Portos

Terminal de R$ 1 bilhão em Rio Grande avança com assinatura de contrato e reforça logística portuária no Sul

A instalação de um novo terminal portuário em Rio Grande, no Sul do Brasil, deu um passo decisivo com a assinatura do contrato de adesão entre a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a empresa Terminal Rio Grande do Sul S.A., por meio do Ministério de Portos e Aeroportos. O acordo autoriza a implantação de um terminal de uso privado dentro da área do Porto de Rio Grande, voltado principalmente à movimentação e armazenagem de celulose.

O empreendimento é estratégico para viabilizar a operação da nova fábrica da CMPC, em construção no município de Barra do Ribeiro, e deve fortalecer a logística hidroviária no estado.

Investimento bilionário e geração de empregos

Com a formalização do contrato, o próximo passo é a assinatura da concessão, etapa necessária para o início do investimento estimado em R$ 1 bilhão na construção do terminal. A expectativa é que o processo seja concluído nos próximos dias, após alinhamentos finais com o governo federal.

O projeto prevê a geração de mais de mil empregos diretos durante a fase de implantação, além de impactos positivos indiretos em toda a cadeia logística e industrial da região.

Maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul

A nova unidade industrial da CMPC, empresa chilena do setor de celulose, representa o maior investimento privado já realizado no Rio Grande do Sul, com aporte superior a R$ 25 bilhões. A planta será construída a partir de 2026, em Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Durante a fase de obras, a expectativa é de mais de 10 mil empregos diretos. Já na etapa operacional, prevista para 2029, a fábrica deve manter cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Em 2024, a CMPC foi responsável por mais de 40% da movimentação de exportações por hidrovias no estado, sendo que mais de 90% desse volume passou pelo Porto de Rio Grande.

Obras no Porto de Rio Grande ampliam capacidade logística

Além da construção do novo terminal, o projeto prevê investimentos estruturais relevantes no porto. Estão programados R$ 140 milhões em dragagem, o que permitirá ampliar o calado de 9,5 metros para 12 metros, aumentando a capacidade operacional e a segurança da navegação.

Paralelamente, o governo estadual anunciou o maior investimento já realizado em dragagem no Rio Grande do Sul. Em outubro, o governador Eduardo Leite confirmou o aporte de R$ 432,2 milhões, por meio do Funrigs, para obras no canal de acesso ao Porto de Rio Grande.

A dragagem, já em execução, tem prazo estimado de 15 meses e está sendo realizada pela multinacional Van Oord, com a draga Utrecht. O projeto prevê a remoção de cerca de 15 milhões de metros cúbicos de sedimentos, garantindo um calado oficial de 15 metros em todo o canal de navegação, incluindo áreas externas, internas e berços do Porto Novo.

Infraestrutura portuária e competitividade internacional

Com os novos investimentos, o Porto de Rio Grande consolida sua posição como um dos principais hubs logísticos do país, ampliando a capacidade de exportação, reduzindo custos operacionais e fortalecendo a competitividade do setor industrial gaúcho no mercado internacional.

FONTE: A Hora do Sul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

Lake Pontchartrain Causeway: a ponte de quase 40 km sustentada por mais de 9.500 pilares sobre a água

A Lake Pontchartrain Causeway é uma das maiores pontes contínuas sobre a água já construídas no mundo. Com quase 40 quilômetros de extensão, a estrutura atravessa o lago Pontchartrain, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, apoiada em mais de 9.500 pilares de concreto. O que impressiona não é apenas o tamanho, mas a precisão técnica envolvida em sua construção.

Ao cruzar a ponte, muitos motoristas relatam uma sensação curiosa: em diversos trechos, não é possível ver terra em nenhuma direção. O horizonte se confunde com a água, criando a impressão de que a estrada se estende infinitamente.

