Indústria

Desindustrialização no Brasil volta ao centro do debate após queda da indústria de transformação

A retração registrada na indústria de transformação em 2025 reacendeu o alerta para o avanço da desindustrialização no Brasil. De acordo com avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segmento no ano passado evidencia dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor e reforça a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da atividade industrial.

O desempenho negativo representa a quinta retração do setor nos últimos sete anos. Caso o cenário atual se mantenha, a indústria pode perder ainda mais participação na economia brasileira em 2026.

Juros altos e avanço das importações pressionam a indústria

Após crescer 3,9% em 2024, a indústria de transformação não conseguiu sustentar o ritmo no ano seguinte. Em 2025, o setor foi impactado principalmente pela política de juros elevados, que encareceu o crédito e reduziu a capacidade de investimento das empresas.

Além disso, a ampliação da entrada de produtos importados no mercado nacional também contribuiu para o enfraquecimento da atividade industrial.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, o nível elevado da taxa Selic afetou tanto empresas quanto consumidores.

“A Selic desestimulou investimentos, encareceu o crédito para o consumidor e reduziu a demanda por bens industriais. Ao mesmo tempo, as importações cresceram de forma generalizada e em ritmo superior ao da própria demanda”, afirmou.

Crescimento industrial perde força em relação a 2024

O impacto da política monetária mais restritiva se espalhou por diferentes áreas da cadeia produtiva. O setor da construção civil, por exemplo, registrou crescimento modesto de 0,5%.

Como resultado, o PIB industrial avançou apenas 1,4% em 2025 — menos da metade do crescimento observado no ano anterior.

O resultado geral só não foi ainda mais fraco graças ao desempenho da indústria extrativa, que registrou alta de 8,6%, impulsionada principalmente pela produção de petróleo e gás.

Outro ponto de preocupação apontado pela CNI é o nível de investimentos na economia brasileira. A taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, abaixo dos cerca de 20% registrados entre 2010 e 2013, percentual considerado mais adequado para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Para Marcio Guerra, o quadro exige resposta rápida.

“O cenário preocupa, mas não é novidade: convivemos com desindustrialização e baixo investimento há anos. Sem medidas imediatas para reverter esse quadro, o desempenho do PIB em 2026 tende a ser ainda mais limitado”, avaliou.

Debate sobre redução da jornada preocupa setor industrial

Diante desse contexto econômico, a CNI também defende cautela nas discussões sobre a redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a adoção de mudanças que elevem os custos das empresas pode agravar ainda mais a situação financeira do setor.

A confederação destaca que a indústria brasileira possui características que ampliam o impacto de eventuais aumentos de custos:

• utiliza proporcionalmente mais mão de obra qualificada que a média do setor privado;
• ocupa posição central nas cadeias produtivas, o que amplia a pressão de custos;
• enfrenta forte concorrência internacional, especialmente com produtos importados;
• possui atividades e funções nas quais a compensação de horas é difícil ou onerosa.

Segundo a CNI, as incertezas em torno da discussão sobre a jornada de trabalho também podem afetar decisões de investimento produtivo, fundamentais para elevar a produtividade da indústria — condição considerada essencial antes de qualquer redução da carga horária.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

Ler Mais
Agronegócio

Governo regulamenta salvaguardas em acordos comerciais para proteger indústria e agronegócio

O governo federal publicou um decreto que estabelece regras para aplicação de salvaguardas em acordos comerciais, mecanismo destinado a proteger a produção nacional diante do aumento de importações. A medida foi divulgada na quarta-feira (4), em edição extra do Diário Oficial da União.

A regulamentação ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional finalizou o processo de internalização do acordo Mercosul-União Europeia, tratado que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Quando as salvaguardas podem ser aplicadas

Segundo o decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as salvaguardas bilaterais poderão ser adotadas quando a entrada de produtos importados — beneficiados por condições preferenciais previstas em acordos comerciais — crescer de forma significativa e provocar ou ameaçar provocar prejuízo grave à indústria doméstica.

