Comércio Exterior

Cabotagem no Brasil: BR do Mar impulsiona transporte hidroviário e reduz custos logísticos

Modal hidroviário ganha força com nova regulamentação.

O transporte por cabotagem, ainda subutilizado pelas empresas brasileiras, pode se tornar uma alternativa estratégica com a regulamentação do programa BR do Mar, oficializada em julho de 2025. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas 29% das indústrias utilizam esse modal atualmente. Entre as que ainda não aderiram, 20% demonstram interesse, desde que haja melhorias na infraestrutura e redução de custos operacionais.

Potencial logístico ainda pouco explorado

Apesar da extensa costa e rede fluvial do país, a cabotagem representa apenas 11% da matriz de transportes nacional, com forte concentração no setor de petróleo e derivados, que responde por 75% da movimentação. O estudo da CNI revela que 76% dos empresários que já utilizam o modal desconhecem o programa BR do Mar. Por outro lado, entre os que conhecem, 90% acreditam que a iniciativa pode trazer benefícios, principalmente na diminuição dos gastos logísticos.

O que é o BR do Mar?

Lançado em 2022, o BR do Mar tem como objetivo ampliar a oferta de embarcações e reduzir os custos logísticos no país. Com o Decreto nº 12.555/25, foram estabelecidas regras para que as Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs) possam afretar embarcações estrangeiras, conforme os critérios definidos pelo programa.

A cabotagem consiste no transporte de cargas entre portos do mesmo país, sem atravessar fronteiras internacionais. É uma alternativa ao transporte rodoviário, com vantagens como maior capacidade de carga, menor custo, segurança contra roubos e redução de impactos ambientais.

“O Brasil possui uma costa extensa, mas ainda explora pouco a navegação de cabotagem. Para a indústria, que movimenta grandes volumes, esse modal pode ser decisivo para aumentar a competitividade”, afirma Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI.

Desafios e oportunidades

A redução de custos é apontada como principal vantagem por 85% das empresas que já utilizam a cabotagem e por 70% das que ainda não aderiram. No entanto, infraestrutura portuária deficiente é vista como o maior obstáculo por quase 70% dos entrevistados.

Outros entraves incluem:

  • Incompatibilidade geográfica (45%)
  • Falta de rotas disponíveis (39%)
  • Tempo de trânsito elevado (15%)
  • Distância até os portos (15%)
  • Segurança do modal como diferencial (21%)

Os estados com maior interesse em ampliar o uso da cabotagem são Rio Grande do Sul (17%), Bahia (13%), Rio Grande do Norte (13%) e Santa Catarina (13%).

Cabotagem como vetor de competitividade e sustentabilidade

De acordo com Paula Bogossian, analista de infraestrutura da CNI, o uso mais amplo da cabotagem poderia reduzir em até 13% os custos logísticos do Brasil. “O país ainda depende excessivamente do transporte rodoviário para longas distâncias. Equilibrar a matriz de transportes é essencial para a competitividade”, afirma.

O estudo mostra que empresas que utilizam o modal percorrem em média 1.213 km, enquanto as que não o utilizam cobrem 862 km. O uso da cabotagem cresce conforme o porte da empresa: 7% das pequenas, 22% das médias e 44% das grandes já adotam o modal.

Apesar da regulamentação, ainda faltam definições sobre contratos de afretamento de longo prazo e critérios para o conceito de embarcação sustentável. A CNI defende que a agenda ambiental seja integrada ao crescimento da cabotagem.

“O modal já é seis vezes menos poluente que o transporte rodoviário. Precisamos de parâmetros equilibrados, que não inviabilizem o crescimento da indústria naval brasileira”, reforça Muniz.

A pesquisa da CNI ouviu 195 empresas de 29 setores industriais, abrangendo todas as regiões do país.

FONTE: Com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
IMAGEM: Foto Divulgação

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Comércio Exterior

Novo Regime de Origem Brasil-Chile: entenda as mudanças para exportações

CNI lança cartilha para empresas sobre novas regras de exportação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira (30) uma cartilha sobre o Novo Regime de Origem Brasil-Chile, com o objetivo de orientar empresas e entidades setoriais sobre como ampliar oportunidades no mercado chileno. O material detalha as mudanças nas regras de exportação e explica como as empresas podem se adaptar às novas normas.

