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Contêiner cai sobre cabine de caminhão no Porto de Santos e deixa motorista ferido

Um contêiner caiu sobre a cabine de um caminhão e deixou um motorista, de 41 anos, ferido no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O caso é investigado pela Polícia Civil.

O acidente ocorreu na noite de segunda-feira (2), dentro do terminal da Brasil Terminal Portuário (BTP), localizado na Avenida Engenheiro Augusto Barata, no bairro Alemoa. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a estrutura caída sobre o veículo na área portuária.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o motorista ficou preso às ferragens após a estrutura atingir diretamente a cabine do caminhão durante a movimentação de cargas no pátio.

Motorista foi socorrido com fratura na perna

Quatro viaturas e 13 bombeiros atuaram na ocorrência para realizar o resgate. Após ser retirado do veículo, o homem foi atendido ainda no local.

De acordo com a corporação, ele apresentava sinais vitais estáveis e fratura em membro inferior. O motorista foi encaminhado à Santa Casa de Santos por uma unidade de suporte avançado do Samu.

Em nota, o hospital informou que a vítima deu entrada na madrugada de terça-feira (3), com ferimento na perna esquerda. O paciente permanece internado na enfermaria, sob cuidados da equipe de ortopedia, e não há previsão de alta. A instituição destacou que não pode divulgar mais detalhes devido à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Empresa confirma ocorrência e apuração interna

A Brasil Terminal Portuário (BTP) confirmou que o acidente aconteceu durante uma operação de movimentação de contêineres. Segundo a empresa, o motorista recebeu atendimento emergencial imediato e segue sob acompanhamento médico.

A concessionária informou ainda que as causas do acidente estão sendo apuradas.

Polícia Civil investiga o caso

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) comunicou que a Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

Conforme o boletim de ocorrência, uma das estruturas caiu sobre o caminhão durante a operação no pátio portuário. A perícia foi acionada e o caso registrado no Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos, sendo encaminhado à Delegacia do Porto de Santos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Redes sociais

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Naufrágio do século XIV expõe tesouro de porcelana da Dinastia Yuan em rota comercial asiática

Um naufrágio do século XIV localizado nas proximidades do estreito de Singapura trouxe à tona um vasto conjunto de porcelanas raras produzidas durante a Dinastia Yuan (1271–1368), período em que a China esteve sob domínio mongol. O achado foi divulgado nesta quarta-feira (04) por arqueólogos responsáveis pela escavação subaquática.

Segundo os pesquisadores, a carga preservada no fundo do mar oferece novas evidências sobre as rotas comerciais marítimas que conectavam a China ao Sudeste Asiático há cerca de 650 anos.

Escavação subaquática revela toneladas de cerâmica

Os destroços foram inicialmente identificados por equipes de arqueologia marinha. Após o mapeamento da área, mergulhadores iniciaram uma operação controlada de escavação, que permitiu a retirada segura de milhares de peças.

Ao todo, foram recuperadas aproximadamente 3,5 toneladas de fragmentos e artefatos cerâmicos. Entre os materiais, destaca-se um expressivo lote de porcelana azul e branca da Dinastia Yuan, item frequentemente presente em acervos museológicos, mas raramente encontrado em volume tão significativo em um único sítio arqueológico.

Estudos preliminares indicam que a embarcação partiu da China com destino a Temasek — antigo porto que mais tarde daria origem à atual Singapura. A descoberta reforça a importância estratégica da região no comércio asiático medieval.

Centros ceramistas e peças de alto valor

Entre os objetos resgatados estão tigelas, pratos e recipientes ornamentados com desenhos sofisticados. Muitas peças exibem representações de patos-mandarins em lagoas com flores de lótus, um motivo artístico recorrente na época.

Os especialistas identificaram ainda produtos oriundos de tradicionais polos ceramistas do sul da China, como Jingdezhen, reconhecida historicamente pela porcelana refinada, e Longquan, célebre pelos celadons — cerâmicas de tonalidade esverdeada bastante valorizadas.

Mais do que utensílios domésticos, essas porcelanas eram consideradas bens de prestígio. Por isso, comerciantes as transportavam em larga escala para abastecer mercados distantes, consolidando redes comerciais internacionais.

