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Economia, Finanças, Gestão, Industria, Informação, Internacional, Negócios, Notícias, Tributação

3 grandes dúvidas sobre megatarifaço de Trump

O presidente americano, Donald Trump, vai anunciar um grande pacote de tarifas nesta quarta-feira (2/4).

Mas de quais tarifas ele está falando? Trump já falou em tantos impostos de importação desde que chegou ao poder que por vezes é difícil acompanhar sua política comercial.

Trump já aumentou impostos sobre importações da China, Canadá e México, além de tarifas sobre aço e alumínio — que tiveram impacto na indústria brasileira. Impostos mais altos sobre carros também devem entrar em vigor esta semana.

A Casa Branca está chamando esta quarta-feira de “Dia da Libertação”. Afinal, o que deve vir por aí?

1. Quão grandes serão as tarifas?

A Casa Branca não informou quão altas as tarifas poderiam ser, embora analistas tenham sugerido várias taxações possíveis.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Trump apoiou a criação de uma tarifa geral de 10% a incidir sobre todas as importações destinadas aos EUA, às vezes sugerindo que poderia ser de 20% — ou até 60% no caso de importações da China.

Quando chegou ao poder, ele introduziu a ideia de tarifas “recíprocas”, sugerindo que as taxas poderiam variar de país para país.

“Simplificando, se eles nos cobrarem tarifas, nós cobraremos tarifas deles”, disse Trump em fevereiro, pouco antes de ordenar que as autoridades desenvolvessem um plano.

A Casa Branca complicou o cenário, observando que suas recomendações refletiriam não apenas tarifas, mas também outras políticas que eles acreditam serem injustas para as empresas dos EUA, como impostos locais.

Isso provocou uma confusão, com empresas e líderes políticos tentando ter uma ideia do tamanho do novo imposto que seus produtos podem enfrentar. Além disso, não se sabe como as tarifas que serão anunciadas nesta quarta-feira vão interagir com outras tarifas já em vigor, como as do aço e do alumínio.

Autoridades na Europa, por exemplo, estão se preparando para uma tarifa de dois dígitos sobre suas exportações. Trump disse no começo deste ano que planejava atingir produtos do bloco com um imposto de importação de 25%.

2. Quais países seriam afetados?

Operário em siderúrgica

Legenda da foto,Não está claro como tarifas novas vão interagir com as anunciadas por Trump sobre o aço e alumínio

O governo Trump não confirmou quais países serão afetados, limitando-se a dizer que o anúncio de quarta-feira será abrangente.

No domingo, o presidente disse que as novas tarifas poderiam ser aplicadas a “todos os países”, sugerindo um possível retorno à tarifa geral que ele apoiou na campanha.

Isso frustrou as esperanças de alguns países, como o Reino Unido, que achavam que poderiam escapar de tarifas — embora muitos ainda tenham esperança de fechar algum tipo de acordo com os americanos.

Ainda não está claro até que ponto as tarifas serão aplicadas universalmente ou serão mais direcionadas.

No mês passado, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os esforços estavam focados nos “15 Sujos” — os 15% de países que respondem pela maior parte do comércio com os EUA e impõem tarifas ou outras regras que colocam as empresas americanas em desvantagem.

O governo americano não disse quais seriam esses 15 países.

O Gabinete do Representante Comercial dos EUA, ao se preparar para elaborar recomendações, identificou os países nos quais estava “particularmente interessado” em impor tarifas.

Eles eram Brasil, Argentina, Austrália, Canadá, China, países da União Europeia, Índia, Indonésia, Japão, Coreia, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Suíça, Taiwan, Tailândia, Turquia, Reino Unido e Vietnã.

O próprio Trump reservou algumas de suas críticas mais duras para aliados históricos e grandes parceiros comerciais, como o Canadá e a UE.

“O amigo tem sido, muitas vezes, muito pior que o inimigo”, declarou ele na semana passada.

3. Qual será o impacto das tarifas?

Tarifas são impostos sobre importações. Então a grande questão é: quem vai pagar?

Tecnicamente, a resposta é simples: as empresas norte-americanas que trazem os produtos são as que pagarão a conta, principalmente se a Casa Branca começar a cobrar tarifas “imediatamente”, como sugeriu a porta-voz Karoline Leavitt na terça-feira.

Mas quanto maiores forem as tarifas, mais empresas buscarão maneiras de compensar esses custos, seja trocando de fornecedores, pressionando parceiros de negócios a dividir o custo ou aumentando os preços para os consumidores americanos.

Muitas empresas disseram que já estão se preparando para esse passo. Mas é um jogo arriscado porque se as empresas aumentarem muito os preços, os compradores simplesmente vão parar de comprar.

A dinâmica aumentou os riscos de uma recessão econômica tanto nos EUA quanto fora dele, onde muitas empresas dependem das vendas nos EUA.

Trump diz que as empresas que buscam evitar tarifas podem simplesmente fazer negócios nos EUA, mas isso não é uma solução imediata ou fácil, dados os altos custos de contratação e instalação de fábricas.

Se for se considerar oscilações cambiais e retaliações de outros países, as consequências dessa tentativa de Trump de redefinir os equilíbrios comerciais globais ficam ainda mais imprevisíveis.

FONTE: BBC
Trump e tarifas: 3 grandes dúvidas sobre megatarifaço de Trump – BBC News Brasil

 

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Economia, Gestão, Industria, Informação, Internacional, Investimento, Tecnologia, Tributação

INVESTIMENTO: A OSCILAÇÃO ALUCINANTE DOS PREÇOS DAS COMMODITIES METÁLICAS

Nos últimos dez anos, os preços dos metais industriais tiveram uma jornada alucinante, subindo, caindo e subindo novamente, graças a tudo, desde oscilações econômicas globais até soluços na cadeia de suprimentos e drama geopolítico.

O aço é a espinha dorsal da construção e da manufatura, então não é surpresa que seu preço se mova com a demanda global, capacidade de produção e decisões comerciais. Os preços do aço atingiram o pico em maio de 2021, mas desde então caíram, refletindo as realidades econômicas atuais.

Os futuros do cobre subiram devido a preocupações tarifárias, demonstrando a sensibilidade desses mercados a mudanças políticas. Os preços do níquel sofreram oscilações drásticas, incluindo um aumento notável em 2021, ilustrando a conexão do metal com avanços tecnológicos.

Entre economias em mudança, conflitos globais, pressões ambientais e tecnologia em evolução, esses metais servem como uma verificação de pulso em tempo real da saúde industrial do mundo.

FONTE: WSJ
Wall Street se prepara para preços mais altos de metais à medida que a guerra tarifária se intensifica – WSJ

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Comércio, Gestão, Informação, Internacional, Notícias, Sem Categoria, Tributação

Ministro francês admite ‘apressar’ acordo UE-Mercosul diante de tarifaço dos EUA

O ministro francês das Finanças, Éric Lombard, disse que, diante da ameaça americana de tarifaços, é preciso “apressar” as discussões sobre o acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul.

Foi um raro aceno à possibilidade de mudança da atual posição francesa de oposição ao tratado.

“Nós reconhecemos juntos que essa dificuldade, que corre o risco de atingir o comércio internacional, deve nos conduzir a apressar as discussões em favor do [acordo com o] Mercosul”, afirmou Lombard após encontro com o ministro brasileiro da Fazenda, Fernando Haddad. O ministro das Finanças reiterou, porém, que a França mantém sua oposição ao acordo.

Segundo Lombard, “hoje as condições não estão reunidas” para a França apoiar o acordo. “Compartilhamos com o ministro Haddad o desejo de desenvolver o multilateralismo, e o projeto de acordo com o Mercosul está incluído nisso. Falamos de forma muito direta. Para concluir, falta-nos um certo número de ajustes, que dizem respeito principalmente a questões de pegada ecológica na área industrial, e também temas relativos à agricultura”, afirmou.

“Nós identificamos algumas pendências, alguns obstáculos ainda”, disse Haddad, citando novo encontro entre os dois países previsto para o mês que vem na França. “Vamos trabalhar neste mês para que essas questões sejam superadas e nós possamos ter um grande encontro.”

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul foi assinado pelos dois blocos em dezembro passado, em Montevidéu, no Uruguai, mas sua entrada em vigor ainda depende da aprovação de outras instâncias da União Europeia.

O governo francês declarou ser contra o acordo, devido à pressão dos agricultores locais, receosos da concorrência dos produtos do Mercosul. Em princípio, para vetar o tratado a França precisa do apoio de pelo menos outros três países da União Europeia, mas Paris dispõe de alternativas para impedir sua entrada em vigor.

Com os recentes anúncios de imposição de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o acordo UE-Mercosul ganhou outro valor o de reação “multilateral” a uma guerra comercial. “É uma questão que chegou mais recentemente”, admitiu Lombard.

Sobre as tarifas de Trump, Haddad disse acreditar que nesta quarta (2) se conhecerão melhor as intenções americanas. “A partir de amanhã nós vamos ter um quadro mais claro do que os EUA pretendem, mas o presidente Lula já adiantou que quando a nação mais rica do mundo adota políticas protecionistas, parece não concorrer à prosperidade geral”, afirmou.

Haddad almoçou com empresários franceses e se disse otimista com os projetos de investimentos da França no Brasil. Foi citada, em particular, a área de inteligência artificial como uma das mais promissoras.

O ministro reiterou o que dissera na véspera: que um tarifaço americano seria “injustificável”: “Nossa conta [comercial] é deficitária com os Estados Unidos, apesar do enorme saldo comercial que o Brasil mantém com o mundo. Então, nos causaria até uma certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada, uma vez que nós estamos na mesma negociação, desde sempre, com aquele país. O presidente Lula trabalhou nos últimos dois anos com o Estado americano, não fazendo distinção entre governos, e nós vamos manter essa postura de abertura nas negociações e de desejo de uma prosperidade mútua nas relações bilaterais.”

FONTE: Folha de São Paulo
França admite apressar acordo UE-Mercosul diante de tarifa – 01/04/2025 – Mercado – Folha

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Industria, Informação, Inovação, Internacional, Notícias

A revolução dos elétricos: a nova bateria da BYD que carrega em 5 minutos

Com um carregamento ultra-rápido e 480 km de autonomia em minutos, a gigante chinesa acelera a revolução dos veículos elétricos e desafia a concorrência global.

Imagine nunca mais precisar esperar uma hora para carregar um carro elétrico. Pois é, uma  das principais críticas de quem ainda não vê sentido em trocar um veículo a combustão por um elétrico pode estar com os dias contados.

A BYD, gigante chinesa do setor automotivo, revelou sua nova Super E-Platform de 1.000 V, uma tecnologia que promete mudar completamente o jogo. Durante um evento transmitido ao vivo diretamente de sua sede em Shenzhen, a empresa apresentou sua bateria de carregamento ultra-rápido, capaz de alcançar 480 km de autonomia em apenas 5 minutos de carga. Isso é praticamente o tempo que levamos para abastecer um carro a gasolina.

“A China tem um pensamento muito forte em ecossistema para desenvolvimento das tecnologias. E com o avanço dos carros elétricos, vão focar muito em criar um ecossistema forte e preparado para tal”, comenta Vinicius Oliveira, head internacional da StartSe China. Ou seja, essa inovação não é apenas sobre velocidade de carregamento, mas sobre a construção de uma infraestrutura robusta que viabilize a adoção em massa dos veículos elétricos.

O que torna essa tecnologia tão relevante?

Dois fatores principais explicam por que essa inovação pode acelerar (ainda mais) o mercado de veículos elétricos:

  1. Menos barreiras para a adoção em massa: a demora para carregar sempre foi uma das grandes objeções dos consumidores ao considerar um carro elétrico. Com esse obstáculo eliminado, a migração para os elétricos se torna ainda mais viável.
  2. A China está ditando o futuro dos veículos elétricos: a BYD já havia ultrapassado a Tesla em vendas no final de 2023. Agora, também parece estar superando a concorrente americana em inovação. Para efeito de comparação, o melhor equipamento da Tesla carrega 275 km em 15 minutos, enquanto a Mercedes apresentou um sistema que atinge 325 km em 10 minutos. Com a nova tecnologia da BYD, a Tesla e as montadoras ocidentais terão que correr para acompanhar o ritmo.
  3. Redução da dependência de combustíveis fósseis: com carregamentos ultrarrápidos, a aceitação dos veículos elétricos aumenta, acelerando a transição para uma matriz energética mais sustentável e reduzindo a demanda por combustíveis fósseis. Isso impacta diretamente o mercado de petróleo e pode influenciar políticas energéticas ao redor do mundo.

Quando isso vai acontecer?

A implementação desse novo sistema depende de uma infraestrutura compatível. Além das baterias que equiparão os carros, será necessária a instalação de carregadores mais potentes. A BYD já anunciou 4.000 estações de recarga pela China, e é muito provável que, em breve, exporte essa tecnologia para outros países.

Vale lembrar que em Shenzhen, cidade sede da BYD na China, toda a frota pública de transporte é 100% elétrica, incluindo táxis. Lá também já existem mais supercarregadores do que bombas de gasolina. Ou seja, esse cenário é possível.

Por que você precisa saber disso?

A BYD não está apenas inovando — está moldando o futuro do setor automotivo global. Essa mudança reforça o domínio da China sobre as tecnologias emergentes e redefine a dinâmica de concorrência no mercado de veículos elétricos. Se a Tesla já perdeu a liderança em vendas, será que agora perderá também a dianteira na inovação?

FONTE: startse
A revolução dos elétricos: a nova bateria da BYD que carrega em 5 minutos

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Pecuaristas criam associação para exportar gado vivo direto e aumentar lucro em até 20%

União que gera resultados? Essa é a ideia dos mais de 250 pecuaristas brasileiros que estão se unindo para criar a UPEAV – União dos Pecuaristas Exportadores de Animais Vivos do Brasil.

A iniciativa promete transformar a dinâmica da exportação de gado vivo, eliminando intermediários e garantindo que os criadores negociem diretamente com compradores do mercado internacional.
As informações foram divulgadas por Adriano Caruso (@adrianocarusooficial), em seu perfil do Instagram e também através do seu site. A publicação logo ganhou a rede e tem movimentado o setor, o motivo: a busca por melhores margens no mercado pecuário.

Iniciativa busca agregar valor ao produtor
O principal objetivo da UPEAV é permitir que os próprios pecuaristas exportem seus animais vivos sem depender de tradings ou atravessadores. A expectativa é que essa venda direta possa gerar até 20% a mais no valor da arroba do boi para os associados.

