Comércio

Amazon aposta em loja big box omnichannel para ganhar escala no varejo físico

Nova loja será a maior da história da empresa
A Amazon anunciou a abertura da maior loja física de sua história, apostando no modelo de big box omnichannel para ampliar sua presença no varejo tradicional. O empreendimento será instalado no subúrbio de Chicago, nos Estados Unidos, e contará com 21 mil metros quadrados de área de vendas.

O tamanho supera com folga as lojas do Walmart, que têm média de 16 mil m², e equivale a quase duas unidades de porte médio da Target, segundo informações do The Wall Street Journal.

Estrutura integra supermercado e fulfillment
O projeto prevê a divisão do espaço em duas grandes áreas. Cerca de 50% da loja será dedicada à venda de alimentos e itens de consumo recorrente, como fraldas, papel toalha e refeições preparadas na hora. A outra metade funcionará como um centro de fulfillment, voltado ao atendimento de pedidos online e compras realizadas dentro da própria loja.

A proposta é integrar de forma fluida o varejo físico e o comércio eletrônico, combinando conveniência, logística e experiência de compra.

Tentativa de ganhar força em um mercado dominado por rivais
A iniciativa marca mais uma tentativa da Amazon de conquistar espaço no varejo físico, segmento que ainda responde por cerca de 80% das compras dos consumidores americanos e é dominado por redes como Costco, Target e Walmart.

Nos últimos anos, a empresa reduziu sua presença em formatos menores, com o fechamento de dezenas de lojas Amazon Fresh, Amazon Style e mais da metade das unidades Amazon Go, modelo automatizado que utiliza sensores e câmeras com inteligência artificial para identificar produtos e cobrar diretamente pelo aplicativo.

Experiência integrada entre loja e digital
Apesar de ainda não divulgar muitos detalhes operacionais, a Amazon teve o projeto aprovado pela prefeitura de Chicago há duas semanas. Em reunião com autoridades locais, a advogada Katie Jahnke Dale, que representa a empresa, afirmou que a loja foi desenhada para atender às novas exigências dos consumidores do varejo.

Segundo ela, clientes poderão combinar compras presenciais e pedidos digitais. Um consumidor que encontrar um produto, como um suéter, mas desejar outra cor, poderá fazer o pedido em um quiosque digital e retirar o item no caixa, junto com as compras de supermercado.

Também será possível solicitar que produtos pesados, como sacos de ração para animais, sejam levados diretamente até o carro do cliente.

Amazon descarta uso como centro de distribuição
A empresa reforçou que o espaço não será um centro de distribuição tradicional. A área operacional ampliada nos fundos da loja tem como objetivo separar as operações online das presenciais, garantindo eficiência logística sem comprometer a experiência do consumidor.

A Amazon iniciará nas próximas semanas a demolição do restaurante que ocupava o terreno e planeja abrir a loja no próximo ano.

Modelo pode ser replicado em outras cidades
De acordo com o Wall Street Journal, a companhia avalia abrir outras lojas com o mesmo formato em diferentes cidades dos Estados Unidos, embora os locais ainda não tenham sido divulgados.

Analistas veem mais coerência estratégica nessa abordagem. Para um especialista da Baird, o formato big box dialoga melhor com o posicionamento da Amazon como marketplace de massa. Já um analista da GlobalData avalia que o sucesso dependerá da capacidade da empresa de convencer o consumidor a migrar compras hoje feitas em redes consolidadas.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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Frete no e-commerce brasileiro se torna decisivo e muda estratégia das lojas online

O frete no e-commerce passou de item operacional a fator determinante na decisão de compra do consumidor brasileiro. Em um cenário de alta concorrência entre marketplaces, aplicativos e redes sociais, a disposição para pagar mais pela entrega é cada vez menor — mesmo que isso signifique esperar mais tempo pelo produto.