Uma das maiores pontes contínuas do mundo sobre a água

A Causeway se destaca por sua extensão e pela regularidade de sua estrutura. Diferente de pontes estaiadas ou suspensas, ela apresenta um traçado reto e repetitivo, que esconde um nível elevado de complexidade técnica. Cada segmento depende de uma execução precisa para garantir estabilidade ao longo de dezenas de quilômetros.

Uma obra marcada pela repetição estrutural extrema

O grande desafio do projeto foi repetir a mesma solução estrutural milhares de vezes sem margem para erro. Cada trecho da ponte segue o mesmo padrão construtivo, exigindo alinhamento rigoroso e controle absoluto de qualidade.

Essa repetição em larga escala transformou a obra em um dos maiores exemplos de engenharia baseada em padronização e precisão.

Mais de 9.500 pilares sustentando a travessia

O verdadeiro coração da Lake Pontchartrain Causeway está abaixo da superfície. São mais de 9.500 pilares de concreto cravados no fundo do lago, formando uma base contínua e invisível para quem atravessa a ponte.

Esses pilares foram projetados para resistir à ação da água, às variações de carga e ao desgaste provocado pelo tempo, garantindo estabilidade mesmo em condições ambientais adversas.

Desafios de construir sobre um lago raso e instável

Embora o lago Pontchartrain não seja profundo, seu solo é formado por sedimentos macios, o que exige técnicas específicas de fundação. Além disso, a região sofre influência de tempestades tropicais e furacões, o que impõe esforços laterais significativos sobre a estrutura.

A solução foi distribuir o peso da ponte em milhares de pontos de apoio, reduzindo riscos localizados e aumentando a segurança estrutural.

Dois tabuleiros paralelos e décadas de expansão

A ponte é composta por dois tabuleiros paralelos, construídos em épocas diferentes. O primeiro foi inaugurado em 1956, enquanto o segundo entrou em operação em 1969 para atender ao aumento do tráfego.

Cada tabuleiro possui sua própria linha de pilares, o que dobra a complexidade tanto da construção quanto da manutenção ao longo dos anos.

Simples na aparência, complexa na execução

Visualmente, a Causeway parece apenas uma estrada reta sobre a água. No entanto, sua construção exigiu logística avançada, transporte preciso de materiais e posicionamento milimétrico de cada elemento estrutural.

Qualquer erro repetido milhares de vezes poderia comprometer toda a obra, tornando o controle de qualidade um dos fatores mais críticos do projeto.

Manutenção constante em ambiente agressivo

A exposição contínua à umidade, à salinidade e às variações climáticas exige inspeções frequentes. A integridade do concreto, a proteção contra corrosão e a estabilidade das fundações são monitoradas constantemente.

Por isso, a ponte não é apenas uma obra concluída, mas um sistema em manutenção permanente.

Uma experiência visual única para quem atravessa

Para quem dirige pela Causeway, a travessia é marcante. Em dias de céu limpo ou neblina, o encontro entre água e horizonte cria a sensação de que a estrada não tem fim.

Esse efeito visual ajudou a transformar a ponte em uma curiosidade mundial, frequentemente citada entre as obras de engenharia que parecem irreais.

Uma solução prática que virou símbolo

Antes da construção da ponte, a travessia do lago dependia de rotas longas ou balsas. A Causeway reduziu significativamente o tempo de deslocamento e se tornou essencial para a mobilidade regional, conectando comunidades ao entorno de Nova Orleans.

Mesmo sem ter sido pensada como atração turística, acabou se consolidando como um símbolo da engenharia funcional em grande escala.

Quando a repetição se transforma em grandiosidade

A Lake Pontchartrain Causeway mostra que grandiosidade não depende apenas de formas ousadas. Em muitos casos, o verdadeiro desafio está em repetir uma solução simples milhares de vezes, com precisão absoluta, em um ambiente hostil.

