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Paralisação no Estreito de Hormuz deixa 3.200 navios retidos e eleva frete a níveis recordes

A tensão entre Irã e a coalizão EUA-Israel provocou uma paralisação inédita no Estreito de Hormuz, com cerca de 3.200 navios presos na região. O valor do frete para VLCCs (Very Large Crude Carriers) do Oriente Médio para a China atingiu níveis teóricos extraordinários, chegando a US$ 423.700 por dia na segunda-feira, um aumento de US$ 205.600 em relação ao dia anterior. Especialistas alertam, porém, que confirmações de contratos a esses valores ainda não foram registradas.

Seguro marítimo suspende cobertura em guerra

Mais da metade dos maiores clubes P&I do mundo anunciou que deixará de oferecer cobertura contra riscos de guerra para navios que entrem no Golfo Pérsico a partir de 5 de março, encerrando automaticamente a proteção para embarcações em águas adjacentes. A medida aumenta significativamente os custos de viagem e deve levar armadores a optar por rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança.

Irã reforça controle sobre o estreito

Autoridades iranianas intensificaram a crise ao afirmar controle sobre o estreito. A mídia estatal citou comandantes dizendo que o Estreito de Hormuz está fechado e alertando que “os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular irão incendiar os navios” que tentarem passar. A declaração aumenta o receio do mercado sobre o bloqueio de 14 a 15 milhões de barris de petróleo por dia no Golfo Pérsico.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “os golpes mais duros” contra o Irã ainda estão por vir, sem indicar a duração da campanha militar.

Ataques afetam navios e infraestrutura

Os ataques iranianos já atingiram navios mercantes e instalações regionais. Pesquisas da Clarksons Research registram pelo menos seis navios danificados – entre eles Stena Imperative, Sea La Donna, Hercules Star, Ocean Electra, Skylight e MKD Vyom – além de múltiplos ataques a portos e unidades de energia. Um ataque a um porto em Bahrain na segunda-feira matou um trabalhador, feriu outros dois e danificou um petroleiro com bandeira dos EUA.

Mercado marítimo em alerta

Especialistas alertam que o bloqueio é mais uma paralisação motivada por risco do que um cerco formal. O estreito normalmente registra 80 a 100 travessias por dia, transportando cerca de um quinto do consumo global de petróleo, enquanto os gasodutos alternativos não possuem capacidade para suprir uma interrupção prolongada.

O impacto varia por setor:

  • Navios petroleiros: os VLCCs sofrem os maiores efeitos, com ganhos teóricos em recorde histórico, enquanto a atividade real deve permanecer limitada nos próximos dias.
  • Gás natural liquefeito (GNL) e GLP: mercados desestabilizados, com aumento de mais de 20% nas tarifas de transporte de GNL devido à parada em Ras Laffan e risco de choque similar para o GLP, que depende cerca de 30% do tráfego por Hormuz.
  • Contêineres: apenas 2% do tráfego passa pelo estreito, mas grandes linhas como MSC suspenderam reservas para o Oriente Médio, intensificando congestionamentos em Europa e Ásia.
  • Carga seca (dry bulk): menos impactada diretamente, mas sofre atrasos e congestionamentos secundários.

Segundo a Clarksons Research, 3.200 embarcações permanecem dentro do Golfo, representando 4% do tonelagem global, incluindo 112 petroleiros e 114 navios de contêineres; cerca de 500 navios aguardam nas costas de Emirados Árabes Unidos e Omã.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Navy

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Internacional

EUA aumentam pressão sobre China com ataques na Venezuela e Irã

Os Estados Unidos ampliaram suas ações militares nesta terça-feira (03) contra a Venezuela e o Irã, países que são aliados estratégicos da China no setor energético e comercial. A movimentação atinge diretamente as rotas de abastecimento e os interesses logísticos de Pequim, além de gerar incertezas nos mercados globais de energia.

Estratégia militar e impacto econômico

Washington fortaleceu sua presença em regiões sensíveis e reforçou o discurso de combate a ameaças regionais. O movimento envia uma mensagem política clara e interfere no tabuleiro econômico global.

