Tecnologia

China autoriza importação de chips para montadoras brasileiras e ajuda a conter risco de desabastecimento

O governo chinês anunciou que concederá autorizações especiais de importação de chips para montadoras brasileiras, em uma iniciativa que busca evitar o desabastecimento de semicondutores no país. A decisão foi confirmada pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, à Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), após tratativas diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro.

De acordo com o comunicado, as empresas brasileiras que enfrentarem dificuldades para importar semicondutores poderão solicitar exceções ao embargo diretamente à Embaixada da China em Brasília ou ao Ministério do Comércio chinês. Cada pedido será avaliado individualmente antes da concessão da licença especial de exportação.

Crise global de semicondutores pressiona o setor automotivo

A medida surge em meio à crescente tensão global na cadeia de fornecimento de chips, agravada pela recente intervenção do governo dos Países Baixos na Nexperia, uma das maiores fabricantes mundiais de chips automotivos. A empresa responde por cerca de 40% do mercado global de componentes básicos utilizados em veículos — como diodos, transistores e reguladores de tensão.

A decisão holandesa, justificada por motivos de segurança nacional, provocou reação imediata da China, que impôs restrições à exportação de produtos da Nexperia fabricados ou processados em seu território. O bloqueio afetou diretamente o abastecimento internacional de semicondutores, gerando preocupação em países que dependem fortemente dessas importações, como o Brasil.

Dependência brasileira de chips importados

O mercado automotivo brasileiro é altamente dependente de importações de semicondutores. Segundo a Anfavea, cada veículo produzido no país contém entre mil e três mil chips, essenciais para o funcionamento de sistemas de injeção eletrônica, freios, segurança e entretenimento.

Uma interrupção no fornecimento desses componentes pode paralisar as linhas de produção em poucas semanas. A associação estima que, sem reposição de chips, as montadoras brasileiras seriam obrigadas a suspender a produção em até três semanas.

Impactos econômicos e reação do governo

O setor automotivo brasileiro, responsável por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, movimenta uma ampla cadeia produtiva que envolve siderurgia, plásticos e eletrônicos. Diante da crise global, a abertura de diálogo com a China é considerada uma estratégia essencial para garantir o fornecimento de insumos e evitar impactos sobre a economia e o emprego.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a medida como “um passo positivo”, mas ressaltou que será necessário acompanhar como o compromisso será implementado na prática.

Empresas com maior integração à cadeia de suprimentos chinesa, como BYD e GWM, devem sentir menos os efeitos da crise. Já montadoras que dependem de fornecedores europeus ou norte-americanos permanecem em situação mais vulnerável.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta do Povo

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Economia

PMI industrial da China desacelera em outubro, mas mercado reage com alta moderada

O PMI industrial Caixin da China registrou queda para 50,6 pontos em outubro, após marcar 51,2 em setembro, ficando ligeiramente abaixo da projeção de 50,7 esperada pelo mercado. Apesar da desaceleração, o índice permanece acima da marca de 50 pontos, o que indica que a atividade industrial chinesa segue em expansão, embora em ritmo mais moderado.

O resultado, divulgado na noite de domingo (2 de novembro), reforça o cenário de recuperação gradual da economia chinesa, que ainda enfrenta desafios estruturais, como a demanda externa enfraquecida e a lentidão do setor imobiliário. O PMI Caixin, que mede o desempenho principalmente de empresas privadas e exportadoras, mostra que o crescimento de novos pedidos desacelerou, enquanto os custos de insumos continuam pressionando as margens das fábricas.

Mercado chinês reage com leve alta

Mesmo com o dado abaixo das expectativas, os mercados financeiros da China iniciaram a semana em alta moderada. O índice Shanghai SE avançou 0,55%, e o China A50 subiu 0,46% nesta segunda-feira (3 de novembro), impulsionados pelas expectativas de novas medidas de estímulo fiscal e monetário por parte de Pequim.

No mercado cambial, o yuan (CNY) teve leve desvalorização frente ao dólar, com a cotação USD/CNY em 7,1210, representando uma variação de +0,06%.

Recuperação segue, mas em ritmo mais lento

Os investidores continuam atentos à política de crédito dos bancos chineses e à demanda doméstica, fatores que devem influenciar o desempenho industrial no último trimestre do ano.

O resultado do PMI industrial sinaliza que a segunda maior economia do mundo segue em terreno positivo, mas em ritmo de crescimento mais contido — um alerta para as metas de expansão de 2025, quando o governo chinês pretende manter o crescimento acima de 5%.

FONTE: ADVFN Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ADVFN Brazil

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Comércio Exterior

China retoma compras de soja dos EUA e pressiona prêmios de exportação no Brasil

Reação do mercado à movimentação chinesa

A retomada parcial das compras de soja da China nos Estados Unidos provocou queda nos prêmios de exportação brasileiros, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Os contratos para embarque em 2026 voltaram a registrar valores negativos — algo que não acontecia desde julho de 2024.

Apesar da pressão nos prêmios, os preços da soja no mercado físico permaneceram firmes ao longo da última semana, indicando sustentação na demanda interna e postura cautelosa por parte dos vendedores.

Estratégia dos vendedores brasileiros

De acordo com o Cepea, os produtores de soja no Brasil têm priorizado negociações spot — com entrega imediata e pagamento alongado — para garantir os atuais níveis de preço. Essa estratégia reflete a incerteza diante das variações externas e da influência das compras chinesas sobre o mercado global da oleaginosa.

Safra recorde e impacto do clima

Para a safra 2025/26, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta uma colheita recorde de 177,6 milhões de toneladas. Contudo, a estatal alerta para menor produtividade no Centro-Oeste, região que pode ser afetada pelos efeitos do fenômeno La Niña.

Nos últimos dias, o retorno das chuvas em áreas produtoras trouxe alívio e otimismo ao setor, que ainda monitora as condições climáticas para definir o ritmo de plantio e as perspectivas de rendimento.

FONTE: Cepea/USP e Conab
TEXTO: Redação

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Internacional

China promete comprar 12 MMT de soja dos EUA, mas volume levanta dúvidas no mercado

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que a China se comprometeu a comprar 12 MMT de soja dos EUA ainda neste ano, além de firmar um acordo mínimo de 25 MMT anuais pelos próximos três anos. A fala, porém, desses 12 MMT, não deixa claro quando os embarques ocorrerão. O anúncio de compra não significa embarque imediato: normalmente, o que a China compra entre outubro e novembro, ela vai receber somente entre janeiro e fevereiro, se for embarque imediato.

Hoje a China tem pouca necessidade de soja adicional, já que acumulou estoques elevados com embarques recordes, sobretudo entre Brasil, Argentina e outros fornecedores.

Sobre o acordo de 25 MMT mínima, este volume na verdade é bem menor do costume de compra da China dos EUA. A quantidade anunciada representa uma redução considerável em relação aos últimos anos, tanto para o lado chinês quanto para as exportações americanas:

*China (importações dos EUA)* | 🇺🇸 *Exportações totais dos EUA*
2024: 22,13 MMT | 25,97 MMT
2023: 23,45 MMT | 26,42 MMT
2022: 28,74 MMT | 30,03 MMT
2021: 31,62 MMT | 27,71 MMT

Para Ronaldo Fernandes, as falas de Bessent representam “mais do mesmo”:
Sinceramente, mais do mesmo. Agora só depois de algo concreto, assinado, ou só se a China disser. Tudo que os EUA falarem agora vai provocar uma reação do mercado, mas pontual, não firma a tendência. O mercado percebeu que os EUA são quem precisam mais do acordo, são os mais prejudicados politicamente. A China não.

O analista lembra que, na primeira guerra comercial, que começou em 2018, o acordo só saiu em janeiro de 2020, num contexto de seca no Brasil e risco de quebra de safra. “Agora o cenário é outro. A China não depende da soja americana como dependia lá atrás”, explica.

Em janeiro e fevereiro de 2025, a China desembarcou 13 MMT, sendo 9 MMT dos EUA e 5 MMT do Brasil (porque ainda aguardava a colheita brasileira). Se ela recebeu esses volumes em janeiro e fevereiro, foram compras feitas, pelo menos, em novembro e dezembro. E vale lembrar que o costume é os recebimentos da China caírem de outubro em diante e só retomarem a partir de abril. Recebimento não é compra  se a China recebeu, o embarque ou a compra foi feito pelo menos dois meses antes. Então, o mais lógico é analisar os volumes recebidos em janeiro e fevereiro para entender o que ainda precisa ser comprado em novembro e dezembro.

Por mais que o mercado reaja bem agora pela retomada das compras da China, se o acordo for oficializado com 25 MMT mínima, é sim uma garantia das compras chinesas, mas o valor mínimo representa menos do que a China já comprava dos EUA. Tudo bem, é um valor de referência, ela pode comprar mais, mas só se o preço valer a pena. A longo prazo, esse volume no acordo não é positivo para Chicago, porque sinaliza menor dependência da soja americana.

Mesmo assim, o anúncio trouxe reação imediata nos preços. A soja brasileira subiu para R$ 145 por saca, ante R$ 140 no dia anterior, como mencionado pelo Ronaldo na madrugada de hoje a falta o acordo é vitória para o brasil ” essa indecisão abre espaço pra soja brasileira, que pode ganhar fôlego nesse intervalo, mas o *relógio já tá correndo, e ninguém sabe quando vem a próxima novidade.

FONTE: Royal Rural
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Exportações de carne bovina do Brasil em outubro superam total de 2024, aponta Secex

As exportações brasileiras de carne bovina seguem em alta em outubro de 2025. Até a quarta semana do mês, os embarques somaram 276,5 mil toneladas, ultrapassando o total registrado em outubro de 2024, que foi de 270,2 mil toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta terça-feira (28).

O desempenho evidencia a forte demanda internacional e a competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo.

Crescimento da média diária de exportações

A média diária de exportação atingiu 15,4 mil toneladas, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a média era de 12,2 mil toneladas por dia. Esse avanço reforça o bom momento do setor e a capacidade do Brasil de atender mercados globais em expansão.

Receita das exportações ultrapassa US$ 1,5 bilhão

O faturamento gerado pelos embarques de carne bovina até a quarta semana de outubro alcançou US$ 1,527 bilhão, valor superior ao registrado em outubro de 2024, que foi de US$ 1,259 bilhão.

Na média diária, a receita chegou a US$ 84,88 milhões, representando um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 57,26 milhões/dia).

Preços médios da carne bovina apresentam valorização

Além do aumento em volume e faturamento, os preços médios da carne bovina também registraram alta. Até a quarta semana de outubro, o valor médio por tonelada foi de US$ 5.525,8, um crescimento de 18,5% em comparação a outubro de 2024 (US$ 4.661,7/tonelada).

O aumento reflete a valorização da proteína brasileira no mercado internacional, impulsionada pela forte demanda de países como China e Oriente Médio, que estão entre os principais compradores.

Brasil se consolida como líder global em proteína animal

Os resultados parciais de outubro confirmam a tendência de forte desempenho das exportações de carne bovina em 2025, tanto em volume quanto em receita, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal do Agronegócio

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Internacional

Trump faz concessões a Xi Jinping e analistas apontam vitória diplomática da China

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, resultou em uma série de concessões concretas de Washington, incluindo redução de tarifas e suspensão de novas sanções comerciais. Já as promessas de Pequim foram descritas como vagas e temporárias, levando analistas a concluir que a China saiu fortalecida nas negociações.

Segundo o Ministério do Comércio da China, os EUA concordaram em diminuir em 10% a tarifa aplicada como punição pelo tráfico de fentanil e suspender uma nova tarifa de 100%, que começaria em 1º de novembro. Além disso, a trégua tarifária entre os países foi prorrogada por mais um ano — uma das maiores desescaladas desde o início da guerra comercial entre EUA e China.

Em contrapartida, Pequim aceitou manter temporariamente a suspensão dos controles de exportação de terras raras, insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar. Trump, no entanto, reconheceu que o acordo precisará ser renegociado ao final do prazo.

China explora vantagem em terras raras

Para especialistas, a China soube usar seu domínio sobre as terras raras como instrumento de pressão. O pesquisador Jonathan Czin, do Brookings Institution, afirmou ao The New York Times que Pequim “orquestrou com sucesso um jogo de ‘whack-a-mole’ com a administração Trump”, reagindo estrategicamente a cada movimento americano.

O colunista Nicholas Kristof, também do New York Times, observou que o resultado da reunião “parece um retorno ao status quo, mas na prática representa uma rendição americana”, já que as tarifas impostas por Trump acabaram fortalecendo a posição chinesa no mercado global.

De forma semelhante, Joe Mazur, analista da Trivium China, disse à Reuters que o encontro confirmou a estratégia de Pequim de “nunca atacar primeiro, mas sempre contra-atacar”, classificando o controle chinês sobre as terras raras como “o maior trunfo da China”, diante da falta de alavancagem dos EUA.

Analistas veem pausa, não avanço

Outros especialistas consideram que o acordo adiou uma nova crise comercial, mas sem representar um avanço real. “Foi menos um progresso do que uma pausa para respirar”, avaliou Craig Singleton, da Foundation for Defense of Democracies, em entrevista ao Politico. Já a revista The Economist descreveu o encontro como “mais um grande bazar do que um grande acordo”.

Conversas continuam em clima cauteloso

Apesar de Trump ter classificado a reunião como “incrível” e nota “12 em uma escala de 1 a 10”, o tom do comunicado chinês foi mais diplomático. Pequim destacou que as equipes “devem continuar o diálogo com igualdade, respeito e benefício mútuo”.

Entre os temas paralelos discutidos, estão o aumento das importações chinesas de soja, petróleo e gás, a possível venda da TikTok e restrições à exportação de chips semicondutores americanos. Trump comentou sobre a venda de chips: “isso cabe a vocês e à Nvidia — somos apenas árbitros”.

Em postagem posterior, o republicano afirmou que a China comprará “quantidades enormes” de soja e pode realizar uma “grande compra” de petróleo e gás do Alasca. O governo chinês, por sua vez, declarou que pretende expandir o comércio agrícola e resolver adequadamente as questões envolvendo o TikTok.

Trump também suavizou sua exigência para que Pequim reduzisse as compras de petróleo russo, admitindo que “não há muito mais que eles possam fazer” sobre a relação com Moscou.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: XINHUA NEWS AGENCY via GETTY IMAGES

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Internacional

EUA propõem ao Brasil grupo de trabalho sobre terras raras e minerais estratégicos

Os Estados Unidos sugeriram ao Brasil a criação de um grupo de trabalho voltado à cooperação no setor de minerais críticos e estratégicos, com ênfase nas terras raras — insumos essenciais para tecnologias de ponta.

A proposta foi apresentada pelo encarregado de Negócios norte-americano, Gabriel Escobar, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de mineradoras. O Ibram confirmou a informação e destacou que será responsável por conduzir as discussões iniciais, em conjunto com a Embaixada dos EUA.

Investimentos e próximos encontros

Enquanto o governo brasileiro avalia a proposta, o Ibram discutirá com empresas associadas oportunidades de investimento na produção mineral nacional, que podem atrair capital norte-americano.

Novas reuniões entre representantes dos EUA e do setor mineral brasileiro estão previstas para 2025, incluindo um encontro em dezembro, nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira em parceria com o Ibram.

Contexto geopolítico e dependência da China

A iniciativa ocorre em meio às negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, e ao debate sobre um possível acordo de fornecimento seguro de terras raras aos EUA. O tema ganhou relevância após a China restringir a exportação desses materiais, intensificando preocupações em Washington.

Atualmente, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras ocorre em território chinês, mas o país domina 91% do refino global e 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta que essa concentração representa um risco geopolítico severo, pois permite à China controlar preços e o ritmo de avanços tecnológicos estratégicos.

Brasil no radar global de minerais críticos

O Brasil surge como um potencial parceiro estratégico: detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora sua produção e refino ainda sejam incipientes. A ausência de um marco regulatório específico e de uma cadeia produtiva consolidada limita o aproveitamento do recurso.

Mesmo assim, empresas ocidentais já iniciaram projetos de exploração e mapeamento geológico no país. Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por definir diretrizes para o uso sustentável e estratégico desses recursos. Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Comércio Internacional

China anuncia novas regras cambiais para impulsionar o comércio internacional e reduzir custos

A Administração Estatal de Câmbio da China anunciou, em 29 de outubro, um conjunto de nove novas medidas voltadas a simplificar e agilizar as transações cambiais internacionais. O objetivo é aumentar a eficiência nas operações financeiras, reduzir custos e reforçar a estabilidade do comércio exterior chinês.

Desde 2022, a China vem conduzindo um projeto-piloto de alta abertura cambial no comércio transfronteiriço, com foco na redução de burocracias e documentos nas operações de conta corrente internacional. Atualmente, o programa já abrange 11 regiões e movimenta cerca de US$ 1,7 trilhão em transações.

A nova etapa permitirá a inclusão de mais empresas, liberando capital e fortalecendo a competitividade global. Um porta-voz da Yangtze Optical Fibre and Cable destacou que a adesão ao projeto pode liberar mais de RMB 100 milhões por ano em fluxo de caixa, contribuindo para a expansão internacional da companhia. As mudanças também permitem que companhias compensem pagamentos de bens e serviços relacionados — como frete, seguro, armazenagem e desembaraço aduaneiro —, o que reduz custos operacionais e acelera as transferências internacionais.

As novas regras também focam em pequenas e médias empresas (PMEs) envolvidas no e-commerce transfronteiriço, setor que segue em alta no país. Dados da alfândega chinesa indicam que o comércio eletrônico internacional alcançou RMB 2,06 trilhões nos três primeiros trimestres de 2025, representando crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para fortalecer o setor, os bancos chineses serão estimulados a ampliar o crédito para PMEs indicadas por plataformas de e-commerce e empresas integradoras de comércio exterior, classificando-as como empresas de alta credibilidade. As instituições financeiras também poderão automatizar liquidações cambiais com base em pedidos eletrônicos e dados logísticos, alinhando-se à dinâmica digital do e-commerce. Além disso, serão incentivadas a oferecer atendimento personalizado e serviços de câmbio mais rápidos.

O comércio de serviços da China, segundo maior do mundo, movimentou US$ 509,1 bilhões no primeiro semestre de 2025, um avanço de 6% frente ao ano anterior. As novas diretrizes visam otimizar a gestão financeira de projetos internacionais, especialmente os de engenharia e construção contratados no exterior. As medidas permitirão administração centralizada de fundos e remanejamento mais flexível de recursos, reduzindo a necessidade de financiamentos externos. De acordo com a SINOHYDRO Corporation, as mudanças podem diminuir a imobilização de capital em RMB 500 milhões e reduzir perdas cambiais anuais em RMB 30 milhões, aumentando a competitividade global da empresa. Além disso, as novas regras simplificam adiantamentos e reembolsos de despesas de serviços, permitindo pagamentos diretos a fornecedores de transporte, armazenagem e manutenção.

FONTE: News CN

TEXTO: Redação

IMAGEM: Ding Lei/Xinhua

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Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Tecnologia

Crise global de chips pode paralisar montadoras no Brasil nas próximas semanas, alerta MDIC

A escassez de chips volta a preocupar a indústria automotiva brasileira. O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, alertou nesta terça-feira (29) que algumas montadoras de automóveis podem ser obrigadas a suspender a produção nas próximas duas a três semanas, caso a crise internacional de fornecimento de semicondutores não seja solucionada.

“Se não houver uma solução nesse curto espaço de tempo, pode haver um processo de paralisação em algumas montadoras”, afirmou Moreira.

Impasse entre China e Holanda agrava crise

O problema decorre de uma disputa entre China e Holanda pelo controle da fabricante de microprocessadores Nexperia, responsável por cerca de 40% do mercado global de semicondutores básicos. A tensão se intensificou após o governo holandês assumir o controle da empresa, alegando preocupações de propriedade intelectual e segurança nacional, já que a controladora chinesa Wingtech está sob sanções dos Estados Unidos.

As restrições impostas por Pequim impactaram diretamente o fornecimento global. Embora os chips da Nexperia não sejam considerados de alta complexidade, eles são essenciais para o setor automotivo, utilizado em larga escala na fabricação de veículos e produtos eletrônicos.

Governo busca diálogo com a China

Segundo o MDIC, o ministro Geraldo Alckmin e o secretário Moreira se reuniram com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, para discutir soluções. O governo brasileiro tenta abrir canal diplomático com a China, buscando garantir que o país não sofra os efeitos colaterais da disputa geopolítica.

“Nosso objetivo é deixar claro que o Brasil está fora desse conflito e não pode ser penalizado por ele”, destacou Moreira.

O ministro Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro em Pequim e com o embaixador chinês em Brasília, solicitando o início de negociações bilaterais. O representante chinês teria se comprometido a dialogar com autoridades locais, enquanto o diplomata brasileiro fará a mediação com a Nexperia.

Indústria em alerta com possível paralisação

A Anfavea reforçou a preocupação com a escassez de chips, lembrando que situação semelhante durante a pandemia provocou paralisações e queda na produção. Estimativas da entidade indicam que um carro moderno utiliza entre 1.000 e 3.000 chips, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco imediato.

Apesar de fontes do setor apontarem possíveis substitutos — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a troca de fornecedores exige tempo, já que os componentes precisam passar por processos rigorosos de aprovação técnica antes de serem usados nas linhas de montagem.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo Volkswagen do Brasil

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