Agronegócio, Exportação

Receita com exportações de carne bovina da Argentina cresce 30% em maio/25

As exportações de carne bovina in natura da Argentina atingiram quase 53.800 toneladas em maio/25, gerando receita total de US$ 293,6 milhões, segundo informa o portal do Clarín, com base em dados do Consórcio de Exportadores de Carne da Argentina (ABC).

Em comparação com maio de 2024, os volumes exportados no mês passado caíram 3,8%. No entanto, considerando a mesma base de comparação, o faturamento obtido foi 30% maior, refletindo uma recuperação nos preços médios (as cotações da carne brasileira também têm registrado recuperação no exterior ao longo de 2025).

O valor médio da proteína argentina atingiu US$ 5.459/tonelada em maio/25, 7,9% a mais que em abril/25 e 35,1% superior ao preço médio de maio/24.

Na comparação com abril/25, os embarques de maio/25 apresentaram um leve aumento de 1,4%, enquanto a receita subiu 9,4% na mesma base de comparação

No entanto, os US$ 5.459/tonelada obtidos em maio/25 pelos exportadores argentinos estão US$ 840 abaixo dos picos registrados em abril de 2022.

Confira a seguir um histórico das exportações argentinas de carne bovina a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Argentinas de Carne Bovina | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

China comprou mais de 70% do total embarcado

Assim como o setor brasileiro de exportação de carne bovina in natura, a China continua sendo o mercado mais importante para a proteína argentina.

Em maio/25, o mercado chinês representou 70,9% do volume total exportado pela Argentina – uma dependência ainda mais forte que a apresentada pelo Brasil, que direciona ao país asiático em torno de 50% de tudo que embarca anualmente.

No mês passado, informa o Clarín, a China comprou da Argentina 13.600 toneladas de carne bovina com osso, no valor de US$ 27 milhões, e outras 24.500 toneladas de carne sem osso, avaliadas em US$ 117,7 milhões.

No total, o mercado chinês representou 67% das exportações acumuladas nos primeiros cinco meses de 2025, acrescenta a reportagem.

No entanto, o preço médio de venda da carne bovina argentina para a China ficou em US$ 4.802/tonelada em maio/25, bem longe dos US$ 5.900 atingidos em maio de 2022.

Resultado no acumulado do ano

Entre janeiro e maio de 2025, a Argentina exportou 250,4 mil toneladas de carne bovina resfriada e congelada, avaliada em US$ 1,262 bilhão, o que representa uma queda de 20,6% sobre igual intervalo do ano passado.

Porém, em receita, houve aumento de 4,9% nos embarques, considerando a mesma base de comparação.

Miúdos em ascensão

Além da carne resfriada e congelada, as exportações de miúdos bovinos e produtos preparados da Argentina apresentaram bom desempenho, relata o Clarín.

Em maio/25, foram embarcadas 9.200 toneladas, gerando receita de US$ 16,6 milhões, a um preço médio de quase US$ 1.820 por tonelada. Entre os produtos de destaque, estavam as línguas bovinas, com picos de quase US$ 3.500 por tonelada.

Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas de miudezas totalizaram 48.300 toneladas e geraram receitas de US$ 83,5 milhões.

Fonte: Portal DBO

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Exportação, Exportadores agrícolas, Importação

Exportações agrícolas na Argentina sobem 7,2%, enquanto importações crescem 42,8%

As exportações da potência agrícola da Argentina cresceram 7,2% no último período, atingindo um recorde para o período, conforme anunciou o ministro da Economia, Luis Caputo, em postagem na plataforma X. Apesar do crescimento nas vendas ao exterior, as importações do país aumentaram expressivos 42,8%, o que reduziu o impacto positivo do aumento das exportações no saldo comercial.

Impacto no comércio exterior argentino
De acordo com o Ministério da Economia argentino, o aumento nas exportações agrícolas reflete a forte demanda internacional por produtos do setor. Contudo, o crescimento momentâneo das importações compromete a balança comercial, apresentando desafios para a estabilidade econômica do país.

Segundo analistas, o aumento de 42,8% nas importações pode indicar uma retomada na economia ou uma necessidade de adquirir insumos essenciais, agravando o déficit comercial. A combinação desses fatores requer atenção das autoridades econômicas argentinas para equilibrar o comércio exterior.