Essa combinação de simplicidade aparente e complexidade técnica faz da ponte uma das obras mais impressionantes já construídas sobre a água.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Portos

Porto de Imbituba encerra 2025 com investimentos históricos e salto na capacidade operacional

O Porto de Imbituba conclui 2025 consolidado como um dos principais polos da logística portuária de Santa Catarina, impulsionado por um conjunto de obras estruturantes, modernização tecnológica e avanços institucionais. Entre os marcos do ano está a autorização da Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos de Santa Catarina, para a realização de 40 manobras experimentais com navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento (LOA).

A medida posiciona o terminal em um novo nível de competitividade, permitindo a operação de embarcações de grande porte e ampliando sua integração aos corredores logísticos internacionais.

Gestão e investimentos sustentam desempenho do complexo

Para o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, os resultados refletem uma operação organizada, equipes qualificadas e investimentos focados na modernização do complexo portuário, com ganhos diretos em eficiência e sustentabilidade.

Na avaliação do diretor-presidente da SCPAR Porto de Imbituba, Christiano Lopes, o desempenho confirma a efetividade do planejamento estratégico adotado no estado. Segundo ele, o porto se consolida como ativo essencial para a indústria catarinense, o agronegócio e a ampliação da presença do estado no comércio exterior, reforçando a infraestrutura logística como referência nacional.

Cais 3 passa pela maior intervenção desde 1979

O ano de 2025 também marca o início do maior ciclo de obras da história do porto. O Cais 3 recebe investimentos públicos superiores a R$ 115 milhões, sendo R$ 91 milhões destinados às obras em execução. A intervenção inclui recuperação estrutural, reforço, ampliação, instalação de colunas de contenção e construção de dolfins de atracação e amarração.

Com as melhorias, o comprimento operacional do cais será ampliado de 200 para 335 metros. Além disso, está prevista para 2026 a contratação das obras de dragagem e derrocagem, com aprofundamento programado para ocorrer entre dezembro de 2026 e março de 2027, durante a paralisação das operações do Cais 3.

Intervenções ampliam eficiência dos berços de atracação

Paralelamente, o Cais 2 avança na implantação de um novo dolfim de amarração. Somadas às obras de derrocagem no Cais 1, os investimentos públicos chegam a cerca de R$ 15 milhões. As melhorias permitirão que os dois berços operem até quatro navios simultaneamente.

No Cais 1, seguem as obras de ampliação da área de acostagem, com previsão de elevação da profundidade para 15 metros, o que deve resultar em ganhos relevantes de eficiência operacional em todo o complexo portuário.

Mais de R$ 300 milhões em investimentos públicos previstos

Além das obras em cais, o Porto de Imbituba projeta mais de R$ 300 milhões em investimentos públicos, contemplando ações como dragagem, drenagem, recuperação do molhe de abrigo, melhorias em acessos, portarias e outros projetos estruturantes, além da expansão das conexões marítimas.

Outro avanço institucional foi a assinatura do novo Convênio de Delegação entre União, Estado e SCPAR Porto de Imbituba, que unifica a administração dos portos de Imbituba e Laguna pelos próximos 25 anos, fortalecendo a governança portuária catarinense e criando sinergias operacionais.

Novas rotas marítimas ampliam integração logística

No campo logístico, o porto incorporou a linha marítima semanal Puma, que se soma às rotas Brazex e ALCT-2. A ampliação das rotas fortalece a ligação entre Uruguai, Nordeste brasileiro e mercados da Ásia, com impacto direto no fluxo de cargas de maior valor agregado.

Modernização tecnológica avança com novo datacenter

A modernização tecnológica também foi destaque em 2025, com a inauguração de um novo datacenter, fruto de investimento de R$ 8,5 milhões. A estrutura amplia a capacidade de armazenamento e processamento de dados em tempo real, além de reforçar a conectividade entre empresas e operadores que atuam no complexo portuário.

Movimentação de cargas supera expectativas em 2025

Do ponto de vista operacional, o desempenho foi superior ao esperado. Entre janeiro e outubro, o Porto de Imbituba movimentou 6,17 milhões de toneladas e contabilizou 268 atracações. Outubro foi o mês mais intenso, com 714,7 mil toneladas e 27 navios atendidos.

