Comércio Exterior

Aproximação entre EUA e China acende alerta no mercado da soja brasileira

A reaproximação entre Estados Unidos e China nas negociações comerciais reacende a preocupação entre produtores e exportadores de soja no Brasil. Caso um acordo tarifário seja firmado, o país pode enfrentar queda nas exportações e recuo nos preços internos do grão, que ainda está no início do plantio da nova safra.

Desde o início da guerra comercial, em fevereiro deste ano, a soja brasileira vinha se beneficiando da perda de espaço do produto americano no mercado chinês. Em setembro, a China não importou um único grão de soja dos EUA, algo que não acontecia desde novembro de 2018, segundo autoridades alfandegárias chinesas. No mesmo período, as compras de soja brasileira somaram 10,96 milhões de toneladas, um aumento de 30% em relação a setembro de 2024, representando 85% do total das importações chinesas.

Encontro entre Trump e Xi Jinping pode mudar cenário

O presidente americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping durante a Cúpula da APEC, em novembro, e a soja será um dos principais temas da pauta. Embora as tensões entre os dois países ainda sejam evidentes, analistas acreditam que há uma tentativa concreta de aproximação diplomática.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, as recentes declarações públicas de ambos os governos indicam que um acordo comercial está sendo costurado.

“Toda vez que as tensões aumentam, os países criam um problema para depois inventar uma solução. A China pode negociar o acesso às suas terras raras em troca da compra de soja americana — e tem poder de barganha para isso, já que mostrou que pode ficar sem importar dos EUA por um bom tempo”, afirma.

Impactos diretos sobre a soja brasileira

Caso o acordo se concretize, o Brasil pode ser o principal prejudicado. De janeiro a setembro de 2025, a China respondeu por 77% das exportações brasileiras de soja, com alta de 4,83% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fernandes explica que o preço da soja seria pressionado por diversos fatores.

“O dólar cairia, os preços na bolsa de Chicago subiriam e o prêmio nos portos brasileiros despencaria, podendo ficar negativo nos contratos de fevereiro e março de 2026. Ou seja, a soja brasileira apanharia de todos os lados”, avalia.

Com esse cenário, os analistas estimam uma queda acentuada nos preços internos. De acordo com Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, a saca de soja no interior do Paraná, atualmente cotada a R$ 131, poderia cair para R$ 100. O prêmio de exportação, que hoje está em 167 pontos positivos no porto de Paranaguá (PR), teria redução de 82%.

Brasil segue como pêndulo entre China e EUA

“Hoje, o Brasil é o pêndulo do comércio global de soja”, resume Pacheco. Ele lembra que, caso a produção nacional atinja as 176 milhões de toneladas estimadas pela Conab para a safra 2025/26, a China poderá manter a estratégia de não comprar soja americana por mais um ano. Porém, qualquer problema climático pode inverter esse quadro e devolver o poder de negociação aos Estados Unidos.

China desacelera compras à espera de acordo

Após um primeiro semestre de forte demanda, os chineses reduziram o ritmo de importações da soja brasileira.

“Neste mês, a China comprou apenas um navio de soja do Brasil para embarque em novembro. A demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de importar 9 milhões de toneladas entre dezembro e janeiro”, explica Pacheco.

A justificativa chinesa seria o alto custo da soja brasileira, mas, segundo Fernandes, isso serve como pretexto estratégico para diversificar fornecedores.

“Na primeira guerra comercial, o prêmio da soja brasileira chegou a 300 pontos, e hoje está abaixo de 200. A China usou esse argumento para buscar soja no Canadá e na Argentina”, relembra.

Com estoques elevados, o país asiático pode evitar novas compras até fevereiro — ou até que haja um desfecho nas negociações com os EUA.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Guerra Comercial EUA-China: quem vai recuar primeiro, Trump ou Xi?

A tensão entre Estados Unidos e China se intensifica à medida que a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo ganha novos desdobramentos. As negociações seguem estagnadas, enquanto ambos os países impõem tarifas pesadas que podem impactar diretamente o comércio global.

