Internacional

Brasil e Índia ampliam cooperação em Defesa e negociam novo acordo estratégico

O Brasil e a Índia avançam nas tratativas para consolidar um novo acordo na área de Defesa, reforçando a parceria estratégica bilateral entre as duas nações. A movimentação ocorre durante a agenda internacional do presidente do Brasil em Nova Délhi.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, encaminhou convite formal ao assessor de Segurança Nacional da Índia, Ajit Doval, para que visite o Brasil “assim que possível”. O gesto reforça o esforço diplomático para intensificar o diálogo de alto nível.

Novo memorando pode ser assinado durante visita presidencial

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o governo brasileiro espera concluir as negociações e formalizar um memorando de entendimento voltado à cooperação na indústria de defesa ainda durante a passagem de Lula pela capital indiana.

O presidente participa de um evento multilateral sobre inteligência artificial, mas a agenda inclui compromissos bilaterais considerados estratégicos para ampliar a cooperação em tecnologia, setor aeroespacial e indústria militar.

Avanços na aviação e diálogo de alto nível

Na correspondência enviada a Doval, Amorim avaliou como “altamente bem-sucedida” a recente visita do vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia. Segundo ele, houve “progresso significativo” especialmente na área de aviação.

O assessor também ressaltou que a manutenção de contato frequente entre as autoridades dos dois países será determinante para o êxito dos projetos em andamento.

A área de defesa e segurança consolidou-se como um dos principais pilares da aproximação entre Brasília e Nova Délhi, sobretudo após sucessivas missões oficiais e ampliação das negociações em setores estratégicos.

Missões oficiais reforçam cooperação militar

Em 2025, pouco depois da visita de Amorim ao país asiático, Alckmin esteve em Nova Délhi acompanhado do ministro da Defesa, do comandante da Aeronáutica, do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e do presidente da Agência Espacial Brasileira.

A presença de representantes das Forças Armadas e da área espacial evidenciou a prioridade dada à cooperação militar e aeroespacial.

Embraer amplia presença na Índia

No setor empresarial, a Embraer inaugurou, em outubro, um novo escritório na capital indiana, com participação de Alckmin. A fabricante brasileira também firmou acordo de cooperação estratégica com o grupo Mahindra Group.

Já em janeiro, a companhia assinou memorando de entendimento com a Adani Defense & Aerospace para o desenvolvimento de um sistema integrado de transporte aéreo regional, ampliando a presença brasileira no mercado de defesa indiano.

Agenda bilateral e expectativa de novos avanços

Após compromissos multilaterais, Lula participa da inauguração do novo escritório da ApexBrasil em Nova Délhi e do encerramento do fórum empresarial Brasil–Índia.

No sábado, a programação prevê visita de Estado e reunião com o primeiro-ministro Narendra Modi, quando a agenda bilateral deve priorizar defesa, tecnologia e indústria estratégica.

A expectativa do governo brasileiro é transformar o atual momento de aproximação em acordos concretos, consolidando o relacionamento entre duas das principais economias emergentes do mundo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Pozzebom / Agência Brasil

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Importação

Déficit industrial do Brasil atinge recorde histórico com alta das importações em 2025

A indústria de transformação brasileira ampliou suas exportações em 3,8% em 2025, mesmo diante da elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, o avanço das importações de bens industriais, que cresceram 8,6% no mesmo período, provocou um forte desequilíbrio na balança do setor.

O resultado foi um déficit industrial de US$ 71,1 bilhões — o maior desde o início da série histórica, em 1997. O número contrasta com o desempenho da balança comercial brasileira como um todo, que encerrou o ano passado com superávit de US$ 68,3 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo Institute for Industrial Development Studies (IEDI).

Plataformas de petróleo e impacto no saldo comercial

Importações extraordinárias de plataformas de petróleo contribuíram para o agravamento do resultado, gerando um déficit de US$ 5,3 bilhões em 2025. Ainda assim, mesmo desconsiderando esse efeito ao longo da série histórica, o saldo negativo do setor permanece como o maior já registrado — ainda que mais próximo dos déficits observados em 2013 (US$ 64,8 bilhões) e 2014 (US$ 63,6 bilhões).

Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do IEDI, o desempenho foi fortemente influenciado pelo aumento do rombo nas indústrias de alta tecnologia e pela menor contribuição dos segmentos de média-baixa tecnologia, tradicionalmente responsáveis pelos superávits da manufatura.

Alta tecnologia amplia rombo comercial

O déficit das indústrias de alta tecnologia chegou a US$ 50,6 bilhões em 2025, acima dos US$ 45,8 bilhões registrados em 2024 e bem superior aos US$ 27,1 bilhões de 2019. O grupo inclui setores como aeronáutica e farmacêutico, ambos impactados pela pandemia de Covid-19.

Setor aeronáutico enfrenta nova realidade

A indústria aeronáutica, que manteve superávits consecutivos entre 1999 e 2018, passou a registrar déficits a partir de 2019. Em 2025, as importações de aeronaves somaram US$ 15,3 bilhões, ante US$ 12,4 bilhões em 2024 e US$ 6,4 bilhões em 2019.

As exportações, embora em recuperação após a forte queda de 2020, avançaram em ritmo mais lento e atingiram US$ 5,5 bilhões em 2025, próximo aos US$ 5,8 bilhões de 2019. O resultado foi um déficit de US$ 9,9 bilhões no ano passado, frente a apenas US$ 604 milhões em 2019.

Cagnin destaca que o setor enfrenta pressão crescente para a descarbonização, incluindo a adoção de combustível sustentável de aviação (SAF). No Brasil, o programa Combustível do Futuro, instituído pela Lei 14.993/2024, estabelece metas para a introdução do SAF em voos domésticos a partir de 2027.

Ele observa ainda que a Embraer disputa o mercado internacional com aeronaves de maior porte, mas ressalta que ainda há espaço para políticas públicas que fortaleçam a integração entre companhias aéreas e a indústria nacional.

Indústria farmacêutica dobra déficit em seis anos

O setor farmacêutico também registrou deterioração significativa. O déficit saltou de US$ 7 bilhões em 2019 para US$ 15 bilhões em 2025. As importações alcançaram US$ 16,4 bilhões no último ano, o dobro do volume registrado antes da pandemia.

De acordo com o economista, o segmento passou por transformações estruturais desde a crise sanitária, com maior foco em inovação e reposicionamento estratégico global. Ele aponta que políticas industriais ao redor do mundo passaram a tratar a produção de medicamentos como área estratégica, especialmente diante da concentração de insumos na China e na Índia.

No Brasil, a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada peça-chave para estimular investimentos e pesquisa no setor. Ainda assim, o déficit reflete o atraso tecnológico nacional frente aos principais polos globais.

Média-alta tecnologia também pesa no saldo negativo

Nas indústrias de média-alta tecnologia, o déficit chegou a US$ 82,4 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelos segmentos de químicos e máquinas e equipamentos. A produção doméstica foi prejudicada pelos juros elevados e pelo baixo nível de investimentos.

Cagnin destaca ainda o avanço da China como competidor relevante no mercado global, intensificando a concorrência sobre a indústria brasileira.

Segmentos com superávit sustentam parcialmente resultado

Entre os grupos com melhor desempenho, o segmento de média tecnologia encerrou 2025 com superávit de US$ 2,4 bilhões, mesmo após as importações de plataformas de petróleo.

Já a média-baixa tecnologia manteve sua posição como principal geradora de superávit, somando US$ 59,5 bilhões — levemente abaixo dos US$ 61,2 bilhões de 2024. O destaque positivo foi o setor de alimentos, bebidas e tabaco, com saldo de US$ 60 bilhões.