As exportações somaram 2,53 milhões de toneladas, impulsionadas por coque calcinado, coque não calcinado e farelo de milho. Já as importações atingiram 2,86 milhões de toneladas, alta de 2,5% em relação a 2024, com destaque para hulha betuminosa, sal e insumos industriais.

A cabotagem também apresentou crescimento, com 547,3 mil toneladas embarcadas e 136,8 mil desembarcadas, enquanto o transbordo avançou 113,1% na comparação anual.

Os granéis sólidos lideraram a movimentação, representando 77,8% do total, seguidos pela carga conteinerizada, com 17,3% e mais de 1,06 milhão de toneladas. No comércio exterior, o porto movimentou mais de US$ 1,44 bilhão, reforçando sua relevância para a balança comercial de Santa Catarina.

Relação com a comunidade e perspectivas para 2026

Além dos resultados operacionais, o Porto de Imbituba ampliou sua atuação social. Mais de R$ 170 mil foram destinados a entidades locais por meio do projeto Arraiá do Porto, e o programa Porto de Portas Abertas já recebeu mais de 8 mil visitantes. Somados, investimentos em cultura, esporte e projetos sociais alcançaram cerca de R$ 700 mil ao longo do ano.

Com a expectativa de ultrapassar 7 milhões de toneladas movimentadas em 2025 e com projetos estruturantes em andamento, o Porto de Imbituba encerra o ano preparado para um novo ciclo de crescimento, inovação e integração logística no Sul do Brasil.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Portos públicos da Bahia movimentam 10,8 milhões de toneladas em 2025

Os portos públicos da Bahia movimentaram mais de 10,8 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e outubro de 2025. O resultado consta em balanço divulgado pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e reflete o desempenho operacional dos terminais sob gestão federal no estado.

O volume acumulado nos portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus reforça a relevância da Bahia no comércio exterior e na logística portuária brasileira, mantendo o estado em posição estratégica no cenário nacional.

Julho e agosto concentram maiores volumes do ano

Os melhores resultados mensais foram registrados em julho e agosto, quando a movimentação ultrapassou 1,2 milhão de toneladas em cada mês. Segundo a Codeba, esses períodos concentraram os maiores volumes operados em 2025 até agora, com impacto direto no desempenho acumulado do ano.

Porto de Salvador lidera movimentação de cargas

Entre os terminais administrados pela Companhia, o Porto de Salvador apresentou o maior volume no período analisado, com 5,7 milhões de toneladas movimentadas. Em seguida aparece o Porto de Aratu-Candeias, que registrou 5,0 milhões de toneladas. Já o Porto de Ilhéus somou 165.367 toneladas entre janeiro e outubro.

De acordo com a Codeba, os números estão associados ao fortalecimento das operações portuárias e à melhoria da organização logística dos terminais baianos, que exercem papel fundamental na movimentação de cargas do estado e do país.

Investimentos impulsionam competitividade dos portos

O presidente da Codeba, Antonio Gobbo, destacou que os resultados são reflexo dos investimentos em infraestrutura portuária, alinhados a uma política de governo voltada ao desenvolvimento econômico e social.

Segundo ele, a ampliação da infraestrutura, a integração com outros modais de transporte, além de avanços em tecnologia e segurança, têm garantido maior fluidez operacional e aumentado a competitividade dos portos da Bahia.

Gobbo ressaltou ainda que esse cenário contribui para a geração de empregos, aumento da renda e criação de novas oportunidades de desenvolvimento social em âmbito regional e nacional.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Infraestrutura e desempenho portuário permanecem como desafios centrais para o comércio exterior brasileiro

Um conjunto de levantamentos divulgados por entidades do setor produtivo aponta que o custo de transporte e a ineficiência portuária continuam entre os principais entraves para a competitividade das exportações brasileiras. Os dados mostram que o país enfrenta limitações históricas em infraestrutura, que afetam diretamente o desempenho das empresas que atuam no comércio internacional.

O estudo mais recente da Confederação Nacional da Indústria indica que os custos logísticos representam, em média, 12,4% do faturamento das empresas voltadas ao mercado externo. O percentual é mais que o dobro do observado em países que lideram o comércio global, onde o indicador costuma permanecer entre 6% e 8%.

Outro ponto identificado é o tempo de permanência das cargas nos portos. Informações reunidas pelo Banco Mundial no Índice de Desempenho Logístico mostram que o Brasil ainda figura abaixo de economias emergentes da América Latina no quesito agilidade portuária. O tempo médio entre chegada, inspeção, carregamento e liberação da carga pode ser até três vezes maior que o observado em terminais da Ásia e da Europa.

A combinação entre alto custo de transporte terrestre e limitação operacional nos portos afeta tanto exportadores quanto importadores. No caso das exportações, os produtos chegam ao mercado externo com menor margem competitiva. Já nas importações, o impacto aparece no preço final, no prazo de entrega e na capacidade de abastecimento das cadeias internas.

Estrutura logística e gargalos operacionais

O Instituto de Logística e Supply Chain aponta que o transporte rodoviário concentra cerca de 65% do deslocamento de cargas no país, o que aumenta a dependência de combustíveis, pedágios e manutenção de frota. Em regiões em que as rotas passam por estradas com pavimentação irregular, o tempo de transporte pode dobrar em comparação a trajetos equivalentes em países com matriz logística mais diversificada.

Nos portos, a limitação de calado, a baixa automação de pátios e o uso reduzido de sistemas integrados de gestão continuam entre os principais fatores que ampliam o tempo de espera para atracação. Dados recentes da Antaq mostram que o tempo médio de fila para navios de container variou acima da média global em diversos terminais ao longo de 2024.

Os setores mais impactados são o agronegócio, a indústria de transformação e os embarcadores de produtos de alto valor agregado. Em períodos de safra, a combinação de picos de demanda e gargalos estruturais afeta a fluidez das operações, ampliando custos de armazenagem e estendendo prazos logísticos.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil também registrou aumento no custo logístico para exportadores de grãos. O deslocamento de cargas do Centro-Oeste até os portos do Sudeste pode representar até 30% do valor do produto em determinadas rotas, o que limita a competitividade frente a países que possuem corredores ferroviários ou hidrovias mais consolidados.

Impactos diretos na cadeia importadora e exportadora

O cenário atual aponta que a ineficiência logística não atinge apenas quem envia produtos ao exterior. Importadores também enfrentam custos adicionais com armazenagem, demurrage e variações de prazos decorrentes da lentidão operacional. Relatórios recentes do setor marítimo indicam que atrasos recorrentes influenciam diretamente a formação de preços e a previsibilidade das cadeias internas de suprimento.

A falta de integração entre transporte terrestre, terminais portuários e sistemas aduaneiros aparece como um dos fatores centrais. Empresas que dependem de insumos importados relatam que a instabilidade logística interfere na produção e na capacidade de atender à demanda interna. O problema se intensifica em segmentos que operam com estoques reduzidos.

A discussão sobre infraestrutura volta ao centro do debate econômico com os dados apresentados este ano. Enquanto investimentos em corredores logísticos avançam em países concorrentes, o Brasil mantém gargalos que repercutem em toda a cadeia importadora e exportadora. A capacidade de reduzir esses custos e ampliar a eficiência portuária será determinante para posicionar o país de forma mais competitiva no comércio global.

TEXTO E IMAGEM: PROCESS CERTIFICAÇÕES

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Transporte

Terminais portuários privados impulsionam transporte hidroviário após mudança na lei

A expansão do transporte hidroviário no Brasil e o fortalecimento dos corredores logísticos do Arco Norte estão diretamente associados ao avanço dos terminais de uso privado (TUPs). A virada ocorreu a partir da Lei dos Portos, sancionada no fim de 2013, que permitiu aos terminais privados movimentarem cargas de terceiros, ampliando a concorrência e garantindo maior segurança jurídica ao setor.

