Internacional

Dos Minerais Críticos ao Lítio: Cresce a Presença Chinesa na América do Sul em um Contexto de Disputas Geoeconômicas

A crescente presença chinesa na mineração sul-americana abre espaço para uma integração produtiva regional voltada à transição energética, na qual o Brasil pode assumir papel estratégico ao agregar valor e tecnologia às cadeias de minerais críticos

Políticas de Estado adotadas pela China na última década, como o 14.º Plano Quinquenal (2021-2025)1 e a “Made in China 2025”, abordam a questão dos minerais críticos como um fator importante para o progresso tecnológico e a continuidade do desenvolvimento econômico do país. Setores como semicondutores, smartphones, baterias, veículos elétricos, tecnologias visando a transição energética – incluindo painéis solares e turbinas eólicas – e mesmo a indústria de defesa utilizam esses minerais como insumos para bens manufaturados.

No contexto global, as terras raras estão no centro da disputa entre Pequim e Washington. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estima que empresas chinesas controlem 70% da produção mundial. O país asiático detém uma parcela significativa das reservas globais desses minerais, estimadas em 44 milhões de toneladas, o que corresponde a 36% do total. Além da China, outros países como os EUA, Austrália e Mianmar também têm participação nas cadeias de extração e produção do setor.

Pequim respondeu à escalada das tensões comerciais iniciadas pelo governo Trump restringindo, em abril deste ano, as exportações de sete minerais de terras raras essenciais para os EUA. Entre meados de maio e o final de junho, foi negociada uma trégua comercial temporária. Durante esse período, a China criou um “canal verde” para acelerar a concessão de licenças de exportação, enquanto os EUA concordaram em reduzir tarifas e flexibilizar restrições de vistos estudantis para cidadãos chineses. A trégua, no entanto, não eliminou completamente as restrições: as licenças ainda são exigidas e os elementos pesados especializados, cruciais para aplicações militares, continuam sob forte controle, com aprovações mais lentas das exportações da China para os Estados Unidos.

Nesse contexto de disputas geoeconômicas, vem crescendo a importância da América do Sul para as cadeias de valor lideradas por empresas chinesas de tecnologia, tendo em vista que a região é detentora de recursos como lítio, cobre, níquel-cobalto, terras raras e grafite. Alguns exemplos incluem a região do Triângulo do Lítio, localizado em partes da Argentina, do Chile e da Bolívia, que concentra cerca de 55% dos recursos globais conhecidos, o cinturão Andino do Cobre, entre Chile, Peru e Equador, com aproximadamente 40% da produção mundial do mineral, além de projetos emergentes em vários minerais, como níquel, cobalto, grafite e terras raras, no Brasil e em outros mercados.

A tabela a seguir resume alguns dos investimentos em minerais críticos capitaneados por empresas chinesas na América do Sul.

LÍTIO: DO TRIÂNGULO ARGENTINA-BOLÍVIA-CHILE ATÉ O BRASIL

A Argentina é atualmente o país com maiores investimentos externos diretos de empresas chinesas na extração de lítio na América do Sul, com destaque para a Ganfeng Lithium, que opera diversos projetos, como Mariana, Cauchari-Olaroz, Tres Quebradas e Pastos Grandes.

Por outro lado, o Chile continua sendo o maior fornecedor individual de lítio refinado para a China, com exportações de carbonato de lítio que chegaram a US$ 3,65 bilhões somente em 2023 – o equivalente a 67% das importações totais do produto pelo país asiático.

Além da Ganfeng Lithium, outras grandes empresas chinesas atuam na Argentina e no Chile, incluindo Zijin Mining Group e Tianqi Lithium, que adquiriu participação de 23,7% da gigante mineradora chilena SQM.

O Brasil possui lítio de rocha dura de alto teor no estado de Minas Gerais. As principais empresas que atuam nesse setor são a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em operação desde a década de 1990, e a Sigma Lithium, empresa canadense com subsidiária no Brasil, cujo projeto Grota do Cirilo iniciou a produção em 2023.

A Sigma enfatiza práticas ESG e vende quase exclusivamente para conversores chineses, como Ganfeng e CATL. A CBL, por sua vez, está em processo de expansão para dobrar sua capacidade de produção.

Empresas chinesas manifestaram interesse em adquirir participações minoritárias nessas empresas ou garantir contratos de compra de longo prazo.

O mapa abaixo mostra a região do triângulo do lítio e algumas das reservas e minas sendo exploradas na região.