Contexto econômico e perspectivas futuras
Dados recentes também apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu no primeiro trimestre, impulsionado pelo setor agrícola e por investimentos internos. A expectativa é que, com a manutenção do ritmo de exportações e controle das importações, o país possa avançar para uma maior estabilidade econômica, mesmo diante do aumento expressivo nas compras externas.

Para o ministro Luis Caputo, as marcas recordes nas exportações reafirmam a posição da Argentina como uma potência agrícola global, mas alertam para a necessidade de equilibrar o crescimento com uma política de importações mais controlada.

Fonte: Diário do Povo

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Internacional, Negócios

Acordo automotivo Brasil-Argentina é ampliado com tarifa zero para peças

Decreto assinado por Alckmin flexibiliza condições de acesso ao mercado entre os dois países para ônibus, vans e caminhões com até 5 toneladas

O presidente em exercício, ministro Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (17) um decreto que amplia o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, flexibilizando as condições de acesso ao mercado entre os dois países para ônibus, vans e caminhões com até 5 toneladas. O ato foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça.

O decreto também retoma a redução a zero das tarifas de importação de autopeças não produzidas no país. Em contrapartida, as empresas que utilizarem este benefício ficam obrigadas a investir 2% do valor dessas importações em pesquisa, inovação ou programas industriais prioritários para o setor automotivo.

O documento incorpora à legislação brasileira o 46º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 14. O Protocolo foi firmado entre Brasil e Argentina em 29 de abril deste ano, a partir de negociações que envolveram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Por sua vez, o ACE-14, que traz regras para o comércio automotivo entre os dois países, foi assinado em 1990 e vem sendo sucessivamente aprimorado.

“Além de melhorar as condições de acesso a mercados e desonerar a importação de autopeças não produzidas localmente, o 46º Protocolo Adicional atualiza a classificação dos produtos e aprimora os critérios sobre regras de origem, que determinam se um item é realmente fabricado em um dos dois países”, diz o MDIC em nota.

Aprimoramento

De acordo com Alckmin, essa é uma medida que aprimora o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, facilita o comércio, reduz custos e aumenta a competitividade da indústria brasileira.

“O setor automotivo brasileiro ocupa hoje a 8ª posição do ranking mundial na produção de veículos e gera mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. No ano passado, teve crescimento de 14,1% nas vendas”, disse, ressaltando a contribuição do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) para o desenvolvimento do setor.

O Mover, que oferece incentivos de R$ 19,3 bilhões até 2028, alavancou anúncios de investimentos privados de R$ 140 bilhões, segundo o MDIC.

Em nota, a pasta reforçou que os produtos automotivos são os principais bens do fluxo comercial Brasil-Argentina. A corrente de comércio bilateral dessas mercadorias, no ano de 2024, alcançou o patamar de US$ 13,7 bilhões, o que representa 50% do total de US$ 27,4 bilhões comercializados no ano.

Em 2025, a corrente de comércio total entre Brasil e Argentina já alcançou US$ 12,6 bilhões até maio, um crescimento de 26,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Fonte: CNN Brasil


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Negócios

Decreto amplia acordo automotivo entre Brasil e Argentina

Ato assinado por Alckmin facilita acesso a mercado e retoma tarifa zero para importação de peças não produzidas localmente

O presidente da República em exercício, ministro Geraldo Alckmin, assinou decreto que amplia o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, flexibilizando as condições de acesso a mercado entre os dois países para ônibus, vans e caminhões com até 5 toneladas.

Publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (17/6), o Decreto nº 12.515 também retoma a redução a zero das tarifas de importação de autopeças não produzidas no país. Em contrapartida, as empresas que utilizarem este benefício ficam obrigadas a investir 2% do valor dessas importações em pesquisa, inovação ou programas industriais prioritários para o setor automotivo.

O decreto assinado por Alckmin incorpora à legislação brasileira o 46º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 14. O Protocolo foi firmado entre Brasil e Argentina em 29 de abril deste ano, a partir de negociações que envolveram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Por sua vez, o ACE-14, que traz regras para o comércio automotivo entre os dois países, foi assinado em 1990 e vem sendo sucessivamente aprimorado.

Além de melhorar as condições de acesso a mercados e desonerar a importação de autopeças não produzidas localmente, o 46º Protocolo Adicional atualiza a classificação dos produtos e aprimora os critérios sobre regras de origem, que determinam se um item é realmente fabricado em um dos dois países.

As atualizações trazem clareza quanto às regras aplicáveis e promovem mais segurança jurídica nas transações bilaterais.

