Internacional

Senado discute avanços do Acordo Mercosul-União Europeia e prevê assinatura até dezembro

Após 25 anos de negociações, o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro das discussões no Senado Federal. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) realizou, na última terça-feira (21), uma audiência para avaliar as perspectivas de assinatura, ratificação e entrada em vigor do tratado, que deve ser oficializado ainda neste ano, segundo diplomatas envolvidos nas tratativas.

O tratado unirá dois blocos que somam mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de US$ 22 trilhões. A previsão é que sejam firmados dois textos: um acordo econômico-comercial provisório e outro acordo de parceria completo, sujeito à aprovação de todos os Estados-membros da União Europeia (UE). Ao abrir a sessão, o senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou a importância do debate para medir o “pulso” das negociações. “O propósito do Brasil não mudou, e esperamos que o da União Europeia venha ao encontro das nossas aspirações”, afirmou.

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, explicou que o acordo está em fase final de tramitação. A Comissão Europeia já encaminhou o texto ao Conselho Europeu, que deverá votar os dois instrumentos paralelos: o acordo de parceria completo, que exige a ratificação de todos os parlamentos nacionais, e o acordo comercial provisório, que depende apenas da aprovação do Conselho, por maioria qualificada. Pelo menos 15 dos 27 países europeus — representando 65% da população da UE — precisarão aprovar o texto. O Parlamento Europeu também deve validar o acordo por maioria absoluta. Quando o documento integral entrar em vigor, substituirá o acordo provisório.

Schuegraf ressaltou que o processo é complexo, devido à diversidade linguística e política dos 27 países europeus. Mesmo assim, ela destacou a importância estratégica da parceria: “Este acordo vantajoso abrirá oportunidades de crescimento sustentável e reforçará nossos valores comuns. Perder essa oportunidade seria um erro colossal, com reflexos para gerações futuras”, afirmou.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, informou por videoconferência que o Mercosul já está preparado para a assinatura. Segundo ele, o trabalho de tradução e revisão jurídica dos textos — em 24 idiomas — está sendo finalizado. “Se tudo correr bem, poderemos assinar ambos os textos no Brasil em meados de dezembro, antes do fim do ano”, explicou. O diplomata destacou que o acordo comercial poderá entrar em vigor rapidamente, enquanto a parte mais ampla, que exige a ratificação dos 27 países da UE, pode levar vários anos. No caso do Mercosul, a entrada em vigor será individual, conforme a aprovação dos parlamentos nacionais.

Costa e Silva observou que há mal-entendidos sobre o impacto agrícola do tratado. Segundo ele, a questão se tornou mais política do que técnica. “O Mercosul já cumpre todos os requisitos de qualidade exigidos e é o principal fornecedor de alimentos da Europa”, afirmou. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu que a agricultura ainda é um ponto de atrito, mas reforçou os benefícios mútuos: “Esse será o maior acordo comercial já assinado entre blocos. Todos terão ganhos — alguns imediatos, outros a longo prazo.” O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) complementou que a parceria deve ser vista sob uma ótica de benefício mútuo, com complementaridade entre os blocos: industrialização europeia e produção agroalimentar latino-americana.

A embaixadora da Dinamarca no Brasil, Eva Bisgaard Pedersen, afirmou que o país, na presidência rotativa do Conselho da União Europeia, atua para facilitar o consenso interno e espera a assinatura do acordo em dezembro. Ela destacou o papel da abertura comercial e da inovação no sucesso econômico dinamarquês, além da relevância da parceria com o Mercosul para diversificar cadeias produtivas. “Não acreditamos em protecionismo. O acordo entre os blocos pode ser um catalisador de crescimento e prosperidade em ambos os lados do Atlântico”, disse. Atualmente, a União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, responsável por 39% dos investimentos diretos, que ultrapassaram R$ 3 trilhões em 2023.

Ao final da sessão, a CRE aprovou requerimento do senador Esperidião Amin para realizar uma audiência pública sobre os impactos da nova Lei dos Estrangeiros de Portugal na comunidade brasileira residente no país.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Brasil e União Europeia fortalecem cooperação sanitária e avançam em facilitação de comércio

O Brasil e a União Europeia (UE) deram mais um passo importante na consolidação de sua parceria comercial e agropecuária. Nesta quinta-feira (23), o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, reuniu-se em São Paulo com o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, em um encontro de alto nível voltado ao avanço de temas sanitários e de facilitação de comércio. Também participaram da reunião o diretor do Departamento de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Billi, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, além de representantes da Comissão Europeia.

