Comércio Exterior, Tecnologia

Tecnologia, Big Data e o Futuro do Comércio Internacional: entrevista com a especialista Mariana Tomelin

Com mais de 15 anos de atuação no comércio exterior, Mariana Pires Tomelin é referência quando o assunto é internacionalização de empresas. À frente da Exon Trade Business Intelligence, ela lidera projetos que integram inteligência comercial, análise de dados e tecnologia de ponta, como Inteligência Artificial e Big Data, para ampliar o desempenho de empresas brasileiras em mercados globais. Com domínio de seis idiomas e uma abordagem estratégica, Mariana atua em negociações multiculturais e apoia indústrias a se posicionarem de forma sólida e competitiva fora do Brasil.

Nesta entrevista, a especialista compartilha sua visão sobre as transformações tecnológicas no comércio internacional, os desafios enfrentados por empresas iniciantes na exportação e os caminhos para a inovação no setor. Confira:

Como a tecnologia tem transformado o comércio internacional?

MARIANA – A transformação digital trouxe automação de processos aduaneiros, rastreabilidade logística em tempo real e plataformas de integração entre fornecedores, compradores e agentes logísticos. Hoje, é possível exportar com mais segurança, velocidade e inteligência.

Qual o papel do Big Data no comércio exterior?

MARIANA – O Big Data possibilita decisões baseadas em dados concretos: desde a identificação de mercados potenciais até a análise de concorrência, preços praticados e comportamento de consumo global. Com ferramentas avançadas, é possível traçar estratégias muito mais eficazes.

Quais tecnologias emergentes você considera aliadas das empresas que querem se posicionar globalmente?

MARIANA – Inteligência Artificial, blockchain, automação aduaneira, plataformas de e-commerce B2B e ERPs integrados são essenciais. Essas ferramentas otimizam custos, aumentam a segurança jurídica e ampliam o alcance comercial das empresas.

Qual a importância do comércio internacional para as empresas atualmente?

MARIANA – O comércio internacional é uma alavanca estratégica para o crescimento das empresas. Ele permite acesso a novos mercados, maior escala de produção, diversificação de receitas e redução de dependência do mercado interno. Para muitas empresas, internacionalizar-se deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade.

Como a exportação contribui para a solidez e longevidade das empresas?

MARIANA – Exportar é uma forma de gerar receita em moeda forte, diluir riscos e aumentar a competitividade. Além disso, empresas exportadoras tendem a investir mais em inovação, qualidade e eficiência, o que as torna mais resilientes em momentos de crise.

Por que diversificar mercados é uma estratégia tão relevante no comércio exterior?

MARIANA – A diversificação reduz a exposição a riscos geopolíticos, variações cambiais e mudanças regulatórias. Atuar em diferentes regiões permite equilibrar sazonalidades e adaptar produtos a múltiplos perfis de consumo.

Por que é fundamental que a empresa se posicione estrategicamente no mercado internacional?

MARIANA – O posicionamento define como a marca será percebida globalmente. Uma empresa bem posicionada comunica seus diferenciais, valores e capacidade produtiva de forma coerente e confiável, o que impacta diretamente na atração de clientes e parceiros comerciais.

Como consultorias especializadas podem acelerar o processo de internacionalização?

MARIANA – Consultorias estratégicas conhecem os atalhos legais, logísticos e comerciais para cada país. Elas ajudam a evitar erros caros, planejar com eficiência, reduzir custos tributários e abrir portas por meio de uma rede de contatos qualificada.

O quanto é importante entender a legislação internacional e os trâmites burocráticos?

MARIANA – O desconhecimento legal é um dos principais fatores que inviabilizam ou tornam uma operação internacional deficitária. Conhecer as normas, tanto do país de origem quanto de destino, garante segurança jurídica, redução de riscos e maior agilidade no processo.

Quais são os principais erros cometidos por empresas iniciantes no comércio exterior?

MARIANA – Entre os erros mais comuns estão: subestimar os custos logísticos, não adequar o produto ao mercado-alvo, negligenciar barreiras não-tarifárias, não buscar apoio técnico e trabalhar sem contratos bem elaborados.

