Portos

Itajaí sedia congresso técnico do setor portuário

Evento rola nesta segunda e terça-feira, no Riviera Convention, na Praia Brava.

Considerado um dos mais importantes eventos do setor no país, o congresso Portos & Costas Brasil 2025 inicia nesta segunda, em Itajaí. A programação vai até terça e contará com especialistas nacionais para debater infraestrutura portuária, dragagem, hidrovias, marinas, cruzeiros, meio ambiente e sustentabilidade.

O evento acontece no Riviera Convention Center, na Praia Brava. Além de painéis temáticos sobre diferentes áreas, o congresso permite aos participantes o contato com representantes e grandes empresas do setor, geração de negócios e troca de conhecimentos. Essa é a 3ª edição do congresso.

Idealizador do evento, Mauricio Torronteguy, sócio-diretor da MTCN, destaca a evolução do congresso. “O Portos & Costas ganhou relevância nas suas duas primeiras edições e, neste ano, vamos buscar repetir essa performance com nomes de primeira grandeza”, afirma. As inscrições para o congresso são limitadas a 280 participantes e podem ser feitas pelo site portosecostas.com.br/inscricoes. A programação completa também está disponível no site oficial.

Temáticas em destaque

A eficiência portuária, determinante para a competitividade no comércio exterior, estará no centro dos debates. O painel sobre infraestrutura terá nomes como Julio Cesar de Sousa Dias, da Secretaria Nacional de Portos; Fabio Wosniak, da Wosniak Engenharia; Gustavo Maschietto, da Carioca Engenharia; e Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente da Portonave.

O painel Navegação e Hidrovias, moderado por Eduardo Aoun Tannuri, discutirá metodologias para comboios e empurradores, além de parcerias público-privadas e os desafios da infraestrutura hidroviária. Já o painel Meio Ambiente e Sustentabilidade abordará dragagens com sedimentos contaminados, estratégias de descarbonização e programas de conservação de fauna costeira.

O eixo Engenharia e Processos Costeiros trará especialistas como Antônio Klein e Pedro Pereira (UFSC), Gabriel Paschoal (Hidromares), Mariana Grandezzi (ArcelorMittal) e Guilherme Medeiros (Porto de São Francisco). O debate terá foco em tecnologia, sustentabilidade e aproveitamento de material dragado.

A dragagem será tema de outro painel, com participação de Willian Fronza (Van Oord), John Verly (Royal IHC) e Calebe Sangi Silva (VLI), além de Mauricio Gaspar Filho e Matheus Trocoli Novaes, da Autoridade Portuária de Santos (APS), que apresentarão experiências do maior porto da América Latina.

Fonte: Diarinho

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Comércio Exterior

Senadores dos EUA propõem suspender tarifas da era Trump sobre o Brasil

Um grupo de cinco senadores dos EUA apresentou um projeto de lei na quinta-feira (18) para cancelar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar barrar a acusação no Brasil contra um de seus amigos, são ultrajantes”, disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.

A proposta também foi assinada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pelos democratas Jeanne Shaheen e Ron Wyden, e pelo republicano Rand Paul, membro do próprio partido de Trump.

Em julho, Trump anunciou uma tarifa retaliatória de 50% sobre produtos brasileiros em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados próximos, condenados na semana passada por liderarem a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A maior parte da alíquota efetiva de 40% foi imposta com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que dá ao presidente dos EUA autoridade para regular a atividade econômica em resposta a “ameaças extraordinárias”.

O senador Kaine afirmou que a medida faz parte “dessas guerras comerciais incompetentes e caóticas que estão tornando bens do dia a dia mais caros para os americanos que só estão tentando se virar”.

“Quando esta legislação chegar ao plenário do Senado, peço aos meus colegas de ambos os lados que defendam o princípio de que nossa política econômica deve ser elaborada em função dos melhores interesses dos americanos — não de vendetas pessoais mesquinhas”, disse ele.

O senador Schumer ecoou o colega democrata, argumentando que Trump está usando a política comercial para avançar sua agenda política.

“Trump instituiu a falsa ‘declaração de emergência’ após a acusação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara extrapolação de seus poderes presidenciais. Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso”, disse Schumer.