A proteção poderá abranger tanto o setor industrial quanto o setor agrícola, permitindo ao governo reagir caso a competitividade nacional seja afetada por aumento repentino das importações.

Medidas previstas no decreto

Entre as ações possíveis previstas no decreto estão:

Suspensão temporária da redução de tarifas prevista em acordos comerciais;
Restabelecimento de tarifas de importação vigentes antes do acordo;
• Criação de cotas tarifárias, limitando o volume de produtos que podem entrar no país com benefícios tarifários.

Nesse último caso, os produtos importados continuam recebendo as preferências tarifárias apenas até um determinado limite. Se o volume for ultrapassado, a tarifa anterior pode voltar a ser aplicada ou o cronograma de redução tarifária pode ser suspenso.

Investigação será conduzida pela Camex e Secex

A decisão sobre a adoção das medidas caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex), após investigação realizada pelo Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC (Decom/Secex).

A abertura do processo poderá ser solicitada pela própria indústria doméstica. O decreto também autoriza que a Secretaria de Comércio Exterior inicie investigações por conta própria em situações consideradas excepcionais.

Demanda do agronegócio brasileiro

O mecanismo havia sido anunciado recentemente pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e atendia a uma demanda especialmente do agronegócio brasileiro.

A preocupação surgiu após o Parlamento Europeu aprovar, no ano passado, regras mais rigorosas para importações agrícolas relacionadas ao acordo com o Mercosul. As medidas europeias preveem a adoção de salvaguardas caso o aumento das compras externas cause prejuízos aos produtores do bloco.

Diante desse cenário, representantes do setor agrícola brasileiro defenderam que o Brasil também adotasse mecanismos semelhantes para reagir a um eventual aumento de importações de produtos europeus concorrentes.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Internacional

União Europeia aplicará tarifas a pacotes pequenos a partir de 2026

A União Europeia (UE) aprovou novas regras que preveem a cobrança de tarifas sobre pacotes pequenos enviados ao bloco, principalmente por meio do comércio eletrônico internacional. A medida elimina a atual isenção alfandegária para remessas com valor inferior a 150 euros.

A decisão foi formalizada pelo Conselho da União Europeia e integra um processo mais amplo de reforma do sistema aduaneiro europeu.

Cobrança provisória começa em julho de 2026

Antes da entrada em operação do novo Centro Aduaneiro de Dados da UE, prevista para 2028, os Estados-membros passarão a aplicar uma tarifa fixa de 3 euros por categoria de produto em encomendas de pequeno porte.

A cobrança começará em 1º de julho de 2026 e deverá vigorar até 2028, com possibilidade de prorrogação. O modelo provisório será substituído posteriormente por tarifas alfandegárias regulares, calculadas conforme o valor e a classificação de cada mercadoria.

Segundo as autoridades europeias, parte da arrecadação permanecerá nos países-membros para compensar custos administrativos relacionados ao processamento das encomendas.

A iniciativa é distinta da chamada “taxa de tramitação”, que ainda está em debate dentro da reforma aduaneira mais ampla.

Fim da isenção de 150 euros impacta e-commerce

A extinção da franquia para envios abaixo de 150 euros ocorre em meio ao forte crescimento do e-commerce internacional. A UE avalia que o modelo anterior favorecia práticas comerciais fora das normas e criava concorrência desigual para empresas europeias.

Com a mudança, o bloco pretende fortalecer o controle sobre a entrada de mercadorias, ampliar a transparência nas importações e proteger empresas que operam dentro da regulamentação.

O ministro das Finanças do Chipre, Makis Keravnos, afirmou que o avanço nas novas regras é parte de um esforço maior para tornar o bloco mais competitivo e seguro.

Modernização do sistema aduaneiro europeu

A implementação do Centro Aduaneiro de Dados da UE, prevista para 2028, marcará a etapa final da modernização do marco aduaneiro europeu. Quando o sistema estiver plenamente operacional, o modelo provisório de tarifa fixa será substituído por cobranças proporcionais ao valor e à categoria dos produtos.