Comércio marítimo asiático antes da era moderna

A descoberta também impacta a interpretação histórica sobre o desenvolvimento de Singapura. Durante anos, prevaleceu a ideia de que a área teria sido apenas um modesto assentamento pesqueiro antes da chegada dos europeus.

O volume e a diversidade da carga, no entanto, indicam que Temasek já atuava como um polo relevante no comércio marítimo asiático no século XIV. O naufrágio evidencia uma rede ativa de trocas que conectava portos do oceano Índico e do Sudeste Asiático muito antes da globalização contemporânea.

Ao emergirem das profundezas, fragmentos de madeira e porcelana não apenas revelam um carregamento valioso, mas ajudam a reconstituir um período em que mercadores, culturas e economias já estavam interligados por extensas rotas marítimas.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Michael Flecker/Science Direct

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Como petróleo, ouro e bolsas reagiram após choques globais anteriores

Os recentes ataques dos EUA e de Israel contra o Irã provocaram forte volatilidade nos mercados globais, refletida em movimentos bruscos nos preços do S&P 500, do petróleo e do ouro.

Volatilidade inicial e declarações de Trump

O presidente Donald Trump afirmou que o conflito poderia durar “quatro a cinco semanas” ou até ser “perpétuo”, considerando os estoques de munições disponíveis, sinalizando que a instabilidade deve continuar. Na terça-feira, novas ofensivas elevaram o temor de uma guerra prolongada, provocando quedas acentuadas nas bolsas.

Padrão histórico de mercados após crises

Uma análise da Yahoo Finance sobre nove momentos de choque geopolítico recente — do Iraque em 1990 até a captura de Nicolás Maduro na Venezuela — revelou um padrão recorrente: os preços disparam nos primeiros dias, mas tendem a se normalizar semanas depois, mesmo em conflitos prolongados.

O exemplo mais recente ocorreu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, quando ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas provocaram alta imediata no petróleo e no ouro, e queda no S&P 500. Após 30 dias de negociação, os preços se inverteram: o Brent subiu quase 7,3% em um dia, mas caiu 0,6% em um mês; o ouro subiu 1,49% em um dia e caiu 1,39% após 30 dias; e o S&P 500, que caiu 1,13% no primeiro dia, subiu 5,70% em 30 dias.

Situação atual dos mercados

Nos ataques recentes ao Irã, o padrão inicial se mantém. Na última sexta-feira, o Brent fechou a US$ 72,48 por barril e saltou para US$ 78,16 na segunda-feira, alta de 7,8%. O ouro avançou quase 2,7% no mesmo período.

O S&P 500 iniciou a segunda-feira em queda, recuperou-se e terminou ligeiramente positivo, antes de registrar nova queda nas primeiras negociações de terça-feira. Analistas, no entanto, evitam previsões sobre os preços futuros.

Jim Smigiel, diretor de investimentos da SEI, alertou que “não temos informações suficientes sobre a duração do conflito ou seus impactos de longo prazo” e aconselhou investidores individuais a “respirarem e evitarem decisões drásticas”.

Mudanças de preços de curto prazo não indicam tendência mensal

Estudos históricos mostram que alterações de preços no primeiro dia de conflito raramente refletem o comportamento dos mercados após um mês. Eventos como a guerra Rússia-Ucrânia, a intervenção dos EUA na Líbia e a Guerra do Iraque em 2003 mostraram que, em menos de 56% dos casos, a direção inicial dos preços coincidiu com a observada após 30 dias.

Por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o ouro disparou 6,85% no primeiro dia e teve alta mais moderada de 2,28% em 30 dias. O petróleo subiu mais de 34% nos primeiros dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas terminou 30 dias depois com alta de apenas 1,53%.

Chris Verrone, da Strategas, reforçou que “o pico do petróleo ocorreu cerca de uma semana após a invasão da Rússia”, lembrando que essas flutuações iniciais são apenas indicativas e não determinam tendências duradouras.

Exceção histórica: invasão do Kuwait

O choque de 1990 com a invasão do Kuwait pelo Iraque foi uma exceção. O petróleo subiu 11,64% em um dia e quase 57% em 30 dias, enquanto o S&P 500 caiu 1,14% no primeiro dia e mais de 10% após um mês. No entanto, meses depois, os preços se recuperaram quando as forças aliadas expulsaram as tropas iraquianas.

Conclusão

A análise sugere que, embora choques geopolíticos causem fortes reações imediatas em petróleo, ouro e bolsas, os efeitos tendem a se estabilizar em semanas, com exceções notáveis. Para investidores, a lição é clara: observar tendências de curto prazo pode ser enganoso, e decisões prudentes devem considerar cenários históricos e risco prolongado.

FONTE: Finance Yahoo
TEXTO: Redação
IMAGEM: ATTA KENARE via Getty Images

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Paralisação no Estreito de Hormuz deixa 3.200 navios retidos e eleva frete a níveis recordes

A tensão entre Irã e a coalizão EUA-Israel provocou uma paralisação inédita no Estreito de Hormuz, com cerca de 3.200 navios presos na região. O valor do frete para VLCCs (Very Large Crude Carriers) do Oriente Médio para a China atingiu níveis teóricos extraordinários, chegando a US$ 423.700 por dia na segunda-feira, um aumento de US$ 205.600 em relação ao dia anterior. Especialistas alertam, porém, que confirmações de contratos a esses valores ainda não foram registradas.

Seguro marítimo suspende cobertura em guerra

Mais da metade dos maiores clubes P&I do mundo anunciou que deixará de oferecer cobertura contra riscos de guerra para navios que entrem no Golfo Pérsico a partir de 5 de março, encerrando automaticamente a proteção para embarcações em águas adjacentes. A medida aumenta significativamente os custos de viagem e deve levar armadores a optar por rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança.

Irã reforça controle sobre o estreito

Autoridades iranianas intensificaram a crise ao afirmar controle sobre o estreito. A mídia estatal citou comandantes dizendo que o Estreito de Hormuz está fechado e alertando que “os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular irão incendiar os navios” que tentarem passar. A declaração aumenta o receio do mercado sobre o bloqueio de 14 a 15 milhões de barris de petróleo por dia no Golfo Pérsico.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “os golpes mais duros” contra o Irã ainda estão por vir, sem indicar a duração da campanha militar.

Ataques afetam navios e infraestrutura

Os ataques iranianos já atingiram navios mercantes e instalações regionais. Pesquisas da Clarksons Research registram pelo menos seis navios danificados – entre eles Stena Imperative, Sea La Donna, Hercules Star, Ocean Electra, Skylight e MKD Vyom – além de múltiplos ataques a portos e unidades de energia. Um ataque a um porto em Bahrain na segunda-feira matou um trabalhador, feriu outros dois e danificou um petroleiro com bandeira dos EUA.

Mercado marítimo em alerta

Especialistas alertam que o bloqueio é mais uma paralisação motivada por risco do que um cerco formal. O estreito normalmente registra 80 a 100 travessias por dia, transportando cerca de um quinto do consumo global de petróleo, enquanto os gasodutos alternativos não possuem capacidade para suprir uma interrupção prolongada.

O impacto varia por setor:

  • Navios petroleiros: os VLCCs sofrem os maiores efeitos, com ganhos teóricos em recorde histórico, enquanto a atividade real deve permanecer limitada nos próximos dias.
  • Gás natural liquefeito (GNL) e GLP: mercados desestabilizados, com aumento de mais de 20% nas tarifas de transporte de GNL devido à parada em Ras Laffan e risco de choque similar para o GLP, que depende cerca de 30% do tráfego por Hormuz.
  • Contêineres: apenas 2% do tráfego passa pelo estreito, mas grandes linhas como MSC suspenderam reservas para o Oriente Médio, intensificando congestionamentos em Europa e Ásia.
  • Carga seca (dry bulk): menos impactada diretamente, mas sofre atrasos e congestionamentos secundários.

Segundo a Clarksons Research, 3.200 embarcações permanecem dentro do Golfo, representando 4% do tonelagem global, incluindo 112 petroleiros e 114 navios de contêineres; cerca de 500 navios aguardam nas costas de Emirados Árabes Unidos e Omã.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Navy

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Dia Nacional de Combate ao Contrabando: Receita Federal apreende R$ 69 milhões em todo o país

Entre 27 de fevereiro e 3 de março, a Receita Federal intensificou ações em diversas regiões do Brasil em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Contrabando, celebrado nesta terça-feira (3). As operações estratégicas reforçaram a fiscalização em fronteiras, portos, aeroportos, rodovias e centros logísticos, visando coibir práticas ilegais e proteger a economia nacional.

Operações em várias frentes

As ações alcançaram 37 localidades em todo o território nacional, contando com a participação de cerca de 450 servidores. O trabalho foi apoiado por drones, viaturas, equipes de cães farejadores K9 e caminhões, garantindo eficácia na repressão a ilícitos como contrabando, descaminho, pirataria, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo, lavagem e ocultação de bens.

Entre os destaques, no Aeroporto Internacional de Viracopos, foram apreendidos 16 canos de fuzil na sexta-feira (27/2). Em Foz do Iguaçu/PR, as operações resultaram na apreensão de R$ 4 milhões em mercadorias irregulares e 156 kg de substância semelhante à maconha. Em uma única abordagem a um ônibus, foram confiscados produtos avaliados em R$ 2,5 milhões, incluindo mais de 200 celulares e diversos medicamentos trazidos clandestinamente.

Impacto nacional e prisões

No total, as ações levaram à prisão de 14 pessoas e à apreensão de mais de 800 kg de drogas, reforçando a atuação contra organizações criminosas. Ao fim das operações, o saldo alcançou R$ 69 milhões em mercadorias apreendidas, sendo mais de R$ 25 milhões apenas em eletrônicos.

Cooperação entre órgãos públicos

Além da Receita Federal, a operação contou com a participação de órgãos de segurança e fiscalização, como Anatel, Polícia Militar do Ceará, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil de Pernambuco, Polícia Militar de Minas Gerais, Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Polícia Militar do Rio de Janeiro, Ministério Público do Rio de Janeiro e Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. A integração reforça a importância da cooperação entre entidades para proteger a sociedade, garantir a concorrência leal e combater o crime organizado.

O Dia Nacional de Combate ao Contrabando evidencia a atuação estratégica das autoridades brasileiras na defesa da economia e na segurança pública, com resultados concretos e impactos diretos sobre redes criminosas.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Internacional, Especialista, Exportação, Geopolítica, Importação, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Notícias, Transporte

Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Fraude em importações de alto-falantes é interrompida pelo MDIC por burla ao antidumping

Uma investigação do MDIC interrompeu uma fraude em importações de alto-falantes que estavam ingressando no Brasil com indícios de falsa declaração de origem para escapar da cobrança de direito antidumping aplicado contra a China.

A apuração foi conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e resultou no enquadramento dos produtos às medidas de defesa comercial em vigor.

Estrutura produtiva indicava origem chinesa

Durante a investigação, a Secex identificou que os insumos estruturais utilizados na fabricação dos alto-falantes em uma planta localizada na Índia — como bobinas e magnetos — eram integralmente provenientes da China.

Como há sobretaxa antidumping de 78,3% aplicada às importações chinesas desde 2007, a utilização desses componentes levantou suspeitas de tentativa de driblar a medida comercial por meio da alteração formal da origem do produto.

Após análise documental e verificação in loco no exterior, a área técnica concluiu que os alto-falantes devem ser considerados, de fato, como originários da China, ficando sujeitos à cobrança do direito antidumping.

Decisão publicada no Diário Oficial

O desfecho da investigação está formalizado na Portaria Secex nº 475/2026, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (25).

Os produtos analisados estão classificados nos subitens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, o resultado reforça o compromisso da Secex com a efetividade das medidas de defesa comercial e com a proteção da indústria nacional frente a práticas irregulares.

Histórico de investigações recentes

Nos últimos três anos, o MDIC concluiu 19 investigações relacionadas a possíveis tentativas de burla às regras de comércio exterior. Em 18 desses casos, foram adotadas providências para cessar as irregularidades ou concedidas aprovações parciais e condicionadas, quando cabível.

Desde 2023, as apurações envolveram produtos como ácido cítrico, aço GNO, alto-falantes, barras chatas de aço ligado, chapas off-set, escovas de cabelo, fios de náilon, laminados a frio de aço inoxidável, laminados de alumínio, objetos de louça para mesa, pneus agrícolas e pneus de carga.

As investigações alcançaram operações com origem declarada em países como Camboja, Hong Kong, Índia, Malásia, Taiwan, Turquia e Vietnã.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Assessoria de Comunicação/MDIC

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Empresa que comercializava dados do Siscomex firma acordo com a CGU e pagará multa de R$ 66 mil

A empresa que comercializava dados do Siscomex firmou um Termo de Compromisso com a Controladoria-Geral da União (CGU) após ser apontada por envolvimento em um esquema irregular de venda de informações do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

A ABK Comércio de Alimentos Ltda deverá pagar aproximadamente R$ 66 mil em multa, conforme previsto no acordo firmado com o órgão de controle.

Operação Spy revelou esquema de comercialização de dados

As apurações tiveram origem na Operação Spy, conduzida pela Polícia Federal, que identificou indícios de irregularidades relacionadas à venda de dados do Siscomex.

Com base nas investigações, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) instaurou processos administrativos para responsabilizar os envolvidos.

Publicação no Diário Oficial e base legal

A formalização do Termo de Compromisso foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em dezembro de 2025. A medida ocorreu após a CGU aceitar a proposta apresentada pela empresa, conforme as regras estabelecidas na Portaria Normativa CGU nº 155/2024.

No acordo, a companhia assumiu a obrigação de cumprir as condições impostas, sinalizando disposição em colaborar com o Estado e regularizar sua situação.

Aplicação da Lei Anticorrupção

A penalidade aplicada tem como fundamento a Lei Anticorrupção, que prevê sanções administrativas e civis a empresas envolvidas em atos lesivos contra a Administração Pública.

A legislação busca fortalecer a integridade pública, coibir práticas ilícitas e estimular a adoção de boas práticas empresariais, reconhecendo o papel do setor privado na prevenção e no combate à corrupção.

O MDIC destacou que a medida reforça o compromisso institucional com a legalidade e com a moralidade administrativa.

Canal para denúncias

A CGU disponibiliza o canal Fala.BR para o recebimento de denúncias relacionadas a irregularidades. O envio pode ser feito por meio de formulário eletrônico, inclusive de forma anônima, mediante a seleção da opção “Não identificado”.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Siscomex

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Operação em São Paulo investiga organização chinesa ligada ao PCC por lavagem de R$ 1,1 bilhão

Uma operação em São Paulo realizada nesta quinta-feira (12) mobilizou a Polícia Civil, o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda para desarticular uma organização criminosa chinesa ligada ao PCC, suspeita de lavagem de dinheiro por meio da comercialização de produtos eletrônicos. O esquema teria operado a partir da capital paulista, com alcance em todo o país.

As investigações apontam que o grupo movimentou ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, valor considerado expressivo pelas autoridades.

Empresas de fachada e notas fiscais pulverizadas

De acordo com os investigadores, as vendas eram realizadas por uma plataforma principal, enquanto os pagamentos eram desviados para empresas de fachada, utilizadas como contas de passagem. Na sequência, as notas fiscais eram emitidas por outras pessoas jurídicas, fragmentando as operações para dificultar o rastreamento dos recursos.

A polícia identificou que uma das empresas envolvidas pertence a um integrante do PCC, que atuava como laranja no esquema. O grupo também utilizava membros de facções criminosas como sócios ocultos e beneficiários de imóveis de alto valor, com o objetivo de ocultar e blindar o patrimônio.

Mandados são cumpridos em SP e SC

A ofensiva conta com cerca de 100 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que cumprem 20 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão em São Paulo e Santa Catarina.

Bens e valores são bloqueados pela Justiça

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) obtiveram na Justiça o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em ativos ligados à organização. Entre os bens bloqueados estão imóveis de luxo avaliados em pelo menos R$ 25 milhões, automóveis de alto padrão, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

As autoridades afirmam que a operação busca enfraquecer a estrutura financeira do grupo e avançar no combate à lavagem de dinheiro associada ao crime organizado.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TV Globo

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Aumento de navios abandonados no mar expõe crise global e riscos aos marinheiros

O aumento de navios abandonados no mar tem chamado a atenção de autoridades marítimas e sindicatos internacionais. Em meio a instabilidade geopolítica, sanções econômicas e ao avanço das chamadas frotas fantasmas, centenas de embarcações comerciais foram deixadas à deriva no último ano, afetando milhares de marinheiros mercantes ao redor do mundo.

Além dos impactos econômicos e ambientais, o fenômeno revela uma grave crise humanitária enfrentada por tripulações que ficam meses sem salário, comida adequada ou perspectiva de retorno para casa.