Tanto o Irã quanto a Venezuela mantêm relações comerciais relevantes com a China, principalmente na exportação de petróleo. Assim, a pressão norte-americana provoca um efeito dominó sobre a segurança energética chinesa e sobre as cadeias de fornecimento de energia.

O episódio acontece em meio à crescente rivalidade entre as duas potências. Enquanto os EUA buscam reafirmar sua liderança global, a China expande sua influência em áreas estratégicas, tornando cada ação militar ou diplomática de peso imediato.

Energia como ponto central do conflito

A economia chinesa depende fortemente de importações de petróleo, o que torna qualquer instabilidade no Oriente Médio ou na América do Sul uma preocupação estratégica.

Analistas apontam que o ataque dos EUA não se restringe ao campo militar. Ele também compromete cadeias logísticas, contratos comerciais e previsibilidade no fornecimento energético. Em outras palavras, a pressão norte-americana afeta não apenas governos, mas toda a engrenagem econômica que sustenta o crescimento da China.

Pequim, por sua vez, reage com cautela. O governo chinês condena medidas unilaterais e defende soluções diplomáticas, evitando confrontos militares diretos, mas mantendo um discurso voltado à estabilidade regional e global.

Consequências políticas e diplomáticas

A ofensiva americana também impacta lideranças locais. Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro enfrenta um cenário internacional ainda mais tenso. Ao mesmo tempo, os EUA reforçam sua estratégia de conter a influência chinesa em regiões estratégicas, transformando o conflito em uma disputa global por poder, energia e influência.

Mercados financeiros acompanham os desdobramentos de perto. Interrupções no fornecimento de petróleo podem provocar alta nos preços e ampliar tensões econômicas, afetando consumidores em diversas partes do mundo.

O que está em jogo

Mais do que atacar alvos específicos, os Estados Unidos alteraram o equilíbrio geopolítico ao atingir pontos sensíveis da rede de aliados da China.

A reação de Pequim poderá definir os próximos passos da disputa global. Uma estratégia diplomática reforçada pode expandir sua influência, enquanto um endurecimento do discurso militar intensificaria a rivalidade com Washington. De qualquer forma, o cenário internacional já mudou, e cada ação daqui em diante será cuidadosamente calculada.

O mundo observa, e a disputa entre potências entra em um novo capítulo estratégico, com impactos que vão além do campo militar.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Comércio Internacional, Especialista, Exportação, Geopolítica, Importação, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Notícias, Transporte

Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Internacional

Mercados emergentes sustentam resultados de gigantes de consumo diante da fraqueza dos EUA

A desaceleração do consumo nos Estados Unidos tem pressionado os resultados das maiores multinacionais de bens de consumo do mundo. Em contrapartida, o desempenho de mercados emergentes, especialmente América Latina, com destaque para Brasil e México, além de Ásia, puxada por China e Índia, tem ajudado a equilibrar receitas e lucros das companhias globais.

O cenário reflete a perda de poder de compra da classe média americana, que passou a buscar mais promoções e preços baixos, segundo balanços financeiros do quarto trimestre e teleconferências com analistas acompanhadas nas últimas semanas.

Crescimento impulsionado por volumes na Ásia e preços na América Latina

Apesar do avanço nas duas regiões, a dinâmica é diferente. Na Ásia, o crescimento tem sido sustentado principalmente pelo aumento de volumes. Já em Brasil e México, o desempenho positivo decorre, em grande parte, de reajustes de preços e mudanças no mix de produtos promovidas por grandes marcas globais.

Executivos de empresas como Procter & Gamble, PepsiCo, Colgate-Palmolive e Unilever relataram a analistas um ambiente de consumo fraco ou em desaceleração nos Estados Unidos, enquanto destacaram a resiliência dos mercados fora do país.

Procter & Gamble reforça foco em Brasil e México

A Procter & Gamble (P&G), terceira maior empresa global de bens de consumo em vendas trimestrais, apontou que o segundo semestre de 2025 foi marcado por mercados mais fracos, concorrência intensa e um ambiente geopolítico instável.

Segundo o diretor financeiro, Andre Schulten, o principal ponto positivo foi a força das operações fora dos EUA. Na América Latina, a companhia registrou crescimento de 8% no quarto trimestre, enquanto a Europa avançou 3%, a China 3% e a região que inclui Ásia, Oriente Médio e África cresceu 2%.

