Comércio Exterior

Desligamento da DI no Siscomex começa em 30 de março com nova etapa do Portal Único

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e a Secretaria Especial da Receita Federal (RFB) apresentam o cronograma de desligamento do sistema Siscomex DI, ampliando a obrigatoriedade de uso de LPCO e Duimp no Portal Único de Comércio Exterior, de acordo com o Novo Processo de Importação (NPI).

O cronograma de desligamento foi aprovado em reunião do Comitê Executivo do SISCOMEX e sua efetivação dependerá de validações feitas pelo setor privado no âmbito do Subcomitê de Cooperação do CONFAC, conforme Plano de Ação divulgado em sua 10ª Reunião.     

O cronograma abaixo reflete as datas a partir das quais já é obrigatório registrar LPCO e/ou Duimp nas operações de importação, bem como as datas futuras de desligamento de outras operações, caso a validação pelo setor privado não tenha indicado problemas sistêmicos impeditivos, conforme definido no Plano de Ação. Desta forma, será vedado ao importador, a partir de então, a possibilidade de continuar realizando essas operações por meio do Siscomex DI. 

A planilha completa consta neste link.

*Situações especiais que devem ser observadas nas operações: 

  1. O LI não possui mecanismos de desligamento, o sistema que é desligado é a DI. Neste sentido, cabe esclarecer que conforme cronograma acima, caso a LI tenha sido registrada após a data de desligamento da operação, mesmo na situação de deferimento pelo órgão anuente, quando da tentativa de registro da DI (e consequente vinculação do LI deferido), haverá emissão de mensagem de impossibilidade de registro, com indicação de Duimp obrigatória.  Assim, é responsabilidade do importador acompanhar atentamente o cronograma, a fim de evitar o registro indevido de LI em período incompatível, o que poderá ocasionar atrasos no desembaraço da mercadoria e consequente aumento dos custos da operação.
  2. Mercadorias com apenas um órgão anuente: o desligamento da Declaração de Importação (DI) ocorrerá na data indicada na tabela acima, exceto nos casos de impossibilidade de Duimp listados na última coluna da tabela.
  3. Mercadorias com mais de um órgão anuente: o desligamento da Declaração de Importação (DI) ocorrerá somente na data indicada na tabela acima que corresponda ao momento em que todos os órgãos anuentes tenham efetuado o desligamento, exceto nos casos de impossibilidade de Duimp listados na última coluna da tabela.
  4. LI registradas com controle administrativo antes da data de desligamento: poderão ser vinculadas às Declarações de Importação (DI) mesmo após a data de desligamento. As DI poderão ser registradas após esta data, pois segue a regra da data de registro do LI deferido vinculado.
  5. LI deferidas que necessitem de substituição: poderão ser emitidas LI substitutivas mesmo após a data de desligamento da DI.
  6. Nacionalização de Depósito Especial, cuja Admissão tenha sido por meio de Dl deve cumprir com o cronograma previsto para 01/12/2026.
  7. Mercadorias com mais de um regime tributário aplicável em uma mesma operação: o desligamento da DI ocorrerá somente na data indicada na tabela acima que corresponda ao momento em que todos os regimes tributários tenham sido desligados, exceto nos casos de impossibilidade de Duimp listados na última coluna da tabela.
  8. As UFs citadas na quarta coluna da tabela acima relacionadas aos “TIPOS DE OPERAÇÕES (DI)” se referem a: UF do endereço do importador; UF do endereço do adquirente; UF da URF de despacho. Para fins de cronograma de desligamento, basta que na operação haja pelo menos uma destas UFs “ligada” para que a operação possa ser efetuada por DI.
  9. Os desligamentos programados para as operações indicadas na quarta coluna da tabela acima também se aplicam aos importadores pessoas físicas, os quais deverão observar integralmente os fluxos de anuência de importação estabelecidos pelos órgãos competentes, incluindo, conforme o tipo de operação, as exigências relativas à LPCO e ao Catálogo de Produtos.
  10. A indicações de Fundamentos Legais e Sem fundamento constantes na coluna “Tipos de operações (DI)” se referem a Tabela Aduaneira FUNDAMENTO LEGAL – REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO II, disponível para consulta no https://www35.receita.fazenda.gov.br/tabaduaneiras-web/private/pages/telaInicial.jsf
  11. O radar limitado indicado na última coluna da tabela do cronograma se refere ao tipo de habilitação do importador, adquirente ou encomendante.

Como forma de facilitar o entendimento do Cronograma, foi elaborado fluxograma para verificação diária das regras de DUIMP obrigatória, DI obrigatória ou DUIMP opcional.

Atenção para as operações que ainda não estão disponíveis para registro de Duimp, cuja importação deverá ser efetuada por LI/DI. A figura abaixo destaca com o “X” as operações que não estão disponíveis para registro de Duimp:

Nota 1: Entidades cuja natureza jurídica se enquadre no “Grupo 1 – Administração Pública – da Tabela de Natureza Jurídica da Comissão Nacional de Classificação”, continuarão realizando o registro de importações por Declaração de Importação (DI). O ligamento para esse grupo se dará em etapa futura.

Caso haja identificação de erros impeditivos, que inviabilizem o avanço do cronograma, as datas serão revistas e atualizadas, garantindo a segurança nas operações e previsibilidade ao setor afetado.

A Secex e RFB reafirmam seu compromisso com a comunidade de comércio exterior, assegurando que a migração das importações para o Portal Único de Comércio Exterior seja conduzida de forma planejada, gradual e segura.

VersãoData   Alteração
107/10/2025   Emissão Inicial
204/11/2025Alteração do Recof (FL 49 – SP) para 19/01/2026Exclusão de Autopeças (FL 59, 95 e 97) para o Ceará de 15/12/2025Inclusão de Autopeças (FL 59, 95 e 97) para o Ceará em 23/02/2026Alteração do cronograma de desligamento e do fluxograma no que tange ao desligamento de produtos sujeitos ao controle administrativo de mais de um órgão anuente
310/11/2025Repetro alterado para desligamento em 15/12/2025
414/11/2025Inserção dos itens 9 e 10 nas impossibilidades
521/11/2025Exclusão do IBAMA no cronograma de dezembro de 2025;Alteração do escopo do INMETRO para janeiro de 2026 restrito aos produtos com agrupamento por modelo;Inclusão do INMETRO para produtos com agrupamento por família em março de 2026;Inserção do item 6 na listagem “Produtos sujeitos ao controle administrativo de órgãos anuentes devem observar as situações”;Ajuste do texto do item 10 da coluna de IMPOSSIBILIDADES.
605/12/2025Inserção do item 7 na listagem “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”
710/12/2025Alteração do texto do item 7 na listagem “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”;Substituição do fluxograma;Alteração do Drawback isenção de janeiro para fevereiro.
812/12/2025Adiamento do CNPQ e ANP para janeiro de 2026Inserção do Repetro RJ para janeiro de 2026Inserção do CNPQ e ANP para janeiro de 2026
918/12/2025Alteração nos textos dos itens 3 e 4 das “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”
 1015/01/2026Adiamento dos Fundamentos Legais/Sem fundamento previstos para janeiro de 2026, no Estado do RJ, para março de 2026;Adiamento da ANP para março de 2026;Concentração do desligamento INMETRO em março de 2026;Exclusão do item 6 das “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”;Renumeração do item 7 para número 6  das “Situações especiais que devem ser observadas nas operações“.
1120/01/2026Inclusão do item 7 nas “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”.
1221/01/2026Atualização do texto e  figura de desligamento vigente e futuro;Inserção do item 8 na  lista de “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”.
1326/01/2026Inserção do item 9 na lista “Situações especiais que devem ser observadas nas operações”.
1430/01/2026Inserção do impedimento 11, que será desligado somente em 01/12/2026;Inserção do impedimento 12, que será desligado somente em 31/08/2026;Inserção de nova data de desligamento para 31/08/2026.
1509/02/2026Adiamento das operações Sem Fundamento (SP) marítimo para 23/03/2026;Adiamento das operações Drawback Isenção – RT 3 / FL 16 para 30/03/2026.
1605/03/2026Atualização do texto para esclarecimento sobre desligamento exclusivo da DI e como é o comportamento do LI neste cenário.Inserção do item 11 sobre esclarecimento do radar limitado citado no cronograma.

FONTE: Receita Federal / Siscomex
IMAGEM: Freepik

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Importação

Imposto de importação gera polêmica após aumento, recuo parcial e disputa sobre “fake news”

O recente aumento do imposto de importação sobre mais de 1.200 produtos, incluindo eletrônicos e itens de informática, provocou forte repercussão pública e abriu um debate sobre a comunicação oficial do governo federal. Após a reação negativa, parte das medidas foi revista e, na sequência, autoridades passaram a afirmar que informações sobre a alta de tributos estariam sendo divulgadas de forma equivocada nas redes.

A mudança inicial nas alíquotas de importação atingia uma ampla lista de mercadorias, o que gerou preocupação entre consumidores e especialistas em tecnologia, varejo eletrônico e comércio exterior.

Recuo parcial suspende imposto para parte dos eletrônicos

Diante da repercussão, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou a reversão da tributação para 120 itens, entre eles smartphones, peças de computador e outros componentes usados no setor de tecnologia.

A decisão foi comunicada à imprensa na tarde de sexta-feira (27). Horas depois, às 22h, o vice-presidente Geraldo Alckmin publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que informações sobre aumento de impostos para diversos produtos eram “fake news”.

Até a publicação desta reportagem, o vídeo ultrapassava 6,5 milhões de visualizações em diferentes plataformas. Na gravação, Alckmin citou produtos que, segundo ele, não sofreriam aumento de imposto, como:

  • celulares
  • notebooks
  • gabinetes
  • memória RAM
  • roteadores
  • processadores
  • placas-mãe
  • LED

“Nada disso vai ter aumento de imposto. Essa semana circularam muitas notícias falsas, vídeo que inventa história para assustar as pessoas”, declarou o vice-presidente.

Parlamentares contestam versão do governo

A publicação gerou reação imediata de parlamentares da oposição. O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) comentou diretamente na postagem, afirmando que o recuo ocorreu após pressão política.

“Foi depois que propus na Câmara a revogação dos aumentos que vocês cancelaram. Agora virou fake news?”, questionou.

Outro crítico foi o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que afirmou em publicação na rede X que a medida inicial afetava mais de mil produtos e que apenas parte dela foi revista.

Já o deputado Kim Kataguiri (União-SP) divulgou vídeo nas redes sociais contestando a afirmação de desinformação. No conteúdo, ele exibe declarações do ministro da Fazenda Fernando Haddad defendendo o aumento das tarifas.

Procurada, a assessoria de comunicação de Alckmin afirmou que o vídeo teve como objetivo “combater desinformação”, reiterando que os produtos mencionados não sofreriam aumento de impostos.

Debate ocorre em meio a pressão nas redes sociais

A discussão sobre o aumento do imposto de importação ganhou grande visibilidade nas plataformas digitais. Em 24 de fevereiro, três dias antes do anúncio do recuo parcial, um vídeo publicado por Nikolas Ferreira criticando a medida alcançou cerca de 29 milhões de visualizações.

Analistas políticos avaliam que a repercussão negativa ocorreu em um momento delicado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais, o que teria contribuído para a decisão de rever parte da tributação.

Nos bastidores, comentaristas apontam que o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, teria defendido a reversão das medidas para reduzir o impacto da crise digital.

Segundo relatos, o episódio chegou a ser comparado internamente à polêmica envolvendo o Pix, em 2025, quando um vídeo de Nikolas Ferreira criticando mudanças na fiscalização de transações ultrapassou 300 milhões de visualizações.

Governo afirma que não houve recuo na política de tarifação

Mesmo após a revisão de parte das medidas, o governo voltou a afirmar no sábado (28) que não houve recuo generalizado na política de tributação.

Em publicações na rede X, o Executivo declarou que era “imprecisa ou falsa” a informação de que produtos como celulares, notebooks e memória RAM ficariam mais caros.

Segundo a explicação oficial, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) apenas reverteu o aumento de tarifas sobre GPU, processadores e placas de vídeo, itens que não possuem produção nacional equivalente.

De acordo com o governo, nesses casos houve manutenção de isenções já existentes ou ampliação da isenção para produtos que anteriormente tinham apenas redução parcial de imposto.

Haddad havia defendido aumento para proteger indústria nacional

No início de fevereiro, o Ministério da Fazenda divulgou nota técnica defendendo a elevação das alíquotas de importação.

Segundo o documento, a medida buscava compensar reduções tarifárias realizadas ao longo dos anos e fortalecer a indústria nacional frente à concorrência internacional.

Dias antes do recuo parcial, o ministro Fernando Haddad também declarou que a mudança nas tarifas poderia proteger a produção brasileira sem provocar aumento de preços ao consumidor.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Mercosul–União Europeia: Senado aprova acordo comercial que cria maior zona de livre comércio do mundo

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, concluindo a tramitação do tratado no Congresso Nacional. A votação ocorreu de forma unânime entre os parlamentares.

O texto foi formalizado por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/2026 e agora aguarda apenas a promulgação pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Com essa etapa final, o pacto será oficialmente internalizado no ordenamento jurídico brasileiro.

Redução de tarifas impulsiona comércio internacional

O acordo prevê uma ampla redução de tarifas entre os dois blocos econômicos. Pelo cronograma estabelecido, os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — eliminarão tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos.

Em contrapartida, a União Europeia deverá retirar tarifas de 95% dos bens exportados pelo Mercosul em um período de até 12 anos. A medida tende a ampliar o fluxo de comércio entre os blocos e fortalecer as relações econômicas entre América do Sul e Europa.

Maior zona de livre comércio do planeta

Com a implementação do tratado, será formada a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo um mercado com mais de 720 milhões de habitantes.

A expectativa é de que a abertura comercial favoreça o aumento das trocas internacionais, além de estimular investimentos e parcerias estratégicas entre empresas dos dois blocos.

Impacto nas exportações brasileiras

Estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam que o acordo pode gerar um crescimento de aproximadamente US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.

Além do aumento nas vendas externas, o tratado também deve contribuir para diversificar a pauta exportadora do país, abrindo novas oportunidades para diferentes setores produtivos, incluindo a indústria.

Na semana passada, os parlamentos de Argentina e Uruguai já haviam aprovado o acordo, reforçando o avanço da implementação do tratado dentro do Mercosul.

União Europeia avalia aplicação provisória

Do lado europeu, o Parlamento Europeu solicitou, em janeiro, uma análise jurídica do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Mesmo com a avaliação em andamento, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou recentemente que o bloco pretende aplicar o tratado de forma provisória a partir de maio.

O acordo conta com forte apoio de países como Alemanha e Espanha, mas enfrenta resistência principalmente da França, que teme impactos competitivos no setor agropecuário europeu.

Fonte: Agência Brasil.

TEXTO: Conteúdo produzido com suporte de IA, sob curadoria editorial da equipe ReConecta News.

IMAGEM: ILUSTRATIVA / ARQUIVO / RECONECTA NEWS

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Internacional

Licitação da VNT enfrenta denúncias, rumores e tensão política na Argentina

A licitação para o dragado e balizamento da Vía Navegable Troncal (VNT), principal corredor de exportações da Argentina, entrou em uma fase decisiva marcada por tensões políticas, ações judiciais e especulações entre empresas interessadas em um contrato estratégico que pode durar até 30 anos.

Empresas e interesse estratégico

Com a divulgação das empresas participantes, surgiram rumores sobre alianças, possíveis desistências e acordos entre competidores. Entre os candidatos estão as belgas Jan de Nul e DEME (Dredging, Environmental and Marine Engineering NV), além da brasileira DTA Engenharia. Para o governo argentino, a apresentação dessas propostas foi interpretada como um passo positivo para a continuidade da licitação de uma infraestrutura fundamental para o comércio exterior.

A VNT concentra cerca de 80% das exportações agroindustriais do país, tornando seu manutenção e dragagem essenciais para garantir a competitividade logística. Por isso, tanto o setor privado quanto atores políticos e sindicais ligados ao sistema portuário acompanham de perto cada etapa do processo.

Judicialização e questionamentos técnicos

O avanço administrativo, no entanto, foi interrompido por uma crescente judicialização. Poucas horas antes do anúncio das empresas participantes, o presidente do Conselho Portuário Argentino, José María Lojo, apresentou denúncia penal contra o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o chefe da Agência Nacional de Portos e Navegação (ANPyN), Iñaki Arreseigor. A ação judicial questiona possíveis irregularidades técnicas e administrativas nos documentos da licitação.

O cenário ganhou reforço parlamentar. O deputado Jorge Taiana, com apoio de outros legisladores, solicitou ao Poder Executivo informações detalhadas sobre aspectos econômicos, ambientais, técnicos e de concorrência da licitação, buscando garantir transparência e competição efetiva no processo.

Especulações empresariais

O setor empresarial também tem sido palco de especulações. A ausência de empresas estadunidenses chamou atenção, embora rumores indiquem possível apoio indireto a DEME por meio de uma parceria com a americana Great Lakes Dredge & Dock Company, incluindo eventual suporte institucional da embaixada dos EUA.

A DEME não respondeu questionamentos sobre acordos estratégicos. Caso a parceria se confirme, analistas apontam que isso poderia alterar o equilíbrio competitivo, prejudicando as chances da Jan de Nul, veterana da hidrovía e apontada como favorita para continuar à frente do serviço.

Rumores também atingiram a brasileira DTA Engenharia, sugerindo desistência ou alianças com concorrentes. A empresa, porém, negou veementemente essas informações e reafirmou seu compromisso:

“As informações sobre uma possível desistência da DTA na licitação da Hidrovía Paraná-Paraguay não são corretas. DTA está plenamente ativa e competitiva no processo. Atualmente, dois diretores e o CEO da empresa estão na Argentina, demonstrando total comprometimento e confiança na proposta.”

Impacto econômico e estratégico

A incerteza em torno da licitação reflete a importância econômica e estratégica do contrato. A concessão definirá a empresa responsável pela manutenção da hidrovía, crucial para cerca de 80% das exportações argentinas, impactando diretamente os custos logísticos do setor agroindustrial e a inserção internacional do país.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Economia

Tarifaço americano teve impacto pontual na economia brasileira, aponta IBGE

O chamado tarifaço americano teve efeito limitado sobre o desempenho da economia brasileira em 2025. A avaliação é da coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rebeca Palis, durante a apresentação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o instituto, o Brasil registrou crescimento de 2,3% no ano passado em comparação com 2024, mesmo diante das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é o principal termômetro do desempenho da economia.

Exportações cresceram apesar das tarifas

Os dados mostram que as exportações brasileiras avançaram 6,2% em 2025 frente ao ano anterior. Para o IBGE, os impactos das tarifas foram localizados.

De acordo com Rebeca Palis, exportadores brasileiros redirecionaram parte das vendas para outros mercados internacionais. Ela destacou que os Estados Unidos vêm perdendo participação relativa como destino dos produtos nacionais.

A pesquisadora ainda ponderou que, sem o aumento das tarifas, o volume exportado poderia ter sido maior. Ainda assim, o desempenho das vendas externas foi considerado relevante para sustentar o crescimento econômico no período.

Atualmente, os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

O que foi o tarifaço de 2025

O pacote de elevação de tarifas foi implementado em agosto de 2025 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A justificativa oficial era proteger a indústria americana, incentivando a produção interna e reduzindo a dependência de produtos importados.

No caso brasileiro, algumas mercadorias foram submetidas a taxas de até 50%. Além do argumento econômico, Trump mencionou questões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que acabou sendo condenado pelo Supremo Tribunal Federal em setembro de 2025 por tentativa de golpe de Estado.

Desde então, os dois países mantêm negociações para preservar a parceria comercial Brasil–Estados Unidos.

Impacto nas vendas para os EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 6,6% em 2025.

Mesmo assim, o resultado geral das vendas externas foi suficiente para manter o avanço da economia no ano.

Suprema Corte dos EUA derruba medida

Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou a decisão que autorizava a taxação sobre compras internacionais. Como resposta, o governo americano anunciou uma tarifa de 10% para diversos países.

Segundo o Mdic, o novo regime tarifário deve preservar cerca de 46% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, reduzindo parcialmente o impacto das restrições comerciais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Comércio Exterior

MERCOSUL-Canadá avançam em acordo de livre comércio na VIII Rodada Negociadora

A VIII Rodada Negociadora do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Canadá foi realizada entre os dias 23 e 27 de fevereiro, em Brasília, reunindo representantes dos países do bloco sul-americano e do governo canadense. O encontro reforça o esforço para ampliar a integração econômica e fortalecer as relações comerciais entre as partes.

As tratativas haviam sido retomadas em outubro do ano passado e seguem com o objetivo de aprofundar o intercâmbio bilateral e estimular a integração produtiva entre as economias envolvidas.

Grupos técnicos discutem áreas estratégicas

A rodada contou com a presença dos negociadores-chefes do MERCOSUL e do Canadá, além de reuniões presenciais entre grupos técnicos responsáveis por temas centrais do acordo.

Entre os assuntos debatidos estiveram:

  • Comércio de bens
  • Comércio de serviços
  • Serviços financeiros
  • Comércio transfronteiriço
  • Comércio e desenvolvimento sustentável
  • Propriedade intelectual
  • Solução de controvérsias

O foco atual está na consolidação de textos técnicos e na formulação de ofertas que possam viabilizar avanços concretos nas próximas etapas.

Nova rodada prevista para abril

As delegações já confirmaram que uma nova rodada de negociações ocorrerá em abril. A expectativa é de que os grupos técnicos avancem na harmonização de propostas e na definição de compromissos tarifários e regulatórios.

O acordo é considerado estratégico para ampliar mercados, diversificar exportações e fortalecer cadeias produtivas entre América do Sul e América do Norte.

Comércio bilateral em crescimento

O intercâmbio comercial entre Brasil e Canadá registrou desempenho expressivo em 2025. A corrente de comércio alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões.

O avanço nas negociações pode ampliar ainda mais o fluxo de exportações brasileiras, consolidando oportunidades para setores industriais e agropecuários.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Exportação

Queda do tarifaço dos EUA impulsiona exportações de Santa Catarina

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros trouxe novo fôlego aos exportadores de Santa Catarina. Desde a última terça-feira (24), mercadorias enviadas ao mercado norte-americano deixaram de sofrer a sobretaxa de 50% e passaram a ser tributadas em 10%.

A nova alíquota foi definida pelo presidente Donald Trump após a decisão judicial, com a possibilidade de ampliação para 15% para todos os países. Mesmo diante da incerteza, a redução representa alívio para empresas catarinenses que haviam perdido espaço ou absorvido parte do custo adicional para manter contratos com clientes nos Estados Unidos.

Impacto bilionário nas exportações brasileiras

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024, estima que o fim do tarifaço pode gerar impacto positivo de US$ 21,6 bilhões por ano nas exportações brasileiras aos EUA.

O Brasil, segundo análise da Global Trade Alert, tende a ser o país mais beneficiado com a reversão das tarifas. Ainda assim, o ambiente de negócios segue marcado por cautela, especialmente diante da possibilidade de novas mudanças na política comercial norte-americana.

Fiesc vê avanço, mas alerta para insegurança

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) classificou como positiva a decisão da Suprema Corte, mas destacou preocupação com a reação da Casa Branca ao manter uma nova taxa.

Para o presidente da entidade, Gilberto Seleme, as mudanças frequentes elevam o nível de insegurança nas relações comerciais com os Estados Unidos. Já a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, reforçou que a federação continuará apoiando a diversificação de mercados internacionais, estratégia considerada essencial para reduzir riscos.

