Portos

Moegão da Portos do Paraná alcança 67% de conclusão

A maior obra pública portuária do Brasil, o Moegão, atingiu 67% de execução geral nesta semana. Somente a parte civil, por exemplo, já chegou a 76,8% dos trabalhos concluídos. Na parte mecânica, foram 71,7% de avanço e na parte elétrica, 35,6% já foi realizado. O terminal terá capacidade para descarregar 180 vagões a cada cinco horas e vai conectar 11 estruturas portuárias, além de reduzir os cruzamentos de linhas férreas na cidade de Paranaguá.

O novo complexo é formado por moegas ferroviárias, sistema de transporte vertical (elevadores de canecas), sistema de transporte horizontal (correias transportadoras), sistema de transferência de produto (torres de transferência), sistema de alimentação dos terminais (torres de alimentação), balanças (ferroviárias e integradoras), utilidades, prédio administrativo e prédio de manutenção. Nas próximas semanas, a ideia é finalizar a parte pré-moldada das Torres 5 e 9, concluir a fundação dos prédios administrativos e avançar na montagem da parte mecânica e elétrica.

Atualmente o Moegão avança com a instalação das estruturas que farão todo o complexo funcionar, como as galerias aéreas. No interior de cada um estão sendo instaladas três esteiras transportadoras, cada uma com capacidade para levar até 2.000 toneladas por hora de grãos vegetais. 

O Governo do Estado do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está aplicando mais de R$ 650 milhões, a partir de recursos próprios e de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atualmente, em média, 550 vagões podem ser descarregados diariamente no Corex. Com o Moegão, o descarregamento será padronizado em um único espaço, que terá condições de recepcionar até 900 vagões por dia.

Como não haverá mais a entrada de vagões dentro dos terminais, as manobras, que hoje são necessárias para o descarregamento, deixarão de existir, reduzindo sensivelmente as interrupções no trânsito da cidade. O número de cruzamentos com interrupções cairá de 16 para cinco. Cada terminal é responsável por fazer a interligação até o receptivo do Moegão. A previsão da entrega é dezembro de 2025, com operação prevista para o início de 2026.

“O Moegão é uma estrutura que impressiona pelo tamanho e pela complexidade de engenharia. A obra segue o cronograma, não temos qualquer atraso, e a perspectiva é de entregar o complexo no final deste ano”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O Moegão poderá receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano para atender os terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Essa quantidade é maior que a média anual de exportação do Corex, pois já prevê a ampliação do modal ferroviário em direção ao litoral paranaense por meio da nova Ferroeste e dos investimentos na Malha Sul.

“Essas mudanças vão acontecer em breve. O nosso porto já se prepara para as mercadorias das próximas décadas”, explica Garcia. “O Moegão é uma obra que prepara o Porto de Paranaguá para o futuro e ainda promoverá um equilíbrio com o modal rodoviário, que se manterá como uma opção forte de transporte até os portos paranaenses”.

Ao mesmo tempo, o Moegão exercerá um papel crucial para os novos terminais que fazem parte das áreas arrendáveis do Porto de Paranaguá – PARs 14, 15 e 25 –, já leiloados e que aguardam as tramitações legais para a assinatura do contrato e do termo de posse. Parte dos investimentos (R$ 1,1 bilhão) a serem feitos pelos arrendatários terá como destino a construção da primeira fase do Píer em “T”. Mais R$ 1 bilhão será aplicado pelo Governo do Estado.

A unidade, que contará com quatro berços, vai permitir que o Corex triplique a velocidade média de carregamento dos navios — passando de 3 mil para 8 mil toneladas movimentadas por hora.

O gerente da Cotriguaçu, Rodrigo Buffara, representante da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), comentou que a Cotriguaçu já contratou a interligação ao eixo principal do Moegão. “Visamos maximizar o recebimento ferroviário, onde fica, na nossa visão técnica, a grande evolução do corredor de exportação, gerando um aumento de descarga ferroviária. Estamos juntos neste processo para somar”, afirmou.

Fonte: Governo do Estado do Paraná

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Portos

Em reunião com Jorginho Mello, Coamo anuncia o oitavo porto de Santa Catarina

O governador Jorginho Mello recebeu nesta segunda-feira, 25, executivos da cooperativa Coamo, do Paraná, para uma reunião onde foi feito o anúncio de um oitavo porto em Santa Catarina. A intenção é começar a operar o terminal em Itapoá no começo de 2030. O grupo está investindo R$ 3 bilhões no espaço de 43 hectares que vai contar com três berços de atracação com previsão de movimentar 11 milhões de toneladas por ano.

“Eu não tenho dúvida que será um passo gigantesco para Santa Catarina. Nós vamos para esse o oitavo porto. Veja bem o tamanho que nós somos e a quantidade de portos. Nós somos o campeão do Brasil. Isso para Santa Catarina é música. É por isso que eu digo que vale a pena a gente trabalhar muito e sério, que os resultados acontecem. É um grande investimento, uma transformação somando com a Baía da Babitonga que nós vamos dragar lá em São Francisco. Isso é um corredor de importação e principalmente de exportação. É uma conquista maiúscula de Santa Catarina”, afirmou o governador. 

A Coamo já opera no Porto de Paranaguá, no Paraná, mas sofre com frequentes filas para escoar a produção de grãos como soja, milho e trigo, fruto do trabalho de 32 mil cooperados. O presidente da cooperativa Airton Galinari revelou que o ambiente de negócios de Santa Catarina foi fundamental para a escolha do local para a instalação do novo terminal que vai contar com terminais de GLP, granéis, líquidos combustíveis e fertilizantes. Ele destacou as iniciativas do Governo do Estado com o aumento da profundidade da Baía da Babitonga e com as duplicações da SC-416 e SC-417.

“Esse é um sonho dos nossos produtores. Nós já temos dois terminais em Paranaguá, onde escoamos quase 5 milhões de toneladas por ano. É o maior exportador do Paraná já, é a maior empresa do Paraná também. E sentimos a necessidade dessa expansão porque tem negócios que realmente a gente não consegue fazer. Aqui já é um projeto diferente, é um projeto que nós estamos trabalhando já há quase 10 anos. E os projetos que estão em andamento em SC de duplicação das rodovias já daria essa malha de atendimento, que é fundamental para que a gente possa ter esse escoamento, já que esse terminal pode movimentar até mil caminhões por dia. Então isso nos motiva realmente a escolher Itapoá para esse grande investimento”, explicou o executivo Airton Galinari.