A empresa, dona de marcas como Pampers, Gillette, Oral-B e Downy, destacou que inovações em produtos no Brasil e no México ainda estão em fase inicial nos EUA. A expectativa é de melhora gradual no mercado americano à medida que essas estratégias avancem.

Como parte da reavaliação estratégica, a P&G reorganizou suas operações na América Latina e ajustou o modelo de negócios na Argentina, priorizando Brasil e México. Segundo o CEO Shailesh Jejurikar, essa abordagem mais focada no consumidor levou a um crescimento de 9% no Brasil, acima da média do mercado.

Coca-Cola e Colgate veem América Latina como pilar de crescimento

A Coca-Cola informou que, no quarto trimestre, a América Latina registrou alta de 10% nas vendas e 4% em volume, impulsionadas por aumento de preços e mix de produtos. Na América do Norte, o crescimento foi mais moderado, com vendas em alta de 5% e volume de apenas 1%.

Na Ásia, incluindo China e Índia, a empresa observou queda de 3% no indicador de preço/mix, contrastando com o avanço visto nos países latino-americanos.

A Colgate-Palmolive, por sua vez, também sentiu os efeitos da desaceleração americana. Na América do Norte, as vendas líquidas recuaram 1,5%, com queda de volume de 2,3%. Já na América Latina, a empresa registrou aumento de 12,8% nas vendas e crescimento de 2,3% em volume, tornando a região a segunda mais dinâmica da companhia, atrás apenas de África/Eurásia.

Brasil e México apresentaram crescimento de um dígito alto, com bom desempenho nas categorias de higiene bucal, cuidados pessoais e limpeza doméstica, embora a empresa não divulgue dados por país.

Consumo brasileiro mostra sinais de desaceleração

Apesar de condições relativamente melhores, dados do varejo indicam desaceleração da demanda no Brasil desde o segundo semestre de 2025. O aumento do endividamento das famílias, pressionado por juros elevados, tem afetado volumes em supermercados e atacarejos.

De acordo com a NielsenIQ, o faturamento desses canais cresceu 8,1% em 2025, enquanto o volume avançou apenas 1,9%. Executivos do setor avaliam que o mercado brasileiro é mais aberto à inovação e menos competitivo do que o americano, o que permite respostas mais rápidas a mudanças estratégicas.

Unilever e PepsiCo revisam estratégias de preços

A Unilever alertou para riscos associados à instabilidade política no Brasil e em outros mercados da região. O CEO Fernando Fernandez afirmou que a empresa precisou recuar em reajustes de preços no segmento de cuidados com a casa, especialmente no Brasil, devido à volatilidade cambial e à complexidade tributária.

A PepsiCo anunciou que pretende reduzir preços em até 15% nos Estados Unidos, apostando em ganhos de produtividade para compensar margens menores. A empresa, que controla marcas como Pepsi, Quaker, Doritos e Toddy, afirmou que o consumidor americano de renda média e baixa está mais pressionado, enquanto outros mercados apresentam cenário mais favorável.

Segundo o CEO Ramon Laguarta, a companhia vê tendências positivas no México, na China e no Oriente Médio, enquanto o Brasil segue em trajetória estável. Em 2025, a PepsiCo faturou US$ 1,7 bilhão no Brasil, alta de 1%.

Inovação e premiumização como resposta à crise

Diante das dificuldades nos EUA, as empresas estão reforçando estratégias de inovação, premiumização e controle de porções. A Colgate destacou um pipeline robusto de lançamentos para 2026, enquanto a PepsiCo aposta em embalagens menores e produtos com fibra e proteína, alinhados às novas demandas do consumidor.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Colgate-Palmolive

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Logística

A prisão de Maduro e sua relação com a logística brasileira

A crise econômica e política na Venezuela tem provocado um dos maiores deslocamentos populacionais da América Latina: mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país nas últimas décadas, e o Brasil tem sido um dos principais destinos.

O setor logístico enfrenta atualmente um ponto crítico em relação à disponibilidade de mão de obra. O Brasil convive com um apagão de mão de obra operacional há pelo menos 8 a 10 anos, problema que se intensificou a partir de 2020, após a pandemia, período em que o setor vivenciou uma forte expansão nas operações de logísticas, impulsionada pelo crescimento do e-commerce no país.

