Negócios

Economista critica transição energética via mercado de carbono

Ele avalia que é necessário robusto planejamento estatal

A criação de um mercado de carbono para incentivar as empresas a substituírem suas fontes de energia “sujas”, baseada em combustíveis fósseis, para fontes “limpas” ou renováveis, não é capaz de promover a transição energética na velocidade necessária para impedir a catástrofe climática.

O alerta é do professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos, em publicação recente na Phenomenal World, revista de economia política editada em Nova York.  

Construída nos últimos 30 anos sob coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU) e concluída na COP29, em Baku, no Azerbaijão, a proposta do mercado de carbono, segundo o economista, “serviu mais para desviar a discussão do que realmente funcionar no combate à crise climática do que promover soluções significativas”.

O economista brasileiro argumenta que o mercado de carbono não é capaz de incentivar a transição energética sem um robusto planejamento estatal para substituição dos combustíveis fósseis.

“Os mercados de carbono têm estado no centro da diplomacia multilateralista sobre mudanças climáticas”, mas a solução “aprovada em Baku não resolverá esse problema”, lamenta o especialista.

Mercado de carbono

Os defensores do mercado de carbono argumentam que, ao aumentar o custo da emissão de gases do efeito estufa, seja por meio da tributação governamental ou de associações voluntárias, as empresas tenderiam a alterar suas fontes de energia para outras renováveis, acelerando assim a transição energética.

O mercado de carbono fixa cotas para emissão de gases do efeito estufa. Com isso, quem emitiu menos do que o permitido ganha créditos, que podem ser vendidos para as empresas que ultrapassaram a meta.

O pesquisador Pedro Paulo Zahluth argumenta que, ao contrário do pretendido, esse mecanismo atrasa os investimentos verdes por causa da incapacidade de fixar um preço global do carbono.

Ele aponta que há evidências de que os mercados e impostos não conseguiram encarecer o valor da emissão de carbono no valor estabelecido pelo Acordo de Paris.

“Isso cria um problema de coordenação, impossibilitando o estabelecimento de um preço internacional único para o carbono. A divergência internacional nos preços do carbono prejudica um sistema eficaz de redução das emissões globais”, avalia Pedro Paulo Zahluth.

Para o especialista, o estabelecimento de um preço do carbono por mecanismos de mercado não é capaz de sustentar a transição para energias renováveis.

“Os governos não devem confiar no poder mágico do sistema de preços para fornecer redes alternativas do nada”, alerta. 

Ele defende que, primeiro, o Estado deve criar a oferta de tecnologias verdes.

“Somente depois que essas tecnologias e infraestrutura estiverem acessíveis, o aumento dos preços do carbono poderá induzir uma substituição rápida”, avalia.

Energia renovável

O professor de economia da Unicamp acredita que, mesmo que os preços das emissões de carbono subam, as empresas continuarão a pagar por combustíveis fósseis. 

“Mesmo que os preços subam, os usuários de tecnologias poluentes e combustíveis fósseis continuarão a pagar, mesmo que empobreçam, por não conseguirem encontrar substitutos viáveis. Não existem tecnologias e infraestrutura substitutivas facilmente acessíveis, muito menos aquelas com custos comparáveis ​​às alternativas fósseis”, afirma Pedro Paulo Zahluth.

O artigo do economista cita a baixa lucratividade esperada das empresas de energia renovável como obstáculo à descarbonização da economia.  

“Enquanto o retorno anual da energia verde oscila entre 6% e 8%, em média, os bancos privados buscam financiar projetos com retornos acima de 10%, um valor tipicamente alcançado por empresas de combustíveis fósseis”, explica. 

Pedro Paulo Zahluth lembra que as empresas de petróleo e gás operam em mercados formados por oligopólios, ou cartéis, protegidos pela Organização dos Estados Produtores de Petróleo (Opep), que traz segurança para retornos mais altos e seguros dos investimentos.

Por outro lado, ainda segundo o economista, há poucas barreiras para a entrada de empresas na produção de energia renovável. 

“Como resultado, breves períodos de expansão de investimentos descoordenados são seguidos por longos períodos de superprodução, preços baixos e baixas taxas de lucro [nas indústrias de energia renovável]”, completou.

O alto custo de armazenamento de energia renovável também força as empresas a aceitar preços desfavoráveis para escoar a produção à medida que ela é gerada, segundo o professor.

“Além disso, a geração renovável exige muita terra, o que leva os produtores a buscar áreas onde a terra é mais barata, geralmente longe das redes de transmissão existentes e das áreas mais densamente povoadas onde a demanda está concentrada”, acrescentou.

Entre a assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997, e 2024, o consumo de combustíveis fósseis aumentou 58%. No ano da assinatura do Protocolo de Kyoto, os combustíveis fósseis representavam 85,8% da matriz energética mundial, caindo para apenas 81% em 2024.

“Como resultado, os ganhos em eficiência energética e o uso de tecnologias limpas reduziram apenas marginalmente a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global”, lembra o professor Bastos.

Poluidores

O professor da Unicamp destacou ainda que até 2010, 90 instituições foram responsáveis por 63% das emissões de gases do efeito estufa.

“A grande maioria dessas corporações globais estão sediadas em regiões temperadas menos impactadas pelo aquecimento global. Entre 2016 e 2022, 80% das emissões globais vieram de apenas 57 dessas corporações”, destacou.

Pedro Paulo Zahluth ressalta ainda que, durante as eleições de 2024 nos Estados Unidos as corporações de combustíveis fósseis gastaram US$ 445 milhões para eleger Donald Trump e outros políticos favoráveis ​​à energia suja. 

O governo Trump abandonou o Acordo de Paris, desmontou uma série de políticas para transição energética e tem apostado no incentivo aos combustíveis fósseis para reduzir o valor da energia, lembra o economista.

Florestas

Para o pesquisador, outra solução para reduzir o aquecimento do planeta é compensar a emissão de gases do efeito estufa por meio do aumento da conservação e regeneração de florestas. 

“Afinal, elas são capazes de absorver o carbono acumulado na atmosfera”.

Porém, o professor Pedro Paulo Zahluth sustenta que essa solução é inviável devido às limitações de terra disponível. O economista calcula que seria possível, no máximo, reflorestar cerca de 900 milhões de hectares em todo o mundo devido à degradação dos solos e o uso da terra para cidades e infraestruturas.

“Uma área capaz de absorver 205 bilhões de toneladas de carbono nas décadas necessárias para que as florestas atinjam a maturidade. Isso equivale a apenas 5 anos de emissões na taxa anual atual”, pondera.

O professor avalia, no entanto, que o mercado de carbono e a compensação florestal não devem ser descartadas e podem funcionar caso já esteja implementado e disponível “um sistema elétrico alternativo”.

“O que deve ser descartado é a ideia, prevalente na grande mídia mundial, e até mesmo na ONU, de que cobrar pelo custo social do carbono e sua compensação [florestal] pode substituir o planejamento público para a transição sociotecnológica”, afirma.

Fonte: Agência Brasil

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Internacional

Projeto piloto histórico de captura de carbono é concluído na China

Global Centre for Maritime Decarbonisation (GCMD), de Cingapura, concluiu com sucesso o primeiro projeto piloto do mundo a demonstrar toda a cadeia de valor para o dióxido de carbono (CO₂) capturado a bordo de navios.

O projeto foi realizado em duas fases principais. A primeira envolveu a transferência ship-to-ship (STS) de 25,44 toneladas métricas de CO₂ liquefeito (LCO₂) do porta-contêiner Ever Top para a embarcação receptora Dejin 26, administrada pela Shanghai Qiyao Environmental Technology Co., Ltd. (SMDERI-QET). O CO₂ foi então descarregado do Dejin 26 para um caminhão-tanque em um píer localizado em Zhoushan, na província de Zhejiang.

Ever Top foi adaptado em 2024 com um sistema de captura e armazenamento de carbono a bordo (Onboard Carbon Capture and Storage – OCCS). Desenvolvido pelo Shanghai Marine Diesel Engine Research Institute, que integra a China State Shipbuilding Corporation, o sistema OCCS captura mais de 80% das emissões de carbono da embarcação, com 99,9% de pureza. A tecnologia permite que o gás seja liquefeito e transferido ainda no mar, dispensando infraestrutura portuária especializada e tornando o descarregamento de CO₂ mais flexível e acessível.

A segunda fase, coordenada pelo GCMD, supervisionou o transporte do CO₂ por mais de 2.000 km até a Mongólia Interior. Lá, em uma unidade conjunta da GreenOre e da Baotou Steel, o CO₂ foi utilizado com sucesso na produção de carbonato de cálcio de baixo carbono – um componente essencial em materiais de construção sustentáveis.

O piloto, realizado sob condições reais de regulamentação e logística, marca a primeira vez em que o CO₂ capturado a bordo de um navio foi totalmente rastreado desde a captura até sua aplicação final. Um dos principais desafios foi a classificação do CO₂ capturado. Inicialmente classificado como resíduo perigoso — o que exigiria seu descarte — o gás foi reclassificado como “carga perigosa” após articulações com os reguladores, permitindo assim seu reaproveitamento.

Segundo o GCMD, a iniciativa demonstra como a captura e armazenamento de carbono a bordo (OCCS) pode ser integrada aos caminhos de descarbonização industrial — especialmente na produção de materiais de construção, onde a mineralização do CO₂ pode compensar as emissões intensivas da produção de cimento.

O projeto se baseia em resultados de um estudo anterior do GCMD, que identificou a produção de concreto como um caso de uso de alto impacto para o CO₂ capturado.

Fonte: Splash 247

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Economia, Internacional, Negócios

Acordo com UE, inovação e economia de baixo carbono são prioridades na relação com Alemanha

Presidente da FIESC acompanha evento que discute também cooperação em saúde, energia e minerais críticos na Bahia

Com o objetivo de fomentar parcerias e a cooperação entre Brasil e Alemanha, empresários brasileiros e alemães e representantes dos governos dos dois países estão reunidos nesta segunda (16) e terça-feira (17), em Salvador (BA). O 41º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) está sendo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Do lado brasileiro, a indústria propõe a discussão de uma agenda com onze pontos prioritários, entre eles a ratificação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, o acordo é muito importante para o Brasil. “Eventos como esse são importantes para estreitar os laços históricos com a Alemanha. O Brasil e Santa Catarina têm muito a ganhar com a ratificação do acordo com a União Europeia, que também trará benefícios à Europa. As relações comerciais têm potencial de avançar exponencialmente, assim como a cooperação para a inovação”, avaliou.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento da geopolítica é singular para concretizar o acordo. “O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 20% da economia global e mais de 720 milhões de consumidores. O acordo garante ao Brasil e aos demais países do Mercosul acesso preferencial a importantes mercados, facilitando a inserção internacional e ampliando as oportunidades de comércio e investimentos entre os dois blocos”, enfatizou Alban.

Michael Heinz, representante da Comissão da Indústria Alemã e membro do Conselho de Administração da Basf, destacou a importância de parcerias estratégicas diante do novo cenário global. “Brasil e Alemanha têm as melhores condições para desenvolver produtos inovadores e de alta tecnologia. Além disso, o Brasil é um ator global da transformação energética e da economia verde, e o Mercosul tem um peso relevante para estabelecer parcerias com importantes mercados”, concluiu.

Também estão na pauta brasileira a cooperação sobre regras ambientais da União Europeia. Como foco em energia, o empresariado brasileiro debate ainda a possibilidade de mobilizar recursos do Global Gateway, do Banco Europeu de Investimento e de outras fontes, para financiar projetos de interconexão elétrica entre o Brasil e países da América Latina, além da criação de uma plataforma de cooperação bilateral para projetos de energia renovável e hidrogênio verde.

A agenda do Brasil inclui também acordos de cooperação em saúde e insumos farmacêuticos e para a agregação de valor nos minerais críticos, além de uma nova proposta para evitar a dupla tributação.  

A abertura do evento contou com a presença dos presidentes da CNI, Ricardo Alban, e de diversas federações industriais, entre as quais a FIESC, além de autoridades como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Fonte: FIESC

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Comércio

Participação do setor produtivo é essencial na regulamentação do mercado de carbono

Indústria precisa aderir ao debate para propor soluções economicamente viáveis e efetivas; agenda do clima vai além de descarbonização

A abordagem do setor produtivo em relação às mudanças climáticas não deve se ater à descarbonização. Planos de ação para mitigar os efeitos e também para adaptar as indústrias para possíveis reflexos de eventos climáticos mais extremos e frequentes também devem estar no escopo das ações planejadas. A avaliação é dos especialistas que participaram da reunião conjunta do Comitê de Logística Reversa e da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias de Santa Catarina nesta terça-feira (10). 

“Temos de pensar a agenda climática de forma ampla e preparar as empresas para serem resilientes”, avalia o advogado Leonardo Papp, membro do CONSEMA/SC. Em sua palestra, Papp detalhou as premissas de operação de mercados de carbono em todo o mundo, e também a lei brasileira que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Para o especialista, o setor produtivo tem uma excelente oportunidade de ser proativo em relação ao funcionamento do mercado brasileiro de carbono, já que a lei deixou muitos pontos importantes para definições na regulamentação. “O setor produtivo precisa participar ativamente do debate, para garantir que as propostas sejam efetivas e que as soluções visem o desenvolvimento sustentável”, explica. 

Para Flávia Gayotto Hilla, uma boa maneira de as empresas se anteciparem à regulamentação é construir uma base de conhecimento interna, com a criação de grupos de trabalho ou comitês para conhecer as ferramentas disponíveis para diagnóstico e medição, por exemplo. “Existe uma curva de aprendizado, e quem começar antes estará mais preparado para não só cumprir a legislação, mas contribuir para sua construção”, analisa. 

O executivo da Descarbonize, Antonio Clark Portinho, destaca que, embora a lei não tenha trazido detalhes sobre como fazer a medição das emissões, por exemplo, as empresas podem começar a se inteirar das soluções disponíveis no mercado. “Medir as emissões permite enxergar ineficiências ocultas não só nas emissões de carbono, mas também no uso de recursos e em desperdícios operacionais. “Fazer um inventário permite reduzir custos de longo prazo, melhora a imagem e a reputação do negócio e ainda fomenta a inovação, oferecendo uma vantagem competitiva. No fim das contas, se reflete em um ganho econômico, com efetiva redução de custos”, explica. 

Experiência da Engie
Durante a reunião, a Engie detalhou a iniciativa Jornada pelo Clima e seu Programa de Descarbonização de Fornecedores, case ganhador do prêmio Expressão de Ecologia. A ccordenadora de mudanças climáticas da empresa, Camila Rodriguez, identificou que, desde a venda de seu último ativo de geração a carvão, a maior parte de suas emissões era oriunda de seus fornecedores, o chamado escopo 3 de emissões. Segundo a analista de mudanças climáticas Flávia Perucci, 90% das emissões do escopo 3 vinham de 52 fornecedores estratégicos, que foram convidados a participar do programa. 

Os que aceitam o convite, participam de um diagnóstico de maturidade da empresa em relação à descarbonização e contam com o apoio da Engie para saber como a geradora pode apoiar os esforços nesse sentido. Após essa etapa, formalizam voluntariamente sua adesão e podem contar com a solução da Descarbonize para o inventário de emissões, para embasar o Plano de ação e o compromisso com metas alinhadas à ciência. 

Entre os benefícios da adesão ao programa estão o inventário, treinamentos e capacitações para as equipes dos fornecedores, descontos na aquisição de I-RECs, uma diagnóstico de eficiência energética, avaliações de desempenho e ainda a oportunidade de apresentar novos produtos e serviços para a Engie. 

Dos 52 fornecedores convidados, 50% já aderiram ao programa e 40% já possuem inventários concluídos. De acordo com a Engie, 30% dos fornecedores já têm planos de descarbonização e também estipularam metas internas de redução de emissões.

Fonte: FIESC

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Evento, Sustentabilidade

Mercado de carbono e mudança climática são temas de debate na FIESC

Reunião conjunta da Câmara de Meio Ambiente e do Comitê de Logística Reversa traz especialistas para discutir estratégias de descarbonização e resiliência para as indústrias de SC

O desafio da descarbonização e o papel das indústrias no fomento à adoção de práticas mais sustentáveis entre seus fornecedores são temas da reunião que a Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade e o Comitê Logística Reversa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) realizam no próximo dia 10 de junho. 

O evento vai trazer a experiência da Engie e da Descarbonizar – empresa especializada em tornar cadeias de suprimentos mais sustentáveis -, além de um debate sobre o mercado de carbono no Brasil. 

O evento híbrido está marcado para às 10h, e pode ser acompanhado presencialmente na sede da FIESC ou online. Faça sua inscrição.

Fonte: FIESC

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Portos, Sustentabilidade

Portos do Paraná mede pegada de carbono e prepara plano de descarbonização

A empresa pública Portos do Paraná está se preparando para uma nova fase em suas práticas de sustentabilidade. Com o recebimento do Inventário de Gases de Efeito Estufa, elaborado pela Fundación Valenciaport, a próxima etapa da Autoridade Portuária será a elaboração do plano de descarbonização dos portos paranaenses.

“O cálculo da pegada de carbono é fundamental para elaborarmos ações eficientes de ESG (ambiental, social e governança), sempre buscando o combate às mudanças climáticas”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O estudo, apresentado durante a Intermodal 2025, em São Paulo, revelou que 89,2% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) registradas em toda a região portuária em 2023 foram provenientes dos navios e não das atividades operacionais do porto. “É uma parceria da Valenciaport com a Portos do Paraná e nós vamos seguir firmes no propósito sustentável, que é o mesmo da humanidade em 2025”, declarou o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex.

Confira a seguir um histórico da movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Movimentação de Contêineres no Porto de of Paranaguá | Jan 2022 to Mar 2025 | TEU

O inventário foi elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol e no Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, publicado por Puertos del Estado. No período analisado, as atividades do complexo portuário dos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, distribuídas entre três escopos de análise.

O Escopo 1 refere-se às emissões diretas da Autoridade Portuária e representou apenas 2,7% do total. O Escopo 2, que contempla as emissões indiretas associadas ao consumo de energia elétrica, somou 0,1%. Já o Escopo 3, que inclui as emissões indiretas de outras atividades relacionadas às operações portuárias — como terminais, modais de transporte terrestres, serviços de apoio portuário e navios — totalizou 97,1% das emissões de GEE.

“No Escopo 3, a maior parte das emissões é proveniente dos navios, uma pequena parcela está relacionada à atuação da Autoridade Portuária devido ao uso de equipamentos elétricos, e outra pequena contribuição é dos demais atores da comunidade portuária, tais como arrendatários, operadores atividades de dragagem e também do transporte através dos modais rodoferroviários. Agora, com esses dados, poderemos estabelecer metas rumo a um futuro de carbono zero”, explicou João Paulo Santana, diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná.

Com a entrega do inventário, as próximas ações serão conduzidas em parceria com a Fundación Valenciaport para a elaboração de um Plano de Descarbonização, que incluirá o estabelecimento de metas, prazos e projetos socioambientais. “Este cálculo é um marco. Sem ele, não conseguiríamos planejar as etapas futuras. A partir deste estudo, vamos avançar com a equipe da Portos do Paraná nas ações que precisarão ser realizadas”, destacou o consultor de Inovação e Estratégia Portuária, Jonas Mendes Constante.

“Hoje, a Portos do Paraná entra de fato no século XXI, com esta faceta de transformação sustentável que não impacta apenas o porto, mas também a sociedade, a população e o meio ambiente do Brasil. É um dia muito importante e, a partir de agora, tudo será melhor para a Portos do Paraná”, concluiu Miguel Garin Alemany, diretor de Desenvolvimento Internacional da Fundación Valenciaport.

Fonte: Informativo dos Portos

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Economia, Industria, Informação, Negócios, Sustentabilidade

Petrobras faz parceria com BNDES e busca rentabilidade no mercado de créditos de carbono

Protocolo de intenções prevê compra de créditos de carbono de projetos de reflorestamento na Amazônia financiados pelo Banco

A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram um protocolo de intenções para impulsionar um programa de aquisição de créditos de carbono. O projeto, denominado Pro Floresta+, visa a restauração florestal de 50 mil hectares na Amazônia e pode movimentar até R$ 1,5 bilhão.

O protocolo foi assinado pelos presidentes das respectivas instituições, Magda Chambriard e Aloizio Mercadante, na sede da Petrobras no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (31).

De acordo com Magda, o Pro Floresta+ representa um avanço significativo na agenda de sustentabilidade da estatal. “Esse programa de carbono é uma verdadeira revolução. Estamos demonstrando nossa preocupação com o meio ambiente, mas também entrando no mercado para fazer dinheiro com isso”, afirmou a executiva.

Ela ressaltou ainda que o grande diferencial do programa é estabelecer um preço de referência para os créditos de carbono, o que pode estimular o desenvolvimento desse mercado no Brasil.

Leilões para créditos de carbono e financiamento facilitado

O modelo adotado pelo ProFloresta+ prevê leilões competitivos para selecionar empresas que realizarão o reflorestamento na Amazônia. A Petrobras se compromete a comprar os créditos de carbono dessas empresas, enquanto o BNDES financiará os projetos por meio do Fundo Clima, com juros de 1% ao ano.

A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou a importância do programa. “Estamos falando de replantar floresta nativa no bioma amazônico, no arco do desmatamento. Trata-se de uma solução completa para o negócio de restauração ambiental”.

Já o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim, explicou que o modelo adotado permite uma formação de preços mais transparente e eficiente.

“Uma empresa que vai investir na reflorestação participará de um processo competitivo organizado pela Petrobras. Quem oferecer o melhor preço ganha, e com esse contrato de compra e venda (PPA), o BNDES pode financiar o projeto sem exigir garantias corporativas ou cartas de fiança.”

Com preços mais transparentes e previsíveis, outras empresas podem se interessar por esse mercado, aumentando a demanda e valorizando os créditos de carbono ao longo do tempo. Além disso, a parceria da Petrobras com o BNDES possibilita um modelo no qual a estatal garante a compra dos créditos, enquanto o banco financia os projetos de reflorestamento. Isso reduz o risco para os investidores ambientais e pode gerar uma oferta estável de créditos de carbono a preços competitivos.

O edital do primeiro leilão está previsto para julho deste ano e terá um investimento inicial de R$ 450 milhões. O objetivo é estruturar cinco projetos-piloto, cada um cobrindo 3 mil hectares e capturando cerca de 1 milhão de toneladas de carbono.

Parceria com Instituto Francês reforça investimentos da Petrobras em transição energética

Além do Pro Floresta+, a Petrobras firmou um acordo de cinco anos com o Instituto Francês do Petróleo e Energias Renováveis (Ifpen) para pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&DI) em transição energética e descarbonização.

A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, destacou as áreas de atuação da parceria: “Captura e armazenamento de CO2, geração renovável, armazenamento de energia, mobilidade elétrica e biocombustíveis estão entre os focos desse acordo”.

Esse movimento faz parte do Plano Estratégico da Petrobras, que prevê US$ 16,3 bilhões em projetos de baixo carbono nos próximos cinco anos. O acordo também permite colaborações com subsidiárias do Ifpen, como o Grupo Axens e a Beicip-Franlab, ampliando o intercâmbio tecnológico e acelerando a implementação de novas soluções sustentáveis.

FONTE: Seu Dinheiro
Petrobras faz parceria com BNDES visando mercado de carbono

 

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Uso integrado de combustíveis sustentáveis e tecnologias limpas domina debate entre Brasil e Japão

Representantes dos dois países se reuniram no MDIC para avançar em discussões sobre iniciativas em prol da maior aproximação entre as economias. Integração produtiva também ganhou destaque.

A busca pela descarbonização e transição energética a partir do uso integrado de combustíveis sustentáveis e tecnologias limpas. Essa é a premissa de uma cooperação técnica que está em fase de elaboração pelo Brasil e pelo Japão. Representantes dos dois governos que integram o Comitê Conjunto de Promoção de Comércio e Investimentos e Cooperação Industrial se reuniram, nesta terça-feira (28/1), no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), para avançar nas discussões sobre o tema.

Conhecida como Iniciativa para Combustíveis Sustentáveis e Mobilidade (ISFM), essa estratégia conjunta busca fomentar o uso global e integrado de combustíveis renováveis – como biocombustíveis, biogás, hidrogênio verde e seus derivados – em equipamentos de mobilidade e alto desempenho – como motores híbridos e flex. “A realização da COP 30 em Belém, em novembro deste ano, tem uma importância estratégica para o posicionamento do Brasil na liderança do combate às mudanças climáticas.  Por isso, iniciativas como essa são de extrema relevância para engajar outros países na pauta da descarbonização”, disse o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa.

Na reunião, o vice-ministro para Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), do Japão, Takehiko Matsuo, destacou o potencial da iniciativa para sensibilizar países de todo o mundo sobre os compromissos climáticos globais.  Uma oportunidade para fortalecer debates sobre o assunto acontecerá na Expo Mundial de Osaka, a ser realizada na cidade japonesa em outubro deste ano. “Vamos realizar uma conferência internacional de nível ministerial para discutir sobre a importância dos combustíveis sustentáveis na busca pela neutralidade do carbono”, afirmou.

O encontro entre o METI e o MDIC contou ainda com a participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério de Minas e Energia (MME), a fim de discutir temas que possam figurar na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, o que deve acontecer em março deste ano. Nessa oportunidade, está prevista a assinatura do memorando que formalizará a cooperação técnica sobre a Iniciativa para Combustíveis Sustentáveis e Mobilidade (ISFM).

Outros assuntos ganharam destaque, como o fortalecimento das relações econômicas entre o Mercosul e o Japão, diálogo mantido entre o bloco econômico e o país asiático desde 2011. Além desse tema, METI e MDIC também conversaram sobre projetos em andamento em relação à iniciativa de co-criação da indústria Brasil-Japão, cooperação formalizada em maio do ano passado, que busca avançar na integração produtiva entre os dois países. Essa iniciativa aborda temas caros para ambos os países, como economia circular e economia digital, com foco no uso de sistemas de satélite; produção e uso do hidrogênio verde; e descarbonização e transição energética com uso da cana-de-açúçar.

“É um desejo do presidente Lula intensificar os diálogos e as relações entre Brasil e Japão. Por isso, essa cooperação tem como objetivo fortalecer essa parceria e promover o desenvolvimento de setores estratégicos dos dois países”, finalizou o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa.

FONTE: MDIC
Uso integrado de combustíveis sustentáveis e tecnologias limpas domina debate entre Brasil e Japão — Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Portobello: projeto de economia circular transforma 480 toneladas de resíduos ao ano

Desenvolvida em parceria com o Grupo KWM, ação transforma resíduos de papelão em novas embalagens.
Um projeto inovador de economia circular desenvolvido pelo Grupo KWM (Kapersul Waste Management) está transformando resíduos de papelão em novas embalagens para o Portobello Grupo, um dos maiores fabricantes de revestimentos cerâmicos do Brasil. Os resíduos são transformados em embalagens exclusivas para produtos da empresa, fechando o ciclo de sustentabilidade e contribuindo para a redução da pegada de carbono da indústria.

Por meio dessa parceria sustentável, 40 toneladas de resíduos de papelão gerados na unidade Portobello, localizada em Tijucas (SC), são reciclados mensalmente, totalizando cerca de 480 toneladas ao ano.

No último ano, a indústria reduziu o consumo mensal de embalagens ao mesmo tempo que aumentou a quantidade de resíduos utilizados na composição de novas embalagens, atingindo a marca de 89,02%, sendo que destes, 9,15% são provenientes dos resíduos gerados no próprio parque industrial da companhia. Essas práticas resultaram na redução de emissões em mais de 700 toneladas de CO₂ em 2023.

Sustentabilidade na prática

“Nossa parceria mostra que é possível transformar resíduos em recursos valiosos, tanto para o meio ambiente quanto para o negócio, incentivando outras empresas a adotarem soluções sustentáveis semelhantes”, afirma Thiago Luckemeyer, gerente da unidade da KWM de Florianópolis.

Luckemeyer explica que, para o projeto desenvolvido para a Portobello, a KWM recolhe os resíduos, faz a triagem e a separação do papelão, prepara os fardos e encaminha para parceiros como a PCN e a Trombini, convertedores especializados na fabricação de embalagens. Elas então retornam à Portobello já prontas para embalar os revestimentos.

Para Vitor Henrique Piva, Coordenador de Desenvolvimento de Embalagens da Unidade Portobello, o projeto permite integrar soluções inovadoras no ciclo produtivo. “Transformar resíduos em embalagens e reduzir as emissões de carbono faz parte da nossa estratégia de sustentabilidade, oferecendo ao consumidor final não apenas produtos de alta qualidade, mas também a garantia de que nossa embalagem é ambientalmente responsável.”

Essa estratégia está alinhada com as metas de sustentabilidade do Portobello Grupo, que é signatária do Pacto Global e segue os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Listada na B3 (PTBL3), a empresa adota as mais avançadas práticas de governança corporativa e mantém um Comitê de Sustentabilidade ativo, garantindo a implementação de projetos que integram inovação e responsabilidade ambiental.

Com informações da KWM.

FONTE: FIESC
https://fiesc.com.br/pt-br/imprensa/portobello-projeto-de-economia-circular-transforma-480-toneladas-de-residuos-ao-ano

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Regulamentação do mercado de carbono no Brasil passa na Câmara e segue para sanção

O secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, comemorou a aprovação do projeto de lei, que estabelece regras para emissão ou remoção de gases do efeito estufa.

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (19) o projeto de lei que determina regras para o mercado de carbono no Brasil. O texto que segue agora para sanção presidencial é um substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 182/24. A aprovação representa um passo importante para a criação de um mercado regulado e um mercado voluntário de títulos representativos de emissão ou remoção de gases de efeito estufa, pelo qual as empresas que mais poluem deverão seguir metas de emissão, com a possibilidade de usar títulos para compensar possíveis excessos.

“Logo que assumi a Secretaria de Economia Verde, decidimos priorizar a regulamentação do mercado de carbono. A orientação do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin é que fizéssemos isso ouvindo o setor produtivo. E assim foi feito”, lembrou o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Rodrigo Rollemberg, ao comemorar a aprovação do projeto de lei na Câmara dos Deputados. “Agora, temos um grande instrumento a favor do Brasil”, concluiu.

A proposta é de que o mercado regulado seja implantado de forma gradativa ao longo de seis anos e cinco fases distintas, que envolvem a edição dos regulamentos, implantação de instrumentos de medição, apresentação de plano de monitoramento e relato de emissões e remoções de gases de efeito estufa, entre outras ações importantes. Denominado como Sistema Brasileiro de Comércio de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SBCE), o novo mercado permitirá a negociação de Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e de certificados de redução ou remoção verificada de emissões (CRVE).

FONTE: MDIC
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