Portos

Panamá assume controle de portos de Hong Kong no Canal do Panamá

O governo do Panamá assumiu nesta segunda-feira (23) o controle de dois portos estratégicos no Canal do Panamá que eram operados pela empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong. Os terminais de Balboa, no lado do Pacífico, e de Cristóbal, no Atlântico, estavam sob gestão da companhia desde 1997.

A decisão foi tomada após a Suprema Corte do Panamá declarar a concessão inconstitucional em janeiro de 2026, alegando que o contrato apresentava “viés desproporcional em favor da empresa”, prejudicando os interesses do Estado. A concessão havia sido renovada por mais 25 anos em 2021.

Reações internacionais e contexto político

A revogação ocorre em meio a tensões internacionais. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), ameaçou retomar o controle do canal, alegando que a via estratégica estaria sob influência chinesa.

Em nota, a CK Hutchison classificou a tomada dos portos como ilegal, afirmando que “as ações do governo panamenho representam sérios riscos às operações, bem como à saúde e segurança nos terminais de Balboa e Cristóbal”.

Importância estratégica dos portos

Os terminais são cruciais para o comércio global, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico e representando aproximadamente 5% do transporte marítimo mundial.

Durante o período de transição de 18 meses, a operação ficará a cargo de empresas internacionais:

  • O porto de Balboa será administrado pela APM Terminals, subsidiária da dinamarquesa Maersk, em contrato de US$ 26 milhões;
  • O porto de Cristóbal será operado pela Investment Limited, do grupo MSC, com contrato de US$ 16 milhões.

A CK Hutchison deve recorrer da decisão na Câmara de Comércio Internacional (CCI). A China ameaçou multar o Panamá pelo cancelamento da concessão, enquanto o embaixador dos EUA no país, Kevin Cabrera, afirmou que a empresa não estava desempenhando suas funções de maneira satisfatória.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Exportações de arroz da Índia crescem 19% e pressionam preços no mercado asiático

As exportações de arroz da Índia registraram forte avanço no último ano, com crescimento de 19,4%, totalizando 21,55 milhões de toneladas, após o governo indiano suspender todas as restrições remanescentes às vendas externas. As informações foram confirmadas por autoridades governamentais.

Com esse desempenho, os embarques se aproximaram do recorde histórico de 22,3 milhões de toneladas, alcançado em 2022, e consolidaram a Índia como maior exportador mundial de arroz.

Recuperação rápida após medidas para conter inflação

Segundo representantes do governo, a retomada das exportações ocorreu logo após Nova Déli retirar as limitações impostas entre 2022 e 2023, quando o objetivo era proteger o abastecimento interno e conter a inflação dos alimentos.

De acordo com um funcionário que falou sob condição de anonimato, as remessas ganharam força imediatamente após a suspensão das restrições, anunciada em março, refletindo a elevada competitividade do arroz indiano no mercado global.

Impacto nos preços e no comércio internacional

O retorno expressivo do arroz indiano aos mercados internacionais alterou o fluxo comercial na Ásia e na África. A maior oferta reduziu o espaço de exportadores concorrentes, como Tailândia e Vietnã, e contribuiu para que os preços do arroz asiático atingissem os níveis mais baixos em quase dez anos.

A queda dos preços trouxe alívio para consumidores de regiões sensíveis ao custo dos alimentos, especialmente na África e em partes da Ásia, onde o arroz segue como item essencial da dieta.

Crescimento liderado pelo arroz não basmati

Dados oficiais indicam que as exportações de arroz não basmati avançaram 25%, somando 15,15 milhões de toneladas, impulsionadas pela forte demanda por produtos mais acessíveis. Já as vendas externas de arroz basmati cresceram 8%, alcançando o recorde de 6,4 milhões de toneladas, sustentadas pelo interesse contínuo de mercados considerados premium.

Os embarques de arroz não basmati aumentaram de forma significativa para Bangladesh e para países africanos como Benim, Camarões, Costa do Marfim e Djibuti. No segmento basmati, houve maior demanda de destinos como Irã, Emirados Árabes Unidos e Grã-Bretanha.