Consumidor prefere esperar a pagar mais pela entrega

Dados da pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostram que 51% dos consumidores nunca aceitam pagar mais para receber pedidos com maior rapidez. Outros 37% pagam apenas em situações específicas, enquanto apenas 12% estão dispostos a arcar com custo adicional pela agilidade.

O recado do consumidor é direto: prazo maior é aceitável, cobrança extra não.

Frete grátis lidera critérios de escolha

A importância do frete grátis ganhou ainda mais força com a consolidação do comércio eletrônico e a entrada agressiva de plataformas internacionais, como Shopee e Shein. Ao oferecer entregas gratuitas ou de custo muito baixo, inclusive em compras internacionais, essas empresas redefiniram a percepção de valor do consumidor brasileiro.

Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados apontam o frete grátis como o principal fator de decisão, superando preço do produto, formas de pagamento e até a confiança na marca. Mesmo quando o valor final da compra pouco se altera, o custo da entrega é percebido como um gasto indesejado.

Desafio financeiro para o varejo nacional

Para o varejo brasileiro, absorver o custo do frete representa um dos maiores desafios atuais. Margens já pressionadas dificultam a oferta de entrega gratuita, especialmente para pequenos e médios lojistas. Em contrapartida, não oferecer essa opção aumenta o risco de perda da venda ainda no carrinho.

A pesquisa revela que 57% dos consumidores abandonaram compras online nos últimos três meses. Parte relevante dessas desistências está relacionada a custos inesperados de frete e impostos, evidenciando que a falta de transparência pesa tanto quanto o valor cobrado.

Empresas que informam claramente o custo da entrega desde o início da jornada — ou eliminam a cobrança — tendem a registrar maiores taxas de conversão.

Entrega rápida é valorizada, mas com limites

A busca por entrega rápida segue em alta, com consumidores valorizando rastreamento em tempo real e prazos reduzidos, inclusive no mesmo dia. Ainda assim, a expectativa predominante é de que esses serviços estejam embutidos no preço final, seguindo o padrão estabelecido por grandes marketplaces.

Para equilibrar custo e competitividade, o setor tem adotado estratégias como pontos de retirada, entregas ultralocalizadas, parcerias logísticas, campanhas sazonais de frete grátis, programas de assinatura e valores mínimos de compra para isenção da taxa.

O frete no e-commerce deixou de ser um detalhe e passou a definir a escolha — ou a rejeição — de uma loja virtual. O consumidor aceita esperar, mas exige previsibilidade e não tolera pagar além do que considera justo. Para o varejo, adaptar a logística deixou de ser opção e virou condição de sobrevivência.

FONTE: Agora RN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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UE e Índia firmam acordo histórico e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial de grande alcance que cria uma zona de livre comércio envolvendo aproximadamente 2 bilhões de pessoas. O pacto encerra quase 20 anos de negociações e passa a figurar entre os maiores acordos comerciais globais em termos de população e peso econômico.

O entendimento surge em um contexto de instabilidade geopolítica, com o objetivo de reduzir impactos da concorrência chinesa e das tensões geradas pela guerra tarifária dos Estados Unidos.

Acordo representa fatia expressiva da economia global

Antes do encontro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a dimensão econômica do pacto. Segundo ele, o acordo responde por cerca de 25% do PIB mundial e aproximadamente um terço do comércio internacional.

Ursula von der Leyen afirmou que o tratado marca um momento histórico na relação entre os dois blocos, ao estabelecer uma área de livre comércio com potencial de ganhos mútuos em escala global.

Redução de tarifas deve impulsionar comércio bilateral

Os últimos impasses foram resolvidos na segunda-feira, permitindo a conclusão do texto final. A expectativa é de que o acordo estimule o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores estratégicos.

De acordo com Bruxelas, a diminuição das tarifas indianas sobre produtos europeus pode gerar uma economia de até 4 bilhões de euros por ano para empresas da UE. A Alemanha classificou o pacto como um vetor relevante de crescimento econômico e geração de empregos.

Automóveis, vinhos e alimentos entre os setores beneficiados

Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas indianas sobre automóveis europeus cairão de 110% para 10%. No setor de bebidas, a taxa sobre vinhos será reduzida de 150% para 20%.

