Agronegócio

Agronegócio brasileiro sustenta a balança comercial e responde pela maior parte do superávit

Os dados históricos deixam evidente o peso do agronegócio brasileiro na economia nacional. Entre 1997 e novembro de 2025, período considerado nas estatísticas disponíveis, apenas em 2005 e 2006 o superávit comercial total do país superou, de forma marginal, o saldo gerado pelo agro. Ainda assim, a diferença foi mínima e dentro de uma margem estatística pouco relevante.

Nos demais anos, o superávit do agronegócio foi amplamente superior ao resultado geral da balança comercial, exercendo papel decisivo para evitar déficits externos e garantindo fluxo de divisas ao país. Em 2024, esse protagonismo ficou ainda mais claro, quando o saldo do agro foi quase o dobro do superávit total brasileiro.

Exportações do agro seguem determinantes em 2025

Em 2025, a importância do setor se mantém em patamar elevado. Até novembro, as exportações do agronegócio representaram 48,85% do total exportado pelo Brasil, praticamente metade de tudo o que o país vendeu ao exterior.

O dado mais expressivo, porém, está no resultado da balança. O saldo comercial do agronegócio correspondeu a 136,36% do superávit geral, ou seja, mais do que o dobro do resultado total do país. Isso indica que outros segmentos da economia apresentaram déficits que foram compensados exclusivamente pelo desempenho do agro.

Impacto direto nas contas externas e na renda nacional

Os números mostram que, sem a contribuição do agronegócio, o Brasil enfrentaria dificuldades severas para honrar compromissos externos, importar insumos estratégicos e manter o equilíbrio das contas públicas. O efeito direto seria a redução da disponibilidade de recursos, com reflexos negativos sobre o crescimento econômico e o nível de renda da população.

Apesar desse papel central, o setor permanece no centro de debates e críticas dentro do próprio ambiente político nacional. O contraste entre a relevância econômica do agro brasileiro e o tratamento que recebe nas discussões públicas levanta questionamentos sobre os rumos futuros da economia sem sua principal âncora comercial.

BALANÇA COMERCIAL BRASIL: TOTAL E AGRONEGÓCIO (EXP. – IMP. – SALDO) (US$ BILHÕES)

1997:

TOTAL: EXP. 52,9 – IMP. 60,5 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 23,4- IMP. 8,2 – SALDO 15,2)

1998

TOTAL: EXP. 51,1 – IMP. 58,7 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 21,6 – IMP. 8,0 – SALDO 13,6)

1999

TOTAL: EXP. 47,9 – IMP. 50,2 – SALDO -2,3 (AGRO: EXP. 20,5 – IMP. 5,7 – SALDO 14,8)

2000

TOTAL: EXP. 55,0 – IMP. 57,0 – SALDO -2,0 (AGRO: EXP. 20,6 – IMP. 5,8 – SALDO 14,8)

2001

TOTAL: EXP. 58,0 – IMP. 56,6 – SALDO 1,4 (AGRO: EXP. 23,9 – IMP. 4,8 – SALDO 19,1)

2002

TOTAL: EXP. 60,2 – IMP. 48,3 – SALDO 11,9 (AGRO: EXP. 24,8 – IMP. 4,4 – SALDO 20,4)

2003

TOTAL: EXP. 72,8 – IMP. 49,3 – SALDO 23,5 (AGRO: EXP. 30,6 – IMP. 4,7 – SALDO 25,9)

2004

TOTAL: EXP. 95,1 – IMP. 63,8 – SALDO 31,3 (AGRO: EXP. 39,0 – IMP. 4,8- SALDO 34,2)

2005

TOTAL: EXP. 118,6 – IMP. 74,7 – SALDO 43,9 (AGRO: EXP. 43,6 – IMP. 5,1 – SALDO 38,5)

2006

TOTAL: EXP. 137,6 – IMP. 92,5 – SALDO 45,1 (AGRO: EXP. 49,5 – IMP. 6,7 – SALDO 42,8)

