Internacional

Brasil e aliados defendem solução pacífica para crise na Venezuela e rejeitam uso da força

Os governos de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram, em 4 de janeiro de 2026, um posicionamento conjunto sobre os acontecimentos recentes na Venezuela. Diante da gravidade da situação, os países reafirmaram compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas e manifestaram forte preocupação com ações militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano.

Segundo a declaração, essas iniciativas violam normas fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso ou da ameaça do uso da força, além de ferirem a soberania e a integridade territorial dos Estados. Os governos alertam que esse tipo de ação representa um risco à paz regional, à ordem internacional baseada em regras e à segurança da população civil.

Defesa do diálogo e da vontade do povo venezuelano

No documento, os países reiteram que a crise na Venezuela deve ser solucionada exclusivamente por meios pacíficos, com base no diálogo, na negociação e no respeito à vontade do povo venezuelano, sem interferências externas.

A posição conjunta destaca que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma saída democrática, duradoura e alinhada à dignidade humana, sempre em conformidade com o direito internacional.

América Latina é reafirmada como zona de paz

Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha reforçam ainda o entendimento de que a América Latina e o Caribe devem permanecer como uma zona de paz, construída sobre os princípios do respeito mútuo, da não intervenção e da solução pacífica de controvérsias.

Nesse contexto, os governos fazem um apelo à unidade regional, independentemente de divergências políticas, diante de qualquer ação que ameace a estabilidade regional. O grupo também conclama as Nações Unidas e outros mecanismos multilaterais a utilizarem seus bons ofícios para promover a desescalada das tensões e preservar a paz.

Alerta sobre controle externo de recursos estratégicos

Outro ponto destacado na declaração é a preocupação com eventuais tentativas de controle governamental, administração externa ou apropriação de recursos naturais e estratégicos da Venezuela. Segundo os países signatários, esse tipo de iniciativa é incompatível com o direito internacional e pode gerar impactos negativos na estabilidade política, econômica e social da região.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM:

Ler Mais
Exportação

Brasil reage às cotas chinesas sobre carne bovina e tenta conter perdas bilionárias

O Brasil reagiu às cotas impostas pela China à carne bovina e iniciou uma ofensiva diplomática e comercial para reduzir os impactos da medida sobre o setor exportador. As restrições chinesas colocam em risco um dos principais eixos do comércio bilateral e podem gerar perdas bilionárias já a partir de 2026.

Em nota divulgada na quarta-feira (31), os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) informaram que acompanham a decisão “com atenção” e que atuarão de forma integrada com o setor privado para defender os interesses da cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Diálogo bilateral e possível atuação na OMC

Segundo o governo, o tema será tratado tanto no diálogo bilateral com Pequim quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora as salvaguardas não tenham sido justificadas por práticas desleais, como dumping ou subsídios ilegais, autoridades brasileiras avaliam que a iniciativa gera distorções relevantes em um mercado no qual o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico.

O comunicado oficial ressalta que as medidas chinesas são aplicáveis a importações de todas as origens, mas o impacto sobre o Brasil tende a ser mais expressivo devido ao elevado volume exportado ao país asiático.

Cotas e sobretaxa afetam volumes e preços

As restrições chinesas à carne bovina entraram em vigor no dia 1º e terão validade inicial de três anos. As novas regras fixam uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para as importações do produto brasileiro. O volume que ultrapassar esse limite será taxado com uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12% já existente.

A combinação de cotas e tarifas deve afetar diretamente os volumes embarcados e a formação de preços, reduzindo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

China é principal destino da carne brasileira

A China ocupa atualmente a posição de maior importador mundial e segundo maior consumidor de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, tornou-se o principal destino das exportações brasileiras, com influência decisiva sobre os preços internacionais do produto.

Em 2024, mais de um terço da carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês, evidenciando o grau de dependência comercial do setor em relação ao país asiático.

Setor estima perdas de até US$ 3 bilhões

Para a indústria brasileira, o impacto financeiro pode ser expressivo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que as salvaguardas impostas pela China possam resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receita em 2026, caso não haja flexibilização das regras ou redirecionamento relevante das exportações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Ladeira/Folhapress

Ler Mais
Comércio

Brasil se consolida como principal socio comercial e investidor do Paraguai, com US$ 1,5 bilhão acumulado

O Brasil reafirma sua posição como principal parceiro comercial e maior investidor estrangeiro no Paraguai, com um estoque acumulado de US$ 1,517 bilhão em investimentos. Os dados do terceiro trimestre de 2025 mostram uma relação econômica cada vez mais integrada, marcada por crescimento industrial, geração de empregos e fortalecimento das cadeias produtivas regionais.

