tributária elevada e insegurança jurídica, que dificultam o planejamento de longo prazo;
  • Internacionalização dos negócios e trabalho remoto, reduzindo a necessidade de presença física no Brasil;
  • Planejamento sucessório, favorecido por legislações mais previsíveis e estáveis.

Berenguer ressalta que a busca não é por isenção total, mas por previsibilidade tributária e retorno sobre os impostos pagos. Segundo ela, países como os Estados Unidos seguem atraindo brasileiros mesmo com alta tributação, devido à segurança, qualidade de vida e infraestrutura.

Mudança de domicílio fiscal exige rompimento real com o Brasil

Especialistas reforçam que a alteração da residência fiscal não é apenas declaratória. Ela ocorre quando o contribuinte rompe vínculos fiscais com o Brasil e passa a cumprir os critérios exigidos por outra jurisdição. A partir disso, deixa de ser tributado como residente e passa a recolher impostos no Brasil apenas sobre rendimentos de fonte nacional.

O processo envolve várias etapas, entre elas:

  • Obtenção de residência legal no país escolhido;
  • Reconhecimento da residência fiscal pela autoridade local, com emissão de certificado;
  • Permanência efetiva fora do Brasil por mais de 12 meses, com pelo menos 183 dias no exterior;
  • Entrega da Comunicação de Saída Definitiva do País à Receita Federal;
  • Envio da Declaração de Saída Definitiva no ano-calendário seguinte;
  • Nomeação de procurador fiscal, quando há bens ou rendimentos no Brasil;
  • Comunicação às fontes pagadoras, como bancos e o INSS.

Autoridades fiscais podem exigir provas adicionais, como contratos de aluguel, contas de consumo e extratos bancários. Manter vida financeira e decisões patrimoniais concentradas no Brasil enquanto se declara residente no exterior acende alertas.

Riscos legais e penalidades

Simular uma mudança de domicílio fiscal pode resultar em sonegação fiscal, crime contra a ordem tributária e até lavagem de dinheiro, dependendo da estrutura utilizada. As penalidades incluem multas elevadas, cobrança retroativa de impostos com juros e responsabilização criminal.

Também pode haver enquadramento por falsidade ideológica, caso o contribuinte forneça informações falsas em declarações fiscais, documentos migratórios ou contratos usados para sustentar a suposta residência no exterior.

Por que Uruguai e Paraguai atraem brasileiros

O Uruguai se tornou um dos destinos mais procurados por oferecer incentivos como isenção de imposto sobre aplicações financeiras no exterior por até dez anos. Segundo Roberto Justo, do escritório Choaib, Paiva e Justo Advogados Associados, o benefício pode ser obtido com permanência mínima de 183 dias no país ou por alternativas como a compra de imóveis a partir de cerca de US$ 540 mil, reduzindo a exigência para 60 dias anuais.

Há ainda a possibilidade de investimentos superiores a US$ 2,07 milhões em empresas ou projetos produtivos, que dispensam a exigência de permanência física mínima.

O Paraguai também figura entre os preferidos, por não tributar a renda da pessoa física. Além disso, empresários têm estruturado operações no país para reduzir custos. Segundo Berenguer, importar produtos via empresas paraguaias pode reduzir em até 28% os custos operacionais, mesmo com logística adicional.

Economia de impostos amplia liberdade financeira

Com menor carga tributária e ambiente regulatório mais simples, os recursos economizados podem ser direcionados a investimentos, melhoria do padrão de vida e expansão patrimonial. Para especialistas, esse ganho pode representar décadas de liberdade financeira, maior diversificação internacional e mais poder de escolha para empresários e investidores.

FONTE: Valor Investe
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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