O encontro deu continuidade às negociações iniciadas durante a missão brasileira à União Europeia em outubro e resultou em avanços concretos na pauta sanitária bilateral. Um dos principais resultados foi o retorno do sistema de pré-listagem (pre-listing) para estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar carne de aves ao bloco europeu — uma medida que simplifica o processo de autorização e reforça a confiança mútua entre as partes. O Brasil também atendeu a pleitos europeus relacionados ao acesso a mercados, demonstrando disposição para equilibrar interesses e ampliar as oportunidades de comércio agrícola.

Durante o encontro, foram discutidos novos temas que seguirão em desenvolvimento, como a auditoria da União Europeia para avaliação do sistema brasileiro de pescados, a pré-listagem de estabelecimentos de ovos e carne bovina, o reconhecimento mútuo de produtos orgânicos, a regionalização de enfermidades e a certificação eletrônica e harmonização de certificações sanitárias. Essas iniciativas visam aumentar a transparência, simplificar os trâmites comerciais e fortalecer a segurança alimentar entre os dois mercados.

Brasil e União Europeia reafirmaram o compromisso com o diálogo contínuo e com a busca de soluções conjuntas para temas de interesse comum. Ficou acordada a retomada de um mecanismo permanente de alto nível para tratar dessas pautas, com a próxima reunião marcada para o primeiro trimestre de 2026. As discussões também abordaram as oportunidades e benefícios que poderão surgir com a eventual conclusão do acordo Mercosul–União Europeia, destacando o impacto positivo para agricultores brasileiros e europeus.

Ainda pela manhã, o secretário Luís Rua participou da abertura da Missão Empresarial Agroalimentar da União Europeia, evento que apresentou oportunidades de negócios e parcerias estratégicas entre empresários do setor agroalimentar dos dois lados do Atlântico. Ao encerrar as atividades, o Brasil reiterou seu compromisso com a previsibilidade, transparência e estabilidade nas relações com a União Europeia, reforçando a confiança mútua e o potencial de crescimento sustentável entre os parceiros.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional

Trump sinaliza reduzir tarifas à China, mas exige retomada da compra de soja dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que está disposto a reduzir as tarifas sobre produtos chineses, desde que a China adote medidas favoráveis em contrapartida. Segundo ele, o país asiático “terá que fazer coisas por nós também” para que as taxas sejam revistas.

Nas últimas semanas, Trump voltou a elevar as tarifas sobre importações chinesas, chegando a um aumento total de 100%, somado aos 30% já em vigor. A decisão reacendeu as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Soja volta ao centro das negociações comerciais

Entre as exigências de Trump está a retomada das compras de soja norte-americana pela China. O republicano pediu que os embarques retornem “ao menos aos níveis anteriores” e demonstrou otimismo quanto a um novo acordo comercial para reaquecer as exportações agrícolas dos EUA.

A China é o maior importador de grãos do mundo e, até recentemente, dependia fortemente dos produtores norte-americanos. No entanto, a guerra comercial deflagrada por Trump no início do ano reduziu drasticamente o volume negociado, abrindo espaço para outros fornecedores — principalmente o Brasil, que ampliou sua participação no mercado chinês.

Exportações dos EUA caíram quase 80%

De acordo com um relatório da American Farm Bureau Federation (AFBF), entidade que representa cerca de 6 milhões de agricultores norte-americanos, o volume exportado de soja dos EUA para a China caiu 78% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024.

O estudo, assinado pela economista Faith Parum, destaca que “entre junho e agosto, os Estados Unidos praticamente não enviaram soja para a China, e o país não comprou nenhuma soja da nova safra”.

Apesar da queda nas importações dos EUA, o relatório ressalta que a China manteve seu consumo de soja, substituindo os grãos americanos por produtos do Brasil, Argentina e outros países.