Déficit comercial reflete maior atividade produtiva no Paraguai

O comércio bilateral entre Paraguai e Brasil encerrou o terceiro trimestre de 2025 com déficit de US$ 590,9 milhões para o lado paraguaio, revertendo o superávit observado no mesmo período do ano anterior. Segundo o relatório Update Comex Paraguay Brasil, elaborado pela Mentu Asociados para a Câmara de Comércio Paraguai-Brasil (CCPB), o resultado não indica fragilidade econômica.

O desempenho é explicado pelo aumento das importações de bens de capital e insumos industriais, utilizados na expansão da produção local. Esse movimento sinaliza maior dinamismo da indústria paraguaia e fortalecimento da demanda interna.

No cenário regional, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 46 bilhões, 21,3% inferior ao do ano anterior, refletindo margens mais apertadas, porém com elevado nível de atividade comercial.

Investimentos brasileiros somam US$ 110,2 milhões em 2024

O Brasil lidera com folga os investimentos estrangeiros diretos no Paraguai. Apenas em 2024, os aportes brasileiros chegaram a US$ 110,2 milhões, elevando o estoque acumulado para US$ 1,517 bilhão, o equivalente a 14,6% de todo o IED recebido pelo país.

Os recursos se concentram em setores estratégicos como autopartes, alimentos, energia, confecções e celulose, áreas com alto potencial de encadeamento produtivo. Segundo a CCPB, essa diversificação reforça uma integração econômica de longo prazo entre os dois países.

Indústria e demanda brasileira impulsionam comércio bilateral

A evolução do intercâmbio comercial até o terceiro trimestre de 2025 reflete dois fatores principais: a expansão da indústria paraguaia e o aumento da demanda brasileira por produtos manufaturados e alimentos.

De acordo com o presidente da CCPB, “o movimento comercial com o Brasil cresce porque o Paraguai produz mais. Isso significa investimento, emprego e expansão industrial”. A estabilidade macroeconômica do país, com inflação controlada e previsibilidade financeira, fortalece esse ambiente favorável aos negócios.

Regime de maquila ultrapassa US$ 1 bilhão em exportações

O regime de maquila segue como um dos pilares da indústria exportadora paraguaia. Até outubro de 2025, as exportações alcançaram US$ 1,052 bilhão, sendo US$ 131 milhões apenas no mês de outubro, conforme dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC).

Os setores de autopartes, confecções, alumínio e alimentos concentram 76% das exportações. O Mercosul absorve 81% dos embarques, com o Brasil respondendo por 64% do total, seguido pela Argentina. Também há vendas para Estados Unidos, Países Baixos, Bolívia, Chile e Uruguai.

Em 2024, as exportações maquiladoras representaram 66% das vendas industriais do país, consolidando o papel estrutural do regime na economia nacional.

Setor maquilador gera mais de 35 mil empregos diretos

O impacto social do setor é expressivo. A maquila emprega 35.447 trabalhadores, com crescimento anual de 6.676 novos postos. Apenas em outubro, foram criadas 383 vagas.

Os maiores empregadores são os segmentos de confecções (8.076 trabalhadores), autopartes (7.963), serviços intangíveis (3.959) e plásticos e químicos (2.742). Outros setores, como madeira, alimentos para pets e metalurgia, também superam mil empregos cada.

Um dado relevante é a participação feminina: 45% da força de trabalho é composta por mulheres, reforçando a inclusão no mercado formal.

Superávit da maquila contrasta com déficit comercial geral

Mesmo com o aumento de 18% nas importações do regime, que somaram US$ 563 milhões até outubro, a balança comercial da maquila permanece positiva. As exportações superam as importações em 87%, evidenciando elevado valor agregado na produção local.

Esse desempenho contrasta com o déficit comercial geral com o Brasil, mostrando duas dinâmicas distintas: maior importação de insumos para sustentar o crescimento industrial e, ao mesmo tempo, um setor exportador competitivo e gerador de divisas.