Para aprofundar o tema, a CNI realizará um webinar no dia 2 de outubro, às 11h, transmitido ao vivo pelo canal oficial da instituição no YouTube.

Principais alterações no regime de origem

O novo marco regulatório define quando um produto é considerado originário do Brasil ou do Chile, possibilitando o uso de preferências tarifárias previstas em acordos comerciais. Entre os pontos abordados na cartilha estão:

  • Funcionamento das regras de origem;
  • Limites de uso de insumos provenientes de terceiros países;
  • Modelos de prova e verificação de origem;
  • Atualizações alinhadas às práticas internacionais.

As mudanças buscam simplificar os cálculos, oferecer flexibilidade para setores estratégicos e adotar normas mais compatíveis com a logística atual.

Autocertificação e modelos híbridos

Entre as novidades do regime, destacam-se:

  • Simplificação e modernização das regras de origem;
  • Cálculos mais simples para insumos importados;
  • Maior flexibilidade nos percentuais de insumos de terceiros países: 40% (regra geral), 45% (alguns produtos) e 50% (setor automotivo);
  • Criação de modelo híbrido de prova de origem, permitindo autocertificação pelas empresas ou emissão por entidades habilitadas.

Comércio bilateral Brasil-Chile

Dados da CNI indicam que o comércio entre os dois países é concentrado na indústria de transformação. Nos últimos dez anos:

  • 69,8% das exportações brasileiras para o Chile foram de produtos industriais;
  • 64,8% das importações vindas do Chile também foram produtos da indústria;
  • Insumos industriais representaram 48,2% da corrente de comércio, enquanto bens de consumo duráveis e combustíveis corresponderam a 20,7% e 18,9%, respectivamente.

Segundo Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, a atualização das regras aumenta a previsibilidade e competitividade dos produtos brasileiros no mercado chileno, reforçando a integração econômica bilateral.

“O Brasil e o Chile firmaram um dos primeiros acordos comerciais do Mercosul, que resultou no primeiro acordo de livre comércio moderno para o Brasil. A modernização do regime de origem torna as regras mais simples, alinhadas às práticas internacionais e mais seguras para as empresas brasileiras”, afirma Constanza.

Webinar detalhará o novo regime

O webinar “Novo Regime de Origem Brasil–Chile” vai apresentar as alterações, esclarecer dúvidas e mostrar como o setor privado pode aproveitar os benefícios do acordo, garantindo maior participação das empresas brasileiras no mercado chileno.

📌 Serviço

  • Lançamento da Cartilha da Indústria: 30 de setembro
  • Webinar Novo Regime de Origem Brasil–Chile: 2 de outubro, às 11h, no YouTube da CNI

FONTE: Agência de Notícias da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Comércio Exterior

Carne bovina: tarifas dos EUA geram efeito dominó e fortalecem exportações do Brasil

Tarifa de 50% contra carne brasileira altera o mercado global.

A imposição de tarifas de 50% sobre a carne bovina do Brasil pelos Estados Unidos mudou o equilíbrio do comércio internacional de proteínas. Embora tenha reduzido a competitividade do produto brasileiro no acesso direto ao mercado americano, o país segue como peça-chave na oferta mundial.

Com o menor rebanho em sete décadas, os EUA precisam de mais carne importada e têm buscado alternativas no Mercosul, especialmente em Paraguai, Argentina e Uruguai. Esses países, ao priorizarem os embarques para o mercado norte-americano, passaram a depender do Brasil para garantir o consumo interno.

Exportações e importações em números

Dados da HN Agro revelam que o Paraguai comprou do Brasil 1.482 toneladas de carne bovina até a terceira semana de setembro de 2025 — um salto de 327% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já as exportações brasileiras de carne para os Estados Unidos caíram 78% no mesmo intervalo: de 20,8 mil toneladas em setembro de 2024 para apenas 4,5 mil toneladas neste ano.