África mantém papel estratégico para a Índia

A África segue como um dos principais destinos do arroz indiano, favorecida pelo crescimento populacional, pela urbanização acelerada e pela capacidade limitada de produção local em diversos países importadores.

Tradicionalmente, a Índia exporta mais arroz do que a soma de Tailândia, Vietnã e Paquistão, o que lhe garante forte influência sobre os preços globais do arroz.

“O arroz indiano é altamente competitivo frente ao fornecimento de outros exportadores, e os preços mais baixos estão ajudando o país a recuperar participação de mercado”, afirmou Nitin Gupta, vice-presidente sênior da Olam Agri India, durante a Cúpula Internacional do Arroz da Índia.

Tailândia sente efeitos da concorrência indiana

O impacto da maior presença indiana foi mais evidente na Tailândia, tradicionalmente entre os maiores exportadores globais. O Ministério do Comércio tailandês projeta que as exportações do país recuem para cerca de 7 milhões de toneladas neste ano, frente à estimativa de 8 milhões de toneladas em 2025.

Nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações tailandesas de arroz caíram 21% em volume, totalizando 7,3 milhões de toneladas, enquanto o valor exportado recuou 30,3%. Em 2024, o país havia embarcado quase 10 milhões de toneladas.

FONTE: Planeta Arroz
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Planeta Arroz

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul amplia acesso do Brasil a 36% do comércio global

Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o acordo Mercosul-União Europeia elevará significativamente a presença do Brasil no comércio mundial. Com a entrada em vigor do tratado, o país passará a ter acesso preferencial a 36% do mercado global de importações de bens, ante os atuais 8%. O salto ocorre porque a União Europeia respondeu sozinha por 28% do comércio global em 2024.

A análise foi apresentada no sábado (17), após a assinatura do acordo entre representantes do bloco europeu e dos países do Mercosul, em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. Para a CNI, a formalização do tratado representa uma mudança estratégica relevante para a indústria brasileira.

Redução tarifária favorece exportações brasileiras

Segundo o levantamento, 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão tarifa de importação zerada na União Europeia assim que o acordo começar a valer. Já no Mercosul, o processo será mais gradual: o Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, o que corresponde a cerca de 4,4 mil itens.

Com base em dados de 2024, a CNI destaca que 82,7% das exportações brasileiras para a UE entrarão no bloco europeu sem imposto de importação desde o início da vigência. Em contrapartida, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações provenientes da União Europeia, o que cria uma assimetria considerada favorável ao país.

Prazos ampliam previsibilidade para o Brasil

O estudo indica ainda que o Brasil contará, em média, com oito anos adicionais de adaptação em relação aos prazos concedidos à União Europeia, considerando o comércio bilateral e o cronograma estabelecido no acordo.

Para a CNI, o tratado, negociado ao longo de mais de 25 anos, é o mais amplo já firmado pelo Mercosul. Além da redução tarifária, o texto incorpora regras que ampliam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e estimulam investimentos, inovação e geração de empregos.

Impactos sobre emprego e renda

De acordo com a entidade, o comércio com a União Europeia já apresenta efeitos relevantes sobre o mercado de trabalho. Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para o bloco europeu gerou 21,8 mil empregos, movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial e impulsionou R$ 3,2 bilhões em produção.

No setor agroindustrial, o acordo também amplia oportunidades. As cotas negociadas favorecem segmentos estratégicos e, no caso da carne bovina, superam em mais do que o dobro as concedidas pela UE a parceiros como o Canadá e são mais de quatro vezes maiores que as destinadas ao México. As cotas de arroz, por sua vez, ultrapassam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco.

Cooperação tecnológica e transição verde

O tratado também cria condições para ampliar a cooperação tecnológica entre Brasil e União Europeia, especialmente em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade. A CNI aponta oportunidades em áreas como descarbonização industrial, captura e armazenamento de carbono, hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex, reciclagem de baterias e desenvolvimento de bioinsumos agrícolas.

Essas iniciativas, segundo a entidade, fortalecem a competitividade brasileira e aceleram a transição para uma economia de baixo carbono, alinhada às exigências regulatórias e de mercado do bloco europeu.

Relação comercial Brasil–União Europeia

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total, mantendo-se como o segundo principal parceiro comercial do país, atrás apenas da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total.

Quase 98,4% das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE corresponderam a bens industriais. Além disso, o bloco europeu segue como o maior investidor estrangeiro no Brasil, concentrando 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Cancelamento de viagens marítimas deve atingir 48 saídas nas próximas quatro semanas

Um levantamento da consultoria Drewry indica que 48 viagens marítimas serão canceladas nas próximas quatro semanas, dentro de um total de 701 partidas programadas. Apesar do número de cancelamentos, a expectativa é de que cerca de 93% dos navios cumpram seus itinerários conforme o planejado.

Principais rotas concentram 7% dos cancelamentos

Entre a semana 3 e a semana 7 do calendário, período que vai de 12 de janeiro a 15 de fevereiro, as rotas mais estratégicas do comércio global — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa/Mediterrâneo — devem registrar um índice combinado de 7% de saídas em branco em relação ao total anunciado.

Transpacífico lidera número de viagens canceladas

A distribuição dos cancelamentos mostra forte concentração em rotas específicas. O Transpacífico no sentido leste responde por 40% das viagens suspensas, seguido pelo corredor Ásia–Europa/Mediterrâneo, também com 40%. Já o Transatlântico no sentido oeste concentra os 20% restantes.

Fretes sobem após aplicação de GRIs sazonais

No início de janeiro, as tarifas de frete marítimo apresentaram consolidação após a implementação de GRIs (General Rate Increases) sazonais. Os maiores reajustes foram observados nas rotas Transpacíficas, com alta de 23%, e Ásia–Europa/Mediterrâneo, que avançaram 12%. No Transatlântico, o aumento foi mais moderado, em torno de 2%.

Congestionamento europeu e clima aumentam a incerteza

Segundo a Drewry, a congestão portuária na Europa, intensificada pelas condições climáticas de inverno, segue impactando a confiabilidade dos cronogramas, especialmente nos fluxos comerciais Leste–Oeste. Esse cenário adiciona um novo fator de risco para embarcadores e operadores logísticos.

Ano Novo Lunar exige planejamento flexível

Com a aproximação do Ano Novo Lunar, o mercado apresenta sinais mistos. A consultoria reforça que o momento exige planejamento logístico flexível e atenção redobrada às variações de oferta e demanda ao longo do ano.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Importação

Início de 2026 exige planejamento das importações diante do Ano Novo Chinês

O início de 2026 tende a ser um período decisivo para a organização das importações brasileiras. Após a desaceleração típica do fim de ano, empresas retomam negociações, ajustam volumes e definem cronogramas de embarque para o primeiro trimestre. Esse planejamento, no entanto, precisa considerar um fator central do comércio global: o calendário do Ano Novo Chinês.

Em 2026, o Ano Novo Chinês será celebrado entre terça-feira, 17 de fevereiro, e terça-feira, 3 de março. Durante esse período, fábricas, escritórios, armazéns e parte da operação portuária na China reduzem ou interrompem suas atividades. Como o país é o principal fornecedor de produtos industrializados para o Brasil, o impacto se reflete diretamente nos prazos de produção e embarque.

Nas semanas que antecedem o feriado, é comum a concentração de pedidos e embarques, já que importadores buscam antecipar cargas. Após o término das festividades, a retomada das operações ocorre de forma gradual, o que pode gerar acúmulo de pedidos, aumento no tempo de fabricação e ajustes nas janelas de embarque. Esse comportamento afeta cadeias que dependem de reposição contínua, como eletrônicos, têxteis, utilidades domésticas e artigos sazonais.

Diante desse cenário, o início do ano deixa de ser apenas um momento de retomada comercial e passa a exigir organização logística mais precisa. Empresas que não consideram o impacto do calendário chinês podem enfrentar atrasos no abastecimento e dificuldade para cumprir prazos de venda ao longo do primeiro semestre.

Organização logística e previsibilidade das operações

A definição das importações para o primeiro trimestre de 2026 depende de decisões antecipadas. Ajustar cronogramas, definir volumes com antecedência e escolher janelas de embarque compatíveis com o período pré e pós-Ano Novo Chinês reduz riscos operacionais. Nesse contexto, o papel do parceiro logístico ganha relevância.

Um operador logístico com atuação internacional e conhecimento das rotas asiáticas consegue orientar o importador sobre prazos realistas, alternativas de transporte e impactos do feriado na origem. Essa atuação envolve não apenas o transporte, mas também a coordenação com fornecedores, agentes de carga e o acompanhamento do fluxo logístico.

Além disso, o início do ano costuma concentrar revisões de contratos de frete e reorganização de rotas globais, o que pode influenciar custos e disponibilidade de espaço. O acompanhamento contínuo dessas variáveis permite decisões mais alinhadas à dinâmica do comércio internacional.

Com o Ano Novo Chinês ocorrendo entre fevereiro e março de 2026, o planejamento das importações no início do ano se consolida como etapa estratégica. A combinação entre organização prévia e suporte logístico adequado contribui para operações mais previsíveis e para a continuidade do abastecimento ao longo do ano.

TEXTO E IMAGEM: PROCESS GROUP

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Comércio Internacional

China alerta para aumento de tensões no comércio global e foca em crescimento interno

Os líderes da China manifestaram preocupação com uma possível escalada das tensões comerciais globais enquanto planejam a política econômica para 2026. O alerta surge após o país registrar um superávit comercial recorde, mesmo em meio à guerra tarifária com os Estados Unidos.

Em comunicado divulgado pelo Politburo na segunda-feira, o órgão enfatizou a necessidade de “uma melhor coordenação entre o trabalho econômico doméstico e uma batalha econômica e comercial internacional”, prometendo “agir sem demora” para desenvolver novos motores de crescimento.

Analistas interpretam a mensagem como um sinal de que o governo manterá vigilância constante sobre o comércio internacional, evitando medidas de estímulo mais agressivas em um cenário de desaceleração econômica.

Pressões internacionais e protecionismo

Embora as relações comerciais com os EUA tenham melhorado, outros países intensificam ações proativas. O Japão e alguns membros da União Europeia, como a Holanda e a França, avaliam medidas de retaliação, incluindo tarifas contra produtos chineses, caso Pequim não ajuste seus desequilíbrios comerciais.

Segundo economistas da Huaxi Securities, a tendência de desglobalização segue firme, pressionando a China a diversificar suas exportações e fortalecer a demanda interna para equilibrar o impacto externo.

Crescimento interno como prioridade

Internamente, a economia chinesa enfrenta desafios: consumo estagnado, queda de investimentos e desaceleração na manufatura. Em resposta, o Politburo estabeleceu o aumento da demanda doméstica como prioridade para 2026, incentivando o desenvolvimento de novas forças produtivas, incluindo setores emergentes como robótica humanoide e tecnologia de ponta.

Economistas do Goldman Sachs destacam que o comunicado sinaliza a intenção de expandir o setor manufatureiro e manter a resiliência das exportações, embora mostre menor preocupação com o crescimento do consumo e do setor imobiliário.

Infraestrutura e estímulo econômico

Com a construção de infraestrutura em nível elevado e o mercado imobiliário em colapso, a China busca novos setores para impulsionar a economia. Reformas de longo prazo, como expansão da rede de proteção social e ajustes tributários, são consideradas essenciais para reequilibrar o modelo de crescimento voltado para o consumo.

Além disso, políticas para estimular investimentos em infraestrutura digital e serviços devem apoiar o aumento do consumo, cujo gasto per capita ainda permanece abaixo da tendência pré-pandemia.

Política fiscal e perspectivas para 2026

O Politburo indicou que a política fiscal terá papel central em 2026, acompanhada por um relaxamento monetário gradual. A prioridade em prevenir riscos sistêmicos foi reduzida, sinalizando foco maior em promover crescimento, confiança empresarial e consumo.

Analistas da Nomura Holdings destacam que Pequim já utilizou suas ferramentas de política mais acessíveis e que os mercados precisarão de paciência para observar um ponto de inflexão real no crescimento e o fim da deflação.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Comércio Exterior

China torna o comércio global inviável, aponta análise do Financial Times

Em uma visita recente à China continental, economistas, empresários e especialistas consultados levantaram uma mesma preocupação: o que a China pretende comprar do resto do mundo no futuro? As respostas variaram entre soja, minério de ferro, artigos de luxo e educação superior, mas nenhuma delas ofereceu uma perspectiva concreta de demanda que sustente relações comerciais equilibradas.

Muitos interlocutores admitiram que, para Pequim, a solução ideal seria permitir que empresas chinesas instalem fábricas no exterior, especialmente na Europa — um indício de que a China não busca ampliar importações, e sim fortalecer sua capacidade produtiva no próprio território.

China aposta na independência total das importações

A percepção dominante entre analistas é clara: a China não pretende depender de produtos estrangeiros. Mesmo em setores nos quais ainda é cliente, como semicondutores, software, máquinas industriais e aeronaves comerciais, o país trabalha aceleradamente para dominar toda a cadeia produtiva. A lógica é simples: importar apenas enquanto é necessário, até ter condições de produzir melhor e mais barato.

Para economistas chineses, a busca por autossuficiência se justifica pela “profunda sensação de insegurança” causada pelas restrições tecnológicas impostas pelos EUA. Embora compreensível, essa estratégia expõe um dilema: como o mundo pode continuar comerciando com a China se ela não quer comprar?

Impactos globais do modelo mercantilista chinês

A dependência de exportações para sustentar o crescimento chinês está pressionando economias desenvolvidas. Uma projeção recente do Goldman Sachs mostra que o impulso extra da economia chinesa até 2035 virá principalmente das exportações, reduzindo o espaço de outros países em mercados globais.
A Alemanha seria uma das mais prejudicadas, com queda de até 0,3 ponto percentual em seu crescimento anual.

Para além da disputa comercial, existe um problema prático: sem exportar mais, países como Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos não terão como pagar pelas importações chinesas. Pequim, por sua vez, teme a desvalorização de seu gigantesco estoque de ativos em dólar.

Por que mudanças dependem da China

Soluções efetivas exigiriam que a China estimulasse seu consumo interno, enfrentasse a deflação, reduzisse subsídios bilionários à indústria e permitisse a valorização do yuan. Essas medidas também beneficiariam diretamente a população chinesa, que hoje sacrifica parte de seu padrão de vida para sustentar a competitividade do país.

Mas o novo plano quinquenal de Pequim indica outra direção: as prioridades continuam sendo manufatura e tecnologia, com o consumo apenas em terceiro plano.

Qual o caminho para a Europa?

A Europa, segundo especialistas, enfrenta duas alternativas — uma difícil e outra arriscada. A primeira é tornar-se mais competitiva, investindo em tecnologia e reduzindo custos estruturais para gerar novos valores econômicos. A segunda, considerada a “solução ruim”, é recorrer ao protecionismo para preservar sua base industrial.

Em um cenário em que a China exporta produtos mais baratos e não demonstra interesse em ampliar importações, a tendência é que países ocidentais dependam cada vez mais de seu próprio mercado interno. No limite, a adoção de barreiras comerciais pode levar a novas tensões e ao enfraquecimento ainda maior do sistema global de comércio.

No entanto, quando todas as boas alternativas se esgotam, as más acabam prevalecendo. Se a China continuar comprando apenas commodities e itens de consumo, o mundo deverá se preparar para responder da mesma forma.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Comércio Internacional

Tráfego pelo Canal de Suez inicia recuperação gradual após dois anos de crise

O tráfego marítimo pelo Canal de Suez começou a mostrar uma recuperação gradual depois de dois anos marcados por desvios obrigatórios, custos elevados e mudanças significativas nas rotas entre Leste e Oeste. A Autoridade do Canal confirmou que duas das maiores companhias de navegação do mundo anunciaram o retorno progressivo à via estratégica, reacendendo expectativas positivas para as cadeias de suprimentos globais.