Já os impostos aplicados a massas e chocolates, atualmente em torno de 50%, serão completamente eliminados, segundo autoridades europeias. A UE avalia que poderá dobrar suas exportações para o mercado indiano, tradicionalmente protegido.

Índia aposta em exportações e modernização

Do lado indiano, o governo espera ampliar as vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, enquanto o setor de serviços somou 60 bilhões de euros, conforme dados oficiais da UE.

Bruxelas vê na Índia uma oportunidade estratégica, diante do mercado de 1,5 bilhão de habitantes e do crescimento econômico acelerado, que atingiu 8,2% no último trimestre.

Índia deve ganhar espaço no ranking das maiores economias

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha. O governo indiano projeta que o país poderá alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia, investimentos e inovação, fundamentais para acelerar a modernização econômica e a criação de milhões de empregos.

Cooperação vai além do comércio

Além do livre comércio, UE e Índia pretendem avançar em acordos sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados, além de cooperação nas áreas de segurança e defesa.

Na área militar, a Índia vem diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da Rússia, enquanto países europeus buscam estratégia semelhante em relação aos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Focus reduz projeção do IPCA 2026 para 4,00% e mantém inflação abaixo do teto da meta

A mediana das projeções do Relatório Focus para o IPCA de 2026 foi ajustada para baixo, passando de 4,02% para 4,00%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central. O patamar está 0,50 ponto percentual abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Há quatro semanas, a estimativa era ligeiramente maior, em 4,05%.

Ao considerar apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o indicador mostrou recuo adicional, de 4,02% para 3,99%, com base em 113 projeções recentes.

Projeções de inflação para 2027 seguem estáveis
Para 2027, o mercado manteve a expectativa de IPCA em 3,80%, resultado que se repete pela 12ª semana consecutiva. A estabilidade também aparece quando são analisadas apenas as 106 projeções revisadas no período mais recente.

Resultado do IPCA 2025 e cenário do Banco Central
O IPCA acumulado de 2025 fechou em 4,26%, conforme dados do IBGE. De acordo com o comunicado da reunião de dezembro do Copom, o Banco Central projeta inflação de 3,5% ao fim de 2026 e espera que o índice em 12 meses atinja 3,2% no horizonte relevante, atualmente situado no segundo trimestre de 2027.

Meta de inflação contínua e compromisso com a convergência
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses seguidos, o BC é considerado fora do alvo, situação registrada após a divulgação do IPCA de junho.

Em novembro, no entanto, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,46%, voltando a ficar abaixo do teto. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central reforçou o compromisso com a convergência ao centro da meta. “O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, destacou a autoridade monetária.

Expectativas para 2028 e 2029 permanecem inalteradas
As projeções do Focus para o IPCA de 2028 seguem em 3,50%, pela 12ª semana consecutiva. Para 2029, a estimativa também permanece em 3,50%, mantendo-se estável há 21 semanas.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: FERNANDA FELTES/Jornal do Comércio

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China consolida Brasil como principal vitrine econômica nas Américas

O avanço da China no Brasil deixou de ser apenas uma relação comercial e passou a influenciar decisões econômicas, políticas e estratégicas em Brasília. Com US$ 171 bilhões em comércio bilateral, investimentos recordes, fábricas de montadoras chinesas e a expansão acelerada de apps e plataformas de e-commerce, o país se tornou o principal eixo da presença chinesa na América Latina.

Esse movimento ganhou força após os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, em julho de 2025, ampliando tensões geopolíticas e empurrando o Brasil para uma aproximação ainda maior com Pequim.

Tarifa dos EUA acelera reposicionamento internacional do Brasil

A sobretaxa americana, somada à tarifa básica de 10%, elevou significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado dos EUA. O impacto extrapolou o comércio e ganhou contornos políticos, com protestos antiamericanos no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026, diante do consulado dos Estados Unidos.

