Exportação

Vale do Itajaí se destaca com dois polos industriais voltados à exportação

O Vale do Itajaí abriga dois importantes polos industriais com forte inserção internacional: o de embarcações e o de produtos de madeira, incluindo chapas de compensado, peças de carpintaria e portas. O levantamento faz parte de um estudo do Observatório Nacional da Indústria, conduzido pelo Observatório FIESC, que mapeou polos produtivos nas mesorregiões brasileiras.

Exportações impulsionam a economia regional
Em 2024, o segmento de madeira e móveis da região movimentou US$ 413,75 milhões em exportações. Já o polo de embarcações somou US$ 26,23 milhões no mesmo período. Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, esse desempenho reforça o papel da indústria como motor da economia local.

Segundo ele, “a cada emprego criado na indústria, outros 16 são gerados”, evidenciando o impacto direto dos polos exportadores no desenvolvimento regional.

Condições favoráveis ao crescimento dos polos
De acordo com Marcelo de Albuquerque, coordenador do estudo, fatores como clima, relevo e proximidade da matéria-prima favorecem o polo de madeira e móveis. Já o setor náutico se beneficia da localização estratégica próxima ao litoral na Foz do Rio Itajaí e do avanço do turismo náutico, que fortalece toda a cadeia produtiva.

Força industrial do Vale do Itajaí
A região reúne 79,3 mil estabelecimentos e emprega 697 mil pessoas. A indústria concentra 276,6 mil trabalhadores distribuídos em 21,5 mil negócios.

  • Blumenau lidera com 3,2 mil indústrias e 50,2 mil empregos.
  • Brusque aparece em segundo lugar, com 2 mil estabelecimentos e 28,6 mil trabalhadores.
  • Itajaí ocupa a terceira posição, com 1,9 mil indústrias e 27,4 mil empregados.

Empresas que se destacam nas exportações
No setor de produtos de madeira, empresas como Rohden (Salete), NM Compensados e Madeiras Schlindwein (MSL), de Presidente Getúlio, estão entre as principais exportadoras.
No segmento náutico, marcas como Okean Yachts, NHD Boats e Azimut Brasil mantêm estaleiros em Itajaí e figuram entre as líderes nas vendas ao exterior.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC/Okean

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Comércio Exterior

Tarifaço: indústria nacional de madeira demite 4 mil pessoas e coloca 5,5 mil em férias coletivas

Um mês e uma semana após a entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, fabricantes de molduras, itens de marcenaria e madeira processada — que têm no mercado americano seu principal destino — já registraram 4 mil demissões, colocaram 5,5 mil funcionários em férias coletivas e suspenderam temporariamente o contrato de 1,1 mil trabalhadores, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

O setor emprega diretamente 180 mil pessoas no País e a maior parte dos fabricantes afetados pela sobretaxa está nos Estados do Sul, Paraná e Santa Catarina, sobretudo em pequenos municípios. Caso o tarifaço continue, a entidade prevê mais 4,5 mil demissões nos próximos 60 dias.

Segundo a Abimci, os cortes no emprego refletem a retração nas exportações de madeira industrializada para os EUA. Após o anúncio do tarifaço em julho, diz a entidade, os contratos e os embarques começaram a ser cancelados. Também houve queda no fechamento de novos contratos.

Exportações despencam

O resultado do tarifaço é que as exportações de alguns dos principais produtos de madeira processada para os Estados Unidos em agosto despencaram. Caíram entre 35% e 50% na comparação com julho, informa a entidade.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, diz que a entidade foi inúmeras vezes a Brasília para participar de reuniões como ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que sempre demonstrou boa vontade, mas não houve ação efetiva para reverter a situação.

Puppo diz que o setor espera que tratativas ocorram em regime de urgência, porque é função do governo federal estar à frente nas negociações das tarifas, uma vez que é muito difícil o setor fazer inclusões nas ordens executivas. “É de responsabilidade do governo federal o avançar (nas negociações) para estacar o grande número de demissões que estamos tendo.”

No ano passado, os Estados Unidos importaram US$ 1,6 bilhão de madeira industrializada. Nesse grupo existem produtos para finalidades diferentes na construção civil, como compensado laminado, moldura muito usada nas casas americanas, madeira serrada para cerca, pellets, portas e pisos, por exemplo.

Os EUA concentram, em média, 50% das compras da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é ainda maior, com 100% das vendas voltadas exclusivamente ao mercado americano.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Tarifaço gera férias coletivas e demissões no setor de madeira

Ao menos 1,4 mil funcionários estão em férias coletivas e 100 foram demitidos desde julho

As tarifas de 50% às exportações brasileiras, implementadas no começo de agosto pelos Estados Unidos, já começam a afetar trabalhadores do setor de madeira processada do país.

O setor faz parte do grupo que não conseguiu entrar na lista de 694 produtos isentos ao aumento da taxa, que teve início há cerca de duas semanas. Mas os efeitos são sentidos desde o começo de abril, quando a tarifa de 10% entrou em vigor.

“Desde esse primeiro momento, a indústria começou a ajustar questões de mão de obra e custos internos. Nesse sentido, a estratégia de férias coletivas já havia sido adotada por muitas empresas que dependem do mercado norte-americano”, explica Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), à CNN.

É o caso da Millpar, segunda maior empresa do setor no país e terceira na América Latina. Em julho, a companhia afirmou que alguns setores da unidade de Guarapuava (PR) entraram em férias coletivas por 15 dias.

Um dia antes de o tarifaço entrar em vigor, a empresa anunciou a suspensão total de sua produção — colocando mais de 65% de seu quadro de funcionários (720 de 1,1 mil) em férias por período indeterminado.

“Temos informações que muitas empresas estão finalizando esse período de férias coletivas. Se a coisa continuar da forma como está (e parece que sim) as empresas terão que fazer cortes para equilibrar as suas contas”, diz Pupo.

Quem sofre

Segundo dados da Abimci, o setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

O impacto da aplicação das taxas norte-americanas nas empresas madeireiras coloca em risco aproximadamente 180 mil empregos diretos em todo o Brasil, afirma a associação. Em nota divulgada no dia 18 de julho, a Abimci afirmou que o setor estaria enfrentando “o início de um colapso” com o tarifaço.

Inclusive, 90% dessa produção está concentrada no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Só no primeiro estado, onde aconteceram os maiores casos de férias e demissões, são 6,7 mil empresas atuantes e 109 mil empregos em jogo.

A madeira é o principal produto de exportação do Paraná ao vizinho norte-americano.

“Temos uma tradição de madeira, com cadeias produtivas bem estabelecidas e interligadas com inúmeros outros setores”, explica Ailson Loper, diretor-executivo da Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal).

“Para cada tonelada de frango produzido no Paraná, são necessárias quatro toneladas de madeiras. Portanto, quando há um impacto em um setor, há um impacto em todos”, argumenta.

Apesar os números relevantes, o setor de madeira não é o único que não escapou das tarifas de Trump. Café, carnes, pescados, frutas e equipamentos de construção civil, por exemplo, também sofrem com a interrupção de exportações ao país, que representava uma fatia relevante da clientela de todos os setores citados.

Até agora, férias coletivas e demissões não foram vistas na mesma escala.

Segundo Pupo, isso acontece por uma particularidade do setor de madeira: a personalização de parte da indústria exclusivamente aos EUA. Os contratos são fechados com uma especificidade muito grande, que praticamente impossibilitam a mudança de um mercado para outro tão rapidamente.

O negócio dos mouldings (molduras de madeira, do inglês), por exemplo, é produzido especialmente para o mercado norte-americano. Não há mercado em nenhum outro lugar do mundo para o produto.

“Nestes casos, não há outra solução além da paralisação das unidades fabris”, explica o especialista.

O setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

Caminho à frente

Além da ameaça tarifária, os EUA deflagraram uma investigação comercial contra o Brasil, na qual citam, entre suas preocupações, a madeira brasileira.

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) avalia que o país parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, o que prejudicaria a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.

Contudo, toda a produção exportada para os norte-americanos provinda do Sul do país, que representa mais de 95% da produção nacional de madeira processada, provém de florestas plantadas, afirmou Pupo, da Abimci.

“Essa imagem antiga da [madeira ilegal] da Amazônia já tem décadas que ficou para trás, o grande polo produtivo nacional é aqui no Sul. Nós cumprimos todos os regramentos para atender o mercado americano, sobretudo na construção civil”, enfatiza.

Loper, da Apre, afirma que medidas legais já estão sendo tomadas nos EUA, com companhias daqui contratando advogados para construir uma defesa sólida do setor.

Sobre as tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, semana passada, a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para amparar empresas afetadas pelas tarifas.

“O pacote anunciado pelo governo traz um respiro, mas entendemos que é paliativo. Ajuda a questão dos empregos, mas não resolve”, argumenta Ailson Loper, da Apre.

“Estamos em meio a uma guerra. O que é preciso fazer para sair firme dela é a renegociação da tarifa”.

Até lá, segundo ele, milhares de empregos seguirão ameaçados.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Tarifaço de Trump ameaça desmontar 80% dos empregos no setor madeireiro na região norte de MT

Indústria busca alternativas políticas para a madeira não se tornar uma “moeda de troca”

O tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre produtos brasileiros acendeu o alerta no setor de base florestal de Mato Grosso, que pode sofrer forte impacto nas exportações para os Estados Unidos. 

Mais de 26% da madeira nativa produzida no estado tem como destino o mercado americano, segundo o presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado (Cipem-MT), Ednei Blasius.

O estado trabalha com cerca de 50 espécies de madeira, das quais aproximadamente 15 são destinadas à exportação. Entre elas, destaca-se o piso de madeira maciça com acabamento voltado ao consumidor norte-americano, um produto de difícil colocação em outros mercados. 

“Sem ter para onde direcionar a produção, há risco de desemprego praticamente total nas linhas voltadas a esse mercado, que empregam de 60% a 70% de mão de obra feminina altamente especializada. Estamos falando de empregos que podem simplesmente deixar de existir e de toda uma cadeia produtiva que pode desmontar”, afirma Blasius.

Para ele, o risco nesse segmento chega a 100%, já que não há, no momento, alternativas definidas para realocação da mão de obra.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (13), durante debate promovido pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), que reuniu mais de 20 representantes do setor.

Silvio Rangel, presidente do Sistema Fiemt, propôs a criação de uma carta conjunta, a ser assinada pelos representantes da indústria e dos trabalhadores, com medidas concretas que possam amenizar os efeitos negativos do tarifaço. O documento será encaminhado aos governos estadual e federal como forma de buscar apoio institucional e políticas de mitigação. 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireira de Juína e Região (Stimajur), João Alves da Luz, reforça que a maior pressão recairá sobre as fábricas, diretamente dependentes das encomendas internacionais. 

Atualmente, cerca de 180 empresas atuam na região, sendo responsáveis por aproximadamente 80% dos empregos locais. “Cada trabalhador que está dentro de uma fábrica tem a sua família, e muitos dependem exclusivamente desse emprego”, pontua.

O temor é que uma queda nas exportações leve a cortes significativos no quadro de funcionários, com efeito dominó sobre a economia regional, sustentada pela base florestal. 

A expectativa agora recai sobre o pacote de medidas econômicas de R$ 30 bilhões anunciado pelo governo federal no Plano Brasil Soberano. Para os trabalhadores, é fundamental que o plano inclua subsídios e políticas específicas também para a mão de obra, e não apenas para a indústria.

“Nós vendemos nosso trabalho. Se a empresa reduz o número de funcionários, ficamos sem ter o que vender. A nossa preocupação é que a madeira acabe virando uma ‘moeda de troca’ em negociações, até porque é um setor sensível por questões ambientais”, alerta João.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior, Economia, Exportação

Santa Catarina é líder nacional em exportação de madeira e móveis

Exportações de madeira e móveis são destaque na economia catarinense com faturamento de mais de US$ 800 milhões no primeiro semestre 

Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2025 com alta de 6,6% no faturamento com exportações, principalmente pela contribuição de dois segmentos essenciais para a economia catarinense: o setor de madeira e o de móveis. O estado foi líder nacional em ambos os setores, que representaram cerca de 15% das exportações catarinenses entre janeiro e junho. Neste período, esses produtos chegaram a mais de 100 destinos em todo o mundo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O governador Jorginho Mello afirma que o resultado mostra, mais uma vez, a pujança da economia catarinense. “Temos apenas 1% do território nacional, mas somos destaque em diversos setores porque em Santa Catarina o Governo do Estado é parceiro de quem produz e trabalha. Além de não aumentar impostos, estamos facilitando a abertura de empresas, desburocratizando, para facilitar a vida do empreendedor e permitir que a economia se desenvolva”, destaca.

Líder nacional em exportação de madeira

No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais faturou com exportação de madeira e produtos derivados de madeira e cortiça. Foram 1,3 milhão de toneladas de produtos que renderam US$ 668,7 milhões. O valor representa 37% das exportações brasileiras de madeira e 11,4% de toda a exportação catarinense no período (US$ 5,85 bilhões).

No ranking nacional liderado por Santa Catarina, o segundo lugar é do Paraná, também grande exportador do produto. Os paranaenses tiveram faturamento de US$ 641,2 milhões. Rio Grande do Sul (US$ 148 milhões), São Paulo (US$ 106 milhões) e Pará (US$ 99 milhões) aparecem na sequência.

“Santa Catarina possui diversas indústrias especializadas em matérias-primas e produtos de madeira, como pallets, laminados, portas e compensados. O status de primeiro lugar no Brasil é mais um indicativo de que nossas empresas estão produzindo com excelência e competitividade. E muitas delas contaram com apoio do Governo do Estado por meio de programas como Prodec e Pró-Emprego. Ou seja, programas que deram resultado positivo”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de madeira são Caçador, Lages, Três Barras, Itajaí e Curitibanos.

Líder nacional em exportação de móveis

Santa Catarina também foi líder nacional na exportação de móveis durante o primeiro semestre de 2025. O estado faturou US$ 141,3 milhões, à frente do Rio Grande do Sul, com US$ 118,1 milhões; Paraná, com US$ 80,8 milhões; e São Paulo, com US$ 77,9 milhões. Conforme os dados, Santa Catarina responde por quase um terço (32%) do faturamento com exportações de móveis em todo o Brasil.

“O resultado positivo nas exportações de móveis é um orgulho para Santa Catarina. Isso porque a produção catarinense está ingressando em mercados muito exigentes, como América do Norte e Europa. Além disso, o faturamento em alta injeta recursos na economia catarinense, gerando emprego e renda e trazendo benefícios para toda a cadeia produtiva”, acrescenta o secretário Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de móveis são, em ordem, São Bento do Sul, Caçador, Campo Alegre, Rio Negrinho e Fraiburgo. Entre os produtos mais exportados estão camas, colchões, mesas e cadeiras.

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Comércio Exterior

De madeira a carne suína: os produtos de SC mais vendidos aos Estados Unidos

País que anunciou tarifaço de 50% sobre mercadorias brasileiras a partir de agosto é maior mercado internacional de SC

Produtos de madeira, motores e materiais elétricos compõem a lista de produtos fabricados em Santa Catarina com maior volume de vendas para os Estados Unidos. Esses setores devem ser os mais impactados pelo “tarifaço” anunciado nesta quarta-feira (10) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra todos os produtos brasileiros. A taxa extra de 50% deve entrar em vigor em 1º de agosto, segundo carta divulgada por Trump.

O Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) aponta que a economia de Santa Catarina já vendeu 847,2 milhões de dólares em produtos para os Estados Unidos este ano, entre janeiro e junho. O segmento de obras de carpintaria para construções, que consistem em painéis de madeira usados na construção civil, incluindo painéis para revestimentos de pisos e base para telhados, representa o maior volume de vendas, com 118 milhões comercializados no primeiro semestre deste ano. O valor equivale a 14% de todas as exportações de SC para os EUA.

Ao longo de 2024, o Estado vendeu 1,7 bilhão em produtos aos Estados Unidos. Os três produtos mais comercializados foram os mesmos do primeiro semestre deste ano, puxados por obras de carpintaria para construções, que teve 283,8 milhões de dólares negociados com o país de Trump.

Nacionalmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas para Santa Catarina os EUA ainda são o maior mercado internacional. O país respondeu por 14% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano, seguido por China (9,9%) e Argentina (7%).

Volume de importações ainda é maior

Apesar do volume de vendas, a balança comercial de SC com os Estados Unidos ainda apresenta déficit, já que foram importados dos EUA 1 bilhão de dólares em produtos no primeiro semestre, o que resultou em um saldo negativo de 235 milhões de dólares. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump alegou que os Estados Unidos registrariam déficit nas relações comerciais com o Brasil, o que não se confirma nos dados de vendas no mercado internacional do país e nem do Estado.

Após o anúncio de Trump, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirmou que o tarifaço vai gerar desemprego no Estado e defendeu a diplomacia na negociação entre os países para evitar a aplicação da taxa a partir do próximo mês.

Sem poder exportar aos EUA, a opção é jogar para um outro país as vendas. Mas não existe mercado para comprar o volume que nós produzimos. E o mercado interno também não suporta tudo o que nós fazemos – afirmou o presidente eleito da Fiesc, Gilberto Seleme, em entrevista à colunista Estela Benetti, do NSC Total.

Ranking de produtos de SC mais exportados aos EUA

  • 1º) Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%)
  • 2º) Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%)
  • 3º) Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%)
  • 4º) Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%)
  • 5º) Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%)
  • 6º) Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%)
  • 7º) Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%)
  • 8º) Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%)
  • 9º) Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%)
  • 10º) Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%)

Fonte: NSC Total

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Comércio, Exportação

Fornecedores de madeira manifestam preocupação com cenário comercial

Alterações teriam impacto na economia de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, afirma especialista


Uma eventual alteração comercial nas vendas de madeira para os Estados Unidos, pela imposição de novas tarifas pelo governo americano, poderia prejudicar a economia do Sul do Brasil. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se destacam entre os maiores exportadores do país.

“Esses Estados possuem polos madeireiros bem estruturados e que empregam muitas pessoas, o que significa que alterações comerciais significativas [como o tarifaço impostos pelos EUA] poderiam afetar diretamente a economia local”, afirma Jackson Campos, especialista em comércio exterior e diretor de relações institucionais da AGL Cargo.

De abril de 2024 a março deste ano, as exportações brasileiras de produtos de madeira para os Estados Unidos somaram US$ 1,58 bilhão, alcançando 1,66 milhão de toneladas. O Paraná contribuiu com US$ 643,5 milhões, o Rio Grande do Sul com US$ 392,5 milhões e Santa Catarina, com US$ 113,6 milhões.

As madeiras brutas, principalmente tábuas e ripas de pinus – muito utilizadas nas construções americanas -, representaram cerca de US$ 400 milhões das exportações. Já as madeiras serradas em pranchas totalizaram US$ 240,4 milhões. Os compensados, usados na construção civil e na produção de móveis, também foram bastante exportados, atingindo US$ 278 milhões no período analisado. As chapas de MDF, utilizadas principalmente pela indústria moveleira, registraram exportações próximas a US$ 86 milhões. Os dados são da LogComex, empresa de soluções tecnológicas em comércio exterior.

Segundo Campos, com o risco do aumento das tarifas pelos Estados Unidos, é importante que o setor madeireiro brasileiro esteja preparado para reagir rapidamente. “Isso significa investir em produtos com maior valor agregado, procurar outros mercados consumidores na Europa e na Ásia e otimizar processos logísticos para reduzir custos e manter competitividade”, afirma.

Por enquanto o setor não sentiu mudanças, pois as tarifas não estão aplicadas. De acordo com Carolina Telles Matos, gerente de relações Brasil-EUA da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), as exportações brasileiras para o mercado americano nos primeiros quatro meses de 2025 estão praticamente estáveis, com crescimento de 1,5% entre janeiro e abril de 2025 (US$ 587,1 milhões) na comparação com igual período do ano passado (US$ 578,3 milhões).

Entretanto, o superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Paulo Pupo, informa que em março a entidade recebeu a notícia de uma abertura de investigação, pelo governo dos Estados Unidos, sobre as importações de todos os produtos de madeira que, para a administração americana, poderiam representar potencial de ameaça à segurança nacional daquele país. “Caso o relatório final da investigação conduzida pela Secretaria de Comércio dos Estados Unidos, já em curso e com prazo de até 270 dias para conclusão, confirme a ameaça, poderão ser impostas sanções adicionais, incluindo a possível aplicação de tarifas adicionais aos 10% já impostos para os produtos brasileiros”, informa.

O setor está preocupado. Desde o primeiro anúncio das sobretaxas americanas, em 20 de fevereiro, a Abimci se movimentou para buscar informações junto aos órgãos competentes e canais oficiais, acompanhando a política tarifária e as negociações em curso, tentando medir os impactos para o setor madeireiro comercial entre os dois países.

A associação protocolou, em abril, sua defesa na investigação americana abrangendo quatro segmentos de produtos madeireiros: compensados, madeira serrada, molduras e portas, que têm maior volume de exportação para os Estados Unidos. “A argumentação da defesa busca demonstrar, por meio de dados comerciais e técnicos, que os produtos brasileiros não ameaçam a segurança nacional dos EUA. Pelo contrário, são essenciais para manter a cadeia de suprimento de vários setores consumidores, como por exemplo a da construção civil”, afirma Pupo.

No setor moveleiro, as vendas (móveis prontos e colchões) para os EUA recuaram quase 9% no primeiro trimestre, para US$ 48,2 milhões, mas a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) reitera que o país segue liderando as exportações. Sobre o tarifaço, Cândida Cervieri, diretora-executiva da entidade, afirma que o setor tem condições para não apenas enfrentar os desafios impostos pelo novo cenário comercial com os EUA, mas também para crescer com base na inteligência, diferenciação e construção de valor.

“O que está em curso não é apenas uma reorganização tarifária, mas uma disputa global por competitividade. E o Brasil, com sua base produtiva sólida, capital humano qualificado, design original e capacidade de inovação, tem tudo para ser um dos protagonistas neste novo momento, desde que conte com um apoio adequado também do poder público”, afirma.

Fonte: Valor International

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Exportação, Industria, Negócios, Tecnologia

SENAI recebe acreditação internacional e fortalece exportação de móveis

Certificação permite que o laboratório do Instituto SENAI de Tecnologia da Madeira e Mobiliário realize ensaios exigidos para a exportação de produtos infantis aos EUA

 O laboratório do Instituto SENAI de Tecnologia da Madeira e Mobiliário, em São Bento do Sul, recebeu a acreditação como CPSC-Accepted Testing Laboratory, concedida pela Consumer Product Safety Commission (CPSC), dos Estados Unidos. A certificação confirma a competência do Instituto para a realização de ensaios de segurança em produtos infantis, permitindo que fabricantes brasileiros exportem seus produtos ao mercado norte-americano com maior agilidade e confiabilidade.

A acreditação é válida até 2027 e garante que os testes realizados pelo Instituto atendem aos padrões internacionais de segurança e conformidade exigidos pelo governo dos EUA.

“Essa conquista representa um marco para a indústria brasileira, consolidando o SENAI como um parceiro estratégico para empresas que desejam expandir seus negócios para mercados internacionais. Além disso, a certificação deve impulsionar a demanda pelos serviços do Instituto nos próximos anos, acompanhando o crescimento das exportações de produtos infantis com certificação CPSC”, prevê Fabrízio Pereira, diretor-regional do SENAI/SC.

Com essa certificação, o laboratório do SENAI passa a ser oficialmente aceito pelo CPSC, ampliando seu reconhecimento global e fortalecendo sua credibilidade como referência na realização de ensaios laboratoriais para a indústria.

“A partir dessa acreditação, empresas brasileiras do setor infantil terão mais facilidade para exportação, pois poderão realizar os testes obrigatórios no Brasil, sem a necessidade de certificação externa, o que reduz custos e prazos no processo de adequação aos requisitos internacionais”, explica Sandra Fürst, que coordena o laboratório do SENAI.

Produtos que podem ser certificados

A acreditação beneficia diretamente fabricantes e exportadores de beliches infantis, roupeiros e berços, produtos que exigem certificação para comercialização no mercado norte-americano. A partir de agora, esses segmentos poderão contar com uma infraestrutura nacional certificada para realizar seus ensaios de segurança, garantindo mais eficiência e competitividade no setor.

O Instituto já está listado como CPSC-Accepted Testing Laboratory no site oficial do CPSC, permitindo que qualquer fabricante interessado em exportar seus produtos para os Estados Unidos consulte a acreditação diretamente no portal da entidade.

FONTE: FIESC
SENAI recebe acreditação internacional e fortalece exportação de móveis | FIESC

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Comércio Exterior, Exportação, Industria, Informação, Negócios, Tributação

Setor de madeira deve crescer 5,44% em 2025, acima da média de SC

Novos mercados para exportações e ciclo da construção civil puxam desempenho; recuo na demanda doméstica por móveis é desafio para o segmento

Em 2025, o segmento de madeira deverá crescer 5,44% em Santa Catarina, de acordo com estudo da Federação das Indústrias de SC (FIESC). O desempenho é bem superior ao esperado para o crescimento da indústria geral no estado, estimado em 1,74% para o período. Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, o crescimento dos mercados de exportação, aliado à resiliência da construção civil no Brasil, sustenta a projeção de alta. “O principal desafio para 2025 será a desaceleração da demanda interna por móveis, enquanto, no mercado externo, as mudanças tarifárias dos EUA podem criar novas oportunidades, com os mercados emergentes expandindo seu potencial de consumo e abrindo novas fronteiras para o setor em Santa Catarina”, afirma.

Oportunidades
As tarifas de reciprocidade anunciadas pelo governo norte-americano podem abrir novas frentes comerciais para os produtores catarinenses no mercado dos EUA. Isso porque, mesmo que o Brasil enfrente reciprocidade, as exportações de SC permanecerão competitivas, com tarifas médias de cerca de 9% – abaixo das praticadas por grandes concorrentes. De acordo com o vice-presidente da FIESC para a região do Planalto Norte, Arnaldo Huebl, taxas menores do que as aplicadas à China seriam decisivas à abertura de novos mercados aos catarinenses. O Planalto Norte é um dos polos internacionais do setor de móveis de SC.

Bittencourt destaca, no entanto, que os efeitos das tarifas sobre a inflação nos Estados Unidos podem também limitar o consumo por lá. Essa preocupação é corroborada por Leonir Tesser, vice-presidente da FIESC para a região Centro-Oeste, polo madeireiro. “O temor dos consumidores americanos em relação à inflação já tem reduzido o consumo de móveis, gerando preocupações para o curto prazo”, explica o industrial.

O primeiro vice-presidente da Federação, Gilberto Seleme, que atua no setor,  lembra, contudo, que o setor de móveis seria o mais impactado pela reciprocidade, já que a tarifa brasileira para o produto norte-americano é de 18%. “A taxação, especialmente de produtos com maior grau de manufatura, como portas, por exemplo, impactaria os custos da construção civil dos Estados Unidos, que poderia entrar em recessão. Por isso não acredito que este tipo de produto seja fortemente taxado”, diz Seleme.

Desempenho em 2024
O estudo da Federação aponta ainda que, em 2024, a produção madeireira de Santa Catarina teve um crescimento de 9,22%, acima da média nacional, de 8,46%. No ano passado, o impulso veio das exportações, que avançaram 17%, ampliando a presença do setor no mercado externo. A média de crescimento das vendas externas do ramo no Brasil foi de 14,7% em 2024.

No ano passado, observou-se aumento das exportações a mercados emergentes como México (14,9%), China (6,9%), Vietnã (8,8%), Emirados Árabes (18%) e Índia (61,4%). “A Índia desponta como mercado altamente promissor, considerando o crescimento constante do PIB, em torno de 7% ao ano, e intensa urbanização, favorecendo o mercado imobiliário local”, explica Bittencourt.

No cenário doméstico, dois fatores contribuíram para o resultado, segundo o economista: juros menores e o alto nível de consumo das famílias, que cresceu 7%. “A construção civil, que foi responsável por cerca de 17% da demanda nacional por produtos de madeira, foi beneficiada por essas duas variáveis, que também contribuíram para elevar a demanda nacional por móveis”.

FONTE: FIESC
Setor de madeira deve crescer 5,44% em 2025, acima da média de SC | FIESC

 

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