Que papel o planejamento estratégico desempenha no sucesso da exportação?

MARIANA – O planejamento permite antecipar riscos, organizar processos, preparar equipes e construir metas realistas. Sem planejamento, a exportação pode virar um esforço isolado e insustentável.

Como as micro e pequenas empresas podem começar a exportar com segurança?

MARIANA – Elas devem buscar capacitação, participar de programas de incentivo à exportação, estudar o mercado-alvo e começar com operações-piloto. Hoje, há muitas plataformas e órgãos de apoio à disposição.

A atuação internacional exige adaptação dos produtos ou serviços?

MARIANA – Em muitos casos, sim. Pode ser necessária a adaptação de embalagem, rótulos, certificações técnicas e até mesmo do posicionamento da marca. Essa adaptação demonstra respeito ao mercado local e aumenta a aceitação do produto.

Como lidar com as exigências documentais do comércio exterior?

MARIANA – É essencial montar um checklist robusto e manter uma comunicação fluida entre os departamentos envolvidos. Ter apoio de um despachante aduaneiro e sistemas integrados de gestão documental é um grande diferencial.

O que mudou no comércio exterior nos últimos 5 anos?

MARIANA – Houve avanços expressivos na digitalização dos processos, maior exigência de sustentabilidade, aumento da volatilidade geopolítica e uma crescente demanda por rastreabilidade e transparência.

Quais habilidades você considera essenciais para um profissional da área?

MARIANA – Visão estratégica, capacidade de negociação, conhecimento técnico em legislação e logística, domínio de idiomas, familiaridade com tecnologia e sensibilidade cultural são indispensáveis.

Como você enxerga o papel do Brasil no comércio exterior nos próximos anos?

MARIANA – O Brasil tem potencial para ser protagonista, especialmente com alimentos, minérios, energia limpa e biotecnologia. Para isso, é preciso investir em infraestrutura, acordos comerciais e redução da burocracia.

Que conselhos você daria para quem deseja construir carreira em comércio exterior?

MARIANA – Busque conhecimento prático, aprenda com erros, esteja sempre atualizado e desenvolva uma mentalidade global. O profissional dessa área precisa ser curioso, resiliente e conectado com as mudanças do mundo.

Há espaço para inovação no comércio exterior?

MARIANA – Muito. Desde soluções logísticas inteligentes até plataformas de matchmaking internacional, passando por fintechs de câmbio e crédito. O setor ainda tem muito a evoluir com apoio de tecnologia.

Qual mensagem você deixa para as empresas brasileiras que ainda não exportam?

MARIANA – A internacionalização pode parecer desafiadora, mas é perfeitamente viável com planejamento, orientação e coragem. O Brasil tem produtos e talentos de altíssimo nível; com a preparação adequada é possível diversificar mercados e trazer inúmeros benefícios para a empresa e para a sociedade.

Sobre a especialista:

Mariana Pires Tomelin é especialista em Comércio Exterior e fundadora da Exon Trade Business Intelligence. Com atuação estratégica em projetos de internacionalização, Mariana tem como missão tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador. Seu trabalho une experiência técnica, visão de futuro e fluência cultural, transformando dados e desafios em estratégias de expansão global para empresas brasileiras.

TEXTO: REDAÇÃO
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Comércio Exterior, Exportação

Exportações para a China recuam

Do lado das importações, o Brasil aumentou significativamente as compras de produtos

As exportações do Brasil para a China somaram US$ 47,7 bilhões no primeiro semestre de 2025, uma queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024, o pior desempenho desde 2015. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento contrasta com o avanço das importações vindas do país asiático, que cresceram 22% e bateram recorde para o período, totalizando US$ 35,7 bilhões.

O saldo comercial entre os dois países, ainda positivo, caiu para US$ 12 bilhões, o menor desde 2019 e praticamente a metade do superávit registrado no mesmo intervalo do ano passado. Ainda assim, o valor representou 40% do superávit total da balança comercial brasileira no período. O cenário reforça a relevância do mercado chinês, mas indica aumento da dependência de produtos industrializados de alto valor agregado.

