Sustentabilidade

Megabarco elétrico da China inaugura nova era no transporte marítimo sustentável

A China colocou em operação o maior porta-contêineres 100% elétrico já construído, marcando um avanço significativo no transporte marítimo sustentável. O navio, batizado de Ning Yuan Dian Kun, representa uma aposta concreta na redução das emissões de carbono em um setor responsável por cerca de 90% do comércio global — e também por uma parcela relevante das emissões de CO₂ na logística internacional.

Maior navio elétrico do mundo inicia testes em Xangai

Desenvolvido pelo estaleiro Jiangxi Jiangxin Shipbuilding, o Ning Yuan Dian Kun começou os testes de navegação na região de Xangai após concluir as provas de amarração.

Com 127,8 metros de comprimento e 21,6 metros de largura, o cargueiro tem capacidade para transportar até 740 contêineres de 20 pés (740 TEU). O deslocamento é de aproximadamente 10 mil toneladas, e a embarcação pode atingir velocidade máxima de 11,5 nós.

Projetado desde o início para operar em rotas costeiras comerciais, o navio foi concebido para atuar tanto em navegação quanto em operações portuárias com zero emissões.

Sistema de baterias intercambiáveis reduz tempo de parada

O principal diferencial do megabarco está no sistema de propulsão elétrica. A embarcação utiliza dez baterias instaladas em contêineres modulares, somando capacidade de até 19.000 kWh. A energia alimenta dois motores elétricos de ímãs permanentes, com potência de 875 kW cada.

Além da recarga convencional em conexão de alta tensão nos portos, o projeto permite a substituição rápida dos módulos de bateria por unidades já carregadas. Na prática, o navio pode “reabastecer” por meio da troca de contêineres energéticos, reduzindo drasticamente o tempo de inatividade — modelo que a China também vem testando no transporte rodoviário pesado.

O sistema ainda conta com painéis fotovoltaicos integrados, que complementam o fornecimento de energia durante a operação.

Navegação autônoma e tecnologia embarcada

Mais do que um navio elétrico, o Ning Yuan Dian Kun incorpora recursos avançados de navegação autônoma. Entre as funcionalidades estão:

  • Monitoramento ambiental em tempo real;
  • Sensores com percepção visual em diferentes condições climáticas;
  • Planejamento automático de rotas;
  • Sistemas de prevenção de colisões.

Os testes em andamento na costa de Xangai avaliam o desempenho do casco, a eficiência do sistema elétrico e a confiabilidade dos recursos digitais antes da liberação para operação comercial.

Operação comercial e meta de descarbonização

Após a fase de testes, o navio será operado pela Ningbo Ocean Shipping em rotas regionais de alimentação conectadas ao porto de Porto de Ningbo-Zhoushan, um dos maiores hubs marítimos do mundo.

O projeto integra a lista nacional chinesa de iniciativas de “demonstração de tecnologias verdes”, com o objetivo de transformar o modelo em referência para o transporte marítimo sem emissões em corredores costeiros.

Caso o sistema de baterias intercambiáveis se consolide em escala regional, os impactos podem ser diretos: redução da poluição atmosférica e sonora nos portos, menor dependência de combustíveis fósseis e fortalecimento de um novo padrão industrial para a navegação comercial.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

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Sustentabilidade

Acordo Mercosul–UE pode fortalecer controle da origem da madeira brasileira

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é visto pelo setor florestal como uma oportunidade estratégica para ampliar o controle da origem da madeira brasileira. A presidente da AMIF (Associação Mineira da Indústria Florestal), Adriana Maugeri, afirmou que a iniciativa pode gerar impactos positivos que vão além da economia, especialmente no fortalecimento da rastreabilidade e da sustentabilidade ambiental.

Segundo Maugeri, o tratado incorpora exigências já adotadas pelo mercado europeu, com foco na garantia de que os produtos brasileiros sejam livres de desmatamento. A proposta, de acordo com ela, reforça mecanismos de monitoramento e transparência ao longo da cadeia produtiva.

Metas ambientais alinhadas a compromissos internacionais

Entre os pontos centrais do acordo estão compromissos ambientais considerados ambiciosos, como a redução de até 50% do desmatamento em curto prazo. As metas dialogam diretamente com os compromissos assumidos pelo Brasil em fóruns internacionais, como a COP30.

A expectativa do setor é que haja maior integração entre produtividade florestal e rastreabilidade da madeira, criando barreiras para a comercialização de produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente e estimulando práticas mais responsáveis.

Diferenças de critérios desafiam a rastreabilidade

Um dos principais entraves destacados pela presidente da AMIF está na divergência entre os critérios adotados pelo Brasil e pela União Europeia para definir o que é desmatamento. De acordo com Maugeri, a legislação ambiental brasileira é ampla e detalhada, tanto em nível federal quanto estadual, e prevê situações de desmatamento legal, autorizado pelos órgãos competentes.

No entanto, essas autorizações nem sempre são reconhecidas pelos parâmetros europeus, o que dificulta a comprovação de que determinados produtos atendem às exigências internacionais. Para ela, há um descompasso na leitura das normas, mesmo quando o Brasil adota regras consideradas mais rigorosas do que as de diversos países europeus.

Minas Gerais como exemplo de produção e conservação

Maugeri destacou que o setor florestal mineiro demonstra, na prática, ser possível equilibrar produção econômica e preservação ambiental. Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, número superior à área agrícola do estado.

Além disso, o setor é responsável pela conservação de mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa, reforçando o papel da atividade florestal como aliada da conservação ambiental.

Cenário internacional e diversificação de mercados

No cenário externo, a China, um dos principais destinos da celulose brasileira, tem sinalizado a intenção de ampliar sua autossuficiência em papel e produtos florestais. Para a presidente da AMIF, esse movimento exige tempo, tecnologia e adaptações estruturais, áreas nas quais o Brasil ainda mantém vantagem competitiva.

Ela avalia que o país asiático enfrenta desafios relacionados ao uso do território, especialmente na conciliação entre produção de alimentos e madeira. Ao mesmo tempo, a aproximação da China com outros países da Ásia tende a ampliar a concorrência para o Brasil.

Diante desse contexto, o setor aposta na diversificação de mercados e no aumento das aplicações da madeira. Considerada um material do futuro, a madeira pode ser utilizada na produção de energia, biocombustíveis, tecidos, alimentos e mais de 5 mil bioprodutos. Dados da FAO indicam que o consumo global de madeira pode dobrar até 2050.

FONTE: CNN Money
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Money

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Norma estabelece diretrizes de sustentabilidade para o Programa Selo Verde Brasil

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou, na terça-feira (27/1), uma nova norma que define diretrizes gerais de sustentabilidade e a base técnica do Programa Selo Verde Brasil. O documento foi elaborado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

A iniciativa cria critérios para certificação de produtos e serviços nacionais, considerando de forma integrada as dimensões ambiental, social e econômica, com foco em estimular práticas sustentáveis no setor produtivo brasileiro.

Base para certificações e capacitação produtiva

As diretrizes servirão como referência para a elaboração de normas técnicas específicas voltadas a produtos e serviços selecionados para o programa. A partir dessas normas, o Selo Verde Brasil prevê a capacitação das cadeias produtivas, culminando na certificação por organismos acreditados pelo INMETRO.

De acordo com a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, a publicação marca a transição do debate para a aplicação prática da política pública. Segundo ela, a expectativa é gerar impactos concretos na ponta, incentivando a sustentabilidade e reconhecendo empresas que adotam esse modelo.

Construção participativa e segurança técnica

A norma foi desenvolvida a partir de debates técnicos e de uma Consulta Pública Nacional, realizada no fim do ano passado. O processo reuniu contribuições de especialistas, representantes da indústria, empresas, pesquisadores, servidores públicos e cidadãos.

Para o presidente da ABNT, Mario William Esper, a participação social garante legitimidade, transparência e segurança técnica à construção das diretrizes, fortalecendo a credibilidade do programa.

Três eixos centrais de sustentabilidade

O texto normativo está organizado em três eixos principais. O primeiro trata da redução de impactos negativos e ampliação de impactos positivos nas dimensões ambiental, social e econômica. O segundo estabelece critérios claros e verificáveis de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida de produtos e serviços. O terceiro eixo busca fortalecer as compras públicas sustentáveis.

Selo Verde e acesso ao mercado internacional

Criado por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 18 de julho de 2024, o Selo Verde Brasil tem como objetivo facilitar a comercialização de produtos e serviços sustentáveis e harmonizar exigências ambientais impostas por governos e empresas de outros países.

A proposta é reduzir barreiras que hoje limitam o acesso de produtos brasileiros ao mercado internacional, especialmente diante de normas ambientais cada vez mais rigorosas.

Primeiros produtos certificados

Nos próximos meses, comitês técnicos da ABNT devem desenvolver normas específicas para os dois primeiros produtos do programa: chapas laminadas de alumínio e polímeros de eteno de fonte renovável. Esses materiais são usados na produção de sacolas recicláveis, filmes e outros itens sustentáveis, substituindo plásticos de origem fóssil.

Segundo Julia Cruz, o país está próximo de implementar o programa de forma integral, permitindo ampliar a oferta de produtos sustentáveis e valorizar empresas alinhadas à economia verde.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Engie Brasil conquista nota máxima em ranking global de preservação ambiental

A Engie Brasil, multinacional com forte atuação em Santa Catarina e líder nacional em energia renovável, voltou a se destacar no cenário internacional ao alcançar pontuação máxima nas categorias Clima e Água da A-list do CDP (Carbon Disclosure Project). O reconhecimento integra os relatórios anuais da entidade, que avaliam o desempenho ambiental de empresas em todo o mundo.

Avaliação rigorosa de clima e recursos hídricos

As notas atribuídas pelo CDP levam em conta critérios como qualidade das estratégias ambientais, governança corporativa, transparência na divulgação de dados e a efetividade das ações voltadas ao combate às mudanças climáticas e à preservação da água.

Reconhecido como o principal sistema independente de divulgação ambiental global, o CDP analisa, todos os anos, a atuação de companhias em relação aos desafios ambientais mais relevantes da atualidade.

Governança ambiental e resiliência sustentável

Para a Engie Brasil, integrar novamente a A-list do CDP reforça o amadurecimento de sua governança ambiental e o avanço contínuo em resiliência climática. A empresa se destaca pela divulgação ampla e consistente de informações ambientais e pela adoção de práticas alinhadas às melhores referências internacionais.

“Esse reconhecimento internacional comprova que nossa estratégia de sustentabilidade vai além do discurso e gera impactos positivos concretos para o planeta e para a sociedade”, afirma Eduardo Sattamini, CEO da Engie Brasil. Segundo ele, a nota máxima é resultado de um trabalho contínuo, baseado em melhorias constantes e no engajamento coletivo da companhia.

Protagonismo na transição energética

A diretora de Sustentabilidade da Engie Brasil, Thais Soares, ressalta que a empresa, por operar com geração de energia 100% renovável, exerce papel central na transição energética justa. De acordo com ela, as iniciativas ambientais da companhia abrangem tanto operações internas quanto ações voltadas à cadeia de valor.

“Nossas estratégias para enfrentar as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais avançam em diversas frentes. Esse reconhecimento reforça que nossas práticas têm impacto real”, destaca.

Critérios técnicos e alinhamento internacional

As empresas listadas pelo CDP passam por uma avaliação técnica rigorosa e independente, alinhada à ciência climática e às diretrizes da TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures). Entre os principais critérios analisados estão a profundidade e a transparência dos relatórios, a gestão de riscos ambientais, a definição de metas e a comprovação de resultados.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC Total

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Sustentabilidade

Viagem histórica com biocombustível no Chile marca avanço da transição energética no transporte pesado

Rota chilena sediará a mais longa viagem com caminhão a biocombustível da América Latina
O Chile será palco do mais longo percurso já realizado na América Latina por um caminhão movido a biocombustível. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Centro de Transporte e Logística (CTL) da Faculdade de Engenharia da Universidade Andrés Bello, a salmonicultora Cermaq Chile, a transportadora GLA e a Lipigas, responsável pelo fornecimento energético.

O projeto será colocado em prática no início de 2026, quando um trator-caminhão abastecido com bioGNL (biogás natural liquefeito) percorrerá a rota entre Chiloé e o Aeroporto de Santiago, transportando salmão fresco produzido pela Cermaq.

Parceria impulsiona transporte sustentável e redução de emissões
Segundo o CTL, o marco simboliza a consolidação de soluções energéticas sustentáveis aplicadas à logística. Para Rolando Campos, chefe de Projetos do Laboratório de Validação Tecnológica do CTL, a colaboração entre as empresas envolvidas tornou viável uma operação mais limpa, com redução de emissões e custos operacionais.

O principal objetivo da iniciativa é diversificar a matriz energética do transporte rodoviário, historicamente dependente do diesel, promovendo o uso do bioGNL na indústria salmonicultora e avançando rumo a operações com emissões zero.

Uso de bioGNL viabiliza neutralidade de carbono
Durante o trajeto, o caminhão operará com uma mistura composta por 15% de bioGNL e 85% de GNL, combinação que garante a neutralidade de carbono. De acordo com Helmuth Raddatz, engenheiro de projetos do CTL, o acordo assegura que, a partir de 2026, todas as operações da Cermaq e da GLA sejam 100% carbono neutro.

A proposta também representa um passo intermediário entre o uso de combustíveis fósseis e a futura adoção da eletromobilidade, ao utilizar energia proveniente de resíduos orgânicos.

Testes técnicos e dados reais sustentam o projeto
O acordo foi formalizado em dezembro, nas instalações da Cermaq em Quemchi, na ilha de Chiloé. O CTL ficou responsável pelo desenvolvimento de testes com metodologias robustas e dados reais de operação, avaliando desempenho energético, econômico, ambiental e operacional dos caminhões.

Essas análises deram origem a um relatório técnico que servirá de base para comparações e avaliações de mercado, criando condições para a futura ampliação do uso do bioGNL no transporte pesado.

Iniciativa cria precedente para a indústria
Para Alex Arzola, gerente de Logística e Comércio Exterior da Cermaq, o percurso representa um desafio logístico relevante e, ao mesmo tempo, estabelece um precedente para novas iniciativas sustentáveis no setor.

Na avaliação de Nicolás Hidalgo, subgerente de GNL e Biocombustíveis da Lipigas, o projeto demonstra a viabilidade de modelos logísticos mais sustentáveis, baseados em soluções energéticas limpas. Já Esteban Alveal, gerente-geral da GLA Chile, destacou o comprometimento técnico e profissional das equipes envolvidas.

Chile avança na liderança em energia limpa no transporte
Com a realização da viagem em 2026, o Chile deve se consolidar como referência regional na transição energética do transporte de cargas, especialmente no segmento de veículos pesados, segundo avaliação do CTL.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Sustentabilidade

Reflorestamento na China altera ciclo da água e redistribui recursos hídricos no país

A China promoveu, ao longo das últimas décadas, um dos maiores programas de reflorestamento do mundo, com o objetivo de conter a desertificação, recuperar áreas degradadas e enfrentar as mudanças climáticas. No entanto, um novo estudo aponta que essa expansão florestal provocou um efeito inesperado: a redistribuição da água em escala nacional.

Estudo revela impacto do reflorestamento no ciclo hidrológico

Pesquisa publicada na revista científica Earth’s Future indica que as mudanças na cobertura vegetal entre 2001 e 2020 alteraram a forma como a água circula pelo território chinês. Segundo os pesquisadores, a água passou a permanecer mais tempo na atmosfera antes de retornar ao solo — e nem sempre nas mesmas regiões de origem.

“O que observamos é que as mudanças na cobertura do solo redistribuem a água”, explicou Arie Staal, professor da Universidade de Utrecht, ao site Live Science. Ele destaca que o processo de reflorestamento em larga escala, especialmente em áreas como o Planalto de Loess, reativou o ciclo hidrológico em diferentes níveis.

Árvores intensificam a evapotranspiração

O principal fator por trás dessa mudança é o aumento da evapotranspiração, processo pelo qual as plantas absorvem água do solo e a liberam para a atmosfera. As árvores desempenham papel central nesse mecanismo, sobretudo por possuírem raízes profundas que acessam água mesmo em períodos de seca.

De acordo com o estudo, a evapotranspiração na China cresceu, em média, 1,71 milímetro por ano entre 2001 e 2020. Embora a precipitação também tenha aumentado, o ritmo foi menor, resultando em uma redução líquida da disponibilidade hídrica em diversas regiões.

Água migra para o Planalto Tibetano

O impacto do reflorestamento não foi homogêneo. Regiões do leste e noroeste da China, que juntas representam cerca de 74% do território nacional, registraram queda na disponibilidade de água. Em contrapartida, o Planalto Tibetano passou a receber mais precipitação.

Segundo os pesquisadores, florestas plantadas em áreas de monções no leste e a recuperação de pastagens no noroeste intensificaram o consumo de água. Parte dessa umidade foi transportada pelos ventos e acabou se concentrando no planalto. “Mesmo com um ciclo da água mais ativo, localmente há perda de disponibilidade”, explicou Staal.

A situação mais crítica foi observada na Região Árida do Noroeste, onde a redução média da água disponível chegou a 1,14 milímetro por ano.

Desafios para a gestão hídrica e a agricultura

O fenômeno preocupa especialistas porque a distribuição de água na China já é desigual. O norte do país abriga cerca de 46% da população e 60% das terras agrícolas, mas dispõe de apenas 20% dos recursos hídricos nacionais.

Embora o governo invista em grandes projetos de gestão da água, os pesquisadores alertam que essas iniciativas podem falhar se não considerarem os impactos do reflorestamento sobre o ciclo hidrológico.

“É essencial avaliar caso a caso se mudanças na cobertura do solo são realmente benéficas, levando em conta onde a água retorna como precipitação”, afirmou Staal.

Segundo o estudo, a China foi responsável por aproximadamente 25% do aumento global da área verde registrado entre 2000 e 2017, reforçando seu papel central nas transformações ambientais globais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pang Zhengzheng/Getty Images

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Sustentabilidade

Brasil desperdiça 20% da energia renovável em 2025 e acende alerta no setor elétrico

O ano de 2025 marcou um contraste no setor elétrico brasileiro. Mesmo figurando entre os líderes globais em energia renovável, o país deixou de aproveitar uma parcela significativa da produção limpa. Ao longo do ano, 20,6% da geração solar e eólica foi desperdiçada, resultado de cortes operacionais e limitações do sistema — fenômeno conhecido como curtailment.

De acordo com o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, a energia não utilizada representou uma perda econômica superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e dezembro.

Excesso de geração expõe fragilidades do sistema elétrico

Segundo o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, o volume desperdiçado não pode ser tratado como algo marginal. “Estamos falando de energia limpa que poderia abastecer residências, indústrias e hospitais, mas acabou sendo descartada”, afirma.

O estudo aponta que os cortes atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando projetos renováveis e expondo fragilidades estruturais do sistema elétrico nacional. O problema ocorre, principalmente, no período da manhã, quando a geração solar atinge seu pico, especialmente entre 10h e 11h.

Curtailment cresce com expansão acelerada das renováveis

Segundo Donato, cerca de 50% dos cortes ocorreram por excesso de oferta, enquanto a outra metade foi causada por limitações da infraestrutura de transmissão. O avanço rápido da geração, sobretudo da solar distribuída, não foi acompanhado por investimentos proporcionais em redes e sistemas de escoamento.

“A geração cresceu muito rápido, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. O sistema atual não foi projetado para essa realidade”, explica.

Fenômeno estrutural e global

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o problema não é exclusivo do Brasil. “Esse é um desafio estrutural da transição energética. Está acontecendo no mundo todo”, afirma.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país já soma cerca de 60 GW de capacidade solar e 33 GW de energia eólica, volume que supera a carga do sistema ao meio-dia. Segundo o especialista, não basta ampliar linhas de transmissão. “Não adianta levar energia para onde não há consumo naquele horário”, destaca.

Picos de corte e risco operacional

O relatório da Volt Robotics indica que os meses de agosto, setembro e outubro concentraram os maiores níveis de corte, com destaque para outubro, quando o desperdício atingiu cerca de 8.000 MW médios, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Em novembro, houve alívio parcial, com redução para 4.600 MW médios, e em dezembro os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o movimento foi considerado conjuntural, associado à redução da geração eólica no fim do ano.

Domingos se tornam ponto crítico do sistema

Os dados mostram que os domingos pela manhã concentram os momentos mais críticos, quando o consumo é menor e a oferta permanece elevada. Em 2025, foram identificados 16 dias críticos, nos quais mais de 80% da geração disponível chegou a ser cortada em determinados períodos.

“Existe risco real de colapso por excesso de energia. Se toda a geração centralizada for cortada e ainda houver sobra da geração distribuída, o sistema pode entrar em instabilidade”, alerta Donato.

Quem paga a conta do desperdício?

O tema ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro. O debate gira em torno de quem deve arcar com os custos do curtailment. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos presidenciais evitaram um repasse estimado em R$ 6 bilhões aos consumidores.

Segundo ele, apenas situações em que a energia não pode ser escoada por falhas de infraestrutura justificariam compensações aos geradores. “Quando o Estado não entrega a infraestrutura necessária, é legítimo indenizar o investidor”, declarou em entrevista ao programa Roda Viva.

Falta de sinais econômicos agrava o problema

Para o pesquisador Diogo Lisbona, da FGV-CERI, o Brasil carece de mecanismos que sinalizem corretamente onde e quando investir. “A geração distribuída não recebe sinais de preço ou localização. Isso distorce o sistema”, afirma.

Ele defende ajustes regulatórios, revisão das regras de compensação e maior integração com soluções de armazenamento de energia. “Sem essas mudanças, os cortes vão continuar crescendo”, avalia.

Medidas emergenciais e caminhos futuros

Diante do agravamento do cenário, a Aneel e o ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a ampliação da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o uso de energia em horários de menor custo.

A Volt Robotics destaca que a adesão ainda é baixa, mas considera o movimento um avanço institucional. Entre as soluções estruturais estão novas linhas de transmissão — especialmente ligando o Nordeste ao Sul e Sudeste — previstas para entrar em operação entre 2029 e 2030.

Além disso, o estudo aponta que mudanças simples no comportamento do consumidor, como deslocar o uso de equipamentos elétricos para o período da manhã, podem reduzir significativamente o desperdício.

“Não é consumir mais, é consumir melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento e incentivos corretos são fundamentais para equilibrar o sistema e garantir uma transição energética segura”, conclui Donato.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Brasil avança na produção de combustível sustentável de aviação e mira atendimento da demanda até 2029

O Brasil encerra o ano com avanços significativos na consolidação do combustível sustentável de aviação (SAF), fortalecendo sua posição na agenda global de descarbonização do transporte aéreo. O país já reúne condições técnicas, produtivas e regulatórias para atender, até 2029, a demanda nacional por esse tipo de combustível, considerado essencial para a redução das emissões do setor.

Um dos principais marcos desse processo foi o anúncio da Petrobras sobre as primeiras entregas de SAF 100% produzido no Brasil, resultado de investimentos voltados ao desenvolvimento de novos biocombustíveis. A iniciativa integra as políticas públicas conduzidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para estruturar uma cadeia produtiva nacional voltada à aviação sustentável.

Estratégia nacional fortalece a transição energética

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o avanço do SAF é estratégico para posicionar o Brasil como referência internacional na transição energética do setor aéreo. “Estamos estruturando um novo mercado com planejamento, segurança regulatória e investimentos que geram previsibilidade. A produção nacional de SAF impulsiona a indústria, cria oportunidades econômicas e permite o crescimento sustentável da aviação”, afirmou.

O MPor atua como articulador da política pública voltada ao tema, promovendo a integração entre governo, setor produtivo e investidores. A estratégia está alinhada à Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para estimular a produção e o uso de combustíveis sustentáveis no país.

Fórum impulsiona políticas para o SAF

Como parte desse esforço, foi criado o Fórum de Transição Energética na Aviação Civil (Fotea), em parceria com o Ministério de Minas e Energia. O colegiado reúne representantes do governo e do setor produtivo com a missão de propor políticas públicas, coordenar ações e acompanhar a implementação do programa nacional de SAF.

A atuação integrada busca garantir segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estímulo aos investimentos necessários para consolidar o novo mercado.

Combustível sustentável é peça-chave da descarbonização

O SAF é considerado um dos principais vetores para a redução das emissões de gases de efeito estufa na aviação civil. Sua utilização permite diminuir significativamente a pegada de carbono dos voos, sem a necessidade de alterações na infraestrutura aeronáutica existente.

No Brasil, o avanço desse mercado é favorecido pela capacidade instalada do parque de refino, pela experiência consolidada em biocombustíveis e pela ampla oferta de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais. Esses fatores colocam o país em posição estratégica para atender às exigências ambientais internacionais.

Segundo a Petrobras, a fração renovável presente no SAF pode reduzir em até 87% as emissões líquidas de CO₂, quando comparada ao querosene de aviação tradicional.

Caminho aberto para uma aviação de baixo carbono

O desenvolvimento do SAF está alinhado ao Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que busca ampliar a capacidade produtiva, atrair investimentos e garantir estabilidade regulatória. A atuação coordenada entre governo e empresas do setor cria um ambiente favorável à consolidação dessa nova cadeia produtiva.

Com políticas públicas estruturadas, investimentos estratégicos e fortalecimento do marco regulatório, o Brasil avança de forma consistente rumo a uma aviação mais limpa, competitiva e sustentável, contribuindo para a transição energética e para uma economia de baixo carbono.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Logística, Sustentabilidade

BNDES Renovação de Frota libera R$ 10 bilhões para caminhões com menor impacto ambiental

O programa BNDES Renovação de Frota foi lançado nesta terça-feira (23) com o objetivo de acelerar a modernização do transporte rodoviário no Brasil. A iniciativa prevê a liberação de R$ 10 bilhões em crédito para a compra de caminhões novos e seminovos, com foco em eficiência energética, redução de emissões e ganhos logísticos.

As operações contarão com taxas de juros entre 13% e 14% ao ano e prazo de pagamento de até 60 meses, ampliando o acesso ao financiamento em toda a cadeia do transporte.

Crédito voltado à descarbonização e eficiência logística

O novo programa está alinhado à estratégia nacional de descarbonização, modernização da logística e inclusão produtiva. Segundo o BNDES, os recursos poderão ser utilizados na aquisição de veículos novos previamente credenciados e também de caminhões seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam às exigências ambientais do Proconve 7.

A prioridade será para modelos com menor impacto ambiental, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte de cargas.

Quem pode acessar o financiamento

O acesso ao crédito do BNDES Renovação de Frota será feito por meio da rede de instituições financeiras credenciadas pelo banco. Poderão contratar o financiamento:

  • Caminhoneiros autônomos;
  • Cooperativas de transporte;
  • Empresas de transporte rodoviário de cargas.

A medida amplia o alcance do programa e busca fortalecer diferentes perfis de transportadores em todo o país.

Transporte rodoviário segue como eixo estratégico

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a renovação da frota é fundamental para o desenvolvimento econômico. O transporte rodoviário responde por cerca de 68% da matriz de transporte brasileira, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos em segurança, produtividade e sustentabilidade.

Estrutura dos recursos e condições financeiras

Do total de R$ 10 bilhões, R$ 6 bilhões terão origem no Tesouro Nacional, enquanto R$ 4 bilhões serão captados pelo próprio BNDES a taxas de mercado. Essa combinação viabiliza as condições financeiras do programa.

As regras foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O financiamento poderá ter:

  • Prazo total de até 60 meses;
  • Carência de até seis meses;
  • Limite de R$ 50 milhões por beneficiário.

Além disso, R$ 1 bilhão será reservado exclusivamente para transportadores autônomos e pessoas físicas vinculadas a cooperativas, reforçando o viés social da política pública.

Base legal do programa

A autorização para o uso de recursos do Tesouro Nacional nas linhas de financiamento foi formalizada por meio da Medida Provisória nº 1.328, publicada na última quarta-feira (17).

Fonte: Com informações da BNDS.
Texto: Redação

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Sustentabilidade

Licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná reacende polêmicas e levanta dúvidas sobre transparência e impacto ambiental

A Hidrovia Paraguai-Paraná, principal eixo do comércio fluvial da Argentina, voltou ao centro do debate público com o lançamento da Licitação Pública Nacional e Internacional nº 1/2025, que definirá a nova concessão da Via Navegável Troncal. O processo, publicado no Boletim Oficial em 19 de dezembro de 2025, é marcado por questionamentos judiciais, críticas técnicas e alertas sobre riscos econômicos e ambientais.

O que prevê a nova licitação da Hidrovia

O edital abrange o trecho que vai do quilômetro 1.238 do rio Paraná até as águas profundas do rio da Prata exterior, no km 239,1 do canal Punta Indio. Desde junho de 2021, esse segmento está sob gestão da Administração Geral de Portos (AGP), conforme o Decreto 427/21.

Trata-se da terceira tentativa de licitação desde o fim da concessão original dos anos 1990. As iniciativas anteriores foram alvo de impugnações e críticas da Procuradoria de Investigações Administrativas, que apontou falhas nos procedimentos e na condução administrativa.

Concorrência limitada e suspeitas de esvaziamento

No chamado anterior, previsto inicialmente para janeiro de 2025 e prorrogado até fevereiro, apenas a empresa belga DEME apresentou proposta. A baixa concorrência levantou dúvidas sobre a efetiva competitividade do certame e levou à atuação da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência.

Após o episódio, autoridades do governo defenderam a licitação e alegaram que houve manobras para inviabilizar a comparação de propostas econômicas. Segundo a versão oficial, o esvaziamento da disputa teria prejudicado diretamente os produtores argentinos.

A DEME ofereceu executar serviços de dragagem e manutenção sem aumento de custos, com valores até 30% inferiores aos praticados anteriormente pela Jan De Nul, que mantinha contrato direto após a anulação da licitação de 2021/2022.

Histórico judicial e fragilidades no processo

A licitação também é analisada à luz da Causa Cuadernos, investigação em que o empresário Benjamín Romero, do grupo EMEPA e sócio local da Jan De Nul, admitiu pagamentos ilegais relacionados à prorrogação da concessão. O caso foi encaminhado para julgamento oral, apesar de tentativas de encerramento mediante reparação financeira.

No caminho até o novo edital, foram realizadas mesas de trabalho com participação restrita e repetição dos mesmos convidados, sem abertura a novos interessados. Na prática, os encontros funcionaram como apresentações formais, sem debates técnicos aprofundados.

Ausência de estudo ambiental gera críticas

Outro ponto sensível foi a realização de uma audiência pública sem a apresentação de um estudo de impacto ambiental. A ausência do documento provocou forte rejeição entre especialistas e participantes, colocando em xeque a sustentabilidade do projeto.

A Hidrovia Paraguai-Paraná é essencial para o escoamento da produção agroexportadora e possui impacto direto sobre ecossistemas e economias regionais, o que reforça a necessidade de análises ambientais consistentes.

Falta de consultas técnicas estratégicas

Não há registros de consultas formais a órgãos técnicos fundamentais, como a Prefectura Naval Argentina, o Instituto Nacional da Água, o Serviço de Hidrografia Naval ou o Serviço Meteorológico Nacional. Também não foram consideradas parcerias internacionais, como o memorando firmado entre a AGP e o US Army Corps of Engineers, voltado à gestão de recursos hídricos e proteção ambiental.

Fatores estruturais, como mudanças climáticas, variações nos ciclos hidrológicos e alterações no uso do solo no Brasil e no Paraguai, também ficaram fora do planejamento. Entre 2022 e 2025, o nível do rio Paraná chegou a cair mais de dois metros na região de Rosário, afetando diretamente os custos logísticos e de exportação.

Custos adicionais e impacto na competitividade

Além de dragagem e balizamento, a concessão exige serviços como contenção de derramamentos, salvamento, remoção de embarcações afundadas e manutenção de equipamentos de navegação. Essas atividades já são realizadas por órgãos públicos ou empresas privadas, mas passarão a ser responsabilidade do concessionário por 25 anos.

A incorporação de dívidas históricas da AGP ao contrato tende a elevar o valor dos pedágios, pressionando ainda mais a competitividade do setor produtivo argentino.

Um processo estratégico sob alerta

A Licitação 1/2025 da Hidrovia Paraguai-Paraná evidencia os desafios de administrar uma infraestrutura fluvial estratégica. Entre antecedentes judiciais, críticas à transparência, ausência de estudos ambientais e riscos econômicos, especialistas defendem um processo mais técnico, participativo e rigoroso para garantir benefícios reais aos produtores e à economia do país.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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