COBRE E OUTROS MINERAIS CRÍTICOS PARA BATERIAS E PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

No Peru, as empresas chinesas controlam mais de 40% da produção nacional de cobre após uma onda de investimentos de uma década. Os carros-chefes são as minas de Las Bambas, da Minerals and Metals Group (MMG), subsidiária da China Minmetals Group e Toromocho, da Chinalco, cuja capacidade de produção foi expandida recentemente. Esses recursos são exportados por meio do mais recente projeto de construção da China no país, o megaporto de Chanchay. Estimada em US$ 1,3 bilhão de dólares, a obra aumentou a conectividade entre a América do Sul e a Ásia e serve para o abastecimento de cadeias produtivas de empresas chinesas de eletrônicos e tecnologia.

No que diz respeito ao grafite e terras raras, o governo brasileiro destinou linhas de crédito para acelerar projetos, e foram assinados memorandos de entendimento entre atores locais e parceiros chineses em visitas oficiais de líderes de Estado em 2024, mas ainda não houve desenvolvimentos concretos. O país detém mais de 90% das reservas mundiais conhecidas de nióbio, concentradas na mina de Araxá, localizada em Minas Gerais e operada pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). Embora a empresa permaneça sob controle brasileiro, mantém relações comerciais de longa data com clientes chineses. Em 2011, um consórcio de empresas chinesas, incluindo a CITIC e a Baosteel, adquiriu uma participação de 15% na CBMM por US$ 1,95 bilhão. Isso garantiu acesso seguro ao nióbio de alta pureza para as indústrias siderúrgicas e de alta tecnologia chinesas.

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de grafite natural e possui reservas inexploradas de terras raras em Minas Gerais e na Bacia Amazônica.

O Brasil também é um ator central na extração e exportação de níquel. A compra pela chinesa MMG dos ativos de ferro e níquel – Barro Alto e Codemin – da Anglo American por cerca de US$ 500 milhões em fevereiro deste ano se encaixa no contexto mais amplo de fornecimento de matéria-prima para a produção de veículos elétricos no país. A exploração de minerais no Brasil se alinha à crescente presença da BYD em território nacional, com fábricas na Zona Franca de Manaus, Campinas e em Camaçari, na Bahia. A integração da mineração upstream com a montagem downstream reforça a estratégia das empresas chinesas de veículos elétricos no Brasil e na região. Além disso, os portos brasileiros estão sendo modernizados para facilitar as exportações, enquanto corredores ferroviários ligando Minas Gerais aos portos estão sendo considerados para desenvolvimento conjunto com empresas chinesas.

CONCLUSÕES E O PAPEL DO BRASIL NAS CADEIAS CHINESAS DE MINERAIS CRÍTICOS

A produção de cobre no Peru e no Chile, bem como a de lítio na Argentina e no Chile, continuará a desempenhar um papel estratégico no setor de mineração na América do Sul. Nesse contexto, não se pode descartar a possibilidade de uma futura integração produtiva regional em parceria com empresas chinesas na área de tecnologias verdes. Essa cadeia poderia envolver a Argentina e o Chile como produtores de lítio, o Peru e o Chile como fornecedores de cobre, enquanto o Brasil atuaria na fabricação de cátodos, baterias e veículos elétricos, com distribuição para toda a América do Sul.

Embora essa articulação ainda não esteja plenamente concretizada, já existem sinais relevantes de que ela pode se tornar realidade no médio e longo prazos, como a inclusão de países da região na Nova Rota da Seda e os crescentes investimentos chineses em minerais estratégicos, energias renováveis e na indústria de transição energética – incluindo carros elétricos e painéis solares.

Nesse contexto, a conjuntura global apresenta um acirramento de tensões geopolíticas, com o uso de ferramentas geoeconômicas por parte de potências como os Estados Unidos para influenciar as ações de potências médias e países emergentes. Este cenário não pode ser ignorado, sob pena de perda de oportunidades na atração de investimentos externos e no desenvolvimento de tecnologias ligadas à descarbonização.

A questão dos minerais críticos é um ponto importante nessa pauta, haja vista sua relevância para as cadeias de valor em setores de tecnologia. É importante que os países da América do Sul diversifiquem suas parcerias comerciais e de investimentos, ao mesmo tempo em que continuem a investir em suas próprias políticas industriais e de pesquisa e desenvolvimento, de modo a avançar rumo a atividades de maior valor agregado e intensidade tecnológica em setores ligados aos minerais críticos.

