Agricultura, Agronegócio

Abertura de novos mercados para o Brasil

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 415 aberturas de mercado desde o início de 2023, em 71 destinos

O governo brasileiro concluiu, nesta semana, negociações sanitárias e fitossanitárias que resultam em novas aberturas de mercado para produtos do agronegócio nacional.

No Togo, as autoridades locais autorizaram a importação de sementes de milho, de braquiária, de soja e de sorgo do Brasil. As sementes brasileiras são reconhecidas internacionalmente por sua qualidade genética, alta taxa de germinação e sanidade, resultado de investimentos contínuos em pesquisa e inovação, o que contribui para aumentar a produtividade e a segurança alimentar em países parceiros.

Na Indonésia, as autoridades locais aprovaram a exportação de bovinos vivos para reprodução, o que permitirá fortalecer a pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na Ásia.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 415 aberturas de mercado desde o início de 2023, em 71 destinos.

Tais avanços são resultado do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

Brasil e México fecham parcerias em agro e biocombustível

Parcerias preveem intercâmbio de experiência e transferência de tecnologia entre dos dois países

Brasil e México fecharam, na quarta-feira (27), parcerias para aprofundar a cooperação nos setores da agropecuária, de biocombustíveis, fortalecimento comercial e atração de investimentos. Em evento de assinatura dos memorandos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin destacou o impacto que a parceria terá em diversos setores, como o econômico e social.

“Quero destacar a importância do que acabamos de assinar. A importância social, que significa emprego, renda, novas oportunidades, vida digna para a população; a importância econômica, investimentos, crescimento do setor produtivo; importância científica e tecnológica, novas formas tecnológicas para a descarbonização; a importância ambiental”, afirmou Alckmin.

O memorando que trata de biocombustíveis é a base para futuras ações de cooperação, com o objetivo de impulsionar um crescimento do setor no México, aproveitando a reconhecida experiência que o Brasil possui na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.

A parceria prevê o intercâmbio de experiências e a transferência de tecnologia, equipamentos, metodologias e experiências entre os dois países para acelerar o desenvolvimento do setor de matérias-primas e da indústria de biocombustíveis, estimulando a captura e armazenamento de carbono a partir da bioenergia. Isso abre caminho para o crescimento ordenado e sustentável da produção de biocombustíveis, como etanol, SAF e combustíveis marítimos sustentáveis.

A cooperação faz parte da estratégia do Brasil de aprofundar a integração econômica com o fortalecimento de parcerias em setores estratégicos, gerando benefício recíprocos para as duas maiores economias e democracias da América Latina.

Cooperação agropecuária

Em reunião na sede da chancelaria mexicana, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Julio Sacristán, assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação entre os dois países em áreas de produção agrícola e pecuária, acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, promoção de pesquisa e inovação tecnológica, financiamento e seguro rural, além de instrumentos que facilitem a comercialização de produtos agrícolas.

O memorando prevê a criação de um grupo de trabalho com representantes das áreas técnicas de ambos os países que irá identificar as áreas de interesse comum, planejar, implementar e atualizar o Plano de Trabalho.

Na reunião com secretário de Agricultura, os dois países também se comprometeram a adequar as legislações sobre a rastreabilidade da carne bovina, sem prejuízo às exportações brasileiras de carne para o México.

Fonte: Canal Rural

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Agronegócio, Comércio Exterior, Economia

Soja Cai em Chicago Porque China Sinaliza Menos Apetite Pelo Grão dos EUA

A soja de Chicago caiu nesta segunda-feira (25), depois de atingir máximas de dois meses na sexta-feira (22), com os participantes do setor perdendo a confiança de que os compradores chineses comprariam a soja dos Estados Unidos, enquanto os comerciantes avaliaram as isenções concedidas às refinarias de petróleo dos EUA para o uso de biocombustíveis à base de soja.

A soja mais ativa da bolsa de Chicago fechou com queda de 10,75 centavos, a US$10,4775 por bushel.

No domingo, o embaixador de Pequim em Washington disse que o protecionismo dos EUA estava prejudicando a cooperação agrícola com a China e alertou que os agricultores não deveriam arcar com o preço da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

“Normalmente, em setembro, a China compra de 14% a 15% de suas necessidades de soja”, disse Dan Basse, presidente da AgResource. “Eles não vão comprar toneladas nos próximos dias, quando nem sequer estão conversando.”

Em relação ao milho, o cereal se firmou depois que um tour de safra previu a colheita dos EUA abaixo das estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA. O trigo subiu com o apoio dos futuros do milho e as esperanças de vendas de exportação dos EUA, com os preços robustos do Mar Negro.

Espera-se que o Departamento de Agricultura dos EUA reduza suas classificações das safras de milho e soja dos EUA em um relatório semanal nesta segunda-feira, disseram analistas em uma pesquisa da Reuters, embora os agricultores ainda estejam preparados para produzir grandes colheitas.

O milho fechou com alta de 0,75 centavos, a US$ 4,1225 por bushel, e o trigo fechou com alta de 2,5 centavos mais alto, a US$5,2975 por bushel.

Na sexta-feira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA aprovou a maioria dos pedidos em atraso de pequenas refinarias de petróleo para isenções do uso obrigatório de biocombustíveis, levantando preocupações sobre a redução da demanda por combustíveis renováveis, geralmente produzidos a partir da soja.

A consultoria Pro Farmer previu na sexta-feira que os agricultores dos EUA colheriam uma safra recorde de milho, embora sua estimativa tenha colocado a safra abaixo das projeções do USDA, acrescentando um toque de alta ao mercado.

Fonte: Forbes Brasil

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Agronegócio

Inadimplência no agronegócio pressiona bancos e expõe riscos de endividamento

O setor bancário brasileiro enfrenta um aumento expressivo da inadimplência no agronegócio. O problema ocorre mesmo diante de projeções otimistas para a safra de 2025, com colheita recorde de milho e alta relevante na produção de soja. A combinação de endividamento elevado, queda no preço das commodities e mudanças regulatórias acendeu um sinal de alerta para as instituições financeiras.

Banco do Brasil sente maior impacto

Com participação de quase 50% no crédito ao agronegócio, o Banco do Brasil é o mais afetado. A inadimplência disparou, chegando a 3,94% em 2025, contra 0,96% no fim de 2023. A carteira do banco soma R$ 404,9 bilhões, com cerca de 20 mil clientes em atraso, dos quais 74% nunca haviam deixado de pagar antes de 2023.

Segundo a presidente do BB, Tarciana Medeiros, o número de recuperações judiciais também preocupa. “Recuperação judicial é para quem precisa, vamos combater litigância abusiva”, afirmou, criticando escritórios de advocacia que, segundo ela, incentivam produtores a recorrerem a esse mecanismo de forma predatória.

Recuperações judiciais em alta

Após decisão do STF em 2020, grandes produtores rurais passaram a poder solicitar recuperação judicial (RJ) como pessoa física. Desde então, os casos se multiplicaram. Dados da Serasa Experian apontam que os pedidos de RJ no setor chegaram a 389 apenas no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 44,6% em relação ao mesmo período de 2024.

O diretor de agro da empresa, Marcelo Pimenta, avalia que o ambiente se deteriorou: “Muitos produtores enfrentam custos altos, prazos longos para receber, maior exigência de garantias e dificuldades na rolagem de dívidas”.

Trump agrava a instabilidade

Outro fator que ameaça os produtores é o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, que pode reduzir a competitividade das exportações e afetar diretamente a receita do setor.

Bancos privados adotam cautela

Nos bancos privados, a avaliação é de que o ciclo atual do agronegócio é o mais desafiador dos últimos anos.

  • O CEO do Santander, Mario Leão, destacou: “Estamos possivelmente vivendo o momento mais duro do ciclo do agro, mas em algum momento isso vai voltar”.
  • No Itaú, Milton Maluhy Filho afirmou que a carteira diversificada da instituição reduziu o impacto: “Isso é consequência de uma gestão de portfólio muito ativa, feita de forma cuidadosa, com boas garantias”.
  • Já o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, reforçou que a situação está sob controle: “O agro do Brasil é o mais competitivo do mundo, o mais produtivo em todas as culturas”.

Desafios para crédito e Plano Safra

Entre as cooperativas, o Sicredi também admite crescimento da inadimplência e aumento de pedidos de RJ, embora com variação regional. O governo, por sua vez, anunciou o Plano Safra 25/26, de R$ 594,4 bilhões — um reajuste de apenas 1,69% em relação ao ciclo anterior, abaixo da inflação do período.

Para especialistas, juros altos, menor subsídio e instabilidade fiscal elevam o risco de novos calotes. O diretor de agro do Santander, Carlos Aguiar, resume: “Vai ser um ano difícil”.

BB muda estratégia de cobrança

Diante do cenário, o Banco do Brasil endureceu sua política. O vice-presidente financeiro da instituição, Geovanne Tobias, destacou que a postura mudou: “O banco era conhecido por não executar garantias, que gostava de tomar um cafezinho com o cliente e evitar estresse na relação, mas agora isso está mudando”.

A instituição tem trocado garantias para modalidades mais rápidas de execução, além de ampliar a judicialização dos casos.

Fonte: Brasil 247

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Agronegócio

Mais um recorde para o agro brasileiro: 400 mercados abertos em 2,5 anos

Diversificação da pauta, qualidade e união entre governo e setor produtivo consolidam a liderança do Brasil no comércio global de alimentos, fibras e energia

O agro brasileiro alcançou mais um feito histórico. A abertura de mercado número 400 permite ao país exportar carne bovina com osso e miúdos bovinos para as Filipinas, importante parceiro comercial que em 2024 comprou mais de US$1,5 bilhão em produtos agropecuários brasileiros.

Entre 2019 e 2022 foram abertos 241 mercados para os produtos do agro. Agora, em apenas 2,5 anos, o país alcança a marca recorde de 400 mercados abertos, destacando a posição do Brasil como líder confiável na oferta de alimentos, fibras e energia de qualidade, com garantia de sanidade e sustentabilidade. Vale destacar também que desde 2023 o país ampliou o acesso de seus produtos em aproximadamente 200 mercados previamente conquistados.

“Cada novo mercado aberto ou ampliado é uma vitória para o produtor brasileiro. Não se trata apenas de negócios, mas de mostrar ao mundo a qualidade, o compromisso e a dedicação de quem faz o agro do Brasil acontecer. Estamos criando novas oportunidades e reafirmando nossa posição como parceiros confiáveis no comércio internacional”, afirma o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

Essa conquista é resultado da colaboração entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)e ApexBrasil em parceria também com o setor privado.

Novos mercados e nichos emergentes

Entre as aberturas mais notáveis, não apenas pelos potenciais de mercado, mas também pelo simbolismo que carregam, estão produtos tradicionais e nichos emergentes:

  • Sorgo para a China (2024) – Potencial de US$ 35,65 milhões
  • Gergelim para a China (2024) – Projeção de US$ 142,63 milhões
  • Farinha de aves para a Indonésia (2023) – US$ 17 milhões exportados em 2024
  • Carne bovina para o Vietnã (2025) – Potencial de US$ 183 milhões
  • Carne bovina para o México (2023) – US$ 214,32 milhões exportados em 2024
  • Carne suína para o México (2023) – US$ 102,06 milhões exportados em 2024
  • Carne suína para a República Dominicana (2023) – US$ 31,56 milhões exportados em 2024
  • Algodão para o Egito (2023) – US$ 56,01 milhões
  • Abacate Hass para o Japão (2024) – Estimativa de US$ 570 mil

Destacam-se, ainda, mais de 80 mercados abertos para as proteínas animais, mais de 30 para o setor de reciclagem animal e mais de 20 para as frutas brasileiras.

No primeiro semestre de 2025, as exportações do agronegócio somaram US$ 82,8 bilhões. Esse valor está em linha com os números do mesmo período do ano anterior. Demonstrando os resultados da política de diversificação de produtos e destinos, os gêneros menos tradicionais da pauta exportadora já apresentam crescimento de 21% no acumulado do ano.

As conquistas são resultado do trabalho articulado entre as áreas internacional e técnica do Mapa, com atuação das adidâncias agrícolas, de outros ministérios, agências governamentais e setor produtivo. O Brasil mantém hoje 40 adidos em 38 países, tendo incrementado o número em 38% no ano passado.

“Esses acessos são fruto de uma construção que alia negociação e parte técnica. Um trabalho muitas vezes silencioso e contínuo. Quero destacar o papel dos adidos agrícolas que abrem caminhos e, ao abri-los, reduzem riscos e ampliam a previsibilidade para quem produz no Brasil e compete globalmente. Não se trata apenas de onde podemos vender hoje, mas de onde poderemos vender também amanhã”, afirma Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

Desde 2023 o Mapa esteve presente em 110 missões internacionais e ainda investiu na elaboração de ferramentas de inteligência voltada para o agro como o AgroInsight e o Passaporte Agro.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

Produção de açúcar do centro-sul recua com queda na moagem e na qualidade da cana

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil somou 3,6 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho, queda de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pressionada por uma redução na moagem de cana-de-açúcar em momento em que o setor lida com uma matéria-prima de qualidade inferior e baixa produtividade agrícola, de acordo com dados da associação Unica, divulgados nesta sexta-feira.

A queda na produção de açúcar poderia ter sido ainda maior não fosse um aumento na destinação de cana para a fabricação do adoçante para 54,10%, versus 50,32% no mesmo período do ano passado, à medida que usinas favorecem a commodity em detrimento do etanol.

“Acredito que as usinas têm contratos de exportação (de açúcar) a honrar e estão lutando com a queda do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis)”, disse um corretor nos Estados Unidos, à Reuters.

Já a moagem de cana do centro-sul atingiu 50,22 milhões de toneladas na segunda parte de julho, queda de 2,66%, em uma safra em que a indústria sofre com impactos da seca do ano passado e de um clima mais chuvoso durante a colheita, o que tem afetado a qualidade da matéria-prima.

No acumulado da safra, a produção de açúcar totalizou 19,27 milhões de toneladas, redução de 7,76%, enquanto a moagem atingiu 306,24 milhões de toneladas, retração de 8,57%.

O indicador de qualidade medido pelo nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 139,62 kg por tonelada de cana na segunda quinzena de julho, uma queda anual de 5,21%.

No acumulado da safra, o indicador marca 126,85 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 4,77% na comparação anual, para o menor observado em dez anos.

“Só no ciclo 2015/2016, registramos um indicador qualidade inferior ao contabilizado até o momento no centro-sul”, afirmou o diretor de Inteligência Setorial da Unica, Luciano Rodrigues, em nota.

Além disso, a produtividade agrícola registrou queda de 10% na média do centro-sul no acumulado de abril a julho, na comparação anual, segundo dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), atingindo 79,84 toneladas de cana por hectare neste ciclo.

Rodrigues disse que o setor vive uma situação atípica nesta safra, pois normalmente há uma relação inversa entre produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima.

“Neste ano, o regime de chuvas foi desfavorável em ambas as fases críticas do ciclo da cana-de-açúcar. No verão, a precipitação abaixo do ideal comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu a produtividade (TCH). Já durante a colheita, o clima mais úmido prejudicou a concentração de ATR na planta”, disse.

ETANOL

Na segunda metade de julho, a fabricação de etanol pelas unidades do centro-sul atingiu 2,28 bilhões de litros, com queda de cerca de 11% na comparação anual.

O total fabricado de etanol hidratado somou 1,40 bilhão de litros (-13,54%) e o de anidro, 880,40 milhões de litros (-6,57%).

No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível totalizou 13,88 bilhões de litros (-11,96%), sendo 8,84 bilhões de etanol hidratado (-11,85%) e 5,05 bilhões de anidro (-12,15%).

Os volumes consideram o etanol de milho, cuja crescente produção somou no acumulado da safra 2,95 bilhões de litros.

No mês de julho, as vendas de etanol pelas usinas totalizaram 2,93 bilhões de litros, queda de 2,66%.

O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,09 bilhão de litros, avanço de 1,06% na comparação anual, enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,84 bilhão de litros, contra 1,93 bilhão de litros no mesmo período do ano passado.

No acumulado desde o início da safra até primeiro de agosto, a comercialização de etanol pelas unidades do centro-sul caiu 2,73% para 11,48 bilhões de litros.

Fonte: Reuters

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Agronegócio

Acrimat critica Plano Brasil Soberano e cobra compensação para pecuaristas

Associação de Criadores do Mato Grosso afirma que o setor produtivo é quem realmente paga a conta das sobretaxas dos EUA e que as perdas diárias chegam a US$ 12 milhões

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou preocupação com o Plano Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal, nesta quarta-feira (13) para mitigar os impactos das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.