Confira abaixo um histórico das exportações brasileiras de carne para os EUA, a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne aos EUA | Jan 2022 a Julho de 2025 | TEUs

Enquanto isso, as vendas do Paraguai aos americanos cresceram 40%, confirmando o papel do país como redistribuidor regional. Analistas destacam que não há triangulação direta da carne brasileira para os EUA, mas sim um mecanismo de substituição: vizinhos vendem sua própria produção ao mercado americano e recorrem ao Brasil para repor estoques internos.

Brasil segue como fornecedor mais competitivo

Apesar do impacto inicial, o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, avalia que as perdas serão menores que o previsto. Ele reforça que não há irregularidades, mas sim oportunidades comerciais. O México, por exemplo, pode importar carne do Brasil para atender seu consumo interno e direcionar sua produção doméstica aos EUA.

O efeito já se reflete nas cotações. Segundo a Scot Consultoria, o boi gordo no Paraguai atingiu recorde de US$ 71,70/@ após 12 semanas seguidas de alta, valor US$ 14,64 acima da arroba brasileira (US$ 57,43/@ na referência paulista). Na Argentina, o preço também está acima, em US$ 62,5/@.

Mesmo penalizado pela tarifa, o Brasil mantém a arroba mais barata do mercado internacional, com média de US$ 57,1/@, segundo dados da Agrifatto. Isso consolida o país como fornecedor competitivo e “reserva de mercado” para os vizinhos que precisam controlar a inflação sem comprometer o abastecimento.

Perspectivas para 2025

Especialistas estimam que, mesmo diante do tarifaço, as exportações brasileiras de carne bovina devem crescer 10% em 2025. O aumento será puxado justamente pela demanda dos países do Mercosul, que encontram no Brasil a alternativa mais eficiente para recompor estoques.

“O Brasil continua sendo a origem mais competitiva do mundo”, afirma Rodrigo Costa, analista da PINE Agronegócios. Já Isabella Camargo, zootecnista da HN Agro, reforça: “O mundo depende da gente para comer. Mesmo diante de barreiras, o agro brasileiro encontra novos caminhos.”

Com isso, a medida adotada pelos EUA pode acabar fortalecendo ainda mais o protagonismo brasileiro no comércio global de carne. Para setembro, a expectativa é de recorde histórico em volume e faturamento das exportações.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior, Exportação, Importação

Exportações do Brasil chegam a US$ 255,21 bi até a 4ª semana de setembro

Saldo comercial mantém resultado positivo em 2025

As exportações brasileiras somaram US$ 255,206 bilhões desde janeiro até a quarta semana de setembro de 2025. Já as importações alcançaram US$ 210,234 bilhões no mesmo período, resultando em um superávit de US$ 44,972 bilhões. A corrente de comércio acumulada no ano atingiu US$ 465,44 bilhões.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Desempenho da 4ª semana de setembro

Na quarta semana de setembro, a balança comercial registrou déficit de US$ 0,157 bilhão. As exportações somaram US$ 7,7 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 7,9 bilhões. A corrente de comércio semanal atingiu US$ 15,6 bilhões.

No acumulado do mês, as exportações totalizam US$ 27,6 bilhões e as importações, US$ 25,5 bilhões, mantendo um saldo positivo de US$ 2,16 bilhões. A corrente de comércio mensal está em US$ 53 bilhões.

Comparativo com setembro de 2024

A média diária de exportações até a quarta semana de setembro de 2025 foi de US$ 1,381 bilhão, representando crescimento de 1,9% em comparação com setembro de 2024 (US$ 1,355 bilhão).

Nas importações, a média diária chegou a US$ 1,273 bilhão, alta de 14,3% frente à média de setembro de 2024 (US$ 1,113 bilhão).

Com esses resultados, a corrente de comércio diária média foi de US$ 2,654 bilhões, com saldo positivo diário de US$ 107,99 milhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve avanço de 7,5% no fluxo comercial.

Setores exportadores: agropecuária e indústria extrativa crescem

Entre os setores exportadores, a comparação com setembro de 2024 aponta os seguintes desempenhos na média diária:

  • Agropecuária: aumento de US$ 24,98 milhões (+9,2%)
  • Indústria Extrativa: alta de US$ 18,43 milhões (+6,4%)
  • Indústria de Transformação: queda de US$ 20,82 milhões (-2,6%)

Importações impulsionadas pela indústria de transformação

No mesmo comparativo, as importações por setor apresentaram o seguinte comportamento:

  • Indústria de Transformação: crescimento de US$ 180,13 milhões (+17,8%)
  • Agropecuária: recuo de US$ 0,59 milhão (-2,7%)
  • Indústria Extrativa: redução de US$ 18,86 milhões (-25,7%)

Cenário reforça atividade econômica

Os resultados da balança comercial mostram avanço da corrente de comércio e desempenho crescente das importações ligadas à indústria, enquanto as exportações seguem sustentadas pela agropecuária e pela indústria extrativa.

FONTE: Secex/MDIC.
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: ARQUIVO/PORTO DE ITAJAÍ

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA completa 50 dias e ainda atinge 73,8% das exportações brasileiras

Impacto do tarifaço nas vendas ao mercado americano

A sobretaxa imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras completou 50 dias em vigor e continua afetando fortemente o comércio bilateral. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73,8% dos produtos brasileiros exportados ao país seguem sob tarifas adicionais, mesmo após a abertura de exceções pelo governo norte-americano.

O estudo aponta que 6.033 itens de diferentes setores ainda estão sobretaxados. Antes das isenções, o impacto atingia 77,8% das vendas.

Produtos liberados da sobretaxa

Na última atualização, 39 produtos foram retirados da tarifa extra de 50%, incluindo minerais críticos, químicos industriais e metais preciosos. Desses, apenas 13 tiveram exportação registrada pelo Brasil em 2024, movimentando US$ 1,7 bilhão, equivalente a 4,1% do total vendido aos EUA.

Três desses itens agora estão totalmente livres de tarifas adicionais: dois tipos de pastas químicas de madeira e o ferroníquel. Já os outros dez produtos permanecem com sobretaxa de 40%, entre eles níquel, grafite natural, artigos de ouro e ímãs permanentes.

Lula e Trump: aproximação em meio ao impasse

O governo brasileiro busca retomar o diálogo com Washington. A expectativa é que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontrem na próxima semana, após uma primeira aproximação durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a urgência de avançar nas negociações:
“A situação não beneficia ninguém. Esperamos que a reunião entre Lula e Trump seja o início de um processo oficial para reverter o tarifaço.”

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que atuou nos bastidores para viabilizar a conversa, afirmou que a reunião é um “passo importante” para buscar um acordo que favoreça os dois países.

Especialistas pedem cautela

Apesar da sinalização positiva, analistas lembram que a política comercial do governo Trump é marcada por imprevisibilidade. A professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, alerta que negociações podem ocorrer, mas sempre em cenários de incerteza.

Recentemente, Trump anunciou novas tarifas sobre caminhões, móveis e produtos farmacêuticos, reforçando a linha dura de sua política comercial.

Para o diretor da BMJ Consultores, José Pimenta, os EUA podem flexibilizar em alguns pontos, mas dificilmente vão abandonar o aumento tarifário como estratégia:
“Podem ocorrer ajustes ou exceções, mas a elevação das tarifas segue como parte central da política americana.”

Já o sócio-fundador da BMJ, Welber Barral, aponta que a sobretaxa levou o Brasil a diversificar mercados, aumentando as exportações de carne para países como México e China.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Canal do Panamá projeta menor tráfego de navios em 2026 

Tráfego diário ficará abaixo da capacidade máxima em 2026

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) prevê que, em 2026, o trânsito de embarcações pela hidrovia interoceânica continuará abaixo de sua capacidade máxima. A projeção indica uma média de 33 travessias diárias, três a menos do que a capacidade normal de 36 navios, devido à menor demanda por importações nos Estados Unidos, informou a consultoria Alphaliner.

O administrador do Canal, Ricaurte Vásquez Morales, explicou que a desaceleração do comércio causada pelas medidas tarifárias norte-americanas dificulta a recuperação total do tráfego observado antes da seca de 2023/24. Em agosto de 2025, o Canal registrou uma média de 32,5 trânsitos diários, ainda abaixo do potencial máximo.

Perspectiva financeira e impacto econômico

No aspecto financeiro, a ACP estima encerrar o ano fiscal de 2025 com receita bruta próxima a US$ 5 bilhões, impulsionada pelo aumento de importações antes da aplicação das tarifas. Nos próximos meses, porém, a tendência é de moderação, afetando principalmente importadores da Costa Leste e do Golfo dos EUA.

O que é o Canal do Panamá?

O Canal do Panamá é uma hidrovia estratégica de 82 km que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Por meio de um sistema de comportas e reservatórios, ele eleva navios a 26 metros acima do nível do mar e depois os retorna, facilitando a passagem entre os dois oceanos. Entre 13 mil e 14 mil embarcações atravessam o canal anualmente, tornando-o um eixo crucial para o comércio global.

Ao contrário de estreitos naturais, como o Canal da Mancha, o Canal do Panamá é uma obra artificial projetada para encurtar rotas comerciais e reduzir custos e tempo de transporte.

Como funciona a passagem de navios

O Canal do Panamá utiliza um sistema de lagos artificiais e comportas que elevam os navios para percorrer a hidrovia de 82 km. Funcionários da ACP assumem o comando das embarcações durante a travessia, garantindo segurança e fluidez no trânsito. Rebocadores auxiliam os navios, e há prioridade para quem agenda a passagem com antecedência.

As tarifas variam conforme tamanho, carga e momento da reserva, com média de US$ 143 mil por embarcação ou US$ 8,73 por tonelada de carga. Uma curiosidade histórica: o menor valor pago foi de US$ 0,36, pelo escritor Richard Halliburton, que nadou pelo canal em 1928.

História da construção

A ideia de conectar Atlântico e Pacífico remonta ao século XVI, quando os europeus buscavam evitar a perigosa rota do Estreito de Magalhães. Projetos foram propostos em locais como Nicarágua e Tehuantepec, mas a construção só começou a ganhar forma no século XIX.

Em 1880, o engenheiro francês Fernando de Lesseps, responsável pelo Canal de Suez, recebeu a concessão da Colômbia para construir a hidrovia, mas o projeto fracassou devido a doenças, clima adverso e falta de infraestrutura. Posteriormente, os Estados Unidos assumiram a obra, após o apoio à independência do Panamá em 1903, assinando o tratado Hay-Bunau Varilla que garantiu controle americano sobre a zona do canal.

O canal foi concluído em 1913 e inaugurado oficialmente em 1914. Conflitos e protestos históricos, como o “Dia dos Mártires” em 1964, levaram aos tratados Torrijos-Carter de 1977, que definiram a transferência do controle para o Panamá em 31 de dezembro de 1999, consolidando a soberania panamenha.

Importância econômica e estratégica

Os EUA são os principais clientes do canal, responsáveis por quase 72% da carga transportada, seguidos por China e Japão. A hidrovia é crucial para o comércio global e para a economia panamenha, que lucra até US$ 1,7 bilhão por ano, cerca de 3% do PIB do país.

Mesmo com restrições recentes devido à seca, o Canal do Panamá gerou lucro líquido de US$ 3,45 bilhões em 2024, reforçando seu papel estratégico. Tensões comerciais surgem quando tarifas elevadas afetam grandes importadores, como os Estados Unidos, evidenciando a relevância geopolítica da hidrovia.

FONTES: Mundo Marítimo e Politize
IMAGEM: Reprodução / Mundo Marítimo

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Comércio Exterior, Negócios

Empresas brasileiras fazem lobby nos EUA para reduzir tarifas impostas por Trump

O lobby da JBS, EMS, Suzano e Embraer destaca as divisões políticas nos EUA sobre o comércio com o Brasil

Executivos e líderes empresariais brasileiros de grandes companhias afetadas pelo aumento de tarifas de Donald Trump vêm fazendo intenso lobby em Washington para reverter os impactos das medidas comerciais impostas pelo presidente dos EUA desde agosto.

A Embraer conseguiu negociar com sucesso, servindo de exemplo para outros grandes empresários — como os irmãos Batista, donos da JBS, Carlos Sanchez, da gigante farmacêutica EMS, e empresas de outros setores, como a Suzano — buscarem reduções ou eliminações das tarifas.

Fontes indicam que há uma divisão dentro do governo norte-americano em relação à política tarifária rígida de Trump contra o Brasil. De um lado, uma ala mais dura apoia as sobretaxas; de outro, um grupo pragmático de parlamentares acredita que a decisão está “empurrando o Brasil para os braços da China” e fortalecendo a narrativa do presidente Lula.