O episódio reforçou a percepção de que decisões comerciais podem gerar efeitos diretos na diplomacia e no debate público, ampliando o espaço da China como parceira estratégica em meio ao protecionismo norte-americano.

BRICS, disputa monetária e pressão estrutural

Como membro fundador do BRICS, o Brasil aparece no centro de um debate mais amplo sobre a ordem econômica global, que envolve críticas à hegemonia do dólar e tentativas de diversificação monetária. Esse pano de fundo fortalece a estratégia chinesa de ampliar influência em mercados-chave, sobretudo em países pressionados por barreiras comerciais.

Nesse contexto, o Brasil surge como prioridade absoluta na América Latina, não apenas por volume de exportações, mas por seu peso político, econômico e simbólico.

Por que o Brasil é prioridade para a China nas Américas

Com mais de 200 milhões de habitantes e uma população majoritariamente jovem, o Brasil é visto como um mercado consumidor de grande escala, capaz de absorver tecnologia, veículos, serviços digitais e bens industriais.

Na lógica chinesa, o país reúne três fatores decisivos: dimensão econômica, potencial de consumo e efeito vitrine para marcas que buscam expansão em um cenário global cada vez mais protecionista.

Comércio bilateral atinge US$ 171 bilhões

Em 2025, o comércio entre Brasil e China alcançou US$ 171 bilhões, impulsionado principalmente por soja, minerais e óleo. A soja, em especial, tornou-se um elemento central da disputa geopolítica, ao substituir fornecedores americanos no abastecimento chinês.

Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 77 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os Estados Unidos venderam cerca de 17 milhões de toneladas no mesmo período. O dado reforça o papel do agronegócio brasileiro como instrumento de poder comercial.

Investimentos chineses batem recorde no Brasil

Os investimentos chineses no Brasil atingiram US$ 4,2 bilhões em 2024, distribuídos em 39 projetos, colocando o país como o terceiro maior destino global desses aportes. A estratégia envolve diversificação setorial, com presença simultânea em indústria, logística, energia, mobilidade e consumo digital.

Esse avanço contínuo transformou marcas chinesas em nomes familiares no cotidiano brasileiro, reduzindo a dependência de um único setor e consolidando uma presença estrutural.

BYD e Great Wall ampliam disputa no mercado automotivo

As montadoras BYD e Great Wall abriram fábricas no Brasil, que figura entre os seis maiores mercados automotivos do mundo. Além da produção local, a BYD anunciou parcerias para qualificar mais de 150 fornecedores brasileiros, ampliando o encadeamento produtivo e o impacto sobre emprego e renda.

A estratégia reforça a percepção de longo prazo da China no país, indo além da simples importação de veículos.

Apps e e-commerce chineses ganham espaço no dia a dia

No setor de mobilidade, a Didi, operando no Brasil como 99, consolidou-se como concorrente direta da Uber. Já no comércio eletrônico, plataformas como Temu, Shein e Alibaba avançam rapidamente, ocupando espaços centrais no consumo cotidiano.

Essa combinação de transporte, entregas e e-commerce faz com que a presença chinesa deixe de ser apenas industrial e passe a integrar a rotina dos consumidores brasileiros.

Energia e infraestrutura reforçam presença de longo prazo

A China também investiu bilhões de dólares em projetos de transmissão de energia elétrica, um tipo de aporte associado a prazos longos e alta dependência técnica. Somados às fábricas, aos apps e às plataformas digitais, esses investimentos ampliam a influência chinesa sobre o funcionamento estrutural do país.

O que muda para Brasília com a China no centro do tabuleiro

O conjunto de dados aponta para uma mudança concreta de incentivos. Comércio recorde, investimentos bilionários, avanço do agronegócio e presença crescente de marcas chinesas reposicionam o Brasil em um cenário global mais polarizado.