A previsão é de que sejam contratados 2 mil trabalhadores para as obras e que a operação do porto quando pronto gere 1.000 vagas de emprego. O secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, argumenta que a novidade é resultado da vocação catarinense para a logística.

“O impacto é muito significativo, Santa Catarina já era o único estado do Brasil que tinha seis portos, agora nós podemos falar que Santa Catarina vai ter oito portos, porque o sétimo porto catarinense já está em pré-teste, que é o Terminal Graneleiro de Santa Catarina, o TGSC. E para nossa alegria agora vem a Coamo, maior cooperativa do Brasil, uma cooperativa que que fatura mais de R$ 30 bilhões, que tem muita força no comércio exterior que só no ano passado a balança de exportação foi US$1,9 bilhão, e que traz para Santa Catarina um empreendimento privado que vai gerar 2.000 empregos durante as obras. E que vai gerar mil empregos diretos quando estiver em funcionamento. Isso é muito significativo e prova que a vocação de Santa Catarina para a logística é, sem dúvida alguma, uma situação ímpar em todo o Brasil”, disse o secretário

Fonte: Upiara

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Portos

Cargas de granel sólido lideram nos portos do Arco Amazônico

Destaca-se o crescimento expressivo da movimentação de soja e milho nos últimos dez anos, mostra ATP

A região do Arco Amazônico, que compreende os terminais portuários ao longo do rio Amazonas e seus afluentes — incluindo os localizados abaixo da Baía de Marajó —, vem ganhando cada vez mais relevância no cenário logístico nacional. Com uma movimentação de 87,8 milhões de toneladas em 2024, considerando operações de longo curso e cabotagem, a região registrou um crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior, consolidando-se como uma das principais rotas de escoamento de mercadorias no Brasil, em especial das commodities agrícolas, relevantes para o comércio exterior brasileiro. Ressalta-se que, deste montante, aproximadamente 64% foram movimentados por Terminais de Uso Privado (TUPs), o que reforça o protagonismo da iniciativa privada na dinâmica logística da região.

As informações são de levantamento da Coordenação de Pesquisas e Desenvolvimento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que reúne empresas de grande porte e congrega 70 terminais privados do país. De acordo com a ATP, em 2024, a movimentação portuária do Arco Amazônico, que inclui todos os estados da Região Norte do país, foi liderada por cargas de granel sólido, com destaque para a bauxita 23,9 milhões de toneladas (mi t), soja (17,1 mi t) e milho (13,7 mi t). A carga conteinerizada também apresentou volume expressivo, com 9,9 milhões de toneladas movimentadas. Também passaram pelos terminais portuários da região produtos químicos inorgânicos (5,7 mi t), petróleo e derivados sem óleo bruto (5,2 mi t), adubos e fertilizantes (3,9 mi t) e soda cáustica (1,2 mi t), entre outros. Esses números refletem o perfil diversificado da matriz de cargas transportadas pelos terminais portuários brasileiros, com predominância das commodities minerais e agrícolas.

Nesse cenário, destaca-se o crescimento expressivo da movimentação de soja e milho, que, nos últimos dez anos, acumulou alta de 288,1%, percentual significativamente superior ao observado nas principais rotas tradicionais de exportação. No mesmo período, a movimentação das duas commodities no complexo portuário de Santos (SP) apresentou crescimento de 55,3%, enquanto no complexo de Paranaguá (PR) avançou 17,2%. Em 2024, a movimentação de soja e milho no Arco Amazônico alcançou 30,9 milhões de toneladas, o que corresponde a 22,8% do total nacional de milho e soja movimentado no longo curso e na cabotagem, estimado em 135,3 milhões de toneladas. Esse volume, por si só, reforça o papel estratégico do Arco Amazônico como rota alternativa aos corredores tradicionais.

Para fins de comparação, Santos movimentou aproximadamente 43,9 milhões de toneladas de soja e milho em 2024, equivalente a 32,4% do total nacional, enquanto Paranaguá respondeu por 14,3 milhões de toneladas, ou 10,6%. Juntos, os dois principais portos concentraram 43% da movimentação dessas commodities. Ainda que a soma dos volumes seja superior, o crescimento proporcional e a consolidação do Arco Amazônico como corredor logístico revelam uma mudança significativa na geografia da exportação de grãos no país.

ATP busca fortalecer a navegação

Apesar dos avanços, os anos de 2024 e 2025 têm se mostrado desafiadores para o escoamento de cargas pela região. A estiagem prolongada, com significativa redução nos níveis dos rios, aliada à demora na execução de dragagens de manutenção, resultou em restrições à capacidade de carregamento das embarcações.

Como reflexo direto, a movimentação de soja e milho para longo curso e cabotagem no Arco Amazônico apresentou uma queda de 8,7% apenas nos primeiros cinco meses de 2025, comparando com o mesmo período de 2024, apresentando um volume de 13,3 milhões de toneladas.

Diante desse cenário, a ATP tem intensificado seus esforços para o fortalecimento da navegação na Região Norte. Uma das iniciativas de destaque é o projeto da Barra Norte, que busca ampliar o calado autorizado e, com isso, aumentar a eficiência logística da região. Paralelamente, o Comitê de Infraestrutura da ATP tem atuado junto a instituições como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visando viabilizar dragagens estratégicas, como a no rio Tapajós.

Além disso, a ATP defende ativamente a implementação do modelo de concessões hidroviárias, que prevê a transferência ao concessionário de responsabilidades como os levantamentos hidrográficos, a gestão de tráfego, a manutenção e a sinalização náutica. Essa modelagem busca conferir maior previsibilidade e regularidade à navegação interior, reduzindo a dependência de ações emergenciais e garantindo maior estabilidade ao transporte hidroviário.

Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, a consolidação do Arco Amazônico como rota logística estratégica depende de políticas públicas estruturantes, de parcerias institucionais e de um ambiente regulatório que favoreça investimentos de longo prazo.

“Com sua vocação natural para a navegação interior e sua posição geográfica privilegiada, a região tem todas as condições para seguir ampliando sua participação no escoamento da produção nacional, desde que superados os atuais gargalos operacionais”, afirma Barbosa.

Fonte: Modais em Foco

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Portos

Fazenda sugere alívio nas restrições de leilão em megaterminal de Santos

Pasta comandada pelo ministro Fernando Haddad recomendou que o certame não restrinja a participação de empresas que já operam no Porto de Santos

O Ministério da Fazenda recomendou que o leilão do Tecon Santos 10 não restrinja a participação de empresas que já operam no Porto de Santos, como orientou a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

O parecer da Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda recomenda que o certame seja feito em uma única etapa, com exigência de desinvestimento caso a empresa vencedora já tenha operação no porto.

A proposta da Antaq estabelece restrições à participação, na primeira fase do leilão, de empresas controladas, total ou parcialmente, por operadores que já atuam no complexo. Na avaliação da agência, a restrição é necessária para evitar a concentração de mercado no complexo.

No entanto, o Ministério da Fazenda avalia que a realização do leilão em fases, como propôs a diretoria da Antaq, vai além do necessário para mitigar os riscos apontados, sugerindo que a obrigação de desinvestimento dos ativos pelas empresas que já operam no porto já seria suficiente.

“O MF avalia que a Antaq acerta ao prever regras para impedir que isso aconteça, mas considera ‘excessivamente gravosa’ a proibição de participação, avaliando que o desinvestimento já seria suficiente para prevenir o aumento de concentração”, disse a Fazenda em nota enviada à CNN.

A nota técnica da pasta comandada pelo ministro Fernando Haddad foi encaminhada para a Antaq e o TCU (Tribunal de Contas da União) na última segunda-feira (18). O tribunal está avaliando a proposta para a licitação, entre elas as restrições impostas na modelagem.

Entenda

A Antaq propôs que o certame do Tecon Santos 10 seja realizado em duas etapas. Na primeira fase, há restrições à participação de empresas controladas, total ou parcialmente, por operadores que já atuam no complexo.

Caso não haja propostas válidas na primeira fase do leilão, os operadores já atuantes no mercado de contêineres no porto poderão participar da segunda etapa, desde que apresentem compromisso de saírem das participações que atualmente ocupam em Santos.

Na prática, a proposta impede a participação de empresas como Maersk e MSC, sócias no terminal BTP, e também a DP World e a Santos Brasil, adquirida em 2024 pela CMA CGM. Por outro lado, a restrição favorece novos entrantes no porto.

Fonte: CNN Brasil

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Logística

Suape começa dragagem para viabilizar novo terminal de contêineres

O porto de Suape (PE) iniciará na próxima semana, a partir de 21 de agosto, a dragagem para ampliar o canal interno do porto, informou o diretor-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Bisneto. O projeto prevê aprofundamento para 16,2 metros. As obras são estimadas na casa dos R$ 200 milhões, cujos custos são dividos entre os governos federal e de Pernambuco. 

Durante sua participação no painel “Investir para Crescer”, realizado no Seminário Esfera Infra no último sábado (9), em Recife (PE), Bisneto afirmou que a dragagem do canal interno “vai viabilizar não só o futuro processo de expansão de Suape, como também a operação do novo terminal de contêineres da APM Terminals”, subsidiária da Maersk, uma das maiores operadoras de navios de contêineres do mundo.

A APM Terminals adquiriu parte do Estaleiro Atlântico Sul e está fazendo investimentos estimados na casa de R$ 1,6 bilhão para criar um novo terminal de contêineres no porto pernambucano com capacidade para movimentação de 400 mil TEUs (unidades de contêineres).

Segundo o presidente da autoridade portuária, além dos contêineres, o porto quer seguir investimentos em outros setores, como granéis líquidos, minério (o que segundo ele depende de investimentos na Ferrovia Transnordestina) e até mesmo granéis vegetais da região do Matopiba.

“A gente já tem estudos de que a atração de grãos no Matopiba, que é aquela região de cerrado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ela é viável em Suape até pelo ramal rodoviário”, explicou o diretor, lembrando que a velocidade de operação de recepção dos caminhões é um atrativo para o porto.   

Ampliação
Também presente ao painel, Daniel Belisário, diretor comercial da JBS Terminals, lembrou números de crescimento do setor de contêineres no país citados pelo ministro Silvio Costa Filho de mais de 18% no ano passado e disse que isso torna mais que necessária a ampliação dos investimentos nesse tipo de infraestrutura.

“Isso é impossível de se sustentar sem investimentos em infraestrutura portuária no Brasil”, afirmou o diretor da companhia que passou a operar o terminal do porto de Itajaí (SC) e é apontada como uma das interessadas na disputa do Tecon10, que será o maior terminal portuário de contêineres do país, em Santos (SP).

O diretor-presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini, lembrou em sua participação no encontro que o porto de Santos (SP), além do Tecon10, tem um plano de investimentos de R$ 20 bilhões para os próximos 20 anos.

“O momento é único para a infraestrutura brasileira. Em três a quatro anos todas as obras serão entregues”, disse Pomini, citando entre elas o túnel ligando as cidades de Santos e Guarujá.

Fonte: Agência Infra

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Portos

PL-733: esboço de novo ciclo de reformas portuárias

Tramita na Câmara dos Deputados – CD o PL nº 733/25; agora sob uma Comissão Especial (tramitava, anteriormente, na Comissão do Trabalho; ainda a  primeira de um conjunto de 5 comissões). Essa mudança de encaminhamento certamente abreviará seu caminho até chegar ao Plenário da Casa.

Ele foi elaborado por uma “Comissão de Juristas” (por alguns referida como “comissão de notáveis”!). Esta foi criada quando as árvores do Natal de 2023 já piscavam; foi instalada em MAR/24 e, em OUT/24 aprovou seu relatório (416 páginas). Não sem “protestos dos trabalhadores… e anúncio de paralizações”, conforme release da CD.

Em sua Justificação formal o PL é apresentado como “oportunidade única para modernizar o setor”. Isso com a expectativa de torná-lo “mais competitivo, eficiente, justo e sustentável, além de oferecer maior segurança jurídica e oportunidades de inovação, atraindo novos investimentos e fomentando o crescimento econômico do Brasil”. Nela há, ainda, referências a “segurança e redução de riscos dos empreendimentos, aumento de confiança dos investidores e garantia de bem-estar dos trabalhadores e das comunidades locais”. Já nas peças de divulgação da CD essa visão é sintetizada por um triplo objetivo: reduzir a burocracia, estimular a livre iniciativa e aumentar a competitividade do setor portuário.

Ué! Mas objetivos muito similares não foram justamente os enunciados para proposição e argumentação da importância do então PL-8/91, que resultou na Lei dos Portos de 1993 (Lei nº 8.630/93)? E, 20 anos depois, para a Lei vigente? A propósito, vale revisitar a cerimônia (6/DEZ/12) de anúncio da MP-595/12 (embrião da Lei nº 12.815/13), cuja pauta divulgada, curiosamente, ao invés de ser uma mudança da lei/modelo, foi embasar o ambicioso “Programa de Investimentos em Logística – Portos”: rememorá-lo pode trazer surpresas!

Flashback

Inequívoco que aumento de eficiência e competitividade são objetivos-fins permanentes nos/para os portos. De capacidade também. Mas não foi exatamente isso que se observou, praticamente em marcha batida, ao longo de 3 décadas de reformas portuárias no Brasil? Os números/dados estão aí:

  1. A movimentação portuária brasileira, agregada, cresceu 3,5 vezes (1.209/341 Mt/ano): uma média anual de 4,31% (algo como o dobro da do PIB); sendo 5,02% nos 20 primeiros anos (904/341 Mt/ano: 2012-1993), e 2,95% nos 10 últimos (1.209/904 Mt/ano: 2013-2022).
  2. A eficiência/produtividade aumentou exponencialmente, medida através de qualquer indicador que se utilizar (navio, berço, terno, equipamento): 5, 10 15 ou mais vezes.
  3. Os custos foram drasticamente reduzidos, seja no cais (de forma mais significativa – entre 50% e 2/3), seja para o dono da carga (em menor escala).

No tocante ao aumento de capacidade, a Justificação do PL, SMJ, acerta no diagnóstico (“o setor ainda enfrenta desafios significativos”) mas há controvérsias quanto à causa apontada: será mesmo a “burocracia” a responsável? Ao menos, a única responsável? As evidências dessa última década e meia deixam margem a dúvidas! A ver:

No final dos anos 2000, talvez constatando a ineficácia/insuficiência do Decreto nº 6.620/08, as autoridades estavam convencidas (preocupadas?) que o Brasil padecia de limitação de capacidade e falta de competição no setor portuário. Estratégia? “Choque de oferta”! O que o dificultava/impedia? Justamente a tal da “burocracia”; burocracia para realização de arrendamentos! Como (já) “” dependiam de autorização, TUPs eram vistos como a solução ideal; desde que, pudessem operar cargas de terceiros, como os arrendamentos. A par da consolidação de uma governança hiper-centralizada, que foi sendo implementada pouco a pouco, essa combinação de condições foi a grande aposta das reformas de 2012/13, balizadas pela Lei dos Portos vigente.

Ato contínuo houve um “boom” de autorizações (quase uma centena), cujos resultados ficaram bem aquém das esperanças geradas; segundo avaliações tanto do TCU como da ANTAQ. Aliás, a maioria das autorizações nem havia saído do papel anos depois; como como mostra o relatório “Análise concorrencial: terminais de uso privado vis-à-vis terminais arrendados“, aprovado pelo Acórdão nº 499-2023-ANTAQ, em 20/SET/23.

Para ilustrá-lo, e p.ex, o relator diz no seu voto que “surpreende a representatividade dos investimentos previstos … que ainda não iniciaram suas obras” (Item-37): 96% (isso mesmo: 96%!) dos R$ 47,05 bilhões! Também que 93% das cargas movimentadas pelos TUPs o foram por aqueles outorgados antes de 2013; ou seja, antes da Lei nº 12.815/13 (Item-23d). Em síntese, nem as novas condições de exploração, nem o processo de outorga menos “burocrático” foi suficiente para viabilizar o imaginado/prometido: tudo indica que deve haver “mais coisas no ar que aviões da Panair“, na imagem, bem-humorada, de Guimarães Rosa!

Ah! Alguma semelhança com as “ferrovias de papel”; também autorizadas a partir de 2021?

O “princípio ativo” do “medicamento”!

A divulgação do PL pela CD também enfatiza mudanças no licenciamento ambiental, livre negociação de tarifas (mais propriamente, preços!), prazos contratuais (até 70 anos), contratos de transição, “janela única aquaviária”, autorregulação, “ampliação” de atribuições da ANTAQ e dos CAPs; entre outros.

No entanto o relator da Comissão Especial, Dep. Arthur Maia, com larga experiência em comissões e PLs complexos, é mais pragmático: “Todo projeto tem uma palavra-chave: ‘exclusividade’ é a deste PL”.

Em termos práticos, o fim da exclusividade no que concerne às chamadas “categorias profissionais diferenciadas” (art. 40, 4º: capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações), centro dos debates e das disputas capital-trabalho (expressão usual no setor), se operacionaliza por comandos legais que:

a) acabam com a exclusividade do OGMO;

b) liberam operadores privados para contratar trabalhadores certificados;

c) permitem que trabalhadores atuem em qualquer porto do País.

Nenhuma surpresa com a pauta: seja pelo perfil dos membros da “comissão de juristas”, seja pelo histórico dos dois últimos ciclos de reformas portuárias brasileiras. Na verdade, essa questão remanesceu meio como uma pendência das reformas portuárias de 1993 e 2013. Assim, mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, ela voltaria à baila; como efetivamente aconteceu!

Sua “urgência e relevância” (para usar os justificadores das Medidas Provisórias) foram aguçadas pelas heteronomias regulatórias entre terminais arrendados e TUPs, consagradas pelo modelo balizado pela Lei nº 12.815/13 (reformas de 2012/13) – inclusive objeto de análise em uma auditoria operacional do TCU. Dessas heteronomias, “exclusividade” e OGMO são apenas algumas delas.

Para além de uma linha sobre um mapa, mais que um referencial geográfico, as Poligonais (fronteira do que está dentro e fora do Porto Organizado) é estabelecer os limites entre dois universos; dois regimes bem distintos:

  1. quem é outorgado via arrendamento (subconcessão) e quem o é por autorização;
  2. quem precisa se submeter a licitação/leilão e quem não;
  3. quem tem e quem não tem prazo contratual (para exploração); iv) com e sem bens reversíveis; v) os que devem pagar as “tarifas universais” das Tabelas Tarifárias e os que nem sempre. Tais diferenças resultaram em algumas disputas; inclusive uma há não muito tempo, em Santos, que envolveu a ANTAQ e chegou ao TRF-3.

Originalmente os “terminais de uso privativo/privado”, e as autorizações, foram concebidos como instrumento para outorga de terminais portuários integrantes de cadeias logísticas, por sua vez, integrantes de cadeias produtivas (como minério, petróleo, etc). Sua adoção para terminais de atuam no “mercado”, principalmente para os contíguos a Portos Organizados, compartilhando da mesma infraestrutura aquaviária, acabou por gerar tensões, não apenas entre capital-trabalho, mas também entre operadores outorgados por meio de um ou outro regime. Associado à liberdade e ao contorcionismo com que Poligonais foram sendo alteradas, então, essas tensões passaram a ser, em muito, potencializadas.

Uma analogia para essa questão é a linha de impedimento do futebol: a situação de um jogador não depende, “apenas”, de seu georreferenciamento (no campo) mas, também, da posição dos jogadores adversários. Ou seja, é algo relativo!

O que está/estará em discussão

Além do fim da “exclusividade”, sindicatos e federações de trabalhadores portuários identificam outros aspectos do PL como ameaças; p.ex:

  1. redução na definição de operação portuária e de trabalho portuário;
  2. extinção do OGMO e do atual sistema do TPA;
  3. desregulamentação e extinção de categorias e seus respectivos sindicatos (vigias, consertadores e bloco);
  4. extinção da atividade da guarda portuária;
  5. fragilização dos sindicatos;
  6. e restrições às negociações coletivas.

Uma digressão: como subsídio para elaboração dos planos de implementação do modelo portuário balizado pela Lei de 1993, a então CODESP, com apoio do Banco Mundial, promoveu uma conferência com lideranças/dirigentes locais, convidados de outros portos e vários consultores internacionais: a MODPORT (16-17/MAI/1996).

Um desses consultores, na exposição, compartilhou sua larga experiência e visão: “Reformas portuárias são questão tempo, dinheiro e nível de tensão social aceitável”. E exemplificou com experiência de países que despenderam longo tempo e/ou enfrentaram grandes tensões sociais em reformas, por terem optado por fazer parcos dispêndios; como outros que as promoveram rapidamente e/ou com baixo nível de tensão social, neste caso adotando planos bem estruturados e incorrido em desembolsos significativos.

Se influenciados por essa visão ou não, e apesar das inevitáveis escaramuças, que fazem parte da estratégia de cada ator do processo, aparentemente há, hoje, um clima diferente daqueles dominantes nos dois ciclos de reformas portuárias anteriores: por um lado trabalhadores estão topando analisar temas anteriormente tidos como intocáveis; por outro, empresários estão topando despender recursos para consecução dos objetivos almejados com a deflagração do atual processo e iniciativas/ações para criar a “Comissão de Juristas”; lá em 2023.

E o mais importante: ambos toparam sentar-se à mesa e procurar construir uma proposta, comum, a ser apresentada ao relator. Esta, baseada em um tripé:

  1. indenização para redução dos quadros (OGMO);
  2. garantia de remuneração básica – GRB (para quem ficar);
  3. tempo de transição (de um modelo para o outro).

No tocante ao “Programa de Incentivo de Cancelamento da Inscrição de Trabalhador Portuário” (parte da proposta em discussão), ao que se sabe, já há consenso em relação a diversos pontos:

  1. valores (totais);
  2. limite mínimo dos valores;
  3. quem é elegível para receber;
  4. fontes de recursos.

Segue em negociação:

  1. limite máximo dos valores;
  2. FDEPM como fonte;
  3. criação de “Fundo de Indenização” (com participação multilateral); iv) Inclusão de trabalhadores vinculados.

Em paralelo, as entidades dos trabalhadores sistematizaram, ainda, algo como meia centena de emendas sobre aspectos os mais variados. P.ex:

  1. vedação de trabalho intermitente e temporário;
  2. certificação profissional pelo OGMO;
  3. exclusão do artigo (28) que trata da dispensabilidade do TPA;
  4. manutenção de vigilantes e consertadores;
  5. utilização do OGMO pelos TUPs;
  6. exclusão da EPTP (empreiteira concorrente do OGMO);
  7. ajuste na multifuncionalidade;
  8. valorização da qualificação do trabalhador portuário.

Também questões mais gerais, como:

  1. previsão de serviço adequado (na verdade, reintrodução do conceito/comando);
  2. restabelecimento do Estado como regulador da atividade econômica;
  3. inclusão dos TUPs no âmbito do “incentivo à concorrência”;
  4. questões relacionadas a eficiência energética e mudanças climáticas etc.

Cenários

Desde que a família real chegou ao Brasil (1808), e “abriu os portos às nações amigas”, o Brasil passou por uns 8 ciclos de reformas portuárias (2 sob a CF/88). Normalmente para enfrentar problemas concretos da época. Nesse sentido, a pergunta que se torna imprescindível é: quais os problemas dos portos brasileiros em meados da segunda década do Século XXI (desejavelmente também a hierarquia deles)? E outra dela decorrente: o PL-733 endereça solução para eles? Todos eles? Soluções eficazes?

Como não se localiza no (longo) relatório da Comissão um diagnóstico abrangente e minucioso do quadro atual, tampouco uma contextualização histórica da evolução do setor e seu processo, não se pode ter respostas cabais àquelas perguntas.

No entanto, é possível dizer-se que o PL sistematiza um conjunto de ajustes e instrumentos específicos sobre o trabalho/mão-de-obra, certamente norteados:

  1. pela necessidade de adequá-los aos avanços tecnológicos (muitos deles já presentes nos portos brasileiros);
  2. novas formas de organização do trabalho e prestação de serviços (muitos legados pela Pandemia da Covid); iii) perfil das novas gerações; e iv) necessário encaminhamento de aposentadoria estruturada e substituição de trabalhadores idosos.

Também é possível imaginar que, associados à pauta de negociação em curso, entre empresários e trabalhadores, tais ajustes e instrumentos devem ser o fio condutor e promover uma forte inflexão nesse aspecto da dinâmica portuária brasileira.

Mas, se a intenção é ter-se um “Novo marco regulatório”, abrangente, e se o objetivo é aumento da eficiência e da competitividade “para fomentar o crescimento econômico do Brasil”, o PL poderia/deveria ter tratado de duas questões fulcrais; questões que, no máximo, foram tangenciadas no bojo de outros temas:

  1. articulações inter-modais/logísticas (também inter-funcionais e inter-institucionais);
  2. e governança dos Complexos Portuários.

Ao contrário do Porto Organizado (Poligonal), a governança destes é difusa e incipiente. Possivelmente por ter sido um conceito/instrumento introduzido no ambiente portuário no passado recente, e ainda não ter logrado ocupar lugar de destaque na (congestionada) pauta setorial.

Além delas, se o objetivo é reverter-se o processo de hiper-centralização, consolidado com o modelo das reformas de 2012/13; se o objetivo é transitar-se para um modelo mais na linha do “Landlord Port” (modelo adotado pela esmagadora maioria dos portos relevantes do mundo, cuja principal característica é autonomia), não basta apenas enunciar-se “fortalecimento” e “ampliação de competências” dos CAPs (e, mesmo, das administrações-autoridades portuárias), se seguirem centralizadas no Ministério, na Antaq e ou no Conselho do PPI (com possibilidade de atuação também do TCU) as principais decisões estratégicas que afetam os portos brasileiros, como:

  1. aprovação do Plano Mestre e PDZ de cada porto;
  2. qualificação de projetos para desestatização;
  3. aprovação de EVTEAs; iv) elaboração/aprovação de editais; v) celebração de contratos (outorgas);
  4. decisão de prorrogações (incluindo as antecipadas);
  5. aprovação de transferência de controle acionário;
  6. revisão e reajuste de tarifas;
  7. aplicação de penalidades por infrações.

Em síntese, atualmente as principais decisões estratégicas do ambiente portuário estão centralizadas: planejar (incluindo investimentos e modelagem), escolher parceiros (empresas e projetos), tarifar e punir, justamente os 4 eixos que são a essência da função de autoridade portuária no modelo “Land Lord”. Tudo se passa como se no Brasil houvesse um arranjo desempenhando a função de uma “Autoridade Portuária Nacional”!O termômetro da descentralização/autonomia não é a quantidade de atribuições ou o volume de trabalho de uma instância: é o poder de tomar decisões; principalmente decisões estratégicas! OK. Que não se chegue aos paradigmas “landlordistas” internacionais. Mas por que não se adotar, ao menos, um modelo de “instâncias” para a regulação portuária, na linha do judiciário e, mesmo, das 3 instâncias do período inicial do modelo balizado pela Lei de 1993 (Autoridade Portuária, CAP, Ministério: ainda não havia agência)? Não seria uma forma de se reduzir a demanda/processos e carga de trabalho dos órgãos de Brasília e, como consequência, minimizar-se a “carência de pessoal” e agilizar-se a tramitação de processos? A governança geral do setor também poderia ser bem aperfeiçoada no PL!

A Comissão Especial foi instalada neste 6/AGO. Como diz o relator, “o que precisa ser feito, deve ser feito agora: caso contrário, só daqui a 10 ou 20 anos”. Ainda bem que, com a nova tramitação, há novo prazo para que sejam apresentadas emendas: 5 sessões plenárias da Casa, a partir de 4/AGO (prazo em curso).

Ou seja, é possível subsidiar-se os muitos debates, que certamente ainda estão por vir, e o (preparado e bem articulado) relator na elaboração do seu substitutivo: que efetivamente tenhamos um “Novo Marco Regulatório”; abrangente, eficaz, e adequado às necessidades e aos desafios do País nessa quadra da história.

Frederico Bussinger – Engenheiro, economista e consultor. Foi diretor do Metro/SP, Departamento Hidroviário (SP), e da Codesp. Também foi presidente da SPTrans, CPTM, Docas de São Sebastião e da Confea.

Fonte: Modais Em Foco

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Portos

Com a saída do último navio antes do tarifaço nesta terça, o que esperar das rotas do Porto do Pecém

Atualmente, o Porto do Pecém conta com quatro rotas de longo curso de contêineres

último navio do Porto do Pecém, no Ceará, com destino aos Estados Unidos antes da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, parte nesta terça-feira (5). Diante dos impactos da medida na economia cearense, questiona-se se as rotas marítimas que incluem a plataforma também serão afetadas devido à possível queda nas exportações.

Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios Aduaneiros, empresa especializada em despacho aduaneiro e frete internacional, teme que um possível impacto futuro do tarifaço seja a redução da rota.

“O fluxo de carga nos possibilita que os navios encostem aqui. Perdendo esse fluxo, como os armadores manteriam a rota para os Estados Unidos, se não há demanda? Isso custa muito para todo o ecossistema do comércio internacional; levam anos para conseguir isso”, avalia.

Contudo, o Porto do Pecém descarta a possibilidade de descontinuidade da linha. Já outra especialista avalia que ainda é prematuro considerar uma possível redução (veja análise completa abaixo).

Como estão as rotas atuais do Pecém

Atualmente, o Porto do Pecém conta com quatro rotas (serviços) de longo curso de contêineres, sendo duas para a Europa, uma para a Ásia e outra para os Estados Unidos

Chamada “Serviço Tango”, a rota para os Estados Unidos não é operada por um navio fixo e ocorre, em média, uma vez por semana, segundo o Porto do Pecém.

Os dias em que as viagens são realizadas também variam de acordo com marés e programação dos portos, entre outros fatores.

Especialista avalia que rotas devem ser mantidas após exclusão do aço 

Para Ana Rita Freitas, coordenadora do curso de Comércio Exterior da Universidade de Fortaleza (Unifor), é cedo para pensar em uma possível redução na frequência de viagens entre Estados Unidos e Porto do Pecém. “Considerando o aço, o cenário de junho continua. Considerando os porta-contêineres, os armadores estão preocupados porque, no curto prazo, pelo menos, deve ter uma redução por conta da incerteza”, avalia.

“Mas ainda é cedo, ainda estão na mesa de negociação todos esses pontos. Mas a preocupação dos embarcadores é válida”, afirma Ana Rita.

Ela destaca que, em junho, os EUA já haviam anunciado uma taxa para o aço do mundo todo, exceto do Reino Unido. “Com essa isenção de agora, nosso aço segue competitivo dentro do mercado e, de fato, é o nosso principal produto exportado”, avalia.

Além disso, ela lembra ser necessário considerar que o Ceará também importa produtos dos Estados Unidos por meio dessa rota.

“O tarifaço ainda está na mesa de negociação; ainda há questões a serem analisadas”, reforça Ana Rita, destacando também que, paralelamente, é importante olhar para outros mercados que podem surgir nesse contexto.

“A gente pode e deve verificar outros países de destino para os nossos produtos”, enfatiza.

Ana Rita Freitas destaca ainda que os navios que fazem transporte de contêineres são diferentes dos navios que transportam aço (graneleiros). “

Próximos navios 

No último dia 27, partiu do equipamento cearense o navio de contêiner Wieland, de bandeira portuguesa, transportando produtos cearenses. A previsão de chegada ao Porto de Nova York é esta terça-feira (5).

Na quarta-feira (6), por sua vez, deve chegar ao Porto do Pecém o navio Monte Linzor (bandeira singapurense), vindo do Rio de Janeiro e, após parar no Pecém, seguirá para os Estados Unidos. Essa será a última embarcação a partir do Ceará antes do tarifaço, que deve entrar em vigor no dia 7 de agosto.

Apesar do trânsito de nove dias entre Pecém e o Porto de Nova York, conforme o decreto de Donald Trump, produtos embarcados em até sete dias após o decreto ficam isentos, mesmo que cheguem após 7 de agosto.

Entre os produtos que a embarcação levará para os EUA estão peixe, água de coco, castanha de caju, couro bovino, calçados, inhame, lagosta, manga, acerola, melão, mel, entre outros.

Fonte: Diário do Nordeste

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Portos

Porto do Itaqui atinge melhor mês da sua história

Foram 3,76 milhões de toneladas movimentadas e 112 navios atracados

O Porto do Itaqui, no Maranhão, alcançou mais uma conquista em julho de 2025, registrando a maior movimentação mensal de sua história: 3,76 milhões de toneladas. Além disso, o mês também atingiu outro marco inédito: o maior número de atracações já atendidas em um único mês, com 112 navios. No acumulado do ano, o Itaqui já soma mais de 21 milhões de toneladas movimentadas.  

Uma das motivações que justifica o alto desempenho é a intensificação das operações Ship-to-Ship (StS), principalmente após o início desse tipo de operação no berço 108. “A STS movimentou cerca de 415 mil toneladas, o dobro do planejado para o mês e o dobro do volume registrado em julho de 2024. Só em julho deste ano, foram 11 navios atendidos a contrabordo, representando um terço do total de 2025 até agora e 65% de todo o ano anterior”, destacou o gerente de logística do Itaqui, Gervásio Reis.  

No acumulado de janeiro a julho, o porto ultrapassou a marca de 21 milhões de toneladas, totalizando 21,042 milhões. O crescimento foi registrado em todos os segmentos: granéis sólidos (+8%), granéis líquidos (+11%) e carga geral (+3%). Entre os produtos com maior destaque no ano estão: soja (+7%), fertilizantes (+25%), cobre (+12%), derivados de petróleo para o mercado interno (+6%), transbordo de derivados de petróleo (+19%), sebo bovino (+34%), celulose (+2%) e trilhos (+69%).

“São resultados que reforçam o impacto positivo dos investimentos realizados pelo Porto do Itaqui em relação à ampliação da capacidade operacional, à melhoria contínua dos processos e ao fortalecimento da infraestrutura portuária para atender à crescente demanda do setor logístico no Maranhão e no Brasil”, explicou a presidente em exercício do Porto do Itaqui, Isa Mary Mendonça. 

A movimentação de celulose também se destacou, com crescimento de 13% em relação ao planejado e 46% em comparação a julho de 2024. Com operações cada vez mais eficientes e diversificadas, o porto reafirma seu papel como o maior porto público do Arco Norte e um dos principais corredores de exportação e importação do Brasil, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico da região.

Fonte: Modais em Foco

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Exportação, Portos

Exportadores de café perdem R$ 1 bi com atrasos em portos brasileiros

Mais de 450 mil sacas deixaram de ser embarcadas em junho; o setor cobra ações emergenciais para melhorar a infraestrutura

Os exportadores de café do Brasil enfrentam crescente dificuldade para consolidar seus embarques nos portos nacionais. Em junho de 2025, mais de 453 mil sacas de 60 kg –equivalentes a 1.375 contêineres– não foram exportadas pelo esgotamento da infraestrutura portuária do país. Os dados são de levantamento do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

O impacto financeiro é expressivo. O país deixou de arrecadar R$ 1,022 bilhão em receita cambial no mês, considerando o preço médio FOB (Free on Board, o valor da mercadoria no porto de embarque, sem incluir frete internacional, seguro ou custos no país de destino) de exportação de US$ 405,81 por saca e a cotação média do dólar a R$ 5,5465.

Além disso, os exportadores acumularam prejuízo de R$ 3 milhões em custos extras com:

  • armazenagem adicional;
  • detentions (multas pela permanência prolongada de contêineres após o prazo acordado);
  • pré-stacking (necessidade de posicionar os contêineres com antecedência no terminal antes do embarque);
  • antecipação de gates (entrada antecipada dos contêineres no porto para tentar garantir espaço nos navios).