A decisão reflete a adaptação da União Europeia às novas dinâmicas do comércio digital global e à necessidade de reforçar o controle sobre a circulação de pequenas encomendas internacionais.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

Ler Mais
Comércio Internacional

Déficit comercial dos EUA chega a US$ 901 bilhões em 2025 mesmo com tarifas de Trump

Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões — um dos maiores já registrados desde 1960. O resultado foi contabilizado apesar da política de aumento de tarifas implementada pelo presidente Donald Trump ao longo do ano.

Somente em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços atingiu US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um período de forte instabilidade no comércio exterior americano.

Tarifas elevadas não reduziram desequilíbrio

A estratégia da Casa Branca priorizou o aumento de tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com foco especial na China. A iniciativa buscava reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria doméstica.

Mesmo assim, o impacto sobre o déficit agregado foi limitado. Avaliações de mercado indicam que, apesar da volatilidade gerada pelos anúncios tarifários, o desequilíbrio nas contas externas permaneceu praticamente inalterado no acumulado do ano.

Enquanto isso, a China — principal alvo das medidas — encerrou 2025 com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Ainda que as exportações chinesas para os EUA tenham diminuído, o país asiático ampliou vendas para outros mercados, sobretudo na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.

Volatilidade nas importações e exportações

Ao longo de 2025, os dados mensais mostraram oscilações expressivas, refletindo a reação de importadores norte-americanos aos sucessivos anúncios de tarifas.

Empresas anteciparam compras de itens como ouro e produtos farmacêuticos antes da entrada em vigor de novos tributos, provocando picos temporários nas importações.

Em dezembro, as importações avançaram 3,6%, impulsionadas por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações recuaram 1,7%, pressionadas principalmente pela queda nos embarques de ouro.

A leitura superou a maior parte das estimativas do mercado compiladas pela Bloomberg.

Impacto sobre o PIB e projeções revisadas

Antes da divulgação dos números oficiais, o modelo GDPNow, do Federal Reserve Bank of Atlanta, estimava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, projetado em 3,6%.

Com os dados consolidados, economistas passaram a revisar as projeções, indicando contribuição menor do setor externo para o Produto Interno Bruto (PIB).

Em termos reais, descontada a inflação, o déficit de mercadorias alcançou US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior nível desde julho. O comércio de ouro para fins não industriais não entra no cálculo oficial do PIB norte-americano.

Analistas apontam que, apesar do saldo externo negativo, as importações de bens de capital, especialmente equipamentos ligados à inteligência artificial (IA), sinalizam investimento doméstico robusto no fim do ano.

Disputa comercial e decisão da Suprema Corte

A política tarifária defendida por Donald Trump tem como objetivo estimular a produção interna, proteger empregos industriais e reduzir a dependência de produtos estrangeiros. O governo também contesta estudos que indicam que consumidores americanos absorveram parte relevante do custo das tarifas.

Um ponto ainda pendente é a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se pronunciar nos próximos dias.

Mudança no mapa dos déficits bilaterais

No recorte por países, o déficit com a China caiu para aproximadamente US$ 202 bilhões, o menor patamar em mais de 20 anos.

Por outro lado, os déficits com México e Vietnã atingiram níveis recordes, indicando reconfiguração das cadeias de fornecimento. O saldo negativo com Taiwan também alcançou máxima histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o déficit com o Canadá recuou.

Os dados sugerem que, embora a política tarifária tenha alterado a geografia do comércio, o impacto estrutural sobre o déficit total dos Estados Unidos foi limitado em 2025.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

Ler Mais
Comércio

Balança comercial acumula US$ 72,6 bilhões na corrente de comércio até fevereiro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,136 bilhões entre janeiro e a segunda semana de fevereiro de 2026. No mesmo período, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — alcançou US$ 72,625 bilhões.

O resultado é fruto de US$ 38,88 bilhões em exportações e US$ 33,744 bilhões em importações, segundo dados preliminares divulgados nesta quinta-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Desempenho na segunda semana de fevereiro

Considerando apenas a segunda semana de fevereiro, o país contabilizou superávit de US$ 1,501 bilhão. A corrente de comércio no período somou US$ 12,403 bilhões, com US$ 6,952 bilhões em exportações e US$ 5,451 bilhões em importações.