Ainda assim, o grupo foi o único a registrar queda nas exportações em 2025, com recuo de 1%, enquanto as importações cresceram 1,7%, indicando dificuldades adicionais para expandir vendas externas.

Tarifas dos EUA e reconfiguração global

Na avaliação do IEDI, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetaram setores específicos, mas não comprometeram o crescimento geral das exportações industriais em 2025.

Para Cagnin, o movimento tarifário integra um processo mais amplo de reorganização do comércio internacional, com impactos sobre as cadeias globais de valor e a geopolítica econômica.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Celso Doni/Valor

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Tecnologia

Carro voador em São Paulo: eVTOLs devem iniciar operação comercial em 2027

São Paulo deve passar a contar, até o fim de 2027, com voos comerciais de carro voador para transporte urbano. A operação será feita com eVTOLs (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical) desenvolvidos pela Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, e operados pela Revo, companhia que já atua no fretamento de helicópteros na capital.

A proposta é oferecer deslocamentos sob demanda, em modelo semelhante ao de aplicativos de transporte, conectando pontos estratégicos da cidade e o Aeroporto Internacional de Guarulhos em poucos minutos.

Preço inicial será semelhante ao do helicóptero

Hoje, um voo de helicóptero da Avenida Faria Lima até Guarulhos custa cerca de R$ 2,7 mil, valor que inclui o trajeto aéreo, com duração média de menos de 10 minutos, além de serviços adicionais, como transporte terrestre com motorista.

No início da operação dos eVTOLs em São Paulo, o preço deve se manter nesse patamar. A estratégia considera o caráter inédito do serviço e a necessidade de avaliar a demanda e o comportamento do mercado nos primeiros anos.

Segundo o CEO da Revo, João Welsh, a expectativa é de redução gradual dos valores ao longo do tempo. A projeção é de uma queda entre 20% e 30% em um horizonte de médio prazo, impulsionada pelo menor custo operacional das aeronaves elétricas.

Menor custo e alcance a novos públicos

Por serem totalmente elétricos, os carros voadores apresentam custos de operação inferiores aos dos helicópteros convencionais. Esse fator pode permitir, no futuro, uma ampliação do público atendido e uma maior democratização do serviço.

A avaliação da empresa é que, assim como ocorreu com outras inovações no transporte, o acesso tende a se expandir à medida que a tecnologia amadurece e ganha escala.

Benefícios ambientais e redução de ruído urbano

Além da agilidade nos deslocamentos, os eVTOLs trazem impactos positivos para a cidade. As aeronaves têm emissão zero de carbono no nível local e produzem significativamente menos ruído do que helicópteros tradicionais.

A expectativa é que a introdução de veículos mais silenciosos contribua para melhorar o conforto acústico em uma cidade já marcada pela intensa movimentação aérea.

Quanto a Revo vai investir nos eVTOLs da Eve

O contrato firmado entre a Revo e a Eve prevê um investimento de US$ 250 milhões para a aquisição de 50 aeronaves. A entrega e os pagamentos serão realizados de forma escalonada, com a chegada gradual dos eVTOLs ao longo dos próximos anos.

O planejamento envolveu cerca de 18 meses de negociações e estudos, considerando que os eVTOLs devem se tornar o principal foco da operação da empresa no futuro, substituindo progressivamente os helicópteros.

Expansão no Brasil e no exterior

Atualmente concentrada em São Paulo, a Revo avalia a expansão para outras cidades. A prioridade, no entanto, não está restrita ao território brasileiro. A estratégia inclui analisar mercados internacionais com características semelhantes às da capital paulista, especialmente em grandes centros urbanos da América Latina.

No Brasil, novas operações podem ocorrer em um segundo momento, conforme o amadurecimento do modelo de negócio.

Como funciona o eVTOL da Eve Air Mobility

O eVTOL da Eve, empresa do grupo Embraer, posiciona o Brasil na vanguarda da mobilidade aérea urbana. Trata-se de uma aeronave elétrica projetada para trajetos curtos em ambientes urbanos, com foco em eficiência, segurança e escalabilidade.

O modelo adota o conceito lift and cruise, com rotores dedicados à decolagem e ao pouso vertical e asas fixas para o voo horizontal. Ao todo, são oito rotores para sustentação vertical e um motor elétrico traseiro para cruzeiro, configuração que aumenta a redundância e a segurança do sistema.

A autonomia estimada é de cerca de 100 quilômetros, com velocidade média próxima de 200 km/h, o que permite deslocamentos rápidos entre regiões metropolitanas.

Tecnologia, certificação e integração ao espaço aéreo

A aeronave utiliza sistemas avançados de fly-by-wire, sensores e controle eletrônico de voo, facilitando a integração com soluções automatizadas de gerenciamento aéreo. Antes da operação comercial, o eVTOL passa por extensos testes e processos de certificação junto à Anac e a autoridades internacionais.

Além da aeronave, a Eve desenvolve soluções completas que envolvem manutenção, treinamento de pilotos e sistemas de gestão de tráfego aéreo, fundamentais para a convivência segura entre drones, helicópteros, aviões e eVTOLs.

Mercado global de eVTOLs ainda está em fase inicial

No cenário internacional, o mercado de carros voadores ainda é considerado pré-operacional. Não há, até o momento, serviços regulares em larga escala. Mesmo assim, a Eve figura entre as empresas mais avançadas do setor, com cerca de 3 mil unidades encomendadas por meio de cartas de intenção de clientes em aproximadamente 15 países.

Especialistas apontam que o sucesso da tecnologia dependerá de fatores como regulação, aceitação do público, integração com o transporte terrestre e viabilidade econômica. No Brasil, a existência de normas específicas já é vista como um passo relevante para viabilizar a operação comercial.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Aeroportos

Embraer realiza primeiro voo de eVTOL e marca avanço da mobilidade aérea no Brasil

A Embraer realizou o primeiro voo da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), considerado um marco para a aviação brasileira e para o desenvolvimento da mobilidade aérea avançada no país. O feito foi destacado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) como um passo decisivo rumo à consolidação desse novo modal aéreo.

O voo integra a etapa de ensaios e validações técnicas, fundamental para o processo de certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que acompanha todas as fases do desenvolvimento do equipamento.

Empresas participam dos testes operacionais

As empresas Vertimob Infrastructure e PRS Aeroportos S.A. foram selecionadas para participar dos testes do eVTOL. Os dados obtidos nessa fase servirão de base para a formulação de normas definitivas, ampliando a segurança jurídica, incentivando a inovação tecnológica e apoiando a expansão da mobilidade aérea urbana no Brasil.

Segundo o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, a Anac supervisiona desde os testes em solo até os voos experimentais e a avaliação dos sistemas da aeronave, assegurando conformidade com padrões internacionais de segurança e confiabilidade.

“A partir desse voo experimental, inicia-se oficialmente a campanha de certificação do equipamento, aguardada por diversas empresas no Brasil e no exterior”, afirmou.

Protagonismo brasileiro na aviação sustentável

Para o secretário, o avanço do projeto reforça o protagonismo do Brasil no cenário global da aviação e demonstra a capacidade da indústria nacional de liderar soluções inovadoras, alinhadas à transição energética e à redução das emissões de CO₂.

A iniciativa também impulsiona a preparação do país em áreas estratégicas como infraestrutura, regulação e planejamento operacional, incluindo o desenvolvimento de vertiportos — estruturas destinadas a pousos, decolagens, embarque de passageiros e recarga das aeronaves — e novos modelos de operação aérea.

Investimentos em inovação e pesquisa

O MPor atua de forma integrada para adaptar o sistema aéreo brasileiro às novas tecnologias. Em 2024, a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) firmou um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com investimento de R$ 24 milhões.

Os recursos são destinados a estudos técnicos que darão suporte a políticas públicas voltadas aos serviços aéreos, à infraestrutura aeroportuária e à aeronáutica, com foco na Mobilidade Aérea Urbana.

“Esse investimento garante uma base técnica sólida para orientar decisões estratégicas do poder público e preparar o Brasil para a incorporação segura e eficiente dos novos modais aéreos”, destacou Daniel Longo.

Sandbox regulatório para vertiportos

Em paralelo, a Anac estruturou um sandbox regulatório específico para vertiportos, criando um ambiente controlado para testar soluções inovadoras ligadas à operação de eVTOLs.

A iniciativa permite a avaliação prática da infraestrutura, dos requisitos de segurança e dos procedimentos operacionais, com flexibilização regulatória temporária e acompanhamento técnico contínuo da Agência.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Exportação

BNDES aprova R$ 1,7 bilhão para exportação de aviões da Embraer aos Estados Unidos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta sexta-feira (17) a aprovação de um financiamento de R$ 1,7 bilhão destinado à exportação de 13 aeronaves da Embraer para a companhia aérea norte-americana SkyWest Airlines. A operação será realizada por meio da linha Exim Pós-Embarque, mecanismo voltado ao incentivo de exportações brasileiras.

Exportação fortalece balança comercial brasileira

De acordo com o BNDES, os aviões — todos do modelo E-175 — serão entregues entre o quarto trimestre de 2025 e o fim de 2026. O pagamento será feito em dólares, o que garantirá a entrada de divisas e contribuirá para o fortalecimento da balança comercial do país.

O banco informou ainda que, apenas em 2025, já desembolsou R$ 3,4 bilhões para apoiar exportações da Embraer, incluindo recursos de operações aprovadas anteriormente.

SkyWest amplia frota e reforça parceria com a Embraer

Atualmente, a SkyWest Airlines é a maior operadora mundial do modelo E-175 e deve alcançar uma frota total de 279 aeronaves até o fim de 2026. O BNDES destacou que a operação reforça a importância de políticas de financiamento à indústria aeronáutica, uma prática comum entre países que disputam espaço em um setor considerado estratégico para o desenvolvimento econômico.

Mercadante destaca papel estratégico do BNDES

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o apoio à Embraer demonstra o papel essencial do banco no fortalecimento da indústria nacional.

“O BNDES tem um papel fundamental na promoção da competitividade da indústria brasileira no mercado global. A Embraer é resultado direto dessa política, que permitiu à empresa conquistar presença relevante em diversos países, especialmente nos Estados Unidos”, afirmou.

Desde 1997, o BNDES já financiou US$ 26,7 bilhões em exportações de mais de 1.350 aeronaves da Embraer, consolidando-se como um dos principais instrumentos de apoio à expansão da fabricante no exterior.

Embraer celebra apoio e expansão internacional

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, reforçou a importância da parceria com o banco estatal para o crescimento global da companhia.

“O BNDES tem sido um parceiro fundamental no fortalecimento da Embraer no cenário internacional. Esse apoio é estratégico para ampliar nossa atuação em um mercado tão relevante quanto o dos Estados Unidos. Além disso, beneficia a aviação regional americana, segmento no qual nossas aeronaves têm forte presença e que é essencial para a conectividade do país”, declarou.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Benoit Tessier

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Comércio Exterior

Embraer fica livre de taxação e defende tarifa zero para setor

Ações da empresa valorizaram mais de 10% após anúncio dos EUA

Embraer ficou livre da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileirosAeronaves, motores, peças e componentes de aviação aparecem na lista de cerca de 700 produtos considerados exceções.

Para a empresa, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, a liberação é o reconhecimento da importância estratégica das atividades da empresa para Brasil e Estados Unidos.

“Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à regra de tarifa zero para a indústria aeroespacial global”, afirma a nota da Embraer.

“Mais importante ainda, apoiamos o diálogo contínuo entre os governos brasileiro e norte-americano e permanecemos confiantes em um resultado positivo para os dois países”, complementa.

Na semana passada, a empresa informou que o tarifaço de 50% elevaria o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões, o que acabaria por inviabilizar a venda. Considerando o período até 2030, o impacto poderia chegar a R$ 20 bilhões em tarifas. 

Em nota publicada, no início da noite, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil – Amcham Brasil calcula que os 694 produtos excluídos da Ordem Executiva representam US$ 18,4 bilhões em exportações brasileiras no último período apurado (2024).

O valor corresponde a 43,4% do total de US$ 42,3 bilhões exportados pelo Brasil para os EUA, de acordo com a análise da entidade.

Somente o setor de aeronaves vendeu US$ 2 bilhões no ano passado, sendo metade somente em aeronaves leves, principal produto da Embraer. Apenas o setor de combustíveis exporta mais, com US$ 18,4 bilhões em vendas em 2024.

Desde o dia 2 de abril, os produtos da Embraer estão taxados em 10%, o que permanecerá em agosto.

Ações 

Com a inclusão de aeronaves na lista de exceções, as ações da Embraer valorizaram 10,93% nesta quarta-feira (30). 

Entenda o tarifaço

Na Ordem Executiva, que elevou a tarifa para os produtos brasileiros em 50%, Trump argumenta que o Brasil é uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA, classificação semelhante à adotada contra países considerados hostis a Washington, como Cuba, Venezuela e Irã.

O documento afirma que o Brasil estaria perseguindo, intimidando e censurando “o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores que são graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil”

Além do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, medidas do governo brasileiro em relação a plataformas digitais e decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foram citadas como justificativas para as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. 

“A perseguição política, por meio de processos forjados, ameaça o desenvolvimento ordenado das instituições políticas, administrativas e econômicas do Brasil, inclusive minando a capacidade do Brasil de realizar uma eleição presidencial livre e justa em 2026. O tratamento dado pelo governo do Brasil ao ex-presidente Bolsonaro também contribui para o colapso deliberado do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação politicamente motivada naquele país e para abusos de direitos humanos”, diz o texto.

No documento do governo norte-americano, o ministro Alexandre de Moraes é acusado de abusar de sua autoridade judicial “para atingir oponentes políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, muitas vezes em coordenação com outras autoridades brasileiras”. Trump acusa o ministro de confiscar passaportes, prender pessoas sem julgamento e impor multas a empresas que não cumpriram “suas exigências ilegais de censura”.  

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Tarifa de 50% dos EUA pode impactar receita da Embraer como a crise da Covid, diz CEO

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer (EMBR3) semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$9 milhões por avião exportado aos EUA.

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia

Por que a Embraer (EMBR3) é a maior vítima do tarifaço de Trump contra o Brasil?

Queridinha do mercado, ação da fabricante de jatos é a mais abalada pelo tarifaço contra o Brasil por conta da sua exportação para os EUA

Dentre todas as empresas que podem ser afetadas pelas tarifas gerais de 50% anunciadas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma em especial ganha destaque, principalmente por ter grande parte da sua receita proveniente de exportações para a maior economia do mundo. Trata-se da Embraer (EMBR3), cuja ação tem uma alta acumulada de mais de 100% nas suas ações no acumulado de 12 meses, mas que vinha sofrendo recentemente com as ameaças do presidente americano em tarifar o Brasil.

A XP Investimentos aponta que a Embraer tem uma alta exposição aos EUA, de cerca de 60% do faturamento. Ela exporta principalmente E1s para companhias aéreas norte-americanas e conclui a montagem de jatos executivos na Flórida; assim, os impactos diretos e indiretos podem ser significativos.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP, ressaltam dois impactos principais devido ao aumento da tarifa para produtos brasileiros.

Em primeiro lugar, na divisão Executiva, como a empresa conclui a montagem de Praetors (cerca de 55-60% do conteúdo do Brasil) e Phenoms (cerca de 35-40% do conteúdo do Brasil) em suas instalações na Flórida, parte do CPV (Custo de Produtos Vendidos) do produto é suscetível a tarifas de importação quando os jatos são enviados do Brasil para os EUA (com a Embraer como responsável pela sobretaxa).

Nesse sentido, estima um impacto de custo de US$ 95 milhões por cada 10 pontos percentuais (p.p.) de tarifa para a sua previsão de EBIT de 2026E, ou um impacto de –55-60% em nossas estimativas de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos)/lucro de 2026 esperado se a tarifa de 50% for implementada, respectivamente.

Em segundo lugar, no segmento comercial, embora os clientes da ERJ sejam os responsáveis pela cobrança tarifária, a preocupação permanece com a demanda mais fraca após um ambiente inflacionário para os E1s, com riscos de adiamento de entregas caso as companhias aéreas tentem evitar tais sobretaxas, embora as cláusulas contratuais (e PDPs) da ERJ devam reduzir tais riscos.

A XP, embora veja o anúncio de Trump principalmente como uma potencial barganha, espera que a preocupação dos investidores permaneça alta, dado o impacto potencial significativo que uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros sugeriria para a ERJ (queda 60% para a sua estimativa de lucros para 2026). Dito isso, reitera recomendação neutra no valuation, com potencial downside em relação às estimativas de consenso (e as nossas) se as tarifas permanecerem mais altas em relação ao previsto anteriormente.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também ressalta que a Embraer é a empresa de sua cobertura mais exposta às exportações para os EUA.

Assim, estima um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no EBIT de 2025 — cerca de 35% do total estimado para o ano. Essa estimativa considera que a tarifa entre em vigor em agosto, como estipulado na carta oficial, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

No segmento de aviação executiva, os jatos Phenom são produzidos nos EUA, enquanto os jatos Praetor têm sua montagem final no país.

“Isso pode ajudar a mitigar parte do impacto, já que a produção local estaria isenta da tarifa. Ainda assim, não está claro se essa isenção seria total”, avalia.

Para o BBI, a Embraer pode compensar parte do impacto por meio de: i. Reajuste de preços em novos pedidos de jatos executivos (com efeito apenas na entrega); ii.Aumento de preços em serviços e peças, reduzindo indiretamente o impacto nas entregas e iii. No segmento de aviação comercial, as tarifas podem levar clientes a adiar recebimentos de aeronaves.

O UBS BB estima um impacto de aproximadamente US$ 70 milhões nos custos da Embraer e um impacto de 13% na margem financeira de 2026 para cada aumento de 10% nas tarifas. O banco considera o impacto apenas sobre jatos executivos, com 40% dos Phenoms e 60% dos Praetors sendo tarifados e 75% das vendas totais de jatos executivos para os EUA.

Fonte: InfoMoney

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Notícias, Tecnologia

Maior operadora de jatos E175 encomenda 60 novas aeronaves da Embraer

A Embraer anunciou nesta quarta-feira (18) uma encomenda firme de 60 jatos E175 pela norte-americana SkyWest, com opção de compra de mais 50 aeronaves. As entregas estão programadas para começar em 2027. O valor do contrato referente aos 60 aviões é de US$ 3,6 bilhões, segundo preço de lista, e será incluído na carteira de pedidos do segundo trimestre da fabricante brasileira.

Com uma frota atual de 263 jatos e um backlog de 16 unidades, a SkyWest se consolida como a maior operadora de E-Jets do mundo. O novo pedido reforça a posição da companhia como líder global na operação do modelo E175, que é referência em aviação regional nos Estados Unidos. Os jatos serão operados pela Delta Connection, subsidiária regional da Delta Air Lines que possui contrato com a SkyWest.

Como maior operadora de E175 do mundo, estamos satisfeitos em continuar expandindo nossa frota e fortalecendo nossa presença no segmento de cabine dupla. Essa encomenda nos permite avançar em nossa estratégia de longo prazo e manter a excelência no serviço regional”, declarou Chip Childs, presidente e CEO da SkyWest.

Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação Comercial, também celebrou o anúncio: “Estamos entusiasmados em continuar nossa longa parceria com a SkyWest. O E175 é a espinha dorsal da aviação regional na América do Norte, e esse pedido demonstra a confiança da SkyWest no desempenho, confiabilidade e conforto dos nossos jatos.

A relação entre Embraer e SkyWest começou em 1986, com a aquisição de cinco turboélices EMB-120 Brasília. No fim dos anos 1990, a empresa norte-americana já operava mais de 40 unidades do modelo. A parceria foi renovada em 2013 com a compra de 100 E175s, e hoje a SkyWest é a maior operadora desse jato no mundo.

Fonte: Aeroin

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Negócios

Embraer perde contrato bilionário para Airbus: ‘geopolítica tem papel importante’

A LOT Polish Airlines reverteu sua estratégia anterior de compras da fabricante brasileira e comprometeu-se a adquirir 40 jatos A220 em um negócio de US$ 2,7 bilhões, com anúncio com ministros e lideranças de França e Polônia

A política de vendas de aeronaves foi exibida em sua plenitude no mês passado, quando o presidente Donald Trump, em turnê pelo Oriente Médio, ajudou a trazer para casa o maior pedido de aeronaves de grande porte da história da Boeing.

No primeiro dia da Paris Air Show, uma das maiores feiras da aviação, a conexão entre os negócios e a diplomacia veio à tona mais uma vez, depois que a Airbus superou a rival Embraer para conquistar um compromisso da Polônia.

A parte derrotada disse mais tarde que a decisão foi manchada pela política.

A principal companhia aérea da Polônia, a LOT Polish Airlines, comprometeu-se a comprar 40 jatos Airbus A220 e, potencialmente, aumentar o pedido para 84 unidades.

O valor do negócio chega a US$ 2,7 bilhões após os descontos típicos do setor, com base em estimativas da consultoria de aviação Ishka.

A escolha da Airbus marcou uma reversão estratégica para a LOT, que há muito tempo constrói sua frota com aeronaves da Boeing e da Embraer. A LOT disse que, em vez disso, eliminaria gradualmente seus jatos do Brasil da frota.

“Entendemos que estamos vivendo em um momento excepcional em que a geopolítica desempenha um papel importante”, disse a Embraer em um comunicado após a LOT anunciar o pedido.

A continuidade com a frota Embraer existente da LOT teria economizado “milhões de euros” para a companhia aérea polonesa, disse a fabricante de aviões.

O elemento político do acordo foi palpável durante a cerimônia de anúncio na feira de Paris, em que a sala de conferências da Airbus ficou lotada de dignitários da Polônia, França e até mesmo do Canadá, onde o Airbus A220 é montado.

A Polônia enviou um ministro, além de embaixadores, e o ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, fez um breve discurso.

“A concorrência tornou-se muito mais política do que até mesmo um pedido normal de aeronave civil”, disse Nick Cunningham, analista da Agency Partners.

“A França e a Polônia estão tentando reparar relações diplomáticas anteriormente tensas.”

Além disso, uma visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a Moscou em maio, para comemorar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, foi mal recebida na Polônia, um país que é crítico ferrenho da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, disse Cunningham.

Questionado sobre uma possível influência política do acordo, o CEO da LOT, Michal Fijol, se esquivou.

“Não foi um processo fácil, recebemos duas ofertas muito competitivas”, disse Fijol. “Mas estou satisfeito porque a Airbus nos queria mais.”

Fonte: Bloomberg Línea

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