2007

TOTAL: EXP. 159,8 – IMP. 122,0 – SALDO 37,8 (AGRO: EXP. 58,4 – IMP. 8,7 – SALDO 49,7 )

2008

TOTAL: EXP. 195,8 – IMP. 174,7 – SALDO 21,1 (AGRO: EXP. 71,8 – IMP. 11,9 – SALDO 59,9)

2009

TOTAL: EXP. 151,8 – IMP. 129,4 – SALDO 22,4 (AGRO: EXP. 64,8 – IMP. 9,9 – SALDO 54,9)

2010

TOTAL: EXP. 200,4 – IMP. 183,3 – SALDO 17,1 (AGRO: EXP.76,4 – IMP.13,4 – SALDO 63,0)

2011

TOTAL: EXP. 253,7 – IMP. 228,0 – SALDO 25,7 (AGRO: EXP. 95,0 – IMP. 17,5 – SALDO 77,5)

2012

TOTAL: EXP. 240,0 – IMP. 225,2 – SALDO 14,8 (AGRO: EXP. 95,8 – IMP. 16,4 – SALDO 79,4)

2013

TOTAL: EXP. 232,5 – IMP. 241,5 – SALDO -9,0 (AGRO: EXP. 100,0 – IMP. 17,1 – SALDO 82,9)

2014

TOTAL: EXP. 220,9 – IMP. 230,8 – SALDO -9,9 (AGRO: EXP. 96,7 – IMP. 16,6 – SALDO 80,1)

2015

TOTAL: EXP. 186,8 – IMP. 173,1 – SALDO 13,7 (AGRO: EXP. 88,2 – IMP. 13,1 – SALDO 75,1)

2016

TOTAL: EXP. 179,5 – IMP. 139,3 – SALDO 40,4 (AGRO: EXP. 84,9 – IMP. 13,6 – SALDO 71,3)

2017

TOTAL: EXP. 215,0 – IMP. 159,0 – SALDO 56,0 (AGRO: EXP. 96,0 – IMP. 14,1 – SALDO 81,9)

2018

TOTAL: EXP. 231,9 – IMP. 185,3 – SALDO 46,6 (AGRO: EXP. 101,7 – IMP. 14,1 – SALDO 87,6)

2019

TOTAL: EXP. 221,1 – IMP. 185,9 – SALDO 35,2 (AGRO: EXP. 96,8 – IMP. 13,8 – SALDO 83,0)

2020

TOTAL: EXP. 209,2 – IMP. 158,8 – SALDO 50,4 (AGRO: EXP. 100,8 – IMP. 13,0 – SALDO 87,8)

2021

TOTAL: EXP. 280,6 – IMP. 219,4 – SALDO 61,2 (AGRO: EXP. 120,6 – IMP. 15,5 – SALDO 105,1)

2022

TOTAL: EXP. 334,5 – IMP. 272,7 – SALDO 61,8 (AGRO: EXP.159,1 – IMP. 17,2 – SALDO 141,9)

2023

TOTAL: EXP. 339,6 – IMP. 240,8 – SALDO 98,8 (AGRO: EXP. 166,5 – IMP. 16,6 – SALDO 149,9)

2024

TOTAL: EXP. 337,0 – IMP. 262,5 – SALDO 74,5 (AGRO: EXP. 164,4 – IMP. 19,3 – SALDO 145,1)

2025 (TOTAL até Novembro) (AGRO até Novembro)

TOTAL:EXP. 317,82-IMP. 259,98- SALDO 57,84 (AGRO: EXP.155,25 – IMP.18,54 – SALDO 136,71)

FONTE: Samir Keedi
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Agronegócio

Aberturas de mercado nos Emirados Árabes Unidos, em Gana e no Peru

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 511 aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com os Emirados Árabes Unidos, Gana e Peru, que permitirão ao Brasil exportar diversos produtos do agronegócio àqueles países.

Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de embriões bovinos. A decisão reflete o reconhecimento internacional à qualidade genética do rebanho nacional. Entre janeiro e novembro de 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram mais de US$ 2,3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros.

Em Gana, as autoridades aprovaram a exportação brasileira de bovinos vivos e sêmen bovino. A abertura fortalece a posição do Brasil como fornecedor de material genético de alto valor agregado, o que contribuirá para o aumento da produtividade do rebanho no país importador e para novas oportunidades de negócio para o setor brasileiro em termos de consultoria e assistência técnica. Com população estimada em 34 milhões de habitantes e demanda crescente por alimentos, Gana importou mais de US$ 315 milhões em produtos agropecuários brasileiros entre janeiro e novembro de 2025.

No Peru, as autoridades aprovaram a exportação de sementes de sorgo. As sementes brasileiras são reconhecidas internacionalmente por sua qualidade genética, alta taxa de germinação e sanidade, resultado de investimentos contínuos em pesquisa e inovação. Esses atributos contribuem para aumentar a produtividade e a segurança alimentar em países parceiros. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou mais de US$ 675 milhões em produtos agropecuários para o Peru.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 511 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Informação à imprensa
imprensa@agro.gov.br

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Agronegócio

Produção de laranja deve crescer 28% em 2026, enquanto soja mantém força e café enfrenta volatilidade, aponta Rabobank

Panorama do agronegócio brasileiro para 2026
O estudo “Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2026”, apresentado por analistas do Rabobank, projeta um avanço expressivo na produção de laranja, estabilidade para a soja e um cenário desafiador para o café. A estimativa é que a próxima safra cítrica registre um aumento de 28% frente ao ciclo atual, enquanto o agronegócio como um todo deve seguir com margens positivas, mesmo sob forte pressão macroeconômica.

Segundo cálculos do Cepea/Esalq-USP, em parceria com a CNA, o setor poderá movimentar R$ 3,79 trilhões em 2025, representando 29,4% do PIB, maior participação em mais de duas décadas. O dado considera o ecossistema ampliado que engloba serviços, logística, comércio e indústrias associadas.

Safras avançam em meio a desafios econômicos
O avanço do agronegócio ocorre em um ambiente de incertezas geopolíticas, juros de 15% ao ano, inflação acima de 5% e pressões fiscais internas. Mesmo assim, o Rabobank projeta que o Brasil siga competitivo.

Produção de laranja em forte recuperação
A produção de laranja deve alcançar 295 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2025/26, segundo o relatório — um salto de 28% sobre o ciclo anterior. Para Andrés Padilla, senior analyst do Rabobank, o aumento permitirá recompor estoques importantes para a indústria.

Entretanto, fatores como greening, volatilidade climática, escassez de mão de obra e altos custos de produção ainda limitam um resultado maior.

A produção de suco de laranja também deve reagir e chegar a 993 mil toneladas equivalentes de FCOJ, avanço de 29% em comparação a 2024/25 e acima da média da última década.

Com a nova safra, o preço da caixa de laranja recuou de R$ 92, em outubro de 2024, para cerca de R$ 50 no fim deste ano. O Rabobank avalia que a produtividade elevada tende a compensar parte dessa queda, mantendo o cenário favorável tanto para produtores quanto para a indústria.

Soja: impacto geopolítico entre EUA e China
A soja brasileira segue como protagonista no comércio global, mas deve ser impactada pelas negociações tarifárias entre Estados Unidos e China. As duas potências discutem alterações nas alíquotas, e o desfecho pode definir os prêmios da soja na safra 2025/26.

Nesta safra, o Brasil deve bater novo recorde, com 172 milhões de toneladas, sendo 111 milhões destinadas à exportação — 10 milhões acima do recorde anterior. A demanda chinesa, impulsionada por restrições comerciais com os EUA, permanece forte.

Contudo, um eventual acordo comercial entre americanos e chineses pode reduzir as compras de soja brasileira, pressionando preços internos. Ainda assim, isso pode tornar o produto mais competitivo para o mercado de esmagamento, que deve atingir 58 milhões de toneladas em 2025 e 60 milhões em 2026, impulsionado pela mistura obrigatória de 15% de biodiesel a partir de agosto de 2025.

Mantidas as condições atuais, o Rabobank prevê um novo recorde em 2026, com 177 milhões de toneladas.

Café: tarifas, clima e estoques elevam volatilidade
O mercado de café vive um período de intensa volatilidade, influenciado por tarifas, regras ambientais e estoques. Em 2024, os preços do arábica em Nova York oscilaram de US$ 4,38/lp em fevereiro para US$ 2,80/lp em julho, voltando a superar US$ 3,80/lp em outubro. O robusta seguiu tendência semelhante.

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro reduziu a competitividade do país e abriu espaço para Colômbia, Etiópia, Vietnã e América Central. Embora o Brasil busque diversificar mercados, ainda há incerteza sobre a retomada do espaço perdido.

O Rabobank projeta produção nacional de 62,8 milhões de sacas em 2026, com o arábica recuando 14% (38,1 milhões de sacas) e o robusta atingindo recorde de 24,7 milhões de sacas, alta de 10%.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Agronegócio, Exportação

Exportações do agro gaúcho caem 22% em novembro

As exportações do agronegócio gaúcho registraram queda de 22% em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2024. O valor embarcado caiu de US$ 1,69 bilhão para US$ 1,31 bilhão, enquanto o volume despencou 20%, de 2,4 milhões de toneladas para 1,92 milhão. A estiagem foi apontada como um fator que reduziu a oferta de grãos no período.

No total, o exportado pelo Rio Grande do Sul somou US$ 1,86 bilhão em novembro, sendo que o agronegócio representou 71% do valor e 88% do volume das vendas externas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Farsul.

Tarifas e impacto em produtos-chave

A entidade apontou que as tarifas adicionais dos Estados Unidos explicam grande parte das quedas em setores específicos:

  • Carne bovina in natura: queda de 100%
  • Carne bovina industrializada: -52% em valor e -62% em volume
  • Couros/peles de bovino crust: -68% em valor e -53% em volume
  • Couros/peles de bovinos preparados: -73% em valor e -65% em volume
  • Fumo e derivados: -56% em valor e -40% em volume
  • Pescados: -72% em valor e -74% em volume
  • Produtos apícolas: -63% em valor e -70% em volume
  • Madeira serrada: -54% em valor e -43% em volume

Soja e carnes: destaque positivo e negativo

A soja em grão foi a principal responsável pela retração nas exportações, mas outros produtos também registraram quedas. Entre as carnes, somente a carne bovina teve crescimento, com a China como principal destino, seguida por Rússia e Índia.

O mercado americano permanece de difícil acesso, mas o aumento das vendas para México e Canadá ajudou a compensar parte das perdas. As exportações de bovino vivo tiveram avanço expressivo, com 97% da produção destinada à Turquia.

Por outro lado, a carne de frango sofreu queda principalmente no Oriente Médio, em razão de atrasos nos embarques portuários. A carne suína apresentou bom desempenho nas Filipinas, mas registrou queda nas vendas para a China.

Perspectivas para 2026

O cenário para o arroz indica margens apertadas, com queda de 43% no valor exportado, mas apenas 2% no volume. Já o trigo apresenta sinais positivos, com exportações de US$ 21 milhões, comparado a nenhum embarque em novembro de 2024.

O fumo e seus derivados também registraram forte retração em valor (-20%), embora o volume tenha permanecido praticamente estável (-1%). A ausência de exportações para o Egito em 2025 gerou um rombo de US$ 107,3 milhões, parcialmente compensado pelo bom desempenho no mercado europeu.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Roberto Kazuhito Zito / Embrapa / CP

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Agronegócio

China deve bater recorde de importação de soja em 2025 com avanço das compras do Brasil

A China caminha para registrar um recorde de importação de soja em 2025, impulsionada principalmente pela forte demanda por grãos do Brasil e pela recente melhora no clima comercial com os Estados Unidos. Projeções apontam para cerca de 110 milhões de toneladas no próximo ano, refletindo a expansão contínua do consumo no mercado interno.

Importações sobem com apoio do Brasil e trégua com os EUA
Dados da Administração Geral das Alfândegas indicam que, só em novembro, o país asiático adquiriu 8,11 milhões de toneladas, volume 13,4% maior que o registrado no mesmo mês do ano anterior. Entre janeiro e novembro de 2023, as compras totais somaram 103,79 milhões de toneladas, alta de 6,9% na comparação anual.
Analistas afirmam que compradores anteciparam embarques da América do Sul diante do temor de escassez durante a guerra comercial com os EUA, o que impulsionou especialmente a demanda pelo grão brasileiro.

Projeções otimistas para 2025
As expectativas permanecem positivas. Especialistas estimam que o volume total importado pela China pode alcançar 112 milhões de toneladas em 2025, superando a máxima histórica. De acordo com Rosa Wang, analista da JCI, mesmo com o desempenho moderado de novembro, a tendência é de avanço graças às fortes compras do Brasil e à retomada gradual das aquisições de soja norte-americana.

Relações comerciais ajudam a destravar compras dos EUA
A recente trégua comercial entre Washington e Pequim também tem influenciado o mercado. Após o diálogo entre líderes dos dois países em outubro, houve aceleração nas compras de soja dos EUA, especialmente pela estatal Cofco. Desde então, a empresa reservou cerca de 2,7 milhões de toneladas, embora ainda abaixo do volume desejado pela Casa Branca.

Mercado interno enfrenta estoques elevados
Mesmo com a demanda aquecida, o mercado doméstico chinês convive com estoques altos de soja e farelo, o que pressiona os preços. Segundo Wang Wenshen, analista da Sublime China Information, as importações de dezembro podem chegar a 8,6 milhões de toneladas, consolidando um ano de volumes historicamente altos. A oferta robusta convive com uma demanda igualmente forte, já que a China depende da soja importada para abastecer sua indústria de alimentos e de ração animal.

Perspectiva para o comércio internacional
O avanço constante das importações reforça a importância do Brasil como fornecedor estratégico e evidencia como os movimentos geopolíticos moldam o mercado global de soja. As projeções para 2025 indicam um cenário favorável para as exportações brasileiras, que devem continuar ganhando espaço no principal comprador mundial do grão.

FONTE: Money Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de Curitiba

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Agronegócio

Governo suspende lista que classificava a tilápia como espécie invasora após pressão do agronegócio

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente, suspendeu temporariamente a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, que incluía a tilápia, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira (4). A decisão ocorre após forte pressão de produtores e entidades do agronegócio, preocupados com possíveis impactos na piscicultura — a tilápia é atualmente o peixe mais cultivado do país.

A espécie, originária da bacia do rio Nilo, na África, é considerada exótica no Brasil e, segundo o ministério, tem sido encontrada em ambientes naturais fora das áreas de cultivo, característica que leva à classificação como espécie invasora devido ao risco de desequilíbrios ambientais.

Governo fará novas consultas antes de definir medidas

De acordo com a Conabio, a suspensão permitirá uma nova rodada de consultas com setores econômicos “para definir medidas adequadas de controle de escapes no ambiente natural, compatíveis com a atividade produtiva”.

O ministério ressalta que a lista tem caráter preventivo e não implica proibição, banimento ou restrição automática ao cultivo. O objetivo é possibilitar detecção precoce de invasões biológicas e reduzir riscos à biodiversidade nativa.

O governo, porém, não divulgou oficialmente a lista completa — o g1 solicitou o documento, mas não obteve retorno. No site do Ministério do Meio Ambiente, apenas exemplos isolados estavam disponíveis, como abelha africanizada, manga, goiabeira e javali.

Inclusão da tilápia gerou impasse dentro do governo

A classificação da tilápia como invasora também provocou divergências internas. O Ministério da Pesca e Aquicultura preparou um parecer pedindo a retirada da espécie da lista, segundo Juliana Lopes da Silva, diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União.