No acumulado do mês até a segunda semana, as vendas externas totalizam US$ 13,727 bilhões, enquanto as compras internacionais chegam a US$ 12,934 bilhões. O saldo positivo em fevereiro é de US$ 793 milhões, com corrente de comércio de US$ 26,661 bilhões.

Crescimento nas médias diárias

Na comparação entre as médias diárias até a segunda semana de fevereiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, as exportações cresceram 20,7%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,3 bilhão.

As importações também avançaram no período comparativo, com alta de 11,4%. A média diária saiu de US$ 1,16 bilhão em fevereiro de 2025 para US$ 1,29 bilhão em fevereiro deste ano.

Exportações por setor

O desempenho setorial das exportações mostra avanço consistente frente a fevereiro do ano anterior:

  • Indústria Extrativa: crescimento de US$ 121,93 milhões na média diária, alta de 57,2%;
  • Indústria de Transformação: aumento de US$ 107,5 milhões, avanço de 15,9%;
  • Agropecuária: elevação de US$ 3,41 milhões, crescimento de 1,4%.

Os dados reforçam a expansão das vendas externas, especialmente nos segmentos ligados à produção mineral e industrial.

Importações por setor

No campo das importações, o comportamento foi misto no acumulado até a segunda semana de fevereiro:

  • Indústria Extrativa: crescimento de US$ 9,49 milhões na média diária, alta de 20,0%;
  • Indústria de Transformação: aumento de US$ 127,78 milhões, avanço de 11,8%;
  • Agropecuária: retração de US$ 3,56 milhões, queda de 13,4%.

O cenário indica maior dinamismo nas compras de produtos industriais, enquanto o setor agropecuário registrou redução nas aquisições externas.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

Ler Mais
Importação

China zera tarifas de importação para 53 países africanos a partir de 2026

A China anunciou que vai eliminar as tarifas de importação para produtos provenientes de 53 países da África com os quais mantém relações diplomáticas. A medida passa a valer em 1º de maio de 2026 e integra a estratégia de fortalecimento das relações comerciais sino-africanas.

A informação foi divulgada pela emissora estatal China Central Television (CCTV).

Medida amplia acesso ao mercado chinês

Com a adoção da tarifa zero, exportadores africanos terão acesso facilitado ao vasto mercado chinês, considerado um dos maiores do mundo. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de estímulo ao comércio exterior e à cooperação econômica entre a China e o continente africano.

De acordo com a reportagem, o governo chinês também pretende avançar na negociação e assinatura de novos acordos de parceria econômica conjunta, ampliando a integração comercial.

Canal verde deve acelerar exportações africanas

Outro ponto destacado é a expansão de mecanismos que facilitem o fluxo de mercadorias, como o chamado “canal verde”, sistema que agiliza a liberação de produtos africanos no território chinês.

A expectativa é que a combinação de isenção tarifária, novos acordos comerciais e processos aduaneiros mais rápidos impulsione as exportações africanas e fortaleça os laços econômicos bilaterais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:Adek Berry-Pool/Getty Images

Ler Mais
Importação

Déficit industrial do Brasil atinge recorde histórico com alta das importações em 2025

A indústria de transformação brasileira ampliou suas exportações em 3,8% em 2025, mesmo diante da elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, o avanço das importações de bens industriais, que cresceram 8,6% no mesmo período, provocou um forte desequilíbrio na balança do setor.

O resultado foi um déficit industrial de US$ 71,1 bilhões — o maior desde o início da série histórica, em 1997. O número contrasta com o desempenho da balança comercial brasileira como um todo, que encerrou o ano passado com superávit de US$ 68,3 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo Institute for Industrial Development Studies (IEDI).

Plataformas de petróleo e impacto no saldo comercial

Importações extraordinárias de plataformas de petróleo contribuíram para o agravamento do resultado, gerando um déficit de US$ 5,3 bilhões em 2025. Ainda assim, mesmo desconsiderando esse efeito ao longo da série histórica, o saldo negativo do setor permanece como o maior já registrado — ainda que mais próximo dos déficits observados em 2013 (US$ 64,8 bilhões) e 2014 (US$ 63,6 bilhões).

Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do IEDI, o desempenho foi fortemente influenciado pelo aumento do rombo nas indústrias de alta tecnologia e pela menor contribuição dos segmentos de média-baixa tecnologia, tradicionalmente responsáveis pelos superávits da manufatura.

Alta tecnologia amplia rombo comercial

O déficit das indústrias de alta tecnologia chegou a US$ 50,6 bilhões em 2025, acima dos US$ 45,8 bilhões registrados em 2024 e bem superior aos US$ 27,1 bilhões de 2019. O grupo inclui setores como aeronáutica e farmacêutico, ambos impactados pela pandemia de Covid-19.

Setor aeronáutico enfrenta nova realidade

A indústria aeronáutica, que manteve superávits consecutivos entre 1999 e 2018, passou a registrar déficits a partir de 2019. Em 2025, as importações de aeronaves somaram US$ 15,3 bilhões, ante US$ 12,4 bilhões em 2024 e US$ 6,4 bilhões em 2019.

As exportações, embora em recuperação após a forte queda de 2020, avançaram em ritmo mais lento e atingiram US$ 5,5 bilhões em 2025, próximo aos US$ 5,8 bilhões de 2019. O resultado foi um déficit de US$ 9,9 bilhões no ano passado, frente a apenas US$ 604 milhões em 2019.

Cagnin destaca que o setor enfrenta pressão crescente para a descarbonização, incluindo a adoção de combustível sustentável de aviação (SAF). No Brasil, o programa Combustível do Futuro, instituído pela Lei 14.993/2024, estabelece metas para a introdução do SAF em voos domésticos a partir de 2027.

Ele observa ainda que a Embraer disputa o mercado internacional com aeronaves de maior porte, mas ressalta que ainda há espaço para políticas públicas que fortaleçam a integração entre companhias aéreas e a indústria nacional.

Indústria farmacêutica dobra déficit em seis anos

O setor farmacêutico também registrou deterioração significativa. O déficit saltou de US$ 7 bilhões em 2019 para US$ 15 bilhões em 2025. As importações alcançaram US$ 16,4 bilhões no último ano, o dobro do volume registrado antes da pandemia.

De acordo com o economista, o segmento passou por transformações estruturais desde a crise sanitária, com maior foco em inovação e reposicionamento estratégico global. Ele aponta que políticas industriais ao redor do mundo passaram a tratar a produção de medicamentos como área estratégica, especialmente diante da concentração de insumos na China e na Índia.

No Brasil, a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada peça-chave para estimular investimentos e pesquisa no setor. Ainda assim, o déficit reflete o atraso tecnológico nacional frente aos principais polos globais.

Média-alta tecnologia também pesa no saldo negativo

Nas indústrias de média-alta tecnologia, o déficit chegou a US$ 82,4 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelos segmentos de químicos e máquinas e equipamentos. A produção doméstica foi prejudicada pelos juros elevados e pelo baixo nível de investimentos.

Cagnin destaca ainda o avanço da China como competidor relevante no mercado global, intensificando a concorrência sobre a indústria brasileira.

Segmentos com superávit sustentam parcialmente resultado

Entre os grupos com melhor desempenho, o segmento de média tecnologia encerrou 2025 com superávit de US$ 2,4 bilhões, mesmo após as importações de plataformas de petróleo.

Já a média-baixa tecnologia manteve sua posição como principal geradora de superávit, somando US$ 59,5 bilhões — levemente abaixo dos US$ 61,2 bilhões de 2024. O destaque positivo foi o setor de alimentos, bebidas e tabaco, com saldo de US$ 60 bilhões.

Ainda assim, o grupo foi o único a registrar queda nas exportações em 2025, com recuo de 1%, enquanto as importações cresceram 1,7%, indicando dificuldades adicionais para expandir vendas externas.

Tarifas dos EUA e reconfiguração global

Na avaliação do IEDI, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetaram setores específicos, mas não comprometeram o crescimento geral das exportações industriais em 2025.

Para Cagnin, o movimento tarifário integra um processo mais amplo de reorganização do comércio internacional, com impactos sobre as cadeias globais de valor e a geopolítica econômica.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Celso Doni/Valor

Ler Mais
Comércio Exterior

Corrente de comércio soma US$ 60,3 bilhões até a primeira semana de fevereiro de 2026

A corrente de comércio brasileira alcançou US$ 60,3 bilhões no acumulado de janeiro até a primeira semana de fevereiro de 2026. O resultado reflete exportações de US$ 32 bilhões e importações de US$ 28,3 bilhões, com superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no período.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na primeira semana de fevereiro, a balança comercial apresentou déficit de US$ 647 milhões, resultado de US$ 6,9 bilhões em exportações e US$ 7,5 bilhões em importações. A corrente de comércio semanal somou US$ 14,3 bilhões.

Exportações e importações avançam no comparativo mensal

Na comparação das médias diárias, as exportações até a primeira semana de fevereiro de 2026 atingiram US$ 1,4 bilhão, crescimento de 20,2% em relação à média registrada em fevereiro de 2025, que foi de US$ 1,1 bilhão.

Já as importações apresentaram alta ainda mais expressiva. A média diária chegou a US$ 1,5 bilhão, avanço de 28,9% frente aos US$ 1,2 bilhão observados em fevereiro do ano anterior. O desempenho foi influenciado, em parte, pela importação de uma plataforma de petróleo, avaliada em US$ 2,4 bilhões.

Com esse resultado, a média diária da corrente de comércio até a primeira semana de fevereiro de 2026 ficou em US$ 2,86 bilhões, enquanto o saldo comercial médio diário foi negativo em US$ 129,46 milhões. Em relação a fevereiro de 2025, houve crescimento de 24,6% na corrente de comércio.

Desempenho das exportações por setor

No acumulado até a primeira semana de fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, o desempenho das exportações por setor, com base na média diária, mostrou forte avanço da Indústria Extrativa, com aumento de US$ 134,88 milhões, equivalente a 63,2%.

A Indústria de Transformação também registrou crescimento, com acréscimo de US$ 103,14 milhões (15,3%). Em contrapartida, a Agropecuária apresentou recuo de US$ 9,98 milhões, queda de 4,1% no período.

Importações mostram avanço da indústria de transformação

Pelo lado das importações, a análise setorial até a primeira semana de fevereiro de 2026 indica crescimento de US$ 349,34 milhões (32,3%) nas compras externas da Indústria de Transformação. A Agropecuária também teve leve alta, de US$ 0,65 milhão (2,5%).

Já a Indústria Extrativa registrou retração de US$ 12,08 milhões, o que representa queda de 25,5% na média diária em relação ao mesmo período do ano passado.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Comércio Exterior

Balança comercial registra segundo maior superávit de janeiro

A balança comercial brasileira atingiu em janeiro o segundo maior superávit para o mês desde o início da série histórica, impulsionada pela queda das importações, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O saldo positivo foi de US$ 4,342 bilhões, um aumento de 85,8% em relação aos US$ 2,337 bilhões registrados em janeiro de 2025.

Exportações e importações em janeiro

Apesar do crescimento do superávit, o valor das exportações apresentou leve queda de 1%, somando US$ 25,153 bilhões, enquanto as importações caíram 9,8%, totalizando US$ 20,810 bilhões. O resultado só fica atrás do superávit de janeiro de 2024, que alcançou US$ 6,196 bilhões.

O desempenho das exportações é o terceiro melhor janeiro desde 1989, enquanto as importações registraram o segundo maior valor histórico para o mês, perdendo apenas para janeiro do ano passado.

Desempenho por setores

O saldo comercial varia entre os setores da economia:

  • Agropecuária: crescimento de 2,1%, com queda de 3,4% no volume e alta de 5,3% no preço médio;
  • Indústria extrativa: queda de 3,4%, com aumento de 6,2% no volume e recuo de 9,1% no preço médio;
  • Indústria de transformação: queda de 0,5%, com leve recuo no volume (-0,6%) e no preço médio (-0,1%).

Principais produtos que impactaram o resultado

Entre os produtos que reduziram as exportações estão:

  • Agropecuária: café não torrado (-23,7%), algodão bruto (-31,2%) e trigo e centeio não moídos (-33,6%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-7,8%) e minério de ferro (-8,6%);
  • Indústria de transformação: óxido de alumínio (-54,6%), açúcares e melaços (-27,2%) e tabaco (-50,4%).

Por outro lado, o agronegócio teve crescimento nas exportações de soja (91,7%) e milho não moído (18,8%), devido à antecipação de embarques. A queda nas vendas de petróleo bruto chegou a US$ 364,6 milhões, influenciada por manutenções programadas de plataformas.

Queda das importações

A diminuição das importações está ligada à desaceleração econômica e à queda na demanda por petróleo, devido à redução de investimentos. Entre os principais produtos importados em queda estão:

  • Agropecuária: cacau bruto ou torrado (-86,3%) e trigo e centeio não moídos (-35,5%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (-49,8%) e gás natural (-15,8%);
  • Indústria de transformação: motores e máquinas não elétricos (-66,8%), óleos combustíveis de petróleo (-17,5%) e partes de veículos (-20,4%).

Projeções para 2026

O MDIC projeta que o superávit comercial de 2026 fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. Novas estimativas detalhadas serão divulgadas em abril.

Para efeito de comparação, a balança comercial registrou superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, enquanto o recorde histórico foi de US$ 98,9 bilhões em 2023. As projeções oficiais estão acima das estimativas do Boletim Focus, que prevê superávit de US$ 67,65 bilhões para 2026.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

Ler Mais
Exportação

Exportações crescem 18% na média diária até a terceira semana de janeiro de 2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,8 bilhões nas três primeiras semanas de janeiro de 2026. O resultado é fruto de US$ 14,98 bilhões em exportações e US$ 11,2 bilhões em importações, segundo dados preliminares divulgados nesta segunda-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Terceira semana tem déficit pontual

Considerando apenas a terceira semana de janeiro, as exportações somaram US$ 5,1 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 5,4 bilhões, o que resultou em um saldo negativo de US$ 244 milhões no período.

Média diária das exportações avança em relação a 2025

Na comparação entre as médias diárias, as exportações cresceram 18% até a terceira semana de janeiro de 2026, ao atingirem US$ 1,36 bilhão, frente aos US$ 1,15 bilhão registrados em janeiro de 2025.

Já as importações apresentaram queda de 2,6%, com média diária de US$ 1,02 bilhão, ante US$ 1,04 bilhão no mesmo período do ano passado.

Corrente de comércio mantém trajetória de alta

Até a terceira semana de janeiro de 2026, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — alcançou média diária de US$ 2,3 bilhões. O saldo médio diário ficou em US$ 341,51 milhões.

Na comparação com a média diária registrada em janeiro de 2025, houve crescimento de 8,2% na corrente de comércio, indicando avanço no fluxo comercial do país no início do ano.

Desempenho das exportações por setor

Na análise setorial das exportações, considerando a média diária do acumulado até a terceira semana de janeiro de 2026 frente a janeiro de 2025, os resultados foram positivos em todos os segmentos:

  • Indústria Extrativa: alta de US$ 108,39 milhões (32,6%);
  • Agropecuária: crescimento de US$ 28,54 milhões (16,6%);
  • Indústria de Transformação: aumento de US$ 69,99 milhões (10,9%).

Importações recuam em todos os segmentos

Do lado das importações, a média diária mostrou retração nos principais setores:

  • Indústria Extrativa: queda de US$ 4 milhões (8%);
  • Agropecuária: redução de US$ 7,29 milhões (26%);
  • Indústria de Transformação: recuo de US$ 16,23 milhões (1,7%).

Os dados reforçam o cenário de crescimento das exportações brasileiras no início de 2026, com destaque para o desempenho da indústria extrativa e da agropecuária.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook