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Nova política chinesa para importação de carne bovina redefine estratégia do Brasil a partir de 2026

A nova política chinesa para importação de carne bovina marca uma mudança estrutural na relação comercial entre China e Brasil a partir de 2026. Maior destino individual da carne bovina brasileira, o mercado chinês passa a operar sob um regime de salvaguarda com quotas tarifárias, alterando de forma significativa o papel do frigorífico brasileiro e do importador chinês nas operações comerciais.

China segue como principal mercado da carne bovina brasileira

Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina desossada congelada para a China. O volume respondeu por 51,3% das exportações brasileiras do produto, consolidando o país asiático como parceiro estratégico do agronegócio brasileiro.

Esse protagonismo, no entanto, passa a coexistir com um novo ambiente regulatório, resultado da investigação de salvaguarda conduzida pelo Ministry of Commerce of the People’s Republic of China (MOFCOM).

Salvaguarda chinesa e criação de quotas por país

A investigação concluiu que o crescimento acelerado das importações causou impacto à indústria doméstica chinesa. O processo foi aberto em dezembro de 2024 e aprovado de forma definitiva em dezembro de 2025.

O regime de salvaguarda terá validade entre 2026 e 2028 e será aplicado por meio de quotas tarifárias específicas por país de origem. As importações realizadas dentro do limite anual seguem sujeitas à tarifa regular. Já os volumes que ultrapassarem a quota passam a pagar uma tarifa adicional de 55%, conforme o Comunicado nº 87/2025 do MOFCOM.

Carga tributária pode chegar a 67% fora da quota

Mesmo antes da salvaguarda, a carne bovina já era tributada com tarifa ad valorem de cerca de 12%. Com a nova regra, os embarques acima da quota passam a enfrentar uma carga total de 67%, somando a tarifa ordinária e o adicional de salvaguarda, o que torna a operação economicamente inviável.

Quotas definidas para 2026 por país fornecedor

Embora o texto principal do comunicado não detalhe os volumes, informações do Anexo 2 confirmadas por fontes oficiais indicam as seguintes quotas para 2026:

  • Brasil: 1.106.000 toneladas
  • Argentina: 511.000 toneladas
  • Uruguai: 324.000 toneladas
  • Nova Zelândia: 206.000 toneladas
  • Austrália: 205.000 toneladas
  • Estados Unidos: 164.000 toneladas

As quotas são anuais, não transferíveis e não acumuláveis, o que exige planejamento rigoroso ao longo do ano-calendário.

Importador chinês assume maior risco regulatório

Com o novo regime, o importador chinês passa a assumir integralmente o risco no momento do desembaraço aduaneiro. Caso a quota brasileira esteja esgotada no momento da liberação da carga, a tarifa adicional é aplicada automaticamente, comprometendo a margem da operação.

Esse risco tende a ser maior no fim do ano, quando as quotas costumam estar próximas do limite. Importadores com menor histórico operacional ou novos entrantes podem enfrentar dificuldades para acessar volumes relevantes.

Quota passa a funcionar como ativo estratégico

Apesar das restrições, o novo modelo cria oportunidades competitivas. Importadores que controlam com precisão seus fluxos logísticos passam a tratar a quota como um ativo econômico indireto, influenciando negociações, preços e contratos. Parcerias com frigoríficos confiáveis tornam-se um diferencial estratégico.

Papel do frigorífico brasileiro também muda

Embora não detenha quota, o frigorífico brasileiro influencia diretamente o risco regulatório ao definir datas de embarque, cronogramas e previsibilidade logística. Atrasos, transbordos ou falhas operacionais podem fazer a carga chegar após o esgotamento da quota, transferindo o impacto econômico para toda a operação.

O novo regime também intensifica a competição entre embarques brasileiros. Caso o volume total exportado supere a quota anual, apenas parte das cargas será desembaraçada sem a tarifa adicional, o que pode gerar renegociações, pressões por desconto e menor atratividade para operações spot.

Governança logística ganha protagonismo

A partir de 2026, fatores como confiabilidade logística, previsibilidade operacional e segurança de entrega passam a pesar tanto quanto preço e volume. Frigoríficos mais estruturados tendem a ser priorizados em contratos de longo prazo, enquanto operações menos previsíveis perdem espaço.

Novo modelo não fecha o mercado, mas muda a lógica da concorrência

O comércio de carne bovina entre Brasil e China permanece aberto, porém sob uma nova lógica de governança comercial. A quota não representa interrupção do fluxo, mas exige maior sofisticação na gestão logística, contratual e financeira.

Para o importador chinês, o desafio está em maximizar o uso eficiente da quota. Para o frigorífico brasileiro, a competitividade passa a depender menos do preço e mais da capacidade de atuar como parceiro estratégico, contribuindo para a mitigação do risco regulatório.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ministério do Comércio da China em Pequim/Xinhua

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França vai barrar importação de frutas da América do Sul com resíduos químicos proibidos

A França anunciou que irá barrar a importação de frutas da América do Sul que apresentem resíduos de substâncias químicas proibidas pelas normas sanitárias da União Europeia (UE). A decisão foi divulgada neste domingo (4/1) pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, por meio de uma publicação na rede social X.

Segundo o premiê, uma portaria com os detalhes da medida deve ser publicada nos próximos dias. O texto será elaborado pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, e estabelecerá critérios mais rígidos para a entrada desses produtos no país.

Agrotóxicos proibidos estão no foco da fiscalização

Entre as substâncias que motivaram a decisão estão mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Esses defensivos agrícolas têm uso vetado na UE, mas ainda são encontrados em análises de frutas importadas, o que contraria a legislação sanitária europeia.

A intenção do governo francês é impedir a circulação de alimentos que não atendam aos padrões exigidos, reforçando a segurança alimentar e a proteção ao consumidor.

Mangas, uvas e maçãs estão entre os produtos afetados

A lista preliminar de frutas que podem ser incluídas na portaria envolve mangas, uvas, maçãs, além de abacates, goiabas e frutas cítricas. De acordo com Lecornu, a fiscalização será intensificada por uma brigada especializada, responsável por verificar o cumprimento das regras sanitárias na entrada desses produtos no país.

Governo fala em proteção ao produtor local

Para o primeiro-ministro, a iniciativa representa uma “primeira etapa” na defesa das cadeias produtivas francesas. A medida também busca combater a concorrência desleal, garantindo condições mais justas aos agricultores locais, que seguem normas ambientais e sanitárias mais rigorosas.

Protestos de agricultores pressionam autoridades

Desde dezembro, a França enfrenta uma série de protestos de agricultores. As manifestações estão relacionadas, entre outros fatores, à condução do governo diante da dermatose nodular contagiosa (DNC) em rebanhos bovinos e à resistência ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Josh Hawley/Getty Images

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Importações de aço pressionam siderurgia brasileira e setor fecha 2025 em alerta

A siderurgia brasileira chega ao fim de 2025 sob forte pressão do avanço das importações de aço, cenário que compromete margens, paralisa operações, reduz investimentos e resulta em demissões. O setor inicia 2026 na expectativa de novas medidas de defesa comercial capazes de conter um problema que se intensifica há vários anos.

Importações atingem maior nível em mais de uma década

Levantamento do Instituto Aço Brasil indica que, após recuo entre 2021 e 2022 — quando os desembarques de laminados caíram de 4 milhões para 3,1 milhões de toneladas —, o movimento voltou a ganhar força. A projeção para 2025 é de 5,7 milhões de toneladas importadas, volume próximo ao recorde histórico de 2010 e 20,5% superior ao registrado em 2024.

Considerando o período de janeiro a novembro de 2025, o Brasil importou 5,4 milhões de toneladas de aço laminado, crescimento de 20,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O impacto desse avanço já se reflete na estrutura produtiva do setor.

Cortes de investimentos e paralisações marcam o ano

Diante do aumento das importações, as siderúrgicas cancelaram cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos no mercado doméstico. Além disso, foram desligados aproximadamente 5.100 trabalhadores e interrompidas as atividades de quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas, conhecidas como mini mills.

Os resultados financeiros também sentiram o efeito. O Ebitda trimestral das empresas associadas ao Instituto Aço Brasil caiu 51,7% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao quarto trimestre do ano anterior. No mesmo período, a margem Ebitda recuou 7,7 pontos percentuais.

Empresas mais expostas ao aço importado

Segundo Lucas Sharau, economista e sócio da iHUB Investimentos, Usiminas e CSN estão entre as companhias mais afetadas, uma vez que os aços planos laminados concentram a maior parte das importações. A Gerdau, por sua vez, sofre impacto menor, devido à maior presença no segmento de aços longos e menor dependência dos produtos mais importados.

Medidas de defesa comercial ainda insuficientes

Em 2024, o governo federal adotou o sistema de cota-tarifa para tentar conter as importações de aço. A política foi renovada em 2025, com ampliação da lista de produtos, mas teve efeito limitado. A manutenção de acordos comerciais, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais estaduais continua favorecendo a entrada do aço estrangeiro.

Em negociações com o governo, o Instituto Aço Brasil aposta na adoção de novas medidas de defesa comercial em 2026. Para o analista Pedro Galdi, da plataforma AGF, há expectativa de que, já em fevereiro, sejam ampliadas as tarifas de importação para determinados tipos de aço, sobretudo de origem chinesa, o que poderia aliviar a pressão sobre as siderúrgicas nacionais.

Fatores externos e cenário macroeconômico

Galdi destaca ainda rumores de que a China possa impor maior controle sobre a exportação de excedentes, o que ajudaria a reduzir a oferta global. No entanto, ele pondera que a medida é complexa, já que o país asiático é o maior produtor mundial de aço e enfrenta desaceleração econômica.

Na avaliação do analista, a recuperação do setor depende da elevação das alíquotas de importação, da retomada da economia brasileira e da continuidade da política tarifária dos Estados Unidos, que intensifica a disputa global e o desvio de comércio.

Sharau acrescenta outros fatores considerados decisivos: crescimento da demanda interna, redução da taxa de juros — que diminui o custo de capital — e um real mais desvalorizado frente ao dólar, o que reduz a competitividade do aço importado em relação ao produto nacional.

Retomada deve ocorrer de forma gradual

Caso esses gatilhos se confirmem, a tendência é de uma recuperação progressiva da siderurgia brasileira. O movimento começaria com a reativação da capacidade produtiva existente, seguido por projetos de menor porte e, apenas em uma etapa posterior, por investimentos mais robustos.

Enquanto isso não ocorre, o setor permanece cauteloso. Galdi lembra que empresas como a Gerdau já vinham alertando para o risco do ambiente adverso e, diante da falta de previsibilidade, optaram por reduzir investimentos, fechar unidades e ajustar quadros de pessoal. Usiminas e CSN também seguem focadas em estratégias de corte de custos.

Segundo o analista, uma mudança mais significativa de estratégia só deve ocorrer quando houver sinais claros de retorno da demanda retirada pelo aço importado. Atualmente, esse produto já responde por cerca de 25% do aço consumido no Brasil.

FONTE: Diário do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução Adobe Stock

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Brasil eleva imposto de importação e amplia taxa sobre carros elétricos e painéis solares até 2026

Governo retoma tarifas e eleva alíquotas para até 35%
O governo federal deu continuidade à política de retomada gradual do imposto de importação sobre veículos elétricos, híbridos e painéis solares, com alíquotas que podem chegar a 35% até julho de 2026. A medida marca uma mudança em relação ao período de incentivos fiscais adotado desde 2015 para estimular tecnologias sustentáveis no país.

A estratégia busca fortalecer a indústria nacional, ao mesmo tempo em que mantém um cronograma de transição para o mercado se adaptar às novas regras.

Fim gradual das isenções para veículos eletrificados
Desde janeiro de 2024, o governo iniciou a recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados. O cronograma prevê aumentos progressivos:

  • Veículos 100% elétricos
    • 10% em 2024
    • 18% a partir de julho de 2024
    • 25% em julho de 2025
    • 35% em julho de 2026
  • Veículos híbridos e híbridos plug-in
    • Alíquotas variáveis, também chegando a até 35% em 2026

O governo manteve cotas temporárias de importação com isenção parcial até 2027, permitindo uma adaptação gradual do setor automotivo.

Programa Mover e incentivo à produção nacional
A arrecadação gerada pelas novas tarifas será direcionada ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), voltado ao estímulo da produção nacional de veículos sustentáveis, inovação tecnológica e redução de emissões.

O objetivo é atrair investimentos e fortalecer a cadeia produtiva brasileira no setor automotivo, reduzindo a dependência de importações no médio e longo prazo.

Painéis solares também entram no novo regime tributário
Os módulos fotovoltaicos, majoritariamente importados da China — responsável por cerca de 99% das compras brasileiras —, também passam por mudanças tributárias.

  • Em 2024, as alíquotas variam entre 10,8% e 12%, após o fim de regimes especiais e isenções temporárias.
  • A partir de 2025 e 2026, a taxa pode chegar a 25% para importações acima das cotas estabelecidas.

A medida impacta diretamente o setor de energia solar, que vinha crescendo de forma acelerada nos últimos anos.

Setor solar critica impacto econômico e ambiental
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) criticou o aumento das tarifas. Segundo a entidade, a mudança pode elevar o custo da energia, inviabilizar projetos e afetar investimentos estimados em R$ 97 bilhões, além de colocar em risco cerca de 25 GW em projetos.

Indústria nacional defende proteção contra concorrência externa
Por outro lado, entidades como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) apoiam a decisão. O argumento é que as tarifas ajudam a equilibrar a concorrência com produtos estrangeiros subsidiados e estimulam a produção local de equipamentos e tecnologias limpas.

Impactos no mercado e próximos passos
A política de reoneração indica uma mudança estrutural na estratégia industrial brasileira, buscando conciliar sustentabilidade, desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. No entanto, especialistas alertam que os efeitos sobre preços e investimentos precisarão ser monitorados de perto.

FONTE: Portal VV8
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal VV8

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Brasil deve importar 7,3 milhões de toneladas de trigo na safra 2025/26, projeta USDA

O Brasil deve manter elevado o volume de importações de trigo na safra 2025/26. De acordo com projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país deve comprar 7,3 milhões de toneladas do cereal no mercado internacional, praticamente o mesmo volume registrado na temporada anterior, quando as aquisições somaram 7,299 milhões de toneladas.

Mesmo com estoques iniciais considerados confortáveis, o mercado brasileiro segue dependente do trigo importado para equilibrar a oferta interna e atender à demanda da indústria moageira.

Estoques iniciais garantem abastecimento, mas não eliminam dependência externa

Segundo o USDA, o Brasil inicia a safra 2025/26 com estoques iniciais estimados em 2,687 milhões de toneladas. Esse volume contribui para a segurança do abastecimento, mas não reduz de forma significativa a necessidade de compras externas, especialmente diante do consumo elevado e da limitação da produção nacional.

Produção brasileira de trigo deve chegar a 7,7 milhões de toneladas

A produção nacional de trigo está projetada em 7,7 milhões de toneladas, mantendo patamar semelhante ao da safra anterior. Com esse volume, a oferta total do cereal no país deve alcançar cerca de 17,687 milhões de toneladas, considerando estoques iniciais, produção interna e importações.

Mesmo com avanços tecnológicos e expansão pontual da área cultivada, o Brasil segue entre os maiores importadores globais de trigo, já que a produção se concentra principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, sem atender integralmente à demanda interna.

Exportações de trigo devem alcançar 2 milhões de toneladas

As exportações brasileiras de trigo também apresentam perspectiva de crescimento. O USDA estima que os embarques avancem de 1,894 milhão de toneladas em 2024/25 para 2 milhões de toneladas em 2025/26.

Esse desempenho é sustentado pela boa qualidade do grão nacional e pela demanda de países da América do Sul, que seguem como os principais destinos do trigo brasileiro.

Consumo interno segue estável e estoques finais aumentam

O consumo doméstico de trigo está projetado em 12,35 milhões de toneladas, refletindo a estabilidade do setor de moagem e a recuperação gradual do consumo de derivados como pães, massas e biscoitos.

Com esse cenário, os estoques finais devem atingir 3,337 milhões de toneladas ao fim da safra, volume superior ao da temporada anterior e considerado suficiente para manter o equilíbrio do mercado no curto prazo.

Perspectivas para o mercado brasileiro de trigo

As estimativas do USDA apontam para um cenário de estabilidade no mercado de trigo brasileiro em 2025/26. A combinação entre produção consistente, importações elevadas e consumo firme deve seguir moldando o setor.

Fatores como câmbio, custos de produção e competitividade frente ao trigo argentino — principal fornecedor externo — continuarão influenciando as decisões de compra e a dinâmica do mercado nacional.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: APPA – Paranaguá

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Consumo de importados no Brasil atinge maior nível em 20 anos

A participação de produtos importados no consumo dos brasileiros alcançou, em 2024, o patamar mais elevado desde o início da série histórica, em 2003. O movimento ocorre em um contexto de recuperação da demanda interna, retomada da produção industrial e desvalorização do real, fatores que evidenciam as dificuldades da indústria nacional para competir tanto no mercado doméstico quanto no exterior.

Os dados constam da mais recente edição do estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e divulgado nesta quinta-feira (18).

Importações ganham espaço no consumo interno

Mesmo em um cenário que teoricamente favoreceria a produção nacional, o coeficiente de penetração das importações, que mede a presença de bens estrangeiros no consumo brasileiro, subiu de 24,5% em 2023 para 26,7% em 2024, avanço de 2,2 pontos percentuais.

O resultado chama atenção porque a desvalorização cambial tende a encarecer produtos importados. Ainda assim, as importações cresceram 17,3% em 2024, em reais e a preços constantes, impulsionadas pelo aquecimento da demanda doméstica e pela expansão da atividade industrial.

Segundo a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os indicadores funcionam como um alerta para a competitividade da indústria brasileira. De acordo com ela, persistem entraves estruturais que limitam tanto a disputa no mercado interno quanto a capacidade de ganhar escala e espaço no comércio internacional.

China amplia participação e lidera avanço das importações

O estudo aponta a China como principal responsável pelo crescimento da presença de importados no Brasil. A participação de produtos chineses no consumo nacional avançou de 7,1% para 9,2% em 2024, atingindo o maior nível da série histórica.

O aumento foi puxado por setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica, como máquinas e equipamentos, máquinas e materiais elétricos e equipamentos de informática e ópticos. O levantamento também destaca a forte presença de têxteis chineses no consumo do setor no país.

Em conjunto, China, União Europeia, Estados Unidos e outros países europeus responderam por 18,7% do consumo aparente da indústria de transformação em 2024, acima dos 16,9% registrados no ano anterior. Entre as 17 regiões analisadas, apenas a China ampliou participação, enquanto a União Europeia apresentou leve retração.

Indústria aumenta dependência de insumos importados

A maior integração com o mercado externo também se reflete no uso de insumos industriais importados. Em 2024, o coeficiente que mede essa dependência subiu de 23% para 25%, alcançando novo recorde histórico.

As importações de insumos cresceram 16%, em reais a preços constantes, enquanto o consumo de insumos nacionais avançou apenas 4%. O movimento reforça a existência de uma dependência estrutural da indústria brasileira em relação a fornecedores externos, mesmo com o câmbio desfavorável.

Todos os 20 setores analisados registraram aumento no uso de insumos importados, com destaque para máquinas e equipamentos, outros equipamentos de transporte, vestuário e acessórios têxteis.

Peso das exportações na produção industrial diminui

Enquanto as importações ganharam espaço, a relevância do mercado externo para a indústria brasileira recuou. O coeficiente de exportação, que indica a parcela da produção destinada ao exterior, caiu de 19,3% em 2023 para 18,9% em 2024.

Embora as exportações da indústria de transformação tenham crescido 2,6%, em reais e a preços constantes, o avanço foi inferior ao da produção total. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, seguidos por União Europeia, China e Sudeste Asiático, que superou a Argentina no ranking.

Saldo segue positivo entre exportações e importações de insumos

Apesar do avanço das compras externas, o coeficiente de exportações líquidas da indústria de transformação manteve-se positivo em 2024, passando de 9,3% para 9,6%, a preços correntes. O indicador mostra que, no agregado, a receita com exportações superou os gastos com importação de insumos industriais.

Metade dos setores analisados apresentou resultado positivo, com destaque para celulose e papel, madeira e outros equipamentos de transporte. Em contrapartida, segmentos como equipamentos de informática, eletrônicos, ópticos e têxteis registraram desempenho negativo.

FONTE: Portal da Indústira
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Brasil

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Moçambique suspende importação de produtos como cerveja, carne e água para fortalecer indústria nacional

O Governo de Moçambique aprovou restrições temporárias à importação de 16 produtos, incluindo cerveja, carne, água engarrafada e outros bens de consumo corrente. A decisão tem como foco o fortalecimento da produção nacional, o apoio a indústrias emergentes e o estímulo ao consumo de produtos fabricados no país.

Segundo aviso divulgado pelo Ministério da Economia, a suspensão das importações vigorará “até nova comunicação”. O documento também recomenda que cidadãos e agentes económicos priorizem o consumo de produtos nacionais, como forma de impulsionar a economia interna.

Lista inclui alimentos, bebidas e materiais de construção

Entre os itens sujeitos às restrições à importação estão carnes e miudezas de aves, arroz e açúcar não embalados para venda a retalho, óleo de palma refinado, água mineral engarrafada, bebidas gaseificadas, massas alimentícias, sal, cimento portland, tijoleira, farinha de milho, cerveja, mobiliário de madeira e metálico, produtos de papel e papelão, bebidas não alcoólicas, além de trigo e milho em grão.

As quantidades e os moldes dessas limitações ainda não foram detalhados pelo Executivo.

Objetivo é poupar divisas e estimular a economia

O anúncio oficial foi reforçado após a reunião do Conselho de Ministros, realizada em Maputo no dia 16 de dezembro, quando foi aprovado o decreto que estabelece regras para restrições quantitativas temporárias à importação.

De acordo com o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, a medida busca proteger a posição externa de Moçambique, garantir a alocação prioritária de divisas para bens e serviços essenciais e tornar mais competitiva a indústria moçambicana.

Estabilidade macroeconómica e substituição de importações

O Executivo defende que a iniciativa também pretende incentivar a substituição de importações não essenciais, dinamizar a produção interna e ampliar o consumo de bens nacionais. A expectativa é que a política contribua para a estabilidade macroeconómica, o uso mais eficiente das reservas internacionais e a proteção do acesso a produtos essenciais.

Segundo o Governo, a decisão está alinhada com uma política económica baseada nos princípios da proporcionalidade, temporalidade e não discriminação, em conformidade com os compromissos multilaterais assumidos pelo país.

FONTE: Notícias Ao Minuto
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Lusa

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Importação de cannabis bate recorde no Brasil e cresce 16% em outubro, aponta levantamento

A importação de cannabis medicinal por brasileiros registrou um novo recorde em outubro. Segundo dados compilados pela Cannect a partir de informações do governo federal, a Anvisa autorizou 19.710 pedidos para entrada de produtos à base da planta no país — o maior volume já contabilizado em um único mês e 16,2% acima do total de setembro.

Entre janeiro e outubro, o Brasil já soma cerca de 160 mil autorizações, crescimento de 13,9% na comparação com igual período de 2024. O levantamento foi divulgado com exclusividade ao Brazil Economy.

Crescimento do mercado e consolidação do tratamento
Para Allan Paiotti, CEO da Cannect, o avanço reflete a consolidação da cannabis medicinal como alternativa terapêutica no país.
“Observamos um movimento consistente, com mais pessoas encontrando nos derivados de cannabis uma opção segura e eficaz”, afirmou o executivo.

Ele projeta que o acesso deve continuar se ampliando, fortalecendo a presença da cannabis no cuidado clínico cotidiano.

Um relatório recente da Kaya Mind mostra que, até setembro, o mercado brasileiro já contabilizava 873 mil pacientes e havia movimentado R$ 970,9 milhões, com projeção de encerrar o ano em R$ 1,2 bilhão.

Acessibilidade em alta e redução de custos
Fundada em 2021, a Cannect registra expansão contínua. A empresa já impactou 100 mil pessoas com terapias integrativas que incluem fitoterápicos, suplementação e cogumelos funcionais, além da cannabis medicinal.

A plataforma reúne 11 mil médicos treinados e 11,6 mil prescritores ativos, com um portfólio de mais de 800 produtos certificados.
O custo médio do tratamento caiu 64%, chegando a R$ 250 por mês, o que reforça a maior acessibilidade ao tratamento.

Regulamentação e permissões da Anvisa
A legislação atual permite a venda restrita de alguns produtos derivados de cannabis em farmácias, mas a importação segue como principal via de acesso. A Anvisa autoriza a entrada no país de itens prescritos por médicos ou dentistas, desde que o paciente solicite autorização prévia.

Pessoas com doenças crônicas como dor, ansiedade, insônia, autismo, Parkinson e epilepsia — condições com evidências científicas consolidadas para o uso da cannabis — têm recorrido principalmente à importação.

Desde 2015, quando a agência publicou a resolução que hoje corresponde à RDC 660, o número de autorizações disparou: de 850 naquele ano para 167.337 em 2024.

Perspectivas para a regulamentação do cultivo
Em novembro, o STJ prorrogou até 31 de março de 2026 o prazo para que a União regulamente o plantio de cannabis industrial para fins exclusivamente medicinais e farmacêuticos. Caso a data não seja novamente estendida, o setor projeta expansão acelerada após a normatização.

Ao longo de 2024, a Anvisa também abriu consulta pública para revisar a RDC 327/19, que define as regras para venda de produtos de cannabis em farmácias e drogarias mediante autorização sanitária.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Importação

Receita Federal padroniza aplicação da pena de perdimento em importações de produtos falsificados

A Receita Federal publicou o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 3, de 3 de dezembro de 2025, que estabelece parâmetros claros para a retenção e a pena de perdimento em casos de importação de produtos falsificados, alterados ou imitados. O documento consolida o entendimento jurídico adotado pelo órgão e busca dar maior previsibilidade às ações de fiscalização.

Reforço à proteção da economia e da sociedade
Segundo o ato, a autoridade aduaneira mantém competência para agir de ofício na defesa do interesse público, resguardando a saúde, a ordem pública e a concorrência leal. A norma também destaca a importância da proteção ao consumidor, do cuidado com o meio ambiente e da preservação da segurança nacional, sempre em alinhamento com normas internacionais e com o acordo TRIPS, que trata de direitos de propriedade intelectual no comércio.

Segurança jurídica e combate ao crime organizado
A nova diretriz fortalece o trabalho da Aduana no enfrentamento ao crime organizado associado à importação de mercadorias potencialmente perigosas ou lesivas. Ao padronizar procedimentos, o ato aumenta a segurança jurídica, garante o exercício adequado do contraditório e do direito de defesa, reduz litígios e melhora a eficiência das ações de fiscalização. O objetivo é proteger a população e assegurar um ambiente de negócios mais seguro e compatível com a economia formal.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Importações de ônibus elétricos sobem 149% e impulsionam mercado de pesados no Brasil

As importações brasileiras de veículos pesados tiveram um desempenho desigual em 2025. Enquanto o volume financeiro total do setor — que inclui automóveis pesados, reboques e semirreboques — caiu cerca de 8%, somando US$ 193,7 milhões, a entrada de ônibus elétricos no país disparou. O valor importado saltou de US$ 5,1 milhões (2024) para US$ 12,7 milhões (2025), avanço de 149%, consolidando o transporte de passageiros como o principal motor da eletrificação pesada no Brasil.

Esse comportamento já aparece também no mercado de veículos leves eletrificados, onde diferentes categorias crescem ou recuam em ritmos distintos — reforço de que a transição energética avança de forma irregular entre os diversos nichos automotivos.

Ônibus avançam enquanto caminhões elétricos recuam

Nos pesados, a diferença mais evidente surge na comparação entre ônibus e veículos de carga.

  • Ônibus elétricos: +149% (US$ 12,7 milhões)
  • Caminhões 100% elétricos: –38% (US$ 34,5 milhões)
  • Ônibus a diesel: –3% (US$ 146,5 milhões)

O desempenho reforça a percepção de que a eletrificação avança mais rápido onde há pressão por renovação de frota, sobretudo em grandes centros urbanos, enquanto o setor de carga ainda adota postura mais cautelosa.

Segundo Alexandre Mello, especialista em Data Analytics na Logcomex, o fenômeno é claro:
“Esse descolamento entre a retração geral e o salto dos ônibus elétricos mostra uma pressão crescente pela renovação de frotas públicas sustentáveis. Enquanto o mercado de carga hesita, o transporte coletivo acelera a transição energética.”

Espírito Santo domina as importações de pesados

A distribuição geográfica das importações chama atenção. O Espírito Santo respondeu por 83% de todo o volume financeiro movimentado, o equivalente a US$ 160,6 milhões. O Porto de Vitória concentrou 82% das operações de desembaraço.

A liderança capixaba se explica pela combinação entre infraestrutura portuária especializada e arranjos fiscais competitivos, que atraem empresas importadoras de veículos vindos principalmente da Ásia e da Europa.

Para Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex, esse protagonismo tende a continuar:
“Para quem importa pesados de fora do Mercosul, o Espírito Santo permanece imbatível. A estrutura logística e o ambiente tributário tornam o estado uma escolha estratégica para quem busca competitividade.”

Transporte coletivo puxa a transição energética

Embora o setor de pesados eletrificados ainda represente uma fatia reduzida do mercado total, o salto dos ônibus elétricos mostra que a transição no transporte público está ganhando velocidade. Com novas licitações municipais e maior oferta de modelos internacionais, a expectativa é que o segmento mantenha trajetória de crescimento nos próximos ciclos de importação.

FONTE: Inside EVs e Logcomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Prefeitura de SP

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