“Essa é uma medida que aprimora o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, facilita o comércio, reduz custos e aumenta a competitividade da indústria brasileira”, afirmou Alckmin. “O setor automotivo brasileiro ocupa hoje a 8ª posição do ranking mundial na produção de veículos e gera mais de1 milhão de empregos diretos e indiretos. No ano passado, teve crescimento de 14,1% nas vendas”, lembrou o presidente em exercício, ressaltando a contribuição do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) para o desenvolvimento do setor. O Mover, que oferece incentivos de R$ 19,3 bilhões até 2028, alavancou anúncios de investimentos privados de R$ 140 bilhões.

Os produtos automotivos são os principais bens do fluxo comercial Brasil-Argentina. A corrente de comércio bilateral dessas mercadorias, no ano de 2024, alcançou o patamar de US$ 13,7 bilhões, o que representa 50% do total de US% 27,4 bilhões comercializados no ano. Em 2025, a corrente de comércio total entre Brasil e Argentina já alcançou US$ 12,6 bilhões até maio, um crescimento de 26,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio Exterior, Logística

Reativam ligação ferroviária com o Brasil

A recuperação da ligação ferroviária entre Argentina e Brasil entra em uma nova etapa, com o avanço das obras na Linha Urquiza.

Esse projeto, liderado pela Trenes Argentinos Cargas (TAC), tem como objetivo consolidar um corredor estratégico para o comércio internacional do Mercosul, com ênfase na melhoria da eficiência logística entre os dois países.

O plano prevê a melhoria de 210 quilômetros de trilhos distribuídos em três trechos principais: Basavilbaso–Concordia (Entre Ríos), Virasoro–Posadas (Corrientes–Misiones) e Paso de los Libres–Ponte Internacional (Corrientes), sendo este último essencial para restabelecer a conexão com a cidade brasileira de Uruguaiana. Trata-se de um investimento total de mais de 44 milhões de dólares, financiado em parte pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM) e por aportes da empresa estatal argentina.

O impacto regional do projeto é significativo. O traçado da Linha Urquiza atravessa províncias-chave do litoral argentino, facilitando o escoamento de produtos agroindustriais, florestais e manufaturados para o Brasil, Uruguai e Paraguai. Além disso, ao reativar os pontos de fronteira ferroviários, reduz-se a pressão sobre os corredores rodoviários e avança-se em direção a modos de transporte mais sustentáveis e competitivos.

O trecho Paso de los Libres–Uruguaiana representa uma oportunidade concreta para retomar o fluxo ferroviário binacional. Essa reativação permitirá não apenas o transporte de cargas industriais e agrícolas, mas também uma maior integração das cadeias logísticas entre os dois países, em um contexto onde a diversificação do transporte é crucial.

A aposta no trem como ferramenta de conexão com o Brasil responde a uma visão estratégica: reduzir custos, melhorar os tempos de trânsito e aumentar a previsibilidade do comércio exterior. O desafio será manter o ritmo de execução das obras e garantir seu impacto real na cadeia logística regional.

Fonte: Todo Logística News

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Comércio, Exportação

Exportações de automóveis sobem 86%; vendas para a Argentina disparam

As vendas de automóveis para a Argentina subiram mais de 200%; país vive processo de recuperação econômica

As exportações brasileiras de veículos automóveis de passageiros cresceram 86% em maio de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No total, o Brasil exportou US$ 570 milhões em veículos desse grupo no período, ante US$ 306 milhões em maio de 2024. Em valores nominais, esse é o melhor resultado para um mês de maio desde 2017.

O principal motor dessa alta foram as vendas para a Argentina. O país vizinho, que vive um processo de recuperação econômica impulsionado pelas políticas de austeridade do presidente Javier Milei, ampliou as compras de produtos brasileiros.

As exportações para a Argentina saltaram de US$ 125,7 milhões em maio de 2024 para US$ 384,1 milhões no mesmo mês deste ano — um crescimento de mais de 200%.

Outros mercados relevantes para a indústria automobilística nacional também ampliaram suas compras. A Colômbia, por exemplo, importou US$ 82,1 milhões em maio, frente a US$ 34,9 milhões no mesmo período do ano passado. Já as exportações para o Chile cresceram 220%, totalizando US$ 20 milhões no mês.

Por outro lado, as vendas para o México, segundo maior comprador de veículos do Brasil, caíram 57%, passando de US$ 86,5 milhões em maio de 2024 para US$ 36,6 milhões no mesmo mês de 2025.