Apesar da concentração das exportações em commodities, houve avanços expressivos em segmentos industriais. Destaque para o salto de 10 vezes nas exportações de torneiras para canalizações (US$ 37 milhões), além do crescimento das vendas de dispositivos para aquecimento (20 vezes), centrífugas (16 vezes) e aferidores de gases (35 vezes). Também foram embarcados US$ 6,7 milhões em compostos de metais de terras raras, mais que o triplo de todo o volume exportado em 2024.

Do lado das importações, o Brasil aumentou significativamente as compras de produtos siderúrgicos da China, incluindo laminados planos de aço (quatro vezes mais), fios-máquinas (triplo), barras de ferro (dobro) e semimanufaturados de aço (22 vezes). As importações de carros híbridos chineses cresceram 52% no semestre, com picos em junho — reflexo da estratégia de antecipação de embarques diante da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados. Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações, com 15,7% do total, enquanto São Paulo concentrou 31% das importações.

Fonte: Agrolink

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Comércio Exterior, Exportação

EUA teriam poucas opções para substituir exportações do Brasil, aponta estudo do Daycoval

Perda de receita estimada de US$ 5,9 bi representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos diminuiria em 15% o volume exportado do Brasil para o país. A perda de receita estimada de US$ 5,9 bilhões representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo. Os cálculos são do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.

Segundo a equipe, a demanda de curto prazo pelas principais categorias de exportação do Brasil para os EUA mostra-se inelástica ao preço, ou seja, o volume exportado oscila menos (15%) que a mudança do preço do bem (tarifas adicionais de 50%). “Esse efeito amortecido é uma consequência direta da natureza pouco sensível da demanda dos EUA pelos produtos brasileiros”, diz o Daycoval no relatório.

Bens intermediários – a principal categoria exportada para os EUA, com peso de 54%, representada por derivados de ferro e aço, principalmente – apresenta a menor elasticidade-preço, fazendo com que o aumento de 50% no preço implique queda de apenas 8,2% no volume exportado, estima o Daycoval. Isso indica, segundo o banco, que os EUA teriam dificuldade em encontrar outros parceiros para suprimir a ausência da importação do Brasil.

Combustíveis/lubrificantes, segunda maior pauta de exportação, e bens de capital também apresentam baixa sensibilidade, com as tarifas levando a queda potencial no volume exportado de 23,4% e 21,8%, respectivamente. Os bens de capital incluem as aeronaves da Embraer, e os resultados também mostram que os EUA tenderiam a ter dificuldades em substituir as importações desses produtos, diz o Daycoval.

Apesar do impacto macroeconômico limitado, o choque de receita para esses setores, como de -US$ 1,79 bilhão para bens intermediários e -US$ 1,76 bilhão para combustíveis, é significativo, afirma o Daycoval.

Com queda potencial de 19,1% no volume exportado, os bens não duráveis, grupo que contém as exportações de suco de laranja – 7º item mais exportado para os EUA em 2024 –, também sugerem que os EUA possuem poucas opções de substituir os produtos brasileiros, segundo o banco.

Apenas os bens de consumo duráveis poderiam observar uma queda mais pronunciada, de quase 46% no volume exportado, estima. “Os bens de consumo duráveis são os mais afetados, com sensibilidade próxima a -1, indicando alta substituição dos EUA por esse tipo de bem por outras economias globais. Porém, como a categoria representa apenas 1% das exportações dos Brasil para os EUA, o impacto deste grupo é praticamente nulo”, diz o relatório.

Analisar as elasticidades específicas de cada categoria é fundamental porque a sensibilidade de preço dos itens brasileiros exportados aos EUA é heterogênea, observa o Daycoval.

“Produtos como o suco de laranja, no qual o Brasil é um fornecedor importante para os EUA, e as aeronaves da Embraer, que possuem características técnicas particulares e são vendidas sob contratos de longo prazo, não são facilmente substituíveis no curto prazo. A dificuldade de substituição, seja por volume ou por especificidade, resulta em uma demanda menos sensível a preço”, afirma a equipe no relatório.

