Economia

Crescimento econômico da zona do euro continua lento em agosto, mostra PMI

O volume de novos pedidos aumentou pela primeira vez desde maio do ano passado, embora apenas ligeiramente

A economia da zona do euro continuou a expandir em ritmo lento em agosto, com o crescimento mais fraco do setor de serviços compensando a melhora na produção industrial, apesar do primeiro aumento no volume geral de novos pedidos desde maio do ano passado, mostrou uma pesquisa nesta quarta-feira.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto do HCOB para a zona do euro, compilado pela S&P Global, subiu de 50,9 em julho para 51,0 em agosto, marcando um pico recorde de 12 meses, mas ainda indicando um crescimento apenas modesto. A marca de 50,0 separa o crescimento da contração.

O volume de novos pedidos aumentou pela primeira vez desde maio do ano passado, embora apenas ligeiramente, já que a demanda interna compensou a queda dos pedidos de exportação, que diminuíram pelo ritmo mais rápido desde março.

“Andar de bicicleta muito devagar pode fazer você tombar. Esse é o risco que a zona do euro enfrenta. Sim, a economia vem crescendo desde o início do ano, mas o ritmo é dolorosamente lento”, disse Cyrus de la Rubia, economista-chefe do Hamburg Commercial Bank.

“As tensões políticas na França e na Espanha, a incerteza em torno do acordo comercial entre a UE e os EUA e os problemas contínuos no principal setor automotivo não estão ajudando.”

A UE e os EUA fecharam um acordo comercial no final de julho, mas apenas a tarifa básica de 15% foi implementada até o momento.

O setor de serviços viu o crescimento desacelerar para um ritmo marginal, com seu PMI caindo para 50,5 em agosto, em comparação com a máxima recorde de quatro meses de 51,0 registrado em julho.

O setor industrial apresentou o seu aumento de produção mais forte em quase três anos e meio, proporcionando um ponto positivo.

O crescimento geral do nível de emprego acelerou, atingindo um pico recorde de 14 meses, com as empresas de serviços aumentando o número de funcionários, enquanto as fábricas continuaram a reduzir o quadro de pessoal.

Entretanto, as pressões sobre os preços se intensificaram em agosto, com os custos de insumos aumentando pelo ritmo mais rápido desde março e as empresas elevando seus preços pela taxa mais acentuada em quatro meses, o que pode complicar as perspectivas de inflação do Banco Central Europeu.

A inflação geral no bloco subiu um pouco em agosto, para 2,1%, permanecendo em torno da meta de 2% do BCE e, provavelmente, reforçando as expectativas de que as taxas de juros permanecerão inalteradas no curto prazo.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia, Importação

Governo Federal prorroga alíquota de importação da borracha natural até 2027

Em reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Governo Federal aprovou a prorrogação, por mais 24 meses (até agosto de 2027), da alíquota de 10,8% aplicada à importação de borracha natural pelo Brasil. A decisão atende a demandas de produtores e entidades representativas do setor, como a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (APABOR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A medida fortalece a política comercial brasileira ao proteger a indústria nacional da concorrência de países do Sudeste Asiático, reduzir impactos sobre a heveicultura e incentivar a produção interna, contribuindo para maior equilíbrio de mercado.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (SPA/Mapa), Guilherme Campos, destacou a importância da decisão para a valorização da borracha nacional promovendo o desenvolvimento e autossuficiência do setor. “Foi mantida a alíquota de 10,8% que já estava em vigor, por mais dois anos, protegendo o produtor nacional da concorrência predatória praticada, sobretudo, por países da Ásia. Essa é uma ação estratégica, que dará mais segurança e previsibilidade ao produtor brasileiro,” afirmou.

Ele ressaltou ainda os efeitos socioeconômicos da medida. “A heveicultura é uma atividade intensiva em mão de obra, que contribui para a fixação do trabalhador no campo e assegura boa remuneração. Com essa decisão, fortalecemos o setor, ampliamos as perspectivas de emprego e renda e estimulamos investimentos em plantações sustentáveis,” completou.

A prorrogação da alíquota contribui diretamente para a valorização da produção nacional, garantindo melhores condições de preço ao produtor brasileiro e estimulando a produção interna até alcançar a autossuficiência. Atualmente, ainda há uma dependência de 40% a 50% da borracha importada para atender à demanda do país.

Segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (SCRI), o Brasil produz em média mais de 370 mil toneladas anuais de borracha natural. São Paulo responde por mais de 60% desse volume, seguido por estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Espírito Santo. Nos últimos cinco anos, a produção nacional supriu, em média, 57% da demanda interna. No mesmo período, os principais fornecedores externos foram Indonésia, Tailândia, Costa do Marfim e Malásia.

Com a prorrogação, o Governo Federal espera ampliar a renda dos produtores, estimular a expansão das áreas cultivadas e avançar rumo à autossuficiência. A decisão também está alinhada ao Plano Nacional de Fomento à Borracha Natural, que promove a bioeconomia, incentiva práticas sustentáveis e reforça a competitividade do setor.

Leia a deliberação em: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/camex/outros-documentos/deliberacoes/deliberacoes-da-228a-reuniao-ordinaria-do-comite-executivo-de-gestao-gecex

Fonte: Informativo dos Portos

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Economia

Perda de fôlego do PIB reflete um Brasil com instituições mais maduras para equilibrar economia

O crescimento da economia brasileira no segundo trimestre foi próximo ao esperado pelos analistas e confirma um quadro ainda inicial de desaceleração econômica. Após expansão de 3,4% em 2024, o número divulgado é compatível com uma projeção de 2,2% neste ano.

O menor ritmo de crescimento é bem-vindo. A expansão gerada pelo aumento do gasto públicos nos dois últimos anos, que produz efeitos defasados por meio do aumento da poupança das famílias e do baixo desemprego, fez a economia crescer acima de sua capacidade.

Alguns indicadores clássicos confirmam o excesso de demanda. O IPCA saiu de um patamar de 3,7% em abril de 2024 para 5,0% em agosto deste ano. Neste mesmo período, o déficit em conta-corrente saltou de níveis próximos a 1,0% do PIB para valores ao redor de 4,0%.

A experiência da última década ensina que o acúmulo de desequilíbrios não é boa notícia. Crescer mais que o potencial leva a gargalos e distorções que tornam a economia vulnerável a choques. O resultado costuma ser desacelerações mais intensas e descoordenadas, um padrão latino-americano conhecido como ciclos de euforia e colapso.

A novidade do atual momento é que o País avançou institucionalmente. A independência do Banco Central ajuda a proteger a economia das escolhas de governos guiadas pelo cálculo político e eleitoral de curto prazo, suavizando o ciclo de negócios e trazendo maior estabilidade e previsibilidade.

A ação do Banco Central, porém, não ocorreu sem esforço. Com exportações em alta, safra recorde de grãos e estímulos fiscais sustentando a renda, foi preciso que a taxa básica de juros alcançasse seu maior patamar em duas décadas, encarecendo o crédito em um momento de famílias endividadas. O resultado é um crescimento desigual, punindo mais os setores cujas vendas dependem de financiamento.

O PIB do segundo trimestre conta esta história. Sem a ajuda sazonal da agropecuária, as aberturas de serviços e indústria confirmam um crescimento mais moderado. Pela ótica da demanda, consumo e investimento já sentem os efeitos do aperto no crédito.

Este quadro não é uma surpresa. Ao contrário do observado após 2022, quando o erro anual médio das projeções de PIB superou incomuns 2 pontos porcentuais, o número deste ano deverá ficar próximo aos 2,0% inicialmente estimados.

A leitura do PIB, portanto, não se restringe apenas à economia. A perda de fôlego no crescimento reflete um país institucionalmente mais maduro, com instrumentos para administrar a economia durante os ciclos políticos e evitar a repetição dos erros do passado.

Fonte: Estadão

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Agricultura, Economia, Exportação

Brasil fecha acordo com Japão para exportar produtos de gordura animal

Produtos são usados na fabricação de ração animal e pet food

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou nesta terça-feira (2) ter concluído negociação tarifária com o governo do Japão para exportação de produtos à base de gordura de aves, suínos e bovinos.

Esses produtos são usados na fabricação de ração animal e “pet food”. De acordo com o ministério, a autorização “amplia a presença brasileira em um dos mercados mais exigentes do mundo”.

O Brasil já é um dos maiores fornecedores de soja e milho para o mercado japonês. 

Com 125 milhões de habitantes, o Japão é a terceira maior economia do mundo e o 7º destino dos produtos agrícolas brasileiros em 2024. As exportações para os japoneses totalizaram US$ 3,3 bilhões no ano passado. De janeiro a julho de 2025, as vendas já somaram US$ 1,8 bilhão.

No total, 422 novos mercados foram abertos para os produtos agropecuários brasileiros no atual governo.