Além do ganho financeiro, a associação busca oferecer mais credibilidade e transparência aos compradores internacionais, apresentando uma cadeia produtiva organizada, legalmente respaldada e sanitariamente segura.

Como vai funcionar a UPEAV
A UPEAV será responsável por estruturar e monitorar todo o processo de exportação de gado vivo. Confira os principais pontos:

Suporte completo aos pecuaristas
A associação atuará na:

  • Captação de compradores internacionais, com foco em países que possuem Acordo Sanitário com o Brasil.
  • Monitoramento operacional, logístico, sanitário e financeiro de todas as etapas.
  • Garantia de conformidade com as normas governamentais, institucionais e comerciais.
  • Disponibilização de empresas terceirizadas para serviços jurídicos, financeiros e logísticos.Negociação direta com o mercado internacional
    A UPEAV oferecerá total apoio nas negociações internacionais, incluindo:
  • Levantamento de dados de mercado.
  • Análise de margens de lucro.
  • Fechamento contratual.
  • Emissão de carta de crédito e fechamento de câmbio.Garantia sanitária e logística eficiente
    A associação contará com:
  • Equipe especializada para emissão do Certificado Zoossanitário Internacional
    (CZI).
  • Parcerias com laboratórios e veterinários credenciados.
  • Mapeamento das melhores opções de transporte terrestre e marítimo, garantindo qualidade e redução de custos.
  • Estruturação dos Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPEs).

Cadastro e benefícios para os associados
Os pecuaristas interessados poderão se associar à UPEAV. Os membros terão acesso a:

  • Dados estratégicos de mercado em encontros privados.
  • Apoio jurídico, financeiro e logístico.
  • Participação direta nos negócios levantados.
  • Selo exclusivo de qualidade e rastreabilidade dos animais exportados.Além disso, todos os custos operacionais serão definidos coletivamente, por votação dos associados ou por um Conselho Gestor.

    Foco na captação de compradores
    A UPEAV já está em articulação com:

  • Embaixadas e Câmaras de Comércio dos países habilitados a importar gado vivo do Brasil.
  • Clientes diretos interessados na compra de animais vivos.
    O objetivo é apresentar a estrutura organizada e demonstrar que os pecuaristas brasileiros estão unidos para fornecer qualidade, segurança e logística eficiente.Como participar
    O cadastro para adesão à UPEAV já está aberto. Se você é pecuarista e deseja participar desta nova fase da exportação de gado vivo, acesse o site oficial e faça seu cadastro agora mesmo.
    Clique aqui para se cadastrar na UPEAV

    Fonte: Compre Rural
    Pecuaristas criam associação para exportar gado vivo direto e aumentar lucro em até 20% — CompreRural

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Comércio Exterior, Economia, Gestão, Informação, Internacional, Investimento, Negócios

China pressiona empresa contra venda de portos no canal do Panamá

O governo chinês está pressionando uma empresa privada de Hong Kong a cancelar um negócio bilionário sob a alegação de que ele causa prejuízos geopolíticos a Pequim.

O órgão regulador de mercado do regime disse na sexta-feira que analisará o acordo do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison Holdings para vender dezenas de ativos portuários globais, incluindo dois no Canal do Panamá, para um consórcio liderado pelo fundo de investimento americano Black Rock.

“Notamos essa transação e a revisaremos de acordo com a lei para proteger a concorrência justa no mercado e salvaguardar o interesse público”, disse a SAMR em resposta a perguntas de uma agência de notícias estatal. O órgão não deu detalhes.

Bryan Mercurio, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK),especializado em direito econômico internacional e acordos comerciais bilaterais, disse ao “Nikkei Asia” – antes do anúncio da SAMR – que a China poderia adotar essa abordagem. Ele diz que a negociação “pode ser mais relevante legalmente do que parece, já que pode forçar a alienação de ativos adquiridos por terceiros”, com eventuais rompimentos de contratos com clientes, sócios e fornecedores.

Os ataques da mídia, que retratam a transação como antipatriótica e contrária aos interesses da China, também continuaram na sexta-feira. A última edição do “TaKung Pao” – um jornal de Hong Kong controlado por Pequim que liderou a campanha contra a venda – incluiu uma história intitulada “Somente cruzando o rio junto com o estado, os empresários ganham respeito”. O artigo citou várias figuras pró-Pequim, bem como “cidadãos” comuns que expressaram opiniões de que salvaguardar a segurança e os interesses do estado deveria ser a prioridade.

Endosso do regime

Vários artigos do “Ta Kung Pao” sobre o assunto foram republicados na íntegra pelo site oficial conjunto do Bureau de Trabalho Conjunto de Hong Kong e Macau do Partido Comunista Chinês – o que implica que o governo os endossa. Na quarta e quinta-feira, o site republicou artigos enfatizando que as empresas destruirão sua própria fundação se ignorarem os interesses nacionais e devem ficar ao lado do estado contra a hegemonia e a intimidação.

Esperava-se que a CK Hutchison assinasse “documentação definitiva” com o consórcio Black Rock até a próxima quarta-feira. No entanto, o “South China Morning Post”, jornal independente de Hong Kong, relatou na sexta-feira à noite que a papelada não seria assinada nesta semana, e que quarta-feira não era considerada um “prazo real”, citando uma fonte anônima próxima ao conglomerado. O jornal acrescentou que isso não significava que o acordo estava cancelado, mas que os principais detalhes permaneciam indefinidos.

A pressão intensa lançou uma sombra sobre a CK Hutchison, todas as entidades do império de Li Ka-shing e a comunidade empresarial chinesa mais ampla. As autoridades de Pequim instruíram as empresas estatais a interromper novos negócios vinculados ao grupo sediado em Hong Kong, informou a Bloomberg na quinta-feira.

Executivos preocupados

Quando questionado sobre essa diretriz na noite de quinta-feira, Xu Yugao, secretário adjunto da empresa e conselheiro interno da CNOOC – um braço listado em Hong Kong de uma das três grandes empresas petrolíferas estatais da China – disse a repórteres e analistas que ele e muitos outros estavam “acompanhando” os acontecimentos em torno do acordo com grande interesse.

Ao mesmo tempo, ele disse que as negociações comerciais permaneceram “extremamente estáveis” sem “fatores externos de interferência”. Xu estava se referindo a um projeto conjunto de exploração de petróleo no Mar do Sul da China com a antiga Husky Energy, antiga empresa da CK Hutchison que recentemente se fundiu com o conglomerado de energia canadense Cenovus.

Enquanto Xu disse que não tinha certeza se seu parceiro canadense está ligado ao magnata Li Ka-shing, a divulgação da CK Hutchison indica que ela é uma investidora na Cenovus.

Além das implicações geopolíticas da venda de 43 portos pela CK Hutchison em 23 países, avaliados em US$ 22,8 bilhões, especialistas dizem que o acordo levantou preocupações em Pequim sobre “perder a autonomia”. Relatórios sugeriram que o presidente chinês, Xi Jinping, não foi informado antes do anúncio da abertura das negociações, enquanto acredita-se que Trump tenha sido mantido informado do processo pelo CEO da Black Rock, Larry Fink.