Para o setor, a medida poderia gerar impactos como:

  • Aumento de custos: licenciamento ambiental mais caro;
  • Dificuldades na exportação: risco à imagem do Brasil em negociações internacionais;
  • Insegurança jurídica: falta de legislação específica para produção de espécies invasoras;
  • Atraso em novas licenças: abertura de criadouros ficaria mais demorada.

Por que a tilápia foi classificada como invasora

Especialistas reforçam que a tilápia reúne características típicas de uma espécie com alto potencial de invasão. O professor Jean Vitule, da UFPR, aponta quatro principais motivos:

  • Comportamento territorialista, que interfere na fauna nativa;
  • Predação: por ser onívora, compete por recursos com espécies locais;
  • Alteração do ecossistema, afetando nutrientes e produtividade dos lagos;
  • Escapes frequentes de criadouros, inclusive para áreas de preservação.

Vitule relata que o peixe foi identificado até em ambientes marinhos, embora seja de água doce — uma prova da sua elevada resistência e capacidade de adaptação. As tilápias fugidas também podem carregar parasitas, contaminando peixes nativos.

Eventos climáticos extremos aumentam o problema. “Mesmo com tanques 100% seguros, situações como a cheia no Rio Grande do Sul no ano passado liberaram milhares de tilápias”, afirma o pesquisador.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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Agronegócio

SCRI celebra 20 anos com avanços históricos na internacionalização do agronegócio brasileiro

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), completou 20 anos dedicada a ampliar a presença do agronegócio brasileiro no mercado externo. Desde 2005, a pasta tem conduzido negociações sanitárias e fitossanitárias, articulado cooperação com parceiros estrangeiros, atuado em pautas tarifárias e de defesa comercial e coordenado ações estratégicas de inteligência e promoção comercial para fortalecer a competitividade dos produtos nacionais.

Nessas duas décadas, a SCRI estruturou ferramentas modernas de inteligência comercial, expandiu a rede de adidâncias agrícolas e consolidou a articulação entre governo e setor produtivo. Apenas na atual gestão, foram abertos 499 novos mercados e ampliados mais de 200, em parceria com órgãos como a Secretaria de Defesa Agropecuária, MRE, ApexBrasil e MDIC. As novas oportunidades já resultaram em mais de US$ 3 bilhões em exportações, com potencial estimado de US$ 33 bilhões nos próximos anos.

O secretário Luis Rua destacou o impacto da secretaria: “A SCRI nasceu para conectar o agro brasileiro ao mundo, mas nesses vinte anos fez ainda mais: transformou oportunidades externas em renda e dignidade para milhões de brasileiros.”

Comemoração reúne autoridades e ex-gestores
A celebração dos 20 anos ocorreu na sede do Mapa, em Brasília, na última sexta-feira (28), com a presença de autoridades, ex-secretários, servidores, representantes do setor privado e imprensa. Durante o evento, foi inaugurada a galeria dos ex-secretários, reconhecendo a contribuição de cada gestão para a política de acesso a mercados internacionais.

Entre os homenageados estão:
Elisabete Torres Serodio (2005-2006), Célio Brovino Porto (2006-2013), Marcelo Junqueira Ferraz (2013-2015), Tatiana Lipovetskaia Palermo (2015-2016), Odilson Luiz Ribeiro e Silva (2016-2019), Orlando Leite Ribeiro (2019-2022), Jean Marcel Fernandes (2022), Roberto Serroni Perosa (2023-2024) e Luís Renato de Alcântara Rua (2024-atual).

Também foi apresentado o painel da linha do tempo da SCRI, reunindo os principais marcos desde 2005.

Adidâncias agrícolas impulsionam a presença global do agro
Criadas em 2008, as adidâncias agrícolas se tornaram peça-chave na diplomacia comercial do agro. Os adidos acompanham negociações sanitárias, tratam diretamente com autoridades estrangeiras, promovem produtos brasileiros e identificam novas oportunidades.

A rede cresceu de oito postos iniciais para 40 adidâncias em 2024, em mercados estratégicos como China, Estados Unidos, União Europeia, Japão, Arábia Saudita, Índia, Vietnã, Etiópia, Chile, Turquia e Malásia, entre outros.

Exportações reforçam avanço da política de acesso a mercados
As ações da SCRI refletem no desempenho expressivo do Brasil no comércio exterior. Em 2024, o agronegócio exportou quase US$ 165 bilhões, mantendo o país entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e bioenergia. Em 2025, até outubro, as exportações cresceram 1,4%, apesar do cenário global desafiador.

Ferramentas de inteligência fortalecem exportadores
A secretaria coordena iniciativas voltadas a produtores, cooperativas e empresas que desejam acessar novos mercados. Entre os destaques lançados em 2025:

  • AgroInsight, com análises de inteligência e mapeamento de oportunidades produzidas pelos adidos;
  • Passaporte Agro, guia prático para exportadores sobre mercados recém-abertos;
  • Caravana do Agro Exportador, que leva capacitação e informações a diversas regiões do país.

Além disso, a SCRI atua em temas regulatórios, sustentabilidade, negociações tarifárias, divulgação do AgroStat e interlocução com organismos como OMC, FAO e OCDE.

SCRI mantém compromisso com expansão internacional do agro
Ao completar 20 anos, a SCRI reforça sua missão de ampliar e diversificar mercados, defender tecnicamente a produção agropecuária brasileira e garantir novas oportunidades para o setor. A secretaria segue comprometida em manter o Brasil como fornecedor confiável de alimentos, fibras e energia no cenário global.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

SC avalia programa para fortalecer cooperativas e agroindústrias

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina passou a analisar, no dia 27, o Projeto Coopera Agro SC, proposta enviada pelo governo estadual para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer cooperativas e agroindústrias. O programa cria até dez linhas de financiamento que totalizam R$ 1 bilhão, com condições especiais para agricultores integrados a cooperativas e agroindústrias.

Setor vê avanço histórico no acesso ao crédito

Para o Sindicarne, a iniciativa atende demandas antigas ao oferecer mecanismos reais de financiamento.
Segundo o diretor executivo Jorge Luiz de Lima, o programa chega em um momento crucial para estimular investimentos, ampliar a competitividade e dar segurança ao planejamento do setor. Ele destaca que o alto custo do crédito rural sempre foi um entrave ao desenvolvimento e que políticas que reduzam essas barreiras são essenciais para o crescimento sustentável.

Como o financiamento será estruturado

A operação financeira será viabilizada em parceria com o BRDE, por meio da emissão de Letras Financeiras de longo prazo. Do total previsto, R$ 200 milhões virão do Governo do Estado e R$ 800 milhões do setor privado.
Um dos diferenciais apontados pelo setor é a possibilidade de cooperativas e agroindústrias utilizarem créditos acumulados de ICMS para abater até 50% do investimento. Para Lima, essa inovação torna os projetos mais viáveis e coloca Santa Catarina em posição equivalente à de outros estados que já adotam modelos semelhantes.

Impacto econômico e geração de empregos

O Coopera Agro SC prevê taxas de juros próximas de 9% ao ano, prazo de pagamento de dez anos e carência de dois anos. Estimativas do governo indicam potencial de gerar R$ 26 bilhões em impacto econômico e criar 40 mil empregos diretos e indiretos.
Para Lima, esses números reforçam a importância estratégica do agronegócio catarinense e evidenciam a necessidade de políticas que valorizem pequenos e médios produtores, essenciais à estrutura cooperativista do estado.

Próximos passos na Alesc

A proposta será analisada inicialmente pela Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa e, em seguida, seguirá para a Comissão de Finanças.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Aurora Coop/Divulgação

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Agronegócio

China barra soja brasileira após contaminação: 69 mil toneladas rejeitadas

As autoridades chinesas bloquearam 69 mil toneladas de soja brasileira após identificarem trigo contaminado com pesticidas misturado aos grãos durante a inspeção do navio que levava o carregamento ao país asiático. Além da rejeição imediata, a China também suspendeu temporariamente cinco exportadores brasileiros, todos ligados a grandes companhias do agronegócio.
Os nomes das unidades afetadas não foram divulgados, mas a decisão evidencia a intensificação do controle de qualidade e da segurança alimentar exigidos por Pequim.

Impactos para o agronegócio

O episódio acende um alerta no momento em que o Brasil mantém forte dependência do mercado chinês, seu principal destino de soja. A medida pode gerar prejuízos financeiros, elevar o nível de desconfiança internacional e forçar uma revisão dos processos logísticos, especialmente no que diz respeito à limpeza de navios graneleiros e prevenção de contaminação cruzada.
A presença de trigo com resíduos de pesticida indica falhas em etapas como armazenamento, transporte ou embarque, arranhando a imagem dos produtores brasileiros e trazendo risco para futuras negociações.

Rastreabilidade e rigor sanitário em debate

O caso reacende discussões sobre rastreabilidade, monitoramento e modernização de sistemas de controle de carga. A pressão global por alimentos seguros e produção sustentável tem levado compradores como China e União Europeia a implementar regras mais rígidas.
Segundo analistas, a resposta do Brasil deve ser rápida e transparente, com adoção de medidas corretivas que reforcem as garantias de qualidade e evitem novos bloqueios.

Repercussões internacionais

Embora o volume rejeitado represente pequena parcela das exportações anuais, o simbolismo é expressivo. A soja brasileira, que abastece mais da metade das importações chinesas, é peça-chave nas relações bilaterais — e qualquer incidente pode influenciar preços internacionais, contratos futuros e decisões logísticas das tradings.
O destino da carga ainda é incerto: pode ser devolvida, destruída ou redirecionada para outro mercado. A expectativa é que o Ministério da Agricultura se pronuncie nos próximos dias, esclarecendo o caso e avaliando ajustes nos protocolos de embarque e certificação.

FONTE: Compre Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agronegócio

Brasil conquista novas aberturas de mercado nas Filipinas, Guatemala e Nicarágua para ampliar exportações do agronegócio

Novos acordos fortalecem presença brasileira no exterior
O Brasil avançou em negociações sanitárias e fitossanitárias com as Filipinas, Guatemala e Nicarágua, abrindo caminho para a exportação de novos produtos agropecuários a esses mercados. Os acordos, concluídos pelo governo brasileiro, reforçam a estratégia de diversificação de destinos e ampliam o alcance do agronegócio nacional.

Filipinas autorizam importação de gordura bovina brasileira
As autoridades sanitárias das Filipinas aprovaram a compra de gordura bovina do Brasil, insumo utilizado pela indústria de alimentos e essencial na produção de biocombustíveis, como o diesel verde e o Sustainable Aviation Fuel (SAF).
Com uma população próxima de 115 milhões de habitantes, o país é um dos maiores mercados consumidores do Sudeste Asiático. Entre janeiro e outubro de 2025, as Filipinas importaram quase US$ 1,5 bilhão em produtos agropecuários brasileiros.

Guatemala libera importação de arroz beneficiado
Na Guatemala, o Brasil recebeu autorização para exportar arroz beneficiado (sem casca). O país centro-americano, com cerca de 18 milhões de habitantes, importou mais de US$ 192 milhões em itens agropecuários brasileiros nos dez primeiros meses de 2025. Os cereais lideraram a pauta exportadora brasileira na região.

Nicarágua abre mercado para sementes brasileiras
A Nicarágua aprovou a entrada de sementes de milheto, crotalária e nabo, insumos importantes para sistemas produtivos tropicais. Esses produtos contribuem para a melhoria da produtividade agrícola e para a redução do uso de fertilizantes minerais. De janeiro a outubro de 2025, o país importou cerca de US$ 55 milhões em produtos do agronegócio brasileiro.

Agronegócio acumula 496 aberturas desde 2023
Com as novas habilitações, o Brasil chega a 496 aberturas de mercado para produtos do agronegócio desde 2023. O avanço é resultado da ação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que vêm trabalhando para ampliar o acesso a mercados globais e aumentar a competitividade de itens com maior valor agregado.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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