Fonte: Agencia Brasil

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Economia

PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, mostra IBGE

Economia brasileira atinge maior patamar da série histórica

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do ano. Com esse resultado, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. 

Em relação ao segundo trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%, respectivamente.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o instituto, o PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões.

A variação positiva no trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de 2021 (-0,6%).

Setores

O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).

Pelo lado da oferta, as expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da agropecuária (-0,1%). O consumo das famílias cresceu 0,5%, enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%.

Os serviços e consumo das famílias atingiram patamares recordes.

Em relação ao segundo semestre de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de 10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.

Freio dos juros

O resultado de 0,4% no trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de 1,3%.

A coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.

“As atividades indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda nos investimentos.”

A pesquisadora explica que o setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.

“Foi uma alta disseminada pelo setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”, descreve.

A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).

A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).

Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.

Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.

Expectativa para 2025

Na segunda-feira (1º) o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de 2,19%. 

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de julho do bimestral Boletim Macrofiscal

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando a economia cresceu 4,8%.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais. 

O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria

Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão. 

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.

O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida. 

Fonte: Agência Brasil

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Economia

BNDES lança fundos para a economia verde

Propostas poderão ser cadastradas até o dia 20 de outubro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, nesta segunda-feira (1º), um edital público para selecionar fundos de investimento estruturados para projetos de descarbonização de processos industriais, transição energética, infraestrutura para adaptação climática, tecnologia para agricultura verde, restauração ecológica, reflorestamento e conservação de florestas com orçamento de até R$ 5 bilhões.

O BNDES prevê cerca de R$ 13 bilhões de capital privado para a iniciativa, alcançando um volume total de R$ 18 bilhões em investimentos. 

Nos fundos de equity, a participação da BNDespar no capital comprometido será de até 25%, com a subscrição de cotas no valor de até R$ 1 bilhão por fundo na modalidade de transformação ecológica e de até R$ 500 milhões na modalidade de soluções baseadas na natureza. 

Os fundos de crédito terão participação da BNDespar de até 50% do capital, com limite de aporte de até R$ 500 milhões por fundo, independente da modalidade.

A Chamada de Clima prevê investimentos em dois tipos de fundos, já existentes ou que sejam criados para esse fim: Fundos de Equity e Fundos de Crédito. 

As propostas poderão ser cadastradas até o dia 20 de outubro e podem incluir investidores estrangeiros. O resultado será divulgado em janeiro de 2026.

Serão selecionados até cinco fundos de equity, totalizando até R$ 4 bilhões em aporte do BNDES, sendo até três na Modalidade de Apoio de Transformação Ecológica (transição energética, ecológica, tecnologia para agricultura verde e descarbonização) e até dois na Modalidade de Apoio de Soluções Baseadas na Natureza (reflorestamento, agroflorestas, manejo florestal sustentável, silvicultura regenerativa, preservação e recuperação de ecossistemas e biodiversidade). 

Nos Fundos de Crédito, serão selecionados até dois fundos nas duas modalidades, somando aporte do Banco de até R$ 1 bilhão.

“Essa é a maior chamada pública voltada a fundos da história do BNDES. Com foco em mitigação climática, reforça o compromisso histórico do banco e do governo do presidente Lula com a sustentabilidade ambiental”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Ele lembrou ainda que com essa iniciativa, o banco se posiciona como investidor-âncora, “induzindo a participação de investidores privados em setores estratégicos para o desenvolvimento sustentável, para agenda climática e para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, além de contribuir com o desenvolvimento do mercado de capitais no país”.

Fonte: Agência Brasil

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Economia

PIB do 2º tri deve mostrar economia desacelerada, com impacto dos juros e incertezas

Indicadores antecedentes, incluindo dados mais fracos de produção, volume de serviços e índices de confiança, reforçam a visão de uma economia em trajetória mais moderada

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do 2º trimestre, nesta terça-feira (2), deve mostrar uma desaceleração significativa em relação ao desempenho forte do início do ano.

O quadro geral estimado por economistas e instituições financeiras é de que o freio dos juros altos, somado às incertezas globais com as tarifas recíprocas de Donald Trump, começam a repercutir na atividade econômica, reduzindo gradualmente o crescimento até o fim do ano.

As projeções apontam que o PIB do 2º trimestre terá alta de 0,3% sobre o trimestre anterior, e de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado, após avanço de 1,4% no 1º trimestre, de acordo com o ASA Investimentos e o Banco Pine. O Banco Daycoval estima crescimento de 0,5% e 2,4%.