“A venda impacta a Iniciativa Cinturão e Rota e diminui a influência chinesa no quintal dos EUA”, disse Claus Soong, analista do centro de estudos alemão Merics. “A imagem de Xi Jinping como um homem forte está danificada, pois Trump agora tem algo para se gabar, enquanto Xi nem foi consultado antes do acordo, e Pequim tem alavancagem limitada para deter esse processo”, disse ele.
Louis-Vincent Gave, sócio fundador e CEO da Gavekal Research, concordou.

“Pequim tem poucas, se é que tem, opções legais para sabotar o acordo”, disse Gave. Mas se ele for adiante, Li Ka-shing e seu império empresarial familiar “poderiam ser vistos como um grupo que desafiou Pequim e escapou impunes”. “Isso seria uma perda de prestígio estranha para Xi Jinping, levantando questões sobre consequências futuras para a família e o grupo”, disse.
Gave diz acreditar que a China está “lembrando às empresas de Hong Kong que Pequim deve ter voz ativa em decisões estratégicas importantes” e que ainda espera frustrar o acordo não apenas pressionando a CK Hutchison, “mas talvez pressionando a Black Rock”, que também tem interesses comerciais na China.

A CK Hutchison e a Black Rock não responderam imediatamente aos pedidos de comentários do Nikkei Asia.

‘Alavancas’ de pressão internas

Mercurio, da CUHK, disse que a CK Hutchison poderia concebivelmente se retirar e compensar a Black Rock usando uma cláusulade rescisão. Ele argumentou que a CK Hutchison “teria que reagir de acordo se a China puxasse alavancas econômicas internas”, considerando sua significativa exposição comercial no país, apesar de sua diversificação ao longo dos anos.
No entanto, Mercurio afirma que bloquear o acordo “serviria para confirmar a retórica de Trump de que a ‘China’ reforçava seu controle no canal do Panamá”.

Da mesma forma, ele enfatizou que se as autoridades locais de Hong Kong interviessem para bloquear a transação, “seria uma medida sem precedentes que poderia reforçar as alegações do presidente Trump e de outros de que o comércio,as finanças e as políticas de Hong Kong não são totalmente independentes do regime do Partido Comunista da China”.

O analista do CUHK disse também que todo o processo talvez tenha menos implicações para empresas estrangeiras ou setores específicos, como o financeiro, mas que “outros conglomerados de Hong Kong deveriam se precaver”.

Miao Jianmin, presidente do China Merchants Bank, reconheceu em um briefing anual de lucros na quinta-feira que “é difícil evitar qualquer influência da geopolítica” ao fazer negócios internacionalmente. Miao, que também é presidente do China Merchants Group – cuja unidade de operação portuária é um canal essencial para Pequim buscar ativos portuários no exterior – disse que esse era especialmente o caso em assuntos marítimos, transporte e portos.

Miao disse que a geopolítica é a “primeira coisa” que seu grupo considera ao expandir para o exterior e enfatizou que “manter uma boa comunicação com as autoridades reguladoras, a fim de se proteger de vários riscos” é de igual importância.

Fonte: Valor Econômico
China pressiona empresa contra venda de portos no canal do Panamá | Mundo | Valor Econômico

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Brasil é um dos países com mais barreiras não tarifárias, aponta estudo

Mais de 86% das importações brasileiras estão submetidas a alguma restrição, segundo levantamento

Mais de 86% das importações brasileiras são submetidas a algum tipo de barreira não tarifária, o que protege produtores nacionais contra a concorrência externa e pode ser levado em conta pelos Estados Unidos na aplicação de sua nova política comercial, conforme um estudo publicado pelo BTG Pactual.

Esse tipo de barreira compreende normas sanitárias e fitossanitárias, cotas ou restrições quantitativas para determinados produtos, além de licenças e inspeções de órgãos como o Inmetro ou a Anvisa.

Com base numa plataforma de comércio do Banco Mundial, o BTG selecionou 12 países e verificou o “índice de cobertura” das barreiras não tarifárias. O indicador mede o valor das importações de cada país sobre as quais existe algum tipo de medida potencialmente restritiva.

No caso do Brasil, esse índice alcança 86,4% das compras do exterior. Na América Latina, perde apenas para a Argentina, campeã do ranking com barreiras não tarifárias que se aplicam sobre 94,6% das importações.

Em seguida vêm União Europeia (94,3%) e Canadá (88,9%). Depois do Brasil, estão listado os seguintes países: Estados Unidos (77,4%); Japão (76,2%); Colômbia (71,8%); Indonésia (69%); Chile (67,8%); Peru (53,3%); México (53%); e Índia (45,6%).

“Quando se combina as tarifas aplicadas sobre os Estados Unidos com esse índice de cobertura [das barreiras não tarifárias], o Brasil se sobressai como um dos países que mais impõem restrições aos produtos americanos”, afirma o BTG Pactual em um trecho do estudo.

“Esse perfil regulatório e tarifário reforça a percepção de [Donald] Trump de que o Brasil mantém práticas protecionistas que restringem a entrada de produtos americanos, o que poderia justificar medidas retaliatórias sob a lógica da política de ‘reciprocidade de tarifas’ anunciada pelos Estados Unidos.”

Em um processo de consulta pública aberto pelo USTR (escritório de representação comercial da Casa Branca), o setor privado americano destacou diversas barreiras não tarifárias aplicadas pelo Brasil que supostamente prejudicam as vendas dos Estados Unidos para o país.

Os produtores de milho, por exemplo, afirmaram que poderiam estar exportando 120 mil toneladas por ano do grão ao Brasil.

Segundo eles, isso só não ocorre porque o milho da Costa Oeste é impedido de entrar no mercado brasileiro pelo risco alegado de uma praga, mas a doença teria chances quase inexistentes de se espalhar em clima tropical.

A US Chamber of Commerce, maior entidade do setor privado americano, reclamou na consulta pública da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e escreveu que suas exigências regulatórias dificultam a entrada de fornecedores de equipamentos no setor.

Tarifas efetivas

Embora as tarifas nominais sejam maiores dos dois lados, quando se pondera as alíquotas efetivamente aplicadas sobre importações, observa-se que o Brasil tem uma tarifa de 5,8% sobre produtos americanos e que os Estados Unidos têm uma tarifa de 1,3% sobre produtos brasileiros.

De acordo com o BTG Pactual, se a Casa Branca resolver aplicar tarifas recíprocas sobre o Brasil nesse mesmo percentual efetivo (5,8%), o impacto sobre as exportações brasileiras poderia ser de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões.

Já se o governo americano aplicar tarifas de 25% aos produtos brasileiros (alíquota similar à imposta sobre parceiros como o Canadá ou o México), como uma forma de responder às barreiras não tarifárias, o impacto poderia chegar a algo entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões.

FONTE: CNN Brasil
Brasil é um dos países com mais barreiras não tarifárias, aponta estudo | CNN Brasil

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Riqueza da família de Xi Jinping na China continua a crescer, aponta relatório dos EUA

Documento destaca que a estrutura de poder centralizada na China cria um ambiente propício para a corrupção


Um relatório da inteligência dos Estados Unidos aponta que familiares do presidente chinês Xi Jinping continuam a gerenciar milhões de dólares em investimentos e interesses comerciais, levantando suspeitas de que possam ter se beneficiado da posição de Xi, apesar da rígida campanha anticorrupção iniciada na China há mais de uma década.

A investigação foi conduzida pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI, na sigla em inglês) e sugere que parentes do líder chinês mantêm participações financeiras significativas, possivelmente impulsionadas por conexões políticas em empresas privadas e estatais. O relatório, divulgado em 20 de março, afirma que dirigentes importantes do Partido Comunista Chinês (PCC) podem ter tido acesso a informações privilegiadas, favorecendo investimentos familiares.

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Governo dos EUA envia carta a empresas europeias cobrando cumprimento de ordem anti-diversidade

O governo dos Estados Unidos enviou uma carta a algumas grandes empresas da União Europeia alertando-as para cumprirem uma ordem executiva que proíbe programas de diversidade, equidade e inclusão.

A carta, enviada pela embaixada americana em Paris e outras ao redor da UE, afirmou que a ordem executiva de Donald Trump se aplicava a empresas fora dos EUA se fossem fornecedoras ou prestadoras de serviços ao governo americano, de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto.

As embaixadas também enviaram um questionário que ordenava que as companhias atestassem sua conformidade. O documento, a que o jornal Financial Times teve acesso, é intitulado “Certificação sobre conformidade com a lei federal anti-discriminação aplicável”.

“Contratantes do Departamento de Estado devem certificar que não operam quaisquer programas que promovam DEI [diversidade, equidade e inclusão] que violem quaisquer leis anti-discriminação aplicáveis e concordar que tal certificação é material para fins da decisão de pagamento do governo e, portanto, sujeita ao False Claims Act”, diz o documento.

A carta também foi enviada por diplomatas dos EUA a estados do leste da UE e à Bélgica, disseram pessoas familiarizadas com o tema.

Os documentos parecem sinalizar que a administração Trump está ampliando sua campanha contra DEI para empresas estrangeiras após lançar uma repressão contra grupos dos EUA, como a Disney.

Um banqueiro sênior em Paris disse que ficou chocado com a carta.

O ministério das finanças francês expressou preocupações depois que algumas das empresas envolvidas o notificaram sobre o movimento.

“Esta prática reflete os valores do novo governo dos EUA. Eles não são os mesmos que os nossos”, disse uma pessoa próxima ao ministro da economia da França, Eric Lombard. “O ministério lembrará seus homólogos no governo dos EUA disso.”

A existência da carta foi relatada pela primeira vez pelo jornal Les Échos.

O movimento extraterritorial pode não ser aplicável de acordo com avaliações legais iniciais, então alguns executivos e seus conselheiros decidiram não responder por enquanto, disseram duas pessoas a par do tema.

Isso ocorre em meio a tensões crescentes entre a administração Trump e a Europa sobre política econômica e de segurança, à medida que os EUA se afastam de seus aliados tradicionais, especialmente no comércio e na invasão da Ucrânia pela Rússia.

Trump impôs esta semana uma taxa adicional de 25% sobre importações do setor automotivo nos EUA e aumentou tarifas sobre importações de aço e alumínio europeus. A UE está trabalhando em tarifas recíprocas em resposta, mas ainda não decidiu quais produtos visar.

A atitude dos funcionários de Trump em relação à Europa foi destacada esta semana quando mensagens sobre planos de ataque dos EUA no Iêmen foram vazadas para a mídia americana. “Eu simplesmente odeio ter que salvar a Europa novamente”, escreveu o vice-presidente JD Vance em um grupo de chat no Signal. “É PATÉTICO”, respondeu o secretário de defesa Pete Hegseth.

A França tradicionalmente não tem sido um lugar onde programas de DEI tenham se enraizado devido a limitações legais na coleta de dados raciais e étnicos. Os empregadores não têm permissão para considerar as origens das pessoas em decisões de contratação ou promoção.

Empresas francesas que estão potencialmente expostas às exigências dos EUA incluem grupos de aviação e defesa, prestadores de consultoria e empresas de infraestrutura. O Financial Times não conseguiu determinar quais empresas receberam a carta.

De acordo com o Les Échos, a carta concluía: “Se você não concordar em assinar este documento, ficaríamos gratos se pudesse gentilmente nos fornecer razões detalhadas, que encaminharemos ao nosso departamento jurídico.”

Fonte: Folha de S. Paulo
EUA alertam empresas da UE sobre ordem antidiversidade – 30/03/2025 – Mercado – Folha

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Economia, Gestão, Importação, Informação, Internacional, Mercado Internacional, Tributação

Sobre a arte de negociar com Trump 2.0, por Mario C. de Carvalho Jr

Temos de reconhecer que no passado fomos bons na interpretação do acordo do GATT e em sua solução de controvérsias.

A arte de negociar é um livro escrito pelo então incorporador Donald Trump, antes de se tornar democraticamente eleito – por duas vezes – Presidente dos EUA. Hoje, comanda ainda uma grande economia, que tem a mais dispendiosa e belicosa das forças armadas do mundo moderno. De fato, ele lidera um império com sinais de decadência porque sua economia não apresenta dinamismo econômico e tecnológico no longo prazo devido ao excesso de gastos públicos, ao alto nível da dívida pública, ao contínuo déficit comercial, e ao seu gasto militar que só cresce por ser a gendarme do mundo.

A existência e a manutenção conjunta de déficit comercial e orçamentário fazem com que os principais bancos centrais do mundo diversifiquem os seus ativos que estão nos portfolios de suas reservas internacionais, reduzindo a presença do dólar e o trocando por ouro e outras moedas conversíveis, como o renimbi, yen ou até as recém-criadas moedas digitais. Isso não é um processo de desdolarização, mas um movimento prudente dos Bancos Centrais do resto do mundo face à incerteza e ao risco de carregar nas reservas ativos financeiros denominados em dólar. Isso significa que o dólar está perdendo aos poucos sua função de reserva de valor devido à gradual perda de credibilidade da gestão macroeconômica implantada simultaneamente pelo Federal Reserve, e pelo Departamento do Tesouro norte-americano.

Ao colocar a política denominada de “America First”, como objetivo de política comercial e de trade policy, e, também cobrar das nações que necessitam de proteção militar – exemplo União Europeia – que entrem com um maior valor de gastos para a sua  segurança mostra que são corretas as metas e ações do Governo Trump 2.0 para reduzir o excesso de dispêndio que os EUA fazem no seu complexo industrial militar. Além disso, ao buscar reduzir o peso da máquina pública norte americana obrigando-a ser mais eficiente e efetiva através de sugestões de ações de corte de custos feita pelo departamento DOGE – criado por Trump e gerido por Elon Musk – sinaliza um compromisso com credibilidade de política fiscal para reduzir os gastos públicos correntes.

Vale lembrar, que além de ser um incorporador de renome, Trump tempos atrás também comandou um “reality show,” cuja técnica passou a adotar na gestão da sua agenda de política interna e externa, tanto no período do Trump 1.0, quanto agora no 2.0. Data daquela época o saber ”zoar” os brasileiros. Primeiro, foi provocar o derrotado treinador da seleção de futebol brasileira da época – Tite – sobre a atuação do nosso time. Usando conquistas passadas, em entrevista televisiva, nos EUA, o nosso timoneiro sem rumo da CBF levantou uma mão sinalizando os cinco títulos mundiais ganhos num passado de glória.

Sabiamente, naquele momento Trump não revidou! Mas, ele cutucou os brasileiros de uma forma singular tempos depois. Isso ocorreu ao assinar durante o período Trump 1.0 o novo acordo comercial entre os EUA  com o México e Canadá. O então presidente do EUA – numa atitude comum sua – fez comentários extra pauta, sobre a Índia e o Brasil. Vindo de Trump, devemos num primeiro momento analisar e entender os adjetivos usados à época por Trump – “beauty and toughest” – para se referir aos brasileiros.

De um lado, o “beauty” vem da nossa geografia, afinal ele já conhecia o encanto da Cidade Maravilhosa – o Rio de Janeiro – aonde quase ia fincar uma  ‘’Trump Tower’’. E, ao não fechar negócio no Brasil para implantar um mero empreendimento imobiliário perto do cais do Porto do Rio, este descobriu o emaranhando de impostos, taxas, emolumentos e multas envolvida numa operação comercial com brasileiros. Aliás, já agora no período Trump 2.0, este faz a mesma alusão à burocracia em excesso existente no Brasil ao falar da incidência de taxação de renda e de preço de transferências impostas sobre as empresas multinacionais de origem de capital norte-americano.

Para Trump 1.0 e equipe, o estilo de negociação do ’brasileiro é o de ser “duro” (toughest)! Todavia, antes de aceitar essa pecha, cabe indagar se o brasileiro seria realmente duro numa negociação internacional, seja por via diplomática ou comercial? Para entender a “boutade” de Trump é preciso lembrar o ditado popular: quem bate esquece, quem apanha lembra! No contencioso do algodão com os EUA, resolvido no âmbito do comitê de soluções de controvérsias da OMC, fomos duríssimos usando punhos de rendas. Nossos cisnes do Palácio do Itamaraty com base em princípios claros expostos no acordo multilateral firmado no âmbito do antigo GATT durante a negociação com o Governo dos EUA não aceitaram barganhar.  Resultado: colocaram de joelhos o Poder Executivo Norte-Americano visto que este foi obrigado a negociar com o seu Poder Legislativo – câmara baixa e alta – para mudar a “Farm Bill”. E, isso contrariou à época  e muito os  interesses dos eleitores e dos estados  do sul daquela nação. Tudo isso ocorreu há uns vinte anos, e a estratégia do Itamaraty foi tão precisa que virou “cases” para a área do direito internacional, e em teoria de jogos!

A partir dessa visão calcada no direito internacional oriundo do GATT/OMC e das regras das leis norte-americanas, inclusive a de Comércio que são usados nas argumentações e nas cartas localizadas nos punhos de renda dos nossos negociadores do Itamaraty advém a percepção dos negociadores norte americanos de que somos duros negociadores! Porém, pela cartilha e a prática negocial de Trump 2.0 e sua equipe somos previsíveis por agirmos by the book da OMC/GATT e das leis de comércio norte americana.

De fato, não há clareza por parte dos atores governamentais e dos defensores dos interesses das empresas exportadoras, no Brasil, de que o primeiro book  está, hoje, ao menos em desuso e paralisado ao menos no comitê de soluções de controvérsias da OMC, e, em função da prática de commom law há novas interpretações plausíveis em curso da legislação americana nos tribunais e no executivo e legislativo daquela nação. E, ainda não se entendeu, no Brasil,  que a tarifa aduaneira, em termos históricos, nos EUA, foi usada com três objetivos a saber: a) para arrecadar recursos para fazer face às despesas da União; b) para alterar o padrão de produção local com vistas à proteger à produção doméstica norte-americana contra importações com dumping ou subsídios; ou c) como instrumento para obter reciprocidade nas relações econômicas de setores, indústria, e dos EUA tanto com parceiros comerciais de forma bilateral, regional ou multilateral. Demais, os propósitos desses instrumentos são para atingir objetivos econômicos e não econômicos. Hoje, grosso modo, temos que compreender e distinguir essas intenções quando  Trump 2.0 usar o instrumento de tarifas aduaneiras.

O nosso problema, no período Trump 2.0, caracterizado por novos tempos de negociação internacional em que a linearidade da conduta e da análise do problema dá lugar para o reino da não linearidade, da incerteza e das escolhas de “trade off’’ presente e futuro numa negociação comercial e diplomática só torna frágil nossos negociadores, tanto os nossos cisnes do Itamaraty, quanto os defensores dos interesses empresariais brasileiros junto aos EUA.

Importa reter, no momento presente, que só incorporando os elementos descritos acima com base numa perspectiva de lógica fuzzy é que poderemos agora no período Trump 2.0 nos prepararmos para uma negociação agressiva unilateral, tanto da  parte de Trump, quanto dos membros do seu Governo

Temos de reconhecer que no passado fomos bons na interpretação do acordo do GATT e em sua solução de controvérsias. Mas, foi nesse locus institucional que perdemos  – em termos multilaterais –  o desenho e o fundamento da política industrial e de comercio exterior de governos passados, inclusive o período Lula I e II, e tivemos de oferecer compensações aos nossos parceiros comerciais.

Isso posto é preciso que reconheçamos que apesar do volume da corrente de comercio de bens e serviços entre o Brasil e os Estados Unidos, o saldo comercial favorável aos EUA, e ao crescente número de emigrados legais brasileiros nos EUA trabalhando e investindo tanto lá quanto cá, e que hoje somam a quase quatro milhões de pessoas há um contencioso comercial histórico entre o Brasil e os EUA que vem desde os anos noventa do século passado.

De fato, o Governo Norte Americano monitora de forma constante o contencioso nas nossas relações comerciais, e há revisões anuais, principalmente pelo USTR – United States Trade Representative -, quanto por outros órgãos daquele país. Estivemos  na “lista de observação” da seção 232 e da seção especial 301 da Lei de Comércio dos EUA; temos revisão sempre em curso dos produtos da lista de beneficiários do Sistema Geral de Preferências – SGP, notadamente das exportações oriundas da região Norte e Nordeste; e, os incentivos fiscais e subsídios creditícios que oferecemos a nossas empresas exportadoras estão sob o escrutínio conjunto do departamento do comércio e do USTR. Isso tudo sem falar de toda espécie de medidas de importação, de barreiras não tarifárias, de medidas fito-sanitárias, e barreiras técnicas gerais ou setoriais que impomos, segundo o USTR, aos produtos já comercializados pelos fornecedores dos EUA, ou que eles porventura podem fornecer. E, estamos sempre na lista de país que permite a importação de produtos de marca falsificados e que infringe a propriedade intelectual. Vale lembrar que todas essas análises e diagnósticos do governo norte americano estão descritos em relatórios públicos dessas instituições, e disponíveis na internet.

Hoje, grosso modo, temos que compreender que com Trump 2.0, este contencioso estará subjacente em qualquer negociação, mas dada à amplitude da proposta de tarifa reciproca com vistas a obter reciprocidade para acesso com corte bilateral ao mercado de lá (EUA) e de cá ( BRASIL), e, dada a superposição do antigo contencioso comercial com a nova proposta de reciprocidade de redução tarifária , a pergunta a ser respondida é o  que fazer num contexto de negociação agressiva comandada por Trump?

O primeiro ponto é compreendermos o anuncio a ser feito próximo dia 02 de abril – cunhado por Trump como “liberation day” – em que serão expostas as diretrizes e talvez o nível das tarifas reciprocas proposto pelos EUA. O divertido e o interessante é que nunca antes na história do mundo um grande player que tem a sua economia já aberta irá propor e negociar por meio de tarifas reciprocas um mecanismo de abertura e acesso unilateral, bilateral e multilateral para aumentar o comercio intra indústria entre os EUA e o país ( ou países) que entrar ( ou entrarem) em negociação com os EUA.

Em outras palavras, serão apresentados dois vetores de tarifas reciprocas aos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Provavelmente com base no Harmonized System da TUSA o valor ad valorem da tarifa de importação norte americana será comparado e cotejado com o valor da tarifa de importação do Brasil ( e/ou dos demais países). Essa medida será um tipo de proxy a ser usada pelos EUA para mostrar o grau de trade cost que os produtores norte americanos tem para acessar o mercado brasileiro ( ou em qualquer outro país). E, a partir dessa dispersão ou diferencial, os EUA iram elevar o nível das suas tarifas aduaneiras em relação a sua proposta de tarifa recíproca.

Como o patamar da tarifa norte-americana é muito mais baixo que o observado no resto do mundo – pois ao longo da estória do GATT-OMC a redução de tarifa dos EUA junto com clausula MFN foi usada como um bem público para se avançar nas diversas Rodadas da OMC, hoje, os EUA irão usar o porrete ( stick) das tarifas para viabilizar tanto o acesso e abertura ao seu mercado quanto o acesso e abertura do mercado alvo da tarifa reciproca. Isso é a novidade do dia 02 de abril, pois é diferente do que foi usado nas negociações comerciais do passado. E, a priori , se seguir uma analise de economia positiva com base em dados não se pode afirmar a priori que as medidas são protecionistas ou só semeiam a guerra comercial. De fato, é algo novo em relação à experiência pós a crise de 1929 em que se proliferou as políticas de beggar the country.

De fato, importa perceber que o propósito de “liberation day “ não será a busca de auto suficiência total de todos os setores da economia norte –amerciana, tornando-a uma economia fechada ao comércio internacional. Abertura, acesso ao mercado e possibilidade de lucrar e fazer e negócios continuarão a estar na mesa de negociações entre os operadores dos EUA com cada país. Logo, obter os ganhos de comércio advindos da “dupla abertura” – lá e cá – dependerá fundamentalmente do animal spritis dos empresários exportadores brasileiros. Infelizmente, esses só querem ser comprados, e não querem ir vender até por não terem cultura exportadora. Logo, a atitude tanto dos empresários, de seus representantes e do governo brasileiro será de apatia, desejo de negociação e mera reação. Em outras palavras, ousadia zero face às oportunidades abertas no “liberation day”.

Sem dúvida, para que se possa analisar os efeitos do “liberation day” na estrutura tarifária e de proteção da economia brasileira e na composição das exportações nacionais é preciso que a partir dos dados das tarifas reciprocas a serem divulgados com base no SH do TUSA ( ou do pouco provável SITC) se possa ter acesso aos dados da Secretaria de Receita Federal do Brasil.

Aliás,  será preciso tabular e calcular o nível da tarifa média nominal do imposto de importação que consta da Tarifa Aduaneira do Brasil por NCM com os valores importados e os impostos efetivamente arrecadados ( ou isentados) sob cada regime especial aduaneiro. Ao se obter o somatório desses dados se obterá uma proxy da tarifa aduaneira verdadeira cobrada pelo Brasil. Isso poderá ser calculado tanto para os produtos importados e provenientes dos EUA e do Resto do Mundo. Hoje em dia, essa informação não poderá ser disponibilizada por ser sigilo fiscal segundo norma e interpretação da SRF. Sem dados, o que se poderá afirmar é que o Brasil cobra e coíbe  e protege à economia brasileira é bem menor que o exposto no diário oficial em que se outorga uma proteção ao produto nacional.

Obviamente, entre o diferencial da tarifa legal e a verdadeira se deveria tentar obter os diferenciais dos preços internos e externos desses bens para de fato se obter a proteção efetiva dada pelo Governo à Economia Brasileira. Como não se tem esses dados e não se sabe como os bens entram e são nacionalizados no território nacional segundo regimes aduaneiros se tornou comum principalmente entre lideres empresariais do setor químico e siderúrgico do Brasil que estes venham à público com um mantra mostrando que estão corretamente sofrendo com a competição de produtos chineses. Sem dúvida, por exemplo, esses produtos entram pelo Amapá sem incidência de imposto de importação, de ipi , e com redução de icms para cerca de três por cento e são transportados e consumidos na região sudeste. Mesmo com a reforma tributária isso irá perdurar até 2032, sendo que só não se sabe se as empresas nacionais haverão de sobreviver até lá.

Apesar disso, nosso problema inicial com as tarifas reciprocas criadas por Trump é temos de identificar as vantagens comparativas reveladas, e ainda existente em bens e serviços aqui produzidos e transacionados para potencializarmos ao máximo a capacidade produtiva do sistema da economia nacional face à um necessário processo de mudança de regime de comércio com abertura comercial.

Temos de ousar e ter claro que é decisão soberana e de interesse nosso – do Brasil –  mudar agora o regime de comércio brasileiro, com ou sem ameaça das tarifas reciprocas de Trump. Isso porque para que uma abertura comercial unilateral como está sendo proposta por Trump se produza reduzido número de perdedores, é preciso ter e adotar como princípio uma estratégia de resposta por parte do Brasil uma ação unilateral de mudança dos preços relativos externos e internos, aonde se altere simultaneamente a estrutura de incentivos às exportações, de um lado, e as medidas tarifárias e não tarifárias, de outro lado, de modo que haja um viés pró-exportador para que se produzam vencedores.

Aliás, vale lembrar que no Governo Collor, reduzimos as tarifas sobre insumos do agronegócio e se implementou uma lei agrícola capaz de direcionar crédito a esta atividade cujo resultado – dada a demanda internacional – é que não somos um país com uma parcela pequena no comércio mundial dos produtos do agronegócio. Resultado, o regime de comércio do Agro não é nem pop, nem tóxico, e sim pró-exportador. Não se recolhe impostos indiretos – icms – aos cofres públicos porque se compete com fornecedores de todo o mundo, mas se taxa a renda direta mediante o imposto de renda sobre o produtor rural.  Caso haja sanha por uma derrama para atender aos cofres dos fiscos estaduais por causa do volume de créditos acumulados com exportações de ICMS, e se se quiser taxar as exportações estaremos voltando para a época do  ciclo do café. Isso seria uma solução, pois se obteria renda dos consumidores internacionais até eles terem outra fonte de suprimento e de preferência, como hoje o café colombiano! Aliás, o correto seria eliminar a figura do acúmulo do ICMS nas exportações para evitar que os nossos concorrentes digam que estamos  a subsidiar os produtores e exportadores domésticos.

Isso não ocorre com tanta facilidade nos produtos da indústria em que a estrutura de produção e taxação é mais longa. De fato, há mais etapas para se processar um bem, e a cada momento histórico se há necessidade de proteger temporariamente certas atividades para gerar aprendizagem, escala e escopo na produção doméstica. Este bem se for produzido no Brasil têm de ter condições de ser ofertado de forma competitiva com taxação indireta ou contribuições de PIS e COFINS para o mercado doméstico, e como isenção dessa taxação quando o produto for direcionado para o mercado internacional. Como isso não foi assegurado à indústria ao longo das últimas décadas se assiste a uma grande desindustrialização, cuja necessidade de reindustrialização e mudança no chão de fábrica hoje se faz mais necessária devido à difusão da internet das coisas e a transição energética. Apesar da não outorga de incentivos corretos ao setor industrial, este conseguiu nos últimos anos resistir e apresentar perdas nas exportações por operarem num regime de comércio com viés contra a industrialização de bens e serviços.

Face ao exposto acima, e apesar das ameaças bilaterais de pressão do Governo Trump 2.0, esse deveria ser um bom momento para iniciarmos a revisão do regime de comércio brasileiro. Nesse sentido, um primeiro diagnostico a ser feito seria estabelecer uma taxionomia do contencioso bilateral com os EUA, dos níveis de proteção nominal e efetiva, e dos regimes aduaneiros e acordos de complementação econômica com os nossos parceiros comerciais, inclusive Mercosul.

Sem dúvida, uma equipe pequena deveria ler os documentos disponíveis na internet e os documentos entregues ao Governo Brasileiro pelos representantes dos nossos parceiros comerciais.  Esta equipe não deveria conter, nem analistas de comércio exterior, nem diplomatas de carreira porque o norte da leitura é identificar as “queixas’ e “alegações” bilaterais e multilaterais de barreiras ao comércio sem posições pré concebidas visto que há necessidade de identificar cada item desse contencioso em relação ao que incide na fronteira do país e ao que incide e distorce as condições de venda do produto importado após a entrada no território nacional.

Ao proceder dessa forma poderemos listar as medidas não tarifárias, fitossanitárias e outras que nossos parceiros alegam que restringem o comércio. Verificaremos que boa parte da queixa é decorrência do jeitinho brasileiro de administrar típico de instituições como IMMETRO, INPI, MAPA, ANVISA, etc. Com uma diretriz política da CAMEX se poderá modernizar as normas infraconstitucionais e limpar o contencioso sem ferir a soberania nacional.

Com relação às tarifas, o Governo brasileiro poderia anunciar um processo de convergência da atual estrutura da tarifa nominal para um nível uniforme próximo e em torno de 15% ou 20% de proteção tarifária. Também se buscaria eliminar os regimes aduaneiros especiais e ex-tarifários não ligados à atividade de exportação. Vale destacar que nesse processo de convergência se negociaria com os parceiros do Mercosul a transformação do bloco numa área de livre comércio  visto que essa já de fato isso, e cada membro poderia estabelecer sua própria tarifa aduaneira, e se manteria os princípios fundadores o Mercosul, desde que houvesse um maior controle das regras de origem intra bloco.

Cabe destacar que o Brasil adotou uma inteligente política comercial estratégica no início do século XXI para atrair novas montadoras a se instalarem no solo brasileiro, em função da inovação de um produto nosso – o motor flex – , e seus bons efeitos sobre o meio ambiente. A jabuticaba brasileira foi reduzir significativamente a estrutura dos tributos indiretos – tipo IPI, ICMS, PIS e Cofins – dos carros montados no Brasil e que eram vendidos aos consumidores nacionais, sem que esse “incentivo” fosse dado ao produto importado. Vale lembrar que o produto nacional inovador era o motor flex, e no carro importado à época não havia esse motor. Reduzir a tributação interna funcionou e novas montadoras vieram para o Brasil, mas violamos o princípio de não discriminação a produto importado após a entrada no território nacional conforme reza o acordo do GATT/OMC.

Hoje, em época de transição energética, podemos lançar títulos verdes do governo brasileiro nos Estados Unidos e usarmos esses recursos para fazer inovações na indústria de transformação de setores hard to abate – como siderúrgicos, e químicos – no Brasil, e, podemos de quebra incentivar a complementação produtiva nessa área entre o Brasil e os EUA fazendo com empresas exportadoras nacionais se internacionalizem e comprem unidades nos EUA. Inclusive, podemos fazer isso sem ferir a legislação internacional mostrando proposito de fazer transição energética associada ás exportações.

Além disso, para melhorar o relacionamento Brasil e EUA, devemos combater o contrabando, e a contrafação de bens que tanto violam os direitos de propriedade intelectual com entram no Brasil por situações de descaminhos. Isso é preciso que se torne uma ação perene e constante do Governo. É obvio que esse problema não se restringe à uma unidade da Federação, pois ocorre em todos os estados da federação, e inclui também armas e drogas. Aliás, ter uma presença e controle mais efetivo nas fronteiras é um desejo de toda a autoridade constituída no país. Dada a extensão geográfica das fronteiras terrestres e marítimas do Brasil impor controle e inspeção sobre a movimentação de bens e serviços que passam pela fronteira – sem ferir as normas e leis internacionais – depende de reconhecer a priori a partir da nossa história de que todos aqueles bens que entram ( ou saem) devem ser inspecionados no território quando este ocorrer por meio de um meio de transporte, de uma forma de acondicionamento da carga (tipo container ou pallet), e numa entrada legal ( tipo porto ou aeroporto). Dado que se tem de elaborar documentos que comprovem a transferência de propriedade do bem de um comprador para um vendedor se pode montar “jogos de inspeção” para estabelecer controles, desde que haja instituição capacitada para essa atividade.

No Brasil, hoje, existem sistemas informatizados em que se pode obter tanto o fluxo físico, fiscal, monetário e cambial da exportação quanto da importação em termos de origem e destino, bem como o fluxo de carga podem ser verificados e checados para efeitos de controle comercial, aduaneiro e cambial. Pode-se inspecionar ou pré-inspecionar preço, volume, valor, tipo, etc na entrada e na saída. Só precisa saber analisar esse Big Data e fazer uma mineração de dados perene. Isso pode ser feito se juntar uma força tarefa da Coana/MF com o Decex/Mdic e COAF-MJ sob um mesmo órgão de Governo, se requerendo apenas mudança legal das funções e atribuições dos respectivos Ministérios.

Do exposto, o anúncio do “liberation day” pelo Presidente Trump é um bom  momento para se ousar na condução das negociações com os Estados Unidos.  A partir do mapa de sugestões aqui proposto, caso estas viessem a ser adotadas de forma imediata permitirá que o Governo  resista às pressões a serem feitas pelo o atual Presidente dos EUA na medida que se terá “novas” propostas nas mãos para se negociar com a equipe de Governo dos EUA.  Surpreender e alterar o conteúdo da agenda de negociação de forma não linear tira Trump e sua equipe da sua zona de conforto, e da sua obsessão momentânea. Kim Jong-un fez isso, e o problema Estados Unidos- Coréia do Norte saiu do noticiário internacional. Por sua vez, Xi Jinping trata e negocia com Trump de forma linear e tradicional, e não há grandes avanços nas negociações China – EUA, e, a guerra comercial se aprofunda cada vez mais. Assim, ser não linear e ser inesperado – usando o método ODDA loop conforme demostrado por Tom Cruise nos filmes TOP GUN 1 e 2 sem ser uma missão impossível –  é a essência da arte de se negociar com Trump!

Mario Cordeiro de Carvalho Junior – Professor da Faf-UERJ

FONTE: Jornal GGN
Sobre a arte de negociar com Trump 2.0, por Mario de Carvalho Jr

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