Setores mais beneficiados em SC

Em Santa Catarina, o segmento de madeira e móveis deve ser o principal beneficiado com a redução tarifária. O cenário também melhora para a indústria metalmecânica, especialmente para empresas com forte presença no mercado externo, como:

  • WEG
  • Tupy
  • Nidec
  • Schulz

Além das grandes companhias, dezenas de empresas que exportam ou já exportaram aos EUA também devem sentir efeitos positivos. Entre os setores contemplados estão:

  • Revestimentos cerâmicos
  • Plásticos
  • Têxteis
  • Barcos de lazer
  • Gelatina
  • Pescados
  • Couros
  • Máquinas e equipamentos

Apesar do cenário mais favorável, a expectativa é de que as indústrias catarinenses mantenham postura prudente nas negociações com o mercado americano, ao menos até o fim do atual ciclo político nos Estados Unidos, previsto para janeiro de 2029.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave

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Informação

IBAMA, Exército e Ministério da Defesa passam a operar exclusivamente pelo Novo Portal Único

A modernização do comércio exterior brasileiro avançou mais um passo em fevereiro com a consolidação da DUIMP como principal instrumento no processo de importação. Três importantes órgãos federais deixaram de utilizar o sistema de Licença de Importação (LI) e passaram a atuar exclusivamente pelo Novo Portal Único de Comércio Exterior.

A mudança envolve o IBAMA, o Exército Brasileiro e o Ministério da Defesa, que agora realizam seus controles administrativos apenas por meio do novo ambiente integrado do NPI.

Avanço da DUIMP marca nova etapa da modernização

A substituição gradual da LI pela Declaração Única de Importação (DUIMP) integra o cronograma oficial de implementação iniciado em 2025. A proposta do governo é unificar procedimentos, reduzir burocracias e tornar o fluxo de importações mais eficiente.

Com a migração definitiva desses três órgãos, o processo ganha:

  • Maior integração de sistemas
  • Redução da fragmentação operacional
  • Mais previsibilidade regulatória
  • Procedimentos mais modernos e digitais

A expectativa é que outros órgãos anuentes também concluam seus desligamentos do modelo antigo ao longo de março, seguindo o calendário estabelecido.

Importadores devem acompanhar prazos no Siscomex

Diante da transição em andamento, importadores, despachantes aduaneiros e demais operadores de comércio exterior precisam acompanhar atentamente as atualizações no Portal Siscomex. O sistema disponibiliza informações sobre prazos, modalidades de operação e possíveis exceções durante a fase de migração.

A implementação definitiva do Novo Portal Único é considerada o maior projeto de transformação estrutural do comércio exterior no país, aproximando-se agora de uma etapa decisiva.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Metrópoles

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Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Exportação

Exportadores brasileiros antecipam embarques aos EUA diante de risco de alta nas tarifas

Com a entrada em vigor da nova tarifa adicional de 10% dos Estados Unidos, exportadores brasileiros correm para antecipar embarques ao mercado norte-americano. O movimento ocorre em meio à incerteza sobre possível elevação da alíquota para 15% e ao risco de novas sobretaxas com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

A nova taxa global passou a valer na terça-feira (24) e substitui o chamado “choque tarifário” anterior, que impunha sobretaxas de 40% e 50% a parte das exportações brasileiras.

Novo cenário tarifário nos EUA

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que, antes de decisão da Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas impostas com base no IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), cerca de 22% das exportações brasileiras ao mercado americano estavam sujeitas às sobretaxas mais elevadas.

Após a decisão judicial e atos executivos que eliminaram essas cobranças, o cenário mudou:

  • 25% das exportações brasileiras passaram a pagar tarifa adicional de 10%, com possibilidade de aumento para 15%;
  • 46% não enfrentam sobretaxa;
  • 29% permanecem sujeitas a tarifas entre 10% e 50%, com base na Seção 232, aplicada a produtos como aço, alumínio e madeira.

A nova tarifa global está fundamentada na Seção 122 da lei comercial dos anos 1970.

Risco da Seção 301 preocupa indústria

Apesar da carga tributária atual ser mais branda, a Abimaq trabalha com um cenário mais cauteloso: aumento da tarifa para 15% e eventual desfecho desfavorável na investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301.

O presidente da entidade, José Velloso, avalia que a Seção 301 pode resultar em sobretaxas específicas contra produtos brasileiros, diferentemente da tarifa global de 10%, que atinge todos os fornecedores.

Segundo ele, mesmo uma elevação aparentemente pequena, de 10% para 15%, representa grande insegurança para importadores norte-americanos.

A advogada especializada em comércio exterior Vera Kanas, sócia da VK Law, observa que a Seção 122 permite tarifa de até 15%, mas questiona a base legal da medida vinculada ao déficit comercial dos EUA. Para ela, há risco de contestação no Congresso ou até nova judicialização na Suprema Corte.

Setor calçadista ganha competitividade

Para a Abicalçados, o novo ambiente tarifário trouxe melhora relativa na competitividade do produto brasileiro.

Com a substituição da sobretaxa de 50% por uma tarifa global de 10%, os calçados nacionais deixaram de enfrentar desvantagem frente a concorrentes asiáticos no mercado americano.

Até julho de 2025, antes do choque tarifário, as exportações brasileiras de calçados aos EUA haviam crescido 15,3% em volume na comparação anual. No entanto, entre agosto e dezembro de 2025, já sob a sobretaxa, houve queda de 23,4% nos embarques.

A entidade classifica o momento como de “otimismo cauteloso”.

Investigação pode ampliar tensão comercial

A investigação com base na Seção 301 foi aberta em 15 de julho do ano passado e já está em estágio avançado. As alegações envolvem supostas práticas discriminatórias que afetariam o comércio dos EUA, incluindo temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix — propriedade intelectual e questões ambientais.

Velloso afirma que a defesa brasileira foi consistente, mas avalia que a decisão pode ter caráter político. Caso o Brasil seja penalizado, o governo americano poderá impor tarifas adicionais sobre qualquer produto nacional, a qualquer momento.

A expectativa é de que o desfecho ocorra entre o fim de maio e junho.

Estratégia é antecipar exportações

Diante desse cenário, entidades do setor orientam empresas a antecipar vendas e embarques aos EUA, se possível com chegada das mercadorias até meados de abril. Considerando que o processo completo de exportação até o desembarque leva cerca de 45 dias, o tempo é fator decisivo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, reforça que a recomendação geral é adiantar embarques sempre que viável, embora isso dependa de negociação com importadores e da volatilidade cambial.

Ele também destaca que muitos produtos isentos da tarifa global de 10% são commodities, o que pode reduzir a participação de bens com maior valor agregado na pauta exportadora brasileira aos EUA.

Seção 232 adiciona complexidade

Outro fator de preocupação é a Seção 232, que mantém sobretaxas justificadas pela proteção da indústria americana de aço e alumínio.

Além das tarifas de até 50% já aplicadas a esses metais, o governo dos EUA incluiu, em julho de 2025, novos produtos intensivos em aço na lista, afetando máquinas rodoviárias e equipamentos de construção e mineração.

Nesse caso, a tributação incide proporcionalmente ao conteúdo de aço no produto. Se o aço representar 20% do custo da máquina, por exemplo, essa parcela paga 50% de imposto, enquanto os demais 80% ficam sujeitos à tarifa geral de 10%.

Impacto nas exportações brasileiras

A Abimaq registrou exportações de US$ 14 bilhões em 2025, sendo os Estados Unidos o principal destino, com US$ 3,2 bilhões. Antes do choque tarifário, as vendas ao mercado americano haviam alcançado US$ 4 bilhões.

Segundo o setor, a queda não foi maior devido a contratos já firmados e ao perfil específico dos produtos exportados, que mantiveram a demanda por parte de importadores americanos.

No entanto, caso novas sobretaxas sejam aplicadas, há risco de perda gradual de contratos e substituição de fornecedores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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