“Todo o avanço da economia em 2025 deve ficar concentrado no primeiro semestre, diante do impacto prolongado das condições financeiras restritivas e do ambiente global mais incerto sobre a atividade doméstica”, avalia Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine.

A análise do Daycoval destaca um risco de baixa na indústria da transformação, que deve registrar atividade mais fraca, e no varejo, afetando o consumo das famílias.

Os riscos de alta vêm de uma possível resiliência do setor automotivo e dos efeitos indiretos da safra sobre os transportes e logística.

Oferta

Pelo lado da oferta, a agropecuária, que impulsionou o crescimento no início do ano com a supersafra de 2025, deve perder fôlego no 2° trimestre pela sazonalidade do efeito, avalia o economista Leonardo Costa, do ASA. “O quadro sugere que a economia entrou em trajetória mais moderada de crescimento após o impulso inicial da safra”, afirma.

O Banco Pine destaca que a agropecuária retraiu -1,7%, após registrar forte avanço trimestral no período anterior, com alta de 12,2%. Para o Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval, o agro deve trazer dados positivos, mas com viés de desaceleração.

Na indústria, Costa projeta desaceleração, como já mostraram os dados setoriais do IBGE. Em junho, a produção industrial teve alta de 0,1%, na comparação com o mês anterior e queda de 1,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os números vieram abaixo da projeção, que era de 0,4% na base mensal e de 0,6% na base anual.

Indicadores antecedentes, incluindo dados mais fracos de produção, volume de serviços e índices de confiança, reforçam a visão de uma economia em trajetória mais moderada, de acordo com Oliveira.

Demanda

A ótica da demanda traz um destaque negativo para a formação bruta de capital fixo. A projeção do Banco Pine é de que os investimentos devem recuar 2,3% no trimestre — o primeiro recuo após seis trimestres consecutivos de expansão.

Essa queda está associada a uma taxa de juros real elevada e ao aumento das incertezas no cenário global, que desestimularam o investimento, avalia Oliveira.

O consumo das famílias, em especial nos bens sensíveis ao crédito, e os gastos do governo devem, por sua vez, continuar em leve crescimento – projetado em 0,3% –, acompanhado também por um recuo das importações (-1,8%) e uma pequena melhora nas exportações (0,7%), na projeção do Pine.

Projeções

De acordo com Oliveira, se as estimativas estiverem corretas, o carregamento estatístico para o restante do ano será de 2,4%.

No terceiro trimestre, a estimativa é de crescimento de 0,1% comparado ao segundo tri, projeta o Pine, que vê um fechamento gradual do hiato do produto devido à política monetária restritiva.

“A maior parte das simulações mostra que entre o 3T e 4T de 2026 o hiato estará próximo da neutralidade sem provocar retração severa da economia brasileira”, aponta o relatório do Pine.

Nas projeções do Daycoval, o PIB do terceiro trimestre deve fechar com alta de 0,1%, seguido por recuo -0,1% no quarto tri. A projeção anual é de PIB fechando 2025 em 2,2% 1,9% em 2026.

Para a instituição, o recuo no hiato do produto e nas expectativas de mercado para o IPCA abrem espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de corte de juros ainda no último trimestre de 2025.

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Economia, Finanças, Tributação

Dólar cai e Bolsa bate recorde com Tarcísio de Freitas e PIB dos EUA

Na véspera, dólar terminou o dia em baixa de 0,32%, cotado a R$ 5,416. Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 1,04%, aos 139 mil pontos

O dólar operava em queda nesta quinta-feira (28/8), em um dia no qual os investidores monitoram dados sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos no segundo trimestre deste ano e repercutem os resultados financeiros da Nvidia, gigante norte-americana na fabricação de chips para computadores e dispositivos móveis.
No cenário doméstico, as atenções se voltam a dados como o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de agosto, à pesquisa de confiança do setor de serviços e à reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa de um evento sobre os 5 anos do Open Finance, em Brasília.

Dólar

  • Às 14h49, o dólar caía 0,24%, a R$ 5,404.
  • Mais cedo, às 13h01, a moeda norte-americana recuava 0,11% e era negociada a R$ 5,411.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,432. A mínima é de R$ 5,397.
  • Na véspera, o dólar terminou o dia em baixa de 0,32%, cotado a R$ 5,416.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,29% em agosto e de 12,35% frente ao real em 2025.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão.
  • Às 14h53, o Ibovespa disparava 1,74%, aos 141,6 mil pontos.
  • Na pontuação máxima do pregão até aqui, o indicador bateu 142.138,27 pontos, novo recorde intradiário.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,04%, aos 139,2 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 4,61% no mês e de 15,73% no ano.

Tarcísio à frente de Lula

O Ibovespa sobe impulsionado pela divulgação de uma pesquisa eleitoral que mostrou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno em eventual disputa pelo Palácio do Planalto.

De acordo com um levantamento divulgado pela AtlasIntel, Tarcísio – apontado como o nome preferido por grande parte do mercado financeiro para as eleições de 2026 – teria 48,4% das intenções de voto em uma suposta disputa contra Lula, que ficaria com 46,6%.

A pesquisa também mostrou que a aprovação de Lula voltou a cair após um período de recuperação, indo de 50,2% para 47,9%. A desaprovação é de 51%, ante 49,7% do levantamento anterior.

Por volta das 10h30 (pelo horário de Brasília), o Ibovespa subia 1%, aos 140,6 mil pontos. Pouco antes das 11 horas, o Ibovespa avançava 1,53%, aos 141,3 mil pontos.

Até então, a máxima histórica intradiária (durante o pregão) havia sido alcançada no dia 4 de julho deste ano, com 141.264 pontos.

Nova leitura do PIB dos EUA

O principal destaque desta quinta-feira foi a divulgação da segunda leitura sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA referente ao segundo trimestre de 2025.

No período entre abril e junho deste ano, a maior economia do mundo registrou alta de 3,3%, segundo dados do Departamento do Comércio do governo norte-americano.

Divulgada no mês passado, a primeira leitura dos dados havia apontado um crescimento um pouco menor, de 3%.

O resultado veio em linha com as estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 3,2% no segundo trimestre.

No primeiro trimestre deste ano, o PIB dos EUA recuou 0,5%.

Balanço da Nvidia, gigante dos chips

A Nvidia, gigante norte-americana na fabricação de chips para computadores e dispositivos móveis, viu suas ações caírem na noite dessa quarta-feira (27/8), nas negociações após o fechamento do mercado nos EUA (o chamado “after market”).

Na divulgação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre deste ano, a companhia informou que não fechou nenhuma venda do seu chip de inteligência artificial H20 para clientes da China no período, acusando o golpe em meio à guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em abril, Trump havia proibido a comercialização desse tipo de produto para os chineses. O republicano, contudo, recuou neste mês, mas parcialmente. Ele liberou a venda mediante o repasse de 15% da receita obtida pela empresa com o comércio desses semicondutores com clientes na China.

No balanço, no entanto, a Nvidia reportou lucro líquido de US$ 26,4 bilhões no segundo trimestre, montante que representou um crescimento de 59% em relação ao mesmo período do ano passado. O ganho por ação diluído ajustado foi de US$ 1,05, superando o consenso do mercado, que previa US$ 1,01.

Apesar do resultado, as ações da empresa caíram. Elas chegaram a baixar 5% “no after market”. A queda nos papéis da Nvidia fez com que a companhia perdesse cerca de US$ 110 bilhões em valor de mercado.

Antes da abertura das bolsas de valores nos EUA, nesta quinta-feira (28/8), as ações da empresa recuavam cerca de 1,8%, por volta das 8h40 (pelo horário de Brasília).

Diante dos números divulgados pela empresa, o mercado também ficou com um pé atrás para os dados do segmento de data centers, que inclui chips e sistemas voltados para computação de inteligência artificial. Esse setor registrou receita de US$ 41,1 bilhões, alta de 56% sobre o ano anterior, mas ficou abaixo dos US$ 41,3 bilhões aguardados por analistas.

Além disso, a empresa projetou que as vendas no terceiro trimestre fiscal (até outubro) devem ficar em cerca de US$ 54 bilhões. Parte do mercado, previa US$ 60 bilhões. Essa divergência provoca especulações sobre uma eventual diminuição no ritmo de investimentos de empresas na área de inteligência artificial, que tem sido massivo até aqui.

Fonte: Metrópoles

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Economia

Taxa de juros deve ficar alta por período prolongado, diz Galípolo

Para o presidente do Banco Central, é difícil explicar como o país continua crescendo com uma Selic em patamar tão restritivo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira (27), em São Paulo, que a taxa básica de juros (Selic) no Brasil deve permanecer em patamar elevado por um longo período. Atualmente, a taxa está estabelecida em 15% ao ano.

Ao participar do 33º Congresso & Expo Fenabrave, na SP Expo, na capital paulista, Galípolo lembrou que é função do Banco Central trabalhar para que a inflação fique sempre dentro da meta, mas ressaltou que esse tem sido um processo lento e que, por isso, a Selic precisa ser mantida em um campo ainda bastante restritivo.

“Estamos em um cenário de ter descumprido a meta [de inflação] duas vezes – no final de 2024 e meados de 2025 – e com expectativas e projeções do mercado e do Banco Central que apontam que essa convergência está se dando de uma maneira lenta para a meta de inflação. É isso que tem demandado uma política monetária mais restritiva, que busca justamente fazer essa convergência para a meta”, disse.

O Copom definiu 3% como a meta a ser perseguida para a inflação do país, podendo variar 1,5% para cima ou para baixo.

“A Selic é o quanto que o dinheiro se valoriza no tempo. A inflação é o quanto o dinheiro perde valor no tempo. Em um processo de elevação da inflação, você vê a meta escapar e, simultaneamente, ficar menos apertada a política monetária, que deveria justamente estar apertada para perseguir a meta. Por isso tem essa regra de que, quando o Banco Central começa a subir os juros em um processo onde a inflação está subindo, o BC precisa subir mais do que a inflação está subindo. Se a inflação está subindo, significa que a taxa de juros não está restritiva o suficiente para produzir a convergência da inflação para a meta. Se ela não está restritiva o suficiente e está caindo, preciso subir ela mais do que a inflação está subindo”, detalhou.

Crescimento do país

Durante o evento, Galípolo ressaltou que é difícil explicar como o Brasil continua apresentando crescimento apesar de ter uma taxa básica de juros tão restritiva.

Uma das explicações possíveis para isso, de acordo com o presidente do BC, seria a renda. Segundo ele, a política tributária mais progressiva, aliada a programas de distribuição de renda, poderiam estar contribuindo para que as pessoas gastem e consumam mais, aumentando o dinamismo da economia.

“O que parece ter acontecido é que a renda tem se mostrado bastante resiliente. Estamos com o nível de desemprego mais baixo da série histórica, batendo 5,8%, dessazonalizado 5,7%, que é o menor nível de desemprego da série histórica. E estamos com o nível mais alto de renda do trabalhador. Então, mesmo com uma taxa de juros restritiva, a gente segue mostrando uma resiliência no mercado de trabalho, bastante forte, o que deve estar puxando uma demanda mais forte”, afirmou.

Fonte: Canal Rural

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Comércio Exterior, Economia, Importação, Informação

Brasil aplica medida antidumping em importações de resinas de polietileno dos EUA e do Canadá

O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu nesta quarta-feira, 27, pela aplicação de antidumping provisório, por até seis meses, sobre as importações de resinas de polietileno dos Estados Unidos e do Canadá.

O órgão deliberou sobre temas envolvendo defesa comercial, reduções tarifárias e importação de resíduos sólidos, entre outros assuntos.

Ainda na área de defesa comercial, foi aprovada a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de folhas metálicas de aço carbono da China e de fibras de poliéster de China, Índia, Tailândia e Vietnã.

“Todos os casos promovem a proteção da indústria nacional contra o comércio desleal”, disse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em nota.

O Gecex aprovou ainda a imposição de limites à importação de itens relativos a papel e vidro, a partir de valores propostos pelo Fórum Nacional de Economia Circular e pelo Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis.

Na mesma reunião, foram aprovadas reduções tarifárias para sete produtos, dentre eles insumos para a indústria de saúde, cujas alíquotas do imposto de importação foram zeradas. Segundo o comitê, isso deverá gerar impactos positivos aos consumidores nacionais.

Foram igualmente reduzidas a zero as alíquotas de importação para diversos produtos de Bens de Capital e de Telecomunicações e Informática, na modalidade de Ex-tarifário, a fim de aumentar os investimentos no País e na inovação do parque fabril nacional.

Medidas pós-tarifaço

Também foi alterada a Resolução Gecex nº 633/2024, que trata do Seguro de Crédito à Exportação, no contexto dos atos normativos do Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada para mitigar os prejuízos decorrentes das tarifas aplicadas pelo governo dos EUA às exportações brasileiras.

O objetivo da mudança na resolução é incluir no regramento a observância da Política de Subscrição de Riscos do Fundo Garantidor de Exportações (FGCE), adaptando as regras de financiamento de exportações às novas diretrizes legislativas.

Fonte: Msn Estadão

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