Hoje, a logística é um dos setores mais afetados por essa escassez. Diante de uma combinação complexa de fatores educacionais, demográficos e comportamentais a falta de mão de obra operacional deixou de ser um problema pontual e passou a representar um desafio estrutural no mercado brasileiro.

Nesse contexto, trabalhadores venezuelanos passaram a ocupar vagas em funções operacionais que muitos brasileiros não demonstraram interesse em assumir. Diante das recentes mudanças no cenário político venezuelano, o mercado logístico discute ativamente os impactos futuros dessas ações. (fontes: ACNUR – (2023–2024),ONU / Plataforma R4V – (2024),IBGE – (Censo 2022 /divulgação 2023), MTE (2023–2025), ABRALOG (2019–2024),Banco Mundial (2021–2024).)

O mercado de trabalho no brasil.

Cerca de 163 mil venezuelanos estão inseridos no mercado de trabalho formal no Brasil. Além disso, estima-se que aproximadamente 450 mil atuem na informalidade, conforme estudos baseados nas taxas de informalidade entre migrantes.

A crescente contratação de venezuelanos em centros de distribuição e por operadores logísticos, aliada à alta aderência ao trabalho em turnos, teve papel relevante na atenuação parcial do apagão de mão de obra operacional, especialmente nos polos logísticos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Os venezuelanos lideraram as admissões entre estrangeiros em 2025 e representaram cerca de 4% das contratações formais no Brasil, evidenciando o avanço de sua inserção no mercado formal, especialmente em setores com déficit de mão de obra. (fontes: ACNUR – (2023-2024), Dados – CAGED (2025) e da RAIS (2024),Banco Mundial (2021–2024).) 

Os Estados Unidos passaram a participar da exploração do petróleo venezuelano entre as décadas de 1920 e 1940, período em que a Venezuela se consolidou como uma das grandes exportadoras mundiais. 

Considerando a retomada dessa influência, é provável que uma eventual melhora do cenário econômico venezuelano leve parte significativa dos trabalhadores venezuelanos atualmente inseridos no mercado de trabalho brasileiro a retornar às suas cidades de origem.

O Brasil tende a sentir os impactos dessa mudança, com o agravamento do apagão de mão de obra, especialmente no setor logístico, uma vez que os venezuelanos vêm ocupando parte nas operações logísticas em todo o país. (Fontes: ACNUR/R4V (2023–2024), CAGED/RAIS–MTE (2024–2025), IBGE Censo 2022, Banco Mundial (2022–2024), IPEA (2022) e registros históricos da indústria petrolífera venezuelana (1920–1940).)

Diante desse cenário de apagão de mão de obra, que tende a se agravar, a automação logística se consolida como um caminho obrigatório na intralogística. Implementá-la da forma adequada faz toda a diferença para os resultados do  negócio.

A Esteiras Motorizadas é especialista em soluções de automação intralogística voltadas ao aumento da produtividade operacional, oferecendo excelente custo-benefício e sendo pioneira em locação desse tipo de equipamento. 

Se você enfrenta dificuldades na contratação de mão de obra operacional e possui centro de distribuição, operações de triagem, carregamento ou descarga de cargas batidas, nós temos a solução ideal para a sua operação.

*As informações apresentadas neste conteúdo são de inteira responsabilidade do autor.

TEXTO E IMAGENS: DIVULGAÇÃO ESTEIRAS MOTORIZADAS

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Internacional

EUA apreendem petroleiro russo ligado à Venezuela após perseguição no Atlântico

Os Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quarta-feira (7), a apreensão de dois petroleiros em operações separadas em águas internacionais do Atlântico Norte e do Caribe. Uma das embarcações, o petroleiro russo Marinera, anteriormente chamado de Bella 1, é apontada por autoridades americanas como ligada à Venezuela e vinha sendo monitorada há semanas antes da interceptação.

Operação no Atlântico Norte teve apoio internacional

De acordo com o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA, o navio M/V Bella 1 foi interceptado no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal norte-americano. A ação contou com o acompanhamento do USCGC Munro, da Guarda Costeira dos Estados Unidos, além de suporte naval e aéreo do Reino Unido.