“Mesmo com preços competitivos, a China vem reduzindo sua dependência dos Estados Unidos, priorizando fornecedores alternativos”, aponta o documento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

Nigéria e Brasil firmam acordo de US$ 1 bilhão para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar

A Nigéria e o Brasil assinaram um acordo de cooperação de US$ 1 bilhão voltado à modernização da agricultura e ao reforço da segurança alimentar, marcando uma nova fase nas relações bilaterais entre a maior economia da África e a principal potência agroindustrial da América Latina.

O anúncio foi feito em Abuja, após reunião entre o vice-presidente nigeriano Kashim Shettima e o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin. O acordo prioriza a mecanização em larga escala, a transferência de tecnologia e a criação de centros de capacitação rural, com foco em fortalecer toda a cadeia de valor agrícola — desde a produção até o processamento. Atualmente, o setor emprega mais de 35% da força de trabalho nigeriana, mas responde por menos de 25% do PIB, devido à baixa produtividade.

Da subsistência à produção em escala

O projeto tem como base o modelo brasileiro “Mais Alimentos Internacional”, que impulsionou economias rurais na América Latina por meio de linhas de crédito, difusão tecnológica e cooperativas agrícolas.
Com o novo acordo, a Nigéria deverá receber centenas de tratores modernos, sistemas de irrigação e equipamentos de pós-colheita.

A formação técnica e o desenvolvimento de capacidades também são pilares centrais da parceria. Institutos agrícolas brasileiros colaborarão com universidades e escolas técnicas nigerianas na criação de currículos voltados à gestão do agronegócio, agricultura mecanizada e práticas sustentáveis adaptadas ao clima.

Segundo Shettima, a iniciativa representa “um marco na transição da Nigéria da agricultura de subsistência para uma agricultura comercial sustentável”, em sintonia com o objetivo do governo de atingir uma economia de US$ 1 trilhão até 2030.

Diversificação e atração de investimentos

Além do setor agrícola, o acordo abrange áreas como energia, defesa e infraestrutura. Especialistas interpretam a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação econômica, que coloca a agricultura como motor de emprego e alternativa à dependência das oscilações do petróleo.

Para o Brasil, a parceria representa um novo impulso nos mercados agrícolas emergentes da África. Empresas brasileiras dos ramos de fertilizantes, irrigação e engenharia agrícola devem ter papel essencial na execução do programa, abrindo caminho para novos fluxos de investimento Sul-Sul.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o sucesso do projeto dependerá de coordenação eficaz entre os governos federal e estaduais, de mecanismos claros de financiamento e de fiscalização rigorosa para evitar o mau uso dos equipamentos — problema que prejudicou iniciativas anteriores.

Ainda assim, a dimensão e o desenho da parceria Nigéria–Brasil trazem expectativas positivas. Com tecnologia, capacitação e crédito direcionado no centro da estratégia, o acordo pode transformar o cenário agrícola nigeriano e consolidar o país como fornecedor regional de alimentos.

Se plenamente implementado, o programa deverá aprofundar a diversificação econômica da Nigéria e reforçar seu protagonismo na transformação agrícola africana.

FONTE: Further Africa
IMAGEM: Reprodução/Further Africa

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Agronegócio

Farsul: País vive maior crise de crédito rural desde Plano Real, aponta Farsul

Os valores disponíveis para o Crédito Rural no Brasil estão cada vez mais escassos, indica um levantamento realizado pela Assessoria Econômica da Farsul. Há um movimento de retração nos recursos fazendo este ser o pior momento da história desde o Plano Real, em 1995. E o alerta dado pela Federação é de que ainda não chegamos ao ápice da crise.

Conforme os dados divulgados pela Farsul, somente no primeiro trimestre do período da atual safra 2025 – 2026 (jul-ago-set) já há uma queda de 23% nos recursos disponíveis de custeio na comparação com o ciclo anterior. Nos investimentos a queda é de 44%. Esse montante é referente a todo país, no Rio Grande do Sul os percentuais de retração são, respectivamente, 25% e 39%. “Portanto, não há uma diferença que aponte para cá o problema, é um quadro geral. Não estamos vivendo uma crise de crédito no Rio Grande do Sul, por conta de tudo que vivemos. Estamos vivendo uma crise de crédito no Brasil, a maior da história, seguramente”, comenta o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Luz explica que é normal a cada ano o anúncio do Plano Safra superar o anterior. “A agricultura cresce, então sempre o ministro do turno anuncia que o dele é o maior Plano Safra da história. Sim, mas isso é assim desde sempre, porque o agro cresce, a necessidade de dinheiro aumenta”, esclarece. Entretanto, o economista atenta que a maior parte desse recurso não é público, portanto, não é controlado. “75% do dinheiro não recebe um centavo de subsídio, então é natural que ele cresça. Só que nós estamos vivendo um momento diferente. Apesar do anúncio ter sido o do maior Plano Safra da história, estamos vendo a maior distância entre o que se anunciou e o que efetivamente se observou. Isso já no plano safra anterior. E o 2025/2026 ainda não terminou, mas, ele está bem pior do que do ano passado”, alertou.

