Internacional

Milei anuncia 90 reformas estruturais para redesenhar a Argentina pelos próximos 50 anos

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste domingo que pretende enviar ao Congresso um pacote com 90 reformas estruturais ao longo de 2026. A proposta, segundo ele, busca “redesenhar a arquitetura institucional” do país com impacto projetado para as próximas cinco décadas.

O anúncio foi feito durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Parlamento, em um pronunciamento marcado por críticas à oposição e defesa de uma agenda de transformações profundas.

Reformas devem atingir economia e sistema tributário

De acordo com Milei, as mudanças abrangerão áreas estratégicas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa nacional.

O presidente afirmou que o novo pacote dará sequência ao ciclo de ajustes iniciado após sua posse, em 2023, e reforçou que as propostas fazem parte de um projeto de longo prazo para consolidar uma “nova Argentina”.

Continuidade do plano iniciado em 2023

Durante o discurso, Milei destacou que seu governo já promoveu “nove meses ininterruptos de reformas estruturais”, defendendo que as medidas implementadas até agora representam apenas a primeira etapa de um processo mais amplo de reconfiguração do Estado argentino.

A fala também foi marcada por confrontos verbais com parlamentares da oposição, evidenciando o ambiente político polarizado que acompanha a tramitação das propostas no Congresso.

Com o novo pacote, o governo sinaliza a intenção de aprofundar sua agenda liberal, ampliando o debate sobre o futuro institucional e econômico do país.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Hidrovía: governo abre propostas e Estados Unidos pode entrar na disputa pela concessão

O governo argentino avança nesta terça-feira com a abertura dos envelopes da licitação da Hidrovía, etapa que revelará quais empresas formalizaram ofertas para assumir a concessão de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal.

O processo ocorre em meio a questionamentos apresentados à Procuraduría de Investigaciones Administrativas (PIA) pelo engenheiro José María Lojo, ex-presidente do Consórcio de Gestão do Porto La Plata e atual titular do Conselho Portuário Argentino. A denúncia envolve o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o titular da ANPyN, Iñaki Arreseigor, por supostas irregularidades no processo.

Jan De Nul lidera corrida pela concessão

A principal candidata à concessão é a belga Jan De Nul, atual responsável pelos serviços de dragagem. A empresa larga em vantagem por sua experiência acumulada no sistema troncal de navegação argentino.

Nos bastidores da Casa Rosada, há expectativa de que pelo menos mais uma companhia apresente proposta. A presença de concorrência é vista como essencial para dar maior respaldo político ao processo e evitar críticas sobre eventual favorecimento.

Entre as possíveis concorrentes estão a também belga DEME e a neerlandesa Van Oord. Já a Boskalis, que chegou a ser citada anteriormente como interessada, praticamente não deve participar.

Empresas dos EUA podem mudar o cenário

Uma eventual entrada de companhias norte-americanas pode alterar significativamente o panorama da disputa. Nomes como Great Lakes Dredge & Dock Company e Weeks Marine são apontados como possíveis interessados.

Caso isso se confirme, o movimento teria peso geopolítico relevante, sinalizando apoio da diplomacia dos Estados Unidos e reconfigurando o equilíbrio da concorrência. A presença americana poderia gerar incertezas quanto à permanência da atual operadora à frente da hidrovia pelos próximos 30 anos.

Debates técnicos e ausência da província de Buenos Aires

Durante o ano passado, foram realizadas mesas de participação no âmbito da licitação da Hidrovía, com contribuições de usuários do sistema e representantes provinciais. Nessas discussões, surgiram demandas técnicas, econômicas e estratégicas relacionadas à competitividade e à eficiência logística.

Apesar da importância da província no comércio exterior argentino, a província de Buenos Aires não esteve representada nesses encontros, o que chamou atenção diante de seu peso portuário e produtivo.

Canal Magdalena perde protagonismo

Paralelamente, o debate sobre o Canal Magdalena perdeu espaço na agenda política. O projeto, historicamente defendido como alternativa estratégica para garantir saída direta ao mar sem dependência do Canal Punta Indio, ficou em segundo plano.

O governador Axel Kicillof, que em gestões anteriores defendia abertamente a iniciativa, reduziu suas manifestações públicas sobre o tema nos últimos meses.

Concessão estratégica para o comércio exterior

A Hidrovía Paraná-Paraguai é considerada eixo central do comércio exterior argentino, concentrando grande parte das exportações agrícolas e industriais do país. Por isso, a nova concessão é vista como decisão estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.

A abertura das propostas deve indicar o nível real de concorrência no processo e o grau de interesse internacional pela principal via de escoamento da produção argentina.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Economia

Atividade econômica da Argentina cresce 3,5% em dezembro e supera projeções do mercado

A atividade econômica da Argentina registrou alta de 3,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024, desempenho muito acima da expectativa de 0,5% projetada por analistas consultados pela Reuters. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos.

O resultado indica aceleração frente a novembro, quando o indicador havia apresentado retração de 0,3%.

Crescimento anual deve alcançar 4,4% em 2025

Com o avanço de dezembro, a terceira maior economia da América Latina deve encerrar 2025 com expansão acumulada de 4,4%, segundo estimativas oficiais.

O desempenho reforça sinais de retomada após meses de volatilidade econômica e ajustes fiscais promovidos pelo governo.

Agro lidera alta; indústria recua

Entre os setores que compõem o indicador mensal, 11 registraram crescimento na comparação anual.

O maior destaque foi o segmento de agricultura, pecuária, caça e silvicultura, que avançou 32%, impulsionado por uma produção recorde de trigo. O bom desempenho do campo foi determinante para o resultado positivo do mês.

Em sentido oposto, o setor manufatureiro apresentou queda de 3,9%, refletindo dificuldades persistentes na indústria.

Ajuste fiscal e reformas estruturais

Desde que assumiu a presidência, Javier Milei tem adotado medidas de forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, estratégia que contribuiu para a desaceleração da inflação argentina.

O governo agora busca estimular a recuperação de áreas mais sensíveis da economia, como indústria, consumo e construção civil, que ainda operam em níveis considerados baixos por analistas.

Entre as principais apostas está a proposta de reforma trabalhista, apresentada como instrumento para dinamizar o mercado de trabalho e ampliar a geração de empregos formais. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência de sindicatos, que afirmam que as mudanças podem comprometer direitos trabalhistas históricos.

O desempenho de dezembro reforça as expectativas de recuperação gradual da economia argentina, ainda que desafios estruturais permaneçam no radar.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Greve

Estado de greve na Argentina pode afetar comércio exterior de SC, alerta Fiesc

A possibilidade de manutenção do estado de greve na Argentina preocupa o setor produtivo catarinense. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a continuidade das paralisações pode comprometer o comércio exterior de SC e gerar impactos relevantes na economia do Estado.

A tensão ocorre após o avanço da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, aprovada nesta quinta-feira pela Câmara argentina e agora novamente encaminhada ao Senado, onde precisa ser analisada até 1º de março.

Risco de paralisação prolongada

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, o cenário indica que o movimento grevista pode se estender até a aprovação definitiva da proposta.

De acordo com ela, a continuidade da mobilização pode provocar:

  • Aumento dos custos logísticos, devido à retenção de cargas em pontos de desembaraço aduaneiro;
  • Interrupções na cadeia de suprimentos;
  • Risco de falta de insumos importados;
  • Quebra no fluxo de caixa das empresas;
  • Atrasos no cumprimento de contratos internacionais;
  • Abalo na confiança e na reputação comercial entre os países.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e Santa Catarina mantém forte relação bilateral, especialmente nos setores industrial e manufatureiro.

Momento era de crescimento no comércio bilateral

A avaliação da Fiesc é de que o impasse ocorre em um período favorável para as trocas comerciais entre os dois países, com aumento no volume negociado recentemente.

A falta de previsibilidade, segundo a entidade, pode comprometer o ritmo de crescimento das exportações e importações, afetando diretamente empresas catarinenses que dependem do mercado argentino.

Reforma trabalhista divide governo e sindicatos

Para viabilizar a aprovação na Câmara, o governo argentino flexibilizou alguns pontos do texto original. Ainda assim, mantém a proposta de reformular uma legislação trabalhista com cerca de 70 anos, criada durante o período do peronismo.

O presidente Javier Milei tem defendido mudanças estruturais com o argumento de modernizar a economia e tornar as regras mais flexíveis para empresas e trabalhadores. Entre os principais pontos da reforma trabalhista argentina estão:

  • Jornada de trabalho flexível, podendo variar entre 8 e 12 horas diárias;
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses;
  • Restrição de greves em setores considerados essenciais;
  • Regras mais flexíveis para férias;
  • Medidas para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos empregos no país.

O embate permanece intenso entre centrais sindicais e governo. Milei, que venceu as eleições legislativas em outubro, conta com apoio do setor empresarial e respaldo político para levar adiante as mudanças estruturais.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Greve

Greve na Argentina paralisa exportação de grãos e afeta setor agrícola

Uma greve na Argentina interrompeu, nesta quarta-feira, as atividades de exportação de grãos e derivados, impactando diretamente o comércio exterior do país. A paralisação foi organizada por sindicatos marítimos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Segundo Gustavo Idígoras, presidente da Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores de Cereales (CIARA-CEC), a greve de 48 horas compromete integralmente as operações do setor agroexportador. Em declaração à Reuters, ele classificou o movimento como uma ação de caráter político, distante das demandas específicas da atividade.

Portos e embarques afetados

A mobilização comprometeu serviços essenciais, como atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e atendimento a embarcações. A região mais impactada foi a área portuária de Rosário, um dos principais polos globais de exportação agrícola.

A paralisação coincide parcialmente com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT), marcada para quinta-feira, o que pode ampliar os efeitos sobre a economia argentina.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Federación Sindical Marítima y Fluvial (Fesimaf) afirmou que a mobilização tem como objetivo defender direitos trabalhistas e preservar a estabilidade no emprego.

Reforma trabalhista amplia tensão sindical

A Câmara dos Deputados argentina deve analisar o projeto de reforma trabalhista, já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta enfrenta forte resistência das entidades sindicais por prever mudanças como flexibilização das contratações, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e ampliação da jornada de trabalho.

Além dos marítimos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de oleaginosas de San Lorenzo também aderiu à paralisação. A entidade representa empregados do principal polo de processamento de soja do país, localizado ao norte de Rosário, onde se concentra grande parte das usinas responsáveis pela produção de óleo e farelo.

Em comunicado, o sindicato criticou o projeto, afirmando que a modernização proposta compromete direitos históricos dos trabalhadores.

Impacto econômico e mercado internacional

A Argentina ocupa posição estratégica no comércio global, sendo a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja. A interrupção nas operações portuárias pode afetar o fluxo de divisas, essencial para a economia do país.

Para o analista Ion Jauregui, da consultoria ActivTrades, paralisações que atingem transporte e portos geram reflexos que vão além dos dias de trabalho perdidos. Segundo ele, a capacidade de exportação é determinante para manter a entrada de moeda estrangeira.

O governo argentino avalia que as greves recorrentes prejudicam a produtividade e a estabilidade econômica nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Comércio

Acordo UE-Mercosul avança: Câmara da Argentina aprova tratado comercial

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo UE-Mercosul, dando um passo decisivo para a ratificação do tratado no país. A votação foi concluída pouco antes da meia-noite, com 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções.

O resultado evidenciou divisões inclusive dentro da oposição peronista, tradicionalmente associada a posições mais protecionistas. Parte da bancada votou a favor da proposta, alinhando-se à agenda de livre comércio defendida pelo governo.

Texto segue para o Senado argentino

Com o aval dos deputados, o projeto agora será analisado pelo Senado da Argentina, que deve iniciar o debate no dia 26. A expectativa é de aprovação, o que tornaria a Argentina o primeiro integrante do Mercosul a concluir a tramitação legislativa.

A ratificação é etapa necessária para que o tratado entre em vigor. O governo de Javier Milei busca acelerar o processo para assegurar vantagens comerciais, especialmente no acesso a cotas de exportação agropecuária, como as de carne bovina, antes dos demais parceiros do bloco, entre eles o Brasil.

Estratégia para sair na frente no Mercosul

Ao encaminhar o texto ao Congresso, o Executivo solicitou que a proposta fosse apreciada em sessões extraordinárias, com o objetivo de agilizar a votação e posicionar o país na dianteira dentro do bloco sul-americano.

Em Brasília, a Câmara dos Deputados do Brasil deve começar a discutir a ratificação apenas no próximo dia 24.

Aplicação provisória na União Europeia

Do lado europeu, o Parlamento Europeu decidiu submeter o tratado à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode se estender por até dois anos.

No entanto, o capítulo comercial poderá ser aplicado provisoriamente pela Comissão Europeia, que tem competência para implementar a parte comercial enquanto aguarda o parecer jurídico definitivo.

Um acordo histórico com peso geopolítico

Assinado no último dia 24 após 25 anos de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Além do impacto econômico, o pacto também carrega relevância estratégica. A aproximação entre sul-americanos e europeus surge como alternativa diante da crescente polarização entre Estados Unidos e China no cenário global.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: UOL

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Comércio Internacional

Acordo comercial EUA-Argentina pressiona o Mercosul e coloca o Brasil diante de decisão estratégica

O novo acordo comercial EUA-Argentina reacendeu o debate sobre os limites institucionais do Mercosul e pode redefinir a dinâmica de negociações externas do bloco. Batizado de Acordo Recíproco de Comércio e Investimentos (ARTI), o entendimento foi anunciado na última semana e já provoca questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras vigentes do grupo sul-americano.

O movimento cria um precedente dentro do bloco e impõe ao Brasil uma escolha estratégica: defender formalmente a norma atual ou adotar postura semelhante em futuros acordos bilaterais.

O que diz a regra do Mercosul

A norma central envolvida é a Decisão CMC 32/00, que estabelece que os países do Mercosul devem negociar conjuntamente acordos comerciais com terceiros quando houver concessão de preferências tarifárias.

O texto determina que os Estados-Partes não podem firmar novos acordos preferenciais isoladamente. Embora não possua mecanismo automático de sanção, a decisão segue formalmente em vigor.

Especialistas avaliam que, no caso do setor de carnes, o acordo firmado entre Estados Unidos e Argentina representa violação material da norma, e não apenas divergência interpretativa.

O conteúdo do acordo bilateral

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o acordo amplia significativamente o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino, ao mesmo tempo em que reforça compromissos regulatórios e sanitários.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 1.675 produtos argentinos exportados aos EUA, incluindo vinhos e limões;
  • Ampliação da cota de carne bovina argentina para 80 mil toneladas adicionais, além das 20 mil já existentes com tarifa reduzida;
  • Abertura do mercado argentino a produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, itens de tecnologia, veículos e produtos agrícolas dos EUA;
  • Reconhecimento da autoridade sanitária norte-americana (FSIS) e compromisso de procedimentos transparentes pelo SENASA.

O acordo também inclui medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), cotas e compromissos regulatórios. Embora não altere formalmente a Tarifa Externa Comum do Mercosul, especialistas apontam que a equivalência sanitária combinada com cotas preferenciais configura, na prática, instrumento de acesso preferencial a mercado.

Precedente e risco de efeito dominó

A principal preocupação é o precedente. Caso o arranjo seja aceito sem contestação, outros setores podem seguir o mesmo modelo, esvaziando gradualmente a coordenação externa do bloco.

Analistas avaliam que o governo de Javier Milei aposta na limitada capacidade institucional do Mercosul de reagir e na resistência de países como Brasil, Paraguai e Uruguai em escalar o conflito político.

Ao mesmo tempo, os EUA, sob a liderança de Donald Trump, vêm priorizando acordos bilaterais funcionais, em detrimento de negociações bloco a bloco.

Brasil em encruzilhada: duas estratégias possíveis

Diante do cenário, o Brasil pode optar por dois caminhos distintos:

Estratégia defensiva

Consistiria em contestar formalmente a Argentina no âmbito do Mercosul, reforçando o princípio das negociações conjuntas e preservando a força normativa da Decisão 32/00.

O custo potencial é o desgaste diplomático bilateral, além da baixa probabilidade de reversão prática do acordo.

Estratégia ofensiva

Outra alternativa seria utilizar o precedente para ampliar a margem de manobra da política comercial brasileira, negociando acordos bilaterais semelhantes.

A vantagem seria maior flexibilidade estratégica. O risco, contudo, envolve o enfraquecimento explícito da coordenação externa do Mercosul e a abertura de espaço equivalente para Paraguai e Uruguai.

Impactos para a política comercial regional

A avaliação predominante é que o episódio ultrapassa um caso isolado. O acordo EUA-Argentina força o Brasil a definir sua posição diante de um precedente concreto.

Contestar o entendimento preserva a regra institucional, mas expõe limitações do bloco. Replicá-lo amplia opções comerciais, porém redefine, na prática, o alcance da política comercial comum.

A próxima reunião do Mercosul deve oferecer sinais sobre como os demais membros reagirão ao novo arranjo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Acordo comercial entre Argentina e EUA amplia acesso a mercados e fortalece aliança política

A Argentina e os Estados Unidos firmaram nesta quinta-feira um amplo acordo comercial, considerado histórico por especialistas e visto como uma vitória política do presidente argentino Javier Milei. O entendimento aprofunda a relação bilateral com o presidente Donald Trump e marca a primeira vez que os dois países assinam um pacto dessa dimensão.

O acordo está alinhado à estratégia do governo Milei de promover a abertura da economia argentina, a terceira maior da América do Sul, por meio da redução de tarifas recíprocas e da ampliação das exportações argentinas, com destaque para a carne bovina.

Redução de tarifas e estímulo a investimentos

Segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, os Estados Unidos eliminarão tarifas para mais de 1.600 produtos argentinos, medida que também busca atrair maior investimento americano no país, prioridade do atual governo para impulsionar o crescimento econômico e reforçar a entrada de dólares.

“Hoje, a Argentina enviou uma mensagem clara ao mundo: somos um parceiro confiável”, afirmou Quirno em publicação nas redes sociais.

Do lado argentino, o acordo prevê a eliminação de tarifas para mais de 200 produtos norte-americanos, incluindo máquinas, equipamentos de transporte e insumos farmacêuticos e químicos, informou o Ministério das Relações Exteriores. O movimento, no entanto, gera apreensão entre industriais argentinos, tradicionalmente protegidos por barreiras comerciais, enquanto defensores do livre mercado avaliam que a abertura é necessária.

Carne bovina no centro das atenções

Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a ampliação do acesso da carne argentina ao mercado dos EUA. A cota de exportação foi elevada para 100 mil toneladas, volume cinco vezes maior que o anterior. O presidente Trump afirmou que a medida tem como objetivo reduzir os preços da carne para os consumidores americanos.

A decisão, porém, provocou reação negativa entre pecuaristas dos Estados Unidos. Para Bill Bullard, diretor executivo da R-Calf USA, associação que representa criadores americanos, a medida pode atrasar a recuperação do rebanho doméstico.

