Comércio Exterior, Mercado Internacional

China tenta atrair Trump para mesa de negociação, diz especialista ao WW

Dados indicam queda nas exportações chinesas para os EUA nos primeiros oito meses do ano, sugerindo tentativa de reaproximação comercial

A China demonstra sinais de buscar uma reaproximação comercial com os Estados Unidos, utilizando a compra de soja como possível instrumento de negociação. A estratégia surge em um momento em que o país asiático enfrenta significativas perdas em seu comércio exterior. Durante o WW, José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ consultores, afirmou que a China quer chamar o presidente Donald Trump para mesa de negociação.

De acordo com dados recentes, as exportações chinesas para os Estados Unidos registraram uma queda expressiva de 15% nos primeiros oito meses deste ano. O impacto é particularmente significativo em produtos de alto valor agregado, incluindo máquinas, equipamentos eletrônicos e medicamentos.

Histórico da Relação Comercial

Entre 2000 e 2017, os Estados Unidos direcionavam 60% de suas exportações globais de soja para o mercado chinês. No entanto, esse cenário mudou drasticamente após 2018, com uma redução vertiginosa nas compras por parte da China.

Em uma demonstração de possível abertura ao diálogo, o principal negociador chinês realizou encontros com produtores do meio-oeste americano. Esta movimentação sugere uma tentativa de reavaliar as relações comerciais entre as duas nações, especialmente considerando a importância histórica do comércio de soja.

O Brasil, como um dos principais exportadores de soja para a China, que representa 35% do total das exportações brasileiras, também se encontra diretamente envolvido neste cenário de redistribuição comercial global.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

CNI defende esgotar negociação com EUA antes de recorrer à retaliação imediata

Presidente da instituição, Ricardo Alban, reiterou pedido de adiamento do início da taxação em reunião no MDIC

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu o caminho das negociações com os Estados Unidos antes de recorrer à retaliação imediata.

“Antes (de retaliar), é preciso esgotar toda e qualquer possibilidade de negociação”, alertou Ricardo Alban.

O posicionamento é consenso no setor e foi definido em reunião virtual ontem (14) entre todos os presidentes de federações da indústria.

Alban participa de encontro entre empresários e autoridades no Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para discutir a estratégia de resposta do país às medidas da Casa Branca, com a presença dos ministros Geraldo Alckmin (MDIC), Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).

Indústria reitera pedido para adiar início da taxação

O dirigente também reforçou o pedido para que o governo articule juntos aos Estados Unidos uma ampliação de 90 dias para o começo da vigência da nova tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros.

“Estamos falando aqui só de perde-perde. Não tem ganha-ganha. Perde a indústria, perde a economia, perde o social. Gostaríamos de colocar na mesa um adiamento de 90 dias no prazo para início da vigência (da tarifa)”, pontuou Alban. “Queremos colocar a discussão de acordos setoriais e bilaterais. Discutir bitributação”, completou.

A estimativa preliminar da indústria é de uma perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, caso a medida entre em vigor nos termos anunciados, além de forte impacto sobre o PIB.

Alckmin, destacado pelo Palácio do Planalto para encabeçar as negociações com os americanos, destacou que o governo vai trabalhar para reverter as novas tarifas, consideradas por ele “completamente inadequadas”.

Ele reiterou que EUA têm superávit na relação com o Brasil há 15 anos e a tarifa média dos produtos que os norte-americanos exportam para o nosso país é de 2,7%. “Temos uma importante complementariedade econômica. É importante conversarmos com os parceiros americanos no setor industrial para mostrarmos que a medida encarece também os produtos deles”, acrescentou Alckmin.

É preciso objetividade e pragmatismo, diz CNI

Ricardo Alban alertou que é preciso objetividade e pragmatismo por parte do governo e do setor privado na negociação. “O que não queremos neste momento é perder a razão. É importante essa parceria. É muito difícil o setor industrial encontrar alternativas de médio prazo para substituir esse mercado dos EUA”, afirmou.