Disputa entre Washington e Pequim se agrava

Apesar de sucessivas rodadas de conversas, Washington e Pequim não avançaram significativamente nas negociações, exceto em um possível acordo sobre o TikTok. As novas tarifas devem entrar em vigor no próximo mês, e a expectativa é de que tragam efeitos negativos sobre a economia global.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou que a “guerra comercial já está em curso”, reforçando a postura de confronto. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que ainda há espaço para uma trégua tarifária, mas ressaltou que as tratativas ocorrerão “nas próximas semanas”.

As tensões aumentaram após a China anunciar restrições à exportação de minerais críticos, insumos estratégicos usados na produção de veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de inteligência artificial. O domínio chinês sobre esses recursos preocupa os EUA, que veem o movimento como um risco direto à indústria tecnológica e de defesa.

“Os Estados Unidos agora precisam lidar com um adversário capaz de ameaçar setores vitais da sua economia”, afirmou Henry Farrell, cientista político da Universidade Johns Hopkins, ao The New York Times.

A China, por sua vez, segue insatisfeita com as sanções tecnológicas impostas pelo Ocidente, especialmente as que restringem o acesso a chips e tecnologias avançadas de IA (inteligência artificial).

EUA tentam reduzir dependência dos minerais chineses

O governo Trump aposta em uma política industrial fortalecida para diminuir a dependência de insumos importados da China. O plano inclui investimentos estratégicos em empresas nacionais, como a Intel, para reforçar a competitividade americana.

“Quando se enfrenta uma economia não orientada pelo mercado, como a da China, é preciso adotar políticas industriais”, destacou Bessent em evento da CNBC.

Trump e o presidente Xi Jinping devem se encontrar na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na Coreia do Sul, ainda este mês. O encontro pode definir os próximos passos da disputa.

Ambos os lados precisam mostrar resultados: a China enfrenta baixo consumo interno e instabilidade econômica, enquanto os agricultores americanos sofrem com a redução das exportações de soja. Em outro ponto de sua política externa, Trump afirmou que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se comprometeu a interromper a compra de petróleo russo, pressionando Pequim a seguir o mesmo caminho.

Justiça suspende demissões durante paralisação do governo

A juíza Susan Illston, do Tribunal Distrital de São Francisco, suspendeu temporariamente as demissões planejadas em meio ao fechamento parcial do governo. Segundo ela, a administração Trump “age como se as leis não se aplicassem mais”. O Departamento de Justiça alega que o presidente possui autoridade para reorganizar o funcionalismo federal.

Trump mira o Fisco americano

De acordo com o Wall Street Journal, o governo avalia indicar aliados de Trump para cargos estratégicos no IRS, o Fisco dos Estados Unidos. O objetivo seria enfraquecer a atuação de advogados internos e abrir espaço para investigações contra grupos ligados à esquerda, como a família Soros.

Suprema Corte analisa pacote bilionário de Elon Musk

A Suprema Corte de Delaware avaliou o pacote de remuneração de Elon Musk na Tesla, anulado anteriormente por questões de governança corporativa. Ainda sem decisão, o bilionário pode se beneficiar caso o novo plano de compensação seja aprovado após a reincorporação da Tesla no Texas.

Chobani alcança valor de mercado de US$ 20 bilhões

A Chobani levantou US$ 650 milhões em uma nova rodada de investimento, elevando sua avaliação para US$ 20 bilhões, segundo o DealBook. Os recursos financiarão a expansão da fábrica em Idaho (US$ 500 milhões) e a construção de uma nova planta em Nova York (US$ 1,2 bilhão).

Fundada há 20 anos, a empresa projeta US$ 3,8 bilhões em vendas líquidas em 2025, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, e lucros de US$ 780 milhões, alta de 53%. A Chobani, que começou com iogurtes proteicos, agora aposta em leite vegetal, cafés e cremes, e recentemente adquiriu a Daily Harvest, produtora de alimentos à base de plantas.

“Este investimento é mais do que capital — é o reconhecimento do que construímos”, afirmou o fundador e CEO Hamdi Ulukaya.

