Economia, Mercado Internacional

Rússia amplia liquidações e passa a usar yuan nas exportações para o Brasil em 2025 — isola ainda mais o dólar em setores estratégicos de energia, grãos e fertilizantes

Em 2025, um novo dado acendeu o alerta em Washington e Bruxelas: a Rússia passou a ampliar o uso do yuan em suas exportações para o Brasil, reduzindo drasticamente a participação do dólar em setores estratégicos como energia, grãos e fertilizantes. O gesto, que reflete tanto sanções ocidentais quanto a aproximação com os BRICS, marca mais um passo no processo de desdolarização do comércio internacional.

O Brasil, que já havia fechado swap cambial de R$ 157 bilhões com a China, agora vê o yuan avançar também nas suas relações com Moscou. O movimento transforma a moeda chinesa em peça central das trocas sul-sul e coloca o dólar em rota de retração em áreas vitais para a segurança alimentar e energética do planeta.

Fertilizantes: o elo mais sensível

Entre todos os setores, os fertilizantes representam o ponto mais estratégico da nova relação. A Rússia é, ao lado de Belarus, um dos maiores fornecedores globais de potássio, nitrato de amônio e ureia. Em 2024, mais de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil vieram da Rússia, sustentando a produção de grãos no Centro-Oeste.

A partir de 2025, contratos de importação passaram a ser liquidados em yuan. Isso significa que parte da cadeia de insumos agrícolas brasileiros — base da soja, milho, café e carnes que alimentam o mundo — já não depende mais do dólar.

Para a Rússia, isolada financeiramente por sanções após a guerra da Ucrânia, o yuan se tornou a válvula de escape perfeita; para o Brasil, a mudança traz vantagens práticas, mas também riscos estratégicos.

Energia e grãos: o dólar perde espaço

O mesmo processo se repete em outros setores. Compras brasileiras de diesel e óleo refinado russos já começaram a ser liquidadas em yuan, evitando o uso de bancos americanos e europeus. Da mesma forma, lotes de trigo russo, destinados a complementar a produção interna, também passaram a circular sob contratos denominados em moeda chinesa.

Essas movimentações, somadas ao peso dos fertilizantes, consolidam uma tendência: o dólar está sendo isolado das cadeias essenciais Brasil–Rússia, o que reforça a autonomia financeira entre os dois países e dá fôlego às metas de integração monetária do BRICS.

O papel da China: o yuan como moeda-pivô

Embora o comércio seja bilateral, a engrenagem depende de um terceiro ator: a China. O yuan tornou-se a moeda preferencial não apenas por seu peso econômico, mas porque Pequim oferece infraestrutura bancária e liquidez capazes de sustentar grandes operações internacionais.

Na prática, Moscou vende fertilizantes, energia e grãos; Brasília paga em yuan; e Pequim fornece os canais financeiros que tornam a operação possível.

O resultado é um triângulo geopolítico: Rússia fornece, Brasil consome e China financia — todos sem passar pelo dólar.

O alerta em Washington e Bruxelas

Para os Estados Unidos, o avanço do yuan nas exportações russas ao Brasil é visto como mais um sinal de que a hegemonia do dólar enfrenta erosão silenciosa. O temor é de que a prática se espalhe para outros emergentes, reduzindo a capacidade americana de impor sanções financeiras.

Na União Europeia, o cenário é duplamente preocupante. Primeiro porque a UE já compete com o Brasil no setor agrícola e vê com receio qualquer vantagem de custo nos insumos. Segundo porque, ao perder espaço para o yuan, bancos europeus ficam de fora de contratos bilionários em setores estratégicos.

Impactos diretos no Brasil

Para o Brasil, a mudança traz vantagens imediatas:

  • Redução de custos e burocracia: contratos em yuan eliminam intermediários em dólar e reduzem taxas cambiais.
  • Segurança de abastecimento: mesmo sob sanções, a Rússia garante fornecimento de fertilizantes e energia ao Brasil.
  • Competitividade agrícola: acesso a insumos mais baratos e estáveis fortalece o agronegócio brasileiro, motor das exportações.

Mas também existem riscos:

  • Nova dependência: o Brasil fica ainda mais vinculado à China, já que depende do yuan para suas importações russas.
  • Vulnerabilidade geopolítica: em caso de tensões maiores entre China e EUA, o Brasil pode ser pressionado a escolher lados.
  • Opacidade financeira: a falta de conversibilidade plena do yuan limita a transparência das operações.

O BRICS como escudo monetário

A adoção do yuan nas exportações russas ao Brasil também se conecta ao fortalecimento do BRICS. O bloco discute a criação do BRICS Pay, um sistema de pagamentos alternativo ao Swift, capaz de sustentar transações em moedas locais.

Embora a ideia de uma “moeda única” tenha sido descartada, o avanço do yuan e o apoio de países como Rússia e Arábia Saudita mostram que a estratégia de fragmentar a hegemonia do dólar está em curso.

Nesse cenário, o Brasil surge como peça-chave: é quem mais importa fertilizantes da Rússia, é parceiro central da China no agronegócio e é ponte para a América Latina.

O futuro do dólar no comércio de insumos

Especialistas divergem sobre até onde essa tendência pode ir. Alguns acreditam que o dólar continuará dominante, já que ainda responde por quase 80% das transações globais. Outros, no entanto, argumentam que o objetivo de Moscou e Pequim não é substituir o dólar, mas reduzir gradualmente seu espaço em setores críticos.