Abertura do mercado atrai investimentos privados

Antes da nova legislação, os terminais operavam de forma restrita. Com a mudança, o ambiente regulatório tornou-se mais atrativo para investidores. O resultado foi imediato: cerca de 50 pedidos de instalação de novos TUPs, muitos deles concentrados na Região Norte, além do aumento na encomenda de barcaças e rebocadores.

Esse movimento estimulou a economia regional e reduziu o custo do frete em comparação às rotas tradicionais do Sudeste. Segundo especialistas, o investimento foi integralmente privado, impulsionado pela percepção de que o escoamento pelo Arco Norte é mais eficiente e competitivo.

Norte lidera crescimento de instalações portuárias

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em dezembro de 2024, o Brasil contava com 277 instalações portuárias autorizadas, das quais 229 eram terminais de uso privado. Desse total, 106 estavam localizadas na Região Norte, consolidando o corredor como o de maior crescimento no país.

Empresas do setor avaliam que a expansão dos TUPs reforça o papel estratégico das hidrovias na matriz logística nacional, especialmente para o agronegócio e o transporte de granéis.

Ampliação da frota fortalece competitividade

Companhias que atuam na região seguem ampliando sua capacidade operacional. A Amaggi, por exemplo, está expandindo em 10% sua frota, que atualmente conta com 223 balsas e 21 empurradores. A empresa opera terminais em Rondônia, Amazonas e Pará e mantém, em parceria com a Bunge, a joint venture Unitapajós, voltada ao escoamento de grãos pelas hidrovias dos rios Tapajós e Amazonas.

A avaliação do setor é que investimentos desse porte são fundamentais para manter a competitividade logística do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos, fibras e outros produtos agrícolas.

Falta de previsibilidade ainda é desafio

Apesar dos avanços, a previsibilidade da navegação continua sendo um dos principais entraves ao uso pleno das hidrovias. Durante a estiagem de 2024, empresas relataram dificuldades operacionais, com a necessidade de ações emergenciais para abastecer regiões isoladas.

Em alguns casos, foi preciso recorrer ao transporte rodoviário por longas distâncias para suprir áreas que ficaram inacessíveis pelos rios, evidenciando a vulnerabilidade do sistema em períodos críticos.

Dragagem e concessões entram no radar

Para operadores e especialistas, a adoção de um programa contínuo de dragagem dos rios é vista como essencial para ampliar a segurança da navegação e garantir regularidade ao transporte fluvial. A avaliação é que esses investimentos beneficiariam não apenas o setor produtivo, mas toda a sociedade, ao manter ativo um dos principais eixos de integração da Amazônia.

Nesse contexto, o governo federal estuda conceder hidrovias a partir de 2026, medida que pode ampliar a participação privada e impulsionar novos investimentos em infraestrutura logística.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yan Boechat/Valor

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Internacional

Ponte Bioceânica avança e aproxima conexão entre Paraguai e Brasil

A Ponte Bioceânica, infraestrutura central da rota PY15 que ligará o Paraguai ao Brasil, está perto de se tornar realidade. Segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), resta apenas um trecho central de 149,60 metros para unir definitivamente as duas margens do rio Paraguai. A construção já atingiu 78% de avanço.

Progresso nos pilares e no tabuleiro da ponte

O Consórcio Binacional Pybra informou que estão previstos os concretos das dovelas D11’ e D11 do Pílone 13, módulos que se encaixam progressivamente para ampliar o tabuleiro sobre o rio. Até agora, o Pílone 13 já chegou à dovela 11, enquanto o Pílone 14 avançou até a dovela 13.

No Pílone 14 também segue o trabalho de instalação dos tirantes, responsáveis por sustentar cada segmento e permitir que a estrutura avance com segurança rumo ao centro do canal.

Além disso, foi concluído o postensado dos mastros, seguido da injeção das bainhas que protegem os cabos internos. Esses processos técnicos garantem maior durabilidade e resistência, fundamentais para suportar o aumento no fluxo de veículos esperado com o desenvolvimento da região.

Preparação dos acessos no Brasil e no Paraguai

No lado brasileiro, estão sendo instaladas barreiras de segurança anti-colisão e anti-suicídio, reforçando a proteção dos futuros usuários. Do lado paraguaio, seguem os trabalhos de preparação do acesso, com a aplicação de material granular e a imprimatura dos primeiros 500 metros. Essa estrutura permitirá entrada fluida e segura quando o ponte começar a operar.

Benefícios para Carmelo Peralta e comunidades do Chaco

A obra não se limita ao vão principal. O projeto inclui ruas, áreas logísticas e acessos urbanos, que trarão impactos diretos para Carmelo Peralta e comunidades produtivas do Chaco. A integração com o Corredor Bioceânico abrirá novas oportunidades para agricultores, estudantes, comerciantes e famílias que dependem de rotas mais rápidas e eficientes.

Uma ponte pensada para o futuro

A Ponte Bioceânica terá cerca de 1.300 metros sobre o rio Paraguai, com duas faixas amplas, banquinas que poderão virar pistas extras no futuro e calçadas para pedestres e ciclistas. O projeto ainda inclui avenidas de acesso e uma costaneira que acompanhará o crescimento urbano, configurando uma infraestrutura capaz de integrar territórios, impulsionar a economia local e conectar o Paraguai aos portos do Atlântico e do Pacífico.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Aeroportos

Aeroporto de Guarulhos anuncia novo plano de investimentos de R$ 2,5 bilhões até 2029

O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, terá um novo ciclo de investimentos estimado em R$ 2,5 bilhões até 2029. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em parceria com a GRU Airport, concessionária responsável pela administração do terminal. O objetivo é ampliar a capacidade operacional, reforçar a segurança aeroportuária, melhorar a experiência dos passageiros e preparar o principal aeroporto do país para o crescimento da demanda nacional e internacional.

Segundo a Anac, Guarulhos responde por 15% da movimentação aérea do país e concentra 29% do fluxo de passageiros internacionais. Para o ministro Silvio Costa Filho, o terminal é um pilar estratégico da aviação brasileira. Ele afirmou que o setor vive seu melhor momento em mais de dez anos e que o pacote de obras corrige a falta de investimentos estruturantes registrados nos anos anteriores.

Aportes privados e fortalecimento do setor aéreo

O ministro destacou que os investimentos privados mobilizados pelo programa Investe+ Aeroportos e pela Portaria 93 somam cerca de R$ 1,8 bilhão. Somados ao plano anunciado pela concessionária, os aportes ultrapassam R$ 4 bilhões. Costa Filho reforçou que as obras consolidam Guarulhos como um dos principais hubs do hemisfério sul, com impacto direto na geração de empregos e renda. “Cada turista que chega ao Brasil movimenta a economia e cria novas oportunidades”, disse.

Durante o evento, o diretor-presidente da GRU Airport, Osvaldo Garcia, afirmou que este é o maior volume de investimentos desde a inauguração do aeroporto, há mais de 40 anos. Mais de 25 intervenções estão previstas, incluindo a expansão de terminais, modernização do sistema de bagagens, obras em pistas e pátios e o retrofit do Terminal 2. Ele também citou a renovação da frota de ônibus e a atualização da rede elétrica, ambas alinhadas a padrões internacionais de eficiência.

Infraestrutura, segurança e modernização

A repactuação do contrato de concessão, aprovada pelo TCU em outubro de 2024, permitiu retomar obras essenciais e estendeu o contrato até novembro de 2033. Esse novo marco regulatório deu impulso ao Programa AmpliAr, responsável pelo leilão de 13 aeroportos no Nordeste e na Amazônia Legal, com previsão de R$ 730 milhões em investimentos para ampliar a aviação regional.

Entre as melhorias previstas para Guarulhos estão a ampliação da Delegacia da Polícia Federal, a instalação de novos scanners corporais, leitores faciais, 98 equipamentos de raio-x e 16 unidades EDS Standard 3, que elevam o padrão de segurança do terminal. O plano inclui também a expansão de áreas de embarque, melhorias em pátios e pistas de táxi e a implementação de tecnologias avançadas para monitoramento e resposta a emergências.

Guarulhos reforça posição como hub global

Com o conjunto de obras e modernizações, o Governo Federal afirma que o aeroporto seguirá operando com eficiência, segurança e qualidade compatíveis com sua importância estratégica. As intervenções também consolidam Guarulhos como um dos principais hubs globais da aviação e fortalecem o papel do Brasil no fluxo internacional de passageiros.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Logística

Governo prepara Plano Nacional de Logística para orientar o transporte no Brasil até 2050

O governo federal está desenvolvendo um novo Plano Nacional de Logística (PNL), que definirá as diretrizes do transporte e da logística brasileiros até 2050. A proposta busca projetar cenários de longo prazo e estabelecer prioridades estratégicas para ampliar a eficiência da mobilidade de cargas e pessoas no país.

Foco no transporte hidroviário
Responsável pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação — criada em abril do ano passado — Otto Luiz Burlier afirma que o documento pretende reforçar a relevância do modal hidroviário dentro da matriz de transportes. Ele destaca que esse tipo de transporte é significativamente mais eficiente e sustentável do que outras alternativas.

Segundo Burlier, o modal hidroviário é 80% menos poluente e 60% mais eficiente e barato do que o transporte rodoviário, além de carregar uma “agenda social natural”, com impacto positivo no desenvolvimento regional. O secretário acrescenta que o governo tem buscado dialogar com diferentes setores da sociedade para ampliar a compreensão sobre esses benefícios.

Debates sobre desafios e oportunidades
O avanço das políticas logísticas foi tema de mais uma edição do Logística no Brasil, série de eventos promovidos pelo Valor Econômico em parceria com a CBN. A edição mais recente ocorreu em Belém (PA) e reuniu autoridades e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades na infraestrutura de transportes.

FONTE: CBN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Portos

Novo porto de R$ 3 bilhões em Santa Catarina será debatido em audiência pública

O projeto do oitavo porto de Santa Catarina avança para uma nova etapa. Moradores de Itapoá e municípios vizinhos poderão conhecer as propostas do TUP Coamo em uma audiência pública marcada para 10 de dezembro, às 19h, na Associação Comunitária do Pontal do Norte e da Figueira do Pontal. O encontro apresentará os principais pontos do empreendimento e discutirá o Relatório de Impacto Ambiental (Rima).

Investimento bilionário e estrutura prevista

Orçado em R$ 3 bilhões, o novo terminal será instalado em uma área de 43 hectares e contará com três berços de atracação. O projeto — desenvolvido há vários anos — prevê a movimentação de granéis sólidos e líquidos, como soja, milho, fertilizantes e derivados de petróleo, incluindo GLP. A estimativa é que o porto entre em operação em 2030, com capacidade para movimentar 11 milhões de toneladas por ano.

Alívio logístico para o Sul do Brasil

Situado próximo ao Porto de Itapoá, o terminal privado pretende desafogar o escoamento da produção agrícola da região Sul. A Coamo, maior cooperativa agroindustrial do país, destaca que o novo porto deve reduzir gargalos enfrentados nos portos do Paraná e fortalecer a competitividade das exportações brasileiras.

Geração de empregos e licenciamento

As obras devem criar aproximadamente 2 mil empregos temporários, enquanto a fase operacional poderá manter cerca de mil postos permanentes. O projeto segue em análise no processo de licenciamento ambiental conduzido pelo governo estadual.

FONTE: ND Mais
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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