Até mesmo o senador Paul, que concorda com Trump que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente, disse que o presidente dos EUA extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA para impor tarifas.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade sob a IEEPA para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, argumentou Paul.

Os senadores enfatizaram os fortes laços comerciais entre os dois países, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos americanos.

Uma guerra comercial mais profunda, alertaram, aumentaria os preços para os consumidores americanos, prejudicaria ambas as economias e aproximaria o Brasil da China.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA está analisando — em caráter acelerado — um recurso do governo contra a decisão de um tribunal inferior que concluiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor a maior parte das tarifas com base na lei de poderes emergenciais. As tarifas permanecem em vigor enquanto o caso tramita na Justiça.

A decisão do tribunal de apelações decorre de dois processos. Um foi movido por cinco pequenas empresas importadoras de mercadorias, incluindo um importador de vinhos e licores com sede em Nova York e uma empresa de artigos de pesca da Pensilvânia.

O outro foi aberto por 12 estados norte-americanos — Arizona, Colorado, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Minnesota, Nevada, Novo México, Nova York, Oregon e Vermont, a maioria governados por democratas.

A Suprema Corte também concordou em analisar um terceiro caso movido pela Learning Resources, uma empresa familiar de brinquedos.

Fonte: Valor International

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Agricultura

Brasil deve ter nova safra recorde de grãos em 2025/26, diz Conab

A expectativa é de um volume total de 353,8 milhões de toneladas

O recorde histórico da produção de grãos obtido em 2024/2025 deverá ser superado na próxima safra. É o que indica a 13ª edição da pesquisa “Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026”, divulgada nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladasO resultado é 1% maior do que os 350,2 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25 – volume recorde para o setor, até então.

“Na semana passada, apresentamos os dados do último levantamento da safra agrícola 24/25, quando anunciamos, com imenso orgulho, a maior safra da nossa história. Foi um aumento extraordinário e expressivo. Hoje,  vamos apresentar a perspectiva para a nova safra agrícola. Dia 14 de outubro, a Conab apresentará o primeiro dos 12 levantamentos para a próxima safra, com a possibilidade de um novo recorde”, anunciou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

Números Conservadores

De acordo com as perspectivas divulgadas hoje, o resultado será influenciado pelo aumento na área cultivada, que deve sair de 81,74 milhões de hectares na última safra para 84,24 milhões de hectares no ciclo agrícola 2025/26.

“Já a produtividade média nacional das lavouras está projetada em 4.199 quilos por hectare na temporada 2025/26, redução de 2% se comparada com 2024/25”, detalha o levantamento.

Segundo Pretto, as estimativas da Conab são apresentadas inicialmente com “números conservadores, em função da responsabilidade que a gente precisa ter”, mas dentro de uma real possibilidade. “Nossos números estão cada vez mais assertivos”, assegurou.

Soja e algodão

Com relação ao principal produto cultivado no Brasil, a Conab projeta, para a soja, aumento de 3,6% na produção, chegando, portanto a 177,67 milhões de toneladas na próxima safra. Na última colheita, foram colhidas 171,47 milhões da oleaginosa.

O resultado, se confirmado, resultará, novamente, em recorde de produção, influenciado pelo aumento da demanda global pelo produto.

A boa rentabilidade e a possibilidade de venda antecipada da produção de algodão têm favorecido essa cultura. A expectativa para a safra 2025/2026 é de um crescimento de 3,5% na área semeada. A produção deverá crescer 0,7%, alcançando o recorde de 4,09 milhões de toneladas.

Milho

No caso do milho, há uma expectativa de redução de 1% da colheita, na comparação com a safra 2024/25, mesmo havendo aumento de área cultivada nas primeira e segunda safra.

Segundo a Conab, esse movimento se deve à expectativa de aumento no consumo interno, “impulsionado principalmente pelo aumento da demanda do grão para produção de etanol, bem como pela perspectiva de maior demanda externa, diante de um possível redirecionamento das compras asiáticas do milho norte-americano para o milho sul-americano, em resposta ao aumento de tarifas impostas por importantes países importadores na Ásia”.