Produzir tecnologia e agregar valor são as chaves para a manutenção da soberania no caso de países que produzem commodities e recursos naturais, e a China pode ser uma importante parceira nesse processo.

Fonte: CEBC – Carta Brasil-China

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Internacional

Ponte mais alta do mundo passa por teste de carga na China

A Ponte do Grand Canyon Huajiang, na China, passou por um processo de testes de cinco dias antes da abertura prevista para o final de setembro.

O teste de carga é a etapa final antes que a ponte seja considerada segura para o tráfego.

Uma equipe de testes conduziu 96 caminhões sobre pontos específicos para avaliar a integridade estrutural.

Com 625 metros acima de um rio na província de Guizhou, a ponte estabelecerá o recorde de mais alta do mundo e de maior vão construída em uma região montanhosa.

Fonte: BBC Brasil

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Internacional

China se opõe ao plano do México de aumentar tarifas sobre Pequim

País defende uma globalização econômica “universalmente benéfica e inclusiva”, acrescentou porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (28) que o país defende uma globalização econômica “universalmente benéfica e inclusiva” e se opõe ao unilateralismo, ao protecionismo e a medidas discriminatórias e excludentes de qualquer natureza.

A declaração aconteceu ao ser questionado sobre o plano do governo do México de aumentar as tarifas sobre Pequim como parte da proposta orçamentária para 2026.

“O México é o segundo maior parceiro comercial da China na América Latina e a China é o terceiro maior destino de exportação do México. Nossa cooperação comercial e econômica beneficia ambos os lados”, defendeu o porta-voz.

Segundo ele, a China também se opõe “firmemente” a medidas tomadas sob coerção para restringir a potência asiática ou minar seus direitos e interesses legítimos sob qualquer pretexto.

“Acreditamos que o país em questão manterá sua independência e lidará adequadamente com os assuntos relevantes”, acrescentou.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Brasil e México estabelecem Marco legal para cooperação agropecuária

Memorando foi assinado nesta quarta-feira (27), em reunião secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural mexicano; em pauta, também, regionalização nos eventuais casos de IAAP
Durante missão oficial liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Geraldo Alckmin, no México, o Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu com o Secretário Julio Antonio Berdegué Sacristán, titular da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural (SADER).

Após o encontro nesta quarta-feira (27) foi assinado o Memorando de Entendimento sobre cooperação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a SADER, tratando de interesses em áreas mútuas entre os dois países na produção agrícola e pecuária, acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, promoção de pesquisa e inovação tecnológica, financiamento e seguro rural, além de instrumentos que facilitem a comercialização de produtos agrícolas.

De acordo com o memorando, Brasil e México realizarão intercâmbio de informações, tecnologias e boas práticas; visitas técnicas e atividades estratégicas de facilitação do comércio bilateral. Para isso, será criado um grupo de trabalho com representantes das áreas técnicas de ambos os países que irá identificar as áreas de interesse comum, planejar, implementar e atualizar o Plano de Trabalho.

REUNIÃO DE TRABALHO

Além da assinatura do memorando, a reunião entre os ministros avançou nas relações comerciais entre Brasil e México. Fávaro destacou a importância da relação com o México e o comprometimento do Brasil com a rastreabilidade bovina.

“A abertura do tão sonhado mercado de carne bovina e suína no México já vem trazendo resultados muito positivos para ambos os países. No caso do Brasil, após o período de consolidação dessa abertura, empresas privadas começaram a efetivar negócios, resultando em um crescimento de aproximadamente 250% nas exportações de carne bovina em apenas 2 anos e 8 meses. No mesmo período, as vendas de carne suína aumentaram 95% e as de frango, 14%. Esses avanços são benéficos não apenas para o Brasil, mas também para o México, que, em seu programa de combate à inflação dos alimentos, encontra a oportunidade de adquirir carnes de alta qualidade”, detalhou.

Já o secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Júlio Berdegué firmou o compromisso do país com a análise, em até dez dias a partir de eventual surgimento de casos de infecção em plantel aviário, de um protocolo de regionalização, mantendo o fluxo das exportações brasileiras.

Ele ainda comentou que a presidente do México, Claudia Sheinbaun, recomendou que ele buscasse, durante a reunião, a experiência brasileira no combate à fome e a pobreza, que fez com quem o Brasil fosse reconhecido pela ONU como fora do Mapa da Fome novamente.

A medida foi destacada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que reforçou a parceria entre Brasil e México com avanço nas tratativas.

Além do compromisso mexicano com a regionalização para comércio de frango, avançaram as negociações para a importação de pêssego mexicano pelo Brasil, bem como para a ampliação do mercado de atum brasileiro no México.

A reunião realizada na sede da chancelaria mexicana na tarde desta quarta-feira (27) contou com a presença da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; do presidente da Apex, Jorge Viana, dos embaixadores Francisco Canabrava e Celso de Tarso; do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua e da Adida Agrícola no México, Adriane Cruvinel.

Fonte: MAPA

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Internacional

Trump x Fed: como a pressão sobre Lisa Cook pode impactar a economia dos EUA? E do Brasil?

Demissão da diretora do banco central americano levanta questionamentos sobre interferência do presidente dos Estados Unidos na política de juros e expõe riscos institucionais com reflexos globais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez seu ataque mais direto ao Federal Reserve (Fed), o banco central do país, nesta segunda-feira (25), ao tentar afastar a economista Lisa Cook do cargo de diretora da instituição.

Nenhum presidente tem autoridade para removê-la, pois só é permitido destituir um dirigente do Fed por “justa causa”. Embora o termo tenha sido usado por Trump no caso de Cook, ele não possui fundamento legal (entenda abaixo).

A tentativa, portanto, levantou questões sobre o futuro e a independência do banco central americano, instituição fundamental para a maior economia do mundo.

Num primeiro momento, a medida não provocou grandes reações no mercado financeiro, já que investidores duvidam que Trump consiga remover Lisa Cook do cargo. Ainda assim, permanecem mais dúvidas que certezas.

A acusação contra Lisa Cook justifica sua saída? Se Trump alcançar maioria no conselho de diretores, até onde poderá ir sua influência sobre o banco central? E por que os mercados têm reagido de forma tão tímida diante de riscos tão significativos?

g1 ouviu especialistas para responder a essas e outras questões e explicar de que forma o caso pode impactar o Fed e gerar reflexos em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O que Trump pretende com o caso Lisa Cook?

Na avaliação de analistas, esse episódio não é um caso isolado — e dificilmente será o último. A iniciativa faz parte da estratégia econômica de Trump, que busca assegurar maioria no conselho do Fed e, com isso, ganhar influência sobre a política de juros nos EUA.

🔎 Os juros são uma das principais ferramentas utilizada pelos bancos centrais para estimular ou frear a economia. Desde o início de seu mandato, Trump critica o Fed para que os juros sejam reduzidos — o que ajudaria a acelerar a atividade econômica, mas colocaria em risco o controle da inflação.

Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, lembra que a acusação de fraude imobiliária contra Lisa Cook partiu de William Pulte, chefe da Agência Nacional de Financiamento de Habitação dos EUA e aliado de Trump.

Trata-se do mesmo personagem que formatou o argumento de pressão ao presidente do Fed, Jerome Powell, devido às reformas no prédio da instituição. Trump sugeriu que Powell promoveu um superfaturamento das obras, o que seria um argumento para demiti-lo também.

“Pulte já apresentou acusações semelhantes contra adversários políticos de Trump, como o senador Adam Schiff, que conduziu o primeiro processo de impeachment do republicano, e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, responsável por processá-lo por fraude empresarial. Isso reforça o caráter político da interferência.”

O economista Maykon Douglas avalia que mais essa tentativa de intervenção de Trump no Federal Reserve vai além da esfera econômica e reflete uma percepção crescente de enfraquecimento das instituições americanas.

“Quando as arbitrariedades de um único ator político atingem universidades, institutos de pesquisa, regras eleitorais e até a autoridade monetária, em um país onde a estabilidade político-econômica é tradição e símbolo de seu ‘excepcionalismo’, isso representa um claro sinal de disfuncionalidade”, afirma.

A acusação contra Lisa Cook justifica sua demissão do Fed?

Para sustentar a demissão de Lisa Cook, Trump recorreu a uma brecha na Lei do Federal Reserve, de 1913. O texto estabelece que “cada membro permanecerá no cargo por 14 anos a partir do fim do mandato de seu antecessor, salvo destituição por justa causa pelo presidente.

O presidente dos EUA, então, associou uma acusação de fraude hipotecária — apresentada inicialmente em carta pública por Pulte — como a justa causa necessária para afastar a diretora do Fed. O documento foi classificado como uma “referência criminal” e levou a instituição a solicitar investigação ao Departamento de Justiça.