A diferença entre o anunciado e realizado já aconteceu com frequência nos anos anteriores. “Mas, agora o que nós estamos vendo é algo completamente diferente de tudo. A queda é vertiginosa. Eu Não estou vendo somente uma diferença entre o anúncio e o realizado. Eu estou vendo queda no realizado”, diz Luz. Na prática, os recursos disponibilizados são inferiores ao período anterior. “Antes havia diferença entre o anúncio e o disponível. O anúncio era muito maior que a realidade, mas crescia efetivamente, não o montante anunciado, mas era maior. Agora não, agora há uma queda e grande do valor que é liberado. E isto é a primeira vez que estamos experimentando”, completa.

Para o economista, o resultado pode refletir diretamente nos números da safra que inicia. Há a possibilidade de menor tecnologia nas lavouras e pode, inclusive, impactar no tamanho das áreas cultivadas. “É uma situação mais extrema, mas como nós nunca experimentamos isso antes, entendemos que todas as possibilidades estão sobre a mesa” avalia.

Inadimplência

Atrelado a esse cenário, outro ponto de preocupação está na elevada inadimplência do setor. Em julho de 2025, a taxa de inadimplência estava em 5,14%, a maior registrada até então. “O recorde anterior, que tinha sido em 2017, tinha sido pouco mais de 3% e nos preocupa porque isso ainda está subindo”, alerta Antonio. A taxa com crédito controlado está em 1,86%, enquanto a de taxas de mercado atingiu 9,35%.

Em relação a inadimplência com juros livres, a péssima notícia é que o cenário está longe de ser estabilizado ou retrair, mas, pelo contrário. “O juro livre tem uma correlação com a Taxa Selic de 8 períodos atrás, ou seja, ainda não chegamos no fundo do poço da inadimplência. Vamos aumentar mais porque ainda temos efeitos de aumentos de juros anteriores. Existe uma defasagem entre a decisão do COPOM e o que acontece na economia. Inflação, inadimplência, tudo isso tem efeito defasado. Por isso que o Banco Central chama isso de Horizonte”, explica Luz.

“Uma decisão do COPOM hoje não é para resolver os problemas de hoje, é para resolver os problemas daqui 9 a 12 meses. Então, nós ainda estamos tendo o efeito não da Selic estável em 15%, mas, ela subindo ainda. Ou seja, ainda vai piorar a inadimplência antes de começar a melhorar”, afirma o economista-chefe.

O caminho, para Luz, começa com o Governo Federal anunciando planos exequíveis e enfrentando as questões da inadimplência e disponibilização de recursos de crédito. “Assim como o uso de mitigadores como seguro rural e Proagro que sofreram retrocessos enormes no Brasil nos últimos anos. A crise de confiança sobre o produtor ficou muito grande. Irá leva anos para levantar o seguro de novo”, exemplifica.

Alienação Fiduciária

A origem da inadimplência está relacionada aos juros, mas o aumento dela torna o crédito rural mais escasso e, consequentemente, a crise mais grave. “São duas coisas que caminham juntas, elas se retroalimentam”, destaca Antonio da Luz. “A inadimplência faz com que os bancos aumentem o seu nível de segurança. Só que para aumentar o seu nível de segurança, eles estimulam o aumento da inadimplência, porque o produtor não pega crédito. Ele não tem o que fazer, ele vai lá e vende o produto para comprar insumo e vem a inadimplir”, descreve.