Integração produtiva vai além do comércio tradicional

Para a CCPB, a relação bilateral evoluiu para um novo patamar. “Hoje não falamos apenas de comércio, mas de integração produtiva, cadeias de valor e desenvolvimento regional compartilhado”, destacou o presidente da entidade.

Com o Brasil mantendo crescimento moderado e o Paraguai avançando na industrialização, a tendência é de fortalecimento dessa parceria. A expectativa é de que o país encerre 2025 com cenário econômico positivo, impulsionado pelo comércio bilateral e pelo avanço dos investimentos brasileiros.

FONTE: Economía
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Economía

Ler Mais
Internacional

Ponte Bioceânica avança e aproxima conexão entre Paraguai e Brasil

A Ponte Bioceânica, infraestrutura central da rota PY15 que ligará o Paraguai ao Brasil, está perto de se tornar realidade. Segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), resta apenas um trecho central de 149,60 metros para unir definitivamente as duas margens do rio Paraguai. A construção já atingiu 78% de avanço.

Progresso nos pilares e no tabuleiro da ponte

O Consórcio Binacional Pybra informou que estão previstos os concretos das dovelas D11’ e D11 do Pílone 13, módulos que se encaixam progressivamente para ampliar o tabuleiro sobre o rio. Até agora, o Pílone 13 já chegou à dovela 11, enquanto o Pílone 14 avançou até a dovela 13.

No Pílone 14 também segue o trabalho de instalação dos tirantes, responsáveis por sustentar cada segmento e permitir que a estrutura avance com segurança rumo ao centro do canal.

Além disso, foi concluído o postensado dos mastros, seguido da injeção das bainhas que protegem os cabos internos. Esses processos técnicos garantem maior durabilidade e resistência, fundamentais para suportar o aumento no fluxo de veículos esperado com o desenvolvimento da região.

Preparação dos acessos no Brasil e no Paraguai

No lado brasileiro, estão sendo instaladas barreiras de segurança anti-colisão e anti-suicídio, reforçando a proteção dos futuros usuários. Do lado paraguaio, seguem os trabalhos de preparação do acesso, com a aplicação de material granular e a imprimatura dos primeiros 500 metros. Essa estrutura permitirá entrada fluida e segura quando o ponte começar a operar.

Benefícios para Carmelo Peralta e comunidades do Chaco

A obra não se limita ao vão principal. O projeto inclui ruas, áreas logísticas e acessos urbanos, que trarão impactos diretos para Carmelo Peralta e comunidades produtivas do Chaco. A integração com o Corredor Bioceânico abrirá novas oportunidades para agricultores, estudantes, comerciantes e famílias que dependem de rotas mais rápidas e eficientes.

Uma ponte pensada para o futuro

A Ponte Bioceânica terá cerca de 1.300 metros sobre o rio Paraguai, com duas faixas amplas, banquinas que poderão virar pistas extras no futuro e calçadas para pedestres e ciclistas. O projeto ainda inclui avenidas de acesso e uma costaneira que acompanhará o crescimento urbano, configurando uma infraestrutura capaz de integrar territórios, impulsionar a economia local e conectar o Paraguai aos portos do Atlântico e do Pacífico.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

Ler Mais
Exportação

México pode afetar US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras com novas tarifas, alerta CNI

Impacto direto nas vendas do Brasil ao México
A decisão do México de elevar tarifas de importação pode atingir US$ 1,7 bilhão em exportações da indústria brasileira, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O projeto tarifário foi aprovado pelo Congresso mexicano e aguarda a sanção da presidente Claudia Sheinbaum. Além do Brasil, a medida também mira a China e outros nove países.

Setores industriais sob pressão
O texto aprovado prevê aumentos tarifários sobre 983 produtos distribuídos em 19 setores industriais. O Brasil aparece como o quinto país mais afetado, com 232 produtos da indústria de transformação sujeitos às novas taxas. Em 2024, esses itens representaram 14,7% das exportações brasileiras para o México, somando os US$ 1,7 bilhão agora ameaçados.

Em estudo divulgado nesta segunda-feira, a CNI alerta que o reajuste “pode elevar custos de produção e prejudicar os fluxos de comércio exterior e investimentos entre os dois países”.

