Indústria

Aço chinês barato pressiona siderurgia no Brasil, derruba preços e fecha altos-fornos

A intensificação da entrada de aço chinês barato no Brasil já provoca impactos diretos na indústria siderúrgica nacional. O setor desligou altos-fornos, reduziu o nível de atividade e suspendeu investimentos bilionários, ao mesmo tempo em que pressiona o governo por tarifas de importação mais altas e busca renegociar o acesso ao mercado dos Estados Unidos, hoje sujeito a imposto de 50%.

Levantamento do Instituto Aço Brasil, divulgado nesta terça-feira (16), aponta que, até novembro, as siderúrgicas instaladas no país cortaram 5.100 empregos e congelaram R$ 2,5 bilhões em investimentos, reflexo do aumento das importações e da queda dos preços internacionais do aço, puxada principalmente pela China.

Altos-fornos desligados e empregos eliminados
De acordo com o Instituto Aço Brasil, quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco minimills foram paralisados ao longo do ano. A retração da demanda por aço produzido no país em 2025 tornou inviável manter essas unidades operando em plena capacidade.

O setor classifica o cenário atual como de concorrência desigual, especialmente diante do aço chinês, que chega ao mercado brasileiro a preços inferiores aos praticados internamente. O resultado imediato é o avanço da capacidade ociosa, o aumento do desemprego e o adiamento de novos projetos industriais.

Importações crescem e alteram o equilíbrio do mercado
A pressão sobre a produção nacional é reforçada pelo salto das importações. A projeção é de que, ao final de 2025, as compras externas de aço bruto avancem 7,5% em relação a 2024, enquanto os aços laminados devem registrar alta de 20,5%.

Até novembro, o Brasil já havia importado 5,4 milhões de toneladas de aço laminado, número muito acima da média anual de 2,2 milhões de toneladas registrada entre 2000 e 2019. Desse total, 64% tiveram origem na China, ampliando a dependência do produto asiático.

Além disso, outras 6,2 milhões de toneladas entraram de forma indireta no mercado nacional, incorporadas a bens como eletrodomésticos, veículos e máquinas, intensificando a concorrência mesmo fora da classificação aduaneira tradicional de aço.

Queda nos preços reforça suspeitas de dumping
A redução agressiva dos preços do aço chinês alimenta suspeitas de dumping. Dados da Platts mostram que a tonelada da bobina a quente da China caiu de US$ 560, em janeiro de 2024, para US$ 454, em novembro de 2025.

Segundo o Instituto Aço Brasil, a queda ocorre no mesmo período em que as margens das usinas chinesas diminuem, indicando vendas abaixo do custo ou do preço interno, prática que distorce a concorrência internacional.

Diante desse cenário, a entidade revisou novamente para baixo a estimativa de produção nacional. A previsão passou de retração de 0,8% para queda de 2,2% em 2025, com produção estimada em 33,1 milhões de toneladas. O consumo doméstico tende a enfraquecer, parcialmente substituído pelo produto importado, enquanto as exportações ganham peso.

Lucro cai e setor pede reforço nas tarifas
No terceiro trimestre de 2025, o Ebitda das siderúrgicas instaladas no Brasil somou R$ 2,8 bilhões, quase metade do registrado no mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda recuou de 12,9% para 7,7%, refletindo a pressão sobre os preços internos.

Em resposta, o governo renovou em maio o sistema de cotas de importação para 16 tipos de aço. Embora 76% desses produtos tenham origem na China, o setor considera a medida insuficiente. Atualmente, as tarifas variam de 9% a 16%, com adicional de 25% sobre volumes que excedem as cotas.

O Instituto Aço Brasil defende uma elevação das tarifas como forma de reequilibrar o mercado, preservar empregos e evitar novas paralisações.

Tarifa de 50% nos EUA amplia desafios externos
Além das dificuldades internas, as siderúrgicas brasileiras enfrentam a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre qualquer tipo de aço importado. A medida afeta especialmente o aço semiacabado, um dos principais itens exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.

Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a estratégia é negociar com o governo de Donald Trump a retomada do sistema de cotas adotado em 2018. Na época, o Brasil podia exportar até 3,5 milhões de toneladas anuais de aço semiacabado aos EUA sem sobretaxa.

