Internacional

EUA propõem ao Brasil grupo de trabalho sobre terras raras e minerais estratégicos

Os Estados Unidos sugeriram ao Brasil a criação de um grupo de trabalho voltado à cooperação no setor de minerais críticos e estratégicos, com ênfase nas terras raras — insumos essenciais para tecnologias de ponta.

A proposta foi apresentada pelo encarregado de Negócios norte-americano, Gabriel Escobar, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de mineradoras. O Ibram confirmou a informação e destacou que será responsável por conduzir as discussões iniciais, em conjunto com a Embaixada dos EUA.

Investimentos e próximos encontros

Enquanto o governo brasileiro avalia a proposta, o Ibram discutirá com empresas associadas oportunidades de investimento na produção mineral nacional, que podem atrair capital norte-americano.

Novas reuniões entre representantes dos EUA e do setor mineral brasileiro estão previstas para 2025, incluindo um encontro em dezembro, nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira em parceria com o Ibram.

Contexto geopolítico e dependência da China

A iniciativa ocorre em meio às negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, e ao debate sobre um possível acordo de fornecimento seguro de terras raras aos EUA. O tema ganhou relevância após a China restringir a exportação desses materiais, intensificando preocupações em Washington.

Atualmente, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras ocorre em território chinês, mas o país domina 91% do refino global e 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta que essa concentração representa um risco geopolítico severo, pois permite à China controlar preços e o ritmo de avanços tecnológicos estratégicos.

Brasil no radar global de minerais críticos

O Brasil surge como um potencial parceiro estratégico: detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora sua produção e refino ainda sejam incipientes. A ausência de um marco regulatório específico e de uma cadeia produtiva consolidada limita o aproveitamento do recurso.

Mesmo assim, empresas ocidentais já iniciaram projetos de exploração e mapeamento geológico no país. Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por definir diretrizes para o uso sustentável e estratégico desses recursos. Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Economia

Banco Central inicia rolagem de swaps cambiais em novembro de 2025.

Banco Central anuncia início da rolagem de swaps cambiais

O Banco Central do Brasil (BC) informou que a rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em 1º de dezembro de 2025 terá início no dia 3 de novembro de 2025. A operação faz parte da estratégia da autoridade monetária para administrar a liquidez do mercado de câmbio e reduzir a volatilidade da moeda.


Leilões poderão ter volumes ajustados conforme a demanda

De acordo com o BC, o volume diário ofertado poderá ser alterado conforme as condições de mercado. A instituição também poderá aceitar propostas em valores inferiores ao montante inicialmente previsto, dependendo da demanda dos investidores pelos contratos.


Detalhes dos leilões serão divulgados pelo Depin

As condições específicas de cada leilão de swap cambial — como prazos, quantidades e taxas — serão comunicadas posteriormente por meio de comunicado oficial do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Depin).

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Taxa das blusinhas faz 38% dos consumidores desistirem de compras internacionais, aponta pesquisa da CNI

A chamada “taxa das blusinhas” já impacta diretamente o comportamento dos consumidores brasileiros. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (27), 38% dos consumidores deixaram de comprar em sites internacionais após a cobrança do imposto de importação.

Brasileiros buscam alternativas nacionais

Entre os entrevistados que realizaram compras internacionais nos últimos 12 meses, 32% afirmaram ter buscado produtos semelhantes no mercado nacional para evitar a nova taxação. A medida, que voltou a incidir sobre compras de até US$ 50, foi defendida pelo setor industrial como uma forma de equilibrar a competição entre empresas brasileiras e estrangeiras.

Para o superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, o retorno do tributo é um passo importante para garantir justiça e competitividade à indústria nacional.

“A implementação do Imposto de Importação é o início de um processo que busca trazer mais equilíbrio ao mercado. Ainda assim, o patamar atual está abaixo do necessário, já que outros países possuem carga tributária bem menor”, afirmou.

Entenda a “taxa das blusinhas”

O imposto de importação (II), de 20% sobre compras internacionais até US$ 50, foi reestabelecido em 2024 após forte pressão do varejo nacional. A cobrança foi retomada para garantir concorrência justa entre os vendedores estrangeiros e as lojas brasileiras.