E nesse jogo, fertilizantes, grãos e energia são alvos perfeitos: sem eles, não há segurança alimentar nem produção agrícola. Se o yuan domina essas cadeias, Pequim e Moscou ganham influência desproporcional no tabuleiro global.

Ao aceitar pagar em yuan pelas exportações russas, o Brasil colhe benefícios imediatos: insumos mais baratos, menos dependência do dólar e fortalecimento do BRICS. Mas a médio prazo, a pergunta é inevitável:
o país está ganhando autonomia ou apenas se tornando ainda mais dependente da órbita chinesa?

O que é certo é que, em 2025, o dólar perdeu mais uma batalha silenciosa. E dessa vez, o campo de guerra foram os fertilizantes, a energia e os grãos que sustentam o Brasil e alimentam o mundo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Economia

Banco Central do Brasil firmou acordo bilionário com a China para uso do yuan — em movimento que aumenta pressão sobre a hegemonia do dólar; VEJA VALOR

Em maio de 2025, o Banco Central do Brasil anunciou um acordo histórico com o Banco Popular da China: um swap cambial equivalente a R$ 157 bilhões (US$ 27,7 bilhões), válido por cinco anos. A operação, à primeira vista técnica, é na verdade um marco geopolítico. Mais do que garantir liquidez em situações de crise, o swap acelera o uso do yuan no comércio bilateral e sinaliza ao mundo que o Brasil está disposto a diversificar sua dependência do dólar.

Esse movimento coloca o país no centro da disputa entre duas potências: de um lado, os Estados Unidos, que ainda dominam 80% das transações globais com sua moeda; do outro, a China, que busca consolidar o yuan como referência internacional em contratos de energia, commodities e tecnologia.

O que é um swap cambial — e por que esse importa tanto

Um swap cambial é um acordo entre dois bancos centrais que permite a troca de moedas por um valor pré-determinado, funcionando como um “colchão de liquidez”.

Se uma crise cambial atingir o Brasil, por exemplo, o Banco Central pode recorrer ao yuan diretamente, sem depender de dólares intermediários.

No entanto, o acordo de 2025 não é apenas uma linha de defesa contra crises. Ele reflete a estratégia chinesa de ampliar o uso de sua moeda no comércio global e criar alternativas ao sistema financeiro dominado por Washington. Para o Brasil, abre-se a oportunidade de reduzir custos de transação, dar mais competitividade ao agronegócio e à mineração, e aumentar a resiliência em tempos de instabilidade cambial.

O  peso da China no comércio brasileiro

A relevância do yuan cresce porque a China já é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 157 bilhões, com superávit recorde para os brasileiros.

Produtos como soja, minério de ferro, petróleo e carne representaram a maior parte das exportações, enquanto o Brasil importou principalmente insumos industriais e tecnologia.

O dado mais simbólico é que, no primeiro trimestre de 2025, 41% do comércio entre Brasil e China já foi liquidado em yuan, um índice histórico. Isso significa que empresas brasileiras estão pagando e recebendo diretamente na moeda chinesa, sem precisar passar pelo dólar — algo impensável há poucos anos.

O alerta de Washington

Nos Estados Unidos, o avanço do yuan é visto como um desafio direto à supremacia do dólar. A moeda americana ainda domina as reservas internacionais e é usada em cerca de 80% das transações de câmbio.

Mas cada acordo que fortalece o yuan em países estratégicos — como Brasil, Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes — é interpretado como um passo na erosão lenta, porém consistente, da hegemonia americana.

Autoridades em Washington já expressaram preocupação. O temor é que, ao reduzir a dependência do dólar, países como o Brasil também diminuam sua vulnerabilidade a sanções e pressões financeiras dos EUA, criando uma rede paralela de transações globais.

Europa em compasso de espera

Se os EUA soam o alarme, a União Europeia observa com cautela. Bruxelas teme que, ao fortalecer acordos financeiros com a China, o Brasil deixe de priorizar negociações com o bloco europeu — que já sofre desgaste nas conversas sobre o acordo Mercosul–UE.

Além disso, a transição para moedas alternativas no comércio global ameaça a competitividade das empresas europeias, que operam sob regras mais rígidas e menos flexíveis do que as chinesas.

Conexão com os BRICS e a desdolarização

O swap não pode ser analisado isoladamente. Ele é parte de uma estratégia mais ampla dos BRICS, que vêm discutindo há anos alternativas ao dólar.

Em 2024, o grupo anunciou a expansão para incluir Arábia Saudita, Egito e Irã, e reforçou o debate sobre o BRICS Pay, um sistema de pagamentos que permitiria transações multilaterais em moedas locais.

Embora a criação de uma “moeda única dos BRICS” ainda pareça distante, a soma de acordos bilaterais, como o swap Brasil–China, constrói na prática um sistema multipolar de pagamentos, onde o dólar perde espaço gradualmente

Os impactos diretos no Brasil

Para o Brasil, os efeitos imediatos do swap são claros:

  • Agronegócio: exportadores de soja, carne e açúcar terão mais facilidade para fechar contratos em yuan, reduzindo custos e volatilidade.
  • Mineração: o minério de ferro e o níquel, vendidos em larga escala para a China, podem ser liquidados em moeda chinesa, facilitando operações de longo prazo.
  • Energia: com os novos projetos de petróleo e hidrogênio verde, o yuan pode se tornar referência em contratos energéticos.
  • Sistema financeiro: bancos brasileiros ganham acesso direto a reservas em yuan, fortalecendo a estabilidade cambial em tempos de turbulência.