Mammoth Brands compra fabricante de fraldas premium

A Mammoth Brands, dona das marcas Harry’s e Lume, anunciou a aquisição da Coterie, fabricante de fraldas premium, por um valor que pode ultrapassar US$ 1 bilhão. A Coterie, criada em 2018, tem receita anual acima de US$ 200 milhões e crescimento de 60% no último ano, mantendo lucratividade há três anos consecutivos.

O negócio inclui pagamento em dinheiro e ações, além de bônus vinculados ao desempenho. A empresa planeja entrar no varejo físico e ampliar sua linha de produtos para bebês.

“O segmento premium é o que mais cresce — estamos criando uma nova categoria”, declarou Jess Jacobs, CEO da Coterie.

Glass Lewis muda estratégia e abandona modelo único de voto

A consultoria Glass Lewis, uma das maiores do mundo em voto por procuração (proxy voting), anunciou que deixará de oferecer uma única recomendação de voto a partir de 2027. Seus 1.300 clientes poderão optar por políticas personalizadas, incluindo pautas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A decisão ocorre após pressões políticas de republicanos contrários às recomendações favoráveis a pautas ESG. O CEO Bob Mann afirmou que o antigo modelo “não reflete mais a diversidade da base de clientes”.

“Com eleitores mais dispersos, a tendência é que a administração vença”, explicou Ann Lipton, professora de governança corporativa da Universidade do Colorado.

FONTE: New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Internacional

China anuncia investimento de US$ 110 milhões para fortalecer o desenvolvimento feminino global

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta segunda-feira (13) um investimento de US$ 110 milhões voltado à promoção do desenvolvimento feminino em escala global. O anúncio foi feito durante o evento que celebrou os 30 anos da 4ª Conferência Mundial sobre Mulheres da ONU, realizado em Pequim, com a presença de líderes internacionais, entre elas a ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS.

O pacote inclui uma doação de US$ 10 milhões à ONU Mulheres e US$ 100 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Global e Cooperação Sul-Sul, com o objetivo de financiar projetos dedicados ao empoderamento de mulheres e meninas, em parceria com organizações internacionais.

Quatro eixos para avanço dos direitos femininos

Durante o evento, promovido em conjunto pela ONU e pelo governo chinês, Xi Jinping apresentou quatro diretrizes para fortalecer os direitos das mulheres em todo o mundo:

  1. Garantir um ambiente de paz e estabilidade, protegendo mulheres em regiões afetadas por conflitos;
  2. Ampliar o desenvolvimento de alta qualidade, com inclusão feminina nas oportunidades geradas pela modernização global e pelas novas revoluções tecnológicas e industriais;
  3. Aprimorar sistemas de governança e leis para proteger os direitos e interesses femininos;
  4. Fortalecer a cooperação internacional para consolidar uma governança global voltada às mulheres.

Avanços internos e impacto social

Xi também destacou os progressos da China nas últimas décadas. Desde 1995, o país reduziu em quase 80% a mortalidade materna e alcançou indicadores de saúde materno-infantil comparáveis aos de nações de renda média e alta. Além disso, 690 milhões de mulheres foram retiradas da pobreza no período.

“O empoderamento feminino tem avançado de forma significativa. O nível de escolaridade das mulheres aumenta continuamente, e elas ocupam papéis cada vez mais relevantes nos âmbitos econômico, político, cultural e social”, afirmou o presidente chinês.

Atualmente, as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho chinesa. Globalmente, 189 países já ratificaram a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, e mais de 190 nações aprovaram cerca de 1.600 leis voltadas à defesa dos direitos femininos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

Trump anuncia reunião com Xi Jinping para discutir soja

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que a soja será um dos principais assuntos em seu encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, marcado para daqui a quatro semanas.

Dificuldades para os produtores de soja

Em postagem no Truth Social, Trump destacou que os produtores de soja americanos estão sendo prejudicados porque a China “apenas por razões de ‘negociação’” não está comprando o produto, afetando o setor agrícola do país.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kevin Lamarque

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Internacional

Xi apresenta 3 propostas na Cúpula do Brics

Multilateralismo, globalização econômica e cooperação: as propostas de Xi na cúpula virtual do Brics convocada por Lula.

O presidente chinês, Xi Jinping, conclamou os países do Brics a avançarem em solidariedade e cooperação. A declaração foi feita na cúpula virtual do bloco, convocada pelo Brasil.

Em sua declaração intitulada “Avançando em Solidariedade e Cooperação”, Xi observou que uma transformação sem precedentes em um século está se acelerando em todo o mundo, e o hegemonismo, o unilateralismo e o protecionismo estão se tornando cada vez mais desenfreados.

“Os países do Brics, na vanguarda do Sul Global, devem agir com base no Espírito do Brics de abertura, inclusão e cooperação mutuamente benéfica, defender conjuntamente o multilateralismo e o sistema de comércio multilateral, promover uma maior cooperação entre os países do Brics e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, disse Xi.

Presidente chinês apresentou três propostas

Em primeiro lugar, ele apelou aos países do Brics para que defendam o multilateralismo e a equidade e a justiça internacionais, que fornece uma base importante para a paz e o desenvolvimento mundiais.

Xi afirmou que a Iniciativa de Governança Global que ele propôs recentemente visa galvanizar a ação global conjunta para um sistema de governança global mais justo e equitativo.

O presidente da China afirmou que esforços ativos devem ser feitos para promover maior democracia nas relações internacionais e aumentar a representação e a voz dos países do Sul Global, acrescentando que o sistema de governança global deve ser aprimorado por meio de reformas.

Sua segunda proposta foi a manutenção da abertura e da cooperação mutuamente benéfica para salvaguardar a ordem econômica e comercial internacional. Observando que a globalização econômica é uma tendência irresistível da história, Xi afirmou que os países não podem prosperar sem um ambiente internacional de cooperação aberta e que nenhum país pode se dar ao luxo de recuar para um isolamento autoimposto.

Ele afirmou que os países do Brics devem permanecer comprometidos com a construção de uma economia global aberta, de modo a compartilhar oportunidades e alcançar resultados mutuamente benéficos em termos de abertura, acrescentando que o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio em seu núcleo, deve ser mantido e todas as formas de protecionismo devem ser combatidas.

Em terceiro lugar, os países do Brics devem manter a solidariedade e a cooperação para promover a sinergia em prol do desenvolvimento comum, afirmou Xi.

“A China está pronta para trabalhar com os demais países do Brics para implementar a Iniciativa de Desenvolvimento Global, promover a cooperação de alta qualidade no Cinturão e Rota, alavancar seus respectivos pontos fortes, aprofundar a cooperação prática e tornar a cooperação empresarial, financeira, científica e tecnológica mais produtiva, de modo a fortalecer a base, o impulso e o impacto de uma maior cooperação entre os Brics e proporcionar mais benefícios práticos aos povos”, afirmou.

Analista defende comércio do Brics em moedas locais

Luis Marchan, analista equatoriano de política internacional, declarou à Sputnik que as decisões da cúpula do Brics, realizada nesta segunda-feira, devem se concentrar na nova proposta de governança global apresentada pela China.

“Com a multipolaridade como princípio fundamental, todas as instituições criadas para garantir o cumprimento do direito internacional — como a ONU, a OEA, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos da própria ONU — devem ser substituídas ou atualizadas”, segundo o especialista.

Segundo Marchan, os países do Brics devem buscar renovar todos os acordos — incluindo os de comércio, questões sociais e segurança — para refletir a nova compreensão de um mundo multipolar.

“Creio que é necessário um novo modelo de comércio para atingir a ampla população dos países do Brics, com o uso de moedas nacionais e mecanismos alternativos de apoio — atuando como um contrapeso ao dólar”, observa o analista.

Fonte: Monitor Mercantil

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Comércio Exterior

Em meio às tarifas dos EUA, Lula conversa por telefone com Xi Jinping sobre ‘defesa do multilateralismo’

O governo informou que os dois países ‘concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo’. Segundo fontes do governo, a ligação, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping nesta segunda-feira (11) em meio ao tarifaço dos Estados Unidos imposto pelo presidente americano Donald Trump. A realização da ligação foi confirmada pelo Planalto.

De acordo com fontes do governo, a conversa, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

Em nota, o governo informou que a ligação durou cerca de uma hora e que os dois países “concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo”. Quando o governo americano aumentou tarifas de importação de mercadorias brasileiras para 50%, o Planalto classificou a medida como unilateral.

“Os chefes de Estado também conversaram sobre a parceria estratégica bilateral. Nesse contexto, saudaram os avanços já alcançados no âmbito das sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento dos dois países e comprometeram-se a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites”, afirmou o documento.

Segundo a mídia estatal chinesa, Xi disse a Lula que os dois países poderiam dar um exemplo de “autossuficiência”. Ele também declarou que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”, relatou a Xinhua.

Mais tarde, o presidente brasileiro foi às redes sociais para comentar a ligação.

“Reiterei a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência”, diz a postagem.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e julho deste ano as exportações para a China superaram os US$ 57,6 bilhões — cerca de R$ 313 bilhões. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões — cerca de R$ 227 bilhões.

Também nesta segunda, Lula afirmou que o Brasil precisa manter sua soberania e sonhar grande diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. As declarações foram feitas durante a entrega de um prêmio da área de educação, no Palácio do Planalto.

“Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país”, disse Lula.

Medidas de reciprocidade

Assim que lançar o plano de ajuda econômica em resposta ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, o governo quer iniciar o debate sobre medidas de reciprocidade. A informação foi publicada pela jornalista Ana Flor, da GloboNews.

O tema é considerado polêmico porque empresários brasileiros temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou gerar outros impactos negativos na economia. Além disso, integrantes de setores econômicos avaliam que o uso da lei poderia sinalizar uma saída da mesa de negociação para tentar reverter as tarifas impostas nos últimos meses.

Segundo fontes do governo, Lula pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade. A orientação, segundo integrantes dessas pastas, não é adotar ações amplas, mas medidas específicas.

Fonte: G1

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Xi Jinping defende mercado nacional unificado e economia marinha de alta qualidade

Presidente chinês destaca importância da coordenação institucional e inovação para o desenvolvimento moderno e sustentável

O presidente Xi Jinping afirmou nesta terça-feira que a China deve intensificar os esforços para construir um mercado nacional unificado e promover o desenvolvimento de alta qualidade da economia marinha. As declarações foram feitas durante reunião da Comissão Central para Assuntos Financeiros e Econômicos, presidida por Xi, que também é secretário-geral do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central.

Segundo Xi, a criação de um mercado unificado é fundamental para moldar um novo padrão de desenvolvimento, exigindo maior coordenação entre instituições, infraestrutura de mercado, conduta governamental, fiscalização regulatória e mercados de fatores de produção. Ele defendeu a padronização de práticas como concorrência de preços, compras públicas e atração de investimentos por governos locais.

No campo da economia marinha, Xi enfatizou a necessidade de crescimento impulsionado por inovação, modernização industrial, proteção ecológica e cooperação internacional. A reunião destacou ainda o estímulo ao investimento privado no setor e o fortalecimento da pesquisa científica, prevenção de desastres e economia azul.

Também participaram da reunião os líderes Li Qiang, Cai Qi e Ding Xuexiang, todos membros do Comitê Permanente do Birô Político do Partido e integrantes da Comissão.

Fonte: China Hoje

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Internacional, Mercado Internacional

Xi Jinping favorece Trump contra Lula ao não vir ao BRICS

O presidente chinês, Xi Jinping, estaria ou não cometendo erro estratégico ao não comparecer à reunião dos BRICS, na próxima semana, presidida pelo presidente Lula?

Também, será sentida a ausência do presidente da Rússia, Vladimir Putin, mas esta tem justificativa compreensível, porque ele poderia ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional, sob acusação de sequestros de crianças ucranianas, na guerra na Ucrânia.

Igualmente, não comparecerá o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, provavelmente, solidário com a decisão dos seus dois maiores aliados na agressão dos Estados Unidos contra seu país, para evitar a derrota de Israel para os iranianos.

Sem esses três importantes integrantes do BRICS, formado por 11 países( Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia), a reunião mais importante do bloco, em 2025, esvazia-se, politicamente.

TRUMP SE FORTALECE

A consequência óbvia desse esvaziamento político, que enfraquece Lula, é o fortalecimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera o BRICS principal perigo à desestabilização do dólar nas relações de trocas internacionais.

Justificativas para as importantes ausências de Xi Jinping: conflito de agendas.

Trata-se de algo questionável, porque não haveria, por suposto, fato internacional mais relevante do que a reunião dos BRICS, considerado força internacional emergente que supera em poder econômico efetivo o G7, graças ao peso da China como nova potência mundial que ameaça a hegemonia americana.

Fonte: MSN

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Economia, Internacional

Dólar cai a R$ 5,58 com conversa entre Trump e Xi, bolsa recua com bancos

Os temores de que os EUA serão os principais prejudicados da guerra comercial de Trump têm gerado a fraqueza do dólar no exterior

O dólar à vista e o Ibovespa fecharam em queda nesta quinta-feira (5), conforme os investidores reagiam à notícia de um telefonema entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, com dados da maior economia do mundo no radar.

O dólar à vista caiu 1,03%, a R$ 5,5871 na venda.

Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, teve queda de 0,56%, a 136.236,37 pontos, pressionado principalmente por bancos e com Hapvida na ponta negativa.

Na quarta-feira (4), o dólar à vista fechou em alta de 0,14%, a R$ 5,6450.

Tarifas e dados dos EUA

A semana tem sido marcada pela percepção de que a política comercial dos EUA está começando a prejudicar a economia norte-americana, com uma série de dados econômicos para o mês de maio apresentando resultados mais fracos do que o esperado, acirrando as preocupações de investidores.

Na véspera, um relatório da ADP sobre o setor privado mostrou que foram criados muito menos vagas de emprego do que o esperado em maio, enquanto uma pesquisa do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) revelou que o setor de serviços teve contração no mês passado.

Com isso, as atenções se voltavam novamente nesta sessão para dados dos EUA, com o governo informando mais cedo que os pedidos semanais de auxílio-desemprego subiram para 247 mil na última semana, acima dos 235 mil pedidos projetados em pesquisa da Reuters.

Já o déficit comercial dos EUA ficou em US$ 61,6 bilhões em abril – melhor do que o esperado –, quando Trump anunciou suas tarifas do “Dia da Libertação” e anunciou uma pausa de 90 dias para permitir negociações, mantendo uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações para os EUA.

Os temores de que os EUA serão os principais prejudicados da guerra comercial de Trump têm gerado a fraqueza do dólar no exterior, com a moeda norte-americana rondando os menores patamares em vários anos e impulsionando divisas de países emergentes.

O foco dos mercados estará agora em torno da divulgação do relatório de emprego do governo, na sexta-feira.

O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – caía 0,15%, a 98,653.

Também estava no radar a mais recente decisão de política monetário do Banco Central Europeu, que voltou a reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,0%.

Cenário nacional

No Brasil, entretanto, os ganhos potenciais do real têm sido contidos com novas preocupações sobre o cenário fiscal brasileiro, conforme governo e Congresso discutem alternativas para o decreto do Executivo que elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que propostas serão apresentadas para lideranças partidárias em reunião no domingo.

Pesquisas recentes que reforçam a tendência de aumento da desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda têm levantado temores de que o governo possa apostar em medidas de impulso fiscal para melhorar a imagem do governante.

“A queda na aprovação cria um pequeno temor no mercado de que isso possa ser acompanhado com medidas que aumentam os gastos”, disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. “Mas hoje o dia tende a ser mais tranquilo.”

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Oportunidade de Mercado

A Amcham Brasil reforçou a importância de preservar um ambiente comercial previsível, transparente e construtivo, pautado pelo diálogo entre os setores público e privado.

O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos bateu recorde no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).

O resultado positivo acontece em meio às tensões comerciais resultantes do “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump à maior parte do planeta, que atingiu também o Brasil – sobretudo, em produtos como aço e alumínio.