Especialistas ouvidos pela Reuters destacam, porém, que a destituição “por justa causa” geralmente se aplica a situações de má conduta, incompetência ou irregularidades. Nesse contexto, a acusação de fraude hipotecária não teria relação direta com esses fundamentos.

Peter Conti-Brown, especialista em história do Fed pela Universidade da Pensilvânia, lembra que as transações mencionadas por Trump ocorreram antes da nomeação de Cook para o banco central e já haviam sido divulgadas durante sua sabatina e confirmação no Senado.

Embora a lei não seja explícita, sua interpretação é de que ela se refere à conduta durante o exercício da função, e não a atos anteriores à nomeação ou a aspectos da vida pessoal sem ligação com o cargo.

“A ideia de retroceder no tempo e considerar que eventos anteriores à nomeação constituem motivos para demissão do cargo oficial é, na minha visão, incompatível com o conceito de remoção ‘por justa causa’”, diz Conti-Brown.

O que acontece se Trump conquistar maioria no Fed?

Maykon Douglas destaca que a autonomia técnica de um banco central é essencial quando um país adota metas de inflação. Se houver suspeita de interferência política nas decisões, a confiança no BC se deteriora.

“Os riscos de interferência política prejudicam a credibilidade da política monetária e ‘contaminam’ as expectativas dos agentes econômicos, que passam a confiar menos no compromisso da autoridade monetária com a estabilidade dos preços”, afirma o economista.

Esse aspecto institucional ajuda a explicar a desvalorização global do dólar e a alta das taxas de juros de longo prazo. (🔎 Juros longos são os que incidem sobre empréstimos ou títulos com prazos de 10, 20 ou 30 anos, refletindo o custo do crédito no longo prazo)

Na prática, funciona assim:

  • Se a inflação sobe, é preciso aumentar os juros para conter os preços;
  • Se o Fed perde independência, investidores duvidam que o BC fará seu trabalho;
  • Se o risco é mais alto, o mercado exige juros mais altos como proteção.

Em relatório, os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual, apontam que o episódio reforça a atual onda de incertezas institucionais nos EUA e intensifica os temores de enfraquecimento da independência do Fed.

“Se obtiver sucesso, Trump poderá indicar um substituto alinhado às suas visões, ainda sujeito à confirmação pelo Senado, hoje controlado por maioria republicana.”

Os analistas ressaltam ainda que, sem independência, a maior desconfiança encarece empréstimos e financiamentos e pode desvalorizar o dólar diante de outras moedas.

Por que os mercados não têm reagido ao ataque de Trump?

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, as ações de Trump em relação ao Fed podem gerar pressão sobre o banco central, mas o impacto na credibilidade da instituição pode não ser tão direto ou severo.

O estrategista lembra ainda que, historicamente, as decisões do Federal Reserve têm sido independentes: “O ataque de Trump é, na prática, apenas sua opinião sobre os juros. Ele pode se manifestar, mas o presidente do Fed não deve se orientar por isso. Até agora, os dirigentes da instituição têm agido de forma plenamente independente.”

“Riscos institucionais existem em qualquer lugar do mundo: a Europa enfrentou o Brexit, a Grécia entrou em default [calote da dívida] — por isso, embora relevantes, os problemas institucionais dos EUA não são necessariamente mais graves do que em outros países.”

Para Leonel Mattos, duas hipóteses podem explicar a reação “atípica” do mercado, embora ele ressalte que ainda não há resposta conclusiva:

Investidores gostariam de ver uma interferência política no Fed: com mais dirigentes alinhados ao Partido Republicano e a Trump, acreditam que isso poderia “beneficiar o ambiente de negócios”.

Investidores acreditam que Trump não terá sucesso no ataque ao Fed: por isso, veem o episódio como um “impasse político” que deve se resolver em favor da instituição;

Como fica o Brasil nessa história?

Mesmo que a interferência de Trump no Fed seja limitada, a perda de credibilidade da economia dos EUA já tem afastado parte dos investidores do mercado americano. O dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro (as Treasuries) evidenciam esse movimento.

  • 🔎 O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a moedas de países desenvolvidos, caiu 10,2% neste ano. Em relação ao real, a desvalorização é de 12,07% no ano.
  • As Treasuries de 10 anos, um dos principais títulos do Tesouro americano, registraram queda de 7,13% em 2025. Mas, em 12 meses, já têm alta de 10,63%.