Essa retração, no entanto, já era esperada pelo setor. Com as tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a indústria automotiva mexicana, principal exportadora para o mercado norte-americano, passou a operar com maior capacidade ociosa.

A expectativa era de que veículos antes destinados à exportação acabassem sendo absorvidos pelo mercado interno, o que tem se confirmado.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) do México mostram que as exportações de veículos do país registraram queda de 11% em abril. Embora os dados de maio ainda não tenham sido divulgados, a projeção é de um recuo ainda maior.

Fonte: CNN Brasil

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Importação

Taxa mínima de importações aumenta em cidade da fronteira de SC com Argentina

A partir dessa segunda (9) a taxa de importação irá aumentar

A margem mínima obrigatória para desembaraço pelo Porto Seco de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste do Estado, passou a ser 30% nesta segunda-feira (9). A decisão foi divulgada na última terça-feira (3) e afeta empresas que fazem importações terrestres para Santa Catarina.

O percentual mínimo obrigatório era de 20% desde junho do ano passado. Entretanto, conforme o decreto 1.001/25, publicado na edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) da última terça-feira (3), a taxa aumentou e irá começar a valer a partir desta segunda-feira (9).

A nova regra vale para as mercadorias com incentivo fiscal vindas de qualquer país do Mercosul, com exceção do Uruguai e do Paraguai, que estão excluídos pela legislação.

Segundo o governo do Estado, a decisão de subir a cota de “20% para 30% foi tomada em consenso e com o apoio dos principais envolvidos: Prefeitura de Dionísio Cerqueira, empresários e a concessionária que opera a Aduana. Facisc, FIESC e Assembleia Legislativa também participaram ativamente das reuniões”.

Fonte: NSC Total

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Internacional, Mercado Internacional

Com medidas austeras de Milei, calotes e inadimplência disparam na Argentina

Nas últimas semanas, os bancos começaram a registrar os primeiros sinais de deterioração do crédito

A medida de austeridade do presidente Javier Milei ajudou a estabilizar a economia argentina e, ainda assim, a pressão financeira continua aumentando sobre consumidores e empresas.

Nas últimas semanas, os bancos começaram a registrar os primeiros sinais de deterioração do crédito. Os saldos em atraso no cartão de crédito subiram para 2,8% em março, o maior índice em três anos, enquanto a inadimplência em empréstimos pessoais saltou para 4,1%, o maior índice em nove meses, segundo o banco central do país. O número de cheques devolvidos também está aumentando

No geral, os encargos com dívidas incobráveis ​​em todo o sistema financeiro argentino atingiram o pico em cinco anos, quando medidos como uma parcela do total de ativos, mostram os dados do banco central. O estresse também está aumentando entre as empresas, com um aumento na inadimplência empresarial apontando para mais problemas pela frente.

Os resultados destacam alguns dos desafios que Milei enfrenta enquanto seu governo avança com um aperto fiscal agressivo.

“É um sinal amarelo. A cobrança de crédito está se tornando mais difícil”, disse Gastón Rossi, diretor do Banco Ciudad de Buenos Aires, um dos maiores bancos do país.

Pouco mais de um ano e meio após a posse de Milei, as famílias estão sob pressão devido à estagnação dos salários e à inflação, que ainda está na casa dos dois dígitos, apesar das quedas recentes.

Nesse contexto, o número de cheques devolvidos atingiu o maior nível em abril desde a pandemia, há cinco anos, ultrapassando 64 mil em termos absolutos, com uma taxa de rejeição de 1,3% em relação ao total de cheques compensados. Para efeito de comparação, essa proporção era de 0,8% nos EUA em 2024, segundo dados do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Do lado corporativo, empresas de diversos setores, incluindo indústria, varejo, construção e entretenimento — especialmente as exportadoras — estão sentindo a pressão da redução dos gastos do consumidor e da redução das margens de lucro. Empresas que antes lucravam com empréstimos em pesos e explorando as diferenças nas taxas de câmbio agora estão em dificuldades.

Muitos deles também perderam o acesso a um mercado de capitais outrora lucrativo, alimentado por controles cambiais. Investidores locais, há muito tempo ávidos por adquirir dívida corporativa denominada ou indexada ao dólar como proteção contra riscos cambiais, estão se tornando mais seletivos. O levantamento das restrições lhes deu novas opções para dolarizar seus portfólios.