“Parlamentares moderados entendem que o Brasil exporta produtos que não são produzidos nos EUA, e muitas empresas americanas estão sendo prejudicadas”, disse uma fonte. “Há também preocupação com a inflação.”

Empresas brasileiras vêm realizando reuniões regulares com autoridades da Casa Branca para negociar inclusão na lista de isenções — cerca de 700 itens foram acrescentados no mês passado. A celulose foi retirada da lista, mas o papel continua sujeito às tarifas americanas.

Carlos Sanchez, da EMS, disse ao Valor que contratou uma empresa de lobby nos EUA. O empresário esteve em Washington há cerca de duas semanas para defender os interesses de sua companhia. Embora os medicamentos não tenham sido diretamente afetados pelas medidas americanas, a EMS importa matéria-prima dos EUA e possui uma fábrica em Atlanta. “Trump sinalizou que está revendo o setor farmacêutico porque os remédios são caros nos EUA, e grande parte do fornecimento vem da Europa”, afirmou Sanchez.

“Muitos [parlamentares] não têm ideia do que acontece no Brasil. Explicamos que somos um país democrático”, acrescentou Sanchez. Ele disse ainda que, há cerca de duas semanas, também se reuniu com representantes da JBS em Washington.

Joesley Batista, do grupo J&F, holding controlada pela família Batista e dona da JBS, conhecido por sua proximidade com o presidente Lula, esteve entre os que tiveram acesso direto a Trump.

O encontro, realizado na Casa Branca no início de setembro, pode ter ajudado a convencer o líder americano a considerar a reabertura das negociações com o Brasil, cujas tarifas afetaram severamente as exportações de carne bovina.

O Valor apurou que a reunião entre Joesley Batista e Trump não tinha, inicialmente, como objetivo discutir a sobretaxa sobre a proteína animal brasileira. Em vez disso, foi organizada como parte de uma agenda institucional devido ao porte e à importância da J&F nos EUA, onde o grupo emprega 75 mil pessoas e responde por metade de sua receita.

Nesse contexto, a conversa começou tratando dos investimentos da J&F nos EUA, mas Batista aproveitou para levantar preocupações sobre o efeito das tarifas nos produtos brasileiros e nos preços ao consumidor no mercado americano.

Segundo pessoas próximas à reunião, Batista disse ao presidente Trump que a tarifa de 50% afetaria diretamente o preço do hambúrguer nos EUA. Ele argumentou que, sem a carne bovina brasileira, os processadores americanos seriam obrigados a usar carne mais cara para a produção.

Batista também teria alertado Trump sobre consequências semelhantes em relação ao café e ao suco de laranja — outros dois importantes produtos brasileiros exportados para os EUA.

Agora, as atenções se voltam para o próximo encontro entre os presidentes Lula e Trump, marcado para a semana que vem.

Fonte: Valor International

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

China tenta atrair Trump para mesa de negociação, diz especialista ao WW

Dados indicam queda nas exportações chinesas para os EUA nos primeiros oito meses do ano, sugerindo tentativa de reaproximação comercial

A China demonstra sinais de buscar uma reaproximação comercial com os Estados Unidos, utilizando a compra de soja como possível instrumento de negociação. A estratégia surge em um momento em que o país asiático enfrenta significativas perdas em seu comércio exterior. Durante o WW, José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ consultores, afirmou que a China quer chamar o presidente Donald Trump para mesa de negociação.

De acordo com dados recentes, as exportações chinesas para os Estados Unidos registraram uma queda expressiva de 15% nos primeiros oito meses deste ano. O impacto é particularmente significativo em produtos de alto valor agregado, incluindo máquinas, equipamentos eletrônicos e medicamentos.

Histórico da Relação Comercial

Entre 2000 e 2017, os Estados Unidos direcionavam 60% de suas exportações globais de soja para o mercado chinês. No entanto, esse cenário mudou drasticamente após 2018, com uma redução vertiginosa nas compras por parte da China.