William Castro Alves, da Avenue, observa que o enfraquecimento do dólar pode favorecer moedas emergentes, além de impulsionar commodities e ações.

“Isso já está em curso, não à toa o real está abaixo de R$ 5,50. Se o dólar estivesse forte, dificilmente veríamos essa valorização”, afirma o estrategista.

Mas há quem possa se beneficiar desse cenário. Com a desvalorização do dólar, seja frente a outras moedas (DXY) ou ao real, o custo de importação de produtos e insumos no Brasil tende a diminuir.

Esse efeito ajuda a conter a alta dos preços no país e a manter a inflação sob controle. Assim, o Banco Central ganha espaço para reduzir os juros — atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, sem previsão de cortes.

Juros mais baixos estimulam o consumo e os investimentos, o que tende a impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: G1

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Comércio Exterior, Internacional

Trump é acionado para intervir em venda de níquel no Brasil para a China

O Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) acionou o governo Donald Trump para intervir junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a venda de ativos de níquel no Brasil para a MMG Limited, empresa australiana controlada pela estatal chinesa China Minmetals Corporation. O negócio, avaliado em até US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões), envolve todas as operações da Anglo American no país.

De acordo com o AISI, a transação colocaria sob influência chinesa reservas expressivas de níquel no Brasil, ampliando o domínio de Pequim sobre a cadeia de suprimentos de minerais críticos, já que a China controla grande parte da produção indonésia. O instituto advertiu que, se confirmada, a compra aumentará a vulnerabilidade dos Estados Unidos, que dependem do metal para setores como tecnologia, defesa e transição energética.

A Anglo American anunciou que a venda inclui duas unidades operacionais em Goiás — Barro Alto e Codemin (Niquelândia) — além de projetos para exploração em Mato Grosso (Morro Sem Boné) e no Pará (Jacaré). Em 2023, essas operações produziram cerca de 40 mil toneladas de ferroníquel.

Em carta ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), datada de 18 de agosto, o presidente do AISI, Kevin M. Dempsey, disse que o governo brasileiro deveria buscar alternativas para preservar a “propriedade orientada para o mercado” desses ativos. Segundo ele, o setor de aço inoxidável, que responde por 65% da demanda global de níquel, pode sofrer impacto direto. “As reservas globais de níquel estão concentradas em poucos países. A China já tem controle sobre parcela significativa da produção, e essa aquisição reforçaria ainda mais esse domínio”, alertou.

A ação do AISI se dá em meio às negociações do tarifaço imposto por Trump contra produtos brasileiros. Washington já manifestou preocupação com a atuação da China no setor, sobretudo diante de políticas de restrição de exportação adotadas por Pequim.

No Brasil, o assunto também entrou em rota de colisão. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pressão dos EUA sobre Lula está diretamente ligada ao interesse estratégico americano nos minerais nacionais.

Fonte: Conexão Política

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Internacional, Tecnologia

China consolida maior rede mundial de recarga de veículos elétricos até 2025

País avança em transição energética com recordes em energia renovável e inovação tecnológica

A China construiu a maior rede de recarga de veículos elétricos (VE) do mundo durante os cinco anos do 14º Plano Quinquenal (2021-2025). A informação foi destacada pelo Global Times, que repercutiu declaração de Wang Hongzhi, diretor da Administração Nacional de Energia (NEA), em entrevista coletiva realizada pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado.

Segundo Wang, atualmente o país conta com, em média, duas estações de recarga para cada cinco veículos elétricos. Ele destacou que esse processo simboliza o avanço mais acelerado da história chinesa em direção à transição verde e de baixo carbono.

Avanços na matriz energética

De acordo com o representante da NEA, o consumo de energia nos primeiros quatro anos do atual Plano Quinquenal foi 1,5 vez maior que o crescimento total registrado em todo o período anterior (2016-2020). Além disso, apenas a expansão no consumo elétrico da China nos últimos cinco anos deve superar o consumo anual total da União Europeia.

Outro marco apontado por Wang foi o salto na participação das energias renováveis: a fatia de fontes limpas na capacidade instalada de geração passou de 40% para cerca de 60%. O dirigente ressaltou ainda a rápida expansão da geração eólica e solar, que superaram, sucessivamente, as marcas de 100 milhões, 200 milhões e 300 milhões de quilowatts instalados ao ano.

Liderança em inovação tecnológica

Wang afirmou que a China assumiu posição de liderança global em novas tecnologias energéticas, com mais de 40% das patentes mundiais do setor. Ele destacou que recordes em eficiência de conversão fotovoltaica e capacidade de turbinas eólicas offshore vêm sendo constantemente superados. Em apenas alguns anos, o país alcançou também a maior capacidade de armazenamento de energia do planeta.

Expansão do mercado e setores emergentes

A transformação verde impulsionou o dinamismo do mercado. Hoje, o país soma 970 mil empresas registradas no setor elétrico, número cinco vezes maior do que em 2020.

Du Zhongming, diretor do Departamento de Eletricidade da NEA, acrescentou que apenas em 2024 o consumo elétrico da indústria de veículos elétricos cresceu 34,3% em relação ao ano anterior, enquanto o setor de internet e serviços correlatos avançou 20,5%. Entre janeiro e julho de 2025, a demanda por recarga e troca de baterias aumentou mais de 40%.

“Esses números demonstram que o crescimento das indústrias emergentes aumentou a participação da eletricidade no consumo total de energia, promoveu o ajuste estrutural e impulsionou a transformação verde”, afirmou Du.

Perspectivas para o próximo ciclo

Com o fim do 14º Plano Quinquenal se aproximando, Wang destacou que a China conseguiu garantir segurança energética e pavimentar um caminho próprio de desenvolvimento de alta qualidade. Para o próximo ciclo (2026-2030), o dirigente assegurou que o país “não poupará esforços para avançar na construção de um novo sistema energético”, consolidando uma base sólida para sustentar a modernização chinesa.

Fonte: Brasil 247

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Internacional

Brasileiros ampliam apoio à China e rejeição a EUA e Israel

A imagem internacional do Brasil em relação a grandes potências está passando por uma reviravolta. Segundo levantamento da Genial/Quaest, divulgado pela colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a percepção positiva dos brasileiros sobre a China saltou de 34% em outubro de 2024 para 49% em agosto deste ano. No mesmo período, a avaliação favorável aos Estados Unidos caiu de 56% para 44%, e a de Israel despencou de 52% para 35%.

A pesquisa, realizada entre 13 e 17 de agosto com 12.150 pessoas em todo o país, mostra ainda que a imagem negativa dos EUA cresceu de 25% para 48%. Israel também registrou aumento na rejeição, passando de 27% para 50%. Esses movimentos coincidem com o tarifaço e as sanções aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com a ofensiva do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para pressionar o Judiciário a livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da condenação e da cadeia por tentativa de golpe.

O salto da China foi mais expressivo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, onde a avaliação positiva cresceu de 41% para 61%. Entre os que votaram em branco ou nulo, a aprovação também subiu, passando de 31% para 50%. Já no grupo de eleitores de Jair Bolsonaro, a percepção favorável ao país asiático se manteve estável em 30%.

A queda da imagem dos EUA foi mais acentuada entre os eleitores de Lula, que em março registravam 51% de aprovação e agora caíram para 23%. Entre os apoiadores de Bolsonaro, no entanto, a popularidade dos americanos segue alta, subindo de 66% para 72%.

Israel perde apoio

No caso de Israel, a rejeição avançou em quase todos os segmentos, impactada principalmente pelos desdobramentos da guerra em Gaza. Entre os bolsonaristas, o índice de aprovação caiu de 67% para 54%. A maior qued, aparece entre os católicos, que representam a maioria da população: apenas 30% avaliam positivamente o país, enquanto 52% reprovam. Já entre evangélicos, o apoio é majoritário, com 52% de avaliação favorável.

Rússia e Argentina apresentam leve melhora

O estudo também aponta crescimento na percepção sobre Rússia e Argentina. A imagem positiva de Moscou avançou de 20% para 25%, enquanto Buenos Aires subiu de 36% para 42%. Apesar disso, o governo de Vladimir Putin segue com o maior índice de rejeição entre os brasileiros, atingindo 59%.

Percepção varia conforme a renda

A pesquisa revelou ainda diferenças significativas de opinião entre faixas de renda. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, os EUA mantêm a liderança em imagem positiva, com 53%. Já entre os mais pobres, a China aparece em vantagem, com 45% de aprovação.

O levantamento utilizou dados da Pnad de 2024 e 2025 e do Censo de 2022, ambos do IBGE, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

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Internacional

Comunicado Conjunto Brasil-Canadá sobre Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá e Compromisso com o Sistema Multilateral de Comércio

O Brasil e o Canadá compartilham um compromisso histórico com o comércio aberto, justo e sustentável, atuando em conjunto para promover a prosperidade bilateral, regional e no marco do sistema global de comércio.