Com tarifas elevadas dos EUA, tensões diplomáticas e disputas sobre moeda e blocos econômicos, a China deixa de ser uma opção periférica e passa a ocupar papel central nas decisões econômicas brasileiras, com reflexos diretos sobre indústria, emprego, consumo e infraestrutura.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Mapa conclui missão na Europa com foco em comércio agropecuário e cooperação internacional

Entre os dias 13 e 18 de janeiro, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou missão oficial em Bruxelas, na Bélgica, e Berlim, na Alemanha, com agenda voltada ao acesso a mercados, às negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS), à facilitação do comércio e ao fortalecimento da cooperação internacional.

A missão foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, e integrou a estratégia brasileira de ampliação e consolidação das relações comerciais no setor agropecuário.

Agenda técnica com a União Europeia em Bruxelas

Na capital belga, sede da União Europeia, a delegação contou com a participação dos adidos agrícolas do Brasil, Nilton Morais e Glauco Bertoldo. Foram realizadas reuniões com representantes das diretorias-gerais de Agricultura (DG AGRI) e de Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE).

Entre os temas discutidos estiveram a habilitação de estabelecimentos, a regionalização de enfermidades, a certificação eletrônica, a produção orgânica, além de procedimentos de controle sanitário. Também foram tratados os encaminhamentos do Mecanismo de Diálogo SPS Brasil–União Europeia, previsto para ocorrer no Brasil entre os dias 4 e 6 de março de 2026.

Acordo União Europeia–Mercosul no contexto da missão

A agenda institucional ocorreu em um momento estratégico para as relações comerciais. A missão foi realizada logo após a aprovação do acordo pelo Conselho Europeu e na mesma semana da assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, formalizada em 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo prevê a criação de uma área de livre comércio que envolve mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado estimado em US$ 22 trilhões, figurando entre os maiores acordos bilaterais do mundo. O texto ainda passará por processos de ratificação no Parlamento Europeu e nos legislativos dos países do Mercosul.

Berlim concentra agenda no GFFA e reuniões bilaterais

Na Alemanha, acompanhado do adido agrícola Eduardo Sampaio, o secretário participou do Global Forum for Food and Agriculture (GFFA), realizado em Berlim. Durante o evento, a delegação manteve reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros de países como Alemanha, Índia, Estônia, Portugal, Indonésia, Reino Unido e Equador, entre outros.

Ao todo, foram promovidos mais de 15 encontros com autoridades e representantes de organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a UNIDO, a OCDE e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), com foco em cooperação técnica e institucional.

Destaque para sustentabilidade e bioeconomia azul

Representando o ministro Carlos Fávaro, Luís Rua participou da Conferência de Ministros da Agricultura, onde ressaltou o papel da agropecuária brasileira como fornecedora segura, estável e sustentável de alimentos, fibras e energia para o mercado global.

O secretário também foi orador principal no painel “Blue Foods and the Blue Bioeconomy”, destacando o potencial da aquicultura e da bioeconomia azul como vetores de segurança alimentar, geração de renda e desenvolvimento sustentável.

Diálogo com o setor produtivo alemão

A programação incluiu ainda encontros com representantes do ecossistema produtivo alemão, com destaque para reuniões junto à German Agribusiness Alliance, além de agendas com empresas do setor, como BASF, Syngenta e Bayer, reforçando o diálogo entre o Brasil e a indústria internacional.

Fórum global debate segurança alimentar

Realizado anualmente durante a International Green Week, o GFFA reúne governos, especialistas, setor privado, academia e sociedade civil para discutir segurança alimentar global. Em sua 18ª edição, em 2026, o fórum contou com a participação de mais de 60 ministros da Agricultura, encerrando-se, tradicionalmente, com a Conferência Ministerial.

FONTE: Ministério de Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Priscila Burmann

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Acordo Mercosul-UE impulsiona pedidos de patentes no Brasil

A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) vai além da redução de tarifas e da ampliação do comércio bilateral. A expectativa de especialistas é de que o tratado desperte maior interesse de empresas europeias em registrar patentes no Brasil, fortalecendo o sistema nacional de propriedade intelectual.