Em uma demonstração de possível abertura ao diálogo, o principal negociador chinês realizou encontros com produtores do meio-oeste americano. Esta movimentação sugere uma tentativa de reavaliar as relações comerciais entre as duas nações, especialmente considerando a importância histórica do comércio de soja.

O Brasil, como um dos principais exportadores de soja para a China, que representa 35% do total das exportações brasileiras, também se encontra diretamente envolvido neste cenário de redistribuição comercial global.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

PLANO BRASIL SOBERANO traz alívio Tributário e Prioridade em Restituições para Exportadores Afetados por Tarifas dos EUA

Saiba como obter os benefícios das medidas regulamentadas.

O Ministério da Fazenda anunciou, por meio da Portaria MF nº 1.862, de 22 de agosto de 2025, um conjunto de medidas de apoio para pessoas jurídicas exportadoras de bens que forem impactadas pela imposição de novas tarifas adicionais sobre exportações aos Estados Unidos da América. As ações incluem o diferimento (prorrogação) do prazo de vencimento de tributos federais e de prestações de dívida ativa da União, além da priorização na análise de restituição de créditos tributários.

Critérios de Elegibilidade

Serão consideradas elegíveis as pessoas jurídicas de direito privado que se enquadrem cumulativamente nos seguintes requisitos:

Afetadas pelas Novas Tarifas: Empresas cujas exportações para os Estados Unidos da América sejam atingidas pela ordem executiva de 30 de julho de 2025, conforme a tabela de produtos específicos a ser publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Isso inclui tanto exportadores diretos quanto aqueles que fornecem seus produtos a empresas comerciais exportadoras por conta e ordem.

Dependência de Exportação: Empresas cujo percentual de faturamento bruto decorrente das exportações mencionadas no item 1, apurado no período de doze meses (julho de 2024 a junho de 2025), seja igual ou superior a 5% (cinco por cento) do faturamento total no mesmo período.

A Receita Federal informa que a implementação dessas medidas será totalmente automática. A priorização da análise dos pedidos eletrônicos de restituição e ressarcimento de tributos, bem como a prorrogação dos prazos para o recolhimento de tributos federais e de parcelamentos ou transações tributárias, ocorrerá sem a necessidade de qualquer petição ou solicitação por parte dos contribuintes.

Prazos Específicos para o Diferimento (Prorrogação)

Conforme estabelecido no Art. 4º da Portaria MF 1.862, de 2025, os prazos para o recolhimento de tributos federais administrados pela RFB e de prestações de parcelamentos ou transações tributárias celebrados com a Receita Federal ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) serão prorrogados para as pessoas jurídicas elegíveis da seguinte forma:

– Vencimentos de 22 a 31 de agosto de 2025: Prorrogados para o último dia útil de outubro de 2025.

– Vencimentos em setembro de 2025: Prorrogados para o último dia útil de novembro de 2025.

Esta iniciativa visa mitigar os impactos financeiros diretos sobre os exportadores brasileiros, garantindo um fôlego no fluxo de caixa e contribuindo para a manutenção da competitividade no mercado internacional.

Para emissão de DARF com prorrogação automática do prazo de recolhimento, após a transmissão da DCTFWeb, o contribuinte elegível ao benefício deverá utilizar o Portal e-CAC da RFB, em consulta à sua situação fiscal, conforme roteiro abaixo.

Passo 1. Acessar o portal e-CAC no site da Receita Federal do Brasil

Passo 2. Após logar com a conta gov.br, selecionar a opção “Certidões e Situação Fiscal”.Fig. 2Fig. 2

Passo 3. Na próxima tela, selecionar a opção “Consulta Pendências – Situação Fiscal”.Fig. 3Fig. 3

Passo 4. Na próxima tela, expandir a opção “Diagnóstico Fiscal” até a opção “Conta Corrente”, selecionar os débitos que pretende pagar e clicar no botão “Emitir Daf”.Fig. 4

Exemplo de DARF gerado com vencimento prorrogado.Fig. 5Fig. 5

Alternativamente, o contribuinte poderá utilizar o sistema SicalcWeb para geração manual de um DARF para cada débito (código de receita) que pretende pagar.