Enquanto isso, uma onda recente de inadimplências corporativas levou a um escrutínio mais rigoroso de emissores e instrumentos, com empresas como a Albanesi SA não pagando juros e a Celulosa Argentina SA alertando sobre uma possível inadimplência de títulos. A produtora de cítricos San Miguel AGICI declarou nula sua última emissão de dívida no mercado local em 13 de maio, enquanto a Petrolera Aconcagua Energía SA decidiu recorrer a investidores estrangeiros para levantar US$ 250 milhões, mas encontrou pouca demanda.

O nervosismo em relação ao crédito é um desenvolvimento preocupante para Milei, que enfrenta eleições de meio de mandato em outubro. Os resultados da votação enviarão um sinal crucial aos investidores sobre se o presidente libertário ainda conta com amplo apoio público para sua agenda de austeridade.

“O governo Milei enfrenta uma escolha difícil antes das eleições: estabilizar ou estimular”, disse Rossi, do Banco Ciudad. “O governo optou por reduzir a inflação o mais rápido possível, visando a taxa mais baixa até outubro, mesmo que os salários reais estagnem ou caiam ligeiramente”, disse ele.

Fonte: Valor Econômico

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Economia, Negócios

Empresas brasileiras renovam apostas na Argentina em meio à recuperação econômica

Empresas como CVC Corp, Kepler Weber e Marcopolo registram melhores resultados e expandem operações no país vizinho

Após anos de resultados negativos, empresas brasileiras de diversos setores voltam a investir na Argentina, impulsionadas por indicadores macroeconômicos mais favoráveis que melhoram os resultados operacionais e elevam as projeções para os próximos trimestres. A empresa de turismo CVC Corp quase dobrou seus investimentos no país para 2025, a fabricante de silos Kepler Weber espera quadruplicar sua receita em relação a 2024, e a fabricante de ônibus Marcopolo viu seu volume de entregas aumentar em 1.000% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A CVC Corp, que controla uma operadora de turismo e tem participação em outras duas marcas na Argentina, investiu R$ 25 milhões no país em 2025 — valor próximo ao total investido nos últimos dois anos somados (R$ 30 milhões). A medida reflete a expectativa da empresa de que a recuperação argentina continuará gerando resultados positivos.

Desde 2018, quando iniciou operações na Argentina, a CVC registrou lucro anual apenas duas vezes: R$ 4,4 milhões em 2022 e um recorde de R$ 24 milhões em 2024. Segundo o CFO Felipe Gomes, a companhia se preparou para ampliar suas operações com base nos sinais de recuperação econômica observados a partir do fim de 2023. “Todo esse investimento se baseia na nossa crença e no que estamos vendo na prática. Estamos animados”, afirmou.

Os três primeiros meses de 2025 já mostram essa melhora: o lucro da CVC na Argentina chegou a R$ 48,6 milhões — um salto de 367,7% sobre o mesmo período de 2024 — e a receita cresceu 36%, alcançando R$ 81 milhões. A Argentina respondeu por 22,3% da receita total da empresa no período, mas Gomes estima que essa fatia chegue a 25% nos próximos trimestres.

A Kepler Weber, fabricante de silos, também aposta forte no mercado argentino. A expectativa é quadruplicar a receita no país, passando de R$ 5 milhões em 2024 para R$ 20 milhões em 2025. A empresa não registrou vendas na Argentina entre 2021 e 2023, e só retomou o mercado no ano passado, ainda com participação modesta. O CFO Renato Arroyo associa o novo cenário à melhora do poder de compra local: “A capacidade econômica da população mudou nos últimos dois anos”.

Além dos esforços operacionais, o desempenho positivo das empresas está ligado à melhora no ambiente macroeconômico argentino. De acordo com o economista Roberto Troster, o aumento da confiança na economia local se sustenta em três pilares: eliminação do déficit público (convertido em superávit), fim dos controles cambiais e desregulamentação promovida pelo governo — fatores que contribuíram para a queda da inflação e dos juros.

A mudança para um regime de câmbio flutuante, adotado pelo Banco Central argentino em abril, também favoreceu a retomada gradual dos volumes de consumo, ao corrigir distorções no mercado.

Segundo André Mazini, chefe de pesquisa em ações da América Latina do Citi, o varejo começou a acelerar, refletido em empresas como Lojas Renner, que voltou a apresentar resultados positivos. Apesar de ainda cautelosa quanto à expansão, a empresa vê potencial. “Temos quatro operações na Argentina, poderíamos ter pelo menos dez vezes mais. Mas, por ora, seguimos com uma abordagem cautelosa”, disse o CEO Fábio Faccio.