Desde junho de 2024, quando o Cecafé iniciou o monitoramento, os gastos imprevistos com atrasos e alterações nas escalas dos navios somam R$ 78,9 milhões.

Segundo Eduardo Heron, diretor técnico da entidade, o cenário tende a se agravar com a chegada da nova safra, especialmente do café canéfora (conilon e robusta), e, em seguida, da variedade arábica.

“Esse cenário tende a se agravar, pois a principal movimentação de exportação de café se dá agora neste 2º semestre, com a chegada dos cafés novos, incluindo a espécie arábica”, afirmou.

INVESTIMENTOS E STS-10

Heron defende medidas emergenciais dos setores público e privado, como aceleração dos leilões de terminais, ampliação de pátios e berços, investimento em ferrovias e hidrovias e a criação de indicadores logísticos para acompanhar a evolução da demanda.

“O governo anunciou uma série de investimentos, que, sem dúvida, são positivos, mas que demandarão, em condições normais, pelo menos 5 anos para serem concluídos. O problema é que precisamos de ações emergenciais, que possibilitem melhorias imediatas ou, no máximo, no curto prazo, pois os setores do agronegócio que demandam contêineres seguem evoluindo e demandando cada vez mais estrutura dos portos”, afirmou.

Heron citou ainda preocupação com o leilão do megaterminal STS-10, no Porto de Santos (SP), diante da limitação de participação de interessados.

Para ele, a restrição carece de justificativa técnica ou legal e contraria a Nota Técnica nº 51 da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que recomenda um modelo mais competitivo para evitar concentração de mercado e judicialização do processo.

PANORAMA DOS ATRASOS

Em junho, 49% das 306 embarcações nos principais portos do país registraram atrasos ou alterações de escala, segundo o Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

No Porto de Santos (SP), responsável por 80% das exportações de café no 1º semestre, o índice foi ainda maior: 59% dos navios sofreram atrasos. Das 161 embarcações previstas, 95 enfrentaram alterações nas escalas. O maior tempo de espera registrado no terminal santista foi de 37 dias.

Sobre os prazos de gate aberto para embarques em Santos:

  • 7% dos procedimentos ultrapassaram 4 dias;
  • 60% duraram de 3 a 4 dias;
  • 33% foram concluídos em menos de 2 dias.

No complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do país (15,7% do total no semestre), 57% dos navios previstos sofreram atrasos em junho. Foram 34 de um total de 60 embarcações. O maior intervalo entre o 1º e o último deadline foi de 20 dias.

No 1º semestre, os portos fluminenses registraram:

  • 43% dos embarques com mais de 4 dias de gate aberto;
  • 37% de 3 a 4 dias;
  • 21% com menos de 2 dias.

Fonte: Poder 360

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Portos

Perto do sétimo porto entrar em operação, SC busca investimentos nos acessos

Desafio é ampliar capacidade de rodovias e ferrovias

Em diferentes frentes, Santa Catarina busca ampliar a capacidade de acessos aos portos, seja por rodovias, ferrovias ou mesmo pelo mar. Em entrevista à CBN Joinville, o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, citou o desafio da mobilidade por causa do aumento da movimentação de cargas nos terminais. “No que diz respeito aos portos, as notícias são muito alvissareiras. Mas se não resolvermos a multimodalidade (logística), se não dermos condições de rodovias e ferrovias para escoamento dos portos, Santa Catarina poderá ter problema”, alegou o secretário. Beto Martins lamentou o que considera “falta de planejamento” multimodal nos últimos anos, principalmente em ferrovias.

O sétimo porto a entrar em operação em Santa Catarina, citado pelo secretário, é o Terminal de Granéis de Santa Catarina (TGSC). O terminal privado está em fase de testes em São Francisco, com plena operação a iniciar ainda no segundo semestre. O porto terá capacidade de movimentar até 6 milhões de toneladas por ano, com foco na exportação de grãos.

O oitavo porto de Santa Catarina será em Itapoá, a ser instalado pela Coamo Agroindustrial Cooperativa. O terminal, para atuação em exportação de grãos, importação de fertilizantes e movimentação de combustíveis, está fase de licenciamento. Há mais empreendimentos em preparação. Os portos em operação no Estado estão em São Francisco do Sul, Itajaí, Navegantes, Itapoá, Imbituba e Laguna (pesqueiro).

No acesso ao mar, o aprofundamento do canal externo de acesso à baía da Babitonga, usado pelos portos de São Francisco do Sul, está na fase final de licitação, com início das obras ainda neste ano. O aumento do calado vai permitir cargueiros de até 366 metros de extensão, em investimento em torno de R$ 300 milhões.

As rodovias são o desafio mais urgentes. Há projetos em andamento para duplicar as estradas estaduais SC-416 e SC-417, de acesso à região portuária de Itapoá. As vias fazem a ligação com a BR-101. Em São Francisco do Sul, o segmento de 36 km da ligação do porto com a BR-101 está com obras de duplicação paradas desde o final de 2022, para revisão do projeto. O DNIT quer contratar a retomada parcial dos trabalhos ainda em 2025. A BR-470, um dos acessos aos terminais de Itajaí e Navegantes, está em fase final de duplicação de 75 km.

A BR-101, principal rodovia do Estado, com traçado litorâneo, está em fase de otimização do contrato de concessão do segmento Norte. O governo do Estado que construir estrada paralela, a Via Mar, com 145 km entre Joinville e a Grande Florianópolis. O plano é de iniciar um dos lotes até o final de 2026. Na entrevista na CBN Joinville, o secretário Beto Martins abordou a avaliação de juntar os traçados da Via Mar com a futura ferrovia entre os portos de São Francisco do Sul (via Araquari) e Itajaí/Navegantes.

“Se conseguirmos unir as construir as duas linhas juntas, teremos um só espaço para desapropriações, para licenças ambientais, será um ganho de escala maravilhoso”, afirmou Beto Martins. O secretário citou que apenas 6% das cargas movimentadas pelos portos de Santa Catarina são por meio de ferrovias.

Fonte: NSC Total

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