Até então, as remessas estavam isentas desde 2023 por meio do Programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal. Desde 1º de agosto de 2024, todas as compras internacionais passaram a pagar tributos federal (20%) e estadual (ICMS entre 17% e 20%).

Frete e prazos também influenciam desistências

Além dos impostos, o frete internacional e o prazo de entrega são fatores decisivos para a desistência de compra. O estudo mostra que 45% dos entrevistados cancelaram pedidos ao descobrir o valor do frete, um aumento de cinco pontos percentuais em comparação à pesquisa de maio de 2024.

32% desistiram por causa do tempo de entrega, percentual próximo ao do levantamento anterior (34%).

Segundo Guerra, essa mudança de comportamento demonstra uma maior racionalidade do consumidor brasileiro.

“A ‘taxa das blusinhas’ fez o consumidor refletir mais sobre o real custo-benefício das compras internacionais, algo que antes era ofuscado pela diferença de preços”, explicou.

Impactos na indústria e no consumo

A nova tributação sobre compras internacionais deve fortalecer o varejo nacional e favorecer a indústria brasileira, que enfrentava desvantagem competitiva frente aos marketplaces estrangeiros. A expectativa é de que o mercado interno volte a se beneficiar da mudança, com estímulo à produção e à geração de empregos.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: FG Trade/Getty Images

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Economia

O plano da China que pode mudar a economia global

Os principais líderes da China se reúnem nesta semana em Pequim para traçar as metas do país e as prioridades para o restante desta década. As decisões tomadas na Plenária do Comitê Central do Partido Comunista Chinês servirão de base para o próximo plano quinquenal, que vai orientar a segunda maior economia do mundo entre 2026 e 2030.

O plano completo será divulgado apenas no ano que vem, mas autoridades devem antecipar algumas diretrizes na quarta-feira (22/10). Especialistas afirmam que o modelo chinês, guiado por ciclos de planejamento em vez de eleições, costuma produzir decisões com impacto global.

“Os planos quinquenais (cinco anos) definem o que a China quer alcançar, indicam a direção que a liderança pretende seguir e mobilizam os recursos do Estado para atingir esses objetivos predefinidos”, diz Neil Thomas, pesquisador de política chinesa no Instituto de Políticas da Sociedade Asiática.

À primeira vista, a imagem de centenas de burocratas de terno apertando as mãos e elaborando planos pode parecer monótona. A história, porém, mostra que suas decisões costumam ter repercussões profundas.

1981-84: ‘Reforma e Abertura’

É difícil precisar quando a China começou sua trajetória para se tornar uma potência econômica, mas muitos integrantes do Partido Comunista Chinês vão afirmar que foi em 18 de dezembro de 1978.

Por quase três décadas, a economia chinesa foi controlada de maneira rígida pelo Estado. O planejamento central ao estilo soviético falhou em aumentar a prosperidade, e grande parte da população ainda vivia na pobreza.

O país se recuperava do devastador governo de Mao Tsé-Tung. O Grande Salto para Frente (1958-1962) e a Revolução Cultural (1966-1976), campanhas lideradas pelo fundador da China comunista para remodelar a economia e sociedade, resultaram na morte de milhões de pessoas.

Ao discursar na Terceira Plenária do 11º Comitê, em Pequim, o então novo líder chinês, Deng Xiaoping, declarou que era hora de adotar alguns elementos da economia de mercado. Sua política de “reforma e abertura” tornou-se eixo central do plano quinquenal seguinte, iniciado em 1981.

A criação de zonas econômicas especiais de livre comércio, e os investimentos estrangeiros que elas atraíram, transformaram a vida dos chineses.

Segundo Thomas, do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática, os objetivos daquele plano quinquenal não poderiam ter sido atingidos de maneira mais enfática.

“A China de hoje vai além dos sonhos mais ousados das pessoas dos anos 1970, em termos de restauração do orgulho nacional e de consolidação de seu lugar entre as grandes potências mundiais”, afirma.

O processo também remodelou a economia global. No século 21, milhões de empregos industriais do Ocidente foram transferidos para novas fábricas nas regiões costeiras da China.

Economistas chamaram esse fenômeno de “choque da China”, que acabou fomentando a ascensão de partidos populistas em antiga áreas industriais da Europa e dos Estados Unidos e levou a medidas como a imposição de tarifas e retaliações promovidas pelo presidente americano, Donald Trump — que diz tentar, assim, recuperar os empregos industriais perdidos para a China nas décadas anteriores.

2011–15: ‘Indústrias estratégicas emergentes’

O status da China como “fábrica do mundo” se consolidou com sua entrada na organização internacional global que trata das regras do comércio entre as nações, a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. Mas, na virada do século, o Partido Comunista Chinês já planejava o próximo passo.

Havia o temor de que o país caísse na chamada “armadilha da renda média”, quando uma nação em ascensão deixa de oferecer mão de obra barata, mas ainda não tem capacidade de inovação para produzir bens e serviços de alto valor agregado.

Para evitar isso, a China começou a investir nas chamadas “indústrias estratégicas emergentes”, termo usado oficialmente pela primeira vez em 2010. O foco incluía tecnologias verdes, como veículos elétricos e painéis solares.

À medida que a mudança climática ganhava destaque na política ocidental, a China mobilizava recursos inéditos para impulsionar esses novos setores.

Hoje, a China é líder global em energias renováveis e veículos elétricos, além de controlar quase todo o fornecimento de terras raras necessárias para a fabricação de chips e o desenvolvimento de inteligência artificial (IA).

A dependência mundial desses recursos dá à China uma posição de poder. A recente decisão de restringir exportações de terras raras levou Trump a acusar a China de tentar “manter o mundo como refém”.

Embora as “forças estratégicas emergentes” tenham sido incorporadas ao plano quinquenal de 2011, a tecnologia verde já havia sido identificada como potencial motor de crescimento e poder geopolítico pelo então líder chinês Hu Jintao, no início dos anos 2000.

“O desejo de tornar a China mais autossuficiente em economia, tecnologia e liberdade de ação vem de longa data, faz parte da própria essência da ideologia do Partido Comunista Chinês”, explica Thomas do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática.

2021-2025: ‘Desenvolvimento de alta qualidade’

Isso pode explicar porque nos planos quinquenais recentes, a China passou a priorizar o chamado “desenvolvimento de alta qualidade”, conceito introduzido formalmente por Xi Jinping em 2017.

A meta é desafiar o domínio tecnológico dos EUA e colocar a China na linha de frente do setor.

Casos de sucesso doméstico, como o aplicativo de vídeos TikTok, a gigante de telecomunicações Huawei e o modelo de inteligência artificial DeepSeek ilustram o avanço chinês.

O progresso da China, no entanto, é visto com desconfiança por países ocidentais, que a consideram uma ameaça à segurança nacional. As proibições e restrições a tecnologias chinesas afetaram milhões de usuários e provocaram disputas diplomáticas.

Até agora, o avanço tecnológico chinês dependeu de inovações americanas, como os semicondutores avançados da Nvidia. Com a proibição de venda desses componentes para o país imposta pelo governo Trump, é provável que o conceito de “desenvolvimento de alta qualidade” evolua para o de “novas forças produtivas de qualidade”, novo lema introduzido por Xi em 2023, que desloca o foco para o orgulho nacional e a segurança do país.

Isso significa colocar a China na linha de frente da produção de chips, da computação e da inteligência artificial, sem ser dependente da tecnologia ocidental, além de ser imune a embargos.

A autossuficiência em todos os setores, especialmente nos níveis mais altos da inovação, deve ser um dos pilares centrais do próximo plano quinquenal.

“A segurança nacional e a independência tecnológica são hoje a missão definidora da política econômica da China”, explica Thomas, do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática. “Mais uma vez, isso remete ao projeto nacionalista que sustenta o comunismo chinês, garantindo que o país nunca mais seja dominado por potências estrangeiras.”

FONTE: BBC
IMAGENS: Getty Images/AFP/Grigory Sysoev/RIA Novosti/Pool/Anadolu

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Aeroportos

Aeroportos concedidos ganham destaque como polos econômicos no programa Investe+ Aeroportos

O Secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, destacou nesta quinta-feira (16), em São Paulo, o potencial econômico dos aeroportos concedidos durante o GRI Roundtable Investe+ Aeroportos. O encontro reuniu representantes do setor para discutir novas oportunidades de investimento e uso comercial das áreas aeroportuárias além da aviação tradicional.

Aeroportos como polos de desenvolvimento regional

O programa Investe+ Aeroportos, criado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), tem como meta transformar os terminais em centros comerciais e logísticos multifuncionais. A iniciativa pretende atrair empreendimentos como shoppings, hotéis, centros de convenções, hospitais, terminais rodoviários e centros logísticos, aproveitando o potencial das áreas concedidas para gerar novas receitas e estimular o crescimento regional.

Segundo Daniel Longo, o programa representa uma mudança de paradigma na forma como os aeroportos são administrados no país.

“O futuro dos aeroportos brasileiros passa cada vez mais pelo estímulo à diversificação econômica”, afirmou o secretário.

Investimentos privados já somam R$ 4,5 bilhões

A base do Investe+ Aeroportos está na flexibilização da Portaria nº 93/2020, que permite a cessão remunerada de áreas em aeroportos concedidos. Desde 2023, 19 projetos já foram aprovados, com investimentos privados que ultrapassam R$ 4,5 bilhões — um sinal claro do interesse do mercado em explorar o potencial comercial dos terminais.

Setor discute desafios e oportunidades

Durante o evento, especialistas, advogados e representantes do setor aéreo discutiram os desafios e oportunidades para destravar o potencial econômico dos aeroportos brasileiros. Entre os temas debatidos estavam ajustes contratuais, novos modelos de negócio, fontes de financiamento e o papel das políticas públicas na integração entre concessões aeroportuárias e mercado imobiliário.

Governo aposta em novos empreendimentos

Para Daniel Longo, o encontro serviu para reforçar o compromisso do governo federal em incentivar a diversificação comercial nos aeroportos.

“Estamos empenhados em incentivar novos empreendimentos comerciais nos aeroportos brasileiros. Nosso objetivo é dinamizar o potencial econômico desses equipamentos, ampliando sua capacidade de gerar receita e impulsionar o desenvolvimento regional”, destacou o secretário.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: GRI Institute

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Economia

Saída de dólares do Brasil deve diminuir no fim do ano

A saída sazonal de dólares do Brasil no final do ano deve ser menos intensa do que em 2024, quando a taxa de câmbio atingiu a marca recorde de R$6,30. Economistas e operadores de tesouraria ouvidos pelo Valor acreditam que a pressão será mais administrável desta vez.

Eles destacam o ambiente mais favorável no mercado de derivativos — principalmente contratos futuros de dólar, que desempenham papel fundamental na definição das taxas de câmbio — como um fator que pode prolongar a tendência positiva observada ao longo de 2025. Enquanto isso, embora o balanço de pagamentos já esteja significativamente negativo, é improvável que se deteriore além do padrão sazonal típico do quarto trimestre. Como resultado, as saídas podem não atingir os US$26,4 bilhões registrados em dezembro de 2024.

As condições deste ano são melhores do que em 2024: a incerteza sobre o cenário fiscal do Brasil foi postergada para 2027; não há mais questionamentos sobre o início de uma nova administração nos EUA; e a corrida presidencial brasileira provavelmente não afetará os mercados antes de março ou abril do ano que vem”, afirmou Marcos da Fonseca, chefe de mercados do Bradesco. “Diante desse contexto, não há motivo para que o dólar chegue a R$6,30 como aconteceu em dezembro passado.”

Banco Central espera cenário mais tranquilo

O Banco Central também indicou na semana passada que não prevê uma repetição do estresse do ano passado. “O Banco Central claramente possui planos de contingência para diferentes cenários, incluindo um como o que vimos no ano passado. Mas esse não é o meu caso base em nenhuma circunstância”, disse Nilton David, diretor de Política Monetária do BC, em evento na quinta-feira (9).

Ele acrescentou que a sazonalidade de fim de ano normalmente afeta o mercado à vista — o fluxo real de dólares físicos — e não o câmbio em si. “É uma sazonalidade de fluxos à vista, não de preços”, explicou, destacando que os derivativos, onde o câmbio é efetivamente definido, representam um mercado muito maior.

“Uma pesquisa recente do BIS [Banco de Compensações Internacionais] mostra que cerca de 90% das negociações em real brasileiro ocorrem no mercado de derivativos. Globalmente, essa participação é próxima de 50%”, acrescentou.

Fluxos especulativos e volatilidade

Apesar de uma perspectiva mais otimista, os fluxos de derivativos são movidos por posicionamento especulativo e podem se reverter rapidamente. Na semana passada, por exemplo, o aumento das tensões globais, principalmente entre EUA e China, afetou o real, que também sofreu com preocupações sobre fragilidade no mercado de crédito.

O real foi a moeda com pior desempenho entre as 33 mais negociadas. À medida que o sentimento global piorou, questões locais que antes eram negligenciadas começaram a influenciar os preços com mais força.

O que me preocupa é que se algo inesperado acontecer no exterior e o dólar se fortalecer globalmente, o real sofrerá porque nossos fundamentos são fracos”, disse Marcos De Marchi, economista-chefe da Oriz Partners. “É quando a liquidez global seca que se percebe quem tem fundamentos fortes e quem não tem.”

De Marchi explicou que as altas taxas de juros reais do Brasil continuam sustentando o real, mas também refletem problemas mais profundos. “O carry trade permanece atraente. As taxas de juros reais estão entre 7% e 8%. Não há outro lugar no mundo com essas taxas. Isso mantém o ‘hot money’ no Brasil, mas também é consequência de uma política fiscal muito expansionista”, afirmou.

Marcos da Fonseca, do Bradesco, acrescentou que preocupações fiscais ainda podem limitar a valorização do real, mesmo que o Federal Reserve continue reduzindo os juros nos EUA. “Por um lado, o risco fiscal não representa a mesma ameaça de 2024. Por outro, ainda não está resolvido a ponto de eliminar a cautela em relação aos ativos locais.”

Ele explicou que, embora a queda dos juros nos EUA combinada com uma alta Selic normalmente favoreça a entrada de capital no Brasil, a incerteza global, especialmente em relação à política comercial americana, e dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro podem neutralizar esses efeitos.

Balança comercial pressionada

Embora menos influentes que os derivativos, os fluxos à vista continuam importantes e, em casos extremos, podem forçar ajustes no preço do câmbio, especialmente quando alteram o posicionamento especulativo.

E esses fluxos já estão sob pressão. Dados do Banco Central mostram que, até o fim de setembro, o Brasil já registrava US$17,4 bilhões em saídas líquidas em 2025 — 95% do total de 2024 — antes de entrar no quarto trimestre, que normalmente é o pior período para fluxos externos.

O desempenho deste ano reflete exportações mais fracas e saídas financeiras significativas.

“O suprimento de commodities tem sido forte, o que pressiona os preços para baixo”, disse Felipe Kotinda, economista do Santander. “Brasil e EUA tiveram grandes safras de soja. A produção global de petróleo também aumentou. E a demanda chinesa por minério de ferro está desacelerando, o que impacta os preços de metais.”

“Do lado das importações, a demanda interna forte leva famílias a comprarem mais bens de consumo e empresas a importarem mais bens de capital, o que deve pressionar a balança comercial nas próximas leituras.”

Luís Afonso Lima, chefe de pesquisa da Mapfre Investimentos, afirmou que a conta comercial continuará sob pressão até o fim do ano. “Este é geralmente o período em que o PIB é mais forte, e a indústria importa mais para atender à demanda de final de ano”, explicou.

No campo financeiro, ele observou que a natureza das saídas de capital mudou. “Em 2024, os investidores estrangeiros saíram. Este ano, são os brasileiros enviando dinheiro para o exterior. Estrangeiros até estão voltando, enquanto locais investem mais fora.”

Lima citou dois possíveis motivos: maior acesso a investimentos no exterior por meio de plataformas bancárias e a valorização do real. “A ideia é que o dólar mais barato apresenta oportunidade. O que antes era mais caro agora é mais acessível, estimulando a diversificação de portfólio.”

De Marchi concordou e acrescentou uma terceira explicação: mudança geracional. “Houve troca de lideranças empresariais e na gestão de patrimônio nos últimos anos. Os novos decisores estão mais informados e entendem a importância de diversificar e internacionalizar ativos.”

Apesar dos riscos de saída de capital, economistas apontam dois fatores que podem reduzir a pressão em dezembro: apostas online e repatriação de lucros.

A regulamentação das apostas online resultou em mais dinheiro permanecendo no Brasil, apoiando os fluxos no último trimestre.

Quanto à repatriação de lucros, Kotinda afirmou que a atividade econômica mais fraca pode levar empresas a enviar menos recursos para o exterior. “No final de 2024, as empresas tiveram lucros maiores e enfrentaram mais incerteza, então maximizaram transferências como precaução. Este ano, a atividade não surpreendeu tanto, e os cenários doméstico e global estão menos pressionados pelo risco.”

FONTE: Valor International
IMAGEM: Ana Paula Paiva/Valor

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Exportação

Sistema para devolução de tributos pagos por pequenos exportadores já está disponível

Pedidos poderão ser apresentados para compensar o pagamento de tributos federais ou obter o ressarcimento em dinheiro

Micro e pequenas empresas exportadoras, inclusive as optantes pelo Simples Nacional, poderão, a partir desta terça-feira (14/10), apresentar pedidos para devolução de tributos pagos na cadeia produtiva de suas vendas externas, no âmbito do Programa Acredita Exportação.

“A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa e ganhem escala. Com o Acredita Exportação, o governo devolve parte do impostos pagos na cadeia de insumos do produto exportado, aumentando a competitividade dessas empresas no mercado internacional”, garantiu o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin. 

A medida representa um passo importante na redução de custos e no estímulo à competitividade das empresas de menor porte no comércio exterior, antecipando efeitos positivos da reforma tributária sobre a desoneração das exportações.

“O objetivo do governo federal é aumentar a competitividade das micro e pequenas empresas no mercado internacional e ampliar a base exportadora do país”, afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

Crescimento dos pequenos exportadores

Em 2024, o Brasil registrou 11.432 pequenas empresas exportadoras, equivalentes a 39,6% do total de empresas exportadoras do país. Em 2014, eram 5.381, representando 28,6%, o que demonstra a crescente presença dos pequenos negócios nas vendas externas.

A devolução, equivalente a 3% do valor das exportações, poderá ser utilizada para compensar tributos federais vencidos ou vincendos ou ainda obter o ressarcimento dos valores em dinheiro. O primeiro período de referência para a solicitação será composto pelas vendas externas realizadas entre 1º de agosto e 30 de setembro de 2025.

Para operacionalizar a medida, o sistema de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi atualizado e passará a receber e processar automaticamente os pedidos de compensação ou ressarcimento.

“Não havia mecanismo de recuperação de tributos relacionados à cadeia de exportação para micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional. Com a mudança, oferecemos um benefício essencial neste momento de transição para o novo modelo tributário”, destacou Renato Agostinho, diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior do MDIC.

Segurança e transparência

De acordo com a Receita Federal, a transmissão da Declaração de Compensação extingue, em princípio, o débito tributário. No entanto, para evitar fraudes, o órgão tem prazo de até cinco anos para homologar os pedidos, podendo reverter compensações que não atendam às exigências legais. A medida foi anunciada em julho de 2025 pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante a sanção do Programa Acredita Exportação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o ministro destacou que a iniciativa corrigia uma distorção histórica e que era “mais um impulso importante para aumentar a competitividade e ampliar a base de empresas exportadoras brasileiras”.

>> Mais informações no SISCOMEX 

FONTE: MDIC
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Comércio Exterior

Comércio exterior da China cresce 4% em 2025 e reforça liderança global

As exportações subiram 7,1% em relação ao ano anterior.

Crescimento sólido nas exportações e diversificação de mercados

O comércio exterior da China manteve um ritmo sólido de crescimento em 2025, com uma alta de 4% no acumulado de janeiro a setembro, totalizando 33,61 trilhões de yuans (cerca de US$ 4,73 trilhões), segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas (GAC) nesta segunda-feira (13).

As exportações chinesas avançaram 7,1% em relação ao mesmo período de 2024, somando 19,95 trilhões de yuans, enquanto as importações registraram uma leve queda de 0,2%, totalizando 13,66 trilhões de yuans. O desempenho confirma a resiliência da economia chinesa, mesmo diante de um cenário internacional instável e marcado por tensões comerciais.


Parcerias estratégicas impulsionam as trocas comerciais

Em entrevista coletiva em Pequim, o vice-administrador da GAC, Wang Jun, destacou que a China vem mantendo crescimento contínuo há oito trimestres seguidos, com expansão de 1,3% no 1º trimestre, 4,5% no 2º trimestre e 6% no 3º trimestre de 2025.

Segundo ele, o fortalecimento das parcerias comerciais com os países que integram a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) foi decisivo. O comércio bilateral com essas nações somou 17,37 trilhões de yuans, uma alta de 6,2%, representando 51,7% do total das trocas internacionais da China.

“A diversificação dos mercados e o investimento em inovação tecnológica nas exportações são elementos-chave para sustentar o comércio exterior diante das pressões externas”, afirmou Wang.


Tecnologia e sustentabilidade lideram exportações chinesas

O avanço das exportações foi impulsionado principalmente pelos bens eletromecânicos, que cresceram 9,6%, totalizando 12,07 trilhões de yuans, o equivalente a 60,5% do total exportado pelo país.

Ganhando cada vez mais protagonismo, a chamada “nova tríade” — composta por veículos elétricos, baterias de íons de lítio e painéis solares — apresentou crescimento de dois dígitos nas exportações. Além disso, produtos sustentáveis, como locomotivas elétricas, também ampliaram sua participação nos embarques.


Importações apresentam sinais de recuperação

Apesar da queda marginal no acumulado do ano, as importações chinesas mostraram sinais de recuperação nos últimos trimestres, com aumentos de 0,3% no segundo trimestre e 4,7% no terceiro. Os destaques ficam por conta de:

  • Petróleo bruto: +4,9%
  • Minérios metálicos: +10,1%
  • Instrumentos de medição e teste: +9,3%
  • Equipamentos de informática e comunicação: +8,9%

O vice-administrador da GAC destacou que esses números refletem o aumento da demanda interna e o dinamismo do setor industrial, além do crescimento no número de empresas ativas no setor: já são 700 mil, 52 mil a mais que no mesmo período de 2024.
Desafios à frente e perspectiva de estabilidade

Wang Jun atribuiu o bom desempenho do comércio exterior à liderança central do Partido Comunista da China e à colaboração entre governos locais e empresas. Segundo ele, o país alcançou um “crescimento quantitativo e qualitativo” em meio a desafios globais.

Ainda assim, ele reconheceu que o ambiente externo permanece desafiador, especialmente diante das incertezas econômicas globais e de uma base de comparação elevada em 2024, exigindo maior esforço para manter o ritmo no último trimestre do ano.

FONTE: Com informações do Global Times.
TEXTO: Redação

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Internacional

Lula viaja à Itália para o Fórum Mundial da Alimentação e reuniões sobre combate à fome

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste sábado (11) rumo à Itália para participar do Fórum Mundial da Alimentação 2025, promovido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Segundo a agenda oficial, Lula deixou o Brasil por volta das 17h, com escala em Cabo Verde, antes de seguir viagem para Roma.

Fórum Mundial da Alimentação celebra 80 anos da FAO

O evento, que ocorre na próxima segunda-feira (13), é o principal encontro anual da FAO e, nesta edição, celebra os 80 anos de criação da organização internacional. A conferência será marcada por atividades comemorativas e pelo reconhecimento de boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável.

A participação de Lula tem caráter simbólico: o Brasil foi recentemente retirado do Mapa da Fome, conforme o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025), divulgado em julho. O feito reforça o papel do país nas discussões globais sobre o tema.

Encontros sobre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Durante a estadia em Roma, o presidente também participará da Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, na sede da FAO. O encontro reunirá ministros, agências da ONU, bancos multilaterais e organizações da sociedade civil, em formato híbrido, para avaliar os avanços da iniciativa criada em 2024.

As discussões incluirão os desdobramentos da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, proposta pela Presidência brasileira da COP30, que será lançada em novembro, durante a Cúpula de Líderes.

Além disso, Lula inaugurará o Mecanismo de Apoio da Aliança Global, que funcionará como secretariado da iniciativa, com sede na FAO e escritórios em Brasília, Adis Abeba, Bangkok e Washington.

Criada a partir de uma proposta da presidência brasileira do G20, a Aliança tem o objetivo de acelerar esforços para erradicar a fome e a pobreza, promovendo redução das desigualdades e ações conjuntas entre países e instituições.

Audiência com o Papa e retorno ao Brasil

Ainda na segunda-feira (13), o presidente Lula será recebido no Vaticano pelo Papa Leão XIV, conforme informou a Santa Sé. O retorno a Brasília está previsto para quarta-feira (15), quando Lula deve se reunir com a equipe econômica para discutir a derrubada da medida provisória do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Após o revés no Congresso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cancelou compromissos nos Estados Unidos para cuidar das articulações sobre o tema. Lula também deverá tratar, na volta, da indicação do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), após o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Economia

Haddad fecha acordo para votação da MP que substitui aumento do IOF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta terça-feira (7) que o governo federal, o Senado e a Câmara dos Deputados chegaram a um acordo para votação da Medida Provisória (MP) que substitui o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Segundo o ministro, as partes envolvidas cederam em pontos-chave, o que deve reduzir em cerca de R$ 3 bilhões a arrecadação prevista para 2026.

O entendimento foi firmado em reunião no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com a participação do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-PE). De acordo com Haddad, os ajustes promovidos tanto pelo Executivo quanto pelos parlamentares permitiram superar as divergências que travavam o avanço da proposta.

“Com os esclarecimentos dados, o calendário deve seguir normalmente, com apoio do governo ao deputado Zarattini”, afirmou o ministro após o encontro.

Ajustes no texto: LCI, LCA e impacto no setor produtivo

Um dos pontos de maior impasse era a tributação sobre Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Inicialmente, o governo queria cobrar impostos sobre esses papéis, mas recuou diante da resistência do setor produtivo, que alertava para os riscos em um cenário de juros elevados.
Com a concessão, a isenção foi mantida. Em contrapartida, Haddad informou que o governo irá reforçar a regulamentação, exigindo que os recursos captados em LCI e LCA sejam efetivamente destinados a operações de crédito ligadas ao agronegócio e ao mercado imobiliário.

Apostas eletrônicas entram no radar

Outro ponto tratado foi a tributação das casas de apostas online (bets). O governo desistiu de aumentar a alíquota, mas incluiu uma compensação: empresas que já atuavam no país antes da regulamentação terão de pagar 30% da receita obtida nesse período.

Queda na arrecadação prevista

A proposta inicial da Fazenda previa arrecadar R$ 20 bilhões com a MP. Após as alterações, a estimativa caiu para R$ 17 bilhões. A redução de R$ 3 bilhões reflete as concessões feitas durante as negociações.

A presença de Haddad no Senado demonstra a urgência do governo em aprovar a matéria. A Medida Provisória precisa ser votada até esta quarta-feira (8) para não perder a validade.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lula Marques/Agência Brasil

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