Um dos reflexos está no aumento de exigências para liberação dos recursos. O sistema financeiro passou a utilizar a alienação fiduciária para aprovação e crédito. “O agravamento, em todo o Brasil, das questões ligas a adimplência de obrigações contraídas por produtores e alavancagem demasiada trouxe uma incerteza neste panorama e os bancos aproveitaram a ocasião para se utilizar de um instituto que é o da alienação fiduciária”, ressalta o diretor Jurídico da Farsul, Nestor Hein.

O advogado reforça a orientação da Federação aos produtores sobre a questão. “Temos alertado ao produtor que já está numa situação que não é boa, que está sujeito a licitudes de secas novamente. Qualquer problema que haja, ele poderá não ter o recurso e perder a sua propriedade. Então, que ele procure sempre tomar recursos por outra modalidade. Por hipoteca, por exemplo, ou outros meios que não a alienação fiduciária, que é um meio muito expedido, muito rápido e muito comprometedor do património”, destacou.

Hein faz questão de esclarecer que não se trata de uma crítica ao sistema financeiro ou ao instrumento. “A alienação fiduciária não é um mal. Ela se justifica, por exemplo, na compra de um automóvel, um bem que não tinhas e que se não o pagar, irá perder rapidamente. Agora, para quem não está nessa situação, é algo que não recomendamos. Não é nada contra o sistema bancário. Mas, se trata de uma atividade que é feita a céu aberto, sujeita a intempéries. Uma garantia tão larga não nos parece uma boa ideia e não aconselhamos”, justifica.

FONTE: Farsul
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agricultura

Brasil deve ter nova safra recorde de grãos em 2025/26, diz Conab

A expectativa é de um volume total de 353,8 milhões de toneladas

O recorde histórico da produção de grãos obtido em 2024/2025 deverá ser superado na próxima safra. É o que indica a 13ª edição da pesquisa “Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026”, divulgada nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladasO resultado é 1% maior do que os 350,2 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25 – volume recorde para o setor, até então.

“Na semana passada, apresentamos os dados do último levantamento da safra agrícola 24/25, quando anunciamos, com imenso orgulho, a maior safra da nossa história. Foi um aumento extraordinário e expressivo. Hoje,  vamos apresentar a perspectiva para a nova safra agrícola. Dia 14 de outubro, a Conab apresentará o primeiro dos 12 levantamentos para a próxima safra, com a possibilidade de um novo recorde”, anunciou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

Números Conservadores

De acordo com as perspectivas divulgadas hoje, o resultado será influenciado pelo aumento na área cultivada, que deve sair de 81,74 milhões de hectares na última safra para 84,24 milhões de hectares no ciclo agrícola 2025/26.

“Já a produtividade média nacional das lavouras está projetada em 4.199 quilos por hectare na temporada 2025/26, redução de 2% se comparada com 2024/25”, detalha o levantamento.

Segundo Pretto, as estimativas da Conab são apresentadas inicialmente com “números conservadores, em função da responsabilidade que a gente precisa ter”, mas dentro de uma real possibilidade. “Nossos números estão cada vez mais assertivos”, assegurou.

Soja e algodão

Com relação ao principal produto cultivado no Brasil, a Conab projeta, para a soja, aumento de 3,6% na produção, chegando, portanto a 177,67 milhões de toneladas na próxima safra. Na última colheita, foram colhidas 171,47 milhões da oleaginosa.

O resultado, se confirmado, resultará, novamente, em recorde de produção, influenciado pelo aumento da demanda global pelo produto.

A boa rentabilidade e a possibilidade de venda antecipada da produção de algodão têm favorecido essa cultura. A expectativa para a safra 2025/2026 é de um crescimento de 3,5% na área semeada. A produção deverá crescer 0,7%, alcançando o recorde de 4,09 milhões de toneladas.

Milho

No caso do milho, há uma expectativa de redução de 1% da colheita, na comparação com a safra 2024/25, mesmo havendo aumento de área cultivada nas primeira e segunda safra.

Segundo a Conab, esse movimento se deve à expectativa de aumento no consumo interno, “impulsionado principalmente pelo aumento da demanda do grão para produção de etanol, bem como pela perspectiva de maior demanda externa, diante de um possível redirecionamento das compras asiáticas do milho norte-americano para o milho sul-americano, em resposta ao aumento de tarifas impostas por importantes países importadores na Ásia”.

