Comércio Exterior, Importação, Informação

Investigação do MDIC interrompe importações que burlavam medidas antidumping

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), identificou e interrompeu mais um caso de produtos que entram no Brasil burlando medidas antidumping adotadas pelo país.

O desvio desta vez envolvia a compra de objetos de louça de mesa supostamente produzidos na Malásia, mas que na verdade eram originários da China – e contra os quais o Brasil aplica direitos antidumping desde 2014.

Os objetos são conjuntos de mesa para almoço, jantar, café ou chá, pratos, canecas, assadeiras, formas, travessas e terrinas, entre outros, normalmente classificados nos códigos tarifários 6911.10.10, 6911.10.90, 6911.90.00 e 6912.00.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

Esses produtos, quando originários da China, estão sujeitos a sobretaxas de importação que variam de US$ 1,84 a US$ 5,14 por quilograma importado. Com o desvio, os importadores não pagavam a sobretaxa.

De 2105 a 2024, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC conduziu e concluiu outras 62 investigações contra burlas na importação de objetos de louça de mesa. As demais envolveram Bangladesh, Índia, Indonésia, Tailândia, Taiwan e, novamente, Malásia. Essas investigações resultaram na conclusão de que em 44 casos os produtos eram originários da China, com direito antidumping aplicado.

O histórico da investigação, com suas conclusões, consta da Portaria Secex no 398, de 13 de maio de 2025, publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira (14/5).

Fonte: Informativo dos Portos

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Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional, Tributação

Brasil cogita aumento de tarifas para conter possível aumento nas importações da China

Aumentar impostos de importação é visto como alternativa mais simples às cotas em meio a tensões comerciais globais.

O governo brasileiro acredita que tem margem suficiente para aumentar tarifas de importação em vez de adotar medidas mais agressivas, como a implementação de cotas, caso uma enxurrada de produtos industrializados da China comece a invadir o mercado nacional. O risco de uma redireção de exportações chinesas para o Brasil aumentou com a escalada tarifária global iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o início dessas tensões comerciais, o Brasil vem monitorando de perto um possível aumento no fluxo de produtos chineses para o mercado interno, numa tentativa de “separar o joio do trigo”.

“É fundamental que nossas ações se baseiem em dados claros: precisamos saber se há de fato uma enxurrada de produtos ou não”, afirmou um representante do governo brasileiro, ressaltando que, até o momento, não foi observada nenhuma alta significativa.

De acordo com avaliações técnicas, os efeitos dos aumentos tarifários de Trump costumam levar cerca de três meses para se manifestar, dado que mudanças nas cadeias globais de suprimentos são complexas e não ocorrem de forma imediata. A imprevisibilidade da política dos EUA torna o cenário ainda mais incerto. Inicialmente, o governo Trump impôs tarifas generalizadas de até 145% sobre exportações chinesas. No entanto, os dois países chegaram a uma trégua temporária, reduzindo as tarifas para 30% por um período de 90 dias.

“Uma tarifa de 145% é proibitiva — equivale a um embargo. Mas 30% não é”, explicou o mesmo representante.

Caso os produtos chineses realmente comecem a ser redirecionados ao Brasil em grande volume, autoridades veem o aumento das tarifas de importação como uma ferramenta mais simples de aplicar. A fonte ressaltou que há margem legal, tanto nas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto nas do Mercosul, para implementar tais medidas.

“Ajustes tarifários, se considerados apropriados, podem ser feitos rapidamente, pois não exigem investigações, contestações legais ou compensações à parte afetada”, explicou.

Embora o uso de cotas seja tecnicamente possível, é um instrumento raramente utilizado no Brasil — ou mesmo globalmente — a menos que haja evidência clara de práticas comerciais desleais entre os países envolvidos.

Um exemplo de prática desleal é o dumping, quando uma empresa exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu mercado interno. Se o Brasil adotasse cotas apenas como reação a uma mudança comercial provocada pelas tarifas dos EUA, teria de oferecer medidas compensatórias a todos os parceiros afetados. “Seria como usar um canhão para matar um mosquito”, disse o representante.

Em relação ao comércio com os Estados Unidos, autoridades brasileiras receberam sinais de que empresas americanas, buscando diversificar fornecedores, já começaram a olhar para setores industriais do Brasil, diante de uma possível escalada da guerra tarifária com a China.

“O Brasil não está mal posicionado, relativamente falando”, observou a fonte, apontando que o país foi alvo de tarifas recíprocas de apenas 10% — uma das menores impostas por Trump.

Fonte: Valor International




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Comércio Exterior, Importação

Investigação do MDIC interrompe importações que burlavam medidas antidumping

Objetos de louça de mesa produzidos na China e sujeitos a sobretaxa entravam no Brasil como se fossem feitos na Malásia

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), identificou e interrompeu mais um caso de produtos que entram no Brasil burlando medidas antidumping adotadas pelo país.

O desvio desta vez envolvia a compra de objetos de louça de mesa supostamente produzidos na Malásia, mas que na verdade eram originários da China – e contra os quais o Brasil aplica direitos antidumping desde 2014.

Os objetos são conjuntos de mesa para almoço, jantar, café ou chá, pratos, canecas, assadeiras, formas, travessas e terrinas, entre outros, normalmente classificados nos códigos tarifários 6911.10.10, 6911.10.90, 6911.90.00 e 6912.00.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

Esses produtos, quando originários da China, estão sujeitos a sobretaxas de importação que variam de US$ 1,84 a US$ 5,14 por quilograma importado. Com o desvio, os importadores não pagavam a sobretaxa.

De 2105 a 2024, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC conduziu e concluiu outras 62 investigações contra burlas na importação de objetos de louça de mesa. As demais envolveram Bangladesh, Índia, Indonésia, Tailândia, Taiwan e, novamente, Malásia. Essas investigações resultaram na conclusão de que em 44 casos os produtos eram originários da China, com direito antidumping aplicado.

O histórico da investigação, com suas conclusões, consta da Portaria Secex no 398, de 13 de maio de 2025, publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira (14/5).

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Agronegócio, Comércio Exterior, Importação

Veja países que suspenderam importação de frango do Brasil após caso de gripe aviária

Medidas foram adotadas após caso registrado em granja na cidade de Montenegro (RS)

Depois da confirmação do primeiro foco de gripe aviária em granja comercial no Brasil, no Rio Grande do Sul, uma série de países tomaram medidas em relação as importações do frango brasileiro. A China, um dos principais compradores de frango produzido no país, foi o primeiro a anunciar a medida.

Em seguida, a União Europeia e a Argentina adotaram restrições semelhantes. Outros países como Uruguai, Chile e México deixaram de comprar a produção brasileira por precaução.

Neste domingo, a Coreia do Sul se juntou a essa lista. Com isso, chega a 32 o número de países que anunciaram o bloqueio da compra de frango produzido no Brasil.

Confira a lista completa de países

  • China
  • União Europeia
  • Argentina
  • Uruguai
  • Chile
  • México
  • Arábia Saudita
  • Japão, apenas para aves de Montenegro (RS)
  • África do Sul
  • Canadá
  • Coreia do Sul
  • Emirados Árabes Unidos, apenas aves provenientes da área afetada
  • Filipinas, apenas aves provenientes da área afetada

Frango ou ovos não transmitem gripe aviária, afirma ministério

O Ministério da Agricultura afirma que o consumo da carne de frango ou dos ovos não traz risco ao consumidor.

— Não é o consumo humano que está em risco, e sim a contaminação sanitária dos plantéis comerciais. Você exportar uma carne contaminada com aquele vírus e ele contaminar os plantéis comerciais — disse o ministro Carlos Fávaro.

O Brasil é o maior exportador de frango no mundo e o terceiro maior produtor. A China é a maior compradora, seguida dos Emirados Árabes e do Japão, segundo a associação de produtores, a ABPA.

Como funciona a suspensão por conta da gripe aviária

Segundo o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Marcel Moreira, as exportações de todos os estados do Brasil estão suspensas para a China e União Europeia.

Esses países possuem acordos que preveem bloqueios automáticos em caso de doenças em granjas, suspensões que são feitas pelo próprio Brasil. Já os demais compradores, como Japão, Emirados Árabes, Reino Unido, Filipinas, Arábia Saudita, Japão e África do Sul, possuem acordos regionalizados.

Em alguns casos, são suspensas as vendas somente do que é produzido no local de foco da doença. Em outros, ela se estende ao município ou ao estado afetado.

Próximos passos após caso de gripe aviária

Depois de 28 dias após a desinfecção da granja de Montenegro (RS), o país poderá se autodeclarar livre de gripe aviária em granjas comerciais, se não houver nenhum outro foco, conforme regra da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Caso o Brasil não tenha novos focos depois desse períodos, reaberturas de mercado para o frango nacional poderão ser negociadas.

De acordo com o governo federal, o foco em Montenegro é o primeiro de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) detectado na avicultura comercial do país.

As cerca de 17 mil aves da granja morreram em decorrência da doença. No sábado (17), foram instaladas barreiras de contenção para a doença em um raio de 10 km da granja afetada.

Anteriormente, o Brasil registrou casos de gripe aviária em aves silvestres, ou seja, que vivem soltas na natureza, e em criações para subsistência, que não são comerciais.

O Ministério da Agricultura chegou a declarar emergência zoossanitária no país em 2023 por conta desses focos. Desde 2006, o vírus da gripe aviária, H5N1, circula especialmente na Ásia, na África e no Norte da Europa

Fonte: NSC

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Importação, Internacional, Mercado Internacional

Tarifas dos Estados Unidos sobre as importações da China cairão de 145% para 30% após acordo

Representantes das duas potências anunciaram o acordo na madrugada desta segunda-feira (12)

Os Estados Unidos e a China chegaram em um acordo para reduzir temporariamente as “tarifas recíprocas” entre os dois países durante 90 dias. Os representantes das duas potências anunciaram o acordo na madrugada desta segunda-feira (12). Eles encontraram no fim de semana em Genebra, na Suíça, para discutir as taxas sobre importações. As informações são do g1.

Segundo o anúncio dos representantes, as tarifas dos EUA sobre as importações chinesas cairão de 145% para 30%, e as taxas da China sobre os produtos americanos serão reduzidas de 125% para 10%. A redução entrará em vigor até quarta-feira (14).

— Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais. Temos um interesse comum em um comércio equilibrado, e os EUA continuarão caminhando nessa direção. O consenso das delegações neste fim de semana é de que nenhum dos lados deseja um desacoplamento. E o que havia ocorrido com essas tarifas altíssimas era o equivalente a um embargo e nenhum dos lados quer isso. Queremos o comércio — afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Bessent explicou que o acordo não inclui tarifas específicas para cada setor e que os Estados Unidos continuarão o “reequilíbrio estratégico” em áreas como medicamentos, semicondutores e aço, onde identificaram vulnerabilidades na cadeia de suprimentos.

O secretário do Tesouro acrescentou que acredita que os negociadores dos EUA e da China se reunirão novamente nas próximas semanas para discutir um acordo comercial mais detalhado.

Como o mercado reagiu ao anúncio

No mês passado, a escalada das medidas tarifárias de Donald Trump, com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA, abalou os mercados financeiros no mundo todo.

Entretanto, após o anúncio de um acordo entre EUA e China, o dólar passou a subir em relação a outras moedas importantes e os mercados de ações se recuperaram. O cenário é positivo com a diminuição da possibilidade de recessão global por conta do tarifaço.

O acordo foi mais longe do que muitos analistas esperavam.

— Eu achava que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%. Obviamente, essa é uma notícia muito positiva para as economias de ambos os países e para a economia global, e deixa os investidores muito menos preocupados com os danos às cadeias de suprimentos globais no curto prazo — disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management em Hong Kong, à Reuters.

Fonte: NSC Total

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Agronegócio, Importação, Internacional

China retoma importação de soja de cinco empresas brasileiras; saiba quais

Empresas de soja estavam proibidas de exportar há três meses por conta de adversidades sanitárias

Após três meses de embargo, a China retomou as importações de soja de cinco unidades de empresas brasileiras, que haviam sido suspensas em janeiro deste ano devido a questões sanitárias. O embargo foi imposto após a detecção de resíduos de pesticidas em grãos de soja, algo comum em sementes, mas inaceitável no produto destinado ao consumo humano e animal. A suspeita foi de que, por erro, cargas de soja e sementes tenham sido misturadas. O aval de liberação vale desde o fim de abril.

O governo chinês também identificou a presença de pragas quarentenárias nas cargas de soja. Embora isso tenha gerado uma suspensão temporária, o Brasil tratou o incidente como um procedimento técnico e rotineiro, sem qualquer conotação política ou comercial entre os dois países. Apesar de o impacto econômico da suspensão ser relativamente controlado devido à diversidade de exportadores brasileiro, as empresas afetadas, que são a ADM do Brasil, Cargill S.A., Terra Roxa Comércio de Cereais, Olam Brasil e C.Vale Cooperativa Agroindustrial, ficaram impossibilitadas de exportar durante os três meses de embargo, afetando sua capacidade de atender ao mercado chinês, um dos maiores importadores globais de soja.

A retomada das exportações ocorre em um momento estratégico, coincidindo com a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, onde ele será acompanhado por uma comitiva de empresários do agronegócio brasileiro, com o objetivo de fortalecer ainda mais os laços comerciais entre os dois países. Além da soja, o Brasil também busca expandir as exportações de outros produtos agropecuários para o vasto mercado chinês, incluindo carne bovina, suína e café.

Em paralelo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destaca a importância de atrair investimentos chineses para a infraestrutura logística do país, com foco na ampliação de estruturas de armazenagem, nos investimentos em transporte multimodal e na modernização de portos, todos essenciais para otimizar o escoamento da produção agrícola e fortalecer o setor como um todo.

Fonte: Canal Rural

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Comércio Exterior, Importação, Internacional, Mercado Internacional, Tributação

Déficit comercial dos EUA atinge recorde com corrida por importações antes de tarifas

O déficit do mês (US$ 140,5 bilhões) ficou acima da estimativa dos economistas consultados pela Bloomberg, que projetavam US$ 137,2 bilhões

O déficit comercial dos EUA aumentou para um recorde em março, já que as empresas correram para importar produtos, incluindo produtos farmacêuticos, enquanto o governo Trump preparava tarifas abrangentes.

O déficit comercial de bens e serviços cresceu 14% em relação ao mês anterior, para US$ 140,5 bilhões, segundo dados do Departamento de Comércio divulgados na terça-feira.

A estimativa mediana em uma pesquisa da Bloomberg com economistas era de um déficit de US$ 137,2 bilhões.

As importações de bens de consumo tiveram o maior aumento já registrado, principalmente devido à maior entrada de preparações farmacêuticas de todos os tempos.

As importações de equipamentos de capital e veículos automotores também aumentaram.

O relatório ilustra o que provavelmente foi o último esforço das empresas americanas para garantir mercadorias antes que o presidente Donald Trump anunciasse tarifas expansivas em 2 de abril.

Embora as importações de medicamentos tenham sido excluídas, o presidente disse que uma decisão sobre as tarifas farmacêuticas será tomada nas próximas semanas.

O aumento dramático do déficit comercial no primeiro trimestre foi o principal motivo pelo qual a economia se contraiu pela primeira vez desde 2022.

O produto interno bruto caiu 0,3% anualizado no período de janeiro a março, com as exportações líquidas subtraindo quase 5 pontos percentuais – a maior queda já registrada.

O valor de todas as importações para os EUA aumentou 4,4%, atingindo um recorde, enquanto as exportações subiram apenas 0,2%.

No entanto, a Bloomberg Economics considera que o aumento das importações é resultado da redução das tarifas, com base em uma queda no transporte de contêineres da China para os EUA desde 16 de abril.

À medida que o déficit comercial diminui, ele provavelmente apoiará uma recuperação de curto prazo no crescimento econômico.

Os dados da pesquisa do Institute for Supply Management, que mostram o declínio das importações de fabricantes e prestadores de serviços, também sugerem que a estratégia de apressar as importações antes das tarifas está chegando ao fim.

Trump está buscando a equidade no comércio bilateral, com o objetivo de incentivar o investimento estrangeiro nos EUA, reforçar a produção doméstica e fortalecer a segurança industrial nacional. Ele também vê as tarifas como um meio de aumentar a receita do governo.

O relatório de março mostrou que o déficit do comércio de mercadorias com a Irlanda aumentou para US$ 29,3 bilhões em uma base ajustada sazonalmente. As empresas farmacêuticas norte-americanas, incluindo a Eli Lilly e a Pfizer, operam quase duas dúzias de fábricas na Irlanda que enviam produtos para os EUA, de acordo com uma análise da TD Cowen.

As importações de preparações farmacêuticas dos EUA aumentaram 71% em março, atingindo um recorde de US$ 50,4 bilhões.

O déficit com o Canadá diminuiu, enquanto o déficit com o México permaneceu próximo ao recorde alcançado em fevereiro. O déficit no comércio de mercadorias com a China diminuiu.

Em uma base ajustada pela inflação, o déficit total do comércio de mercadorias dos EUA aumentou para um recorde de US$ 150,9 bilhões em março.

Fonte: Bloomberg Línea

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Comércio, Importação

Assoreamento em Paso Bermejo freia importação de soja

O assoreamento no Paso Bermejo, na confluência dos rios Paraguai e Paraná, gerou um gargalo logístico que restringe a importação de soja paraguaia para a Argentina.

Essa situação coloca em risco a atividade industrial do país antes da chegada da colheita local, segundo alertou Luis Zubizarreta, presidente da Câmara de Portos Privados Comerciais.

A intensa sedimentação provocada pela vazão do rio Bermejo obriga a divisão dos comboios de barcaças para atravessar o trecho, gerando uma congestão que afeta mais de 500 embarcações. Esse atraso impacta diretamente as plantas de moagem, que processam soja importada sob regime de importação temporária para reexportação de farelo e óleo — produtos nos quais a Argentina é líder mundial.

Zubizarreta advertiu que o atraso gera custos adicionais. Os armadores, que normalmente realizam dez viagens mensais, agora mal conseguem completar sete, encarecendo o frete fluvial e a logística em geral. Embora os fenômenos de cheia e assoreamento sejam comuns nesta época do ano, a gravidade atual é considerada “extraordinária”, evidenciando a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura.

A nova licitação da Hidrovia aparece como elemento-chave. Melhorar a profundidade do rio permitiria aliviar os gargalos logísticos e otimizar a carga dos navios, reduzindo em até 10 dólares por tonelada os custos logísticos.

Zubizarreta também destacou a contradição estrutural: a Argentina possui uma das maiores capacidades industriais de moagem de soja, mas enfrenta capacidade ociosa devido à elevada carga tributária, que desestimula a produção local. Assim, a soja paraguaia e brasileira torna-se vital para manter em funcionamento a indústria agroexportadora.

Sem uma logística fluvial eficiente, advertiu o dirigente, será impossível sustentar a competitividade argentina no mercado global.

Fonte: Todo Logística News

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Importação, Internacional, Tributação

Para Haddad, não faz muito sentido EUA aumentarem tarifas de importação sobre América do Sul

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que “não faz muito sentido” os Estados Unidos aumentarem as tarifas de importação sobre produtos da América do Sul, já que o continente tem uma balança comercial deficitária com a economia americana. As declarações foram dadas depois de sua primeira reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Haddad e Bessent se reuniram no domingo, em Los Angeles, para onde o ministro da Fazenda viajou a fim de visitar empresas de tecnologia e divulgar o Plano de Transformação Ecológica. Ambos os participantes classificaram o encontro como positivo, e, de acordo com Haddad, as conversas deram início a negociações para que sejam alcançados “os termos de um entendimento” a respeito das questões comerciais.

“Não faz muito sentido manter uma tarifação sobre não apenas o Brasil, mas sobre a região como um todo”, disse o ministro da Fazenda na noite de domingo, no horário de Brasília, a jornalistas após a reunião. “O mais importante neste momento é dizer que nós estamos em uma mesa, negociando os termos de um entendimento. Mas acredito que a postura do secretário foi bastante frutífera e demonstrou uma abertura para o diálogo bastante importante.”

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras para os Estados Unidos a partir de janeiro de 2022. OS dados são do DataLiner:

Exportações Brasileiras para os Estados Unidos | Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs 

De acordo com o ministro, a conversa também abordou os outros assuntos “mais importantes”, como as “vantagens comparativas que o Brasil tem de atração de investimentos na área de energia verde, de minerais críticos e assim por diante, passando pelas relações bilaterais”.

Já Bessent usou sua conta no X para afirmar que teve uma “boa primeira conversa pessoalmente” com Haddad.

“Foi bom ouvir a avaliação dele sobre os laços econômicos entre Estados Unidos e Brasil, e enfatizei a importância da nossa relação bilateral no Ocidente”, escreveu.

Fonte: Valor 

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Comércio, Importação, Tributação

Especialistas analisam impactos da taxação zero a alimentos importados no Brasil: ‘efeito simbólico’

Medida do governo brasileiro de zerar os impostos importação de alimentos como carne, açúcar, milho e café completa dois meses no próximo dia 14 de maio.

medida do governo brasileiro de zerar os impostos importação de alimentos como carne, açúcar, milho e café completa dois meses no próximo dia 14 de maio. A estratégia visava baratear o preço de itens que compõem a cesta básica como carne, café, açúcar, óleo, macarrão e demais produtos que estão pressionados pela inflação.

Em análise quase unânime, economistas entrevistados pelo g1 Piracicaba e região consideram que a estratégia, embora importante, no sentido de demonstrar preocupação do governo com o cenário de alta nos preços, é ‘simbólica’ e terá efeito mínimo e/ou limitado na economia, bem como no bolso dos brasileiros.

Entre as razões apontadas pelos especialistas sobre a ineficácia econômica da medida de desoneração fiscal dos alimentos está o fato de Brasil ser grande exportador dos produtos que tiveram a tarifa de importação zerada, como por exemplo, o café.

g1 Piracicaba e região conversou com economistas de quatros universidades e centros de pesquisa em economia, durante os meses de março e abril, sobre os impactos positivos e negativos da tarifa de importação zero sobre os alimentos. Veja os comentários, análises e perspectivas apontadas pelos especialistas da USP, Unicamp, FGV e Instituto Federal, abaixo.

Efeito limitado

Renan Pieri, professor de economia na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo afirmou que a política de zerar os impostos sobre os alimentos pode ter algum efeito regional em alguns períodos d ano no Brasil.

“Mas, o efeito é muito limitado, principalmente pelo fato de que a maior parte desses produtos que tiveram tarifas zeradas são produtos que o Brasil exporta e, portanto, tem muito pouca eficácia nesse sentido. Talvez a gente observe os pesos dos alimentos crescendo menos ou até caindo nas próximas semanas, mas não por conta dessa medida, mas sim por conta da safra, desse ano que permite ser recorde e aí com o aumento da falta de alimentos isso deve impactar os seus preços”, explicou.

O professor também observou que houve choques de ofertas específicos para alguns produtos devido à estiagem. “Em alguns lugares por excesso de chuvas. Tudo isso pode se normalizar nas próximas semanas. Mas, possivelmente, o efeito em si dessas medidas de imposto zero, de tarefa de importação, seja muito pequeno”, disse.

Decisão simbólica

O professor livre docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antonio Marcio Buainain, com atuação na áreas de economia agrícola, inovação tecnológica e pesquisas em reforma agrária, agronegócio e propriedade intelectual, elenca os motivos pelos quais as medidas adotadas pelo governo sobre as tarifas de importação sobre alguns alimentos não terão impacto efetivo sobre os preços dos alimentos.

“A decisão do governo é uma decisão simbólica, uma decisão importante, mostrando que o governo está preocupado com o assunto. E, de qualquer maneira, uma decisão que impõe algum limite, porque se houver aqui um movimento de especulação, será possível a importação, talvez a um preço ligeiramente menor, que controle uma elevação, digamos assim, não justificada de preços, mas não será eficaz para combater de imediato a inflação”, pontou.

Clima e safras

“Em primeiro lugar, porque a inflação que está sendo chamada inflação de alimentos, está sendo alimentada por um amplo conjunto de preços que estão subindo. Alguns por razões mais importantes, como o café, que reflete uma quebra de safa por dois anos seguidos, por movimentos dos dólares no começo do ano, outros por razões mais sazonais, como é o caso dos ovos que subiram de preço”, apontou.

O professor lembrou também que, nesse caso do ovos, o impacto do clima levou a uma queda de produtividade das galinhas, como o aumento de consumo de ovos que ocorre sempre durante o período da quaresma, quando uma parte da população deixa as carnes e passa a consumir fundamentalmente ovos, e também da pressão de aumento de preço do milho, que é a principal fonte da ração para as aves.

“O Brasil é o grande exportador dos produtos que tiveram a tarifa de importação zerada. Por exemplo, o café. O Brasil é um exportador de café. Nós importamos cafés pontualmente, cafés de maior qualidade da Colômbia, Costa Rica. Então, zerar a importação desses produtos, que já era baixa, não vai afetar o preço do café na gôndola do supermercado”, destacou.

Que medidas seriam mais eficazes?

O especialista ressalta que outras medidas que estão sendo adotadas poderão impactar mais diretamente, ainda que em médio prazo, os preços os alimentos, entre elas destaca o incentivo para o plantio da próxima safra, a melhora de condições de infraestrutura para facilitar o escoamento e análise de pontos de estrangulamento que tem algumas cadeias-chaves. “Esse tipo [de medidas], sim, é que levará a uma queda sustentável dos preços dos alimentos”, declarou.

O Carlos Vian, professor e pesquisador do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o campus da USP em Piracicaba (SP) concorda com a opinião dos demais especialistas entrevistados pelo g1.

“O governo quis dar uma resposta, mostrar que estava preocupado com a inflação e que olha para a situação. Se bem feitas, as medidas de desoneração fiscal sobre os alimentos, até podem ter um impacto no curto prazo, mas nesse caso, mesmo no médio e no curto prazo, não terão impactos significativos no Brasil. O governo deveria olhar para outras questões, um próprio esclarecimento da população. Deveria estar tratando disso de outra maneira. […] Em vez de reduzir impostos, fazer talvez uma campanha educativa. Uma negociação de prazos entre produtores e varejo e outras medidas nesse sentido”, sugeriu.

Vian explica que o cenário de altas nos preços também é reflexo de efeitos do clima na agricultura e de outros impactos que estão, nas palavras dele, fechando as ofertas,. “Às vezes, vem de uma conjuntura internacional bastante relevante que faz com que haja uma maior exportação”, apontou.

Lei Kandir

O professor e pesquisador da Esalq-USP lembrou que o Brasil já tem uma legislação de taxa zero para as exportações baseado numa lei já lá dos anos 90, chamada Lei Kandir. “Hoje, esses produtos agropecuários exportados no Brasil têm taxa zero”, pontuou.

Em relação a nova medida do governo federal de desoneração fiscal à importação de alimentos no Brasil, o professor afirma que analistas, até os produtores, enxergam as medidas como de “pouca ou nenhuma eficiência” para a queda do preço dos alimentos no país.

“Mesmo porque o Brasil é um dos grandes produtores mundiais de muitos dos alimentos que foram listados e, em muitas situações, também está entre os principais exportadores desses produtos. No mercado, que é globalizado, aquilo que acontece aqui no Brasil influencia o mercado internacional. Acaba se transformando numa situação bastante inusitada. O maior exportador tentando importar. Nessa situação, de sermos grandes produtores exportadores mundiais e, por isso, influenciadores do mercado e nossos preços estando um pouco mais altos, também reflete no mercado internacional”, comentou.

Ação emergencial

Para o professor da área de gestão do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Igor Vasconcelos Nogueira, a decisão de zerar o imposto de importação para alimentos essenciais pode ser uma ferramenta eficaz para aliviar a inflação a curto prazo, mas faz alertas sobre impactos negativos da medida.

“[…] Os potenciais impactos negativos, como o enfraquecimento da produção nacional e o aumento da dependência externa, não devem ser subestimados. Para garantir o abastecimento interno sustentável a longo prazo, é crucial que o governo mantenha monitoramento contínuo e introduza políticas complementares que fortaleçam o setor agrícola brasileiro. A medida, entendida como uma ação emergencial, deve ser acompanhada por esforços duradouros que visem a estabilização dos preços dos alimentos através de estratégias mais amplas e integradas”, comentou.

Nogueira listou alguns dos impactos positivos e negativos que a media pode provocar. Confira, abaixo.

✅Aspectos Positivos

Aumento da oferta de alimentos: segundo o professor, a eliminação das tarifas de importação tem o potencial de aumentar significativamente a oferta de alimentos no mercado interno, “o que por sua vez pode auxiliar na redução dos preços. Esse aumento da oferta pode pressionar os preços para baixo devido à maior competição com os produtos nacionais”.

Alívio para o Consumidor: Uma possível queda nos preços dos alimentos aliviaria o orçamento das famílias, especialmente as mais vulneráveis, que gastam uma proporção significativa de sua renda em alimentação.

Competitividade e Inovação: A competição com produtos importados pode incentivar a inovação e a eficiência entre os produtores nacionais.

⛔Aspectos Negativos

Impacto na Produção Nacional: para Igor Vasconcelos Nogueira, a entrada de produtos importados a preços mais baixos pode prejudicar os produtores nacionais, “que talvez não consigam competir com os preços dos produtos importados”, ressaltou. “Isso pode levar a uma redução na produção local e proporcionar um desaquecimento no setor agrícola. Em casos mais extremos, pode ainda levar à redução de empregos no setor agrícola e ao aumento do êxodo rural”, explicou.

Dependência Externa: o professor aponta que a medida pode aumentar a dependência do Brasil em relação aos alimentos importados e no longo prazo. “A manutenção desses benefícios depende de condições políticas e econômicas estáveis, bem como do comportamento das variáveis cambiais. Flutuações na moeda, por exemplo, podem impactar a eficácia da redução tarifária”, disse.

Impacto Fiscal: “A isenção de impostos de importação significa uma renúncia fiscal substancial, o que pode afetar as receitas governamentais e, consequentemente, o financiamento de serviços públicos”, analisou.

Eficácia Limitada: “A redução nos preços poderá ser comprometida por outros fatores inflacionários, como custos logísticos e de transporte, que não são abordados por esta medida”, observou.

Fonte: G1



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