Ao confrontar os preços específicos dos EUA com o volume global de exportações do Brasil, o Daycoval encontrou uma capacidade de redirecionamento de parte do comércio para outros mercados, reduzindo o impacto líquido sobre a atividade total.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior, Economia

África do Sul pede “liderança” a países do G20 em meio a ameaças tarifárias

Ameaça por Trump de impor tarifas de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais

África do Sul pediu aos países do G20 que forneçam liderança global e cooperativa para enfrentar os desafios, incluindo o aumento das barreiras comerciais, conforme os chefes de finanças do grupo se reúnem nesta quinta-feira (17) sob a sombra das ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O G20, que surgiu como um fórum de cooperação para combater a crise financeira global de 2008, há anos tem sido prejudicado por disputas entre os principais participantes, exacerbadas pela guerra da Rússia na Ucrânia e pelas sanções ocidentais contra Moscou.

A anfitriã África do Sul, sob o lema de sua presidência “Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade”, tem como objetivo promover uma agenda africana, com tópicos que incluem o alto custo do capital e o financiamento para ações contra as mudanças climáticas.

No discurso de abertura, o ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, disse que o G20 deve oferecer liderança global estratégica, cooperação e ação diante de desafios complexos.

“Muitos países em desenvolvimento, especialmente na África, continuam sobrecarregados pelas vulnerabilidades de dívidas altas e crescentes, espaço fiscal restrito e alto custo de capital que limita sua capacidade de investir em seu povo e em seu futuro”, disse ele.

“A necessidade de uma liderança cooperativa ousada nunca foi tão grande.”

No entanto, há dúvidas sobre a capacidade dos ministros das Finanças e dos presidentes de bancos centrais reunidos na cidade costeira de Durban de lidar com essas e outras questões em conjunto. O G20 tem como objetivo coordenar políticas, mas seus acordos não são vinculativos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não participará da reunião de dois dias, sua segunda ausência em um evento do G20 na África do Sul neste ano.

Bessent também não compareceu à reunião de fevereiro na Cidade do Cabo, onde várias autoridades de China, Japão e Canadá também estavam ausentes, embora Washington deva assumir a presidência rotativa do G20 no fim do ano.

Michael Kaplan, subsecretário interino de assuntos internacionais do Tesouro, representará os EUA nas reuniões.

Um delegado do G20, que pediu para não ser identificado, disse que a ausência de Bessent não é ideal, mas que os EUA estão participando de discussões sobre comércio, economia global e linguagem climática.

Os ministros das Finanças de Índia, França e Rússia também não participarão da reunião de Durban.

O presidente do banco central da África do Sul, Lesetja Kganyago, disse que a representação é o que mais importa.

“O que importa é: há alguém com um mandato sentado atrás da bandeira e todos os países estão representados com alguém sentado atrás da bandeira?”, disse Kganyago à Reuters.

As autoridades dos EUA têm falado pouco publicamente sobre seus planos para a presidência no próximo ano, mas uma fonte familiarizada com elas disse que Washington reduzirá o número de grupos de trabalho não financeiros e simplificará o cronograma da cúpula.

As políticas tarifárias de Trump têm impactado o comércio global, com taxas básicas de 10% sobre todas as importações para os EUA e tarifas de até 50% sobre aço e alumínio, 25% sobre automóveis e possíveis taxas sobre produtos farmacêuticos.

Sua ameaça de impor tarifas adicionais de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais.

Além disso, a última vez que o G20 conseguiu emitir um comunicado coletivo foi em julho de 2024, concordando mutuamente com a necessidade de resistir ao protecionismo, mas sem mencionar a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Fonte: CNN Brasil


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Comércio Exterior, Tecnologia

Tecnologia e Estratégia: a Revolução da Inteligência Artificial e do Big Data no Comércio Exterior

O comércio exterior vive uma revolução silenciosa, mas profunda, movida por tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial (IA) e o Big Data. Em um cenário global altamente dinâmico, essas ferramentas vêm transformando a forma como as empresas se posicionam internacionalmente, passando da intuição à tomada de decisões baseadas em dados concretos.