Apesar da maior área semeada, a produção estimada de milho, somadas as três safras, é de 138,3 milhões de toneladas. “A queda de produtividade decorre do patamar excepcional registrado na safra 2024/25, beneficiada por condições climáticas amplamente favoráveis”, justifica a companhia.

Arroz e feijão

A safra de arroz projetada para o próximo período indica tendência de retração da área cultivada nos principais estados produtores, saindo de 1,76 milhão de hectares em 2024/25 para 1,66 milhão de hectares no ciclo 2025/26.

O resultado decorre da ampliação da produção nacional e internacional registrada em 2024/25, o que acabou por gerar excedente de oferta e desvalorização do grão. É também esperada uma redução de 4,8% na produtividade média nacional, reflexo também do patamar excepcional registrado na última safra de 2024/25

No caso do feijão, é estimada uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que, segundo a Conab, assegura o consumo previsto no país.

Cenários adversos

Os números foram comemorados pela ministra substituta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

“As perspectivas são excelentes. O Brasil terá mais uma safra recorde, em um contexto de mudanças climáticas, crises geopolíticas, guerra comercial. Em um contexto bastante adverso, nossa agricultura vai seguir vencedora, produzindo alimentos para abastecer as famílias no Brasil e garantindo oferta de alimentos para o mundo”, disse a ministra.

Na avaliação de Fernanda Machiaveli, o cenário positivo será ainda mais favorecido pela estratégia das autoridades brasileiras em tentar manter mercados mercados ao mesmo tempo em que busca “outras possibilidades internacionais” para escoar uma produção.”cada vez mais sustentável, fortalecendo os sistemas produtivos biodiversos da Agricultura Familiar”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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Agricultura

Agricultores franceses contra o pacto UE-Mercosul e as tarifas de Trump

O principal sindicato dos agricultores franceses, a FNSEA, convocou para o próximo 25 de setembro uma jornada nacional de protesto contra o acordo comercial UE-Mercosul, as tarifas de Donald Trump e “as importações de produtos que não respeitam a regulamentação francesa”.

Assim anunciou em entrevista ao semanário Journal du Dimanche o secretário-geral do sindicato, Arnaud Rousseau, que voltou a se mostrar especialmente hostil ao acordo por considerar que a entrada na França de produtos latino-americanos, mais baratos e com diferentes normas de produção, pode prejudicar a produção nacional.

Esse anúncio acontece em pleno período de protestos nas ruas contra a austeridade na França. No último 10 de fevereiro se manifestou o movimento social Bloqueemos tudo e, neste dia 18, está prevista uma importante jornada de greve convocada pelos sindicatos.

Os protestos acontecem também em meio a uma instabilidade política. Nesta semana, a Assembleia Nacional derrubou François Bayrou como primeiro-ministro — o segundo a cair no hemiciclo em menos de um ano — e o presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou outro chefe de Governo, Sébastien Lecornu.

Esse aliado fiel de Macron deu sinais de querer suavizar o plano de austeridade de 2026, que havia levado as forças parlamentares a forçar a queda de Bayrou, como a retirada da polêmica supressão de dois feriados por ano. No entanto, os movimentos de protesto, como o do dia 18, continuam de pé.

A convocatória da FNSEA — um sindicato favorável à agricultura intensiva — acontece no momento em que o acordo comercial entre o bloco europeu e latino-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) está em fase de ratificação nos 27 parlamentos da UE. No papel, quase todos os deputados franceses se opõem a esse acordo.

Há quase dois anos, em janeiro de 2024, houve um grande movimento de protestos de pecuaristas e agricultores franceses que, além de denunciar o acordo UE-Mercosul, reclamavam da perda de competitividade devido a normas ambientais supostamente mais rígidas na França do que em outros países e ao excesso de burocracia.

Para tentar apaziguar esse descontentamento, a Assembleia Nacional aprovou no verão uma polêmica lei, chamada “Duplomb”, que chegou a reautorizar um pesticida, mas que, em meio a uma forte mobilização ecologista contra a medida, acabou sendo modificada pelos tribunais.