O risco da nova dependência

Mas nem tudo são vitórias. Economistas alertam que trocar a dependência do dólar por uma dependência do yuan pode gerar novos problemas.

A moeda chinesa ainda não é totalmente conversível, e o mercado financeiro do país continua sob forte controle estatal. Isso significa que, em cenários de crise, o acesso ao yuan pode depender mais de decisões políticas de Pequim do que de mecanismos automáticos de mercado.

Em outras palavras: o swap amplia a autonomia frente aos EUA, mas pode aumentar a vulnerabilidade frente à China.

Especialistas divergem sobre até onde o yuan pode avançar. Alguns acreditam que, sem abertura plena do sistema financeiro chinês, ele dificilmente substituirá o dólar. Outros, porém, apontam que não é necessário substituir para desafiar: basta conquistar fatias crescentes do comércio global.

Com o Brasil como parceiro estratégico, a China mostra que está disposta a usar diplomacia, investimentos e finanças para fortalecer sua moeda. Cada contrato assinado em yuan é uma vitória simbólica e prática na disputa pelo futuro do sistema monetário internacional.

Yuan, dólar e real

O acordo de R$ 157 bilhões coloca o Brasil no epicentro de uma batalha monetária que definirá as próximas décadas. Ao mesmo tempo em que amplia suas opções e reduz custos, o país também se aproxima ainda mais da órbita de Pequim.

A grande questão é: o Brasil será capaz de usar o swap como trunfo estratégico, diversificando suas parcerias sem se prender a um único polo de poder? Ou estará apenas trocando uma dependência histórica pelo risco de uma nova armadilha financeira?

De qualquer forma, uma coisa é certa: em 2025, o Brasil deixou de ser apenas observador para se tornar protagonista da disputa global entre dólar e yuan.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Economia

Governo lança linha de R$ 12 bilhões do BNDES e da Finep para difusão de equipamentos 4.0 na economia

Iniciativa contempla investimentos em máquinas e equipamentos que contenham robótica, inteligência artificial, computação na nuvem, sensoriamento, comunicação máquina a máquina e internet das coisas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 25 de agosto, em Brasília (DF), a ampliação dos recursos disponíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o financiamento de projetos de difusão de máquinas e equipamentos 4.0 na economia.

Com incentivos que mesclam a Taxa Referencial (TR) e custos de mercado, o orçamento da linha Crédito Indústria 4.0 em 2025 é de R$ 12 bilhões. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também acompanhou o evento no Palácio do Planalto.

A medida é para bens de capital: máquinas e equipamentos que vão fazer com que a indústria ganhe competitividade e reduza custos. Vai modernizar o parque industrial brasileiro. E esses R$ 12 bilhões serão com juros entre 7,5% e 8% mais o spread. São juros bem mais em conta para a modernização do parque industrial”
Geraldo Alckmin
Vice-presidente da República e titular do MDIC

“A medida é para bens de capital: máquinas e equipamentos que vão fazer com que a indústria ganhe competitividade e reduza custos. Vai modernizar o parque industrial brasileiro, que tem uma média de 14 anos de idade. E esses R$ 12 bilhões serão com juros entre 7,5% e 8% mais o spread. São juros bem mais em conta para a modernização do parque industrial, com melhora de eficiência energética e redução de custos”, ressaltou Alckmin.

O presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, destacou que a medida é “fundamental, porque não tem crescimento e emprego sem investimento, e o investimento precisa de inovação”. “Essa é uma linha de crédito que vai direto na competitividade, na produtividade e na eficiência. No setor que tem mais P&D [pesquisa e desenvolvimento], que mais precisa inovar, e que irradia isso para toda a indústria e para toda a economia”, afirmou.

A medida é resultado da Resolução nº 5.232, de julho deste ano, do Conselho Monetário Nacional, que ampliou para até 2,5% do saldo dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) sob gestão do BNDES que podem financiar projetos ao custo da TR.

FORTALECIMENTO – A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, pontuou que a nova iniciativa representa o fortalecimento da soberania. “Essa resolução vai dar o impacto que nós todos desejamos: entrar naquilo que é base para o crescimento, que é o chamado capital bruto fixo. Ou seja, máquinas, equipamentos, e mais, nas indústrias de base tecnológica, que incorporem tecnologias portadoras do futuro, como é o caso do sensoriamento, de IA, de internet das coisas e de robótica”, disse.

Na cerimônia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abordou os esforços governamentais para fomentar a indústria em diferentes frentes. “Nós estamos tendo que inovar muito no Brasil de hoje, porque muitas portas se fecharam para a indústria ao longo dos últimos anos. É impressionante a quantidade de políticas públicas que foram sendo desmontadas ao longo dos anos, a começar pelo não enfrentamento do maior desafio de todos da indústria, que foi a reforma tributária”, afirmou, lembrando que no primeiro ano do atual governo foi aprovada a maior reforma tributária da história do país.

MODERNIZAÇÃO – No BNDES, a linha Crédito Indústria 4.0 tem R$ 10 bilhões e pretende impulsionar a agenda de modernização industrial e dos serviços tecnológicos, contribuindo para alavancar a indústria 4.0 e ampliar a produtividade e a digitalização.

ÁREAS CONTEMPLADAS – São objeto da iniciativa os investimentos em bens de capital que incorporem tecnologias em robótica, inteligência artificial, computação na nuvem, sensoriamento, comunicação máquina a máquina e internet das coisas (IoT), entre outras, todos credenciados no BNDES. A iniciativa é parte do eixo de inovação e digitalização do Plano Mais Produção, que integra a Nova Indústria Brasil.

“Não tem crescimento e emprego sem investimento, e o investimento precisa de inovação. Essa é uma linha de crédito que vai direto na competitividade, na produtividade e na eficiência. No setor que tem mais P&D [pesquisa e desenvolvimento], que mais precisa inovar, e que irradia isso para toda a indústria e para toda a economia” 
Aloízio Mercadante
Presidente do BNDES 

ESTÍMULO – A Finep complementa a ação, seguindo no propósito de reduzir as assimetrias regionais e estimular a indústria nacional de bens de capital, alocando R$ 2 bilhões de crédito à sua linha Difusão Tecnológica exclusivamente para empresas que precisem modernizar seu parque industrial localizado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

PRODUTIVIDADE – “Com a nova linha para aquisição de máquinas e equipamentos 4.0, o BNDES reforça o compromisso com o aumento da produtividade e a difusão tecnológica na economia, eixos fundamentais da Nova Indústria Brasil”, disse o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL – Segundo Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, a participação da Finep, com o aporte de mais R$ 2 bilhões, reforça a parceria com o BNDES e contribui para a redução das assimetrias regionais, a partir do apoio a empresas de menor porte nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

CONJUNTO – No lançamento, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira, comemorou mais essa ação para fortalecer o desenvolvimento do país. “Quero parabenizar pela linha que está sendo anunciada hoje, porque vai ao encontro a tudo que o governo vem fazendo desde que retomou o Brasil, desde que a gente retomou esse processo de desenvolvimento, que é de fato ter um projeto para o desenvolvimento nacional”, declarou.

MPMEs – A partir da mistura (blend) entre TR e taxas de mercado, o custo financeiro da linha não ultrapassará 8,5% ao ano, beneficiando mais projetos, principalmente de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que verão a redução, em média, de 6% das taxas atualmente pagas em financiamentos. Todos os bancos credenciados ao BNDES estarão aptos a repassar os recursos.

CRITÉRIOS – Para aquisição de máquinas e equipamentos 4.0, MPMEs com projetos de até R$ 50 milhões, terão acesso a financiamento na forma indireta, por meio da rede credenciada de instituições do BNDES. Para médias e grandes empresas com projetos no valor de até R$ 300 milhões, o financiamento será feito diretamente com o BNDES. O Banco também apoiará fabricantes de máquinas e equipamentos 4.0 na comercialização de seus equipamentos credenciados, no valor de até R$ 300 milhões.

PAPEL CENTRAL – A indústria de máquinas e equipamentos desempenha papel central na difusão tecnológica para o aumento da produtividade em toda a indústria. Estudos mostram que o parque fabril brasileiro ainda opera com maquinário antigo, com idade média de 14 anos, o que reduz a produtividade. No Brasil, 38% dos equipamentos industriais estão próximos ou além do ciclo de vida ideal estabelecido pelos fabricantes. A defasagem tecnológica aumenta custos de manutenção, consumo energético e impacta negativamente a competitividade do país.

Fonte: Planalto

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Economia

Governo arrecadou R$ 6,554 bilhões com IOF em julho; alta é de 13% ante 2024

O aumento é decorrente da elevação das alíquotas estabelecidas por decreto presidencial

A Receita Federal informou que a arrecadação com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em julho de 2025 foi de R$ 6,554 bilhões, um crescimento real de 13,05% ante o mesmo mês de 2024. O aumento é decorrente da elevação das alíquotas estabelecidas por decreto presidencial.

No acumulado de janeiro a julho deste ano, foram arrecadados R$ 43,517 bilhões com IOF, uma alta real de 9,42% em relação a igual período do ano passado. O total recolhido nos primeiros sete meses foi de R$ 1,679 trilhão.

A Receita listou a alta no IOF como componente da arrecadação total do acumulado do ano. “Elevação da arrecadação do IOF, em razão de alteração na legislação do tributo – Decretos 12.467/25 e 12.499/25”, destacou o Fisco.

Fonte: InfoMoney

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Economia, Exportação, Finanças, Informação, Tributação

Consumidor e empresas americanas reclamam de taxação contra o Brasil, diz economista

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos

Em entrevista, o economista Roberto Gianetti analisa os impactos da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil: “Ninguém sabe dizer o que vai acontecer amanhã”. O especialista destaca que pode ocorrer um efeito de acomodação dos fluxos de comércio, e dá ênfase a setores mais vulneráveis, como a indústria de peixe no Nordeste.

“O consumidor americano e as empresas americanas que importam nossos produtos estão reclamando com tanta veemência em Washington, que em algum momento eles vão ter que ceder. Essa é a nossa expectativa, o problema não é só nosso”, pontua ainda.

Após as tarifas, setores da economia buscam novos mercados para tentar substituir os parceiros comerciais. Apesar da estratégia, o cenário é pessimista — uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria revela que o setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos.

Fonte: R7

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Economia

Bancos perdem quase R$ 42 bi em valor de mercado com temor de Lei Magnitsky

Movimento se dá após decisão de Dino que gera impasse sobre o cumprimento das sanções econômicas a Moraes pelas instituições financeiras

Cinco dos principais bancos do Brasil totalizaram perdas de R$ 41,98 bilhões em valor de mercado no pregão de terça-feira (19), impactados pelos receios de punições caso cumpram a Lei Magnitsky.

As ações derreteram depois da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino de que leis ou decisões judiciais estrangeiras só podem ser cumpridas no Brasil caso sejam validadas pela Justiça brasileira.

O parecer alarmou o mercado por sinalizar que poderia haver punição aos bancos que cumprirem a determinação da Lei Magnitsky aplicada pela Casa Branca a Alexandre de Moraes que, entre outras proibições, restringe as movimentações financeiras do ministro pelas instituições financeiras.

Segundo levantamento feito por Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, os cinco bancos que foram mais afetados pela tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos no pregão da véspera foram Itaú Unibanco, BTG, Bradesco, Banco do Brasil e Santander. Veja abaixo:

Além dos bancos, ao ampliar o leque para todas as empresas listadas na B3, as perdas totalizaram R$ 88,44 bilhões em um único dia.

Impasse

Dino esclareceu por meio de novo despacho nesta terça-feira (19) que a regra que impede a aplicação de leis e decisões judiciais estrangeiras no Brasil não é válida para tribunais internacionais dos quais o país é signatário.

Isso significa que a validação da Justiça brasileira é exigida somente para leis e decisões tomadas por tribunais estrangeiros comuns. Ou seja, decisões de Cortes das quais o Brasil faz parte, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos ou a Corte Internacional de Justiça (Haia), não serão afetadas.

Ainda assim, a decisão trouxe questionamentos sobre as consequências negativas para empresas brasileiras que operam nos Estados Unidos — como os bancos.

Ricardo Inglez de Souza, especialista em comércio internacional e direito econômico, alertou em entrevista ao WW para os possíveis impactos nas atividades comerciais internacionais.

Para o especialista, as empresas brasileiras se encontram em uma situação complexa: se cumprirem a decisão do STF, podem sofrer consequências nos Estados Unidos, o que impactaria suas atividades internacionais. Por outro lado, se seguirem as restrições impostas pelo governo americano, estariam descumprindo uma decisão da justiça brasileira.

O especialista ressalta que essa situação pode gerar uma crise que afetará principalmente o mercado financeiro brasileiro e outras empresas com operações internacionais, e o impacto pode ser especialmente significativo para companhias que mantêm relações comerciais regulares com os Estados Unidos.

Fonte: CNN Brasil

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Industria

Expectativa de crescimento da indústria em 2025 cai para 1,7%, diz CNI

Projeção de crescimento econômico continua em 2,3%. Agro e mercado de trabalho devem sustentar PIB em meio ao tarifaço

Pressionada pelos juros altos e o cenário externo turbulento, a indústria deve crescer menos em 2025. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (19), reduz de 2% para 1,7% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Por outro lado, a projeção para a agropecuária é de alta significativa, passando de 5,5% para 7,9%. O setor, somado a um mercado de trabalho aquecido, deve sustentar o crescimento de 2,3% do PIB mesmo em meio ao aumento das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras. 

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, ressalta que a composição do crescimento da economia para 2025 não deve ser tão positiva como no ano passado. 


“Quando abrimos os números, identificamos um problema: os setores mais próximos do ciclo econômico, como a indústria e os serviços, têm apresentado um dinamismo cada vez menor. Nesse cenário, a projeção para o PIB não mudou porque a safra agrícola foi maior do que imaginávamos e o mercado de trabalho continua bastante aquecido, mas a composição do crescimento não é tão positiva”, avalia. 


Confira o comentário completo do diretor:

Exportações devem cair mais de US$ 5 bi 

Embora o volume de exportações tenha crescido 2%, os preços das exportações caíram 2% entre janeiro e julho de 2025. Nesse cenário, as exportações totalizaram US$ 198 bilhões no período, ante US$ 197,8 bilhões entre janeiro e julho de 2024. 

Além disso, a imposição de uma tarifa de 50% para parte das exportações brasileiras pode desacelerar o fluxo de vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos. Nos sete primeiros meses do ano, o setor exportou US$ 19 bilhões para os EUA, 7% a mais do que no mesmo recorte do ano passado. Parte do resultado positivo se deve à antecipação de importações pelas empresas americanas como resposta à nova política comercial dos EUA. 

Em meio ao cenário externo incerto, a CNI diminuiu de US$ 347,3 bilhões para US$ 341,9 bilhões o valor previsto para as exportações brasileiras, uma queda de US$ 5,4 bilhões em relação ao Informe Conjuntural do 1º trimestre. 

“Grande parte da redução nas exportações se deve ao aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. É importante que essas taxas adicionais sejam reduzidas, pois as medidas compensatórias anunciadas pelo governo são positivas, mas não são capazes de substituir o mercado americano para um número grande de empresas e setores”, explica Mário Sérgio Telles.

Apesar dos riscos de desvio de comércio e do crescimento da compra de bens intermediários e de bens de capital no 1º semestre, as importações devem perder ritmo no restante do ano por causa da desaceleração da atividade industrial. Projeta-se que as importações atinjam US$ 285,2 bilhões e não mais US$ 283,3 bilhões, como previsto. 

Com isso, a balança comercial brasileira deve ser superavitária em US$ 56,6 bilhões em 2025, valor 14% menor do que no passado. 

Indústria de transformação vai crescer menos que o previsto

A indústria de transformação registrou resultados negativos no 1º semestre de 2025, depois de crescer 3,8% em 2024. A demanda por bens industriais não apresenta o mesmo ritmo do ano passado, o que impactou a produção e o faturamento do setor nos últimos meses. A CNI avalia que os juros altos, o ritmo aquecido das importações e a provável queda das exportações – por causa da nova política comercial dos EUA – vão restringir a atividade industrial. Por isso, projeta-se que o PIB da indústria de transformação deve subir 1,5% em 2025. Vale lembrar que a CNI previa crescimento de 1,9% para o setor. 

Para o diretor de Economia da CNI, a perda de ritmo da indústria de transformação é preocupante. “Mesmo com várias medidas acertadas, como a Nova Indústria Brasil e o Programa de Depreciação Acelerada, o crescimento da indústria de transformação deve cair muito em comparação ao ano passado. Isso se deve, principalmente, à taxa de juros elevadíssima e ao aumento das importações, em parte por causa da política comercial americana”, destaca Mário Sérgio Telles. 

Embora também sinta os efeitos da desaceleração econômica, a indústria da construção seguirá aquecida graças à continuidade dos projetos iniciados em 2024 e ao bom desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, cujos lançamentos cresceram 31,7% no 1º trimestre. Por isso, a CNI mantém em 2,2% a estimativa de crescimento do PIB do setor. 

A indústria extrativa também será um dos destaques positivos do crescimento econômico de 2025. Não à toa, a CNI dobrou de 1% para 2% a expectativa de alta do setor, principalmente pelo aumento da produção de petróleo. Já o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos teve sua previsão de alta mantida em 2,5%. 

As condições climáticas favoráveis, a produção animal e a safra recordes impulsionam a agropecuária, que deve liderar o crescimento da economia em 2025, com alta de 7,9%. Além disso, o setor é menos sensível ao ciclo econômico e, por ser voltado principalmente à demanda externa, seu mercado consumidor é bem menos afetado pelos juros elevados. 

O setor de serviços deve continuar apresentando ritmo de crescimento modesto ao longo do ano, e o mercado de trabalho aquecido e a expectativa de crescimento robusto do rendimento médio dos trabalhadores devem impedir uma retração do setor, cujo PIB deve subir 1,8% em 2025.

Mercado de trabalho vai crescer acima das expectativas 

A criação de empregos e a massa de rendimento dos trabalhadores cresceram acima das expectativas da CNI nos primeiros meses do ano. Para a segunda metade de 2025, o mercado de trabalho deve apresentar relativa estabilidade, uma vez que a economia deve crescer menos. O número de pessoas ocupadas deve aumentar 1,5% em 2025, 0,6 ponto percentual acima da projeção anterior.

Já a massa de rendimento real deve subir 5,5%, 0,7 ponto percentual a mais do que estimava o 1º Informe Conjuntural.  Com isso, a taxa de desocupação média deverá registrar o menor patamar da história pelo segundo ano consecutivo, ficando em 6%. 

Selic vai continuar igual e inflação cairá para 5%

Até julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,2% em 12 meses, situando-se acima da meta de 3%. No entanto, a inflação deve começar a ceder no 2º semestre, fechando o ano em 5%, acima do resultado de 2024, quando subiu 4,8%. 

A inflação atual, as expectativas para o IPCA e as incertezas do cenário externo devem contribuir para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano até o fim de 2025. A política monetária contracionista deve limitar a 5,8% o crescimento real das concessões de crédito, abaixo dos 10,6% de 2024. 

Governo deve cumprir meta de resultado primário

As despesas primárias do governo federal devem crescer 3,3% em 2025, ante uma elevação de 2,2% da receita líquida, já considerando a arrecadação extra por causa do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e pela antecipação dos leilões de áreas não contratadas do pré-sal. Com isso, o governo deve encerrar o ano com déficit primário de R$ 22,9 bilhões, o equivalente a 0,2% do PIB, respeitando o limite inferior da meta de resultado primário, que é de déficit de R$ 31 bilhões (0,25% do PIB). 

A dívida bruta deve subir de 76,5% do PIB, em 2025, para 79% do PIB, em 2025. Para a CNI, sem um controle mais rígido das despesas obrigatórias, não será possível reverter a trajetória de crescimento da dívida pública.

Fonte: Portal da Indústria

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Exportação

Exportações brasileiras crescem mais de 50% com recuperação econômica da Argentina

A recuperação econômica da Argentina tem alavancado as exportações brasileiras que, neste ano, já aumentaram mais de 50%.

Das 1.500 novas vagas abertas por uma montadora, em todo o país, 1.200 foram em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Esta unidade fabrica a maior parte dos carros exportados para a Argentina. E o nosso parceiro do Mercosul está comprando muito mais. O aumento nas exportações da montadora foi de 73% de janeiro a julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2024.

Valter Ferreira, diretor de planta da Fiat de Betim, afirmou: “A exportação para a Argentina contribui muito para esse crescimento. Com isso, de verdade, a gente abre oportunidades de emprego, de desenvolvimento, é um importante momento para o polo de Betim, sim.”

As exportações brasileiras para a Argentina passaram dos dez bilhões de dólares nos sete primeiros meses do ano, uma alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. Esse resultado foi impulsionado pelas vendas da indústria automobilística, que mais que dobraram (+116%).

O Brasil também exportou para o país vizinho mais máquinas e equipamentos industriais (+36%) e aparelhos elétricos (+43%). Reflexos, segundo analistas, da melhora da economia argentina.

Quando o presidente Javier Milei assumiu, em dezembro de 2023, ele promoveu um grande ajuste econômico. Cortou gastos públicos, privatizou estatais e desvalorizou o peso, que vinha sendo controlado artificialmente.

A pobreza atingiu mais da metade dos argentinos em 2024, mas agora diminuiu para 38% da população. Já a inflação mensal, que bateu em 25,5% na posse de Milei, despencou para 1,9% agora em julho.

O professor de economia Roberto Dumas diz que o acordo com o FMI, que vai liberar 20 bilhões de dólares em empréstimos, é sinal de que as coisas estão entrando nos eixos por lá.

Roberto Dumas, professor de economia do Insper, explicou: “A inflação antes do Milei, nos últimos dez anos, bateu 12 mil por cento e o Milei logrou cortar vários gastos públicos, tanto é que agora eles estão em superávit fiscal.”

É bom também para o Brasil, que tem na Argentina o seu terceiro maior parceiro comercial, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Uma relação antiga, fortalecida desde a criação do Mercosul, e que continua agora, mesmo com as trocas de hostilidades e diferenças políticas entre Javier Milei e o presidente Lula.

O professor de Relações Internacionais Vinícius Rodrigues Vieira explica que, mesmo quando há desavenças entre governos, os negócios entre os países podem ser mantidos e ampliados.

“Isso é um efeito do Mercosul. O Mercosul torna a relação comercial Brasil-Argentina imune a disputas ideológicas. Milei e Lula claramente não se dão bem, mas nenhum deles, nem o lado brasileiro nem o lado argentino, vai desafiar o Mercosul a ponto de acabar com ele. Eles querem a continuidade do Mercosul como está. Por quê? Eles sabem que uma Argentina melhor, mais estabilizada, voltará a ter produtos competitivos aqui no mercado brasileiro”.

Já em relação ao tarifaço de Donald Trump, que está num impasse, os especialistas têm repetido que o Brasil precisa fortalecer os laços diretos com parceiros antigos e procurar novos mercados.

“É importante que o Brasil esteja firme com vários parceiros. Com a Argentina, principalmente, porque tem maior valor agregado”, diz Dumas.

Vinícius acrescentou: “O Brasil precisa ir além do Mercosul. Buscar acordos bilaterais com seus parceiros do Mercosul, mas com o olho principalmente nos mercados emergentes como a Ásia e, claro, um mercado maduro que também está sofrendo com tarifaço, que é a União Europeia.”

Fonte: G1

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Economia

Tendência é de dólar mais fraco e moedas emergentes em alta, diz Goldman Sachs

Relatório do banco avalia que cortes graduais do Fed e juros elevados em países como Brasil e África do Sul favorecem estratégias de carry trade em emergentes

O dólar tende a perder valor nos próximos meses porque a economia dos Estados Unidos não sustenta mais a alta precificação da moeda, afirma o Goldman Sachs em relatório enviado ao mercado na sexta-feira (15).

No documento, os analistas dizem que a fraqueza recente do mercado de trabalho reforça essa leitura, o que pode abrir espaço para uma queda gradual da moeda em relação a outros ativos globais. A expectativa é de que o simpósio anual de Jackson Hole, promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e que ocorrerá neste ano entre 21 e 23 de agosto, traga discursos semelhantes aos do ano passado, quando Jerome Powell e outros membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) evitaram sinalizar um caminho fechado para os juros antes da divulgação dos próximos dados de emprego e inflação.

Para o banco, quem espera um sinal mais direto de política monetária no encontro pode se frustrar. O Goldman Sachs observa que os discursos recentes das autoridades do Fed e os números divulgados até agora mantêm espaço para cortes adicionais na taxa de juros de curto prazo.

Os estrategistas citam ainda que o dólar pode continuar a ter um desempenho inferior em relação a outros ativos cíclicos, já que parte do Fomc defende uma postura de cortes mais graduais por conta da contração da oferta de trabalho. Esse movimento, segundo os analistas, sugere um ritmo mais baixo de criação de empregos e crescimento potencial reduzido, o que pesa sobre a moeda.

Os especialistas do Goldman Sachs escrevem que os dados de inflação da semana passada ajudam a entender que os preços ao consumidor não devem limitar as decisões do Fed. Já os números do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) sinalizam um ambiente de negócios volátil e incerto.

Outro fator que pesou no mercado de câmbio foi a especulação de que o relatório mensal de emprego poderia ser suspenso. Apesar do esclarecimento posterior da Casa Branca, a questão da governança institucional nos Estados Unidos voltou ao radar dos investidores de moedas e pode levar a uma depreciação adicional do dólar conforme gestores globais reconsideram sua posição em ativos considerados porto seguro.

Na leitura do banco, parte da queda do dólar na semana também esteve ligada à baixa liquidez e a fatores externos, como as apostas em uma possível alta de juros pelo Banco do Japão (BoJ). A instituição avalia que a ajuda de eventos externos tende a ser cada vez mais necessária para que a trajetória de depreciação da moeda americana se mantenha, já que os preços atuais estão menos favoráveis para movimentos mais rápidos.

Moedas de mercados emergentes

Em relação às moedas de mercados emergentes, o Goldman Sachs nota que agosto tem sido positivo. A valorização tem sido mais forte entre as moedas de maior retorno em juros, como o real e o rand sul-africano, que ainda são considerados subavaliados e sensíveis ao comportamento do yuan chinês.

Já as moedas asiáticas, de maneira geral, ficaram para trás, e o peso mexicano mostrou desempenho inferior ao de outras moedas de alto retorno. De acordo com o relatório, isso se explica pela maior dependência da economia mexicana da demanda dos Estados Unidos, além do fato de a moeda estar mais próxima de seu valor justo.

O banco explica que, mesmo com cortes de juros ao longo do ano no México, o peso seguiu relativamente estável, o que se deve a fatores externos mais relevantes para sua cotação. A leitura é de que o Banco do México deve reduzir o ritmo de cortes e que a moeda seguirá reagindo de forma mais sensível às variações dos rendimentos dos títulos norte-americanos. O Goldman Sachs diz que, se o mercado precificar novos cortes do Fed, a moeda mexicana pode se beneficiar em parte, mas ainda vê melhores oportunidades em outras divisas emergentes.

No caso do real e do rand, os analistas afirmam que há espaço para ganhos adicionais, já que as duas moedas continuam com retorno elevado e mantêm forte correlação com o yuan. A expectativa é que estratégias de carry trade (operações em que investidores buscam lucrar com a diferença de juros entre países) sigam atraentes enquanto o crescimento dos Estados Unidos ficar abaixo da tendência, sem sinais de uma recessão global mais acentuada.

Fonte: InfoMoney


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Economia

Dólar cai de 70% para 58% nas reservas mundiais enquanto novo ‘dólar’ da China avança e altera comércio brasileiro

É o fim do dólar? Entenda como o novo “dólar” da China pode impactar o Brasil e seus investimentos. Especialistas analisam a ascensão do yuan no comércio global e os riscos e oportunidades para a economia brasileira

O avanço do novo “dólar” da China — o yuan — no comércio internacional está acendendo um alerta entre economistas e investidores. Empresas brasileiras, como a Chilli Beans, já anunciaram que vão abandonar o dólar em operações de importação e adotar a moeda chinesa diretamente. O movimento reflete uma tendência global de diversificação cambial, acelerada após sanções dos Estados Unidos contra a Rússia.

Atualmente, o dólar representa 54% do comércio mundial e domina o mercado financeiro, mas perde espaço em reservas internacionais e pagamentos globais. Já o yuan, embora responda por apenas 2% das reservas globais e 7% das transações cambiais, cresce de forma constante e estratégica. Para especialistas, esse cenário coloca o Brasil em uma posição única — e potencialmente vantajosa — nas disputas comerciais entre EUA e China.

A ascensão do yuan e o reposicionamento global

De acordo com dados recentes, o dólar caiu de 70% para 58% na participação das reservas cambiais mundiais desde o início dos anos 2000. Nesse mesmo período, o yuan passou a integrar oficialmente as reservas internacionais, ganhando força no comércio asiático e em operações bilaterais.

O professor de economia internacional ouvido pela reportagem lembra que a história das moedas hegemônicas é cíclica: a libra esterlina perdeu espaço para o dólar no século XX, e agora o avanço da China como maior potência industrial pode abrir caminho para o yuan. No entanto, a falta de transparência do sistema chinês e o controle estatal ainda geram desconfiança entre investidores globais.

Oportunidades e riscos para o Brasil

O Brasil é hoje o maior fornecedor de matérias-primas para a China e um parceiro comercial relevante para os Estados Unidos. Isso o coloca no centro de uma disputa que pode render ganhos estratégicos se o país souber negociar. Especialistas defendem que o Brasil deveria adotar uma postura de neutralidade e exigir contrapartidas — como transferência de tecnologia e instalação de indústrias locais — em troca do fornecimento de insumos.

Com os preços das commodities em alta e o real ganhando força, o país já sente impactos positivos: o índice EWZ, que mede a bolsa brasileira em dólar, cresceu 25,01% em 2025, superando os 9,64% do S&P 500 no mesmo período. Mesmo sem reformas fiscais significativas, o cenário externo tem favorecido a economia brasileira.

O investidor brasileiro nesse novo cenário

Para quem investe, a recomendação de analistas é diversificar a carteira internacional e se preparar para possíveis mudanças no sistema monetário global. A queda do dólar no Brasil abre oportunidades para compra de ativos externos a preços mais atraentes, mas a instabilidade geopolítica exige cautela.

A disputa cambial não será resolvida a curto prazo, e o Brasil precisa decidir se quer apenas reagir aos movimentos das potências ou atuar de forma ativa para se beneficiar desse realinhamento econômico.

novo “dólar” da China ainda está longe de substituir o dólar como principal moeda global, mas sua expansão já influencia estratégias comerciais e investimentos. O Brasil, se bem posicionado, pode ser um dos grandes beneficiados — desde que alinhe política externa, setor industrial e interesses de longo prazo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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