Segundo analistas da área, historicamente, a maior parte dos depósitos de patentes no país tem origem estrangeira. Com a integração econômica entre os blocos, esse fluxo tende a se intensificar, especialmente a partir da Europa.

Sistema brasileiro busca retomada de crescimento

Embora o cenário não seja considerado crítico, os números ainda estão abaixo do potencial brasileiro. Em 2025, foram registrados 29,5 mil pedidos de patentes, o melhor desempenho desde 2016. Ainda assim, o resultado é inferior ao pico de mais de 33 mil depósitos alcançado em 2015, em contraste com a tendência global de crescimento contínuo.

Para especialistas, o acordo Mercosul-UE pode contribuir para reverter esse quadro e recolocar o Brasil em uma rota mais alinhada ao movimento internacional de inovação e proteção tecnológica.

Mercado ampliado aumenta atratividade do país

De acordo com Gabriel Leonardos, sócio do Kasznar Leonardos Advogados, a implementação do tratado deve tornar o Brasil mais estratégico para empresas globais. O país passaria a ser visto como uma base industrial capaz de atender um mercado estimado em 700 milhões de consumidores.

A expectativa é de um aumento progressivo dos depósitos de patentes europeias no curto prazo. Em um horizonte mais amplo, Leonardos avalia que companhias de outras regiões também devem buscar proteção no Brasil, reconhecendo a importância do país dentro de cadeias produtivas internacionais.

Previsibilidade regulatória favorece inovação

Na avaliação de João Vieira da Cunha, sócio do escritório Gusmão & Labrunie Advogados, o acordo amplia o alcance dos negócios entre os blocos econômicos. Esse novo contexto torna natural — e até esperado — o crescimento da demanda por proteção patentária no Brasil.

A mesma visão é compartilhada por Marc Hargen Ehlers, sócio do Dannemann Siemsen. Para ele, a maior integração econômica, aliada à redução de barreiras comerciais e ao aumento da previsibilidade regulatória, tende a estimular decisões de longo prazo por parte das empresas europeias.

Setores estratégicos devem liderar novos depósitos

Com o Brasil integrado a uma estratégia regional mais ampla, o depósito de patentes passa a ser essencial para resguardar ativos tecnológicos, viabilizar produção local, além de fomentar licenciamentos e parcerias comerciais.

Ehlers destaca que o movimento deve ser mais intenso em setores como automotivo, químico e petroquímico, farmacêutico, energia, biotecnologia, tecnologias industriais e tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial.

A tendência, segundo ele, é de um crescimento consistente no volume de pedidos de patentes no Brasil, acompanhando o aumento de investimentos produtivos, transferência de tecnologia, fortalecimento das cadeias de suprimento e maior presença industrial estrangeira no país.

FONTE: Conjur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ICL Notícias

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Acordo Mercosul-União Europeia pode elevar PIB do Brasil em 1,5%, aponta Banco Mundial

O acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB do Brasil) em 1,5% até 2035, segundo estudo do Banco Mundial que está em fase final de elaboração. Além de impulsionar a atividade econômica e o comércio exterior, o tratado tende a fortalecer a competitividade das empresas brasileiras, especialmente no setor industrial.

O acordo foi assinado no sábado (17), mas ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos legislativos dos países do Mercosul para entrar em vigor.

Impacto no PIB pode chegar a R$ 400 bilhões

Para mensurar os efeitos do tratado, os autores utilizaram projeções do Ministério da Fazenda que ainda não consideram o acordo. Nesse cenário-base, o PIB brasileiro passaria de R$ 12,7 trilhões em 2025 para R$ 25,2 trilhões em 2035. Com a implementação do acordo, o PIB poderia atingir R$ 25,6 trilhões no mesmo período — um acréscimo de R$ 400 bilhões em relação ao cenário sem o tratado.

Mesmo após 2035, o ritmo de crescimento da economia brasileira continuaria superior ao cenário sem o acordo, ainda que o ganho total de 1,5% não seja imediatamente alcançado.

Segundo José Signoret, economista sênior do Banco Mundial e um dos autores do estudo, deixar de implementar o acordo tem custo direto para o país. De acordo com ele, cada ano sem o tratado representa uma perda equivalente a 1,5% do PIB, efeito que se acumula ao longo do tempo.

Exportações e importações devem crescer de forma significativa

As estimativas indicam que, até 2040, as exportações brasileiras para a União Europeia serão 31% maiores do que seriam sem o acordo. Já as importações provenientes do bloco europeu devem crescer 33% no mesmo horizonte.

Apesar do impacto positivo sobre o comércio, os economistas ressaltam que o aumento do PIB não virá apenas do maior volume exportado. A abertura comercial também deve gerar ganhos internos, ao reduzir tarifas e barreiras não tarifárias que hoje encarecem a produção no Brasil.

Redução de distorções fortalece a indústria

Entre os entraves citados estão barreiras sanitárias, exigências de licenças, autorizações administrativas e medidas antidumping. Esses fatores, segundo o Banco Mundial, dificultam o acesso da indústria brasileira a insumos mais baratos e competitivos, como componentes e bens intermediários.

Com isso, muitas empresas acabam dependendo de fornecedores locais mais caros ou optam pela integração vertical, produzindo internamente insumos que poderiam ser adquiridos a custos menores no mercado internacional.

Mais concorrência pode gerar ganhos de eficiência

De acordo com o estudo, o Brasil ainda é uma economia relativamente fechada, o que limita a exposição das empresas nacionais à concorrência global. Com o acordo, alguns setores industriais podem perder participação no mercado interno para empresas europeias, mas essa competição tende a estimular ganhos de eficiência e produtividade.

Os autores avaliam que, por esse motivo, os impactos negativos sobre segmentos específicos da indústria devem ser menores do que se imaginava anteriormente.

Efeitos indiretos sobre sustentabilidade ambiental

O estudo também aponta possíveis efeitos positivos indiretos na área ambiental. Ganhos de produtividade em setores menos intensivos em uso da terra, como a indústria, podem contribuir para reduzir a pressão sobre o desmatamento, conforme já indicado em pesquisas anteriores do Banco Mundial.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jorge Saenz/AP

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Vendas de carros no Brasil devem alcançar 2,5 milhões em 2026, projetam concessionárias

Mercado automotivo fecha 2025 abaixo do esperado
As vendas de veículos no Brasil encerraram 2025 em um patamar inferior às projeções iniciais. Foram licenciados 2,54 milhões de automóveis e comerciais leves, crescimento de 2,6% na comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados pela Fenabrave, entidade que representa os concessionários.

O resultado ficou levemente abaixo da estimativa anterior, que apontava avanço de 3%, mas ainda assim manteve o mercado em trajetória de crescimento.

Expectativa positiva para 2026
Apesar do desempenho mais moderado em 2025, a perspectiva para o próximo ano é otimista. A Fenabrave estima que o Brasil deve vender cerca de 2,52 milhões de carros em 2026, o que representaria um crescimento de 3% sobre o volume atual.

De acordo com o vice-presidente da entidade, Sérgio Dante Zonta, trata-se de um número expressivo, embora ainda distante do recorde histórico do setor.

Mercado segue abaixo do pico histórico
O maior volume de vendas da história do mercado automotivo brasileiro foi registrado em 2012, quando os emplacamentos somaram 3,63 milhões de veículos. Mesmo com a recuperação gradual, a expectativa para 2026 ainda é cerca de 30% inferior a esse patamar.

Segundo Zonta, a principal limitação continua sendo o ambiente de juros elevados, que afeta diretamente o crédito e o poder de compra dos consumidores.

Desempenho forte em dezembro
Em dezembro, os emplacamentos de veículos alcançaram 267,1 mil unidades. O número representa alta de 17,6% em relação a novembro e crescimento de 9,6% na comparação com dezembro do ano anterior.

O desempenho mensal ajudou a sustentar o crescimento anual, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

Salão do Automóvel teve impacto limitado
Na avaliação da Fenabrave, a realização do Salão do Automóvel, que voltou a ocorrer após sete anos de hiato, não teve influência significativa sobre as vendas.

O evento, realizado em novembro, registrou bom público, mas não foi suficiente para impulsionar os emplacamentos em um ano marcado por crédito restrito e taxas de juros elevadas, segundo o diretor executivo da entidade, Marcelo Franciulli.

Endividamento das famílias freia consumo
Embora a renda per capita esteja em crescimento no país, o alto nível de endividamento das famílias limita a decisão de compra de bens de maior valor, como automóveis.

Esse fator tem funcionado como um freio adicional à expansão mais acelerada do mercado.

Carro Sustentável deve estimular demanda
Como contrapeso, a Fenabrave avalia que o programa Carro Sustentável seguirá estimulando as vendas em 2026. A iniciativa prevê isenção de IPI para veículos com menor nível de emissões e preços mais acessíveis.

Segundo a economista e consultora da entidade, Tereza Fernandez, a expectativa é ampliar o programa para incluir veículos elétricos e híbridos de maior valor agregado, o que pode impulsionar novos segmentos do mercado.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Acordo Mercosul–UE impulsiona plano de Santa Catarina para ampliar competitividade internacional

O governo de Santa Catarina acompanha a etapa final de formalização do acordo Mercosul–União Europeia e já trabalha na elaboração de um plano estratégico para reforçar a competitividade do Estado após a entrada em vigor do tratado. A iniciativa foi confirmada neste fim de semana por representantes da administração estadual.

Maior zona de livre comércio do mundo

Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve resultar na criação da maior área de livre comércio global, reunindo um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores. A expectativa é que a assinatura oficial ocorra nos próximos dias, durante a presidência rotativa do bloco sul-americano, atualmente sob comando do Paraguai.

Acesso a mercados de alta renda e diversificação comercial

Para o governo catarinense, o tratado representa uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso a mercados de alto poder aquisitivo e diversificar as relações comerciais internacionais. A avaliação interna destaca que os impactos positivos dependerão da capacidade de organização produtiva, institucional e tecnológica do Estado.

Articulação entre indústria, academia e inovação

Em nota oficial, o secretário estadual de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, afirmou que o planejamento começou antes mesmo da conclusão do acordo. Segundo ele, a orientação do governador Jorginho Mello foi antecipar os preparativos.
“Agora, o foco é estruturar a base produtiva, integrando indústria, academia e tecnologia, além de fortalecer a articulação internacional para converter o acordo em desenvolvimento concreto para Santa Catarina”, destacou.

Força-tarefa e observatório permanente

O plano de ação, ainda em fase de construção, prevê a criação de uma força-tarefa estadual para identificar os impactos do acordo nos diferentes setores econômicos. Também está prevista a implantação de um observatório permanente, voltado a orientar empresas, investidores e políticas públicas, além da definição de metas e indicadores de médio e longo prazos.

O documento inclui ainda medidas de alinhamento com políticas federais e com instrumentos de financiamento, buscando ampliar a explicitação dos benefícios do tratado para o ambiente produtivo catarinense.

Atuação direta junto à União Europeia

Outro eixo estratégico envolve a atuação internacional direta junto à União Europeia, seus países-membros e fóruns relacionados à implementação do acordo. A proposta é antecipar exigências regulatórias e identificar oportunidades em áreas como inovação, infraestrutura e transição ambiental.

Santa Catarina mira integração produtiva e tecnológica

Com uma base produtiva diversificada, forte presença da agroindústria, parque industrial em expansão e um ecossistema de inovação em crescimento, Santa Catarina pretende ir além do papel de exportador. O Estado busca se consolidar como um hub de integração produtiva e tecnológica entre o Mercosul e a União Europeia, transformando o acordo comercial em um vetor de desenvolvimento de longo prazo.

FONTE: Agro Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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