Impacto político e geopolítico

Analistas avaliam que o acordo vai além do comércio. Para o consultor argentino Marcelo Elizondo, o entendimento tem peso também no campo geopolítico, reforçando a aproximação entre os governos Milei e Trump. Ele lembrou ainda o apoio financeiro de cerca de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA à Argentina antes das eleições legislativas do ano passado.

O governo argentino deverá encaminhar ao Congresso um projeto de lei para ratificação do acordo, exigência constitucional. Com a maioria conquistada nas eleições de meio de mandato, Milei tem posição fortalecida no Parlamento e pretende avançar com pautas estratégicas, como uma ampla reforma trabalhista.

Mercosul, União Europeia e tensões regionais

Paralelamente, o Congresso argentino deve discutir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que poderá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A implementação, no entanto, segue travada por entraves jurídicos no continente europeu.

A assinatura do acordo com os EUA sem a participação dos demais países do Mercosul pode gerar atritos adicionais com o Brasil. Segundo Elizondo, a decisão tende a aprofundar o desgaste na relação entre Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Cooperação ampliada entre os governos

A aproximação entre Buenos Aires e Washington também se estende a outras áreas. Nesta semana, os dois países assinaram um acordo sobre minerais críticos e negociam um entendimento que permitiria aos EUA deportar estrangeiros para a Argentina.

Dentro desse contexto, Milei é visto como um aliado estratégico de Trump na tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e conter o avanço da China na região. O presidente argentino deve viajar nos próximos dias para a Flórida, onde participará de um evento privado na residência de Trump, em Mar-a-Lago.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Comércio Exterior

Importações disparam na Argentina após abertura econômica e avanço do comércio eletrônico internacional

A reabertura econômica promovida pelo presidente Javier Milei está provocando uma mudança significativa no padrão de consumo da Argentina. Produtos importados como brinquedos Lego, eletrônicos da Apple e garrafas térmicas Stanley passaram a dominar as compras dos argentinos, impulsionando fortemente o volume de importações no país.

Dados oficiais mostram que as importações de bens de consumo cresceram 55% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando um recorde de US$ 11,4 bilhões. O avanço reflete a redução de tarifas e o fim de diversas barreiras comerciais que, por anos, limitaram o acesso a produtos estrangeiros.

Comércio eletrônico internacional ganha espaço

O comércio eletrônico transfronteiriço foi um dos principais motores desse crescimento. Em 2025, os argentinos compraram quase três vezes mais produtos do exterior por meio de plataformas internacionais do que em 2024, totalizando US$ 955 milhões — o maior volume já registrado.

Empresas como Amazon, Shein e Temu passaram a operar de forma mais estruturada no país, aproveitando o novo ambiente regulatório. A Amazon, por exemplo, lançou entregas gratuitas a partir dos Estados Unidos no fim de 2024 e incluiu a Argentina em seu aplicativo de compras de baixo custo, o Amazon Bazaar.

Mudanças nas regras facilitaram as compras externas

Em novembro de 2024, o governo ampliou o limite para remessas internacionais via correio de US$ 1.000 para US$ 3.000. Além disso, pessoas físicas passaram a poder importar até US$ 400 por ano sem pagamento de tarifas. As medidas reduziram entraves burocráticos e estimularam as compras diretas do exterior.

Segundo especialistas, o novo cenário diminuiu riscos que antes desestimulavam o consumidor. “Antes, havia grande chance de a encomenda ficar retida na alfândega. Agora o fluxo está mais ágil, o que explica o salto nas importações, mesmo partindo de uma base ainda pequena”, avalia Natacha Izquierdo, diretora da consultoria Abeceb.

Produtos mais vendidos e preços mais baixos

Entre os itens mais procurados em 2025 estiveram um conjunto Lego inspirado em Harry Potter, o Mac Mini da Apple (modelo 2024) e a tradicional garrafa térmica Stanley de 940 ml, muito utilizada no consumo de mate. Segundo a Tiendamia, marketplace regional de comércio eletrônico, as vendas na Argentina cresceram 55% no período.

A diferença de preços tem sido um fator decisivo. Em alguns casos, produtos importados chegam a custar cerca de 45% menos do que nas lojas oficiais no mercado argentino, pressionadas por elevados custos de produção e carga tributária.

Impactos na indústria local e tensões no mercado

O avanço das importações também acendeu o alerta em setores tradicionais. A indústria têxtil argentina, antes protegida por tarifas elevadas, pediu ao Congresso medidas contra o que chama de concorrência desleal de plataformas chinesas. De acordo com a Federação das Indústrias Têxteis Argentinas (FART), o setor perdeu 16 mil empregos — o equivalente a 13% da força de trabalho — desde o início do governo Milei.

Além disso, a chegada de Shein e Temu gerou atritos com o Mercado Livre, principal plataforma de e-commerce da América Latina. Em agosto de 2025, a empresa apresentou uma queixa ao Ministério da Economia acusando a Temu de práticas comerciais desleais e publicidade enganosa. A plataforma chinesa nega as acusações, e o caso deve ser analisado pela Suprema Corte da Argentina.

Importações ainda abaixo da média regional

Apesar do crescimento expressivo, analistas destacam que o nível geral de importações da Argentina segue inferior ao de outros países da região. Ainda assim, a tendência aponta para uma maior integração ao comércio global, com impactos diretos sobre o consumo, a indústria e a dinâmica do varejo local.

Fonte: Com informações do Financial Times.

TEXTO: REDAÇÃO

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Economia

Inflação na Argentina cai para 31,5% em 2025 e atinge menor nível em oito anos

Índice anual marca desaceleração histórica
A inflação na Argentina fechou 2025 em 31,5%, o menor patamar registrado pelo país em oito anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo Indec, o instituto público de estatísticas argentino.

O resultado representa uma desaceleração expressiva em relação aos anos anteriores e reforça a tendência de queda observada ao longo do último ano.

Alta mensal segue trajetória iniciada no segundo semestre
Apesar do alívio no acumulado anual, os preços apresentaram avanço de 2,8% em dezembro, na comparação mensal. O movimento segue uma trajetória de aceleração moderada iniciada em junho.

No último mês do ano, os maiores reajustes foram registrados nos setores de transporte, habitação e nas tarifas de serviços públicos, como fornecimento de água e gás.

Menor inflação desde 2017
Mesmo com a pressão pontual em dezembro, o desempenho de 2025 foi o melhor desde 2017, quando a inflação anual ficou em 24,8%, durante o governo de Mauricio Macri.

A queda consolida uma mudança relevante no comportamento dos preços em uma economia historicamente marcada por índices elevados.

Resultado fortalece governo Milei
O número é considerado positivo para o presidente Javier Milei, que assumiu o governo com um discurso duro de ajuste fiscal e combate à inflação. Desde o início da gestão, o governo promove cortes de gastos, congelamento de orçamentos e reformas estruturais.

Segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, o processo de desinflação está ancorado em pilares como superávit fiscal, controle rigoroso da base monetária e capitalização do Banco Central.

Ajuste fiscal e política monetária rígida
Em publicação nas redes sociais, Caputo classificou o resultado como uma “conquista extraordinária” e afirmou que a estratégia econômica será mantida para garantir a continuidade da queda da inflação.

O presidente Milei reforçou o apoio ao ministro ao repercutir a declaração de forma elogiosa.

Choque econômico marcou início do governo
Ao assumir a presidência, em dezembro de 2023, Milei promoveu uma desvalorização do peso superior a 50% e iniciou um forte ajuste nas contas públicas, apelidado de “motosserra”.

As medidas permitiram que a Argentina encerrasse 2024 com inflação de 117,8%, praticamente metade dos 211,4% registrados no ano anterior, abrindo caminho para o recuo mais intenso observado em 2025.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: LUIS ROBAYO

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