Uma comitiva de empresários e representantes de associações industriais participa da reunião, incluindo o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Josué Gomes da Silva; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso; a presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Janaína Donas; o presidente emérito da Associação Brasileira Indústria Têxtil e de Confecções (Abit); Fernando Pimentel; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira; o CEO da Tupy, Rafael Lucchesi; o CEO da Embraer, Francisco Gomes, entre outros.

Com a palavra, o presidente da CNI, Ricardo Alban:

Fonte: Portal da Indústria

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Internacional, Negócios, Portos

China inicia negociação para compra de 70% de terminal do Porto do Açu; valores ultrapassam US$ 714 milhões

A concretização do negócio ainda depende da aprovação de órgãos reguladores

Buscando consolidar sua presença na infraestrutura portuária da América do Sul, a China iniciou uma negociação para adquirir uma participação relevante (70%) na empresa Vast Infraestrutura, responsável por um dos terminais mais estratégicos do Brasil para exportação de petróleo. Segundo o jornalista Lauro Jardim, a negociação gira em torno US$ 714 milhões, convertendo para reais, as cifras quase alcançam os 4 bilhões.

A operação acontece por meio da China Merchants Port Holdings (CMPORT), braço do grupo estatal China Merchants Group (CMG). No nal de fevereiro, a CMPORT anunciou a assinatura de um contrato para adquirir uma participação na Vast Infraestrutura, empresa controlada pela Prumo Logística, holding responsável pelo desenvolvimento do Porto do Açu.

A negociação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, mas já provoca repercussão. O motivo é simples: o terminal operado pela Vast é o único da América do Sul capaz de receber navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), essenciais para escoar grandes volumes de petróleo.

Atualmente, o Porto de Açu movimenta cerca de 560 mil barris por dia, com capacidade licenciada para até 1,2 milhão de barris diários. Embora a Vast seja apenas uma das empresas do complexo, ela desempenha um papel estratégico dentro da infraestrutura de exportação de petróleo nacional.

Em contato com o Manchete RJ, a Prumo Logística conrmou a conclusão da negociação na fase de termos e condições, mas ressaltou que a transação com a China Merchants Port ainda não foi concluída.

“A Prumo Logística esclarece que, diferentemente do que foi publicado em alguns veículos de notícia, ainda não concluiu a transação com a China Merchants Port para uma potencial venda de participação societária na Vast Infraestrutura, subsidiária da Prumo e proprietária do terminal de petróleo do Porto do Açu. Como já divulgado no início do ano, a Prumo concluiu a negociação de termos e condições para a operação, que segue o cronograma previsto e está sujeita ao cumprimento de condições precedentes. A iniciativa está em linha com a estratégia da Prumo de estabelecer parcerias com players globais para o desenvolvimento conjunto de negócios no Porto do Açu. Subsidiária do China Merchants Group, a China Merchants Port é uma desenvolvedora, investidora e operadora portuária líder mundial, que inclui os principais hubs ao longo da costa da China.”

A compra de uma participação na Vast faz parte de uma estratégia mais ampla da China para consolidar presença em portos da região. Em 2018, a CMPORT já havia adquirido o Terminal de Contêineres de Paranaguá, o maior da América do Sul. Além disso, o grupo está envolvido em projetos no Porto de Santos e na construção de um novo terminal no Maranhão.

Fonte: Manchete RJ

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

China e países do Sudeste asiático concluem negociação sobre acordo de livre comércio

A Asean, composta por 10 países do Sudeste asiático, é o maior parceiro comercial da China

A China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) concluíram as negociações para refinar ainda mais sua área de livre comércio para incluir economia digital e verde e outros novos setores, informou o Ministério do Comércio da China nesta quarta-feira.

A Asean, composta por 10 países do Sudeste asiático, é o maior parceiro comercial da China, com o valor do comércio total atingindo US$234 bilhões no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados da alfândega chinesa.

A chamada versão 3.0 da área de livre comércio “injetará maior certeza no comércio regional e global e desempenhará um papel de liderança e exemplar para que os países adiram à abertura, inclusão e cooperação em que todos ganham”, disse o comunicado.