A iniciativa destina R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, amplia linhas de financiamento às exportações, prorroga a suspensão de tributos para empresas exportadoras e aumenta a restituição de tributos federais via Reintegra.

Segundo o governo federal, o plano se organiza em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial, com o objetivo de proteger exportadores, preservar empregos e incentivar investimentos em setores estratégicos.

Desde 14 de julho, o Comitê Interministerial de Negociações e Contramedidas Econômicas e Comerciais, coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, realizou 39 reuniões com cerca de 400 representantes de empresas, federações e governos estaduais, além de contatos com empresas norte-americanas.

No entanto, o plano não foi bem recebido por todos os setores. Em nota, a Acrimat pontua ver com “muita preocupação” o plano de ajuda emergencial ao setor exportador.

“No nosso setor, o pecuarista já está pagando essa conta sozinho com a derrubada dos preços da arroba quase que imediatamente após o anúncio do tarifaço pelos Estados Unidos. O produtor já está perdendo quase 400 reais por animal abatido, independentemente do destino dessa carne”, diz o presidente da entidade Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.

Ele reforça que, na visão da Associação, a prioridade deveria ser o ressarcimento dos produtores locais.

“Se há alguém ou setor que deva ser atendido, ressarcido ou ter qualquer tipo de compensação, é o pecuarista. Não há sentido algum dar incentivo a quem já se preveniu repassando seus prováveis futuros prejuízos ao produtor que sempre paga a conta.”

Conforme Ribeiro Jr., desde o anúncio das tarifas, o setor produtivo vem registrando perdas de cerca de US$ 12 milhões por dia com a queda nos preços da arroba, um período em que os produtores esperavam recuperação do valor da carne.

“Solicitamos ao governo federal que analise com cuidado antes de ajudar a quem não está pagando essa conta, para não cometer mais uma vez injustiça seja ela fiscal, tributária ou moral”, frisa o presidente da Acrimat.

O Plano Brasil Soberano, de acordo com o governo federal, busca não apenas reagir a uma ameaça imediata, mas também reconstruir e fortalecer o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, tornando o país mais competitivo e menos vulnerável a medidas externas. A expectativa com a medida é estimular empresas brasileiras a expandirem sua presença internacional e garantir que a defesa dos empregos caminhe junto com a preparação estratégica para novos desafios no comércio exterior.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Agronegócio

Piscicultura avança em Goiás e reforça papel estratégico no agronegócio

Com crescimento da produção de tilápia no Brasil e apoio técnico local, o estado desponta como polo promissor na aquicultura

Produção de tilápia bate recorde no Brasil

A piscicultura brasileira vive um momento de forte expansão. Em 2024, a produção nacional de tilápia cresceu 14,36% em comparação com o ano anterior, atingindo o recorde de 662.230 toneladas, segundo o Anuário Peixe BR 2025. A espécie, que já representa 68,36% de todo o peixe cultivado no país, consolidou-se como uma das proteínas animais mais consumidas pelo brasileiro.

O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, avalia o cenário como positivo, mas destaca que a instabilidade nos preços ao produtor ao longo do ano exige um esforço conjunto de todos os elos da cadeia produtiva. “É necessário garantir resultados econômicos sustentáveis, da genética à indústria”, pontua.

Goiás acompanha tendência de crescimento

Goiás vem acompanhando o bom momento do setor. Em 2024, a produção de peixes cultivados no estado atingiu 30.730 toneladas, número superior ao de 2023 (29.850 t) e próximo ao de 2022 (30.500 t), indicando recuperação e estabilidade.

A tilápia também lidera a produção goiana, com 23.200 toneladas, seguida por peixes nativos (7.300 t) e outras espécies como carpa, truta e panga. Entre os principais polos produtores estão os municípios de Niquelândia, Inaciolândia, Quirinópolis, Gouvelândia e Luziânia.

Condições favoráveis e desafios em Goiás

De acordo com Paulo Roberto Silveira Filho, presidente da Comissão de Aquicultura da Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás), o estado possui características naturais e econômicas que favorecem o desenvolvimento da piscicultura. “Nossa localização estratégica próxima ao Distrito Federal, o clima propício e a forte produção de grãos formam uma base sólida para o setor”, afirma.

Ele destaca ainda que, em 2024, a queda nos preços do milho e do farelo de soja contribuiu para reduzir os custos da atividade. No entanto, Silveira Filho alerta para obstáculos que ainda limitam o avanço, como a falta de isonomia tributária entre estados do Centro-Oeste e as constantes mudanças na legislação, que geram insegurança jurídica, especialmente para pequenos e médios produtores.

Cenário internacional favorece expansão

O otimismo no setor se estende para além das fronteiras nacionais. O Brasil já é referência mundial na produção de tilápia. Em 2024, a produção global da espécie está estimada em cerca de 7 milhões de toneladas. Para 2025, a previsão é de um crescimento adicional de até 5%, elevando a oferta mundial para 7,3 milhões de toneladas, segundo a FAO e outras entidades do setor.

Nesse contexto, Goiás tem a oportunidade de ampliar sua atuação no mercado interno e também conquistar espaço no cenário internacional, desde que invista em infraestrutura, políticas públicas e valorização dos produtores locais.

Senar Goiás impulsiona profissionalização da piscicultura

Um dos principais aliados dos piscicultores goianos tem sido o Senar Goiás. Por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), a entidade oferece suporte técnico contínuo aos produtores de todo o estado. Nesta semana, técnicos de campo participaram de um encontro para alinhamento de estratégias e troca de experiências.

Segundo Dirceu Borges, superintendente do Senar Goiás, a atuação técnica tem gerado resultados expressivos. “A atualização constante de técnicas de manejo tem contribuído para a profissionalização da atividade e o aumento da produtividade. A piscicultura deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e passou a ocupar um lugar estratégico no agronegócio goiano”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

Agro teme sanções de Trump ao Brasil por compra de fertilizantes russos e faz alerta ao Itamaraty

O agronegócio brasileiro, já pressionado em diversos setores pela sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passa a valer nesta quarta-feira (6), teme que a ameaça de uma nova retaliação se concretize em um dos pontos mais frágeis de sua cadeia produtiva: os fertilizantes.

Conforme informações obtidas pela “Folha de S. Paulo”, representantes do agro, tanto de empresas quanto da bancada ruralista no Congresso, fizeram chegar o alerta ao Itamaraty sobre possíveis sanções que o Brasil pode sofrer, a partir da sexta-feira (8), devido às negociações que detém com a Rússia, que hoje é o maior vendedor de fertilizantes ao Brasil.

Como a “Folha” mostrou, o Brasil também está na rota de sanções pela compra de diesel. Mais de 60% desse combustível que foi importado neste ano veio do país de Vladimir Putin.

Confira abaixo um histórico das importações brasileiras de fertilizantes da Rússia a partir de janeiro de 2022.O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Importações Brasileiras de Fertilizantes da Rússia – Jan 2022 a Mai 2025 – TEU

A Frente Parlamentar Agropecuária não comenta o assunto. O clima geral, no entanto, é de apreensão. Dependente crônico da importação deste tipo de insumo, o agronegócio torce para que a pressão internacional que Trump exerce, também sobre a Rússia, não resvale nestas transações bilaterais.

Em 14 de julho de 2025, Trump afirmou que, se não houver um acordo de paz da Rússia com a Ucrânia, os Estados Unidos imporão “tarifas secundárias de 100%” sobre países que continuam comprando exportações russas.

Essas tarifas fariam parte de um ultimato diplomático e envolveriam penalidades indiretas a compradores de petróleo, gás, urânio ou outros bens russos, como fertilizantes. A informação foi confirmada pelo secretário Internacional do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.

Nesta terça, Trump disse que tomará uma decisão sobre as sanções envolvendo a compra de petróleo após uma reunião com autoridades russas agendada para quarta-feira (6).

Em entrevista coletiva, Trump não confirmou que as tarifas serão de 100%. “Nunca disse uma porcentagem, mas deve ser algo próximo disso”, afirmou o presidente dos EUA.

A tarifa ao Brasil não seria aplicada diretamente sobre os fertilizantes importados pelo país, mas sim sobre outros produtos brasileiros exportados para os EUA, como forma de retaliação indireta ou pressão econômica.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que o governo brasileiro tem que estar em alerta para o risco de uma retaliação dos Estados Unidos envolver proibições de compras de produtos. Esse é um dos riscos que estão no radar da indústria brasileira.