Fonte: El Economista

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Exportação

Exportações de grãos devem superar 16,5 milhões de toneladas em setembro

As exportações brasileiras de soja, milho e farelo devem fechar setembro em alta, segundo projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), divulgadas nesta quarta-feira (10.09). A estimativa para a soja em grão foi revisada de 6,75 milhões para 7,43 milhões de toneladas, avanço de 10,1% em relação à semana passada e de 43,9% sobre setembro do ano passado, quando foram embarcadas 5,16 milhões de toneladas. Apesar da revisão, o volume segue abaixo das 8,12 milhões de toneladas registradas em agosto, em linha com o ritmo mais lento da entressafra.

No milho, a previsão passou a variar entre 6,20 milhões e 7,73 milhões de toneladas, com média de 6,96 milhões, alta de 9,3% sobre a estimativa anterior e 6,2% acima do total exportado em setembro de 2024. A Anec ressalta que fatores logísticos podem reduzir o volume efetivamente embarcado.

O farelo de soja também ganhou fôlego, com a projeção ajustada de 1,94 milhão para 2,11 milhões de toneladas, crescimento de 8,8% frente à semana passada e de 30,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Até agosto, o acumulado do derivado já chegava a 17,43 milhões de toneladas.

Os dados de line-up, que refletem os carregamentos programados nos portos, mostram embarques de 2,27 milhões de toneladas de soja na semana de 7 a 13 de setembro, um salto de 43,7% frente à semana anterior. As maiores movimentações ocorreram em Santos, Paranaguá e São Luís/Itaqui. Para o milho, estão previstos 1,94 milhão de toneladas, alta de 19,7%, liderados por Santos, Barcarena e Santarém. Já o farelo deve atingir 418,4 mil toneladas, queda de 13,4% na comparação semanal, com destaque para Santos, Paranaguá e Aratu.

No acumulado de janeiro a setembro, considerando as estimativas deste mês, o Brasil deve alcançar 102,74 milhões de toneladas de soja em grão, 19,54 milhões de toneladas de farelo de soja e 30,10 milhões de toneladas de milho. Somando também o trigo, o total pode chegar a 153,9 milhões de toneladas no período.

A expectativa é de que setembro encerre com 16,5 milhões de toneladas embarcadas, alta de 23,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. A Anec alerta, no entanto, que os números podem variar até o fechamento do mês em razão de fatores climáticos, logísticos e operacionais nos portos brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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Agricultura

Brasil atinge novo recorde com 350 milhões de toneladas de grãos

Dados são da safra 2024/25, de acordo com a Conab

produção de grãos no Brasil bateu, novamente, recorde, atingindo a marca de 350,2 milhões de toneladas na safra 2024-25. O resultado representa, em termos de volume, uma alta de 16,3% na comparação com a safra 2023/24, quando foram colhidas 324,36 milhões de toneladas.

De acordo com o 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o resultado foi impulsionado, em especial, pela produção de soja, milho, arroz e algodão – responsáveis por 47 milhões das 49,1 milhões de toneladas colhidas a mais na safra atual, se comparada à anterior.

“Esse crescimento verificado na atual safra em relação ao ciclo 2023/24 é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada, saindo de 79,9 milhões de hectares na temporada passada para 81,7 milhões de hectares em 2024/25, bem como às condições climáticas favoráveis, sobretudo no Centro-Oeste, com destaque para o Mato Grosso”, inforna o boletim da Conab.

Segundo a companhia, o clima favorável influenciou a recuperação na produtividade média nacional das lavouras em 13,7%, sendo estimada em 4.284 quilos por hectare no atual ciclo, enquanto que em 2023/24 ficou em 3.769 kg/ha.

Soja

soja foi o produto mais cultivado, registrando uma produção recorde estimada em 171,5 milhões de toneladas. Este valor corresponde a uma alta de 20,2 milhões de toneladas na comparação com a safra anterior.

Esse “resultado histórico” reflete, segundo a Conab, o aumento da área semeada combinado com a melhora da produtividade média nacional das lavouras.

“Diante de condições climáticas mais favoráveis na maioria das regiões produtoras em relação a 2023/24, o desempenho médio nacional das lavouras no atual ciclo atingiu 3.621 kg/ha, o maior já registrado”, informou a Conab.

Goiás foi o estado que obteve a maior produtividade nesta safra, com 4.183 kg/ha. Já o Rio Grande do Sul, com 2.342 kg/ha, foi a unidade federativa que obteve o menor resultado, uma vez que suas regiões produtoras passaram por altas temperaturas e irregularidades nas precipitações a partir de dezembro até o fim de fevereiro.