Redução das tensões no mar Vermelho impulsiona retorno
A normalização do trânsito ocorre após o acordo de paz firmado em outubro, no Egito, que reduziu os riscos operacionais no mar Vermelho. Durante o período de instabilidade, ataques próximos ao estreito de Bab al-Mandeb levaram milhares de embarcações a contornar o Cabo da Boa Esperança, adicionando de 10 a 15 dias às viagens, elevando fretes e criando gargalos em portos da Europa e da América do Norte.

O impacto sobre o Egito foi expressivo: o volume de trânsito caiu mais da metade e a receita diminuiu cerca de 60%, representando uma perda estimada de US$ 9 bilhões. O Canal de Suez é responsável por aproximadamente 10% do comércio marítimo mundial.

Retorno gradual para evitar congestionamentos
Segundo a Autoridade do Canal, a retomada será feita de forma ordenada para evitar sobrecarga nos portos do Atlântico Norte, que já enfrentam meses de operações reprogramadas. As navieras reforçam que a plena normalização dependerá da coordenação entre a chegada de grandes embarcações e a capacidade operacional dos terminais, ainda pressionados.

Com o acordo assinado, novembro registrou aumento de 15% no movimento de navios e um avanço de 26% no volume de carga, indicando que a confiança operacional começa a se restabelecer.

Incentivos e novos serviços reforçam competitividade
Para recuperar participação e atrair tráfego, o Canal prorrogou até março de 2026 o desconto de 15% nas taxas de passagem para determinados tipos de embarcações e estuda ampliar benefícios para navios menores. Além disso, passou a oferecer serviços adicionais como reparos, assistência médica, troca de tripulações e atendimento ambiental, buscando consolidar Suez como um hub completo de suporte marítimo.

Impacto para a América Latina
A volta das rotas tradicionais pelo Canal de Suez deve reduzir custos logísticos, encurtar prazos e restabelecer calendários de navegação mais previsíveis, sobretudo para exportadores agrícolas e importadores de insumos industriais da América Latina. A normalização também tende a aliviar a pressão sobre portos europeus e estabilizar o fluxo global de cargas.

FONTE: Todo Logística News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logística News

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Eventos

Tarifaço e barreiras comerciais: especialistas discutem riscos e caminhos para o Brasil em evento online

Especialistas em comércio exterior, economia e relações institucionais estarão reunidos no dia 18 de novembro para analisar o avanço do protecionismo global e debater alternativas para fortalecer a presença do Brasil nas cadeias internacionais de valor.

O Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), será realizado em formato online, com transmissão ao vivo pelo canal CNC Play no YouTube, das 10h às 11h30. O encontro foi organizado em um momento decisivo: o aumento das barreiras comerciais ao redor do mundo e as novas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos reacenderam o alerta sobre a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Tarifaço dos EUA reacende alerta

O recente movimento de aumento tarifário pelos Estados Unidos — que pode chegar a até 50% sobre produtos brasileiros — já preocupa o setor exportador. Segmentos como o químico, metalúrgico e de transformação relatam perda de competitividade e redução das margens.

José Carlos Raposo Barbosa, presidente da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), representará no Fórum a Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da CNC. Ele destaca que o momento exige alinhamento institucional e estratégia. “O comércio exterior brasileiro precisa de previsibilidade e de uma estratégia nacional sólida. As empresas estão preparadas para competir, mas precisam de um ambiente que ofereça segurança jurídica e apoio governamental para enfrentar as barreiras externas”, afirma Raposo.

Brasil ainda enfrenta barreiras internas

Além das pressões externas, o país convive com entraves domésticos que dificultam a inserção de empresas nas cadeias globais. Estudos apontam que o Brasil é um dos países com maior número de barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e licenças específicas, além da morosidade nos processos aduaneiros.

O economista Fabio Bentes, gerente-executivo de Análise e Desenvolvimento Econômico da CNC, reforça que o cenário internacional passa por transformações profundas. “A tendência mundial é de reindustrialização e regionalização de cadeias. Se o Brasil não reagir com acordos comerciais e políticas de incentivo, pode ver sua participação no comércio global cair ainda mais”, alerta Bentes.

Agenda de soluções no formato digital

O evento tem como objetivo propor caminhos práticos para que o setor privado e o poder público trabalhem de forma integrada na construção de uma política comercial mais competitiva.

Além de Raposo e Bentes, participarão:

  • Otávio Leite, consultor da Fecomércio-RJ e ex-deputado federal
  • Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC

As discussões incluirão estratégias de diplomacia comercial, redução de custos logísticos, acordos regionais e mecanismos para ampliar a participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Felipe Miranda destaca a importância da aproximação entre o Congresso Nacional e as entidades empresariais. “O Brasil precisa atualizar sua política comercial com base em dados e previsões globais. O papel da CNC é justamente articular essa ponte entre o Legislativo e o setor produtivo”, afirma.

Liderança institucional

A abertura contará com a participação de José Roberto Tadros, presidente da CNC, além de:

  • Luiz Carlos Bohn (Fecomércio-RS)
  • Sergio Henrique Moreira de Sousa (AGR)
  • Andrea de Marins Esteves (ACBCS)

A iniciativa reforça o protagonismo da CNC na articulação de pautas estratégicas do comércio e serviços, com atuação em fóruns nacionais e internacionais.

Serviço – Evento Online

Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades
📅 18 de novembro de 2025
🕙 10h às 11h30 (horário de Brasília)
💻 Transmissão ao vivo no YouTube – canal CNC Play
👥 Palestrantes: José Carlos Raposo, Otávio Leite, Fabio Bentes e Felipe Miranda


Inscrições gratuitas no link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento-online/forum-comercio-exterior-desafios-e-oportunidades/3149329?referrer=cnc.agidesk.com&referrer=cnc.agidesk.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

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Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Do otimismo à cautela: comércio global deve desacelerar drasticamente em 2026, alerta OMC 

Um dos assuntos mais comentados na última semana foi a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que divulgou novas estimativas que indicam uma forte desaceleração do comércio global de mercadorias em 2026. Segundo a instituição, o crescimento será de apenas 0,5%, índice bem menor em relação à previsão anterior de 1,8%. Para 2025, no entanto, a projeção foi revista para cima: a expectativa passou de 0,9% para 2,4%, refletindo principalmente o aumento nas importações para os Estados Unidos antes da implementação de novas tarifas e o avanço do comércio de produtos ligados à inteligência artificial. 

De acordo com a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, o cenário é preocupante. “As perspectivas para o próximo ano são mais sombrias… Estou muito preocupada”, afirmou em entrevista em Genebra. Apesar disso, ela destacou que o sistema multilateral baseado em regras tem proporcionado alguma estabilidade diante da turbulência global (Fonte: Reuters). 

Efeito pós-tarifaço dos EUA 

A queda na perspectiva de crescimento para 2026 tem como principal causa o impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em 2025, sob o governo Donald Trump. As medidas tarifárias, que afetaram dezenas de países, aumentaram a imprevisibilidade no comércio internacional e reacenderam o debate sobre a escalada do protecionismo. Entre os países afetados, estão importantes parceiros comerciais como Brasil, Índia e Suíça. A União Europeia, por sua vez, fechou um acordo que estabeleceu tarifas de 15% sobre a maioria das importações. 

O cenário atual reforça um padrão de instabilidade já observado em anos anteriores. Em 2022, por exemplo, a OMC havia projetado crescimento de apenas 1% para 2023. Já em abril de 2025, a entidade chegou a prever queda de 0,2% no volume do comércio, mas revisou os números para cima em outubro do mesmo ano, mostrando a volatilidade das previsões diante de mudanças políticas e econômicas (Fontes: Estadão Conteúdo e UOL). 

Impactos imediatos nas exportações brasileiras 

Dados do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, com base em informações oficiais, apontam que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 27,7% em apenas um mês, e 18,5% na comparação anual. O impacto foi ainda mais acentuado regionalmente: no Sudeste, principal polo exportador, a queda chegou a 38% no intervalo de 30 dias; no Nordeste, a retração impressiona, atingindo 52,7% entre julho e agosto. Segundo os pesquisadores, o saldo positivo no comparativo anual reflete um movimento de antecipação de embarques, realizado por empresas brasileiras em julho para escapar das sobretaxas. (Fonte: Jornal Nacional). 

Reflexos do momento político 

Para Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, além dos reflexos das tarifas impostas pelos EUA, o comércio global reflete também o momento político previsto para o próximo ano. “Acredito que o mercado internacional terá desaceleração do crescimento global em 2026, conforme dados divulgados pela OMC, porém essa desaceleração será impulsionada principalmente por incertezas políticas que irão gerar barreiras comerciais, tendo em vista que teremos ano eleitoral no Brasil”, comenta.   

Além disso, a evolução das tecnologias mundiais tem interferido no comportamento do mercado. “Será um ano com foco em tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) como diferencial competitivo, com empresas se adaptando para a era de maior maturidade digital. Outros fatores a serem considerados incluem a estabilização da inflação na Zona do Euro, o crescimento da China e a necessidade de políticas multilaterais para mitigar tensões comerciais”, complementa Renata, que tem mais de 25 anos de experiência em comercio exterior e logística.  

Novos mercados, relações e oportunidades 

Segundo Renata, ao analisarmos o mercado global, não tem como deixar de fora a China, considerada hoje a segunda potência comercial mundial. Dados da OMC mostram que o país asiático se mantem em crescimento com tendência de alcançar até 4,26% de crescimento. “Apesar de uma taxa moderada a China ainda continuará sendo a indústria do Mundo e continuará a ser uma das melhores oportunidades negócios. Considero que seja um momento muito interessante para quem quer conhecer mais sobre a cultura de negociação e principalmente, quem quer buscar novas oportunidades aliadas ao mercado Chines”, fala.  

Para a CEO do ReConecta News é fundamental que os governos mantenham a inflação sob controle, reforcem a posição fiscal e promovam reformas que melhorem a qualidade institucional dos seus países. “Mudanças no sistema tributário podem ser impactantes nos resultados das empresas. Um outro fator que merece sua devida atenção são as questões de conflitos geopolíticos podem aumentar a aversão ao risco no mercado financeiro, impactando a performance da Bolsa de Valores”, explica.  

O que é a OMC 

Criada em 1995 durante a Rodada Uruguai do GATT, a Organização Mundial do Comércio é responsável por administrar os acordos multilaterais de comércio, servir como fórum de negociação de novas regras, supervisionar a implementação dos acordos e gerenciar o sistema de solução de controvérsias. 

O Brasil incorporou os textos da Rodada Uruguai em 1994, por meio do Decreto nº 1.355. Já o Acordo sobre Facilitação de Comércio, concluído na Conferência Ministerial de Bali em 2013, foi internalizado em 2018, por meio do Decreto nº 9.326. Entre os princípios básicos da OMC estão a não-discriminação, a previsibilidade, a concorrência leal e o tratamento especial a países em desenvolvimento. 

Desafio e oportunidade 

As novas projeções reforçam o desafio de manter a estabilidade no comércio global em um ambiente de crescente protecionismo e tensões políticas. Apesar da revisão positiva para 2025, o alerta para 2026 mostra que a resiliência do sistema multilateral ainda é testada por medidas unilaterais que podem comprometer investimentos, previsibilidade e o crescimento sustentável. 

Para Renata Palmeira, analisar o cenário de cada empresa e as projeções mundiais fazem parte do planejamento estratégico para o próximo ano. Muitas vezes o que aprece dificuldade pode ser oportunidade. “Teremos um “ano quente”, repleto de tensões e oportunidades. “Enquanto uns choram outros vendem lenços”, então busque em 2026 impactar o mercado com ações inovadoras, por isso sempre digo: seja a solução”, finaliza Renata.  


TEXTO: REDAÇÃO

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