Vida à deriva e salários atrasados

Ivan (nome fictício), oficial de convés russo, relatou à BBC a situação vivida a bordo de um petroleiro abandonado em águas internacionais, próximo à China. Segundo ele, a tripulação enfrentou escassez de alimentos básicos e condições precárias de trabalho.

O navio transporta cerca de 750 mil barris de petróleo bruto russo, avaliados em aproximadamente US$ 50 milhões, e deixou o Extremo Oriente da Rússia com destino à China no início de novembro. Em dezembro, a embarcação foi oficialmente classificada como abandonada pela International Transport Workers’ Federation (ITF), após meses sem pagamento de salários.

Explosão nos casos de abandono marítimo

Dados da ITF mostram a dimensão do problema. Em 2016, apenas 20 navios haviam sido registrados como abandonados no mundo. Já em 2025, o número saltou para 410 embarcações, afetando 6.223 marinheiros — um crescimento de quase 30% em relação a 2024.

A organização aponta que conflitos internacionais, impactos remanescentes da pandemia de covid-19 e oscilações nos custos de frete pressionaram empresas de navegação, levando algumas a simplesmente abandonar suas tripulações.

Frotas fantasmas e sanções internacionais

Um dos principais motores desse avanço é a atuação das frotas fantasmas, compostas em geral por petroleiros antigos, com estruturas de propriedade pouco transparentes, sem seguro adequado e operando fora dos padrões de segurança.

Essas embarcações costumam navegar sob bandeiras de conveniência, registradas em países com fiscalização limitada, e são usadas para driblar sanções ocidentais impostas a nações como Rússia, Irã e Venezuela.

Após a invasão da Ucrânia, em 2022, a Rússia passou a enfrentar limites de preço para seu petróleo. Ainda assim, encontrou compradores como China e Índia, sustentando uma cadeia logística paralela que depende fortemente dessas frotas.

Bandeiras de conveniência ampliam riscos

As bandeiras de conveniência (FOCs) existem há mais de um século e permitem que armadores escapem de legislações mais rígidas. Atualmente, Panamá, Libéria e Ilhas Marshall concentram quase metade da tonelagem mundial de navios mercantes.

Nos últimos anos, porém, novos países passaram a oferecer esse tipo de registro. A Gâmbia, por exemplo, saiu de zero petroleiros registrados em 2023 para 35 embarcações no papel em menos de um ano, atraída pelas taxas cobradas.

Em 2025, 82% dos navios abandonados navegavam sob bandeiras de conveniência, evidenciando a correlação entre esse modelo e os casos de abandono.

O que caracteriza o abandono de marinheiros

Segundo a Organização Marítima Internacional (IMO), um marinheiro é considerado abandonado quando o armador deixa de pagar salários por pelo menos dois meses, não garante a repatriação ou interrompe o suporte básico à tripulação.

No ano passado, salários atrasados de tripulações abandonadas somaram US$ 25,8 milhões, de acordo com dados da IMO e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ITF conseguiu recuperar cerca de US$ 16,5 milhões desse total.

Nacionalidades mais afetadas e reação de governos

Os marinheiros indianos foram os mais impactados em 2025, com 1.125 casos, seguidos por filipinos e sírios. Em resposta, o governo da Índia colocou 86 navios estrangeiros na lista negra, após identificar abandono recorrente e proprietários impossíveis de rastrear.

Para sindicatos do setor, a responsabilidade recai sobre os Estados que permitem registros frágeis. Representantes do Nautilus International defendem maior rigor e um vínculo real entre armadores e países de bandeira, exigência já prevista no direito marítimo internacional, mas pouco aplicada na prática.

Cooperação internacional como saída

O petroleiro onde Ivan trabalha chegou a operar sob uma bandeira gambiana falsa e, posteriormente, foi aceito provisoriamente por outro país africano, que abriu investigação formal. A expectativa da ITF é que o impasse só seja resolvido após a transferência do petróleo para outra embarcação em alto-mar.

Enquanto isso, marinheiros seguem vulneráveis. Ivan afirma que, no futuro, terá mais cautela ao aceitar contratos, buscando informações sobre sanções, histórico do navio e condições de trabalho.

Especialistas avaliam que, sem maior cooperação internacional, os riscos associados às frotas fantasmas continuarão recaindo sobre quem sustenta o transporte marítimo global: os trabalhadores do mar.

FONTE: BBC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP via Getty Images

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