As negociações começaram em novembro de 2022, e o acordo abrange áreas como economia digital, economia verde e conectividade da cadeia de ofertas, segundo o comunicado.

O pacto “promoverá a profunda integração das cadeias de produção e fornecimento de ambos os lados”, acrescentou.

A China intensificou o engajamento com a Asean desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou pesadas tarifas de importação para países de todo o mundo e direcionou à China taxas ainda mais pesadas. Desde então, alguns dos impostos foram adiados, enquanto a China e os EUA concordaram este mês em suspender algumas de suas tarifas.

O presidente chinês, Xi Jinping, fez uma viagem por três países do Sudeste Asiático em abril para consolidar os laços com alguns dos vizinhos mais próximos da China, conclamando as nações asiáticas a se unirem contra o que ele chamou de confronto geopolítico, unilateralismo e protecionismo.

A assinatura formal do acordo comercial deve acontecer antes do final do ano. A Área de Livre Comércio Asean-China foi assinada pela primeira vez em 2002 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2010.

Fonte: InfoMoney


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MDIC descarta antidumping preliminar sobre aço laminado a frio importado; CSN lamenta

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou na noite desta quarta-feira que reconheceu preliminarmente o dano causado à indústria nacional por importações de aços laminados a frio da China, mas recomendou que o caso prossiga sem aplicação de direitos antidumping provisórios.

“A Secex concluirá a investigação, ouvindo todas as partes e colhendo os elementos necessários para seu julgamento, antes da recomendação ou não de direitos antidumping definitivos”, afirmou o MDIC por meio de nota.

A medida antidumping vinha sendo pleiteada há meses por siderúrgicas nacionais, afirmou mais cedo o diretor comercial da CSN (BVMF:CSNA3), Luís Fernando Martinez.

“É uma notícia muito ruim porque é uma sinalização para os outros produtos”, disse o executivo, durante conferência com analistas da CSN para comentar o resultado da empresa no quarto trimestre do ano passado, divulgado na noite da véspera.

“Apesar de todo o cenário de defesa comercial, com nexo causal e dano comprovado… não consigo entender qual a razão de não implementar nem um antiduming temporário”, disse o executivo, que chegou a citar eventuais interesses de outros setores da economia contra uma medida que pode desagradar a China, maior origem do aço importado que chega ao Brasil.

Segundo Martinez, há ainda na pauta de antidumpings pretendidos pelo setor siderúrgico junto ao governo processos envolvendo aços pré-pintados, galvalumes e laminados a quente, algo que deve ser alvo de decisões nos próximos três meses.

No caso do antidumping provisório obtido pela CSN sobre folha metálica no ano passado, Martinez afirmou que a vigência acaba neste mês, mas a medida pode ser estendida nos próximos meses. O produto é usado na fabricação de itens como latas de alimentos e a CSN é a única produtora nacional.

Já em relação ao caos tarifário criado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o executivo manifestou esperança de que nos próximos dois meses uma discussão entre Brasil e Estados Unidos para a revisão da taxação de 25% sobre aço, imposta por Washington e que passou a valer nesta semana, seja aberta.

“Pelo que estamos vendo, acredito que nos próximos dois meses é possível uma negociação como que tivemos em 2018… Talvez o sistema de cotas”, comentou Martinez.

O executivo citou que a carteira de encomendas da CSN na área de siderurgia tem um viés positivo e que após reajustes de 3% a 5% nos preços dos aços da companhia no mercado a empresa deve manter margem Ebitda de dois dígitos no primeiro trimestre. A empresa encerrou o quarto trimestre com margem de siderurgia 10,6%, a primeira vez nos últimos sete períodos em que o indicador ultrapassou os dois dígitos.

“Estamos começando o ano com carteira boa, bem colocada…. Pelo menos o primeiro semestre está dado, o mercado ainda continua comprador”, disse o executivo.

Nesse sentido, o diretor executivo Marcelo Cunha Ribeiro comentou que a CSN deve apresentar este ano um Ebitda “razoavelmente superior ao de 2024”, citando que o resultado do quarto trimestre, em que o indicador cresceu 46% sobre os três meses imediatamente anteriores “demonstra este tom”.

Questionado sobre a segurança da companhia em atingir o objetivo de encerrar o ano com uma alavancagem financeira abaixo de três vezes, depois que a CSN abandonou no final do ano passado a meta de encerrar 2024 com uma relação de dívida líquida sobre Ebitda ajustado de 2,5 vezes, Ribeiro comentou que o Ebitda da empresa já está em nível suficiente para “os principais itens de saída de caixa e também para continuar a desalavancar a companhia”.

A CSN, que há anos cita intenção de reduzir endividamento por meio de operações que incluem venda de participações em seus principais negócios, como energia elétrica e IPO de cimentos, mantém esses planos. Mas Ribeiro disse que a oferta pública de ações da operação de cimentos, a segunda maior do país, precisa de uma janela de mercado para ocorrer diante do atual cenário de juros altos.

Já sobre energia, Ribeiro afirmou que a venda de participação “não é a mais impactante do ponto de vista a alavancagem”, mas que a empresa está “com caminho pavimentado” para ter uma decisão sobre ter sócio financeiro ou estratégico na área ainda este ano.

Depois que a Justiça de Minas Gerais determinou em fevereiro uma forte elevação da penalidade relacionada à não redução de participação da CSN na Usiminas (BVMF:USIM5), Ribeiro disse que a CSN “vai continuar recorrendo” na questão que se arrasta desde o início da década de 2010. A penalidade imposta pela justiça mineira pode chegar a mais de R$1 bilhão se a companhia não reduzir sua participação na rival em cerca de 180 dias.

Sobre as prioridades para 2025, além da redução da alavancagem, Ribeiro citou que a CSN foca em investimentos de modernização da usina siderúrgica de Volta Redonda (RJ) e na ampliação da produção de minério de ferro em Minas Gerais, o chamado projeto P15 que tem como meta elevar a produção em 15 milhões de toneladas anuais. A expectativa da empresa é entrada do projeto em operação em 2027.

Segundo analistas do Citi, o Ebitda de R$3,3 bilhões da empresa no quarto trimestre superou as expectativas do mercado apoiado em preços e margens melhores na siderurgia e preços realizados mais altos e fretes menores em mineração.

FONTE: Investing.com
Israel – Ações fecharam o pregão em alta e o Índice TA 35 avançou 0,75% Por Investing.com

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Economia, Investimento, Negócios, Notícias, Tributação

Tesouro Direto bate recorde de aplicações e resgates em agosto

O Tesouro Direto bateu recordes em agosto, dos dois lados. No mês, as aplicações somaram pouco mais de R$ 8,01 bilhões, e os resgates chegaram a R$ 12,95 bilhões. Os valores foram os maiores das séries históricas correspondentes.

Como resultado, o resgate líquido em agosto foi de R$ 4,94 bilhões. Foram realizadas 716.115 operações no mês. As aplicações de até R$ 1.000 representaram 56,4% das operações totais.

As informações foram publicadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) nesta segunda-feira (21).

Os títulos mais demandados pelos investidores foram os indexados à inflação (50,6%), seguidos pelos indexados à Selic (41,7%) e os prefixados (7,8%). Em relação ao prazo de emissão, 79,6% das vendas corresponderam a títulos com vencimentos entre um e cinco anos.

O estoque do programa fechou o mês em R$ 141,5 bilhões, uma redução de 2,6% em relação a julho.

Por outro lado, o total de investidores ativos no Tesouro Direto, que têm algum saldo em aplicações no programa, atingiu 2,664 milhões no período, um acréscimo de pouco mais de 4.658 investidores na comparação mensal.

Negociações suspensas

As negociações do Tesouro Direto estão paralisadas novamente nesta terça-feira (22) em decorrência da greve dos servidores do Tesouro Nacional. Eles reivindicam mudanças na carreira e reajuste salarial. Esta é a quarta interrupção neste mês.

A interrupção se dará em todo o sistema financeiro, e nenhuma instituição ou banco pode vender títulos aos investidores, informou o Tesouro.

“O Tesouro Nacional acompanha com atenção a mobilização dos servidores da carreira de Finanças e Controle e seus impactos nas atividades da instituição. No momento, as entregas críticas do órgão são realizadas normalmente, mas há uma lentidão nas demais atividades, resultando em um alongamento do cronograma de entrega de projetos e processos não críticos”, disse o órgão em nota à imprensa.

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Agronegócio, Comércio Exterior, Economia, Informação, Logística, Mercado Internacional

Rafael Dubeux detalha plano que orienta ações do Brasil diante da crise climática global

Secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda participou do Fórum Nordeste na segunda-feira (2/9), em Recife

P
rodutividade, sustentabilidade e justiça social. Esses são os três grandes objetivos do Ministério da Fazenda com o Plano de Transformação de Ecológica, detalhado pelo secretário-executivo adjunto da pasta, Rafael Dubeux, durante sua participação, na segunda-feira (2/9), em Recife, em um dos painéis do Fórum Nordeste, cujo tema em 2024 é “Desafios e oportunidades nos setores de biocombustíveis e energias limpas”.

“O Ministério da Fazenda vem trabalhando nesse assunto porque essa não é uma agenda puramente ambiental, é uma agenda de desenvolvimento econômico”, disse Dubeux. “São oportunidades novas que estão colocadas para o Brasil, para que sejam tratadas, diante da crise climática global, não como um custo para a economia brasileira, mas como uma oportunidade”, acrescentou. Segundo Dubeux, ao desenhar as medidas regulatórias adequadas, o Brasil consegue não apenas contribuir globalmente para a redução dos gases de efeito estufa, mas também gerar renda e emprego de qualidade no país.

O plano – ressaltou Dubeux – estabelece uma diretriz de desenvolvimento, orientando a reformulação do modelo tradicional de desenvolvimento do Brasil, “historicamente extrativo, sem agregação de valor, que prejudica o meio ambiente e que promoveu muita desigualdade”. Conforme o secretário, o que o governo busca agora é o inverso:  um plano que estimule o adensamento tecnológico e os ganhos de produtividade da economia brasileira, e não a exportação de bens sem agregação de valor; que incentive uma nova relação com o meio ambiente, em vez de um modelo de crescimento nocivo aos biomas brasileiros; e que propicie a distribuição mais justa da renda.

Seis eixos

Dubeux detalhou a estrutura do plano, formada por seis eixos: finanças sustentáveis; adensamento tecnológico; bioeconomia e sistemas agroalimentares; transição energética; economia circular; e nova infraestrutura verde e adaptação. Para a busca dos objetivos traçados, o Ministério da Fazenda definiu um conjunto de instrumentos de natureza financeira, administrativa, fiscal, creditícia e regulatória.

O primeiro eixo tem como base a canalização de recursos públicos e privados na direção de atividades de menor impacto ambiental. Entre as ações nesse âmbito estão a emissão de títulos soberanos sustentáveis, criação do mercado regulado de carbono e taxonomia sustentável.

O adensamento tecnológico envolve  o desafio de redesenhar ferramentas para a geração de emprego e renda. Compras públicas para inovação e integração entre universidades e empresas são algumas das iniciativas em destaque.

O terceiro eixo, da bioeconomia, trata, em essência, da adaptação a circunstâncias brasileiras. No país, diferentemente do que ocorre na Europa, por exemplo, as emissões de gases do efeito estufa têm como principal causa o desmatamento, com o agronegócio na sequência e,  em terceiro lugar, o setor de energia. Dubeux assinalou que o desmatamento vem sendo reduzido de forma expressiva no Brasil. “É preciso criar alternativas de emprego e renda, com a floresta em pé”. Entre os instrumentos voltados para isso, nos diferentes biomas, estão concessões florestais e ajustes no Plano Safra para contemplar critérios de sustentabilidade.

A transição energética é a pauta mais tradicional da mudança do clima e, para o Brasil – destacou o secretário –,  existem oportunidades com biocombustíveis e etanol e com novos mercados que se abrem.

Já o eixo da economia circular trata da saída do modelo linear, com muita extração de recursos naturais, manufatura, uso e descarte que geram demanda por novos recursos naturais e produção de resíduos em larga escala. “Em vez desse modelo linear vamos caminhar para um modelo circular, em que os produtos são reutilizados, remanufaturados e reciclados, de maneira que possamos mantê-los dentro da cadeia produtiva”.

O sexto eixo, relacionado à adaptação à mudança do clima, tem na mitigação uma tentativa de se evitar que ela seja catastrófica, uma vez que, em determinada medida, “já está contratada”, segundo pontuou Dubeux. “O que ocorreu no Rio Grande do Sul nos mostra a gravidade do problema. As secas pelas quais o Brasil vem passando, a maior seca da História, mostra a dimensão do desafio que está pela frente”.

Três Poderes

Em 22 de agosto foi lançado o Pacto pela Transformação Ecológica entre os Três Poderes do estado Brasileiro, elevando o compromisso da Transformação Ecológica a um novo patamar histórico. A iniciativa representa o compromisso entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de atuar, de maneira harmoniosa e integrada, pela promoção da transformação ecológica, a partir de medidas legislativas, administrativas e judiciais.

“O pacto que estamos firmando hoje simboliza a determinação de cada um de nós no enfrentamento dos maiores desafios do nosso tempo, com a profundidade e a urgência que a crise climática exige”, afirmou o presidente Lula no lançamento do pacto.

Finanças, Impostos e Gestão Pública
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Mercado Internacional, Negócios

Brasil e Malásia realizam reunião para ampliar as relações técnicas e comerciais

Ministro Fávaro recebeu ministro da Agricultura do país asiático para dialogarem sobre a relação comercial entre ambos os países

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu o ministro da Agricultura e Segurança Alimentar da Malásia, Datuk Sabu, e sua comitiva para dialogar sobre a ampliação das relações comerciais voltadas para o agronegócio. O encontro ocorreu nesta terça-feira (20), na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília (DF).

O ministro Fávaro destacou o empenho do Governo Federal no fortalecimento econômico entre o Brasil e os países do Sul Global, assim como o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no desenvolvimento de tecnologias para a agropecuária. “Estamos abertos a formalizar um termo de cooperação entre o Brasil e a Malásia, para que a Embrapa ajude o país no desenvolvimento de tecnologias e sistemas produtivos mais eficientes”, afirmou.

Na ocasião, o ministro da Agricultura da Malásia propôs a formalização de um acordo de cooperação na produção de milho em grão entre a Embrapa e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola da Malásia (Mardi) para aumentar a competitividade na política de preços.

Também foi discutido o interesse da Malásia em cooperar em temas como a pesquisa em culturas industriais e na indústria do coco. Já o Brasil demonstrou interesse em ampliar a exportação de frutas para o país asiático.

Fávaro ainda ressaltou o trabalho da defesa agropecuária brasileira em garantir o controle sanitário e fitossanitário dos produtos nacionais para as exportações.

O ministro da Agricultura da Malásia também demonstrou interesse em aumentar a importação de proteínas Halal brasileiras. Todos os produtos bovinos, aves e laticínios exigem certificação Halal para entrar na Malásia. Atualmente, o Brasil possui sete plantas frigoríficas autorizadas a exportar carne de frango para o mercado malaio.

Relações Comerciais

Segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Mapa, as exportações brasileiras de produtos agropecuários para a Malásia foram de US$ 1,2 bilhão em 2023. Três produtos tiveram destaque na pauta: açúcar bruto (56%), milho (20%) e algodão (7%), somando 83% do total.

O Brasil importou da Malásia US$ 100 milhões em 2023, sendo que demais óleos vegetais (61%), óleo de palma (20%) e pasta de cacau (7%) somaram 88% do total importado.

Informações à imprensa
Imprensa@agro.gov.br

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