Apesar da maior área semeada, a produção estimada de milho, somadas as três safras, é de 138,3 milhões de toneladas. “A queda de produtividade decorre do patamar excepcional registrado na safra 2024/25, beneficiada por condições climáticas amplamente favoráveis”, justifica a companhia.

Arroz e feijão

A safra de arroz projetada para o próximo período indica tendência de retração da área cultivada nos principais estados produtores, saindo de 1,76 milhão de hectares em 2024/25 para 1,66 milhão de hectares no ciclo 2025/26.

O resultado decorre da ampliação da produção nacional e internacional registrada em 2024/25, o que acabou por gerar excedente de oferta e desvalorização do grão. É também esperada uma redução de 4,8% na produtividade média nacional, reflexo também do patamar excepcional registrado na última safra de 2024/25

No caso do feijão, é estimada uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que, segundo a Conab, assegura o consumo previsto no país.

Cenários adversos

Os números foram comemorados pela ministra substituta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

“As perspectivas são excelentes. O Brasil terá mais uma safra recorde, em um contexto de mudanças climáticas, crises geopolíticas, guerra comercial. Em um contexto bastante adverso, nossa agricultura vai seguir vencedora, produzindo alimentos para abastecer as famílias no Brasil e garantindo oferta de alimentos para o mundo”, disse a ministra.

Na avaliação de Fernanda Machiaveli, o cenário positivo será ainda mais favorecido pela estratégia das autoridades brasileiras em tentar manter mercados mercados ao mesmo tempo em que busca “outras possibilidades internacionais” para escoar uma produção.”cada vez mais sustentável, fortalecendo os sistemas produtivos biodiversos da Agricultura Familiar”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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Economia, Investimento, Tributação

Dólar fecha em alta, a R$ 5,32, após Superquarta

Mercado repercute decisões da Superquarta e riscos de ‘estagflação’ nos EUA.

Sobe, desce, sobe, desce, mas tudo perto da estabilidade. Essa foi a movimentação do dólar no pregão desta quinta-feira (18) após as decisões da Superquarta. O dólar comercial abriu a sessão com baixa, mas ainda durante a manhã a divisa norte-americana passou a subir levemente. O cenário se manteve (entre altos e baixos) até o fim da sessão, com a moeda dos EUA encerrando com avanço de 0,33%, a R$ 5,3189.

A moeda norte-americana é impactada pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cumpriu o esperado e cortou os juros em 0,25 ponto percentual. A decisão foi explicada por Jerome Powell, presidente da autoridade comentário, como um “corte para gerenciamento de riscos” à medida que os indicadores econômicos norte-americanos vêm mostrando um enfraquecimento (especialmente no mercado de trabalho).

As falas, no entanto, colocaram sob os holofotes um risco importante: o de estagflação, um fenômeno econômico que combina inflação resiliente com desaceleração da atividade. Portanto, a hora de os investidores se ajustarem para um cenário de tempestade mais adiante pode ser agora, o que pode acabar punindo a divisa americana.

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Fonte: Valor Investe Globo.com

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Comércio Exterior

A maior diferença de taxas em relação aos EUA aumenta a atratividade do real brasileiro

O dólar perdeu 14,2% em relação à moeda brasileira até agora neste ano.

A já significativa diferença de taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos se ampliou ainda mais na quarta-feira (17), quando a taxa Selic, referência do Brasil, foi mantida em 15%, enquanto o Federal Reserve dos EUA cortou sua taxa-alvo em 25 pontos-base. A medida aumentou a atratividade do real para estratégias de carry trade baseadas em diferenças no custo de capital — operações que tiveram desempenho forte ao longo do ano.

Com um cenário global favorável e o dólar enfraquecendo mundialmente, os investidores veem espaço para nova valorização da moeda brasileira. Ainda assim, há uma ressalva: a cotação do dólar já caiu 14,2% no mercado local.

O arbitragem de carry trade envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir onde as taxas são mais altas, lucrando com a diferença. A ampla diferença entre as taxas brasileiras e americanas tem sido citada por gestores de ativos e bancos nacionais e internacionais como motivo para esperar que o real supere outras moedas de mercados emergentes, apesar das preocupações com a instabilidade política, que pode aumentar a volatilidade.