Segundo a especialista em Comércio Exterior Mariana Pires Tomelin, o uso dessas tecnologias deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica. “A IA permite analisar grandes volumes de informações em tempo real, identificar padrões de comportamento de consumo, antecipar variações de demanda e até sugerir mercados com maior potencial de aceitação para um determinado produto”, afirma.

Com mais de 15 anos de experiência na internacionalização de indústrias e à frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana destaca que sistemas inteligentes também ajudam a prever riscos cambiais, automatizar classificações fiscais, sugerir rotas logísticas mais eficientes e garantir o cumprimento de regulamentações locais. “O resultado é a redução de custos e o aumento da eficiência operacional”, explica.

Já o Big Data oferece uma leitura ampla e profunda do mercado internacional, permitindo acompanhar o comportamento de concorrentes, identificar tendências de preço e reconhecer oportunidades em mercados ainda pouco explorados. “A combinação entre volume, velocidade e variedade dos dados gera uma inteligência de mercado muito mais sofisticada, tornando possível a tomada de decisões com menor margem de erro”, reforça.

No entanto, Mariana alerta: é fundamental que as empresas tenham profissionais capacitados não apenas nas práticas técnicas do comércio exterior, mas também com fluência digital e capacidade de interpretar os dados. “Mais do que dominar leis e tratados, o novo profissional da área precisa ter um pensamento estratégico orientado por dados”, afirma.

Com domínio de seis idiomas e atuação em negociações multiculturais, Mariana é referência na aplicação de business intelligence internacional. Sua missão é clara: “Tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador para empresas brasileiras que desejam conquistar o mundo.”

Para ela, a integração entre tecnologia e inteligência humana é o caminho para uma atuação internacional mais competitiva e alinhada às exigências de um mercado globalizado. “Investir em IA e Big Data é investir na longevidade e na relevância da empresa no cenário internacional do presente e do futuro”, conclui.

TEXTO: REDAÇÃO
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Comércio Exterior, Industria

Canadá anuncia novas medidas tarifárias sobre aço importado para proteger indústria nacional

O primeiro-ministro Mark Carney disse nesta quarta-feira que o Canadá introduzirá uma cota tarifária para os países com os quais tem acordos de livre comércio, excluindo os Estados Unidos, para proteger a indústria siderúrgica nacional.

O Canadá também implementará tarifas adicionais de 25% sobre as importações de aço de todos os países não norte-americanos que contenham aço derretido e derramado da China antes do final de julho.

Carney está respondendo às reclamações da indústria doméstica, que afirmou que outros países estão desviando aço para o Canadá e tornando a indústria doméstica não competitiva devido às tarifas dos EUA.

A indústria siderúrgica canadense pediu ao governo que introduzisse medidas antidumping mais rígidas para proteger a indústria nacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as tarifas de importação sobre aço e alumínio de 25% para 50% no início deste mês. O Canadá é o maior vendedor de aço para os Estados Unidos.

Carney também disse que as empresas siderúrgicas nacionais seriam priorizadas nas compras governamentais e introduziu um fundo de 1 bilhão de dólares canadenses para ajudar as empresas siderúrgicas a avançar em projetos em setores como o de defesa.

“Essas medidas garantirão que os produtores de aço canadenses sejam mais competitivos, protegendo-os contra o desvio de comércio resultante de um ambiente global em rápida mudança para o aço”, disse Carney na quarta-feira.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior, Importação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Logística

Governo assina decreto que regulamenta a cabotagem no Brasil

O BR do Mar pode reduzir fretes em até 15%, gerando uma economia de até R$ 19 bi para empresas e consumidores

O presidente Lula assinou, nesta quarta-feira (16), o decreto que regulamenta o programa BR do Mar, para estimular o uso da cabotagem no transporte de cargas entre portos nacionais. A regulamentação foi elaborada pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, do Ministério de Portos e Aeroportos, e prevê a redução do custo do frete e do impacto ambiental do transporte de cargas no país.