Informações divulgadas pela agência Reuters indicam que a embarcação chegou a receber escolta de navios e submarinos russos e obteve autorização para operar sob bandeira da Rússia em 24 de dezembro. Em comunicado, o Ministério da Defesa britânico afirmou que o apoio à operação foi “fundamental” e destacou o “histórico nefasto” do navio.

Governo britânico cita evasão de sanções

Em nota oficial, o governo do Reino Unido afirmou que o petroleiro integra um eixo russo-iraniano de evasão de sanções, responsável por financiar conflitos e ampliar instabilidades internacionais. Segundo a declaração, esse tipo de operação contribui para o prolongamento de crises do Oriente Médio à Ucrânia.

Rússia contesta apreensão e cita direito marítimo

A Rússia reagiu à ação e acusou os Estados Unidos de violar o direito marítimo internacional. O Ministério dos Transportes russo afirmou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, garante a liberdade de navegação em alto-mar e proíbe o uso da força contra embarcações devidamente registradas sob jurisdição estrangeira.

“Frota fantasma” e ligação com a Venezuela

Segundo o governo norte-americano, os dois navios apreendidos faziam parte de uma chamada “frota fantasma”, utilizada para burlar sanções internacionais. As autoridades afirmam que ambas as embarcações haviam atracado recentemente na Venezuela ou estavam a caminho do país.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, afirmou que as ações foram conduzidas de forma “meticulosamente coordenada” pela Guarda Costeira. Ela relatou que o Bella 1 tentou escapar da fiscalização por semanas, chegando a trocar de bandeira e a pintar um novo nome no casco durante a perseguição.

Segundo navio foi interceptado no Caribe

A segunda embarcação, identificada como MC Sophia, foi abordada no Mar do Caribe. O navio navegava sob bandeira do Panamá e havia deixado águas venezuelanas no início de janeiro. De acordo com autoridades americanas, o petroleiro integrava um esquema de transporte de petróleo venezuelano para a China, operando em “modo escuro”, com o transponder desligado para dificultar o rastreamento.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Portos

EUA avaliam sanções contra a Espanha por suposta restrição de acesso a portos

Os Estados Unidos avaliam a adoção de medidas de retaliação contra a Espanha após o avanço de uma investigação sobre supostas restrições de acesso a portos espanhóis. Um ano depois do início do processo, a Federal Maritime Commission (FMC) considera aplicar sanções que podem incluir multas milionárias, limitações de carga e até a proibição de entrada de navios com bandeira espanhola em portos norte-americanos.

Navios dos EUA estariam entre os afetados

De acordo com a FMC, a apuração envolve normas e práticas adotadas pelo governo espanhol que, direta ou indiretamente, estariam impedindo o acesso de determinadas embarcações aos seus portos. Entre os casos já identificados, estariam navios de bandeira dos Estados Unidos, inclusive embarcações operadas dentro do U.S. Maritime Security Program.

Em atualização divulgada recentemente, a Comissão informou que dados coletados junto a diversas fontes confirmam que ao menos três navios norte-americanos tiveram a entrada negada em portos da Espanha em novembro de 2024. Segundo o órgão, a política que motivou essas recusas continua em vigor.

Relação com cargas ligadas a Israel amplia debate

A investigação agora busca aprofundar informações sobre a política espanhola de recusar acesso portuário a navios que transportam cargas com destino ou origem em Israel. A FMC solicitou contribuições de armadores, embarcadores e demais partes interessadas, com o objetivo de avaliar tanto as ações de fiscalização adotadas pela Espanha quanto os impactos sobre o comércio exterior dos EUA.

Para a Comissão, os indícios reunidos até o momento sugerem que as leis ou regulações espanholas podem estar criando condições desfavoráveis ao transporte marítimo internacional, afetando diretamente a navegação ligada ao comércio externo norte-americano.

Multas e restrições estão entre as possíveis respostas

Com base nesse cenário, a FMC informou que estuda quais medidas corretivas seriam adequadas para neutralizar os efeitos dessas práticas. Entre as opções consideradas estão restrições ao transporte de cargas, a recusa de entrada de navios com bandeira da Espanha e a aplicação de multas que podem chegar a US$ 2,3 milhões por viagem, valor já ajustado pela inflação.