Ambos concordaram em intensificar os fluxos bilaterais de comércio e investimento, como parte de suas estratégias de diversificação e expansão de mercados. Nesse contexto, os dois países acolhem com satisfação a realização da missão comercial brasileira ao Canadá (em setembro, em Toronto), com vistas a ampliar ainda mais as oportunidades de negócios bilaterais. Reafirmam, igualmente, seu apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilar central, e a necessidade de defender normas comerciais globais abertas e previsíveis, que têm contribuído para o crescimento e a prosperidade de nossos países.

Como passo oportuno rumo a maior diversificação econômica, determinamos que nossos altos funcionários responsáveis pela área de comércio iniciem discussões, inclusive com uma reunião de chefes negociadores no início de outubro, com vistas à retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá, ao lado de nossos parceiros Argentina, Paraguai e Uruguai.

A retomada das negociações comerciais entre o Mercosul e o Canadá constitui sinal inequívoco de nosso compromisso compartilhado de aprofundar os laços econômicos mutuamente benéficos e de abrir novas oportunidades relevantes para empresas, trabalhadores e comunidades nos dois lados.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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Internacional

Donald Trump põe fim ao acordo de emissões zero para o transporte marítimo

Os Estados Unidos rejeitaram a proposta da Organização Marítima Internacional (OMI) para o chamado “Marco de Emissões Líquidas Zero”, que visa reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa no setor de transporte marítimo internacional, e ameaçaram impor sanções aos países que a apoiarem.

O anúncio foi feito conjuntamente pelo Secretário de Estado Marco Rubio, pelo Secretário de Comércio Howard Latnick, pelo Secretário de Energia Chris Wright e pelo Secretário de Transportes Sean Duffy. Trata-se de uma medida do presidente dos EUA, Donald Trump, que antecede uma votação prevista para outubro na ONU sobre a adoção da proposta de transporte marítimo com emissões zero.

A medida também ocorre enquanto a administração Trump utiliza tarifas como forma de pressionar líderes de outros países, incluindo China, Índia e Brasil, e à medida que os EUA retiram seu apoio a regulamentações voltadas para conter as mudanças climáticas, comentou a Reuters.

Donald Trump afirmou ainda que está retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima, que estabelece a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2050.

“A administração Trump rejeita categoricamente esta proposta perante a OMI e não tolerará qualquer ação que aumente os custos para nossos cidadãos, fornecedores de energia, empresas de transporte marítimo, seus clientes ou turistas”, disse o comunicado dos principais ministros dos EUA sobre o marco de transporte marítimo com emissões zero.

“Os membros da OMI devem saber que buscaremos seu apoio contra esta ação e não hesitaremos em reagir ou explorar soluções para nossos cidadãos, caso esse esforço fracasse”, acrescentou.

Os Estados Unidos, um dos 176 países membros da OMI, se retiraram das negociações sobre o marco de emissões zero em abril e instaram os demais membros da organização a reconsiderarem seu apoio à proposta, segundo um memorando citado pela Reuters.

O histórico

Os países membros da OMI concordaram com o marco de emissões zero em abril, após uma votação por maioria simples. Dos que votaram, 63 – incluindo China, Brasil e países da União Europeia – foram favoráveis, enquanto apenas 16 votaram contra.

Em outubro, a proposta precisará de uma maioria de dois terços – ou seja, apoio de 108 países membros – para ser aprovada. A OMI só recorre à votação quando não há consenso entre os Estados membros sobre uma regulamentação.

Navios que cruzam oceanos transportam cerca de 80% das mercadorias do mundo e são responsáveis por quase 3% das emissões globais de carbono. O setor está sob pressão de ambientalistas e investidores para tomar medidas mais efetivas em relação ao clima, incluindo a adoção de um imposto sobre carbono.

Tudo isso levou muitas grandes empresas de transporte marítimo a assumirem o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050. Diversas entidades que representam empresas do setor apoiaram a legislação, mas também pediram medidas específicas para compensar o custo mais elevado dos combustíveis “verdes”.

O Conselho Mundial de Navegação (World Shipping Council), que representa grandes empresas, a maior transportadora de contêineres do mundo, Maersk, e a principal empresa de transporte marítimo de veículos, Wallenius Wilhelmsen, recusaram-se a comentar imediatamente os desdobramentos.

Fonte: Offshore CO²

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