Milho e algodão

Outro produto com resultado recorde foi o milho, considerando as 3 safras do grão, estimada em 6.391 quilos por hectare no atual ciclo.

“Com isso, é esperada uma produção total de 139,7 milhões de toneladas na safra 2024/25, aumento de 20,9% em relação a 2023/24 e a maior colheita do produto já registrada pela estatal”, detalha a companhia.

primeira safra tem uma produção estimada em 24,9 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 8,6% na comparação com a safra anterior. Com 97% da área colhida e 3% em maturação, a segunda safra deve registrar crescimento de 24,4% na produção, prevista em 112 milhões de toneladas.

terceira safra de milho está com as lavouras ainda em desenvolvimento. A expectativa é que resulte em uma produção de 2,7 milhões de toneladas.

É também esperado recorde na produção de algodão, com as lavouras produzindo 4,1 milhões de toneladas – resultado que representa alta de 9,7% sobre a safra anterior. Esse aumento decorre a alta de 7,3% da área semeada, bem como pelas condições climáticas favoráveis.

“No final de agosto, já estava colhida 72,8% da área e 27,2% encontrava-se em maturação”, detalhou a Conab.

Arroz e feijão

Com a colheita já encerrada, o arroz totalizou 12,8 milhões de toneladas produzidas. Resultado foi um “expressivo crescimento” de 20,6% sobre 2023/24. Trata-se, de acordo com a companhia, a 4ª maior já registrada, atrás dos volumes obtidos nas temporadas de 2010/2011, de 2004/2005 e de 2003/2004.

“O aumento reflete a expansão de 9,8% na área semeada e as condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor”, informou a companhia.

As três safras de feijão está estimada em cerca de 3,1 milhões de toneladas, o que garantirá o abastecimento interno do país.

Culturas de inverno

Com a semeadura já concluída, o trigo foi o produto que, entre as culturas de inverno, mais se destacou. Em termos de área, apresentou redução de 19,9% na comparação com a safra anterior, totalizando 2,4 milhões de hectares no atual ciclo.

Já em termos de produtividade, ele tende a apresentar uma recuperação, saindo de 2.579 quilos por hectare em 2024 para 3.077 kg/ha neste ano.

“Ainda assim, a produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas nesta safra, redução de 4,5% em comparação com a temporada passada”, destacou a Conab.

Fonte: Agência Brasil

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Agricultura

Área técnica do Mapa alerta para efeitos do fim da moratória da soja

Na avaliação da equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária, a suspensão do acordo pode prejudicar a imagem de sustentabilidade do grão brasileiro no exterior

A área técnica do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) elaborou um parecer listando eventuais efeitos da suspensão da chamada moratória da soja sobre as exportações brasileiras. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN.

Na avaliação da equipe do Mapa, a moratória da soja se tornou um instrumento de comprovação da sustentabilidade do grão produzido no Brasil. Por essa razão, a suspensão do mecanismo pode ser vista como um retrocesso pelos compradores internacionais.

“O Ministério da Agricultura e Pecuária informa que a nota técnica citada expressa uma análise preliminar e não corresponde a um posicionamento consolidado do ministério, como devidamente explicitado nas conclusões do referido documento”, diz o Mapa em nota enviada à CNN.

Em 18 de agosto, a Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu suspender, de modo preventivo, os efeitos da moratória da soja. Na ocasião, o órgão antitruste também resolveu instaurar um processo administrativo contra empresas e associações signatárias do acordo.

Uma semana depois, a Justiça Federal de Brasília derrubou em caráter liminar a decisão do Cade, restaurando a vigência do acordo.

A moratória da soja é um acordo privado entre grandes tradings e exportadoras do produto, que impede a comercialização do grão produzido em área desmatada da Amazônia Legal após 2008.

O trato foi firmado após a implementação do Código Florestal e, portanto, impede a compra do grão de áreas mesmo que o corte de vegetação tenha ocorrido obedecendo às leis.

O acordo divide o agronegócio. Por um lado, as tradings argumentam que a moratória foi responsável por frear o desmatamento, melhorando a imagem da soja do Brasil no exterior. Do outro, os produtores de soja criticam o acordo por entenderem que é uma conduta anticoncorrencial.

Fonte: CNN Brasil

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