Apesar da gravidade do tema, o órgão reforçou que nenhuma decisão final foi tomada. Segundo a FMC, todas as ações futuras dependerão da análise detalhada das provas reunidas e seguirão estritamente o marco legal que rege a atuação da Comissão.

FONTE: Shipping Telegraph
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Shipping Telegraph

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Exportação

Exportações da China sobem 5,9% em novembro enquanto envios para EUA caem 29%

As exportações da China cresceram 5,9% em novembro na comparação anual, recuperando-se da contração de 1,1% registrada em outubro, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas. O valor total das vendas externas alcançou US$ 330,3 bilhões, superando as expectativas dos economistas e indicando uma melhora frente ao mês anterior.

O resultado reforça o aumento do superávit comercial, que nos primeiros 11 meses de 2025 ultrapassou US$ 1,08 trilhão, maior nível anual da série histórica, acima do excedente de US$ 992 bilhões registrado em 2024.

Exportações para os EUA em queda

Apesar do crescimento geral, as exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram quase 29% em novembro, marcando o oitavo mês consecutivo de quedas de dois dígitos. O declínio reflete o impacto de tarifas aplicadas durante a guerra comercial, embora a trégua anunciada em outubro entre Xi Jinping e Donald Trump abra espaço para recuperação nos próximos meses.

Economistas apontam que os efeitos do corte de tarifas ainda não foram totalmente refletidos nos números de novembro, e o desempenho futuro dependerá do avanço do acordo e da demanda externa.

Exportações para outros mercados se fortalecem

Enquanto os envios para os EUA caíram, as exportações chinesas dispararam para outras regiões, incluindo Sudeste Asiático, América Latina, África e União Europeia, diversificando os mercados e compensando parcialmente o recuo no principal parceiro comercial.

As importações da China também apresentaram crescimento de 1,9% em novembro, atingindo US$ 218,6 bilhões, melhorando frente à alta de 1% de outubro, apesar da crise persistente no setor imobiliário e da desaceleração nos investimentos empresariais.

Foco em manufatura avançada e crescimento interno

Em paralelo, o governo chinês reforçou a aposta no fabrico avançado como motor de crescimento para os próximos anos. Durante a reunião anual de planejamento econômico, liderada por Xi Jinping, foi destacado o compromisso com “prosseguir o progresso garantindo a estabilidade”, priorizando novas tecnologias e indústrias emergentes.

Apesar das tensões comerciais e do protecionismo internacional, especialistas esperam que a China continue ganhando quota de mercado global. A Morgan Stanley projeta que, até 2030, o país alcance 16,5% da participação nas exportações mundiais, impulsionado por setores de alto crescimento, como veículos elétricos, robótica e baterias.

Perspectivas para a economia chinesa

Mesmo com a trégua comercial temporária, analistas destacam que o ambiente global de comércio permanece incerto, com relações entre China e EUA ainda fragilizadas. No entanto, o crescimento das exportações fora do mercado americano e o foco em inovação tecnológica reforçam a capacidade do país em manter a liderança no comércio internacional nos próximos anos.

FONTE: Euronews
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Chinatopix

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Indústria

Indústrias do Sul defendem setor madeireiro brasileiro em investigação dos EUA

A FIESC, ao lado da FIEP, da FIERGS e da ABIMCI, enviou ao governo dos Estados Unidos uma manifestação técnica defendendo que a madeira brasileira exportada ao país norte-americano tem origem exclusivamente privada e não recebe subsídios. O posicionamento responde a um questionamento do Departamento de Comércio dos EUA, que analisa possíveis benefícios indevidos na importação de determinados tipos de madeira.

O documento, protocolado na última sexta-feira (5), reúne informações detalhadas sobre a operação do setor no Brasil e busca ampliar o entendimento das autoridades americanas sobre a cadeia produtiva nacional.

Investigação 232 segue em andamento

A expectativa das entidades é de que o posicionamento contribua para o desfecho da chamada Investigação 232, ainda sem conclusão por parte do governo dos EUA. O estudo pode influenciar diretamente o fluxo comercial entre os dois países, especialmente no segmento de madeira processada.

União entre federações empresariais

A articulação foi liderada pelo presidente da FIESC, Gilberto Seleme. Logo após receber o questionamento dos EUA, Seleme convidou os presidentes da FIERGS, Cláudio Bier, da FIEP, Edson Vasconcellos, e da ABIMCI, Paulo Pupo, para organizar dados e argumentos técnicos que embasassem a resposta.

A consulta americana foi dirigida a países que representam ao menos 1% das importações totais dos EUA no setor madeireiro — entre eles Brasil, Áustria, Canadá, Chile, Alemanha e Suécia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/CNI

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Comércio Exterior

Fim do tarifaço dos EUA impulsiona retomada das exportações de hortifrútis do Brasil

O encerramento do tarifaço imposto pelos Estados Unidos trouxe alívio imediato ao setor brasileiro de hortifrútis, que vinha enfrentando três meses e meio de retração em volume e queda acentuada nos preços. A taxa adicional de 50% havia afetado diretamente produtos como manga, castanha-do-pará, uva, café e gengibre.
Dados do Comex Stat mostram que, entre agosto e outubro deste ano, as exportações de manga para o mercado norte-americano perderam 40% em valor, enquanto as vendas de castanha-do-pará despencaram 94%.

Retomada dos fluxos e expectativa de reação

Com a retirada das tarifas em novembro, a perspectiva é de normalização gradual dos embarques. Para Renato Francischelli, country director da Ascenza Brasil, o fim da sobretaxa restabelece um ambiente favorável ao comércio bilateral e devolve competitividade às frutas brasileiras.
Segundo ele, a ausência da cobrança aumenta o potencial de escoamento, estabiliza preços e dá fôlego a produtores que, diante do tarifaço, tiveram de operar com margens reduzidas. “É uma oportunidade de reconstruir relações comerciais e recolocar a fruta brasileira nas prateleiras onde sempre teve destaque”, afirma.

Manga: mais volume, menos receita

Entre agosto e outubro de 2024, o Brasil enviou 22,6 mil toneladas de manga aos EUA. No mesmo período de 2025, o volume subiu para 31,8 mil toneladas — alta de 41%.
Mesmo assim, o setor perdeu receita. O preço pago pelos norte-americanos caiu de US$ 1,30 por quilo para US$ 0,78, redução de 40%. Como resultado, o faturamento recuou de US$ 29,4 milhões em 2024 para US$ 25 milhões em 2025.

Queda drástica na castanha-do-pará

O produto mais afetado foi a castanha-do-pará. Os embarques caíram de 367,6 toneladas para apenas 21,6 toneladas no mesmo intervalo comparativo — retração de 94%.

Uvas, café e gengibre também sentiram

As exportações de uvas para os EUA diminuíram 67%. O país enviou 2,8 mil toneladas entre agosto e outubro de 2024, contra 938,3 toneladas este ano. O preço médio também recuou 15%.
O café registrou retração de 39,6% em volume, ainda que os preços tenham subido 38%, impulsionando valores unitários maiores.
No caso do gengibre, o volume exportado caiu 22%, e o valor movimentado diminuiu 37% entre os dois períodos analisados.

Diversificação de mercados garantiu resiliência

Mesmo sob a tarifa de 50%, exportadores brasileiros ampliaram vendas para Europa, Ásia e América do Sul, compensando parcialmente as perdas nos EUA. No caso da manga, manter o fluxo para o mercado norte-americano, mesmo com preços reduzidos, foi uma estratégia para evitar estoques altos e preservar relações comerciais.

Para Francischelli, o tarifaço demonstrou que o setor precisa estar preparado para mudanças repentinas no cenário global. A combinação entre dólar favorável, compromissos com importadores e logística consolidada levou muitos exportadores a aceitarem preços menores para manter espaço nas gôndolas. Com o fim da tarifa, a expectativa é de reposicionamento gradual do mercado.

Mercado externo segue aquecido

A tarifa entrou em vigor em 6 de agosto e foi revogada em 20 de novembro. Durante esse período, as exportações brasileiras para os EUA caíram 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro.
Ainda assim, segundo o MDIC, as vendas externas totais do Brasil cresceram 9,1% em outubro, alcançando o maior valor para o mês desde 1989 — reflexo da forte demanda internacional.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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