A JSL, presente no país desde 2011, também aguarda sinais mais sólidos para ampliar sua presença, mas reconhece o crescimento da operação desde o início de 2024.

A Marcopolo, que atua na Argentina desde 1998, voltou a lucrar no país em 2024, com R$ 75,7 milhões — o primeiro resultado positivo desde 2017. A empresa investe na adaptação da planta industrial para produzir ônibus urbanos e rodoviários, além de desenvolver fornecedores locais e lançar produtos com maior valor agregado. O gerente jurídico Eduardo Willrich afirma que as perspectivas seguem positivas para os próximos trimestres.

No setor automotivo, a Frasle Mobility, da Randoncorp, também registrou aumento nas exportações para a Argentina. A empresa destacou o ambiente favorável de negócios com a reabertura do mercado, reposição de estoques e novos lançamentos.

O otimismo com a Argentina não se restringe às empresas brasileiras. A Stellantis, grupo holandês dono de marcas como Fiat, Peugeot e Citroën, observou crescimento nas vendas desde o segundo semestre de 2024. O CFO da América do Sul, Fernando Scatena, associa essa retomada à estabilidade macroeconômica, que aumentou o acesso ao crédito e favoreceu o consumo. A empresa anunciou um investimento de US$ 385 milhões em sua planta de Córdoba, parte do qual será destinado à produção de picapes.

Outro impulso veio com o acordo de US$ 20 bilhões fechado pelo governo Javier Milei com o FMI, segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. Ele lembra que 2024 foi um ano de explicações sobre resultados ruins, mas o cenário agora mudou. A Natura, por exemplo, viu sua receita na Argentina saltar de R$ 526,8 milhões no 1º trimestre de 2024 para R$ 838,6 milhões no mesmo período de 2025 — alta de 59,1%.

Essa nova fase indica que, para muitas empresas, a Argentina deixou de ser uma dor de cabeça e passou a ser uma oportunidade concreta de crescimento.

Fonte: Valor International

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Internacional

Autoridades do Paraguai e da Argentina discutem projeto de gasoduto para abastecer o Brasil

A embaixadora do Paraguai, Helena Concepción Felip Salazar, e o vice-ministro de Minas e Energia de Assunção, Mauricio Bejarano, reuniram-se em Buenos Aires com a secretária de Energia da Argentina, María Tettamanti, para avançar nas discussões sobre um projeto de gasoduto bioceânico. As conversas se concentraram na elaboração de um memorando de entendimento e na definição de etapas para a integração energética entre os dois países.

O gasoduto proposto terá 1.050 km de extensão, sendo 530 km atravessando o território paraguaio. A infraestrutura pretende ligar as reservas de gás da Argentina à demanda do Brasil, exigindo um investimento estimado em US$ 2 bilhões — dos quais US$ 1 bilhão corresponderia à parte do Paraguai.

Segundo comunicado da Embaixada Paraguaia na Argentina, o setor privado foi considerado essencial para o desenvolvimento da infraestrutura, com o objetivo de fortalecer a segurança energética e gerar benefícios regionais.

A embaixadora Felip Salazar destacou na semana passada o bom relacionamento entre seu país e investidores privados argentinos, que buscam aproveitar as “vantagens comparativas que oferecemos: estabilidade macroeconômica, baixa carga tributária, pouca burocracia e regimes especiais dentro do Mercosul”. Ela também relatou que empresários da província argentina de Tucumán “me disseram que conseguiram abrir uma empresa em apenas um dia, sem dificuldades”.

“Um dado muito importante é que, até agora neste ano, a Argentina superou o Brasil como principal destino das exportações paraguaias. Tradicionalmente, o Brasil era nosso principal parceiro comercial em termos econômicos, mas neste ano isso se inverteu, e a Argentina assumiu a liderança”, observou a diplomata.

“Nossa meta é diversificar a balança comercial. Hoje, ela está concentrada em poucos itens: a soja, que é estratégica, e a energia. Mas buscamos ampliar essa matriz incluindo setores como o de carnes — com a recente autorização para exportar carne suína à Argentina —, farmacêuticos, cana-de-açúcar paraguaia (uma bebida alcoólica naturalmente fermentada, semelhante à cachaça), além de itens como têxteis”, explicou ainda em entrevista ao jornal Ámbito.

Fonte: MercoPress

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