“A verdade é que o cenário externo é muito favorável, com o dólar perdendo terreno globalmente. Quando o ambiente global é favorável, o mercado tolera mais risco doméstico”, disse Gustavo Vieira, economista e sócio da Opportunity Total. “Nesse cenário, o diferencial de taxas de juros pesa mais do que qualquer outra narrativa.”

O Sr. Vieira espera que o ambiente externo continue positivo para os mercados emergentes no curto prazo. “Este ciclo de cortes de juros do Fed está ocorrendo em um período em que as chances de uma recessão nos EUA são baixas. De modo geral, este é um bom ambiente para ativos de risco”, observou. Se a perspectiva global permanecer de enfraquecimento do dólar e o Brasil mantiver taxas elevadas, é provável que o real supere seus pares.

“As taxas de juros reais no Brasil não são apenas altas em comparação com os EUA, mas também em relação a outros países da América Latina que competem por fluxos globais de portfólio, especialmente México e Colômbia”, afirmou.

Riscos potenciais

Alguns investidores, no entanto, questionam se os participantes do mercado subestimaram os riscos e se o real deveria ter se valorizado ainda mais neste ano, dado o cenário global favorável e as taxas domésticas elevadas.

Comparando o desempenho do real com outras moedas, Eduardo Jarra, economista-chefe e estrategista do Santander Asset Management, disse que a moeda brasileira começou o ano com desconto devido à forte depreciação no final de 2024. “O real ‘se movimentou’ e se destaca entre as moedas este ano, ajudado pelo diferencial de taxas. Mas em 2025, começamos de uma base mais fraca, o que contribuiu para essa valorização”, afirmou. “O nível atual do real parece consistente com os fundamentos até agora.”

O Santander Asset Management espera que o Brasil comece a cortar as taxas de juros apenas no primeiro trimestre do ano que vem, enquanto projeta-se que o Fed continue reduzindo suas taxas, podendo chegar a 3,5% até 2026.

“O diferencial de juros vai se ampliar ainda mais a favor do Brasil, e ainda vejo isso como um ambiente favorável do ponto de vista fundamental. Se o dólar estiver se desvalorizando e o carry continuar favorável, a perspectiva deve permanecer construtiva”, disse Eduardo Jarra.

Drausio Giacomelli, estrategista-chefe de mercados emergentes do Deutsche Bank, também vê a moeda brasileira bem ancorada, dado os ciclos monetários contrastantes entre o Brasil e seus pares. “O diferencial de taxas é uma das melhores coisas que o real tem a seu favor neste momento. Enquanto bancos centrais em outros lugares começaram a cortar ou retomarão em breve, o Banco Central do Brasil está dizendo: ‘não até o próximo ano’”, afirmou.

Giacomelli espera que a divergência continue por algum tempo. “Daqui a seis meses, a taxa de juros do Brasil ainda pode estar cerca de 6 pontos percentuais acima da Colômbia, 10 pontos acima do Chile, 7,5 pontos acima do México e quase 11 pontos acima das taxas dos EUA. Isso é significativo.”

Mas os spreads de juros não são os únicos fatores que apoiam uma possível nova valorização do real. A menor volatilidade cambial e a participação limitada de investidores estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro também favorecem a moeda, disse Gustavo Vieira, da Opportunity.

“A menor volatilidade do câmbio no Brasil sugere que o risco percebido é menor, tornando o diferencial de taxas ajustado pela volatilidade ainda mais atraente”, afirmou. “Além disso, quando o Brasil tinha spreads de juros com os EUA como estamos vendo agora, o investimento estrangeiro em renda fixa geralmente era maior do que é hoje. Portanto, ainda há espaço para entradas de capital, especialmente porque o Brasil não possui mais classificação de grau de investimento.”

O principal risco para uma valorização adicional do real, na visão de Vieira, seria uma deterioração do cenário externo, como uma forte desaceleração da atividade econômica nos EUA aumentando as chances de recessão, ou um aumento inesperado da inflação que obrigue o Fed a retomar os aumentos de juros.

Jarra, do Santander Asset, também apontou uma possível correção de mercado. “Há espaço para nova valorização”, disse ele. “Mas devemos lembrar que o real já se valorizou consideravelmente este ano, o que deixa o mercado exposto a possíveis retrações técnicas.”