De acordo com o “Monitor do Comércio Brasil-EUA”, publicado a cada três meses pela Amcham, a corrente de comércio atingiu US$ 20 bilhões entre janeiro e março de 2025.

É o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica. O crescimento foi de 6,6% em relação ao mesmo trimestre de 2024.

“O resultado reforça a solidez da relação bilateral e o dinamismo do comércio entre os países. Destaques incluem o forte desempenho das exportações da indústria brasileira e o crescimento das importações de bens de alto valor agregado, com ênfase em tecnologia e energia, informou a Amcham Brasil.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 9,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ao mesmo tempo em que as importações totalizaram US$ 10,3 bilhões.

Com isso, houve um déficit comercial de US$ 654 milhões para o Brasil no período.

Confira no gráfico a seguir os principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no primeiro mês de 2025.

“Os resultados do primeiro trimestre de 2025 reforçam a qualidade e o caráter mutuamente benéfico da relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos. As empresas que participam dessa relação desejam ampliar ainda mais comércio e investimentos bilaterais”,afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A Amcham Brasil reforçou a importância de preservar um ambiente comercial previsível, transparente e construtivo, pautado pelo diálogo entre os setores público e privado.

“É fundamental preservar as condições para que o comércio entre Brasil e Estados Unidos continue gerando inovação, empregos e desenvolvimento para ambos os países”, concluiu Abrão Neto.

Tarifaço dos EUA
O governo dos EUA anunciou, em março, aumento das tarifas sobre aço e alumínio, impactando as vendas externas brasileiras destes produtos aos EUA, que ficaram mais caras.

No começo deste mês, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Herlon Brandão, afirmou que é possível que o resultado da balança comercial de março tenha sido influenciado pela decisão dos EUA de subir as tarifas de aço e alumínio, englobando produtos brasileiros.

“Pode ser que sim (que tenha impacto), mas a gente ainda não consegue perceber esse efeito direto do aumento da tarifa [de aço e alumínio]”, declarou Brandão, do MDIC, na ocasião.

Donald Trump anunciou, na semana passada, a imposição de tarifas a países do mundo que, no entendimento da Casa Branca, “roubam” os EUA na relação comercial. Os produtos brasileiros foram taxados com o menor índice, de 10%

Desde o anúncio, países como a China e blocos como a União Europeia passaram a articular uma reação ao “tarifaço”. Além disso, México e Canadá já vinham anunciando medidas ao longo das últimas semanas.

Nessa quinta-feira (10), Trump recuou e afirmou que irá pausar por 90 dias o programa de tarifas recíprocas, e reduzirá para 10% as tarifas de importação contra países, exceto a China.

No caso dos produtos chineses, as taxas impostas pelos Estados Unidos aumentarão para 145%, o que causou retaliações de Pequim. Nesta sexta (11), a China anunciou mais uma medida reciproca, e as tarifas impostas pelo país aos EUA chegaram a 125%.

Exportações e importações no trimestre
Segundo números da Amcham Brasil, as exportações industriais brasileiras para os EUA somaram US$ 7,8 bilhões entre janeiro e março — o maior valor já registrado para um primeiro trimestre.

Com isso, os EUA ampliaram sua liderança como principal destino da indústria brasileira, passando a representar 18,1% do total exportado pelo setor (ante 17,7% no mesmo período de 2024), acrescentou a entidade.

Destaques das exportações

Sucos (+74,4%)
Óleos combustíveis (+42,1%)
Café não torrado (+34%)
Aeronaves (+14,9%)
Semiacabados de ferro ou aço (+14,5%)

A carne bovina passou a figurar entre os dez produtos mais exportados para os EUA, com alta expressiva de 111,8%, ocupando a 9ª posição.

Importações

A pauta de compras nos EUA, segundo a Amcham Brasil, foi dominada por bens manufaturados (89,2%), com destaque para máquinas, medicamentos, petróleo e equipamentos de processamento de dados.

As compras de petróleo bruto aumentaram 78,3%, revertendo a tendência de queda anterior e impulsionando o setor energético. Já as importações de gás natural recuaram, refletindo a menor demanda no início do ano.

Fonte: G1

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