Com o programa, o governo pretende ampliar a oferta de embarcações para a navegação, criar novas rotas, reduzir custos logísticos e aumentar empregos no setor. O BR do Mar também estimula o desenvolvimento e inovação da indústria naval e implementa quesitos de sustentabilidade para permitir o aluguel de embarcações estrangeiras.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, lembrou que o BR do Mar foi apresentado em 2022, mas somente agora, dois anos depois, no governo do presidente Lula, ele saiu do papel e está sendo regulamentado. “Temos hoje o privilégio de assinar esse decreto, que foi construído ao lado do setor produtivo e da indústria naval brasileira e que terá um impacto importantíssimo no fortalecimento da cabotagem no Brasil. O Programa vai fazer com que utilizemos os 8 mil quilômetros do litoral brasileiro para ampliarmos a cabotagem”, disse o ministro.

Costa Filho afirmou ainda que o BR do Mar vai fazer o setor crescer, gerar empregos e fortalecer os portos públicos brasileiros. “E ele tem o papel de reduzir os custos logísticos no país, de 20% a 60%, potencializando, ainda mais, o setor portuário brasileiro. E vai fazer com que uma carga, por exemplo, possa sair de contêineres do porto de Suape, de Pernambuco, levando para o porto de Santos, em São Paulo, reduzindo o custo, ajudando na agenda de descarbonização e ajudando na agenda da sustentabilidade.”

Durante a cerimônia de assinatura no Palácio do Planalto, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o Brasil precisa desenvolver o transporte intermodal para continuar a crescer e levar investimentos para todo o Brasil. “E aí entram os nossos mares, rios e a cabotagem. Essa cabotagem vai unir ainda mais o Brasil. Isso significa desenvolvimento, significa justiça social e nós vamos diminuir a desigualdade com desenvolvimento social, com portos, aeroportos, hidrovias e cabotagem”.

Para o ministro da Casa Civil, Rui Costa, um país continental como o Brasil deve saber que os modais são complementares. “Estamos avançando nos investimentos em portos, nas TUPs, mas também nas vias expressas, rodovias duplicadas e estruturas capazes de suportar o aumento da produção e de cargas no país. O que nós estamos buscando aqui, portanto, é reduzir custos, tornar o Brasil mais competitivo, tornar a nossa produção, seja ela de minério, seja ela industrial, agrícola, de proteína, mais competitiva para que a gente consiga gerar emprego e atividades econômicas”, afirmou.

Empresas de navegação

Para as Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs), o programa incentiva a formação e capacitação de marítimos nacionais, operações para novas cargas, rotas e mercados, além de otimizar emprego dos recursos do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

Um dos instrumentos estipulados no decreto do BR do Mar prevê ainda que a EBN poderá ampliar em até 50% a tonelagem de sua frota própria com afretamento de embarcação estrangeira. Ou seja, se hoje tem dois navios próprios, poderá alugar mais um semelhante em capacidade. Este percentual sobe para 100%, caso a embarcação afretada seja sustentável. Se a EBN tem embarcações sustentáveis, poderá afretar o dobro de navios tradicionais com a mesma capacidade. Caso contrate embarcações estrangeiras sustentáveis, poderá afretar até três navios.

De acordo com a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, há dois tipos básicos de contratação de embarcações previstas em lei: afretamento a casco nu, quando a empresa brasileira de navegação (EBN) aluga a embarcação sem tripulação, assumindo os custos de operação e manutenção; e o afretamento a tempo, quando o armador coloca a disposição do afretador o navio completo, com tripulação, por tempo determinado.

Cabotagem

Atualmente, a cabotagem representa 11% da carga total transportada por navios e o Plano Nacional de Logística (PNL) projeta um crescimento de 15% nos próximos 10 anos, devido à tendência de redução de custos. O valor médio do frete de uma tonelada transportada por cabotagem é 60% menor que o transporte rodoviário e 40% menor que o ferroviário.

Segundo estudos da estatal Infra SA, as modificações vão estimular a concorrência, podendo reduzir o frete em até 15%, o que pode representar uma economia de até R$ 19 bilhões anuais nos custos logísticos. A navegação também reduz em 80% a emissão de gases de efeito estufa.

Em 2024, a cabotagem movimentou 213 milhões de toneladas no Brasil. Cerca de 77% da carga transportada foi em petróleo, especialmente das plataformas offshore até o porto na costa. O BR do Mar deve estimular o transporte de carga em contêiner e carga geral, que hoje respondem por 11% e 2% respectivamente do total transportado por cabotagem.

De acordo com estimativa da Infra SA, um eventual aumento de 60% no transporte por cabotagem de carga conteinerizada pode representar uma redução de mais de 530 mil toneladas de CO2 equivalente por ano, quando comparado com o modo de transporte rodoviário.

Fonte: Modais em Foco

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Comércio, Comércio Exterior

Paraná tem superávit em balança comercial com EUA, mas principal destino de exportações é a China

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) aponta que o Estado do Paraná tem superávit na balança comercial com os Estados Unidos, na casa de US$ 108,640 milhões. Contudo, em linhas gerais, o principal parceiro comercial estrangeiro do Estado é a China.

O estudo foi feito em meio à preocupação do empresariado com a ameaça de taxas de 50% aos produtos brasileiros importados pelos EUA, feita pelo presidente Donald Trump, do partido Republicano. A medida começa a valer em 1 de agosto.

Em paralelo, o Governo Federal tenta usar a diplomacia para reverter a taxa e criou um grupo de trabalho com a participação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), da Casa Civil, do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Fazenda, coordenado pelo vice-presidente e titular do MDIC, Geraldo Alckmin (PSB).

Paraná

Em geral, em 2024, a balança comercial do Paraná teve déficit de US$ 1,9 bilhão, importando US$ 25,4 bilhões e exportando US$ 23,3 bilhões. No entanto, quando considerados os negócios feitos somente com os EUA, há superávit: exportação de US$ 1,588 bilhão e importação de US$ 1,479 bilhão.

Confira a seguir um histórico das exportações do Porto de Paranaguá para os Estados Unidos. O gráfico foi elaborado a partir de dados do DataLiner:

Exportações do Porto de Paranaguá para os Estados Unidos | Jan 2022 – Mai 2025 | TEUs

O principal destino das exportações de produtos paranaenses é a China, que detém 28% da destinação do que é produzido no Estado, conforme dados de 2024 depurados pelo Dieese. Em segundo lugar, EUA com 6,8% e em terceiro Argentina, com 5,2%.

Em relação a 2023, houve aumento das exportações do Paraná para os EUA, um crescimento de 9,3%, conforme aponta o Diesse. “Entre os 15 principais divisões de produtos da CUCI (Classificação Uniforme do Comércio Internacional) exportados, os maiores aumentos ocorreram nos Açúcares, preparações de açúcar e mel (474,21%); Pescado (exceto mamíferos marinhos), crustáceos,moluscos e invertebrados aquáticos e suas preparações (94,50%); Produtos e preparações alimentícias diversos (57,25%); Papel, cartão e artigos de pasta de celulose, de papel ou de cartão (36,32%); Máquinas e aparelhos elétricos, diversos, suas partes e peças, n.e.p. (31,62%); e Café, chá, cacau, especiarias, e respectivos produtos (19,76%). Juntos representaram 22,6% das exportações de 2024”, diz a nota técnica emitida pelo departamento.

Fonte: Plural Curitiba

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Comércio Exterior

Abertura de mercado no México para produtos brasileiros destinados à alimentação animal

O governo brasileiro recebeu, com satisfação, a decisão do governo do México de aprovar o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) que viabiliza a exportação de produtos destinados à alimentação de animais de companhia (“pets”) do Brasil para aquele país.

Essa abertura representa uma oportunidade para o setor privado brasileiro expandir negócios no segmento de nutrição “pet”, um mercado em forte expansão no mundo. Com cerca de 130 milhões de habitantes e um dos maiores contingentes de animais de estimação da América Latina, o México é hoje o segundo maior mercado para produtos “pet” da região, atrás apenas do Brasil.

Em 2024, o México importou mais de USD 2,9 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para complexo soja, proteína animal, café e produtos florestais.

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 393 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Informativo dos Portos

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