Fonte: Valor International


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Comércio Exterior

Carne bovina do Brasil conta com outros mercados enquanto vendas aos EUA caem

Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países

A indústria de carne bovina do Brasil, maior exportador global, está expandindo exportações para diversos mercados e conta com a abertura de novos enquanto as vendas para os Estados Unidos deverão ter nova queda em setembro devido ao tarifaço, afirmou o presidente da associação Abiec, nesta quarta-feira (17).

Roberto Perosa destacou que o Brasil tem capacidade de realocar embarques que antes iriam para os EUA, e reafirmou que o país deverá crescer 12% em volumes totais exportados em 2025 em relação ao ano passado, podendo avançar em 14% numa expectativa mais otimista.

Para os EUA, tradicionalmente o segundo maior mercado para a carne brasileira após a China, os embarques em setembro terão nova queda, para 7 mil toneladas, versus 9 mil em agosto e aproximadamente 30 mil mensais antes do tarifaço, disse Perosa.

“A despeito das tarifas e das questões geopolíticas, o brasileiro, principalmente o setor da pecuária, tem muita capacidade de articulação e realocação dos seus produtos”, afirmou Perosa durante o Fórum Pecuária Brasil, promovido pela consultoria Datagro.

No ano passado, o Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países, totalizando US$12,9 bilhões. Em receita, a Abiec prevê que as exportações brasileiras do produto cresçam até 16% em 2025.

Além de contar com firme demanda global pela carne bovina, Perosa destacou ainda que o Brasil é competitivo e consegue manter parte dos embarques aos EUA, apesar das tarifas impostas por Donald Trump. “A perda do nosso segundo maior mercado faz diferença. Mas pasmem, mesmo com a tarifa de 76,4% (dos EUA à carne bovina), ainda existe exportação para os EUA por conta da competitividade que nós conquistamos”, acrescentou.

A jornalistas, ele explicou que existem empresas brasileiras com contratos vigentes que continuam exportando aos EUA, embora em menores volumes. Esses embarques são diversos, incluindo cortes de maior valor agregado, mas também há alguns relacionados a compromissos com o governo dos EUA.

“Existem empresas brasileiras que têm contrato em vigência com o governo dos Estados Unidos para fornecimento de carne para o governo americano, por exemplo, para as prisões… milhares e milhares de dólares, e este contrato não pode ser rompido…”, disse ele, sem mencionar os nomes das companhias.

Ele também comentou sobre um forte aumento de exportações do Brasil para o México –mercado aberto ao final de 2023 e que passou a ser o segundo destino dos embarques brasileiros em agosto–, o que levantou questões se estaria havendo uma triangulação para embarcar carne brasileira aos EUA.

“Está aumentando, mas não significa necessariamente que a carne vai para os EUA…”, afirmou, ponderando que em carne bovina o México tem mais acordos comerciais do que o próprio Brasil.

“Isso faz com que ele (México) possa comprar a carne brasileira, usar no seu consumo interno, e exportar para todo mundo, não exclusivamente para os EUA. Então acho que não há estratégia de triangulação… claro que uma pessoa ou outra pode eventualmente fazer, mas não é o grosso da exportação…”

Para Perosa, no setor de bovinos, as exportações do México para os EUA estão concentradas em bois vivos.

Novos mercados

Perosa disse em sua apresentação que o segmento tem a expectativa de abertura de novos mercados para seguir crescendo.

“Faltam ainda atender três mercados estratégicos, no início do ano faltavam quatro. O Vietnã foi aberto recentemente, e novas habilitações estão a caminho.”

O presidente da Abiec disse que o Brasil ainda trabalha para abrir o Japão, Turquia e Coreia do Sul, “que são mercados altamente rentáveis”.

“Acho que estamos muito próximos da questão do Japão… foi sendo criado um contexto para abertura do Japão e estamos caminhando para isso”, ressaltou ele, dizendo que espera que isso aconteça ainda este ano.

Conforme antecipou a Reuters, inicialmente estão sendo negociadas vendas para o Japão a partir dos Estados do Sul.