“A posição dos Estados Unidos que foi dada à Rússia foi que, se ela não resolvesse o problema da guerra, eles iriam abrir retaliações que envolveriam quem compra produtos da Rússia. E nós compramos petróleo e fertilizantes, que são muito sensíveis ao agronegócio”, comentou.

A preocupação do produtor nacional se explica pela profunda dependência da Rússia no fornecimento de fertilizantes. O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global do produto, ocupando a quarta posição mundial, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. A soja, o milho e a cana-de-açúcar respondem por mais de 73% desse consumo no país.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mais de 90% dos fertilizantes utilizados são importados, o que torna o setor agrícola vulnerável às oscilações do mercado internacional e impacta diretamente os produtores rurais. A Rússia aparece como o principal país fornecedor, respondendo sozinha por 30% do que é importado, superando potências como China, Canadá e os Estados Unidos.

A cúpula de senadores brasileiros que esteve nos Estados Unidos na semana passada, para tentar sensibilizar o governo sobre o tarifaço, voltou para casa com a informação de que os americanos estão incomodados, na realidade, com o volume de combustível que o Brasil compra dos russos. O produto é o segundo mais importado pelo Brasil, só atrás dos fertilizantes.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que esteve nos EUA e discutiu o tema, foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

A dependência estrutural dos fertilizantes da Rússia não para de crescer. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) apontam que 2025 caminha para fechar um novo recorde histórico no volume de fertilizantes que o Brasil importa da Rússia.

Apenas no primeiro semestre do ano, o país já adquiriu 5,71 milhões de toneladas, ao custo de US$ 1,98 bilhão. O total anual tende a ultrapassar 12 milhões de toneladas, consolidando o maior volume físico já registrado e repetindo o resultado do ano passado, que chegou a 12,5 milhões de toneladas.

Na última década, a dependência do fertilizante russo se multiplicou. Em 2015, o Brasil importou 3,7 milhões de toneladas daquele país. Em 2017, chegou a 5,6 milhões. Em 2019, antes da pandemia, as importações já ultrapassavam 7 milhões de toneladas.

O primeiro salto expressivo ocorreu em 2021, quando o Brasil atingiu 9,6 milhões de toneladas importadas, impulsionado pela recuperação pós-pandemia do coronavírus. Em 2022, embora o volume tenha recuado para 8,1 milhões de toneladas, a guerra na Ucrânia e o risco de interrupção no fornecimento fizeram o Brasil intensificar suas compras em um mercado pressionado. Em 2023, as importações seguiram altas, com 9,3 milhões de toneladas. O volume físico, no entanto, não parou de se ampliar de lá para cá.

Fonte: Valor Econômico

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Agronegócio

Em tempos de turbulência, Weg carrega suas baterias para aumentar vendas para o agronegócio

Uma das maiores fornecedoras de motores elétricos do mundo, empresa catarinense acaba de criar um “time agro” e deve aumentar presença em feiras para ampliar comercialização de soluções como energia solar e acumuladores para produtores rurais

Com faturamento de quase R$ 40 bilhões por ano, a brasileira Weg é uma das três maiores fabricantes globais de motores elétricos e vem apresentando crescimento consistente nos últimos anos, inclusive pela oferta de novos equipamentos eletroeletrônicos.

Os maiores clientes da empresa estão em setores como mineração e papel e celulose, mas já havia negócios com agroindústrias, em função de seus motores e sistemas de automação.

O mundo “rural”, porém, começa a representar novas oportunidades de vendas para a empresa de origem catarinense.

Durante um evento em Pedra Preta (MT), a 1600km da sede da empresa, que fica em Jaraguá do Sul (SC), o AgFeed conheceu o filho de um ex CEO da Weg, Harry Schmelzer Neto, que hoje é diretor de negócios Solar & Bess (sistema de armazenamento de energia de bateria, na sigla em inglês).

Era um encontro com mais de 100 produtores rurais, com foco no algodão, promovido pela Girassol Agrícola.

“A gente não ia muito em feiras (do agro) para falar de solar justamente porque o mercado estava crescendo muito, nem precisava buscar novos nichos. Mas eu tive esse convite, me falaram que o algodão, as algodoeiras, usam muita energia. Então viemos divulgar novas opções de geração de energia e backup”, contou ele, em entrevista ao AgFeed.

A área liderada por Harry Neto já começa a crescer em relevância no faturamento da Weg, mas a empresa não divulga números nem percentuais detalhados.

Em energia solar, a Weg já atua há mais de 10 anos, mas o segmento de baterias é uma espécie de complemento neste pilar de soluções.

“Com a bateria a gente consegue realmente atacar com força sistemas onde não tem rede (elétrica, tradicional). Porque sem a bateria até dá pra fazer um solar com diesel, que são sistemas que a gente chama de micro-redes, botar um solar junto e trabalhar os dois. Mas com a bateria eu não preciso do diesel. Então a gente consegue ter uma independência financeira para o produtor rural”, explicou.

O executivo diz o que agronegócio “passou a prestar mais atenção” à energia solar e ao complemento das baterias.

Ele lembra que mesmo onde há rede elétrica, no caso de Mato Grosso, por exemplo, a tarifa de energia é muito cara. “Colocar energia solar sai mais barato e é renovável, você não está queimando diesel”.

O maior uso de energia solar, defende Neto, pode ser usado dentro dos projetos de sustentabilidade que vem crescendo no agro, inclusive no agro.

O diretor da Weg diz que as vendas de produtos de energia solar vêm crescendo em média 40% ao ano, desde 2018, até o ano passado.

Para 2025, ele projeta maior estabilidade nos negócios de energia solar, em função das taxas de juros mais elevadas no País. Ainda assim, prevê um mercado mais aquecido para as baterias

“Como o solar cresceu muito, deu uma saturada, o próprio solar cria necessidade de bateria. Então agora a gente acredita que o crescimento da bateria vai ser em ritmo bem maior nesse momento”, afirmou.

Nas baterias, também há expectativa de mais vendas para o agronegócio dentro do que a Weg chama de offgrid, que é para substituir o gerador. Harry Neto também acredita em maior potencial no agro junto aos clientes que não têm energia disponível.

Em outra frente, ele relata uma demanda nas cidades para que as distribuidoras consigam equilibrar o que entra na rede por energia solar

“Entra solar das 11h às 1h quando, em qualquer lugar do mundo é o sol mais forte. E nesse período não é a maior demanda. Então a bateria vem para armazenar, é usada para o que a gente chama de time shift, para trocar um momento de uso de energia”.

Atualmente, ele calcula que apenas 10% dos clientes de energia solar estejam ligados ao agronegócio. A expectativa é crescer no segmento, principalmente porque o custo ficou mais acessível, segundo Neto.

“O solar vem caindo de preço ano a ano, então está cada vez mais viável. E agora a bateria também caiu de preço por causa dos carros elétricos”.

Na visão dele, os produtores ainda não estão fazendo esta conta, das vantagens de substituir o diesel com energia solar e baterias.

“Eu acredito que o pessoal não está calculando porque o payback está muito atrativo. E nesse conceito ESG dá para vender o meu algodão que usa energia limpa”.

Em função disso, o diretor da Weg contou ao AgFeed que, dentro de sua diretoria, acaba de criar uma “seção agro”, com times especializados para atender esses clientes.

“A gente deixava na mão do canal normal, porque a Weg já vendia muito motor para o agro”, disse ele, reforçando que não havia uma prioridade para oferecer a solução de energia solar. A partir de agora o plano é ampliar a presença da Weg em eventos e feiras do agronegócio.

Harry Neto não quis comentar sobre os eventuais efeitos das tarifas impostas por Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

É possível que a estratégia de ganhar espaço no agro possa ajudar a empresa em um momento especialmente delicado. De acordo com o release de resultados divulgado pela Weg, referente ao segundo trimestre deste ano, 48% da receita da empresa no mercado externo teve como origem a América do Norte.

Em meio aos temores de possíveis impactos do tarifaço, as ações da empresa acumularam queda de 13,6% nos últimos 30 dias. No acumulado do ano, o recuo é superior a 29%.  Porém, desde a semana passada os papeis apresentaram uma reação, de quase 3%, à medida que cresce a expectativa de novas exceções na lista de produtos que serão tarifados pelos EUA.

Segundo um relatório recente do BTG Pactual, a taxação da exportação dos motores elétricos do Brasil para os EUA representava o maior risco para a companhia. Isso porque uma eventual tarifa poderia implicar em um custo adicional de R$ 809 milhões por ano para a Weg, de acordo com o relatório.

Fonte: AG Feed

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