Acordos atuais não evitam prejuízos
De acordo com a confederação, os acordos comerciais vigentes entre Brasil e México não neutralizam os efeitos da medida. Em agosto, os dois governos firmaram um plano de trabalho para atualizar esses instrumentos, mas as negociações continuam em andamento — e sem garantia de conclusão antes da entrada das novas tarifas.

CNI pede articulação urgente
Para a entidade, é essencial que Brasília e Cidade do México reforcem o diálogo bilateral e acelerem a negociação de um novo acordo comercial, capaz de reduzir o risco de perdas para a indústria dos dois países.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPOR

Ler Mais
Agronegócio, Exportação

Exportações do agro gaúcho caem 22% em novembro

As exportações do agronegócio gaúcho registraram queda de 22% em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2024. O valor embarcado caiu de US$ 1,69 bilhão para US$ 1,31 bilhão, enquanto o volume despencou 20%, de 2,4 milhões de toneladas para 1,92 milhão. A estiagem foi apontada como um fator que reduziu a oferta de grãos no período.

No total, o exportado pelo Rio Grande do Sul somou US$ 1,86 bilhão em novembro, sendo que o agronegócio representou 71% do valor e 88% do volume das vendas externas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Farsul.

Tarifas e impacto em produtos-chave

A entidade apontou que as tarifas adicionais dos Estados Unidos explicam grande parte das quedas em setores específicos:

  • Carne bovina in natura: queda de 100%
  • Carne bovina industrializada: -52% em valor e -62% em volume
  • Couros/peles de bovino crust: -68% em valor e -53% em volume
  • Couros/peles de bovinos preparados: -73% em valor e -65% em volume
  • Fumo e derivados: -56% em valor e -40% em volume
  • Pescados: -72% em valor e -74% em volume
  • Produtos apícolas: -63% em valor e -70% em volume
  • Madeira serrada: -54% em valor e -43% em volume

Soja e carnes: destaque positivo e negativo

A soja em grão foi a principal responsável pela retração nas exportações, mas outros produtos também registraram quedas. Entre as carnes, somente a carne bovina teve crescimento, com a China como principal destino, seguida por Rússia e Índia.

O mercado americano permanece de difícil acesso, mas o aumento das vendas para México e Canadá ajudou a compensar parte das perdas. As exportações de bovino vivo tiveram avanço expressivo, com 97% da produção destinada à Turquia.

Por outro lado, a carne de frango sofreu queda principalmente no Oriente Médio, em razão de atrasos nos embarques portuários. A carne suína apresentou bom desempenho nas Filipinas, mas registrou queda nas vendas para a China.

Perspectivas para 2026

O cenário para o arroz indica margens apertadas, com queda de 43% no valor exportado, mas apenas 2% no volume. Já o trigo apresenta sinais positivos, com exportações de US$ 21 milhões, comparado a nenhum embarque em novembro de 2024.

O fumo e seus derivados também registraram forte retração em valor (-20%), embora o volume tenha permanecido praticamente estável (-1%). A ausência de exportações para o Egito em 2025 gerou um rombo de US$ 107,3 milhões, parcialmente compensado pelo bom desempenho no mercado europeu.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Roberto Kazuhito Zito / Embrapa / CP

Ler Mais
Internacional

UE cria mecanismo de salvaguardas e ameaça acordo com Mercosul

O Parlamento Europeu aprovou na segunda-feira (8) um mecanismo de salvaguardas que pode reduzir os ganhos potenciais de produtores agrícolas brasileiros com o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A decisão gerou reação negativa em Brasília, que prometeu resistir à inclusão da medida no tratado.

O acordo UE-Mercosul, que teve suas negociações concluídas após duas décadas, tem assinatura prevista para 20 de dezembro. Especialistas alertam que a criação dessas salvaguardas pode provocar impasses de última hora, colocando o tratado em risco.

Conselho Europeu deve deliberar sobre o acordo

No dia 18 de dezembro, o Conselho Europeu, composto pelos chefes de governo dos 27 países-membros, votará sobre a aprovação do acordo. Para que ele siga para assinatura em Brasília, é necessário o aval de 55% dos países (15 de 27), representando ao menos 65% da população da UE.

O desafio vem de países com forte presença agrícola, como França, Polônia, Irlanda e Itália, que resistem à abertura do mercado europeu para produtos do Mercosul, mesmo com cotas limitadas.