Ressalta-se que, por limitações operacionais e em razão do reduzido espaço de tempo, a DCTFWeb não será atualizada para gerar DARF/DAE com prorrogação automática. Assim, caso o contribuinte seja elegível à prorrogação do prazo de vencimento, deve utilizar uma das opções citadas acima (Situação Fiscal ou SicalcWeb).

Fonte: Receita Federal

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Comércio Exterior, Exportação, Tributação

Receita orienta exportadores atingidos por tarifas dos EUA sobre como se beneficiar do Plano Brasil Soberano

Medidas já regulamentadas trouxeram alívio tributário e prioridade em restituições

Ministério da Fazenda anunciou, em agosto, por meio da Portaria MF nº 1.862/2025, um conjunto de medidas de apoio a pessoas jurídicas exportadoras de bens que forem impactadas pela imposição de novas tarifas adicionais sobre exportações aos Estados Unidos da América.

As ações incluem o diferimento (prorrogação) do prazo de vencimento de tributos federais e de prestações de dívida ativa da União, além da priorização na análise de restituição de créditos tributários.

São consideradas elegíveis as pessoas jurídicas de direito privado que se enquadrem cumulativamente nos seguintes requisitos:

Afetadas pelas Novas Tarifas: Empresas cujas exportações para os Estados Unidos da América sejam atingidas pela ordem executiva de 30 de julho de 2025, conforme a tabela de produtos específicos a ser publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Isso inclui tanto exportadores diretos quanto aqueles que fornecem seus produtos a empresas comerciais exportadoras por conta e ordem.

Dependência de Exportação: Empresas cujo percentual de faturamento bruto decorrente das exportações mencionadas no item 1, apurado no período de 12 meses (julho de 2024 a junho de 2025), seja igual ou superior a 5% (cinco por cento) do faturamento total no mesmo período.

A Receita Federal informa que a implementação dessas medidas será totalmente automática. A priorização da análise dos pedidos eletrônicos de restituição e ressarcimento de tributos, bem como a prorrogação dos prazos para o recolhimento de tributos federais e de parcelamentos ou transações tributárias, ocorrerá sem a necessidade de qualquer petição ou solicitação por parte dos contribuintes.

Prazos para o Diferimento (Prorrogação)

Conforme estabelecido no Art. 4º da Portaria MF 1.862, de 2025, os prazos para o recolhimento de tributos federais administrados pela RFB e de prestações de parcelamentos ou transações tributárias celebrados com a Receita Federal ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) serão prorrogados para as pessoas jurídicas elegíveis da seguinte forma:

– Vencimentos de 22 a 31 de agosto de 2025: Prorrogados para o último dia útil de outubro de 2025.

– Vencimentos em setembro de 2025: Prorrogados para o último dia útil de novembro de 2025.

Esta iniciativa visa mitigar os impactos financeiros diretos sobre os exportadores brasileiros, garantindo um fôlego no fluxo de caixa e contribuindo para a manutenção da competitividade no mercado internacional.

Para emissão de DARF com prorrogação automática do prazo de recolhimento, após a transmissão da DCTFWeb, o contribuinte elegível ao benefício deverá utilizar o Portal e-CAC da RFB, em consulta à sua situação fiscal, conforme roteiro abaixo.

Passo 1. Acessar o portal e-CAC no site da Receita Federal do Brasil.

Passo 2. Após logar com a conta gov.br, selecionar a opção “Certidões e Situação Fiscal”.

Passo 3. Na próxima tela, selecionar a opção “Consulta Pendências – Situação Fiscal”.

Passo 4. Na próxima tela, expandir a opção “Diagnóstico Fiscal” até a opção “Conta Corrente”, selecionar os débitos que pretende pagar e clicar no botão “Emitir Daf”.

Figura 4

Exemplo de DARF gerado com vencimento prorrogado.

Alternativamente, o contribuinte poderá utilizar o sistema SicalcWeb para geração manual de um DARF para cada débito (código de receita) que pretende pagar.

Ressalta-se que, por limitações operacionais e em razão do reduzido espaço de tempo, a DCTFWeb não será atualizada para gerar DARF/DAE com prorrogação automática. Assim, caso o contribuinte seja elegível à prorrogação do prazo de vencimento, deve utilizar uma das opções citadas acima (Situação Fiscal ou SicalcWeb).

Fonte: Ministério da Fazenda gov.br

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