A expectativa do setor é que um novo acordo permita a volta desse modelo, mantendo a tarifa elevada apenas para volumes que excedam o limite negociado.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Comércio Exterior, Exportação, Notícias

Decom indica antidumping sobre exportações de polietileno dos EUA ao Brasil

O Decom (Departamento de Defesa Comercial) recomendou a aplicação provisória de medidas antidumping sobre as exportações de resinas de polietileno originárias do Canadá e dos Estados Unidos após verificar dano à indústria doméstica causado pela prática, conforme circular publicada pelo Diário Oficial da União nesta quinta-feira (21).

O órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços recomendou a aplicação de direito provisório, por um período de até seis meses, de US$ 238,49 por tonelada para as exportações de resinas oriundas do Canadá e R$ 199,04 por tonelada para as exportações dos EUA.

“Os direitos recomendados com base na margem de dumping foram calculados aplicando-se redutor de 10% às respectivas margens de dumping calculadas no início da investigação”, segundo a decisão.

A medida visa impedir a ocorrência de dano no curso da investigação, que teve o seu prazo de conclusão prorrogado para 18 meses, considerando que as importações a preços com dumping do produto objeto da investigação continuaram ocorrendo, disse.

A investigação ocorreu a partir do pedido da Braskem, principal fabricante brasileira dos produtos citados nas medidas, protocolado em 31 de julho de 2024.

Segundo o texto, o parecer recomendando a aplicação provisória dos direitos antidumping será encaminhada à Camex (Câmara de Comércio Exterior) que tomará a decisão sobre sua aplicação.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação, Industria, Informação, Inovação, Sustentabilidade, Tecnologia

Montadora de carro da China são alvo de investigação e correm risco!

As importações de veículos no Brasil superaram as exportações pela primeira vez desde 2015, refletindo uma mudança importante no mercado automotivo nacional. Em 2024, foram vendidas 467.000 unidades de carros importados, enquanto as exportações somaram 398.000 unidades. Esse cenário é fortemente influenciado pela entrada de novas montadoras chinesas no mercado brasileiro, como a BYD e a GWM.

O crescimento acelerado das importações de veículos chineses, que aumentaram 317% em 2024, gerou tensões no setor automotivo. Marcas com fábricas no Brasil solicitaram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) uma investigação sobre práticas de dumping por parte das empresas chinesas. Dumping é uma prática de comércio desleal, onde produtos são vendidos a preços mais baixos que os custos de produção, distorcendo a concorrência.

Por que as marcas chinesas estão no centro da investigação?

A investigação mira especialmente as fabricantes BYD e GWM, que juntas venderam 106.000 veículos eletrificados, correspondendo a 60% dos carros eletrificados importados. Isso levanta suspeitas de que essas igrejas possam estar empregando práticas de dumping, algo que a União Europeia já está combatendo com aumentos de tarifas de importação.

As representações dessas empresas no Brasil, no entanto, negam quaisquer irregularidades. A GWM, por exemplo, informa que opera seguindo as normas internacionais de comércio e está expandindo sua produção localmente. A BYD também reafirma seu compromisso com práticas éticas, destacando o investimento em um complexo industrial em Camaçari, Bahia.

Imagem de montadora de carros – Créditos: depositphotos.com / phonlamai

Como o dumping impacta o mercado automotivo brasileiro?

O crescimento das importações a baixos preços pode prejudicar fábricas locais, ameaçar empregos e enfraquecer a indústria nacional. A Anfavea destaca a necessidade de manter uma concorrência justa no mercado, protegendo os interesses não só dos fabricantes, mas também de clientes e concessionárias. Em resposta à crescente pressão, a associação já solicitou ao governo federal a antecipação do aumento do imposto de importação para veículos eletrificados, que poderia subir de 18% para 35% até 2026.

O que esperar do mercado de carros eletrificados no Brasil?

Com a introdução das marcas chinesas e sua oferta competitiva de veículos eletrificados, o mercado brasileiro se prepara para um aumento nas opções de carros sustentáveis. A abertura de fábricas locais por empresas como BYD e GWM pode representar um passo importante para o crescimento da produção nacional e a criação de empregos. Contudo, o resultado da investigação de dumping será crucial para definir o equilíbrio competitivo.

Independentemente dos desafios regulatórios e de competição, o avanço no mercado de carros eletrificados apresenta uma oportunidade significativa para a inovação e sustentabilidade na indústria automotiva. A presença crescente de veículos importados de diversas origens é um sinal do dinamismo do mercado e um incentivo para que os fabricantes locais sigam aprimorando suas ofertas e práticas de forma competitiva.

FONTE: Terra Brasil Notícia
Montadora de carro da China são alvo de investigação e correm risco! – Terra Brasil Notícias

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Indústria de pneus exige aumento de imposto de importação para conter concorrência asiática

O setor de pneumáticos no Brasil está enfrentando uma forte concorrência com a entrada massiva de produtos asiáticos, principalmente da China. Em resposta a essa invasão, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) solicitou ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva que eleve o imposto de importação de pneus dos atuais 16% para 35%.

A proposta, que também conta com o apoio da Federação Nacional da Borracha (Fenabor), está atualmente sob análise técnica na Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo dados da Receita Federal, aproximadamente 50% dos pneus importados da Ásia chegam ao Brasil com preços inferiores ao das matérias-primas usadas para produzi-los. Além disso, praticamente todas as importações são realizadas abaixo do custo de produção industrial, segundo a Anip.

Entre 2017 e 2023, a venda de pneus fabricados no Brasil caiu 18%, enquanto as importações aumentaram 117%. Se compararmos os cinco primeiros meses de 2017 com os de 2024, a queda nas vendas nacionais é de 19%, enquanto as importações registraram um aumento de 229%.

A indústria de pneus acredita que a “invasão” de produtos chineses está colocando em risco não apenas a produção, mas também os empregos locais. Atualmente, o setor emprega cerca de 32 mil trabalhadores diretos e 500 mil indiretos. Entretanto, devido à concorrência desleal, aproximadamente 2.500 funcionários já estão em redução de jornada ou suspensão de contrato, conhecida como lay-off.

  • Produção nacional em declínio
  • Concorrência desleal com preços abaixo do custo
  • Impacto ambiental negativo devido à falta de recolhimento de pneus inservíveis

    Por Que o Setor de Pneus Precisa de Proteção Alfandegária?

    Segundo a Anip, diversos países como Estados Unidos, Europa e México têm adotado medidas de proteção contra a importação desenfreada de pneus asiáticos. Com o Brasil desprotegido, o país acaba se tornando o destino de muitos importadores desses produtos.

    Outros setores também expressam preocupações similares. Por exemplo, as indústrias de aço e automóveis já obtiveram elevações tarifárias para proteger seus mercados internos. Atualmente, a tarifa de importação está em 25%, com uma previsão de aumento gradual até atingir 35% em 2026. No entanto, as montadoras argumentam que essa elevação deve acontecer imediatamente para proteger a indústria nacional de forma eficaz.

    Ameaça ao Meio Ambiente

    Outro aspecto que preocupa a indústria de pneus é o impacto ambiental. Os fabricantes nacionais são obrigados a cumprir metas de recolhimento de pneus inservíveis, que não são biodegradáveis e exigem tratamento adequado. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) revelam que as empresas locais têm um saldo positivo acumulado de 127 mil toneladas de pneus reciclados. Em contraste, os importadores têm um passivo ambiental de 419 mil toneladas de pneus não recolhidos.

    Essa diferença acentua a necessidade de revisar as políticas de importação, garantindo um mercado mais justo e sustentável para as indústrias locais.

    O pedido da Anip encaminhado ao governo é visto como um passo essencial para proteger a indústria nacional, garantir empregos e promover práticas sustentáveis. A decisão final sobre a elevação do imposto está nas mãos do Camex, que deve considerar todos os aspectos econômicos e ambientais envolvidos.

    Nota CNN Brasil:
    Após montadoras, setor de pneus pede ao governo elevação de tarifa contra “invasão“ chinesa | CNN Brasil

    Saiba mais em Terra Brasil Notícias:
    Indústria de pneus exige aumento de imposto de importação para conter concorrência asiática – Terra Brasil Notícias (terrabrasilnoticias.com)

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