Sobre a Turquia, ele disse que há questões técnicas que precisam ser resolvidas, como uma testagem individual de animais exigida pelos turcos, que seria inviável. “Mas o Brasil quer muito entrar e estamos vendo como fazemos para entrar nesse mercado.”

Com relação à Coreia do Sul, Perosa afirmou que “falta um empurrão diplomático do governo brasileiro” para um andamento mais célere do processo.

Ele ressaltou ainda, que com as novas empresas habilitadas a exportar para a Indonésia, já está havendo um grande fluxo comercial de miúdos para aquele país.

Fonte: Diário do Comércio

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Negócios

JBS está preparada para provável virada do ciclo pecuário no Brasil, diz diretor

A JBS, maior produtora global de carnes, está preparada para uma provável virada do ciclo pecuário no Brasil, o que poderia implicar em uma menor oferta de bovinos para abate após um período de maior produção, disse Eduardo Pedroso, diretor-executivo de Originação da Friboi JBS, nesta quarta-feira.

Em entrevista a jornalistas durante evento em São Paulo, ele lembrou que nos últimos 24 meses houve um “aumento significativo” do desfrute do rebanho nacional, resultando em uma sobreoferta “muito grande”, permitindo maior processamento nas indústrias do Brasil.

Mas há sinais de uma menor oferta no próximo ano no Brasil, maior exportador global de carne bovina, em momento em que outros países, como os Estados Unidos, enfrentam uma escassez de animais para abate.

“Realmente a iminência da virada do ciclo pecuário vem com alguns desafios. No nosso caso, estamos nos preparando com parcerias, contratos e relacionamento muito próximo de pecuaristas (no Brasil), para que o nosso volume seja preservado”, disse Pedroso.

Ele comentou que, cada vez mais, a JBS trabalha com contratos a termo no Brasil.

“Antigamente, a gente comprava o boi quando ele estava gordo, hoje a gente compra o boi muitas vezes na barriga da mãe, com meses ou anos de antecedência. Essa relação (com o pecuarista) evoluiu muito, o nível de profissionalização da relação da indústria e produtor está em outro patamar.”

Após um crescimento esperado de cerca de 3% em 2025 ante 2024, seguido de um salto de mais de 16% entre 2023 e 2024, os abates de bovinos no Brasil deverão cair mais de 9% em 2026 na comparação com este ano, para 37,1 milhões de cabeças, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira pela consultoria Datagro.

A queda nos abates ocorreria após um forte movimento de abate de matrizes, que geralmente é seguido por retenção de fêmeas para a produção de bezerros.

Mudanças como essas geralmente impactam os preços da arroba do boi gordo. O mercado atual está “equilibrado”, com as cotações oscilando entre R$330 e R$290, segundo dados da Datagro no evento promovido pela consultoria.

O executivo lembrou que o ciclo pecuário é inerente à atividade, que registra movimentos de retenção de fêmeas em uma época do ciclo e outra de “liquidação” dos animais.

Ele comentou que isso geralmente traz oscilação de preços, mas destacou também que a incorporação de tecnologias e manejos tem amenizado os efeitos do ciclo de baixa.

“O que a gente observa de oportunidades com o advento da integração lavoura-pecuária, incorporação de tecnologia no campo, redução da idade de abate, incremento da produtividade…, os impactos do ciclo podem ser suavizados, e é isso que a gente imagina que deve acontecer”, afirmou ele, admitindo que o Brasil está “entrando em momento de provável retenção de matrizes.”

Roberto Perosa, presidente da associação das indústrias de carne do Brasil, a Abiec, disse a jornalistas durante o evento que não acredita “em toda esta queda” projetada nos abates para o ano que vem.

“Acho que o mercado continuará equilibrado, a previsão dos especialistas para este ano era de uma queda de abates, e estamos crescendo o abate.”

Ele destacou fatores como os citados pelo executivo da JBS, incluindo a melhoria genética do rebanho, que resulta em mais produção.

Perosa disse também não acreditar em queda no consumo interno de carne bovina no Brasil, citando que 2026 é ano eleitoral, com possíveis movimentos que fortaleçam a demanda.

“Acho que vai ter este estímulo, com o pleno emprego e o aumento da renda da população, acho que o consumo de carne bovina pode se manter estável ou inclusive crescer no ano que vem.”

Fonte: Reuters

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Economia

Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.

​O ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, certa moderação no crescimento, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Índice de preços202520261º tri 2027
IPCA4,83,63,4
IPCA livres5,03,53,3
IPCA administrados4,33,83,8

Fonte: Banco Central do Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Alckmin: “A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”.

Fala do vice-presidente e ministro do MDIC se deu durante debate sobre a força dos pequenos exportadores promovido pelo SBT News.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a necessidade de ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações durante a abertura do evento “Os pequenos também exportam”, realizado nesta quarta-feira (17/09) pelo SBT News. Alckmin destacou medidas de apoio aos pequenos empreendedores como o Acredita Exportação, o Portal Único de Comércio Exterior e o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Apex Brasil.

“A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”, afirmou o ministro. “O Brasil é um importante exportador, mas pequenos empreendedores ainda exportam pouco. A Itália é um bom exemplo de um país onde os pequenos exportam muito”, complementou.

Para o ministro, oferecer estímulos para que os pequenos empreendedores exportem mais faz parte da estratégia para tornar o Brasil um país mais competitivo no exterior. “Com o Acredita Exportação, a micro e a pequena empresa ganha um crédito automático de 3,1% do valor exportado, que é uma maneira do governo devolver parte do imposto pago pelos insumos dos produtos exportados”, exemplificou.

Outra medida importante elencada pelo ministro diz respeito ao Portal Único de Comércio Exterior, que permite o uso de uma mesma licença tanto para exportação como para importação, além de reduzir a burocracia e o uso de papel. “Isso deve reduzir o Custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano”, ressaltou Alckmin. “Uma carga parada no porto por um dia custa 0,8% do valor da carga. Se ficar três dias parada, já foi 2,5%. O Portal Único vai dar mais agilidade, reduzir esse tempo e permitir maiores ganhos para os empreendedores”, detalhou.

O ministro ainda citou o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), promovido pela Apex Brasil com o objetivo de preparar micro e pequenas empresas para o mercado externo. “O PEIEX é um programa só para capacitação dos pequenos, para que eles possam exportar e, com isso, ganhar mais mercado”, lembrou.

“Tem também a promoção dos produtos, que traz compradores para o Brasil, para comprarem das pequenas empresas aqui e faz participação também lá fora, em feiras de negócios, para poder colocar o produto das pequenas empresas”, acrescentou.

Tarifaço

Ao mencionar os problemas provocados pela imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o ministro destacou o programa de mitigação implantado pelo governo federal para amenizar o impacto na economia. “O que o governo está fazendo? Primeiro, R$ 40 bilhões de crédito pelo fundo garantidor. Dois, compras governamentais. Três, prorrogação do drawback por um ano. E quatro, o reintegra para pequenas empresas que oferece crédito de 6,1% do valor exportado”, enumerou.

Fonte: MDIC gov.br

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Internacional

ONE adia recarga por baixo nível de água

A companhia japonesa de navegação Ocean Network Express (ONE) informou que decidiu adiar a aplicação do recargo por baixo nível de água (LWS) nos portos de Manaus e Porto Velho, no Brasil.

A medida, inicialmente prevista para setembro, entrará em vigor em 15 de outubro de 2025.

Segundo comunicado da empresa, a decisão se deve ao fato de que a diminuição do nível do rio Amazonas está acontecendo de forma mais lenta do que o previsto. Isso permitiu postergar a entrada em vigor da cobrança, que afetará as operações nessa região-chave para a logística fluvial.

O recargo temporário terá um custo de USD 975 por TEU e será aplicado em todas as rotas comerciais e serviços da companhia. A ONE informou que essa tarifa será mantida até novo aviso, dependendo das condições do rio.

A empresa, formada pela Nippon Yusen Kaisha (NYK), Mitsui O.S.K. Lines (MOL) e K Line, ressaltou que a medida busca garantir a continuidade de suas operações diante das variações sazonais que impactam a navegação no Amazonas.

Além disso, a ONE agradeceu aos clientes pelo apoio e destacou seu compromisso em continuar atendendo às necessidades de transporte global na região.

Fonte: Todo Logistica News

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