Como funciona o mecanismo de salvaguardas

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs suspender os descontos em tarifas de importação para produtos agrícolas do Mercosul caso haja impacto negativo aos produtores europeus.

O Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu aprovou a proposta por 27 votos a favor e oito contra, com ajustes que restringem ainda mais a possibilidade de crescimento das exportações. O texto permite a abertura de investigações comerciais quando as vendas de produtos considerados sensíveis — como carne bovina e frango — aumentarem mais de 5% em média ao longo de três anos ou quando os preços caírem 5% no mercado europeu.

Após a aprovação no comitê, o plenário do Parlamento Europeu deve deliberar sobre o mecanismo na próxima terça-feira (16). Fontes diplomáticas europeias indicam que a votação final deve confirmar a aprovação, reduzindo a resistência de França, Polônia, Itália e Irlanda.

Impacto para o Mercosul e Brasil

Altos funcionários do governo brasileiro alertam que a medida pode comprometer a viabilidade do acordo de livre comércio. Atualmente, o Mercosul já enfrenta cotas anuais restritivas: 99 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de frango, 25 mil toneladas de carne suína, 180 mil toneladas de açúcar e 30 mil toneladas de queijos.

Segundo um representante brasileiro, se o agronegócio do Cone Sul não puder se beneficiar nem dessas cotas limitadas, será necessário reavaliar a própria assinatura do tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

Ler Mais
Economia

Competição entre Mercosul e União Europeia impulsiona desenvolvimento, diz Ingo Plöger

A reunião-almoço que marcou o fim da programação empresarial de 2025 da Câmara de Indústria e Comércio Alemã-Brasileira no Rio Grande do Sul reuniu, em Porto Alegre, empresários e especialistas para discutir o acordo Mercosul–União Europeia e o papel geopolítico do Brasil em um cenário global mais volátil. O convidado principal foi o engenheiro e economista Ingo Plöger, presidente da Abag e do Ceal Brasil.

Origem das negociações e mudanças no cenário internacional

Plöger relembrou que as tratativas entre os dois blocos começaram no fim dos anos 1990, quando havia maior confiança no multilateralismo e na integração entre democracias. Na época, a União Europeia avançava como modelo de compartilhamento de soberania, enquanto o Mercosul buscava consolidar estrutura semelhante na América do Sul. Segundo ele, a intenção inicial era fortalecer “autonomias compartilhadas que promovessem paz e prosperidade”.

Competição entre os blocos é vista como motor de prosperidade

O economista destacou que um equívoco comum é tratar Mercosul e União Europeia como economias naturalmente complementares. Na avaliação de Plöger, ambos são blocos altamente competitivos — e isso deve ser entendido como um fator positivo. “Competição gera prosperidade”, afirmou, lembrando que a própria formação europeia nasceu da disputa entre polos industriais robustos.

Transformações da economia global dificultam avanços

O longo impasse nas negociações, que já dura mais de 20 anos, também decorre das profundas mudanças na economia mundial. Quando o diálogo começou, a indústria ocupava posição central. Hoje, mais de metade do PIB tanto do Mercosul quanto da UE está concentrado em serviços, setor complexo de regular e pouco contemplado nos instrumentos tradicionais de comércio internacional.

Novo tabuleiro geopolítico e as vantagens brasileiras

Plöger observou que as recentes mudanças geopolíticas — como o enfraquecimento do multilateralismo, a ascensão de acordos bilaterais e a força crescente de potências com modelos distintos das democracias liberais — remodelaram o comércio global. Nesse contexto, o mundo passou a operar em três frentes simultâneas: segurança internacional, segurança alimentar e segurança energética.

É nesse ambiente que o Brasil se destaca. Na segurança alimentar, o País lidera pela produção de proteínas animais sustentada por cadeias logísticas avançadas, o que pressiona sistemas de subsídios de economias desenvolvidas. No campo energético, o diferencial brasileiro está na matriz elétrica limpa e na expertise em biocombustíveis. “O Brasil domina tecnologias que o mundo vai demandar ainda mais”, resumiu.

Futuro do acordo e necessidade de olhar adiante

Ao comentar as perspectivas do acordo Mercosul–UE, Plöger avaliou que o debate não deve ficar preso a tarifas ou prazos de desgravação. Para ele, quando — e se — o tratado for concluído, será essencial evitar uma análise limitada ao passado.

