Agricultura, Economia, Exportação, Importação, Tributação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Informação, Internacional

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação oficial contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. A medida, baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, foi autorizada pelo então presidente Donald Trump e tem como foco identificar ações do governo brasileiro que possam estar prejudicando o comércio e a competitividade de empresas norte-americanas.

Entre os principais pontos da investigação estão barreiras ao comércio digital, tarifas preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, tratamento tarifário ao etanol norte-americano e até mesmo a aplicação de regras contra o desmatamento ilegal.

Pix e WhatsApp Pay estão entre os focos da investigação

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, é citado no processo como um dos principais exemplos de favorecimento local. Segundo o USTR, o governo brasileiro prioriza tecnologias nacionais, criando obstáculos para empresas norte-americanas de serviços de pagamento eletrônico, como foi o caso do WhatsApp Pay, serviço da big tech Meta.

Lançado em junho de 2020, o WhatsApp Pay teve sua operação suspensa uma semana depois pelo Banco Central (BC) e pelo Cade, sob a justificativa de avaliar riscos ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e à concorrência. A decisão foi considerada, pelo governo dos EUA, uma barreira que impactou negativamente o serviço de uma empresa americana, especialmente em um mercado promissor como o brasileiro.

Enquanto o WhatsApp Pay enfrentava restrições, o BC acelerava os testes do Pix, que foi oficialmente lançado em novembro de 2020 e rapidamente adotado por milhões de brasileiros. Quando o WhatsApp Pay finalmente recebeu autorização para operar, em 2021, o Pix já era um sucesso consolidado — o que, segundo o USTR, inviabilizou a competição em condições de igualdade.

Outros pontos de atrito comercial entre Brasil e EUA

Além das questões envolvendo pagamentos digitais, o USTR destaca outros setores críticos:

  • Comércio digital: Empresas americanas alegam sofrer retaliações por não censurar discursos políticos ou enfrentar dificuldades operacionais no Brasil.
  • Tarifas preferenciais: O Brasil estaria oferecendo tarifas mais vantajosas a parceiros selecionados, prejudicando exportações norte-americanas.
  • Corrupção e transparência: Os EUA apontam falhas na fiscalização de práticas anticorrupção por parte do Brasil.
  • Direitos de propriedade intelectual: O país é acusado de não garantir proteção adequada às criações americanas.
  • Etanol: O Brasil teria aumentado as tarifas para o produto norte-americano, retirando benefícios anteriores.
  • Desmatamento ilegal: A má aplicação das leis ambientais no Brasil impactaria negativamente o setor agrícola e madeireiro dos EUA.

Próximos passos da investigação

De acordo com o comunicado oficial, o USTR solicitou esclarecimentos formais ao governo brasileiro e agendou uma audiência pública para o dia 3 de setembro. Os interessados em participar devem enviar comentários por escrito e um resumo do testemunho até o dia 18 de agosto.

O embaixador Jamieson Greer afirmou:

“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos.”

Brasil na mira há décadas, segundo EUA

O USTR ainda reforça que as barreiras comerciais impostas pelo Brasil não são recentes. Segundo o órgão, “as práticas desleais brasileiras têm criado obstáculos ao comércio de bens americanos há décadas”, o que exige uma resposta mais incisiva por parte do governo dos Estados Unidos.

TEXTO: REDAÇÃO

FONTES: DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS / CNN

IMAGEM: REPRODUÇÃO DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS

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Economia, Sem Categoria

Audiência no STF termina sem acordo sobre IOF

Não houve acordo na audiência sobre os decretos das Operações Financeiras (IOF) realizada nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião foi promovida para acabar com o impasse entre o governo federal e o Legislativo na adoção das medidas que aumentavam as alíquotas do imposto.

A audiência contou com a participação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, representantes do Ministério Público Federal, do Ministério da Fazenda, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Partido Liberal (PL) e do Partido Socialismo e Liberdade (Psol).

Na audiência, o relator do caso, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, perguntou aos participantes se “seriam possíveis concessões recíprocas que pudessem resultar na conciliação”.

A resposta dos presentes foi a de que não haveria acordo: “Apesar da importância do diálogo e da iniciativa dessa audiência, preferiram aguardar a decisão judicial”.  A audiência foi solicitada no início do mês por Alexandre Moraes para uma negociação após o Legislativo rejeitar a proposta do Executivo sobre a rearranjo tributário.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

IMAGEM: AGÊNCIA BRASIL/ANTONIO AUGUSTO/STF

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Comércio Exterior, Economia, Especialista

CAUTELA: A estratégia mais inteligente para um cenário econômico volátil

O ESPECIALISTA: PATRÍCIA SOARES

Vivemos um momento econômico global especialmente sensível — e o setor reefer não é exceção. A cada nova notícia, as oscilações do mercado se tornam mais intensas e imprevisíveis. O que parecia um movimento calculado ontem, hoje pode ser afetado por uma decisão política internacional ou uma nova política comercial. E, diante de tantos fatores incontroláveis, a única regra clara neste cenário é: cautela.

Não estamos apenas diante de variações de preços ou ajustes pontuais. O ambiente de negócios assumiu um tom quase caótico, onde as tomadas de decisão se tornam verdadeiros testes de sangue-frio. Se não pararmos para analisar com clareza, corremos o sério risco de entrar no ciclo da histeria coletiva — um fenômeno silencioso, mas devastador, capaz de levar empresários e corporações a escolhas precipitadas e, consequentemente, a resultados bem distantes dos desejados.

A tensão aumentou ainda mais após o anúncio do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que estremeceu estratégias em diversos segmentos, incluindo o reefer. A notícia não apenas gerou insegurança no comércio exterior, mas também impactou diretamente as dinâmicas do mercado interno, afetando tanto decisões corporativas quanto a atuação de profissionais da área.

Neste contexto, pode ser prudente — e até estratégico — revisar as metas para o segundo semestre. Mas, ainda mais importante do que replanejar, é não se deixar arrastar pelo looping de confusão e ansiedade que essas incertezas costumam provocar. É o momento de respirar fundo, analisar com visão ampla e não perder de vista o cenário global.

Quando ampliamos nosso olhar, entendemos que o pano de fundo dessa situação vai muito além das relações comerciais bilaterais. Mais de 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos — produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja, aço, celulose entre outros. É, sem dúvida, uma fatia relevante do comércio exterior brasileiro. No entanto, os impactos mais profundos parecem se desenhar, neste momento, dentro das próprias fronteiras americanas — com inflação interna, pressão sobre o consumo e crescente insatisfação popular.

Por aqui, cabe a nós mantermos o equilíbrio. Seguir atentos, conscientes e, acima de tudo, resilientes. Porque se este ano tem nos ensinado algo, é que a resiliência não é mais uma qualidade opcional, mas uma competência essencial para quem deseja prosperar.

E é justamente nesses momentos de incerteza que se revelam os líderes, os visionários e os negócios que farão história. Seguimos firmes, atentos e prontos para transformar desafios em oportunidades.

Patrícia Soares é uma profissional reconhecida no segmento Reefer, com uma sólida trajetória de mais de 19 anos no setor logístico. Atualmente ocupa o cargo de Key Account Manager, onde lidera o relacionamento com clientes estratégicos, contribuindo para soluções logísticas personalizadas e de alto valor agregado.

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Comércio Exterior, Economia

Tarifa de 50% dos EUA pode impactar receita da Embraer como a crise da Covid, diz CEO

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer (EMBR3) semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$9 milhões por avião exportado aos EUA.

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Fonte: InfoMoney

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Economia, Mercado Internacional

Economia chinesa cresce 5,2% no 2º trimestre, mesmo com tarifaço de Trump

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que as exportações chinesas apresentaram um bom desempenho, resistindo à guerra comercial com os Estados Unidos.

A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados no fim da noite desta segunda-feira (14), graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

O resultado corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.

Já as vendas no varejo — indicador-chave de consumo — subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.

Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%. No primeiro trimestre do ano, o PIB chinês avançou 5,4%.

“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.

“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.

O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.

Trump impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.

Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas analistas alertam sobre uma incerteza persistente.

Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.

A China criticou a ameaça de Trump e reiterou que é favorável a uma solução política na Ucrânia. “A coerção ou as pressões não podem resolver os problemas”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Os países ocidentais pedem repetidamente à China — um aliado comercial importante da Rússia — para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.

Bom desempenho das exportações

Dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.

As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.

O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.

A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.

Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.

“Os dados provavelmente ainda superestimam a força do crescimento”, afirmou Zichun Huang, economista para a China na Capital Economics, em um comunicado.

“Com as exportações destinadas a desacelerar e o impulso de apoio fiscal prestes a desaparecer, é provável que o crescimento desacelere ainda mais durante a segunda metade deste ano”, acrescentou.

Fonte: G1

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Lei de Reciprocidade Comercial é regulamentada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto. O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).

A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 

Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou.

Histórico

Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países. 

No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.

A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.

A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.

Comitê de emergência

Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.

As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.

FONTE: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL

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Economia

Boletim Focus: analistas revisam para baixo a inflação pela sétima semana consecutiva

A mediana para o câmbio também recuou em 2025

As projeções do mercado para a inflação em 2025 recuaram pela sétima semana seguida, segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14). A estimativa para o IPCA no ano passou de 5,18% para 5,17%.

Já a mediana para o câmbio em 2025 caiu de R$ 5,70 em R$ 5,65.

A projeção do PIB, por sua vez, ficou em 2,23%.

Enquanto isso, a previsão para taxa básica de juros neste ano ficou em 15% pela terceira semana seguida.

Inflação

A projeção para inflação no próximo ano permaneceu em 4,50%. A projeção para 2027 ficou em 4,00%, enquanto para 2028, a estimativa permaneceu 3,80%.

Para o IGP-M, as projeções para 2025 caíram de 2,25% para 2,18%, enquanto a estimativa para 2026 ficou em 4,50%. Para 2027, a projeção de inflação ficou em 4%, enquanto para 2028 caiu de 4% para 3,96%.

As expectativas para a variação dos preços administrados dentro do IPCA em 2025 subiu de 4,36% para 4,40%. As projeções para 2026 ficou caiu de 4,30% para 4,29%. Para 2027, a estimativa ficou em 4,00%, enquanto para 2028, a estimativa caiu de 3,79% para 3,70%.

Câmbio

Para 2026, a estimativa caiu de R$ 5,75 para R$ 5,70, enquanto a projeção recuou de R$ 5,75 para R$ 5,71. Para 2028, a projeção recuou de R$ 5,80 para R$ 5,76.

PIB

Para o produto interno bruto (PIB), a mediana das projeções de 2026 subiu de 1,86% para 1,89%. A projeção permaneceu ficou em 2,00% em 2027. Para 2028, a projeção continuou em 2%, há 70 semanas.

Selic

A projeção para 2026 ficou em 12,50%, enquanto para 2027 permaneceu em 10,50%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 10% por 29 semanas.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Brasil vai recorrer à OMC para reverter tarifa de 50% dos EUA sobre exportações 

Governo estuda Lei de Reciprocidade Econômica e anuncia diálogo com setor privado para enfrentar barreira comercial imposta por Donald Trump 

O governo brasileiro anunciou que vai atuar firmemente para reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações do Brasil. A decisão foi comunicada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no domingo (13), após a inauguração do Novo Viaduto de Francisco Morato, em São Paulo. 

Segundo Alckmin, o Brasil vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida anunciada na última quarta-feira (9) pelo presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a taxação com críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Vamos trabalhar para reverter isso, porque essa tarifa não faz sentido. Ela prejudica também o consumidor norte-americano. Vamos recorrer à OMC, porque entendemos que é uma medida inadequada e injustificável”, declarou Alckmin. 

Governo convocará setor privado e avalia resposta via Lei de Reciprocidade Econômica 

O vice-presidente informou que, nos próximos dias, o governo federal se reunirá com representantes do setor privado para alinhar estratégias. Também está em análise a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, que permite suspender concessões comerciais e de investimentos quando países adotarem medidas que afetem negativamente a competitividade brasileira no mercado internacional. “Os Estados Unidos têm superávit comercial conosco, tanto em serviços quanto em bens. O Brasil não é problema para os Estados Unidos. Temos uma integração produtiva e mais de 200 anos de amizade. O mundo econômico precisa de estabilidade e previsibilidade”, reforçou Alckmin. 

Entenda a nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros 

A nova política tarifária de Trump prevê taxação de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. A medida foi comunicada em carta enviada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o líder americano cita ações do STF contra apoiadores de Bolsonaro que vivem nos EUA e critica a condução do processo judicial contra o ex-presidente. 

Trump chamou o julgamento de uma “caça às bruxas” e afirmou que ele “não deveria estar ocorrendo”. Segundo o republicano, Bolsonaro foi um “líder altamente respeitado em todo o mundo”, inclusive pelos Estados Unidos. 

IPI zero para carros sustentáveis é destaque em meio à tensão comercial 

Em meio ao impasse com os Estados Unidos, o governo brasileiro também anunciou medidas de incentivo à indústria nacional, como a redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros sustentáveis de entrada. O decreto, assinado por Lula na quinta-feira (10), integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e tem como objetivo estimular a produção e o consumo de veículos com menor impacto ambiental. 

“Essa medida pode reduzir o preço dos carros de entrada em até R$ 12 mil. É um avanço para a população e para a sustentabilidade”, afirmou Alckmin. 

Para que o veículo seja enquadrado na isenção do IPI, ele precisa cumprir quatro requisitos: 

  • Emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro
  • Ter mais de 80% de materiais recicláveis
  • Ser produzido no Brasil (incluindo motor, pintura, montagem e soldagem); 
  • Se enquadrar na categoria de carro compacto, voltado ao público de entrada. 

FONTE: AGENCIA BRASIL 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL 

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Lula: Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar com outros países taxados pelos EUA

À TV Record, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10) que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com um recurso. As declarações ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente americano Donald Trump “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. Em seguida, lembrou falas de Trump contra a criação de uma moeda alternativa ao dólar, medida que está em discussão entre os países dos Brics.

“Nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas”, disse Lula. O presidente brasileiro disse que, caso Trump tenha divergência, deve levar a questão a um fórum internacional, para discutir o tema “civilizadamente”.

Fonte: InfoMoney

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