Exportação

Brasil se torna top mundial na exportação de açúcar e fatura bilhões

As exportações de açúcar do Brasil em 2025 ultrapassaram US$ 1 bilhão, consolidando o país como líder global no setor. No entanto, desafios como as demandas ambientais impostas pela União Europeia colocam em questão o futuro desse protagonismo. Com um mercado que representou cerca de 40% do comércio mundial de açúcar, o país enfrenta pressões para adotar práticas sustentáveis, impactando suas operações.

O Brasil fortaleceu sua posição como fornecedora de açúcar em 2025, com condições climáticas favoráveis e avanços tecnológicos. Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul desempenham papéis-chave nessa trajetória. A eficiência agrícola e o solo fértil desses locais são fundamentais para o sucesso da produção brasileira.

Pressões Internacionais e Oportunidades

Enquanto a Índia enfrenta desafios climáticos que comprometem sua produção de açúcar, o Brasil encontra oportunidades. No entanto, a União Europeia impõe certificações rigorosas de sustentabilidade, tornando mais complexa a entrada do açúcar brasileiro nos seus mercados. A relação entre expansão das exportações e cumprimento de normas ambientais internacionais se confirma um aspecto crítico.

Expectativas e Adaptações Necessárias

Para 2025, a expectativa é que o Brasil exporte entre 35 e 36 milhões de toneladas de açúcar. Os especialistas alertam para a importância de diversificar e agregar valor à produção. A adaptação do setor às crescentes exigências ambientais se torna imprescindível para garantir a competitividade no mercado global.

Conclusão

Em 2025, as exportações de açúcar do Brasil superaram US$ 1 bilhão, apesar de desafios ambientais significativos. A União Europeia controla rigorosamente as práticas de importação, destacando a necessidade de adaptação do Brasil.

Fonte: Correio do Estado

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Economia

Fim do dólar? Por que moeda vem perdendo força no mundo — e isso pode ser o que Trump quer

No primeiro semestre de 2025, o dólar americano teve seu pior desempenho em mais de cinco décadas no índice usado para medir a força da moeda dos Estados Unidos.

A desvalorização acumulada até junho foi de 11% no U.S. Dollar Index, criado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e que compara o dólar a outras seis moedas — o euro, yen japonês, a libra esterlina, o dólar canadense, o krona sueco e o franco suíço.

Quedas como essa já foram registradas em outros momentos. Mas, desta vez, a desvalorização acontece ao mesmo tempo que outros eventos que preocupam alguns economistas, o que tem feito cada vez mais investidores, analistas financeiros e outras pessoas no ramo bancário questionarem a força do dólar americano, de acordo com fontes do próprio setor.

Um dos pontos de preocupação apontados é a queda pequena, mas gradual, na participação da moeda nas reservas cambiais dos bancos centrais ao redor do globo.

Somam-se a isso uma fuga de capital estrangeiro no mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e críticas sobre a forma como o governo americano tem usado a dominância do dólar para aplicar sanções em temas geopolíticos, segundo especialistas.

A atual política de tarifas do governo de Donald Trump — e os rumores no mercado sobre a possibilidade de um enfraquecimento deliberado da moeda por parte da Casa Branca para impulsionar a indústria americana — também tem gerado especulações.

Mas enquanto alguns demonstram preocupação, outros são céticos em relação ao apetite do mercado em buscar alternativas ou à capacidade de qualquer outra moeda de alcançar o status atingido pela americana.

O dólar se consolidou como a moeda internacional após a 2ª Guerra Mundial, com o acordo de Bretton Woods.

Desde então, tornou-se a mais usada nas reservas globais e nas transações no sistema Swift, uma rede de pagamentos globais que conecta 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países.

Então, afinal, quão profunda é a desconfiança em torno da moeda que domina as transações comerciais em todo o mundo? E o que dizem aqueles que ainda preveem uma longa vida de dominância para o dólar?

Participação nas reservas cambiais

Um relatório elaborado pelo banco J.P. Morgan no início de julho apontou alguns dos fatores que ameaçam o domínio da moeda atualmente.

O primeiro tem relação com a queda do dólar nas reservas internacionais — ou o conjunto de ativos externos em moeda estrangeira mantidos pelos bancos centrais ou autoridades monetárias para garantir sua estabilidade econômica e financeira.

A soma das reservas mundiais em moedas estrangeiras equivalia a mais de US$ 12 trilhões em março de 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, mais de 57% estava alocado em dólar.

Ou seja, a moeda americana ainda domina. No entanto, no começo dos anos 2000, essa fatia superava 70%.

E enquanto o dólar viu uma diminuição em sua participação, o total em renminbis chineses dobrou na última década.

Vale notar, no entanto, que as reservas na moeda chinesa ainda representam apenas 2% do total, bem atrás de outras mais tradicionais, como o euro e a libra esterlina.

Enquanto o dólar cai, outras moedas aumentam sua participação nas reservas internacionais

Segundo especialistas, no entanto, a principal tendência de “desdolarização” das reservas cambiais está relacionada à crescente demanda por ouro, que é visto como uma alternativa às moedas globais.

Atualmente, o ouro corresponde a 9% das reservas de mercados emergentes, mais do que o dobro dos 4% observados há uma década.

Mercado de commodities e títulos do Tesouro

Outros fatores que, segundo a análise do JP Morgan, indicariam uma tendência de “desdolarização” são o uso de outras moedas no comércio internacional e a queda das participações estrangeiras nos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano.

Quando o assunto é a moeda usada nas transações internacionais, há várias formas de medir qual é a mais influente. E o dólar ainda domina em termos de volumes de câmbio, faturamento comercial, denominação de passivos transfronteiriços (dívidas ou obrigações financeiras de um país, empresa ou banco perante credores estrangeiros) e emissão de dívida em moeda estrangeira.

Mas, segundo analistas, a moeda americana vem perdendo espaço como referência nos mercados de commodities, especialmente no setor de energia.

Por conta das sanções internacionais aplicadas contra a Rússia, o país tem usado moedas locais para as exportações de petróleo e derivados. Com isso, nações como Índia, China, Brasil, Tailândia e Indonésia podem comprar petróleo a preços mais baixos e pagar com suas próprias moedas.

Já as posições estrangeiras em títulos americanos vêm sendo reduzidas há 15 anos.

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos — assim como os de outros países com economia forte — costumam ser vistos como investimentos de refúgio, para onde muitos direcionam seu dinheiro em momentos de crise nos mercados, como quedas nas bolsas de valores.

E, embora os investidores estrangeiros continuem sendo o maior componente do mercado de títulos do Tesouro americano, sua participação vem caindo.

Antes da grande crise financeira global de 2008, mais de 50% dos títulos estavam na mão de compradores de fora dos EUA. Agora, caiu para 30%, segundo o JP Morgan.

“Em termos de transações internacionais, há um declínio muito modesto na porcentagem do que ocorre em dólar”, diz Luis Oganes, chefe de Pesquisa Macro Global no J.P. Morgan, à BBC News Brasil.

“Onde estamos observando a desdolarização, e certamente um grande afastamento do dólar, é nas reservas cambiais dos bancos centrais e na denominação monetária das transações de commodities.”

Desvalorização e queda das bolsas

Para além do relatório, outros fatores que chamam a atenção são a desvalorização do dólar e as quedas no mercado de ações americano.

Após acumular no primeiro semestre de 2024 a maior desvalorização registrada até aquele momento desde 1973, os índices que medem o valor do dólar ensaiaram uma recuperação em meados de julho, mas voltaram a cair em agosto.

Segundo relatório do banco Morgan Stanley, embora a moeda tenha se fortalecido 3,2% em julho, o declínio deve continuar, possivelmente adicionando outros 10% em perdas até o final de 2026.

Além disso, no início de abril deste ano, as bolsas dos Estados Unidos tiveram a sua pior semana desde a pandemia de covid-19, com o índice S&P 500 de Wall Street, que inclui as maiores empresas americanas, com uma queda de 10%.

Em seguida, bolsas de todo o mundo despencaram. No Brasil, o dólar caiu mais de 12%.

Tudo aconteceu diante de anúncios do presidente Donald Trump sobre a adoção de uma onda sem precedentes de tarifas de importação.

Em abril, o republicano divulgou sua intenção de adotar uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA.

O prazo para entrada em vigor da medida foi adiado algumas vezes depois disso, e novas alíquotas foram anunciadas para alguns países específicos.

Entre eles o Brasil, que em 6 de agosto passou a enfrentar tarifa de 50% sobre alguns produtos.

Desde que foi anunciado, o tarifaço de Trump preocupa investidores, que temem seu efeito sobre os lucros corporativos e a desaceleração em massa do crescimento econômico.

Isso faz com que alguns tentem se proteger de novas quedas do dólar e diminui a confiança na economia americana e em sua moeda, dizem especialistas.

Como resultado, investidores estrangeiros venderam US$ 63 bilhões em ações de empresas listadas em bolsas dos EUA entre março e abril de 2025, segundo o banco Goldman Sachs.

O mesmo vale para o mercado de títulos, que serve como um termômetro da confiança na economia de um país.

Quando há muitas compras, isso é um sinal de confiança. Mas, se os investidores começam a vender — como aconteceu nos Estados Unidos após os anúncios de Trump sobre as tarifas — é porque algo não vai tão bem.

“Existe um movimento de desvalorização e de aumento da desconfiança no dólar que foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas erráticas e imprevisíveis em relação à política comercial americana”, avalia Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Por que a confiança no dólar está caindo?

Mas a aplicação de novas tarifas pelo governo americano não é o único fator que, segundo os especialistas, vem erodindo a segurança no dólar.

A forma como o governo americano usa a moeda como um instrumento para punição de transgressões na área geopolítica, por meio de sanções econômicas, é um dos principais motivos para a queda de confiança entre investidores, diz Robert McCauley, pesquisador sênior da Universidade de Boston que passou a maior parte de sua carreira no Banco de Compensações Internacionais e no Fed de Nova York.

Países, empresas, bancos ou indivíduos sancionados pelos EUA podem ser totalmente excluídos do sistema monetário financeiro internacional e do sistema de pagamentos global, a depender do nível das sanções.

Foi o que aconteceu com a Rússia, por exemplo, após a invasão da Ucrânia. Ou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, de violações de direitos humanos e práticas de corrupção, em meio a uma disputa política com os Estados Unidos.

“As tarifas foram um choque adicional que se se somam ao congelamento dos ativos russos e da exclusão de alguns bancos russos da parcela do dólar do sistema financeiro internacional”, diz McCauley.

Segundo o pesquisador da Universidade de Boston, essas práticas podem estar encorajando alguns atores a tentar contornar o dólar para evitar, eventualmente, serem colocados em uma situação semelhante.

Os títulos do Tesouro americano ocupam há décadas “a base da pirâmide da estrutura das finanças internacionais” como os ativos mais seguros, afirma o especialista. Mas quando detentores importantes, como bancos ou investidores russos, passam a ter seus ativos congelados, essa ideia fica ameaçada.

“A presunção é que os títulos do Tesouro dos EUA são o lugar certo para se recorrer quando as coisas ficam difíceis”, diz McCauley.

“Mas o fato de que o ativo de refúgio pode repentinamente se tornar ativo nenhum para um grande detentor é um choque. Faz os investidores pensarem melhor.”

Outro ponto levantado é o aumento dos déficits fiscais dos países desenvolvidos nos últimos anos.

No caso dos Estados Unidos, o país terminou 2024 com US$ 35,46 trilhões em dívida federal, uma quantia que equivale a 123% do seu PIB, de acordo com o Tesouro americano.

Segundo Luis Oganes, há um temor entre investidores de que, no futuro, possa haver pressão sobre a moeda para que ela se desvalorize, a fim de reduzir ou liquidar os déficits comerciais — para alguns economistas, isso tornaria as exportações americanas mais competitivas, porque ficam mais baratas para os compradores estrangeiros.

“Há uma sensação de que há necessidade de diversificar as moedas, especialmente em países de mercados emergentes. No passado, vimos países encontrarem dificuldades quando sua relação dívida/PIB aumentou muito, o que poderia eventualmente levar à pressão sobre suas moedas para se depreciarem a fim de reduzir ou liquidar o ônus da dívida”, diz Oganes.

“Isso está se combinando com razões geopolíticas para fazer os investidores de longo prazo questionarem a sensatez de manter a alocação ao dólar ou se deve haver uma mudança estrutural ou uma maior diversificação.”

O pesquisador do J.P.Morgan afirma ainda que há a expectativa de que o Fed anuncie novos cortes nas taxas de juros nos próximos meses, o que pode reduzir o apelo do dólar para os investidores.

Com juros menores nos EUA, os rendimentos de títulos americanos caem, e os investidores podem buscar países com juros maiores, o que aumenta a oferta de dólar no mercado e faz seu valor cair.

O Fed normalmente reduz a taxa de juros quando a economia está em dificuldades e a aumenta se o ritmo de alta dos preços começar a acelerar demais.

As autoridades do banco central americano há muito tempo indicam que esperam reduzi-las em algum momento deste ano, seguindo os passos de outros bancos centrais, incluindo o do Reino Unido.

Mas eles têm adiado a redução por muito mais tempo do que o previsto, preocupados com o impacto das tarifas e outras novas políticas do governo Trump, incluindo cortes de impostos, na economia.

Há ainda cada vez mais setores acusando o presidente americano de interferência no banco central americano, algo que também pode afastar investidores.

O presidente americano chegou a ameaçar demitir o chefe do Fed, Jerome Powell embora tenha dito recentemente que não considerava mais tal medida necessária.

Nesta semana, Trump anunciou que demitiria Lisa Cook, uma das diretoras do Fed e membro do comitê de 12 membros responsável por definir as taxas de juros nos EUA. Ele a acusa de fraude em um contrato imobiliário pessoal.

Cook, que tem mandato previsto para durar até 2038, contesta a ordem de Trump, dizendo que ele não tem autoridade para isso, e se nega a pedir demissão. Seu advogado anunciou na terça-feira (26/08) um processo na Justiça contra a ordem do republicano, indicando uma longa disputa judicial sobre a questão.

Trump também atacou o Fed por demorar muito para cortar as taxas de juros, afirmando que a medida ajudaria o governo a economizar dinheiro no pagamento da dívida pública e impulsionariam o mercado imobiliário.

O presidente minimizou ainda nos últimos meses as preocupações de que suas tarifas pudessem elevar os preços ou prejudicar o crescimento do país.

Brics e desdolarização

Há ainda quem considere que a desconfiança em relação ao dólar data de antes da maior parte das sanções ou do tarifaço e suas consequências.

“Começa nos anos de 2008 e 2009, quando uma crise financeira tem origem no mercado americano e leva a economia internacional a uma pequena recessão e, desde então, os países desenvolvidos a uma certa estagnação econômica”, aponta Fernanda Brandão, do Mackenzie.

“Essa crise é simbólica e importante porque apontou ou mostrou as vulnerabilidades em se depender do dólar como a moeda global.”

Segundo Brandão, depois desse momento, o mundo passou a ter mais clareza sobre o fato de que qualquer perturbação na economia americana que altere as políticas monetárias colocadas em práticas pelo Fed e pela Casa Branca pode gerar “consequências que vão afetar outras economias”.

E, segundo a especialista, é a partir daí que surgem os primeiros movimentos políticos encabeçados por nações em desenvolvimento em prol da desdolarização.

Atualmente, o bloco Brics é visto como a principal força dessa corrente. O grupo era até pouco tempo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas se expandiu com a entrada de 10 novos membros desde 2024.

Para Fernanda Brandão, o fato de muitos países emergentes terem sofrido as consequências da crise financeira de 2008, apesar da crise ter começado nos EUA, fez com que o Brics adotasse uma política de desdolarização desde sua criação.

“A partir dali ficou muito claro que existe uma vulnerabilidade causada pela dependência em relação ao dólar”, diz Brandão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seus desejos de desdolarização do comércio global durante a última cúpula do Brics, em julho no Rio de Janeiro.

“Acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar. Quando for com a Argentina ou China, não precisa. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?’, disse Lula.

Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou ainda que a substituição de dólar no comércio internacional é “uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada”.

O Brics já ampliou o uso das moedas nacionais de seus membros no comércio interno, em especial da chinesa. E a Rússia vem impulsionando o estabelecimento de uma plataforma digital própria para pagamentos, em uma tentativa de minimizar os impactos das sanções internacionais.

O bloco também discute a criação de uma moeda própria. Nada oficial foi anunciado até agora, mas as tratativas já foram vistas como uma ameaça pelo governo americano.

Trump já afirmou que o grupo é “um ataque ao dólar” e usou a participação da Índia no bloco como um agravante para a imposição de tarifas mais altas às exportações do país no Estados Unidos.

“Eles têm o Brics, que é basicamente um grupo de países que são anti-Estados Unidos”, disse o presidente americano no final de julho. “É um ataque ao dólar, e não vamos deixar ninguém atacar o dólar.”

Qual o plano de Trump?

Dentro do governo Trump, parece haver perspectivas conflitantes e por vezes contraditórias sobre o que o domínio do dólar significa para os interesses políticos dos EUA, dizem analistas.

Por um lado, com suas declarações sobre os Brics e alternativas de pagamentos globais, Trump trata o papel internacional da moeda como um símbolo do nacionalismo americano e de sua estratégia de “America first” (América em primeiro lugar, em português).

Uma lei aprovada em julho nos Estados Unidos, que regulamenta as “stablecoins” com valor fixo em relação ao dólar, parece servir esse plano.

Essas criptomoedas são projetadas para manter paridade com o valor do dólar e oferecer mais estabilidade dentro do ecossistema cripto. Por isso, dizem alguns economistas, elas podem ampliar ainda mais a preponderância da moeda americana no sistema financeiro mundial.

Por outro lado, com sua política tarifária, Trump arrisca minar o domínio do dólar, segundo Fernanda Brandão, do Mackenzie.

Especula-se na imprensa e no mercado que esse pode ser exatamente seu objetivo, seguindo uma corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana, como aponta em um artigo recente o centro de estudos de relações internacionais Atlantic Council.

Essa ideia é defendida principalmente por Stephen Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo americano que foi recentemente nomeado por Trump para o Conselho de Governadores do Fed.

Em um artigo publicado em 2024, Miran afirma que por conta de sua posição como reserva mundial, o dólar “está persistentemente supervalorizado”, levando a desequilíbrios comerciais e prejudicando os próprios cidadãos dos EUA.

A demanda global por dólares, segundo este argumento, aumenta seu valor, encarecendo os produtos fabricados nos EUA — o que, por sua vez, gera déficits comerciais persistentes, e incentiva os fabricantes americanos a transferir a produção para o exterior, destruindo empregos locais.

Outros assessores de Trump também já defenderam a ideia de que um enfraquecimento do dólar poderia tornar as exportações americanas mais competitivas no mercado internacional, uma vez que ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. Ao mesmo tempo, os produtos importados que entram nos EUA aumentariam de preço.

“Trump não quer um dólar forte porque isso aumenta as importações”, afirmou Gabriela Siller, diretora de análise econômica do grupo financeiro BASE, com sede no México, em junho à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

Uma teoria é que Trump tem um plano com vários de seus principais conselheiros — o chamado “Acordo Mar-a-Lago”, que teria sido proposto por Miran, com o objetivo final de obrigar os parceiros comerciais dos EUA a desvalorizar o dólar americano no mercado internacional, aponta Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte.

Tal medida tornaria as exportações americanas mais acessíveis aos mercados estrangeiros e diminuiria o valor das grandes reservas de moeda americana da China.

Mas ideias defendidas por Miran e outros assessores de Trump não são bem aceitas por uma parcela dos economistas.

“O plano de Miran, por mais astuto que pareça, se baseia em um diagnóstico equivocado”, escreveu Kenneth Rogoff, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Harvard, nos EUA, e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Embora a função do dólar como principal moeda de reserva do mundo tenha um papel importante, o economista observa que “este é apenas um dos muitos fatores que contribuem para os persistentes déficits comerciais dos EUA”.

E, se o déficit comercial tem várias causas, “a ideia de que as tarifas podem ser uma panaceia é, na melhor das hipóteses, duvidosa”, acrescenta.

É importante ressaltar que, a rigor, o presidente não controla diretamente o valor do dólar em relação a outras moedas porque a taxa de câmbio flutua livremente.

Washington não pode intervir diretamente para fazer a moeda subir ou descer, já que seu valor é determinado por um vasto mercado global de divisas, e são os grandes investidores que compram ou vendem dólares de acordo com suas expectativas.

No entanto, a política econômica do governo dos EUA envia sinais ao mercado, e isso influencia a evolução do valor do dólar e outros fatores importantes, como as taxas de juros.

Dólar ainda ‘é rei’

Mas os últimos acontecimentos não são um sinal do fim da hegemonia da moeda americana na visão de parte dos analistas.

Para alguns dos especialistas consultados pela BBC News Brasil, o início do fim do dólar ainda não chegou. “A afirmação de que estamos vivendo o começo do fim do dólar é prematura”, diz Robert McCauley, da Universidade de Boston.

Apesar de uma retração em alguns setores, a moeda ainda impera quando falamos de transações em comércio internacional. E segundo a grande maioria dos analistas, não há no momento nenhuma outra capaz de substituí-la.

“A dolarização provavelmente continuará, mas o que vai limitá-la, a velocidade com que ela pode se desenvolver, é o fato de que ‘para onde ir em vez disso’, certo? Não há muitas outras moedas líquidas ou países nos quais você pode investir facilmente ou com um mercado de liquidez profunda”, afirma Luis Oganes.

Mesmo a moeda chinesa, que tem crescido e sendo usada por muitos bancos centrais para reservas, não tem ainda força suficiente ainda para substituir o dólar, segundo os especialistas.

Além disso, os depósitos bancários em dólar americano cresceram em muitos países emergentes na última década, indicando uma tendência de busca pela moeda americana em momentos de estresse econômico.

Há ainda quem argumente que mesmo países como Rússia e China, que promovem a discussão sobre a desdolarização, tem dificuldade de se desvincular totalmente do dólar americano.

“Me impressiona o quão lenta a desdolarização foi na Rússia, apesar da clara intenção do governo de reduzir sua exposição ao dólar americano”, diz Robert McCauley.

“Acredito que isso se deve ao fato de o setor privado não ser facilmente persuadido a abandonar o uso do dólar como forma de empréstimo e transação, mesmo em detrimento da moeda nacional.”

O especialista afirma ainda que a China não tem usado todo o potencial de seus empréstimos ou projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento em meio à Iniciativa Cinturão e Rota para impulsionar alternativas à moeda americana.

“As autoridades chinesas parecem estar satisfeitas em conceder empréstimos pelo Banco de Exportação-Importação da China [China Eximbank] e pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB) a países africanos e asiáticos em dólar”, diz McCauley.

“Há uma excelente oportunidade para desdolarizar as contas externas da China, mas que não tem sido aproveitada.”

Fonte: BBC

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Economia, Mercado Internacional

Rússia amplia liquidações e passa a usar yuan nas exportações para o Brasil em 2025 — isola ainda mais o dólar em setores estratégicos de energia, grãos e fertilizantes

Em 2025, um novo dado acendeu o alerta em Washington e Bruxelas: a Rússia passou a ampliar o uso do yuan em suas exportações para o Brasil, reduzindo drasticamente a participação do dólar em setores estratégicos como energia, grãos e fertilizantes. O gesto, que reflete tanto sanções ocidentais quanto a aproximação com os BRICS, marca mais um passo no processo de desdolarização do comércio internacional.

O Brasil, que já havia fechado swap cambial de R$ 157 bilhões com a China, agora vê o yuan avançar também nas suas relações com Moscou. O movimento transforma a moeda chinesa em peça central das trocas sul-sul e coloca o dólar em rota de retração em áreas vitais para a segurança alimentar e energética do planeta.

Fertilizantes: o elo mais sensível

Entre todos os setores, os fertilizantes representam o ponto mais estratégico da nova relação. A Rússia é, ao lado de Belarus, um dos maiores fornecedores globais de potássio, nitrato de amônio e ureia. Em 2024, mais de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil vieram da Rússia, sustentando a produção de grãos no Centro-Oeste.

A partir de 2025, contratos de importação passaram a ser liquidados em yuan. Isso significa que parte da cadeia de insumos agrícolas brasileiros — base da soja, milho, café e carnes que alimentam o mundo — já não depende mais do dólar.

Para a Rússia, isolada financeiramente por sanções após a guerra da Ucrânia, o yuan se tornou a válvula de escape perfeita; para o Brasil, a mudança traz vantagens práticas, mas também riscos estratégicos.

Energia e grãos: o dólar perde espaço

O mesmo processo se repete em outros setores. Compras brasileiras de diesel e óleo refinado russos já começaram a ser liquidadas em yuan, evitando o uso de bancos americanos e europeus. Da mesma forma, lotes de trigo russo, destinados a complementar a produção interna, também passaram a circular sob contratos denominados em moeda chinesa.

Essas movimentações, somadas ao peso dos fertilizantes, consolidam uma tendência: o dólar está sendo isolado das cadeias essenciais Brasil–Rússia, o que reforça a autonomia financeira entre os dois países e dá fôlego às metas de integração monetária do BRICS.

O papel da China: o yuan como moeda-pivô

Embora o comércio seja bilateral, a engrenagem depende de um terceiro ator: a China. O yuan tornou-se a moeda preferencial não apenas por seu peso econômico, mas porque Pequim oferece infraestrutura bancária e liquidez capazes de sustentar grandes operações internacionais.

Na prática, Moscou vende fertilizantes, energia e grãos; Brasília paga em yuan; e Pequim fornece os canais financeiros que tornam a operação possível.

O resultado é um triângulo geopolítico: Rússia fornece, Brasil consome e China financia — todos sem passar pelo dólar.

O alerta em Washington e Bruxelas

Para os Estados Unidos, o avanço do yuan nas exportações russas ao Brasil é visto como mais um sinal de que a hegemonia do dólar enfrenta erosão silenciosa. O temor é de que a prática se espalhe para outros emergentes, reduzindo a capacidade americana de impor sanções financeiras.

Na União Europeia, o cenário é duplamente preocupante. Primeiro porque a UE já compete com o Brasil no setor agrícola e vê com receio qualquer vantagem de custo nos insumos. Segundo porque, ao perder espaço para o yuan, bancos europeus ficam de fora de contratos bilionários em setores estratégicos.

Impactos diretos no Brasil

Para o Brasil, a mudança traz vantagens imediatas:

  • Redução de custos e burocracia: contratos em yuan eliminam intermediários em dólar e reduzem taxas cambiais.
  • Segurança de abastecimento: mesmo sob sanções, a Rússia garante fornecimento de fertilizantes e energia ao Brasil.
  • Competitividade agrícola: acesso a insumos mais baratos e estáveis fortalece o agronegócio brasileiro, motor das exportações.

Mas também existem riscos:

  • Nova dependência: o Brasil fica ainda mais vinculado à China, já que depende do yuan para suas importações russas.
  • Vulnerabilidade geopolítica: em caso de tensões maiores entre China e EUA, o Brasil pode ser pressionado a escolher lados.
  • Opacidade financeira: a falta de conversibilidade plena do yuan limita a transparência das operações.

O BRICS como escudo monetário

A adoção do yuan nas exportações russas ao Brasil também se conecta ao fortalecimento do BRICS. O bloco discute a criação do BRICS Pay, um sistema de pagamentos alternativo ao Swift, capaz de sustentar transações em moedas locais.

Embora a ideia de uma “moeda única” tenha sido descartada, o avanço do yuan e o apoio de países como Rússia e Arábia Saudita mostram que a estratégia de fragmentar a hegemonia do dólar está em curso.

Nesse cenário, o Brasil surge como peça-chave: é quem mais importa fertilizantes da Rússia, é parceiro central da China no agronegócio e é ponte para a América Latina.

O futuro do dólar no comércio de insumos

Especialistas divergem sobre até onde essa tendência pode ir. Alguns acreditam que o dólar continuará dominante, já que ainda responde por quase 80% das transações globais. Outros, no entanto, argumentam que o objetivo de Moscou e Pequim não é substituir o dólar, mas reduzir gradualmente seu espaço em setores críticos.

E nesse jogo, fertilizantes, grãos e energia são alvos perfeitos: sem eles, não há segurança alimentar nem produção agrícola. Se o yuan domina essas cadeias, Pequim e Moscou ganham influência desproporcional no tabuleiro global.

Ao aceitar pagar em yuan pelas exportações russas, o Brasil colhe benefícios imediatos: insumos mais baratos, menos dependência do dólar e fortalecimento do BRICS. Mas a médio prazo, a pergunta é inevitável:
o país está ganhando autonomia ou apenas se tornando ainda mais dependente da órbita chinesa?

O que é certo é que, em 2025, o dólar perdeu mais uma batalha silenciosa. E dessa vez, o campo de guerra foram os fertilizantes, a energia e os grãos que sustentam o Brasil e alimentam o mundo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Notícias

Brasil tem mais de 10 mil roubos de carga em 2024

Problemas com a malha rodoviária e o elevado índice de roubo nas estradas são os maiores desafios enfrentados pelo transporte de cargas no País. Em 2024, dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que o País registrou, em média, 27 roubos de cargas por dia.

O roubo de cargas no Brasil vem sendo grande fonte de receita para as quadrilhas especializadas. Conforme o relatório de Análise de Roubo de Cargas, os ataques cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025. Dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística indicam que, em 2024, foram contabilizados 10.478 roubos de carga no País, com prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão. As informações são da Agência Brasil.

Investimentos adicionais em segurança e tecnologia, atrasos nas entregas e necessidade de rotas mais longas para evitar áreas de risco comprometem toda a cadeia logística. Essas medidas elevam os custos repassados ao consumidor final e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado. Desde 2023, com a promulgação da Lei 14.599/23, a contratação dos seguros de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C), o de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC) e o de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V) é obrigatória, o que tem impactado a procura pelos produtos de seguros.

Nos primeiros cinco meses deste ano, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a arrecadação do RC-DC cresceu 8,1%, alcançando R$ 570 milhões, enquanto as indenizações subiram 12,4%, totalizando R$ 239 milhões. Já o RCTR-C avançou 1,5%, somando R$ 721 milhões em prêmios, com pagamentos de quase R$ 520 milhões, alta de 5,2%.

O cenário deve ganhar novo impulso com a Portaria Suroc n.º 27/2025, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 11 de agosto. A norma prevê a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para empresas que não comprovarem a contratação dos seguros exigidos.

Para o diretor de Relações Institucionais CNseg, Esteves Colnago, a portaria trará mais eficiência e controle para o exercício do transporte de cargas nas estradas brasileiras. “É de suma importância essa nova normativa da ANTT. Ela traz uma evolução no método de fiscalização, saindo de uma abordagem baseada em documentos físicos para um modelo digital e integrado, o que promete maior eficiência e controle sobre a obrigatoriedade da cobertura de seguros no transporte de cargas, aumentando a segurança para todos os envolvidos na cadeia logística”, afirmou.

A comprovação poderá ser feita de duas formas: pela apresentação do frontispício (folha de rosto) da apólice ou do certificado de seguro à fiscalização da ANTT; ou pela verificação automática, por meio de intercâmbio de dados em tempo real entre a agência e as seguradoras (ou entidade que as represente).

O sistema digital deverá estar plenamente implementado até 10 de março de 2026, prazo definido pelo Artigo 3º da portaria. Até lá, a ANTT disponibilizará às seguradoras um manual técnico para integração via webservice, garantindo o envio automático das informações relativas à contratação dos seguros.

No primeiro semestre de 2025, as cargas fracionadas continuaram sendo as mais visadas por criminosos, representando 43,8% do total de prejuízos com roubo de cargas no país. Apesar da liderança, o segmento registrou uma queda de 14,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. Esses tipos de carga são especialmente vulneráveis durante a noite, quando ocorrem 54,2% dos roubos, e às sextas-feiras, que concentram 32,8% dos casos.

Outro estudo, chamado relatório de “Análise de Roubo de Cargas” da nstech, mostra que a região Sudeste segue como epicentro das perdas nesse tipo de carga, com 71,9% do total de prejuízos, sendo São Paulo responsável por 51,3% e o Rio de Janeiro, por 14,6%. Na segunda posição do ranking de produtos mais visados, os alimentos registraram 33,3% dos prejuízos no semestre — um aumento expressivo em relação aos 22,6% no mesmo período de 2024.

Já os eletrônicos responderam por 10,8%, frente a 9% no ano anterior. O relatório da nstech também detalha os períodos mais perigosos para o transporte de cargas no Brasil. A sexta-feira se destacou como o dia com maior concentração de prejuízos no primeiro semestre de 2025, respondendo por 23,2% do total registrado. 

A maioria das ocorrências ocorreu no período noturno, que concentrou 68,6% dos valores sinistrados apenas nas sextas. Nesse cenário, São Paulo foi o estado mais afetado, responsável por 42,1% dos prejuízos registrados nesse dia da semana. As cargas mais visadas foram as fracionadas, que representaram 62,1% das perdas, seguidas pelos alimentos (35,6%), bebidas (1,8%) e medicamentos (0,5%).

Fonte: Jornal do Comércio

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Mercado Internacional

Rui Costa: Governo aumenta diálogo com China, Europa e mundo árabe para abrir mercado

“Queremos que o Brasil diversifique ainda mais suas exportações e diminua sua exposição às intempéries americanas”, afirmou o ministro

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse nesta terça-feira, 26, que o governo está respondendo com um conjunto de ações ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil.

Entre os itens, disse que o Executivo está ajudando “fortemente” na abertura de novos mercados para as exportações brasileiras. As falas foram feitas na abertura da reunião ministerial.

“Queremos que o Brasil diversifique ainda mais suas exportações e diminua sua exposição às intempéries americanas”, afirmou Rui Costa.

Como parte dessa agenda, o ministro destacou a intensificação de diálogo com China, Europa e mundo árabe.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Banco Central do Brasil firmou acordo bilionário com a China para uso do yuan — em movimento que aumenta pressão sobre a hegemonia do dólar; VEJA VALOR

Em maio de 2025, o Banco Central do Brasil anunciou um acordo histórico com o Banco Popular da China: um swap cambial equivalente a R$ 157 bilhões (US$ 27,7 bilhões), válido por cinco anos. A operação, à primeira vista técnica, é na verdade um marco geopolítico. Mais do que garantir liquidez em situações de crise, o swap acelera o uso do yuan no comércio bilateral e sinaliza ao mundo que o Brasil está disposto a diversificar sua dependência do dólar.

Esse movimento coloca o país no centro da disputa entre duas potências: de um lado, os Estados Unidos, que ainda dominam 80% das transações globais com sua moeda; do outro, a China, que busca consolidar o yuan como referência internacional em contratos de energia, commodities e tecnologia.

O que é um swap cambial — e por que esse importa tanto

Um swap cambial é um acordo entre dois bancos centrais que permite a troca de moedas por um valor pré-determinado, funcionando como um “colchão de liquidez”.

Se uma crise cambial atingir o Brasil, por exemplo, o Banco Central pode recorrer ao yuan diretamente, sem depender de dólares intermediários.

No entanto, o acordo de 2025 não é apenas uma linha de defesa contra crises. Ele reflete a estratégia chinesa de ampliar o uso de sua moeda no comércio global e criar alternativas ao sistema financeiro dominado por Washington. Para o Brasil, abre-se a oportunidade de reduzir custos de transação, dar mais competitividade ao agronegócio e à mineração, e aumentar a resiliência em tempos de instabilidade cambial.

O  peso da China no comércio brasileiro

A relevância do yuan cresce porque a China já é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 157 bilhões, com superávit recorde para os brasileiros.

Produtos como soja, minério de ferro, petróleo e carne representaram a maior parte das exportações, enquanto o Brasil importou principalmente insumos industriais e tecnologia.

O dado mais simbólico é que, no primeiro trimestre de 2025, 41% do comércio entre Brasil e China já foi liquidado em yuan, um índice histórico. Isso significa que empresas brasileiras estão pagando e recebendo diretamente na moeda chinesa, sem precisar passar pelo dólar — algo impensável há poucos anos.

O alerta de Washington

Nos Estados Unidos, o avanço do yuan é visto como um desafio direto à supremacia do dólar. A moeda americana ainda domina as reservas internacionais e é usada em cerca de 80% das transações de câmbio.

Mas cada acordo que fortalece o yuan em países estratégicos — como Brasil, Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes — é interpretado como um passo na erosão lenta, porém consistente, da hegemonia americana.

Autoridades em Washington já expressaram preocupação. O temor é que, ao reduzir a dependência do dólar, países como o Brasil também diminuam sua vulnerabilidade a sanções e pressões financeiras dos EUA, criando uma rede paralela de transações globais.

Europa em compasso de espera

Se os EUA soam o alarme, a União Europeia observa com cautela. Bruxelas teme que, ao fortalecer acordos financeiros com a China, o Brasil deixe de priorizar negociações com o bloco europeu — que já sofre desgaste nas conversas sobre o acordo Mercosul–UE.

Além disso, a transição para moedas alternativas no comércio global ameaça a competitividade das empresas europeias, que operam sob regras mais rígidas e menos flexíveis do que as chinesas.

Conexão com os BRICS e a desdolarização

O swap não pode ser analisado isoladamente. Ele é parte de uma estratégia mais ampla dos BRICS, que vêm discutindo há anos alternativas ao dólar.

Em 2024, o grupo anunciou a expansão para incluir Arábia Saudita, Egito e Irã, e reforçou o debate sobre o BRICS Pay, um sistema de pagamentos que permitiria transações multilaterais em moedas locais.

Embora a criação de uma “moeda única dos BRICS” ainda pareça distante, a soma de acordos bilaterais, como o swap Brasil–China, constrói na prática um sistema multipolar de pagamentos, onde o dólar perde espaço gradualmente

Os impactos diretos no Brasil

Para o Brasil, os efeitos imediatos do swap são claros:

  • Agronegócio: exportadores de soja, carne e açúcar terão mais facilidade para fechar contratos em yuan, reduzindo custos e volatilidade.
  • Mineração: o minério de ferro e o níquel, vendidos em larga escala para a China, podem ser liquidados em moeda chinesa, facilitando operações de longo prazo.
  • Energia: com os novos projetos de petróleo e hidrogênio verde, o yuan pode se tornar referência em contratos energéticos.
  • Sistema financeiro: bancos brasileiros ganham acesso direto a reservas em yuan, fortalecendo a estabilidade cambial em tempos de turbulência.

O risco da nova dependência

Mas nem tudo são vitórias. Economistas alertam que trocar a dependência do dólar por uma dependência do yuan pode gerar novos problemas.

A moeda chinesa ainda não é totalmente conversível, e o mercado financeiro do país continua sob forte controle estatal. Isso significa que, em cenários de crise, o acesso ao yuan pode depender mais de decisões políticas de Pequim do que de mecanismos automáticos de mercado.

Em outras palavras: o swap amplia a autonomia frente aos EUA, mas pode aumentar a vulnerabilidade frente à China.

Especialistas divergem sobre até onde o yuan pode avançar. Alguns acreditam que, sem abertura plena do sistema financeiro chinês, ele dificilmente substituirá o dólar. Outros, porém, apontam que não é necessário substituir para desafiar: basta conquistar fatias crescentes do comércio global.

Com o Brasil como parceiro estratégico, a China mostra que está disposta a usar diplomacia, investimentos e finanças para fortalecer sua moeda. Cada contrato assinado em yuan é uma vitória simbólica e prática na disputa pelo futuro do sistema monetário internacional.

Yuan, dólar e real

O acordo de R$ 157 bilhões coloca o Brasil no epicentro de uma batalha monetária que definirá as próximas décadas. Ao mesmo tempo em que amplia suas opções e reduz custos, o país também se aproxima ainda mais da órbita de Pequim.

A grande questão é: o Brasil será capaz de usar o swap como trunfo estratégico, diversificando suas parcerias sem se prender a um único polo de poder? Ou estará apenas trocando uma dependência histórica pelo risco de uma nova armadilha financeira?

De qualquer forma, uma coisa é certa: em 2025, o Brasil deixou de ser apenas observador para se tornar protagonista da disputa global entre dólar e yuan.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Portos

Moegão da Portos do Paraná alcança 67% de conclusão

A maior obra pública portuária do Brasil, o Moegão, atingiu 67% de execução geral nesta semana. Somente a parte civil, por exemplo, já chegou a 76,8% dos trabalhos concluídos. Na parte mecânica, foram 71,7% de avanço e na parte elétrica, 35,6% já foi realizado. O terminal terá capacidade para descarregar 180 vagões a cada cinco horas e vai conectar 11 estruturas portuárias, além de reduzir os cruzamentos de linhas férreas na cidade de Paranaguá.

O novo complexo é formado por moegas ferroviárias, sistema de transporte vertical (elevadores de canecas), sistema de transporte horizontal (correias transportadoras), sistema de transferência de produto (torres de transferência), sistema de alimentação dos terminais (torres de alimentação), balanças (ferroviárias e integradoras), utilidades, prédio administrativo e prédio de manutenção. Nas próximas semanas, a ideia é finalizar a parte pré-moldada das Torres 5 e 9, concluir a fundação dos prédios administrativos e avançar na montagem da parte mecânica e elétrica.

Atualmente o Moegão avança com a instalação das estruturas que farão todo o complexo funcionar, como as galerias aéreas. No interior de cada um estão sendo instaladas três esteiras transportadoras, cada uma com capacidade para levar até 2.000 toneladas por hora de grãos vegetais. 

O Governo do Estado do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está aplicando mais de R$ 650 milhões, a partir de recursos próprios e de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atualmente, em média, 550 vagões podem ser descarregados diariamente no Corex. Com o Moegão, o descarregamento será padronizado em um único espaço, que terá condições de recepcionar até 900 vagões por dia.

Como não haverá mais a entrada de vagões dentro dos terminais, as manobras, que hoje são necessárias para o descarregamento, deixarão de existir, reduzindo sensivelmente as interrupções no trânsito da cidade. O número de cruzamentos com interrupções cairá de 16 para cinco. Cada terminal é responsável por fazer a interligação até o receptivo do Moegão. A previsão da entrega é dezembro de 2025, com operação prevista para o início de 2026.

“O Moegão é uma estrutura que impressiona pelo tamanho e pela complexidade de engenharia. A obra segue o cronograma, não temos qualquer atraso, e a perspectiva é de entregar o complexo no final deste ano”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O Moegão poderá receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano para atender os terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Essa quantidade é maior que a média anual de exportação do Corex, pois já prevê a ampliação do modal ferroviário em direção ao litoral paranaense por meio da nova Ferroeste e dos investimentos na Malha Sul.

“Essas mudanças vão acontecer em breve. O nosso porto já se prepara para as mercadorias das próximas décadas”, explica Garcia. “O Moegão é uma obra que prepara o Porto de Paranaguá para o futuro e ainda promoverá um equilíbrio com o modal rodoviário, que se manterá como uma opção forte de transporte até os portos paranaenses”.

Ao mesmo tempo, o Moegão exercerá um papel crucial para os novos terminais que fazem parte das áreas arrendáveis do Porto de Paranaguá – PARs 14, 15 e 25 –, já leiloados e que aguardam as tramitações legais para a assinatura do contrato e do termo de posse. Parte dos investimentos (R$ 1,1 bilhão) a serem feitos pelos arrendatários terá como destino a construção da primeira fase do Píer em “T”. Mais R$ 1 bilhão será aplicado pelo Governo do Estado.

A unidade, que contará com quatro berços, vai permitir que o Corex triplique a velocidade média de carregamento dos navios — passando de 3 mil para 8 mil toneladas movimentadas por hora.

O gerente da Cotriguaçu, Rodrigo Buffara, representante da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), comentou que a Cotriguaçu já contratou a interligação ao eixo principal do Moegão. “Visamos maximizar o recebimento ferroviário, onde fica, na nossa visão técnica, a grande evolução do corredor de exportação, gerando um aumento de descarga ferroviária. Estamos juntos neste processo para somar”, afirmou.

Fonte: Governo do Estado do Paraná

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Exportação

Exportação de arroz perde força; estoques pressionam mercado

Esse movimento revela o desequilíbrio entre oferta e demanda

Setembro marca o início da colheita da safra americana de arroz, reduzindo a competitividade do Brasil no mercado internacional e fechando a janela mais favorável para exportações. As informações são de Sérgio Cardoso, Diretor de Operações na Itaobi Representações.

Com estoques elevados nas mãos de produtores e indústrias, o mercado nacional segue travado, sem capacidade de absorver o volume interno e com poucas alternativas externas. O leilão de opção realizado nesta semana reforçou a insegurança do setor: no Rio Grande do Sul, os prêmios saltaram mais de dez vezes em relação ao valor de abertura, sinalizando o custo crescente para assegurar vendas futuras. 

“Enquanto isso, os estoques elevados nas mãos de produtores e indústrias confirmam o alerta que temos feito há meses: um mercado travado, sem espaço para absorver volumes internos e com pouca saída para o exterior”, conclui.

Esse movimento revela tanto o desequilíbrio entre oferta e demanda quanto o peso da incerteza sobre a comercialização. O cenário consolidado é de pressão sobre os preços internos, exportações insuficientes para dar vazão ao excedente e perda de competitividade diante dos Estados Unidos, que já colocam sua safra no mercado.

A proximidade da próxima colheita amplia o risco de acúmulo de produto e queda ainda maior nos preços. Para Cardoso, o setor vive “tudo o que não queremos”: um conjunto de fatores que expõe a fragilidade do mercado justamente no período mais delicado de transição entre safra e entressafra. 

“Em resumo: estamos diante de tudo o que não queremos. Uma conjunção de fatores que reforça a fragilidade do mercado no momento mais sensível da transição entre safra e entressafra”, conclui.
 

Fonte: Agrolink

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Comércio Exterior

Disputa no BRICS: China quer impor o yuan no bloco, mas Brasil, Índia e África do Sul batem de frente

A China tem intensificado suas iniciativas para ampliar o uso do yuan como moeda de referência dentro do bloco dos BRICS.

A proposta aparece em um momento em que os países do grupo discutem alternativas ao dólar para reduzir riscos em transações internacionais.

O tema ganhou força após as sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra a Rússia, que estimularam a busca por outras formas de pagamento.

Nesse contexto, Rússia e Brasil passaram a adotar o yuan de forma mais frequente em operações comerciais, especialmente no setor de petróleo e em outras commodities.

Durante as cúpulas realizadas em 2023 e 2024, o governo de Xi Jinping apresentou propostas formais para que o yuan fosse considerado tanto nas reservas de bancos centrais quanto em transações comerciais.

Além disso, Pequim sugeriu que os países membros utilizassem com maior frequência suas moedas locais nas trocas, ressaltando, no entanto, o papel do yuan como alternativa disponível.

Reações internas no bloco

Apesar da pressão, a estratégia não é aceita de forma unânime pelos países dos BRICS.

Índia e África do Sul mostram cautela porque defendem um sistema multimoedas.

Um sistema multimoedas, defendido em várias ocasiões pelos BRICS, é um arranjo financeiro no qual diferentes moedas nacionais dos países membros podem ser usadas nas transações comerciais e financeiras entre eles, em vez de depender quase exclusivamente do dólar norte-americano como referência.

Segundo eles, esse formato permitiria que diferentes moedas locais tivessem espaço, sem dar exclusividade ao yuan.

Mesmo o Brasil, que vinha utilizando a moeda chinesa em várias transações, agora reforça essa posição de não dar um maior protagonismo ao yuan.

Os três países argumentam que o comércio interno do bloco deve ser diversificado e que uma cesta de moedas poderia competir com o dólar de forma mais equilibrada.

Empréstimos em moeda chinesa

Além do comércio, a China pressiona pelo uso do yuan em financiamentos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).

Países como Paquistão, Sri Lanka e nações africanas já receberam empréstimos denominados em yuan. A medida reforça a intenção de Pequim em consolidar sua moeda como alternativa global.

No entanto, nem todos concordam. A Índia chegou a utilizar o yuan em algumas liquidações, mas desistiu rapidamente.

Essa decisão mostra o receio de depender excessivamente da moeda chinesa

Críticas ao protagonismo da China nos BRICS

A China é, de longe, a maior economia do BRICS. Seu PIB supera o somado de vários membros do bloco, o que gera um desequilíbrio natural de poder.

Especialistas apontam que essa disparidade permite a Pequim pautar os rumos do grupo, reduzindo a autonomia de países como Brasil e África do Sul.

Para críticos, em vez de cooperação equilibrada, o BRICS pode se tornar uma extensão da política externa chinesa.

Analistas observam que a China enxerga o BRICS como instrumento de projeção internacional.

Ao defender uma nova moeda de referência, baseada no yuan, e ampliar sua influência no Novo Banco de Desenvolvimento, Pequim reforça sua posição como alternativa à hegemonia dos Estados Unidos.

Trump pressiona contra os BRICS

Donald Trump, em seu novo mandato, transformou o BRICS em prioridade política. Ele passou a atacar o bloco diretamente, tratando-o como uma ameaça ao sistema monetário global liderado pelo dólar.

O chefe da Casa Branca deixou claro que não permitirá avanços nesse sentido sem reação dura.

Ameaças tarifárias

Em janeiro, Trump anunciou que países do BRICS que avançarem em iniciativas para reduzir o uso do dólar enfrentarão tarifas comerciais pesadas.

Ele chegou a citar alíquotas de até 100% sobre importações, além de uma tarifa fixa de 10% para produtos de todos os membros do bloco.

Vamos exigir um compromisso desses países aparentemente hostis de que eles não criarão uma nova moeda nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano, caso contrário, eles enfrentarão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia dos EUA“, escreveu Trump na ocasião.

Efeitos inesperados

Especialistas apontam que a estratégia de Trump pode ter efeito contrário ao desejado.

Em vez de enfraquecer o BRICS, suas ações podem acelerar a busca por alternativas financeiras.

O BRICS Pay, sistema de pagamentos em moedas locais, ganhou força justamente em meio às sanções e ameaças.

Portanto, a pressão americana funciona como estímulo para que o bloco consolide ferramentas próprias, reduzindo gradualmente sua vulnerabilidade ao dólar.

A ofensiva de Trump mostra o quanto o tema deixou de ser apenas econômico e passou a ser geopolítico.

Ao defender o dólar com tarifas e ameaças, os Estados Unidos reforçam a imagem de que temem perder espaço no sistema internacional.

Para os países do BRICS, o desafio é transformar discurso em prática, expandindo o uso de moedas nacionais e provando que podem criar alternativas reais.

O cenário indica que a disputa está apenas começando e deve marcar os próximos anos.

Caminhos futuros do BRICS

Portanto, ainda que a China reforce a proposta de ampliar o uso do yuan como moeda de referência no bloco, os demais países mantêm certa distância em relação a essa ideia.

Cada membro apresenta interesses próprios e, no conjunto, a preferência tem sido por um arranjo mais amplo e diversificado.

A posição majoritária é de defesa de um sistema multimoedas, no qual as moedas locais de cada país tenham espaço equivalente.

A justificativa é que esse modelo permite maior equilíbrio nas transações e reduz a concentração de poder em torno de apenas uma divisa.

Em síntese, o BRICS não sinaliza adesão ao yuan como moeda de reserva única.

As diferenças internas em relação ao tema acabam funcionando como um limite para o alcance de iniciativas mais ousadas dentro da aliança, mantendo o bloco em uma trajetória de negociações graduais e de difícil consenso.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Internacional

Brasileiros ampliam apoio à China e rejeição a EUA e Israel

A imagem internacional do Brasil em relação a grandes potências está passando por uma reviravolta. Segundo levantamento da Genial/Quaest, divulgado pela colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a percepção positiva dos brasileiros sobre a China saltou de 34% em outubro de 2024 para 49% em agosto deste ano. No mesmo período, a avaliação favorável aos Estados Unidos caiu de 56% para 44%, e a de Israel despencou de 52% para 35%.

A pesquisa, realizada entre 13 e 17 de agosto com 12.150 pessoas em todo o país, mostra ainda que a imagem negativa dos EUA cresceu de 25% para 48%. Israel também registrou aumento na rejeição, passando de 27% para 50%. Esses movimentos coincidem com o tarifaço e as sanções aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com a ofensiva do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para pressionar o Judiciário a livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da condenação e da cadeia por tentativa de golpe.

O salto da China foi mais expressivo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, onde a avaliação positiva cresceu de 41% para 61%. Entre os que votaram em branco ou nulo, a aprovação também subiu, passando de 31% para 50%. Já no grupo de eleitores de Jair Bolsonaro, a percepção favorável ao país asiático se manteve estável em 30%.

A queda da imagem dos EUA foi mais acentuada entre os eleitores de Lula, que em março registravam 51% de aprovação e agora caíram para 23%. Entre os apoiadores de Bolsonaro, no entanto, a popularidade dos americanos segue alta, subindo de 66% para 72%.

Israel perde apoio

No caso de Israel, a rejeição avançou em quase todos os segmentos, impactada principalmente pelos desdobramentos da guerra em Gaza. Entre os bolsonaristas, o índice de aprovação caiu de 67% para 54%. A maior qued, aparece entre os católicos, que representam a maioria da população: apenas 30% avaliam positivamente o país, enquanto 52% reprovam. Já entre evangélicos, o apoio é majoritário, com 52% de avaliação favorável.

Rússia e Argentina apresentam leve melhora

O estudo também aponta crescimento na percepção sobre Rússia e Argentina. A imagem positiva de Moscou avançou de 20% para 25%, enquanto Buenos Aires subiu de 36% para 42%. Apesar disso, o governo de Vladimir Putin segue com o maior índice de rejeição entre os brasileiros, atingindo 59%.

Percepção varia conforme a renda

A pesquisa revelou ainda diferenças significativas de opinião entre faixas de renda. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, os EUA mantêm a liderança em imagem positiva, com 53%. Já entre os mais pobres, a China aparece em vantagem, com 45% de aprovação.

O levantamento utilizou dados da Pnad de 2024 e 2025 e do Censo de 2022, ambos do IBGE, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

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