FONTE: Jornal do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lisa Ross/Divulgação/JC

Ler Mais
Agronegócio

China deve bater recorde de importação de soja em 2025 com avanço das compras do Brasil

A China caminha para registrar um recorde de importação de soja em 2025, impulsionada principalmente pela forte demanda por grãos do Brasil e pela recente melhora no clima comercial com os Estados Unidos. Projeções apontam para cerca de 110 milhões de toneladas no próximo ano, refletindo a expansão contínua do consumo no mercado interno.

Importações sobem com apoio do Brasil e trégua com os EUA
Dados da Administração Geral das Alfândegas indicam que, só em novembro, o país asiático adquiriu 8,11 milhões de toneladas, volume 13,4% maior que o registrado no mesmo mês do ano anterior. Entre janeiro e novembro de 2023, as compras totais somaram 103,79 milhões de toneladas, alta de 6,9% na comparação anual.
Analistas afirmam que compradores anteciparam embarques da América do Sul diante do temor de escassez durante a guerra comercial com os EUA, o que impulsionou especialmente a demanda pelo grão brasileiro.

Projeções otimistas para 2025
As expectativas permanecem positivas. Especialistas estimam que o volume total importado pela China pode alcançar 112 milhões de toneladas em 2025, superando a máxima histórica. De acordo com Rosa Wang, analista da JCI, mesmo com o desempenho moderado de novembro, a tendência é de avanço graças às fortes compras do Brasil e à retomada gradual das aquisições de soja norte-americana.

Relações comerciais ajudam a destravar compras dos EUA
A recente trégua comercial entre Washington e Pequim também tem influenciado o mercado. Após o diálogo entre líderes dos dois países em outubro, houve aceleração nas compras de soja dos EUA, especialmente pela estatal Cofco. Desde então, a empresa reservou cerca de 2,7 milhões de toneladas, embora ainda abaixo do volume desejado pela Casa Branca.

Mercado interno enfrenta estoques elevados
Mesmo com a demanda aquecida, o mercado doméstico chinês convive com estoques altos de soja e farelo, o que pressiona os preços. Segundo Wang Wenshen, analista da Sublime China Information, as importações de dezembro podem chegar a 8,6 milhões de toneladas, consolidando um ano de volumes historicamente altos. A oferta robusta convive com uma demanda igualmente forte, já que a China depende da soja importada para abastecer sua indústria de alimentos e de ração animal.

Perspectiva para o comércio internacional
O avanço constante das importações reforça a importância do Brasil como fornecedor estratégico e evidencia como os movimentos geopolíticos moldam o mercado global de soja. As projeções para 2025 indicam um cenário favorável para as exportações brasileiras, que devem continuar ganhando espaço no principal comprador mundial do grão.

FONTE: Money Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de Curitiba

Ler Mais
Economia

Governo adia Cúpula do Mercosul, mas mantém acordo de livre-comércio com a União Europeia

Brasil confirma acordo Mercosul–União Europeia em dezembro

O governo federal decidiu adiar a Cúpula do Mercosul para janeiro do próximo ano, informaram interlocutores do Palácio do Planalto. Apesar da mudança no calendário, está mantida para 20 de dezembro, em Brasília, a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) — um dos compromissos mais aguardados da agenda diplomática.

A formalização do tratado ocorrerá ainda sob a presidência brasileira do Mercosul, já que a troca de comando do bloco será concluída antes da reunião de chefes de Estado.

Lula busca consolidar protagonismo nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido o principal articulador, pelo lado sul-americano, do avanço nas negociações com a UE. O governo vê na assinatura do acordo uma oportunidade de reforçar o protagonismo brasileiro no cenário internacional e capitalizar politicamente o desfecho das tratativas.

Ausências de Milei e Peña levaram ao adiamento

O adiamento da cúpula foi motivado, principalmente, pela impossibilidade de participação dos presidentes Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai) na data inicialmente prevista.

A nova reunião deverá ocorrer em Foz do Iguaçu (PR), escolha considerada simbólica pelo Planalto: além de marcar a transição da presidência do bloco para o Paraguai, a cidade abriga uma das principais fronteiras entre os dois países.

Com informações do Palácio do Planalto.
Texto: Redação

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook